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DESAFIOS E DIVERSIDADE NA AMAZÔNIA

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Academic year: 2022

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DESAFIOS E DIVERSIDADE NA AMAZÔNIA

Fonte da imagem: https://pixabay.com/pt/ara-arara-amarela-papagaio-bird-100880/

Antes de se pensar nas características ecológicas e políticas do espaço geográfico amazônico, vale a pena esclarecer o leitor sobre os seguintes termos: região amazônica (ou Amazônia internacional); Amazônia Legal (ou Amazônia Brasileira); Amazonas e Região Norte.

Para auxiliar nessa diferenciação, observe atentamente os seguintes mapas.

Mapas:

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Dica de texto e fonte:

http://www.portalamazonia.com.br/editoria/atualidades/amazonia-amazonia-legal-e-regiao-norte-saiba-a-diferenca/

O mapa da esquerda representa a área da Amazônia Internacional, que ao todo, engloba nove países sul-americanos. São eles: Brasil, Bolívia, Peru, Equador, Colômbia, Venezuela, Guiana, Guiana Francesa e Suriname. Ao todo, engloba uma área de aproximadamente 7 milhões km².

O mapa do meio representa área da Amazônia Legal (ou Amazônia Brasileira). Ela corresponde a uma área de 5.217.423 km², que corresponde a 61% do território brasileiro. A Amazônia legal foi instituída com o objetivo de planejar e promover o desenvolvimento econômico e social de estados da região que compartilhavam da mesma situação política, econômica e social. É importante deixar claro que a Amazônia Brasileira engloba uma área que vai além do bioma ou unidade biogeográfica Amazônia, contemplando 20% do Cerrado e parte do Pantanal Matogrossense.

Estão inseridos, na Amazônia Legal, os estados de Roraima, Amazonas, Pará, acre, Rondônia, Mato grosso, Tocantins, Amapá e parte do estado do Maranhão. Juntos, esses estados concentram aproximadamente 13% da população brasileira. Uma densidade demográfica baixa.

Por outro lado, a Amazônia brasileira concentra aproximadamente 56% da população indígena brasileira.

O mapa da direita, por sua vez, representa uma das cinco macrorregiões administrativas do IBGE, no caso, a macrorregião Norte, que engloba os estados do Amazonas, Pará, Roraima, Rondônia, Acre, Amapá e Tocantins. Apesar de ser a região com a menor concentração demográfica, está entre as que mais crescem atualmente, sobretudo a população dos estados do Amapá, Amazonas e Roraima.

A Amazônia e sua diversidade biológica

A Amazônia legal, como vimos, apresenta a distribuição de três biomas, entre eles: A Amazônia, O Complexo do Pantanal e o Cerrado. Apesar de suas diferenças fisiográficas, todas essas unidades biogeográficas são caracterizadas por uma elevada biodiversidade, sobretudo o bioma Amazônia.

A floresta equatorial amazônica é a principal formação vegetal deste bioma, mas possui variações florísticas que se alteram de acordo com variações topográficas (de altitude) do

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terreno, além se ser acompanhado por outras vegetações, tais como a presença de campinarana, campos e mangues.

A floresta equatorial amazônica é típica das regiões de clima equatorial, marcado por uma boa distribuição anual de chuvas e por médias térmicas elevadas, também, ao longo de todo o ano.

É uma floresta tropical úmida que apresenta vários portes, porém o destaque se dá para o porte arbóreo. A chama hileia amazônica é uma proposta de subdivisão dessa floresta de acordo com variações topográficas, controladas pela flutuação do nível freático. São elas: Mata de Igapó, Mata de Várzea e Mata de terra Firme.

A Mata de Igapó se encontra em ambientes mais baixos que ficam inundados a maior parte do ano; A Mata de Várzea permanece parte do ano seca e parte do ano inundada. Espécies como a Seringueira e o Açaí são típicas dessas áreas. Já na Mata de Terra Firme é onde se encontram as árvores de grande porte da floresta, como as castanheiras, por exemplo. Essa mata é o principal alvo da exploração madeireira na região. Nas áreas de altitude mais elevadas, mais frias e menos úmidas, figuram vegetações campestres, como no planalto cristalino das Guianas, localizado ao norte. Já nas áreas litorâneas, onde há presença de águas salobras, aparecem formações de mangue em vários pontos do litoral, em ilhas fluviais etc.

Estima-se que só a Amazônia (bioma) apresente uma diversidade de espécies arbóreas (árvores) entorno de 2.500 espécies, além de 30 mil espécies de plantas. Essa vegetação possui como característica marcante o fato de ser bastante adensada. Isso significa que há muitos organismos próximos um dos outros. Na realidade, muitos vegetais disputam os mesmos lugares. A copa das árvores, por exemplo, assim como as raízes (que apresentam crescimento horizontal) são muito entrelaçadas, daí o aspecto de uma mata fechada.

A história natural e evolutiva da Amazônia foi marcada por mudanças climáticas. Hoje, sabe-se que em um passado não muito distante (em termos geológicos) a Amazônia já foi bem mais árida, apresentando características mais próximas das savanas. Atualmente, é tida como uma vegetação em clímax – estágio mais evoluído e de equilíbrio entre os estágios da sucessão ecológica. O que, ao mesmo tempo, a torna muito sensível a alterações como o desmatamento.

Diferentemente do que se acredita, os solos amazônicos apresentam baixa fertilidade, pois são solos muito lixiviados (dissolvidos pela penetração da água da chuva, abundante na região).

Curioso é que, em função da elevada carga de matéria orgânica que é depositada no solo, associada ao calor e elevada umidade do ambiente, há um intenso processo de ciclagem dos nutrientes. Esse papel é desempenhado por microrganismos (fungos, principalmente) que

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decompõem a matéria orgânica e produz sais minerais que por sua vez, são absorvidos pelas raízes dos vegetais. Ou seja, a floresta produz o seu próprio alimento.

Esse mecanismo de ciclagem do solo é muito sensível e tem sido interrompido por práticas de desmatamento. A exploração de madeira, por exemplo, funciona como ponta pé inicial ao ciclo de degradação da floresta. Quando se corta uma árvore de grande porte, ao cair, essa é responsável por destruir vários outros vegetais e abrir clareiras que alteram a umidade dos solos, impedindo o trabalho eficiente de alguns microrganismos. Logo em seguida ao desmatamento, durante poucos anos, o solo ainda conserva boa parte da matéria orgânica decomposta. Posteriormente, esse processo é interrompido. Quando isso ocorre, essas áreas desmatadas são destinadas ao cultivo de soja e à criação de gado. Diante dos grandes custos para introduzir alguns insumos agrícolas em solos da região, o cultivo de soja e a criação de gado avançam para novas áreas recém-desmatadas, alimentando um ciclo degradante desse bioma.

Como introdução, a parte do texto que segue pode ser melhor explorada a partir do filme: “Belo Monte: anúncio de uma guerra”.

O filme foi o primeiro produzido pelo sistema de financiamento coletivo arrecadado pelo site Catarse.

https://www.catarse.me/pt/projects/459-belo-monte-anuncio-de-uma-guerra

“Documentário independente filmado ao longo de 3 expedições à região do rio Xingu, Altamira e arredores, São Paulo e Brasília. Apresenta imagens e fatos reveladores sobre a maior e mais polêmica obra em andamento no Brasil. ”

Conflitos e desafios socioeconômicos

Tais práticas degradantes apontadas acima (exploração madeireira, criação de gado e cultivo de soja) se mostram insustentáveis no ambiente amazônico, mas podem ser substituídas por outras atividades de caráter mais conservacionista, tais como as atividades extrativistas praticadas há anos por povos tradicionais como as populações indígenas e ribeirinhas.

As populações ribeirinhas e indígenas são muito adaptadas ao modo de vida que a floresta oferece. Eles estão acostumados a retirar os recursos de sua subsistência da própria floresta e dos rios. Inclusive, quando falamos de rio na bacia amazônica, estamos falando de uma das

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maiores drenagens de água doce existentes no planeta. São quantidades enormes de rios, grandes em largura e extensão, que têm no Rio Amazonas o seu ponto de fuga para o Oceano Atlântico. A água na Amazônia é muito abundante, seja no solo, seja nos rios, seja na atmosfera. Para se ter ideia, a maior parte da água que precipita sobre a floresta, sequer atinge o solo e já retorna para a atmosfera na forma de vapor. Essa riqueza hidrográfica, por sua vez, oferece uma diversidade e quantidade enorme de peixes, base da proteína consumida pelas populações tradicionais.

Além da pesca, o extrativismo vegetal cumpre um papel importante. Na Amazônia há uma infinidade de frutos, muitos sequer conhecidos no restante do Brasil. Outro produto que se destaca é a castanha-do-pará, também muito extraída, assim como o açaí, que se popularizou nos últimos anos.

Do ponto de vista social, a região apresenta uma cultura riquíssima, baseada nos conhecimentos dos povos tradicionais. Por outro lado, reúne os piores dados em relação a serviços básicos, como os de saneamento e tratamento de água potável. Trata-se de uma população espalhadas em várias cidades e povoados dispersos, distantes uns dos outros. Essas dificuldades têm sido alvos de discussões que vêm cobrando um planejamento regional estratégico para a região. Que ofereça possibilidades de crescimento econômico, sem, contudo, perder o que há de mais precioso – a floresta e sua biodiversidade.

Amazônia e os interesses internacionais

A região da Amazônia apresenta importantes províncias minerais, alvos de gigantescos projetos de mineração. Em muitos casos, tais projetos são realizados por empresas que vêm de fora do país, pouco interessadas em cooperar para um desenvolvimento econômico mais complexo e sustentável na região.

Quem é de fora e visita a Amazônia, logo percebe que há um turismo internacional muito forte na região. Muitos estrangeiros visitam a Amazônia em comparação aos brasileiros de outras regiões. O turismo em si não é nenhum problema, pois a manutenção da floresta acaba fomentando esse tipo de atividade econômica que, por sua vez, não agride o ambiente de maneira significativa.

Por outro lado, a floresta tem sido alvo de biopirataria. Há muitos casos de captura de espécies animais e vegetais, para fins de coleção e pesquisa científica. Esse tipo de atividade se dá por vários motivos. Dentre eles, podemos destacar a própria dimensão da floresta, que é pouco ocupada. O que dificulta trabalhos de fiscalização. Além disso, temos uma presença ainda muito

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tímida do Estado no controle desse patrimônio biológico. Precisamos avançar tanto em fiscalização, quanto em fomento às pesquisas científicas na região.

Outro combate que precisa ser fortalecido pelas autoridades é o de redução do desmatamento ilegal e das queimadas na Amazônia. Afinal, de que adianta termos em nosso território um bem tão precioso, se, pouco a pouco, ele está sendo destruído? É necessário haver um esforço conjunto cada vez maior entre autoridades federais, estaduais e municipais para proteger melhor os recursos dessa floresta.

Antes de encerrar, para que não fique a impressão de que a Amazônia é somente uma grande floresta, vale a pena destacar o papel econômico e industrial de algumas cidades, tais como as metrópoles de Manaus-AM e Belém-PA, além de cidades ligadas ao importante complexo mineralógico do Carajás, que extraí minério de ferro (dentre outros) para o litoral maranhense, e de lá é exportado para várias regiões do mundo.

Fonte da imagem: https://pixabay.com/pt/animal-ara-macao-bico-p%C3%A1ssaro-84485/

Referências

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