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RECURSO N.º 02/CR – 2020/2021
PARTES:
- Clube Desportivo Cova da Piedade – Futebol SAD, na qualidade de Recorrente;
- Comissão de Licenciamento, na qualidade de Recorrida DATA DO ACÓRDÃO: 23/06/2021
RELATOR: Carlos Moura Alves
OBJETO: Decisão final, de 01 de junho de 2021, da Comissão de Licenciamento, no âmbito do Licenciamento de Clubes para as Competições da FPF – época desportiva 2021/2022, que confirmou a decisão de NÃO ATRIBUIÇÃO DE LICENÇA à CLUBE DESPORTIVO COVA DA PIEDADE – FUTEBOL, SAD, para participação na LIGA REVELAÇÃO, na época desportiva 2021/2022.
NORMAS APLICADAS: Artigos 16.º e 30.º do Regulamento de Licenciamento de Clubes para as Competições da FPF.
SUMÁRIO:
I - O Regulamento de Licenciamento de Clubes para as Competições da FPF, aprovado pela Direção da FPF, na sua reunião de 16 de setembro de 2020, estabelece que os Clubes que se qualifiquem, com base nos respetivos resultados desportivos para a Liga 3, para o Campeonato Nacional Feminino da 1ª Divisão (LIGA BPI), para o Campeonato Nacional da I Divisão de Sub-23 (LIGA REVELAÇÃO) e para o Campeonato Nacional da I Divisão de Futsal (LIGA PLACARD), e que nelas pretendam participar, na época 2021/2022, têm de possuir uma licença, obtida, nos termos do referido Regulamento, mediante a verificação cumulativa de critérios desportivos, infraestruturais, administrativos e de recursos humanos, legais e financeiros.
II - O Regulamento de Licenciamento dispõe sobre as formalidades e os prazos em que os atos procedimentais atinentes ao licenciamento devem ser praticados e o não cumprimento dos prazos até à data limite aí prevista confere à Comissão de Licenciamento como à Comissão de Recurso, no exercício das suas competências, sustentar o não cumprimento ou a não verificação formal e material dos critérios, o que implica o indeferimento do pedido de atribuição de licença.
III – O princípio da primazia da materialidade subjacente, corolário do princípio da boa fé, pode ser mobilizado para, atendendo às circunstâncias concretas e específicas do caso e considerando-as de uma insólita excecionalidade, a Comissão de Recurso, órgão decisório com competência para tal, conceder provimento à pretensão de licenciamento.
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ACÓRDÃO
Acordam no Conselho de Justiça da Federação Portuguesa de Futebol1
I – RELATÓRIO DE TRAMITAÇÃO PROCESSUAL
§1. Registo inicial
1. No dia 7 de junho de 2021, através de mensagem de correio eletrónico, remetida para comissã[email protected] desde o endereço eletrónico de Ricardo Henriques Tomás, Advogado, endereçada ao Ex.mo Senhor Presidente da Comissão de Recurso – Federação Portuguesa de Futebol, veio a Clube Desportivo Cova da Piedade – Futebol SAD2, ao abrigo do disposto no artigo 73.º, n.º 1, dos Estatutos da F.P.F. e nos artigos 6.º, n.º 6 e n.º 9, 7.º, n.º 1, 16.º, alíneas l) e m), todos do Regulamento de Licenciamento de Clubes para as Competições da F.P.F.3, apresentar Recurso Para a Comissão de Recurso da Federação Portuguesa de Futebol, “da decisão final da Comissão de Licenciamento, datada de 1 de junho de 2021, no âmbito do Licenciamento de Clubes para as Competições da F.P.F. – época desportiva 2021/2022 – Liga Revelação”, que confirmou a decisão de NÃO ATRIBUIÇÃO DE LICENÇA à CLUBE DESPORTIVO COVA DA PIEDADE – FUTEBOL SAD, para participação na LIGA REVELAÇÃO, na época desportiva 2021/2022.
2. O recurso apresentado, do qual foi dado conhecimento à Associação de Futebol de Setúbal, nos termos e para os efeitos da alínea l), in fine, do artigo 16.º do Regulamento de Licenciamento (conforme se alcança do teor da mensagem de correio eletrónico), contém alegações, procuração forense e os seguintes 6 (seis) documentos:
a) Certificação do Fiscal Único (sobre inexistência de dívidas à Federação Portuguesa de Futebol, Associações de Futebol e decorrentes de transferências de jogadores vencidas a 31 de dezembro de 2020 – Tabela 1), datada de 8 de abril de 2021 e assinada por Rui Geraldes (Revisor Oficial de Contas) – Doc. 1;
1 De ora em diante apenas Comissão de Recurso.
2 Doravante também apenas Cova da Piedade – Futebol SAD.
3 Regulamento de Licenciamento de Clubes para as Competições da FPF, aprovado pela Direção da Federação Portuguesa de Futebol, na sua reunião de 16 de setembro de 2020, de acordo com o disposto no artigo 10.º e nas alíneas a) e c) do número 2 do artigo 41.º, do Decreto-Lei n.º 248-B/2008, de 31 de dezembro, na redação que lhe foi conferida pelo Decreto- Lei n.º 93/2014, de 23 de junho, e no artigo 51.º, número 2, alíneas a) e b) dos Estatutos da FPF, publicitado no Comunicado Oficial n.º 87 da FPF, do dia 16/09/2020, disponível para consulta no site oficial da FPF, doravante apenas designado por
“Regulamento de Licenciamento”.
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b) Certificação do Fiscal Único (sobre inexistência de dívidas a jogadores, treinadores e demais colaboradores vencidas a 31 de dezembro de 2020 – Tabela 2), datada de 8 de abril de 2021 e assinada por Rui Geraldes – Doc. 2;
c) Tabela 1, jogadores contratados e jogadores profissionais contratados de 1 de janeiro de 2020 a 31 de dezembro de 2020 (acrescentados até à data atual), assinada por Rui Geraldes e Administradores da Cova da Piedade – Futebol SAD – Doc. 3;
d) Certificação do Fiscal Único (sobre inexistência de dívidas à Federação Portuguesa de Futebol, Associações de Futebol e decorrentes de transferências de jogadores vencidas a 31 de dezembro de 2020 – Tabela 1), datada de 8 de abril de 2021, assinada por Rui Geraldes e Administradores da Cova da Piedade – Futebol SAD – Doc. 4;
e) Tabela 2, assinada por Rui Geraldes e Administradores da Cova da Piedade – Futebol SAD - Doc. 5;
f) Certificação do Fiscal Único (sobre inexistência de dívidas a jogadores, treinadores e demais colaboradores vencidas a 31 de dezembro de 2020 – Tabela 2), datada de 8 de abril de 2021, assinada por Rui Geraldes e Administradores da Cova da Piedade – Futebol SAD – Doc. 6;
3. Ainda no dia 7 de junho, igualmente através de mensagens de correio eletrónico expedido do endereço de Ricardo Henriques Tomás, foram juntos os seguintes documentos, que aqui se dão por integralmente reproduzidos, para os legais efeitos:
a) mensagem de correio eletrónico, expedida no dia 24 de fevereiro de 2021, pelas 6:17 PM, para [email protected], desde o endereço eletrónico de Valentim Faustino – Doc. 7;
b) mensagem de correio eletrónico, expedida no dia 10 de abril de 2021, pelas 12:53 AM, para [email protected], desde o endereço eletrónico de Valentim Faustino – Doc. 8;
c) mensagem de correio eletrónico, expedida no dia 11 de maio de 2021, pelas 5:26 PM, para [email protected], desde o endereço eletrónico de Valentim Faustino – Doc. 9;
d) Listagem para efeitos do artigo 30.º, n.º 7 e n.º 8, do Regulamento de Licenciamento de Clubes Para as Competições da FPF – Doc. 10;
e) Declaração do Revisor Oficial de Contas (datada de 2 de junho de 2021) – Doc. 11;
f) mensagem de correio eletrónico, expedida no dia 15 de março de 2021, pelas 3:13 PM, para [email protected], desde o endereço eletrónico de Valentim Faustino – Doc. 12;
4. Tendo os autos sido conclusos ao Relator em 12 de junho de 2021, inexistindo circunstâncias que obstem ao conhecimento de mérito, cumpre, pois, apreciar e decidir.
II – COMPETÊNCIA DO CONSELHO DE JUSTIÇA
5. O Conselho de Justiça é o órgão social da Federação Portuguesa de Futebol [cfr. art.º 20.º, n.º 1, al. f) dos Estatutos da FPF4] a quem estão estatutariamente cometidas, enquanto órgão
4 Nos termos do texto consolidado acessível em http://www.fpf.pt/pt/Institucional/Documentação.
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jurisdicional [cfr. art.º 56.º, n.º 1, al. b)], entre outras funções “Conhecer e julgar os recursos do Órgão de Primeira Instância” [cfr. art.º 60.º, alínea b)].
6. No mesmo sentido, estatui o artigo 10.º, alínea e) do Regimento do Conselho de Justiça5 que lhe compete conhecer e julgar os recursos interpostos “Das decisões do Órgão de Primeira Instância”.
7. Por sua vez, dispõem os Estatutos da Federação Portuguesa de Futebol (Capítulo VII, sob a epígrafe Órgão de Licenciamento de Clubes), no seu artigo 73º (Composição e funcionamento):
1. O Órgão de Licenciamento de Clubes é composto pelo Órgão de Primeira Instância e por um órgão de recurso.
2. O Órgão de Primeira Instância designa-se por OPI e dele fazem obrigatoriamente parte, pelo menos, um revisor oficial de contas e um advogado.
3. As decisões do Órgão de Primeira Instância devem ser fundamentadas de facto e de direito.
4. O Conselho de Justiça funciona como órgão de recurso para os efeitos do n.º 1.
5. O processo de licenciamento, a composição, as áreas de competência e o funcionamento do Órgão de Primeira Instância são definidos em regulamento próprio que, em conformidade com os requisitos estabelecidos pela FIFA e pela UEFA, é aprovado pela Direção.
8. Neste conspecto, na sua reunião de 16 de setembro de 2020, ao abrigo do disposto no artigo 10.º e nas alíneas a) e c) do número 2 do artigo 41.º, do Decreto-Lei n.º 248-B/2008, de 31 de dezembro, na redação que lhe foi conferida pelo Decreto-Lei n.º 93/2014, de 23 de junho, e artigo 51.º, número 2, alíneas a) e b) dos Estatutos da FPF, a Direção da Federação Portuguesa de Futebol aprovou o Regulamento de Licenciamento de Clubes para as Competições da FPF, para a época desportiva 2021/2022, que no CAPÍTULO II ENTIDADE LICENCIADORA E ÓRGÃOS DO SISTEMA DE LICENCIAMENTO, dispõe o seguinte:
ARTIGO 5º ÓRGÃOS DECISÓRIOS
1. Os órgãos decisórios do sistema de licenciamento dos Clubes para as competições nacionais são os seguintes:
a ) Comissão de licenciamento (CL);
b ) Comissão de recurso (CR).
2. Os órgãos referidos no número anterior são os únicos com competência para a concessão de licenças para a participação nas competições organizadas pela FPF.
ARTIGO 6º COMISSÃO DE LICENCIAMENTO
À CL compete decidir sobre a concessão ou recusa da licença, de harmonia com o procedimento estabelecido neste Regulamento.
(...)
5 Disponível, na íntegra, na página da Federação Portuguesa de Futebol.
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6. As deliberações da CL, sujeitas à jurisdição da Comissão de Recurso (CR), são tomadas por maioria dos votos dos titulares presentes, podendo o mesmo deliberar se estiverem presentes, pelo menos, dois dos seus membros.
(...)
9. Das decisões deste órgão cabe recurso necessário para a Comissão de Recurso.
ARTIGO 7º COMISSÃO DE RECURSO
1. À Comissão de Recurso (CR), composta pelos membros do Conselho de Justiça, compete decidir sobre os recursos interpostos das decisões da CL.
(...)
III – QUESTÕES PRÉVIAS
9. Antes de prosseguir, cumpre aferir da tempestividade do recurso interposto.
O artigo 16.º (Tramitação) do Regulamento de Licenciamento, no que concerne à verificação do cumprimento dos critérios nele previstos, dispõe, além do mais, o seguinte:
(...);
k) A decisão final da CL é comunicada aos Clubes interessados, por correio eletrónico, até ao dia 21 de maio6 do ano correspondente à época a licenciar;
l) Da decisão final da CL pode o Clube candidato à licença interpor recurso para o CR, no prazo de três (3) dias úteis, mediante a apresentação de requerimento escrito, com conhecimento à associação distrital ou regional;
m) O recurso pode ser entregue pessoalmente, enviado por correio eletrónico, no prazo estabelecido na alínea anterior. O requerimento de recurso deve conter os fundamentos de facto e de direito e a formulação das conclusões e do pedido, sob pena de não recebimento;
n) Recebido o recurso, a CR, no prazo de três (3) dias úteis, sustenta a decisão, organiza o processo e remete-o ao Presidente do CR;
o) A decisão do CR deve ser proferida até 15 de junho7 e trata-se de um recurso com natureza urgente. Na mesma data, a decisão é notificada às partes por correio eletrónico;
10. No caso concreto que nos ocupa, a decisão recorrida [decisão final da Comissão de Licenciamento, proferida no dia 1 de junho de 2021, no âmbito do Licenciamento de Clubes para as Competições da F.P.F., de NÃO ATRIBUIÇÃO DE LICENÇA à CLUBE DESPORTIVO COVA DA PIEDADE – FUTEBOL SAD, para participação na LIGA REVELAÇÃO, na época desportiva 2021/2022], foi notificada à Cova da Piedade – Futebol SAD no mesmo dia em que foi proferida, ou seja, no dia 1 de junho de 2021.
11. A Recorrente dispunha, nos termos da alínea l) do artigo 16.º do Regulamento de
6 O prazo previsto na alínea k) deste artigo foi prorrogado até ao dia 1 de junho, conforme Comunicado Oficial n.º 347 da FPF, de 12/02/2021.
7 O prazo previsto na alínea o) deste artigo foi prorrogado até ao dia 18 de junho, conforme Comunicado Oficial n.º 347 da FPF, de 12/02/2021.
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Licenciamento, de 3 (três) dias úteis para interpor recurso para a Comissão de Recurso. O 3.º dia útil, contado da notificação da decisão final da Comissão de Licenciamento, ocorreu no dia 7 de junho de 2021.
12. Nessa medida, resta concluir que o recurso promovido pela Recorrente foi inequivocamente tempestivo, porquanto, conforme resulta dos autos, foi remetido, através de mensagem de correio eletrónico, no dia 7 de junho de 2021, pelas 16:33, isto é, no terceiro e último dia de que dispunha para o efeito.
13. Para além disso, cumpre ainda adiantar que o requerimento escrito (endereçado ao Ex.mo Senhor Presidente da Comissão de Recurso – Federação Portuguesa de Futebol) foi remetido para [email protected] e contém os fundamentos de facto e de direito e a formulação das conclusões e do pedido, bem como foi dado conhecimento do mesmo à Associação de Futebol de Setúbal, cumprindo-se, assim, o que estipulam as alíneas m) e l) do mesmo artigo do Regulamento de Licenciamento.
14. Quanto ao invocado vício de falta de fundamentação de facto e de direito da Decisão Final, no sentido, como alega, de se mostrar impossível à Recorrente determinar qual o concreto documento e correspondente fundamento de facto e também a concreta norma regulamentar, ou parte dela, que não estavam conformes às exigências regulamentares, não assiste razão à Cova da Piedade – Futebol SAD. Com efeito, decorre de toda a motivação e conclusões elencadas no Recurso que a Recorrente apreendeu quais os documentos e correspondentes critérios que não foram evidenciados na documentação sucessivamente enviada desde o início do processo e durante o mesmo, na sequência de interpelações/notificações para corrigir as insuficiências detetadas, designadamente os documentos a que se refere o artigo 30.º, n.º 3 e n.º 4, bem como a falta de envio do documento referente ao artigo 30.º, n.º 7 do Regulamento de Licenciamento.
E tanto assim é que, conforme se alcança na motivação - artigos 15.º, 21.º a 24.º, 25.º a 28.º, 30.º e 31.º -, vem reiterar ter entregado os documentos em causa, dos quais resulta evidenciada a inexistência de dívidas pendentes, e também requerer que se admita, agora, a junção do Documento n.º 10, ou seja, a listagem elaborada para efeitos do cumprimento do artigo 30.º, n.º 7 e n.º 8 do Regulamento de Licenciamento (assinada pela administração da Cova da Piedade – Futebol SAD e pelo Revisor Oficial de Contas).
15. Inexistem outras questões cujo exame prévio se imponha, sendo os elementos constantes dos autos suficientes para tomar conhecimento do objeto do recurso.
IV – ÂMBITO DO RECURSO
§1. Motivação
16. Aqui chegados, importa circunscrever o thema decidendum. Compulsada a petição de recurso, é possível identificar, com clareza (atenta a sua motivação), que a pretensão da Recorrente é que seja revogada a Decisão Final da Comissão de Licenciamento, alterando-a por outra que
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atribua a licença à CLUBE DESPORTIVO COVA DA PIEDADE – FUTEBOL SAD, para participação na LIGA REVELAÇÃO, na época desportiva 2021/2022.
17. Para tanto, aduz a Recorrente, em síntese, que, no concernente aos fundamentos concretos alegados pela Comissão de Licenciamento da não atribuição da licença, ou seja, que “os documentos a que se refere o artigo 30.º, n.º 3 e 4 deste artigo não estão em conformidade, o que por sua vez não permite aferir o cumprimento do n.º 6 e, por último não remeteu quaisquer documentos referentes ao artigo 30.º, n.º 7, razão pela qual se manteve por evidenciar o cumprimento do disposto no artigo 30.º, n.º 3, 4, 6 e 7 do Regulamento de Licenciamento de Clubes para as Competições da FPF”, na Decisão Final não se concretiza qual a desconformidade desses documentos a que se referem os números do mencionado artigo.
18. Mais aduz a Recorrente que, pese embora o alegado na Decisão Final, a Cova da Piedade – Futebol SAD entregou inicialmente os documentos exigidos pelo artigo 30.º, n.º 3 e n.º 4 do Regulamento de Licenciamento, e que em parte alguma da Decisão Final estão identificados, de entre todos os que foram entregues, os concretos documentos que não estavam conformes às exigências regulamentares, assim como a medida de tal desconformidade, pelo que ficou sem saber se apenas um, se alguns, se todos os documentos entregues estão em desconformidade, mostrando- se, assim, impossível à Recorrente determinar qual o concreto fundamento de facto e a concreta norma regulamentar, ou parte dela, colocada em causa pela alegada falta de conformidade, pelo que a Decisão Final sofre do vício de falta de fundamentação de facto e de direito, em relação ao cumprimento do determinado pelo n.º 3 e n.º 4 do artigo 30.º do Regulamento de Licenciamento, pugnando, em substância, ter provado a inexistência de dívidas pendentes.
19. No que tange ao documento referido no artigo 30.º, n.º 7, a sua não entrega deveu-se a um lapso de interpretação do Regulamento, no sentido de que não lhe era aplicável o disposto no artigo 30.º, n.º 6, n.º 7 e n.º 8, junção que veio agora (leia-se, no âmbito do Recurso) requerer, como Doc.
10, para instruir o processo com o único documento em falta e, assim, dar cumprimento à entrega da listagem para efeitos do artigo 30.º, n.º 7 e n.º 8 do Regulamento de Licenciamento.
20. Invoca, também, várias circunstâncias que terão concorrido para o atraso na entrega dos documentos, em concreto as condicionantes e restrições decorrentes da COVID-19, as dificuldades de adaptação da sua estrutura e organização à nova realidade, a convicção de uma aparente tolerância por parte da Comissão de Licenciamento quanto aos prazos de entrega e recebimento dos documentos e um problema de saúde que terá afetado a intervenção do Revisor Oficial de Contas e atraso na elaboração de documentos.
21. Por fim, enuncia os danos de ordem desportiva, económica, social e laboral que a Decisão causará à Clube Desportivo Cova da Piedade – Futebol SAD.
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§2. Conclusões
22. Como se disse, a pretensão da Recorrente é recorrer da decisão final tomada pela Comissão de Licenciamento, que confirmou a decisão de NÃO ATRIBUIÇÃO DE LICENÇA à CLUBE DESPORTIVO COVA DA PIEDADE – FUTEBOL SAD, para participação na LIGA REVELAÇÃO, na época desportiva 2021/2022, sustentando-a nas seguintes CONCLUSÕES (transcrição):
1. A Comissão de Licenciamento deliberou não atribuir licença à Recorrente “em virtude de não ter evidenciado o cumprimento de todos os critérios previstos no Regulamento de Licenciamento para Clubes para as competições da Federação Portuguesa de Futebol”;
2. A decisão Recorrida considera que “os documentos a que se refere o artigo 30.º, n.º 3 e 4 deste artigo não estão em conformidade, o que por sua vez não permite aferir o cumprimenrto do n.º 6 e, por último não remeteu quaisquer documentos referentes ao artigo 30.º, n.º 7, razão pela qual se manteve por evidenciar o cumprimento do disposto no artigo 30.º, n.º 3, 4, 6 e 7 do Regulamento de Licenciamento de Clubes para as competições da FPF”;
3. Nos termos do processo de licenciamento de clubes da F.P.F. o Órgão de Recurso é o que se encontra previsto no artigo 7.º do Regulamento de Licenciamento, a Comissão de Recurso;
4. Resulta do n.º 3 do artigo 73.º dos Estatutos da Federação Portuguesa de Futebol que “as decisões do Órgão de Primeira Instância devem ser fundamentadas de facto e de direito”;
5. A Decisão Final da Comissão de Licenciamento menciona na sua fundamentação o seguinte: “os documentos a que se refere o artigo 30.º, n.º 3 e 4 deste artigo não estão em conformidade, o que por sua vez não permite aferir o cumprimento do n.º 6”;
6. Ou seja, defende que os documentos a que se refere o artigo 30.º, n.º 3 e 4 não estão em conformidade sem, no entanto, concretizar qual a desconformidade em causa em relação aos ditos documentos;
7. A Recorrente procedeu à entrega dos documentos exigidos pelo o artigo 30.º, n.º 3 e 4 do Regulamento de Licenciamento, e que são: a declaração da inexistência de dívidas vencidas à ADR; a declaração de inexistência de dívidas vencidas decorrentes das transferências de jogadores; e a declaração da inexistência de dívidas vencidas em relação aos jogadores, treinadores e demais colaboradores; bem como, as Tabelas 1 e 2;
8. É impossível à Recorrente determinar qual o concreto fundamento de facto e, a concreta norma regulamentar, ou parte dela, colocada em causa pela alegada falta de conformidade, pois que, a fundamentação da Decisão recorrida não se afigura clara e objetiva, de modo que torne possível à Recorrente, destinatária imediata da Decisão Final, saber quais os documentos que a Comissão de Licenciamento considerou não estarem em conformidade, bem como, o motivo pelo qual os mesmos não estão alegadamente conformes.
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9. A Decisão recorrida sofre do vício da falta de fundamentação, de facto e de direito, em relação ao cumprimento do determinado pelo n.º 3 e 4 do artigo 30.º do Regulamento de Licenciamento, pois que, a mesma revela-se gravemente insuficiente, em termos tais que não permitam à Recorrente ter a perceção das razões de facto e de direito da Decisão Final da Comissão de Licenciamento.
10. Sem prejuízo da Recorrente ter instruído o seu pedido de licença com os documentos a que se refere o artigo 30.º, n.ºs 3 e 4 do Regulamento de Licenciamento, e apesar de desconhecer o que esta na origem do invocado argumento, na Decisão Final, de que os documentos juntos não se encontram em conformidade, requer-se a junção, de novo, dos seguintesw documentos: Tabela I e Declaração ROC Tabela I, assinada por Revisor Oficial de Contas e pela Administração da Recorrente, juntos respetivamente como DOC. N.º 3 e DOC. N.º 4; e a Tabela II e Declaração ROC Tabela II, assinada por Revisor Oficial de Contas e pela Administração da Recorrente, juntos respetivamente como DOC. N.º 5 e DOC. N.º 6, documentos estes que devem ser juntos ao processo de Licenciamento da Recorrente junto da Comissão de Licenciamento os Documentos n.º 3, n.º 4, n.º 5 e n.º 6, pelo que se requer serem os mesmos remetidos para a referida Comissão;
11. Dos documentos juntos inicialmente pela Recorrente (aqui juntos como Doc. n.º 1 e n.º 2), bem como, daqueles cuja junção se requer, resulta a inexistência de dívidas pendentes, pelo que, não tem aplicação à Recorrente o estipulado no n.º 6 do artigo 30.º do Regulamento de Licenciamento, visto a declaração aí referida visa apenas os Clubes com dívidas pendentes;
12. Em relação ao cumprimento do estipulado no artigo 30.º, n.º 7, do Regulamento de Licenciamento, a Recorrente interpetrou erradamente o Regulamento, erro esse, que a levou a comunicar à Comissão de Licenciamento que não lhe era aplicável o disposto no artigo 30.º, n.º 6, n.º 7 e n.º 8 do Regulamento de Licenciamento, sendo que, após detetado tal erro, a administração da Recorrente deu de imediato instruções para a entrega da “Listagem – artigo 30.º n.º 7”;
13. Não tendo a listagem a que se refere o artigo 30.º, n.º 7 do Regulamento de Licenciamento sido junta ao processo, a Recorrente requer a junção da mesma aos presentes autos, desde já requerendo que a mesma seja remetida à Comissão de Licenciamento por forma a instruir o mesmo com o único documento em falta, Cfr. DOC. N.º 10, que se junta e aqui se considera reproduzido na íntegra, pelo que, com a junção agora requerida deste documento, a Recorrente dá cumprimento à entrega da listagem elaborada para efeitos do artigo 30.º, n.º 7 e n.º 8 do Regulamento de Licenciamento (assinada pela administração da Recorrente e pelo Revisor Oficial de Contas);
14. A emergência da saúde pública de âmbito internacional, que foi declarada pela Organização Mundial de Saúde em janeiro de 2020, bem como a classificação do vírus
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como uma pandemia, em março de 2020, criou a necessidade de acautelar a previsão de normas de contingência para a epidemia SARS-Cov-2, e, bem assim, assegurar o tratamento da doença COVID-19 na Serviço Nacional de Saúde (SNS), através de um regime legal adequado a esta realidade excecional, sendo que, no âmbito do desporto, o Decreto n.º 2-A/2020, de 20 de março, mais concretamente o seu artigo 7.º e o Anexo I determinou o encerramento das instalações desportivas, com apertadas exceções. A referida medida levou ao cancelamento ou suspensão de todas as competições desportivas profissionais e amadoras. Mais de um ano depois, a pandemia persiste, os efeitos e consequências vão perdurar;
15. A Federação Portuguesa de Futebol tem vindo a tomar medidas, desde a primeira hora, de proteção e apoio aos clubes, sociedades desportivas, e demais atores envolvidos na prática do futebol e futsal, como forma de mitigar os efeitos da pandemia da doença COVID 19 e, no que respeita ao Licenciamento de Clubes para as competições da F.P.F., “Comité de Emergência da FPF, reunido a 12 de fevereiro de 2021, deliberou, para dar resposta a constrangimentos causados pela emergência de saúde pública ocasionada pela pandemia da doença COVID-19, prorrogar os prazos previstos nas alíneas c) f) k), o) e p) do artigo 16.º do Comunicado Oficial n.º 87, datado de 16 de setembro de 2020, relativos à tramitação do processo de licenciamento de clubes para as competições da FPF”;
16. A Recorrente viveu tempos de enorme dificuldade para se adaptar à “nova normalidade”, ao novo “modo de vida”, que forçou a uma adaptação, com maior ou menor facilidade por parte de cada um, sendo um facto indesmentível e notório que no processo de licenciamento sub judice a Recorrente sentiu dificuldade em adaptar a organização da sua estrutura a uma realidade como aquela que exigiu o teletrabalho e o inerente distanciamento físico entre colaboradores e, por inerência, entre as respetivas equipas de trabalho;
17. A Comissão de Licenciamento, compreendendo o especial momento que vivíamos e vivemos, acedeu a receber os documentos que lhe foram enviados pela Recorrente, por forma a instruir o seu processo de licenciamento, ultrapassados que estavam os prazos fixados para a prática dos mesmos;
18. Ultrapassados os prazos definidos para a entrega dos documentos para instruir o processo de licenciamento, a Comissão de Licenciamento mantinha um constante diálogo com a Recorrente, ora solicitando os documentos em falta, ora aceitando aqueles que lhe eram enviados pela Recorrente, o que criou na Recorrente a convicção que estava introduzida uma prática de tolerância no processo de licenciamento, pois, são conhecidas restrições de circulação que existiam, as dificuldades de acesso para obter documentos junto de entidades públicas, a dificuldade em agendar uma marcação com uma seguradora para contratar um seguro, entre outras;
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19. O problema de saúde que afetou o Revisor oficial de contas Rui Brito Serra Geraldes, que devido a um estado de burnout (início de esgotamento), em finais de feevreiro de 2021, deixou de reunir as condições psicológicas para adequadamente finalizar os trabalhos de revisão limitada das contas do CLUBE DESPORTIVO COVA DA PIEDADE – Futebol, SAD, o que também contribuiu para atrasos verificados;
20. A Decisão impugnada pode ser considerada das mais graves de entre as que podem ser tomadas no âmbito do ordenamento jurídico-desportivo nacional em relação a uma equipa do escalão de sub-23, de consequências inquantificáveis mas certamente drásticas, implicando no mínimo o fim da equipa de SUB 23 do CLUBE DESPORTIVO COVA DA PIEDADE – FUTEBOL SAD – e no limite a subsistência do próprio clube demais equipas – o que representa o fim da competição para muitos jovens, naquela que é considerada a mais importante fase da sua carreira desportiva, a passagem da formação para o profissionalismo;
21. A manter-se a Decisão ora recorrida, tal irá representar uma mudança, drástica, da realidade desportiva da Recorrente, pois importa um conjunto de prejuízos incalculáveis e provavelmente sem retorno, nomeadamente a saída de atletas e o fim do projeto de formação da Recorrente, circunstância que se traduz em prejuízos financeiros avultados, dado que uma parte considerável dos ativos das sociedades desportivas corresponde aos direitos desportivos e económicos de atletas, ativo este que irá desaparecer, assim como os mais diversos prejuízos laborais, sociais e desportivos, já alegados e demonstardos.
22. Adicionalmente, da manutenção da decisão recorrida irão certamente decorrer prejuízos laborais intoleráveis, dado que, a impossibilidade de participar na Liga Revelação na época 2021/2022, implicará a cessação de muitos contratos de trabalho, porquanto as suas prestações laborais se tornarão desnecessárias e financeiramente impossíveis de cumprir, com a agarvante de que, tais cessações, virão acompanhadas do pagamento das compensações necessárias nos termos da lei, elemento que por sua vez implicará um significativo aumento da despesa, contribuindo para uma débil situação financeira, nefasta para qualquer clube de reduzida dimensão.
Nestes termos e nos mais de direito, deve o presente recurso ser julgado procedente e, em consequência:
a) Serem admitidos junto do processo de licenciamneto os documentos ora juntos com os números 3, 4, 5, 6 e 10, devendo os mesmos ser remetidos à Comissão de Licenciamento para instrução do processo de licenciamento;
b) Ser a Decisão Final da Comissão de Licenciamento alterada por outra que atribua a licença ao CLUBE DESPORTIVO COVA DA PIEDADE – FUTEBOL SAD,
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para participação na LIGA REVELAÇÃO, na época desportiva 2021/2022, para que assim se faça a tão desejada
JUSTIÇA
V - FUNDAMENTAÇÃO DE FACTO
§1. Factos Provados
23. Perante a argumentação aduzida em sede de petição de recurso, que no essencial integra alegação de facto dirigida à sustentação do pedido de revogação da decisão, importa, antes de mais, aferir da materialidade que a prova constante dos autos demonstra, para, depois, considerar do pedido apresentado pela Recorrente.
24. Ora, compulsados todos os elementos probatórios constantes dos autos, com relevância para a apreciação de mérito, consideram-se provados os seguintes factos:
1) A Direção da FPF aprovou, na sua reunião de 16 de setembro de 2020, o Regulamento do Licenciamento de Clubes para as Competições da FPF (Comunicado Oficial n.º 87, de 16 de setembro de 2020), aplicável às competições com início a partir do dia 1 de julho de 2021;
2) O Regulamento estabelece que os Clubes que se qualifiquem, com base nos respetivos resultados desportivos para a Liga 3, para o Campeonato Nacional Feminino da 1ª Divisão (LIGA BPI), para o Campeonato Nacional da I Divisão de Sub-23 (LIGA REVELAÇÃO) e para o Campeonato Nacional da I Divisão de Futsal (LIGA PLACARD), e que nelas pretendam participar, na época desportiva 2021/2022, têm de possuir uma licença, obtida nos termos do referido Regulamento;
3) A obtenção da licença está dependente da verificação cumulativa de critérios desportivos, infraestruturais, administrativos e de recursos humanos, legais e financeiros;
4) O processo de licenciamento em apreço teve início em novembro de 2020, nos termos do artigo 16.º, alínea a), do Regulamento, através da publicação do Comunicado Oficial n.º 190, de 13 de novembro de 2020, tendo sido dadas a conhecer, a todos os Clubes, Sociedades Desportivas e demais interessados, não só através do referido CO mas também de correio eletrónico, as informações gerais relativas ao processo, assim como a lista de todos os critérios, documentos a entregar e respetivos prazos;
5) O prazo inicial para os Clubes requererem a sua candidatura à obtenção da licença terminava no dia 15 de dezembro de 2020, nos termos do artigo 16.º, alínea b), do Regulamento, tendo sido prorrogado até ao dia 23 de dezembro de 2020, através do Comunicado Oficial n.º 242, de 12 de dezembro de 2020;
6) A Clube Desportivo Cova da Piedade – Futebol SAD candidatou-se ao processo de licenciamento em 21.12.2020;
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7) Segundo estatuído na alínea c) do artigo 16.º do Regulamento, os Clubes dispunham até 15 de fevereiro de 2021 para a entrega de todos os documentos exigidos para dar cumprimento a cada um dos critérios, assim como para liquidar a respetiva taxa administrativa;
8) Para dar resposta a potenciais constrangimentos causados pela emergência de saúde pública ocasionada pela pandemia da doença COVID-19, a Direção da FPF deliberou prorrogar até ao dia 1 de março de 2021 o prazo previsto na alínea c) do artigo 16.º do Regulamento;
9) Para cumprimento de cada um dos critérios objeto de análise do processo de licenciamento, a Cova da Piedade – Futebol SAD remeteu, dentro dos prazos estabelecidos para o efeito, nos termos da alínea c) do artigo 16.º do Regulamento, alguns documentos referentes aos critérios infraestruturais, legais e financeiros;
10) Findo o prazo para entrega da documentação, e após uma primeira análise por parte dos peritos da Comissão de Licenciamento, o Clube foi notificado, em 10.03.2021, para no prazo de 3 (três) dias úteis, suprir falhas ou omissões, relativamente ao cumprimento dos critérios infraestruturais, administrativos e de RH, legais e financeiros, nos seguintes termos:
CRITÉRIO INFRAESTRUTURAS:
i. Evidência que o seguro de responsabilidade civil do recinto desportivo está em vigor.
CRITÉRIOS ADMINISTRATIVOS E RH:
i. Na impossibilidade de verificação oficiosa, solicitamos que nos informem, através do preenchimento da Declaração que remetemos em anexo, quem assumirá as funções de: gestor de segurança, diretor de campo e diretor de imprensa.
CRITÉRIO LEGAIS:
i. Declaração em como apenas participará em competições organizadas pela FPF ou por si reconhecidas.
CRITÉRIO FINANCEIROS:
i. Demonstrações financeiras anuais aprovadas em formato não editável assinadas pela direção e por contabilista certificado ou revisor oficial de contas - Artigo 30 nº1;
ii. Declaração de solvência assinada pela direção e contabilista certificado ou revisor oficial de contas - artigo 30, nº 2;
iii. Listagem referente à inexistência de dívidas a clubes a 31 dezembro 2020. Nomeadamente a tabela 1 com todos os jogadores no ativo/inscritos na competição a licenciar a 31 de dezembro e jogadores que mesmo não estando no ativo a 31 de dezembro tenham originado uma dívida vencida decorrente da sua transferência validada por contabilista certificado ou revisor oficial de contas - artigo 30, nº3;
iv. Listagem referente à inexistência de dívidas em relação aos seus jogadores, treinadores e demais colaboradores a 31 dezembro 2020. Nomeadamente a tabela 2 com todos os jogadores, treinadores e demais colaboradores ainda ao serviço do clube a 31 de dezembro, e todos os demais aos quais o clube ainda tenha dívidas vencidas e não pagas, validada por contabilista certificado ou revisor oficial de contas - artigo 30, nº 4;
v. Listagem - artigo 30, nº 7;
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11. Em 15 de março de 2021, a Cova da Piedade – Futebol SAD, respondendo à referida notificação, procedeu à remessa dos documentos para os critérios solicitados, com exceção dos critérios infraestruturais (seguro de responsabilidade civil da infraestrutura);
12. Analisada a nova documentação remetida pelo Clube por parte dos peritos da Comissão de Gestão de Licenciamento, esta considerou verificada a evidência do cumprimento dos critérios administrativos e dos recursos humanos e legais, mas não considerou verificado o cumprimento de todos os critérios infraestruturais e financeiros.
13. Perante tal, no dia 05.04.2021, o Clube foi notificado, pela segunda vez, para no prazo de 3 (três) dias úteis suprir os vícios/omissões remanescentes, mais precisamente nos seguintes termos:
CRITÉRIO INFRAESTRUTURAS:
1. Evidência que o seguro de responsabilidade civil do recinto desportivo está em vigor.
CRITÉRIOS FINANCEIROS:
2. Demonstrações financeiras anuais aprovadas assinadas por contabilista certificado ou revisor oficial de contas - Artigo 30 nº1;
3. Declaração de solvência assinada pela direção e contabilista certificado ou revisor oficial de contas - artigo 30, nº 2;
4. Listagem referente à inexistência de dívidas a clubes a 31 dezembro 2020. Nomeadamente a tabela 1 com todos os jogadores no ativo/inscritos na competição a licenciar a 31 de dezembro e jogadores que mesmo não estando no ativo a 31 de dezembro tenham originado uma dívida vencida decorrente da sua transferência validada por contabilista certificado ou revisor oficial de contas e direção - artigo 30, nº3;
5. Listagem referente à inexistência de dívidas em relação aos seus jogadores, treinadores e demais colaboradores a 31 dezembro 2020. Nomeadamente a tabela 2 com todos os jogadores, treinadores e demais colaboradores ainda ao serviço do clube a 31 de dezembro, e todos os demais aos quais o clube ainda tenha dívidas vencidas e não pagas, validada por contabilista certificado ou revisor oficial de contas e direção - artigo 30, nº 4;
6. Listagem - artigo 30, nº 7.
14. Em 10 de abril de 2021, a Cova da Piedade – Futebol SAD respondeu à notificação, tendo entregado apenas documentos referentes aos critérios financeiros;
15. Após análise da documentação enviada na data referida em 14, os peritos da CGL emitiram parecer com proposta de recusa de atribuição de licença, que foi remetida pela Coordenação da CGL à Comissão de Licenciamento, nos termos do artigo 16.º, alínea i), do Regulamento de Licenciamento;
16. Sequentemente, a Comissão de Licenciamento notificou o Clube, no dia 05.05.2021, em sede de Audiência Prévia, da decisão provável de não atribuição de licença para participar na época 2021/2022, na Liga Revelação, convidando-o a pronunciar-se, nos temos e para os efeitos dos artigos 121.º a 124.º do Código de Procedimento Administrativo, entre o mais, sobre os seguintes fundamentos da proposta de não atribuição de licença:
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CRITÉRIOS INFRAESTRUTURAS - O Candidato não evidenciou a existência de um seguro de responsabilidade civil em vigor para o recinto desportivo indicado, nos termos do artigo 20.º, n.º 3 do Regulamento de Licenciamento de Clubes para as Competições da FPF.
CRITÉRIOS FINANCEIROS - O Candidato não enviou as Demonstrações Financeiras assinadas pelo Contabilista Certificado, apenas pela Direção, contrariando o disposto no artigo 30.º, n.º 1 do Regulamento de Licenciamento de Clubes para as Competições da FPF. Relativamente ao disposto no artigo 30.º, n.º 2, 3, 4 e 7 não foi entregue qualquer documentação.
17. No exercício da audiência prévia, veio a Cova da Piedade – Futebol SAD, através de mensagem de correio eletrónico expedida em 11 de maio, pelas 5:26 PM, juntar documentos para cumprimento do disposto no artigo 20.º, n.º 3 do Regulamento (critérios relativos ao complexo desportivo, designadamente o seguro de responsabilidade civil) e fazer exposição relativamente aos critérios financeiros, em concreto:
- relativamente ao disposto no artigo 30.º, n.ºs 2, 3 e 4 refutou a falta de entrega, reportando-se aos emails expedidos em 15 de março e 10 de abril;
- confessar a falta de entrega do documento necessário para preenchimento do critério exigido no n.º 7 do artigo 30.º do Regulamento de Licenciamento;
18. A Comissão de Licenciamento notificou a Clube Desportivo Cova da Piedade – Futebol SAD, no dia 1 de junho de 2021, da decisão de não atribuição de licença para participação na Liga Revelação – Sub 23, na época 2021/2022, em virtude de não ter evidenciado o cumprimento de todos os critérios financeiros previstos no Regulamento de Licenciamento, em concreto, por não estarem os documentos referidos no n.º 3 e no n.º 4 do artigo 30.º conformes ao exigido pelo Regulamento de Licenciamento e por faltar a entrega do documento previsto no n.º 7 do artigo 30.º do Regulamento de Licenciamento.
§2. Motivação dos Factos Provados
25. A decisão quanto à matéria de facto provada resultou da análise crítica e conjugada de toda a prova produzida no processo, assumindo particular relevância o Regulamento de Licenciamento, e a fundamentação/sustentação da Decisão Final conjugada com a motivação e conclusões do recurso.
26. Em concreto, a materialidade dada como provada encontra-se suportada nos seguintes elementos probatórios:
a) Os factos 1) a 5), 7) e 8) decorrem do texto do Regulamento de Licenciamento e dos Comunicados Oficiais da FPF n.º 87, de 16/09/2020, e n.º 347, de 12/02/2021, nomeadamente no que tange aos prazos procedimentais;
b) A matéria provada em 6) emerge da informação prestada pela Comissão de Licenciamento;
c) A materialidade constante de 9) a 18) está ancorada nas sucessivas informações, notificações, respostas e remessa de documentos havidas entre a Comissão de Licenciamento e a Cova da Piedade – Futebol SAD relativamente ao aperfeiçoamento dos formulários e documentação
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instrutória do pedido de licenciamento e consequente cumprimento dos critérios exigidos, designadamente através de mensagens de correio eletrónico de 24 e 26 de fevereiro, 15 de março, 10 de abril e 11 de maio e 1 de junho de 2021.
§3. Factos Não Provados e Motivação 27. Não resulta provado:
1) que o Revisor Oficial de Contas padeceu de burnout, em finais de fevereiro de 2021;
2) que o Revisor Oficial de Contas deixou de reunir as condições psicológicas para adequadamente finalizar os trabalhos de revisão limitada das contas da Clube Desportivo Cova da Piedade – Futebol SAD.
Entendemos dar como não provados estes dois factos, porquanto a Declaração emitida pelo mesmo deveria estar suportada em declaração médica.
VI – FUNDAMENTAÇÃO DE DIREITO
§1. Enquadramento jurídico
a) Licenciamento de Clubes para as Competições da Federação Portuguesa de Futebol
28. Com a implementação do sistema de licenciamento de clubes para as suas competições, a Federação Portuguesa de Futebol pretendeu alcançar padrões mais elevados e uniformes de qualidade para benefício de toda a comunidade do Futebol Português, através de um processo de certificação da boa gestão dos Clubes nos aspetos desportivo, infraestrutural, organizativo e de gestão económico-financeira.
29. Este processo teve início em 2019, através da publicação da primeira versão do Regulamento de Licenciamento de Clubes para as Competições da FPF (Comunicado Oficial n.º 2, de 21 de outubro de 2019), aplicável às competições que se iniciassem a partir do dia 1 de julho de 2021.
30. Entretanto, na sua reunião de 10 de julho de 2020, a Direção da FPF decidiu aprovar alterações ao supra referido Regulamento e, dar início ao respetivo processo de consulta pública, nos termos e para os efeitos do disposto no artigo 100.º do Código do Procedimento Administrativo (Comunicado Oficial n.º 457, de 10 de setembro de 2020). Findo o prazo para os interessados se pronunciarem sobre todas as questões de facto e de direito relevantes para o procedimento, a Direção da FPF aprovou, na sua reunião de 16 de setembro de 2020, o Regulamento do Licenciamento de Clubes para as Competições da FPF (publicado/publicitado através do Comunicado Oficial n.º 87, de 16 de setembro de 2020).
31. O mencionado Regulamento estabelece que os Clubes que se qualifiquem, com base nos respetivos resultados desportivos para a Liga 3, para o Campeonato Nacional Feminino da 1ª Divisão (LIGA BPI), para o Campeonato Nacional da I Divisão de Sub-23 (LIGA REVELAÇÃO) e para o Campeonato Nacional da I Divisão de Futsal (LIGA PLACARD), e que nelas pretendam participar, na época 2021/2022, têm de possuir uma licença, obtida nos termos do referido Regulamento. Em
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concreto, veja-se o artigo 2.º (Atribuição de Licença), o qual dispõe que [1]. A obtenção da licença referida no artigo anterior está dependente da verificação dos seguintes tipos de critérios: a ) Critérios Desportivos; b ) Critérios Relativos às Infraestruturas; c ) Critérios Administrativos e Relativos ao Pessoal; d ) Critérios Legais; e ) Critérios Financeiros, dispondo, por sua vez, o n.º [2]. A não verificação daqueles critérios implica o indeferimento do pedido de atribuição de licença.
32. Nos termos do artigo 5.º do Regulamento são órgãos decisórios do sistema de licenciamento dos Clubes para as competições da FPF a Comissão de Licenciamento (CL) e a Comissão de Recurso (CR), constituída pelos membros do Conselho de Justiça.
33. O processo de licenciamento para a época 2021/2022 teve início em novembro de 2020, nos termos do artigo 16.º, alínea a), do Regulamento, sendo que o prazo inicial para os Clubes requererem a sua candidatura à obtenção da licença terminava no dia 15 de dezembro de 2020, nos termos do artigo 16.º, alínea b) do Regulamento de Licenciamento, depois prorrogado até ao dia 23 de dezembro de 2020, conforme Comunicado Oficial n.º 242, de 12 de dezembro de 2020.
34. Já nos termos constantes do disposto nas alíneas b) e c) do artigo 16.º do Regulamento de Licenciamento, os Clubes dispunham de um prazo compreendido entre 23 de dezembro de 2020 e 15 de fevereiro de 2021 para a entrega de todos os documentos exigidos para dar cumprimento a cada um dos critérios, assim como para liquidar a respetiva taxa administrativa.
35. Porém, a Direção da FPF, para dar resposta a potenciais constrangimentos causados pela emergência de saúde pública ocasionada pela pandemia da doença COVID-19, deliberou prorrogar o prazo previsto na alínea c) do artigo 16.º do Regulamento, até ao dia 1 de março de 2021.
36. Foram, igualmente, prorrogados os prazos previstos nas alíneas f), k), o) e p) do artigo 16.º do Regulamento, nos termos do Comunicado Oficial n.º 347, de 12 de fevereiro de 2021.
37. Sequentemente, no dia 5 de maio de 2021, a Comissão de Licenciamento, para os efeitos do disposto nos artigos 121.º a 124.º do Código de Procedimento Administrativo (CPA), promoveu a Audiência Prévia junto dos Clubes candidatos. No exercício do direito de audiência, os interessados dispuseram de 10 dias úteis para se pronunciarem sobre todas as questões com interesse para a decisão, em matéria de facto e de direito, fazendo alegações e/ou juntando todos os documentos passíveis de suprir quaisquer irregularidades ou omissões existentes.
38. A decisão final da Comissão de Licenciamento foi comunicada no dia 1 de junho de 2021, a cada um dos Clubes candidatos, por correio eletrónico, conforme estabelecido no artigo 16.º, alínea k), do Regulamento.
b) Do Recurso da Decisão Final versus Sustentação da Decisão
39. Notificado da Decisão Final da Comissão de Licenciamento, veio a Cova da Piedade – Futebol SAD dela interpor recurso para a Comissão de Recurso, ao abrigo e nos termos previstos nas alíneas l) e m) do artigo 16º do Regulamento de Licenciamento.
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40. Estatui a alínea n) do artigo 16.º do Regulamento que a Comissão de Licenciamento, recebido o recurso, dispõe do prazo de três (3) dias úteis para sustentar a decisão, organizar o processo e remetê-lo ao Presidente da Comissão de Recurso para decisão final (decisão de recurso essa que deve ser proferida, de acordo com o disposto na alínea o) do artigo 16.º do Regulamento - alterado pelo CO n.º 347, de 12 de fevereiro de 2021 - até 18 de junho de 2021, atendendo à sua natureza urgente, devendo as Partes ser notificadas da decisão, por correio eletrónico).
41. Perante tal disposição regulamentar, a Comissão de Licenciamento veio expor as razões que a levaram a sustentar a Decisão Final de não atribuição de licença à Clube Desportivo Cova da Piedade – Futebol SAD, as quais aqui se dão por integralmente reproduzidas, no que a estes autos de recurso interessam:
- O Clube Desportivo Cova da Piedade – Futebol SAD candidatou-se ao processo de licenciamento em 21.12.2020.
- No que se refere à entrega da documentação para efeitos de cumprimento de cada um dos critérios objeto de análise do processo de licenciamento, o Clube remeteu, dentro dos prazos estabelecidos para o efeito nos termos da alínea c) do artigo 16.º do Regulamento, documentos referentes aos critérios infraestruturais, legais e financeiros.
- Findo o prazo para entrega de documentação, e após uma primeira análise por parte dos peritos, o Clube foi notificado, em 10.03.2021, para no prazo de 3 (três) dias úteis, suprir falhas ou omissões, relativamente ao cumprimento dos critérios infraestruturais, administrativos e de RH, legais e financeiros, nos seguintes termos:
CRITÉRIO INFRAESTRUTURAS:
ii. Evidência que o seguro de responsabilidade civil do recinto desportivo está em vigor.
CRITÉRIOS ADMINISTRATIVOS E RH:
ii. Na impossibilidade de verificação oficiosa, solicitamos que nos informem, através do preenchimento da Declaração que remetemos em anexo, quem assumirá as funções de: gestor de segurança, diretor de campo e diretor de imprensa.
CRITÉRIO LEGAIS:
ii. Declaração em como apenas participará em competições organizadas pela FPF ou por si reconhecidas.
CRITÉRIO FINANCEIROS:
vi. Demonstrações financeiras anuais aprovadas em formato não editável assinadas pela direção e por contabilista certificado ou revisor oficial de contas - Artigo 30 nº1;
vii. Declaração de solvência assinada pela direção e contabilista certificado ou revisor oficial de contas - artigo 30, nº 2;
viii. Listagem referente à inexistência de dívidas a clubes a 31 dezembro 2020. Nomeadamente a tabela 1 com todos os jogadores no ativo/inscritos na competição a licenciar a 31 de dezembro e jogadores que mesmo não estando no ativo a 31 de dezembro tenham originado uma dívida
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vencida decorrente da sua transferência validada por contabilista certificado ou revisor oficial de contas - artigo 30, nº3;
ix. Listagem referente à inexistência de dívidas em relação aos seus jogadores, treinadores e demais colaboradores a 31 dezembro 2020. Nomeadamente a tabela 2 com todos os jogadores, treinadores e demais colaboradores ainda ao serviço do clube a 31 de dezembro, e todos os demais aos quais o clube ainda tenha dívidas vencidas e não pagas, validada por contabilista certificado ou revisor oficial de contas - artigo 30, nº 4;
x. Listagem - artigo 30, nº 7;
- Em 15 de março de 2021, o Clube respondeu à notificação tendo entregado documentos para os critérios solicitados, com exceção dos critérios infraestruturais.
- Após nova análise por parte dos peritos da CGL da documentação remetida pelo Clube, o mesmo logrou completar evidência do cumprimento dos critérios administrativos e de recursos humanos e legais, mas não de todos os critérios infraestruturais e financeiros.
- Em face do exposto, no dia 05.04.2021, pela segunda vez o Clube foi notificado para no prazo de 3 (três) dias úteis suprir os vícios/omissões remanescentes, mais precisamente nos seguintes termos:
CRITÉRIO INFRAESTRUTURAS:
7. Evidência que o seguro de responsabilidade civil do recinto desportivo está em vigor.
CRITÉRIOS FINANCEIROS:
8. Demonstrações financeiras anuais aprovadas assinadas por contabilista certificado ou revisor oficial de contas - Artigo 30 nº1;
9. Declaração de solvência assinada pela direção e contabilista certificado ou revisor oficial de contas - artigo 30, nº 2;
10. Listagem referente à inexistência de dívidas a clubes a 31 dezembro 2020.
Nomeadamente a tabela 1 com todos os jogadores no ativo/inscritos na competição a licenciar a 31 de dezembro e jogadores que mesmo não estando no ativo a 31 de dezembro tenham originado uma dívida vencida decorrente da sua transferência validada por contabilista certificado ou revisor oficial de contas e direção - artigo 30, nº3;
11. Listagem referente à inexistência de dívidas em relação aos seus jogadores, treinadores e demais colaboradores a 31 dezembro 2020. Nomeadamente a tabela 2 com todos os jogadores, treinadores e demais colaboradores ainda ao serviço do clube a 31 de dezembro, e todos os demais aos quais o clube ainda tenha dívidas vencidas e não pagas, validada por contabilista certificado ou revisor oficial de contas e direção - artigo 30, nº 4;
12. Listagem - artigo 30, nº 7.
- O Clube respondeu à notificação, em 10 de abril de 2021, tendo entregado apenas documentos referentes aos critérios financeiros.
- Após análise da documentação enviada, os peritos da CGL emitiram parecer com proposta de recusa de atribuição de licença, que foi remetida pela Coordenação da CGL à Comissão de Licenciamento, nos termos do artigo 16.º, alínea i), do Regulamento.