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DECISÃO MONOCRÁTICAVistos.1.

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APELAÇÃO CÍVEL. DIREITO PÚBLICO NÃO ESPECIFICADO. FORNECIMENTO DE MEDICAMENTO.

1. A majoração dos honorários advocatícios estabelecida na decisão dos embargos de declaração é descabida, porquanto vedada, na sistemática recursal, a reformatio in pejus.

2. A responsabilidade solidária entre a União, os Estados-Membros e os Municípios pelo fornecimento gratuito de tratamento a doentes necessitados decorre de texto constitucional (CF, art. 23, inciso II e art. 196).

3. Aos entes da Federação cabe o dever de fornecer gratuitamente tratamento médico a pacientes necessitados (artigos 6º e 196 da Constituição Federal).

4. Verba honorária fixada que merece redução, nos moldes do parágrafo 3º do art. 20, do CPC.

APELAÇÃO PARCIALMENTE PROVIDA.

APELAÇÃO CÍVEL TERCEIRA CÂMARA CÍVEL

Nº 70061670881 (N° CNJ: 0359651- 89.2014.8.21.7000)

COMARCA DE SANTA ROSA

FUNDACAO MUNICIPAL DE SAUDE DE SANTA ROSA - FUMSSAR

APELANTE

SOLANGE MARIA BERVIAN MACIEL APELADO

ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL INTERESSADO

MUNICIPIO DE SANTA ROSA INTERESSADO

D E C I S Ã O M O N O C R Á T I C A Vistos.

1. A FUNDAÇÃO MUNICIPAL DE SAÚDE DE SANTA ROSA – FUMSSAR – interpõe recurso de apelação da sentença (fls. 176-189) proferida nos autos da demanda que SOLANGE MARIA BERVIAN MACIEL move em face do ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL e o MUNICÍPIO DE SANTA ROSA, constando o seguinte dispositivo:

Pelo exposto, julgo PROCEDENTE o pedido para determinar que o Estado do Rio Grande do Sul e o

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Município de Santa Rosa, forneçam a SOLANGE MARIA BERVIAN MACIEL, de forma gratuita e contínua, bem como pelo tempo de duração do tratamento e na dosagem prescrita pelo médico, os medicamentos Cymbalta (Duloxetina) 30mg, Bup (Bupropiona) 150mg e Neotiapim (Quetiapina) 100mg, observando-se a Denominação Comum Brasileira, confirmando, assim, a antecipação da tutela concedida em sede liminar.

Condeno o demandado ao pagamento dos honorários sucumbenciais, os quais fixo em R$ 678,00 (seiscentos e setenta e oito reais), com fundamento no artigo 20, § 4º, do CPC.

Ante a ADIN nº 70041334053 TJ-RS, que reconheceu a inconstitucionalidade da Lei Estadual nº 13.471/2010, determino o pagamento, por parte do Estado, das custas e emolumentos, por metade, nos termos do art. 11 da Lei 8.112/85 – Regimento de Custas.

Foram opostos embargos de declaração (fls. 192-193 e 194-195), que foram acolhidos, passando a constar o seguinte dispositivo (fl. 196-v):

“Pelo exposto, julgo PROCEDENTE o pedido para determinar que o Estado do Rio Grande do Sul e a Fundação Municipal de Saúde - FUMSSAR forneçam a SOLANGE MARIA BERVIAN MACIEL, de forma gratuita e contínua, bem como pelo tempo de duração do tratamento e na dosagem prescrita pelo médico, os medicamentos Cymbalta (Duloxetina) 30mg, Bup (Bupropiona) 150mg e Neotiapim (Quetiapina) 100mg, observando-se a Denominação Comum Brasileira, confirmando, assim, a antecipação da tutela concedida em sede liminar.

Condeno os demandados, solidariamente, ao pagamento dos honorários sucumbenciais, os quais fixo em R$ 724,00 (setecentos e vinte e quatro reais), com fundamento no artigo 20, § 4º, do CPC.

Isento o Estado do pagamento das custas judiciais e dos emolumentos em face da orientação trazida no Ofício-Circular nº 595/2007-CGJ, bem como do previsto no art. 11 da Lei Estadual nº 8.121/1985.”

Assim, acolho os embargos de declaração em comento.

Permanecem inalteradas as demais disposições.

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Em suas razões (fls. 199-206), refere que, em embargos de declaração, houve a retificação do dispositivo para majorar a verba honorária para R$ 724,00, o que desborda dos limites do pedido contido nos embargos. Argumenta que do julgamento dos embargos não poderia resultar em honorária superior à fixada na sentença (R$ 678,00). Argui ser parte passiva ilegítima, pois somente o Estado é responsável pelo fornecimento da medicação. Sustenta que o art. 196 da Constituição Federal não confere direitos ilimitados. Salienta que, caso mantida a verba honorária, deve ser minorada, tendo em vista os parâmetros do art. 20, parágrafo 3º, do CPC.

Requer o provimento do recurso.

A apelação foi recebida no duplo efeito, salvo em relação à antecipação de tutela (fl. 213).

Foram oferecidas contrarrazões (fls. 215-219).

Remetidos os autos a esta Corte, a nobre Procuradora de Justiça, Dra. Elaine Fayet Lorenzon Schaly, manifesta-se pelo conhecimento e parcial provimento da apelação (fls. 222-224v).

É o relatório.

2. Cuida-se de demanda na qual a parte autora postula o fornecimento contínuo do medicamento Cymbalta (Duloxetina) 30mg, Bup (Bupropiona) 150mg e Neotiapim (Quetiapina) 100mg, para o tratamento de quadro depressivo grave (CID F 31.6), alegando não ter condições de arcar com o respectivo custo com recursos próprios, sem prejuízo do sustento próprio ou da família.

Inicialmente, deve ser destacado que a majoração dos honorários estabelecida na decisão dos embargos de declaração é, de fato, descabida, porquanto vedada a reformatio in pejus.

Outrossim, deve ser afastada a preliminar de ilegitimidade passiva.

A responsabilidade da União, Estados e Municípios é integral e conjunta, decorrendo diretamente do art. 23, II, da Magna Carta e do art. 241 da

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CERS/89. Assim, pode a parte autora escolher contra quem ajuizará a demanda, independentemente do fato de o medicamento estar presente em lista de responsabilidade de ente federado diverso.

Nesse sentido, a jurisprudência:

ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL.

FORNECIMENTO DE MEDICAMENTOS.

SUPLEMENTO ALIMENTAR. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DOS ENTES FEDERADOS.

PRECEDENTES. DECISÃO AGRAVADA MANTIDA.

IMPROVIMENTO.

1. De início, não há que se falar em obrigatoriedade de interposição do recurso extraordinário, pois a responsabilidade solidária do Estado agravante foi firmada ante as disposições da Lei n.º 8.080/90.

2. O Superior Tribunal de Justiça, em reiterados precedentes, tem decidido que o funcionamento do Sistema Único de Saúde - SUS é de responsabilidade solidária dos entes federados, de forma que qualquer deles tem legitimidade para figurar no polo passivo de demanda que objetive o acesso a medicamentos.

3. Agravo regimental a que se nega provimento.

(AgRg no REsp 1495120/MG, Rel. Ministro SÉRGIO KUKINA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 02/12/2014, DJe 10/12/2014) [grifei]

ADMINISTRATIVO. FORNECIMENTO DE

MEDICAMENTOS. REPERCUSSÃO GERAL.

SOBRESTAMENTO DO FEITO. DESNECESSIDADE.

SISTEMA ÚNICO DE SAÚDE - SUS.

RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DOS ENTES FEDERATIVOS. ACÓRDÃO RECORRIDO EM CONSONÂNCIA COM A JURISPRUDÊNCIA DESTA CORTE. SÚMULA 83/STF.

1. O reconhecimento de repercussão geral pela Suprema Corte não enseja o sobrestamento do julgamento de recurso especial em trâmite nesta Corte.

2. É assente o entendimento desta Corte de que a saúde pública consubstancia direito fundamental do homem e dever do Poder Público, expressão

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que abarca a União, os estados, o Distrito Federal e os municípios, todos em conjunto. Nesse sentido, dispõem os arts. 2º e 4º da Lei n.

8.080/1990.

3. O acórdão recorrido está em consonância com o entendimento jurisprudencial do STJ, no sentido de que o fornecimento de medicamentos para as situações de exceção deve ser coordenado entre as três esferas políticas: União, estado e município. Incidência da Súmula 83/STJ.

Agravo regimental improvido.

(AgRg no REsp 1157885/RS, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 23/10/2014, DJe 05/12/2014) [grifei]

Quanto ao mérito, cumpre afirmar que ao Poder Público cabe o dever de fornecer gratuitamente tratamento médico a pacientes necessitados, conforme artigos 6º e 196 da Constituição Federal, que dispõem:

Art. 6º. São direitos sociais a educação, a saúde, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição.

Art. 196. A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação.

A proteção à inviolabilidade do direito à vida – bem fundamental para o qual deve o Poder Público direcionar suas ações – deve prevalecer em relação a qualquer outro interesse estatal, já que sem ela os demais interesses socialmente reconhecidos não possuem o menor significado ou proveito.

Na lição de Alexandre de Moraes1,

a Constituição da República consagra ser a Saúde direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução

1 MORAES, Alexandre de. Constituição do Brasil interpretada e legislação constitucional. 2 ed. São Paulo: Atlas. P. 1926.

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do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços de saúde, cabendo ao Poder Público dispor, nos termos da lei, sobre sua regulamentação, fiscalização e controle, devendo sua execução ser feita diretamente ou por meio de terceiros e, também, por pessoa física ou jurídica de direito privado (CF, art. 197).

Nesse sentido:

SAÚDE – PROMOÇÃO – MEDICAMENTOS. O preceito do artigo 196 da Constituição Federal assegura aos necessitados o fornecimento, pelo Estado, dos medicamentos indispensáveis ao restabelecimento da saúde.

(ARE 650359 AgR, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Primeira Turma, julgado em 07/02/2012, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe-051 DIVULG 09-03- 2012 PUBLIC 12-03-2012)

A Lei Federal nº 8.080/90, que dispõe sobre as condições para a promoção, proteção e recuperação da saúde, a organização e o funcionamento dos serviços correspondentes e dá outras providências, não exclui a competência conferida pela Constituição Federal aos entes federados quanto às ações e serviços de saúde, mas ao contrário, lhes imputa expressamente tal responsabilidade, como se extrai do art. 4º da referida lei, in verbis:

Art. 4º O conjunto de ações e serviços de saúde, prestados por órgãos e instituições públicas federais, estaduais e municipais, da Administração direta e indireta e das fundações mantidas pelo Poder Público, constitui o Sistema Único de Saúde (SUS). [grifou-se]

§ 1º Estão incluídas no disposto neste artigo as instituições públicas federais, estaduais e municipais de controle de qualidade, pesquisa e produção de insumos, medicamentos, inclusive de sangue e hemoderivados, e de equipamentos para saúde.

§ 2º A iniciativa privada poderá participar do Sistema Único de Saúde (SUS), em caráter complementar.

[grifei]

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Ainda, não há como acolher a alegação de ausência de previsão orçamentária, dado que é a própria Carta Constitucional que impõe aos entes públicos o dever de proceder à reserva de verbas públicas para atendimento à demanda referente à saúde da população, bem maior dentre aqueles que ao Poder Público cabe zelar.

Por derradeiro, deve ser acolhido o pedido de minoração da verba honorária.

Isso porque o montante arbitrado não se apresenta condizente, de fato, com a natureza da causa e o trabalho despendido pelo patrono da parte autora, merecendo minoração.

O valor de R$ 600,00 é mais condizente com as diretrizes do parágrafo 3º do art. 20 do CPC, bem como ao princípio da moderação (parágrafo 4º do mesmo dispositivo).

Para fins de prequestionamento, contudo, ressalto a inexistência de afronta ao art. 1º da Lei nº 9.908/93, art. 2º do Decreto nº 35.056/94 e art. 20, parágrafo 3º, do CPC.

3. Diante do exposto, dou parcial provimento à apelação para minorar a verba honorária para R$ 600,00.

Porto Alegre, 10 de abril de 2015.

DES.ª MATILDE CHABAR MAIA, Relatora.

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