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Soc. estado. vol.25 número2

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Academic year: 2018

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Revista Sociedade e Estado - Volume 25 Número 2 Maio / Agosto 2010 411

Autonomia reflexiva e

produção do conhecimento científico:

O campo da sociologia no Brasil (1999-2008)

Tatiana de Pino Albuquerque Maranhão

Orientador: Prof

a

Dr

a

Fernanda Antônia da

Fonseca Sobral

Curso: Doutorado de Sociologia

Data da Defesa: 16.06.2010

objetivo principal da presente tese foi descrever e analisar as ca-racterísticas e condições da autonomia do campo científico por meio da produção do conhecimento sociológico no Brasil (relações en-tre atores sociais, financiamento público e temas pesquisados), enen-tre 1999 e 2008. A partir do constructo teórico de autonomia reflexiva, as informa-ções foram sistematizadas em cinco bases de dados desenvolvidas pela autora, contendo variáveis relacionadas aos temas da política científica e tecnológica (Planos Plurianuais, legislação e projetos fomentados pelo CNPq) e aos temas da produção de conhecimento científico na sociologia (livros produzidos no âmbito dos programas de pós-graduação e artigos publicados em periódicos dominantes). Após a descrição dos dados, certas variáveis foram recodificadas em duas outras bases, intituladas Agendapol e Agendasol. Estas possibilitaram análises de conteúdo, de frequência te-mática e de similaridade entre categorias tete-máticas encontradas. Os resul-tados obtidos reforçam sobremaneira a explicação da autonomia reflexiva como característica do campo científico, mediante a compreensão de que o que se produz na sociologia não está relacionado diretamente aos assuntos delineados pelo fomento público federal: encontraram-se poucas pesqui-sas com muitos recursos e, ao mesmo tempo, uma tendência crescente na quantidade de pesquisas com poucos recursos (valor médio de até R$ 27 mil). Verificou-se ainda a existência de trabalhos solitários “artesanais”, bem como a existência de grupos de pesquisa e de redes produzindo cole-tivamente. Além disso, soube-se que os atores (individuais e institucio-nais) que mais publicam livros não são os que mais publicam artigos, o que pode indicar lógicas de produção e de acesso à publicações diferentes. Pro-porcionalmente aos livros e aos projetos de pesquisa, a publicação de

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gos é pequena, realizada por poucos atores institucionais que, no entanto, con-centram mais recursos de fomento à pesquisa. Enfim, um fato marcante dentre os resultados desta tese consistiu na comprovação empírica da reprodução da dominação de certas instituições de ensino superior (IES) no campo sociológi-co. Num grupo de 14 IES que estão acima da média na produção de artigos, de livros, de projetos e de fomento federal recebido, Iuperj, USP e Unicamp en-contram-se num primeiro patamar de produtividade. Embora não se questione de modo algum a qualidade dos trabalhos ou de seus pesquisadores, tal situa-ção é desfavorável às transformações estruturais necessárias no fomento à pesquisa e cria entraves para novos atores tanto no que se refere ao acesso à publicação como na tomada de posições em comissões estratégicas no campo científico. Por outro lado, evidenciando que as estruturas de dominação não conseguem controlar nem determinar o campo científico, a contínua pressão de novos atores (institucionais e individuais) com demandas de diferentes cam-pos, em conflito por posições e por reconhecimento fortalece a reflexividade. Finalmente, a dinâmica da autonomia reflexiva nos processos locais e mundiais de construção da ciência garante a existência de espaços de não submissão da agenda temática do campo sociológico a outros interesses. Fato este que, em última instância, viabiliza uma contínua retradução de problemas sociais reais em problemas sociológicos fundamentais.

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