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A valiação do Serviço de

Referência:

revisão*

zyxwvutsrqponmlkjihgfedcbaZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

CDU 025.5

ZYXWVUTSRQPONMLKJIHGFEDCBA

M á r c i a E l i s a G a r c i a d e G r a n d i* *

1.

BA

IN TR O D U Ç Ã O A p o n t a a i m p o r t â n c i a d a a v a l i a ç ã o

d o s s e r v i ç o s b i b l i o t e c á r i o s , p a r t i c u l a r m e n -t e d a r e fe r ê n c i a , s e r v i ç o - fi m d a b i b l i o t e c a . S ã o a n a l i s a d o s a s v a r i á v e i s e p r o b l e m a s r e -fe r e n t e s àa v a l i a ç ã o d o s e r v i ç o d e r e fe r ê n -c i a , a p r e s e n t a n d o - s e o s p r i n c i p a i s m é t o -d o s e i n s t r u m e n t o s u t i l i z a d o s . A t r a v é s d e u m a r e v i s ã o d a l i t e r a t u r a p u b l i c a d a e n t r e 1 9 7 5 e 1 9 8 0 , a p o n t a m - s e a s t e n d ê n c i a s a t u a i s n a m e t o d o l o g i a e o b j e t i v o s d a a v a -l i a ç ã o d o s e r v i ç o d e r e fe r ê n c i a .

Os últimos anos registraram uma ten-dência crescente de interesse pela avalia-ção dos serviços bibliotecários, tendência esta que acompanhou as profundas trans-formações pelas quais passou e vem pas-sando a Biblioteconomia. As exigências impostas pela própria evolução do conhe-cimento científico e tecnológico levaram os responsáveis pelos serviços bibliotecá-rios a uma avaliação e revisão dos objeti-vos, métodos e desempenhos adota dos, no sentido de se adequarem à nova situa-ção. A biblioteca tradicional, simples guardiã de livros e reposit6rio do conhe-cimento acumulado, teve que ceder lugar à biblioteca atuante, resultado de um re-dimensionamento dos seus objetivos e fi-nalidades. Cabe à biblioteca não só a guar-da dos documentos, mas 'a disseminação da informação, de uma forma rápida e

*Trabalho apresentado para a disciplina "Refe-rência", no 8~ semestre do curso de Bibliote-conomia e Documentação da Escola de Comu-nicações e Artes da Universidade de São Paulo, em novembro de 1980, para a Profa. Neusa Dias Macedo.

**Bibliotecária da Sociedade Brasileira de Cultu-ra Inglesa - São Paulo.

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eficiente, que garanta a máxima utilização e aproveitamento pelos interessados.

Estas mudanças tiveram reflexos dire-tos dentro da organização das bibliotecas, as quais começaram a se preocupar mais com a racionalização do trabalho, tendo em vista a eficiência dos serviços a serem prestados. Métodos de organização e ad-ministração científicas foram introduzi-dos com o objetivo de obter uma utiliza-ção máxima dos recursos disponíveis que garantisse um melhor desempenho da bi-blíoteca. Com a aplicação de técnicas ad-ministrativas, houve um movimento visan-do à sistematização dos serviços a partir de um planejamento inicial, seguido da implantação e constante avaliação e con-trole do funcionamento da biblioteca.

Entretanto, o movimento no senti-do de racionalização e avaliação dos ser-viços prestados não atingiu a todos os sistemas de informação, como seria ideal. Pelo contrário, nota-se na literatura espe-cializada uma ênfase nestes aspectos, sem a devida correspondência na realidade imediata da grande maioria das bibliote-cas. Estas continuam a ser criadas e a fun-cionar sem qualquer plano definido e sem uma política de avaliação e controle que permitam o ajustamento e correção dos desvios do sistema. Por outro lado, as téc-nicas adotadas para planejamento e ava-liação de bibliotecas nem sempre são as mais apropriadas, revelando a inexistência de .um aprofundamento e baseamento teóricos que confiram um mínimo de confiabilidade aos estudos e análises con-cluídos.

A proposta do presente trabalho é examinar alguns dos principais aspectos relacionados com a avaliação dos serviços bibliotecários de modo geral e, especifi-camente, do Serviço de Referência. A pri-meira parte, referente à avaliação geral da biblioteca, tem como objetivo situar o

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problema de modo mais abrangente, in-troduzindo o tema específico que é a ava-liação da Referência. Devido à escassa li-teratura sobre o assunto, optou-se então pela descrição das principais tendências nos métodos de avaliação do Serviço de Referência, seguida pelo esboço inicial de revisão de artigos publicados entre 1975 e 1980.BA

2. A VA LIA Ç Ã O D E SER ViÇ O S

B IB LlO TEC A R IO S

2.1 Finalidades

Analisando-se a literatura na área de avaliação de serviços bibliotecários, en-contramos vários estudos, modelos e me-didas de desempenho propostos visando à. avaliação do sistema como um todo ou 3.

avaliação de unidades ou setores menores e a correspondente contribuição para a eficácia geral. Embora divergentes, todos os métodos de avaliação têm como finali-dade garantir o ajustamento do planeja-mento e da operacionalização às variáveis que aparecem em situações diversas, pos-sibilitando o reconhecimento dos erros, desvios e bloqueios das ações (2:62). Des-ta forma, o exercício de avaliação permi-te a identificação das mudanças que de-vem ser efetuadas, apontando para novas diretrizes e planos de ação que viabilizem maior eficiência da biblioteca e dos servi-ços prestados.

Além de esclarecer quanto à tomada de decisões, a avaliação constante do fun-cionamento do sistema assegura aos admi-nistradores e responsáveis os argumentos necessários para a legitimação da existên-cia da biblioteca frente a comunidade que serve e junto à direção ou instituição a qual está subordinada. E a forma de jus-tificar o seu funcionamento é comprovar a relevância dos seus recursos para a

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2.2.2 Levantamento. Os levantamen-tos são efetuados com o propósito de se obter sobre toda a biblioteca ou parte de-la. Consistem na aplicação de questioná-rios ou entrevistas; estudos de caso, técni-cas de observação direta, manutenção de diários ou inventários, etc.

2.2.3 Bibliometria. A aplicação de métodos matemáticos e estatísticos para livros e outros suportes de informação tem sido uma tendência crescente nos úl-timos anos. Estes métodos não se referem apenas à compilação de simples estatísti-cas de uso e número das coleções, mas também à aplicação de modelos e técni-cas matemátitécni-cas à realidade enfocada. Um destes modelos de análise da eficiência foi desenvolvido por Wessel e equipe, com-preendendo 4 técnicas':

a) SCORE (Service Components Realiability and Efficiency Analysís) -Análise de cada serviço separadamente, di-vidindo-o em uma seqüência de eventos, sendo que a consecução de cada evento es-tá condicionada ao término do anterior. Cada passo da operação que implique em

ação é devidamente anotado, indicando-se o custo em termos de tempo dispendido e grau de sucesso de cada ação. Assim é possível obter um custo médio de cada evento e a probabilidade de ocorrência do mesmo. A partir dos dados pode-se modi-ficar a situação incrementando os serviços ou injetando mais recursos para se atingir maior eficácia.

b) SCOUT Analysis (Service Compo-nents Utility Analysis) - Identificação de todas as operações significativas da bi-blioteca e indicação da média de mão de obra gasta por semana para cada uma. E atribuída uma medida de utilidade para a operação relativa à sua capacidade de sa-tisfazer às necessidades do usuário. Basea-do nestes daBasea-dos, tenta-se conseguir um equilíbrio entre os diversos setores e o sistema de modo geral.

\Ita$: Biblioteeon. e Doe. 15 O/2):7-19,jan./jun. 1982 comunidade e a competência dos

indiví-duos responsáveis pela utilização e apro-veitamento destes recursos disponíveis.

2.2 M étodos e instrum entos

A avaliação é etapa final da tarefa de controle de uma situação. Portanto, antes de qualquer análise crítica é necessária a criação de instrumentos práticos que per-mitam o acompanhamento permanente de todas as ações e de todos os' serviços desenvolvidos nos diversos setores da bi-blioteca. A partir de dados colhidos du-rante a observação é realizada uma análi-se fundamentada em determinados crité-rios e métodos: sucedida pelo estabele-cimento de conclusões finais e propostas de ação.

Até aproximadamente 1945 os traba-lhos de avaliação realizados baseavam-se apenas na análise do acervo e sua utiliza-ção. Os levantamentos efetua dos redu-~iàm-se a estatísticas de livros ou assuntos mais solicitados pelos usuários, sem maior especulação ou aprofundamento. A partir de 1945 outros fatores começaram a ser observados, como as necessidades e carac-terísticas dos usuários, a motivação e ha-bilidade; as formas de acesso ao material das bibliotecas e a própria atuação do bi-bliotecário (18:146-9). Observou-se então uma evolução nas técnicas e instrumentos empregados para avaliação de bibliotecas, podendo-se destacar os seguintes métodos: 2.2.1 Estatística comparada. Mede o desempenho de duas bibliotecas similares em termos do número de usuários em po-tencial, assunto e localização. Este méto-do é baseaméto-do nas estatísticas de bibliote-cas, realizadas diariamente e cumuladas mensal ou anualmente, as quais registram o volume da coleção, a demanda (traduzi-da em número de consultas e/ou emprés-as característicemprés-as dos consulentes.

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Márcia Elisa Garcia de Grandi

c) CORE Analysis (Correlation, Re-gression and Effectivness Analysis) -Aplicado na avaliação de serviços de vá-rias bibliotecas.

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uma forma de estabe-lecer padrões de desempenho baseada no custo do insumo (input) e a qualidade do produto (output).

d) GAME Analysis (Group Attaín-ment and Method Analysis) - Tem co-mo objetivo a eliminação do trabalho desnecessário e a organização do restante através do estabelecimento de métodos, tempo dispendido e custo padrão (20: 319-20).

Outros métodos quantitativos citados por Moulik referem-se ao tempo de expo-sição do usuário a documentos relaciona-do com custo/benefício (Hamburg et alíí), nível de satisfação do usuário (Buckland) e a mensuração da contribuição derivada da utilização dos materiais da biblioteca (Reasa e Baker) (22:84-7).

2.2.4 Análise de sistemas. Análise de sistemas, abordagem sistêmica e pesquisa operacional são termos empregados como sinônimos. Consiste na aplicação de mo-delos que permitem comparações com a realidade retratada, indicando caminhos e ações alternativas apropriadas. Este méto-do permite uma abordagem interdiscipli-nar, dando uma visão blobal da situação e mostrando o relacionamento entre as di-versas partes. As limitações estão no seu alto custo, assim como na relativa rigidez imposta pela elaboração de modelos que não contam com as variáveis e dinamismo das situações reais, concretas.

2.2.5 Técnicas. de administração cien-tífica. São diversas as técnicas adotadas. Entre elas pode-se citar a análise das for-mas usadas na organização; análise de grá-ficos e fluxos de trabalho, preparação de relatórios e recomendações; administra-ção por exclusão etc.

3. AVALIAÇÃO

DO SERViÇO

DE REFERÊNCIA

3.1 Definição e papel da

referência na biblioteca

O serviço de referência varia quanto aos seus objetivos e quanto ao seu desem-penho de acordo com as características da biblioteca onde está inserido. Sua estrutu-ra e diretrizes estão em função das finali-dades da biblioteca e das exigências da clientela a qual serve. Entretanto, embora assuma matizes diversas, a referência com-preende basicamente, segundo Rangana-than, "o processo de estabelecer contato entre o leitor e seus documentos de uma maneira pessoal" (19:13). A primeira menção à tarefa da Referência ocorreu na

1!l reunião da ALA, em 1876, quando ve-rificou-se a preocupação com o préstimo de auxílio ao leitor. A partir da idéia de uma orientação houve a evolução no sen-tido de fornecer uma resposta .imediata a uma consulta específica (10:76). O pró-ximo passo foi no sentido de auxiliar o leitor na pesquisa bibliográfica, tarefa que demanda mais tempo, esforço e conheci-mento. Esta evolução do Serviço de Re-ferência seguiu a própria tendência a uma maior especialização na área da informa-ção, onde há cada vez mais exigência pela informação mais precisa e técnicos mais eficientes (10:178-9).

A Referência pode ser considerada como um serviço-fim dentro da bibliote-ca. Desempenha as funções da informação e instrução, que compreendem a promo-ção do uso da biblioteca através do con-tato pessoal, com o objetivo de facilitar o acesso e utilização dos recursos (9 :25). Desta forma, é no Serviço de Referênéia que se evidencia o objetivo máximo da bi-blioteca que é servir a comunidade, possi-bilitando a recuperação da informação

"

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Avaliação do Serviço de Referência: revisão

requisitada pelos usuários (I 9 :26). Ou se-ja, é na referência que desembocam os re-sultados e produtos originados em outros setores da biblioteca e que estão prontos para serem consumidos pelo usuário.

Compreendendo, portanto, a última etapa do serviço da biblioteca, o Serviço de Referência pode ser considerado um termômetro do seu funcionamento, pois é aí justamente que se refletem todos os as-pectos positivos e negativos da organiza-ção dos diversos setores. Desta forma, a Referência deve ser sempre alvo de ava-liação para, através dos resultados dos ser-viços prestados pelo setor, verificar as fa-lhas provenientes da própria Referência ou dos outros departamentos.

E

também através da Referência que se pode chegar a um contato maior com as necessidades e exigências dos usuários, assim como ve-rificar a satisfação dos mesmos para com o Serviço de Referência, a coleção e os demais recursos e serviços disponíveis na biblioteca.

No entanto, embora importante, não é dedicada muita atenção na avaliação do Serviço de Referência. Ou melhor, este é um dos setores relegado a um segundo plano, na maioria das bibliotecas, quando existente (o que é raro). Nice Figueiredo observa em seu artigo o não reconheci-mento ou substimação do serviço de re-ferência devido principalmente à falta de definição de sua competência e de me-didas de avaliação do setor (10 :180-1).

3.2 Finalidade da avaliação do

Serviço de Referência

Visto que o Serviço de Referência concretiza o objetivo máximo da biblio-teca: servir a comunidade, a sua avaliação e demonstração das tarefas executadas funcionam como uma forma de legitimar a própria existência da biblioteca frente à

instituição ou à clientela a qual serve. Ao demonstrar os serviços prestados, a Refe-rência está também justificando a sua ma-nutenção como serviço eficiente e neces-sário, podendo reivindicar mais verbas pa-ra o departamento. Isto é muito impor-tante já que, normalmente, pouca verba é destinada ao setor, ficando a melhor par-te para outras seções que, devido às carac-terísticas das tarefas, têm condições de comprovar maior aproveitamento.

A avaliação permanente da referência tem como objetivos secundários justificar a aquisição e atualização da coleção da re-ferência e a manutenção ou reorganização das tarefas típicas do departamento, vi-sando o melhor desempenho. Além disto, há que se comprovar a necessidade de montar um quadro de profissionais espe-cializados para execução do trabalho, as-sim como a de verificar a adequação do espaço físico, materiais e equipamentos (1 :203).

Mais do que qualquer outro setor, o Serviço de Referência devido à sua pró-pria natureza mantém relações e comuni-cação diretas com o consulente. Assim, qualquer avaliação ou estudo de usuários pode tomar como ponto de partida a Re-ferência. Através dela há condições de se conhecer as exigências e a demanda de in-formação, e também avaliar a eficiência da biblioteca em atender e satisfazer à clientela.

3.3

Problemas e limitações

A defasagem existente entre o número de estudos e análises relativos à avaliação dos demais serviços bibliotecários e a Refe-rência, com desvantagem para a última, pode ser explicada por vários fatores. Em primeiro lugar, há o problema da própria origem do serviço de referência, que surgiu a partir da constatação da necessidade

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de dar alguma espécie de assistência ao leitor no uso da biblioteca. Atendendo a exigências práticas e imediatas, não hou-ve a formulação de qualquer estudo teóri-co, nem tampouco o estabelecimento de quaisquer métodos ou padrões de desem-penho que pudessem subsidiar a mensura-ção e avaliamensura-ção dos serviços prestados (10: 180).

A falta de uma sistematização teórica acarretou indefinições a nível prático. A primeira delas diz respeito à própria limi-tação das tarefas específicas do Serviço de Referência, não estando claramente esta-belecida a competência do setor. Não há um consenso sobre quais são as atividades características e exclusivas da referência, havendo uma tendência ao desvirtuamen-to de suas legítimas funções. A segunda indefinição está relacionada com a medi-da de avaliação dos serviços prestados. A unidade de medida proposta é a questão de referência, a qual não está claramente definida. Não há unanimidade quanto ao que seja "questão de referência" e quais os critérios que poderiam ser utilizados para categorízá-la. Desta forma, não é possível ser utilizada como unidade de medida, visto que sua inconsistência não permite análise ou comparação.

Estando o Serviço de Referência ba-seado em relações pessoais e envolvendo fatores subjetivos, torna-se difícil avaliar o impacto ou mérito do serviço para com os usuários (25:467). Como medir os be-nefícios da informação prestada ao consu-lente? Qual o valor de uma questão res-pondida ou de um levantamento biblio-gráfico efetuado? Este problema é agra-vado pela inexistência ou inadequação de padrões para o serviço de referência, os quais, quando existentes, preocupam-se mais com a coleção ou pessoal do que com a qualidade dos serviços prestados

(I:205). 12

3.4 Variáveis

o que deve ser avaliado no Serviço de Referência? Para responder à questão é necessário ter em mente os componentes básicos de Referência compreendidos pela coleção de referência, o pessoal responsá-vel pelas tarefas, os serviços prestados, o custo, o usuário e sua satisfação para com o serviço. A adequação da coleção de Re-ferência tem que ser avaliada tanto em termos quantitativos como qualitativos. Não importa somente o volume mas tam-bém verificar até que ponto está atenden-do aos objetivos e necessidades de infor-mação do usuário. Uma coleção de Refe-rência impropriamente explorada repre-senta um gasto inútil. Portanto, é necessá-rio contar com pessoal especializado que possa orientar o consulente e garantir a maxirnização do uso do material biblio-gráfico. Deve-se, então, avaliar constante-mente os recursos humanos disponíveis em termos de experiência, tempo de servi-ço e qualificação. Os serviços prestados e as tarefas de rotina também são objetos de avaliação, relacionadas diretamente com o grau de satisfação do usuário, que talvez seja a variável mais importante e a mais difícil de ser considerada. A satisfa-ção do usuário, traduzida em benefício proveniente da prestação de serviços, deve justificar portanto os gastos envolvidos

nas diversas operações.

Além destas variáveis, Martins e Ri-beiro colocam como necessária a avalia-ção do cumprimento dos objetivos deter-minados na fase do planejamento da bi-blioteca, verificando-se até que ponto es-tão sendo alcançados e quais as reforrnu-lações exigi das quanto às diretrizes já · adotadas. Deve-se perguntar em que me-dida a Seção de Referência atendeu à clientela que supostamente deveria aten-der ou em que medida a demanda de

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Avaliação do Serviço de Referência: revisão

informação está sendo compatível com a especialidade da biblioteca (19 :212).

3.5 Métodos e instrumentos

-tendências

Thomas Childers observa uma ten-dência nos métodos de avaliação do Servi-ço de Referência no sentido d~ adoção de levantamentos estatísticos das variáveis que podem ser medidas como número de pessoas atendidas, número de questões respondidas etc. Raramente tem havido alguma tentativa de avaliar a saída ou pro-duto final, ou seja, as respostas para as questões propostas (5 :212). Weech, em um artigo de 1974, também observa a maior ênfase na simples mensuração ao invés da avaliação, embora já constate al-guma preocupação em relação ao estabe-lecimento de objetivos e de critérios para avaliação (33:317).

A variabilidade dos métodos adota-dos na avaliação do Serviço de Referên-cia pode ser constatada a partir das prin-cipais tendências observadas nos estudos e análise sobre o assunto.

3.5.1 Enumeração das questões de re-ferência - A simples contagem do núme-_ro de questões respondidas é usada em

alguns casos. Procede-se ao registro, atra-vés de simples marcação, computando-se uma estatística sem futura análise, apro-fundamento ou extrapolação, Ê a forma mais rudimentar de avaliação, revelando apenas o volume do serviço a grosso modo. 3.5.2 Classificação das questões de referência - Aqui as perguntas são enu-mera das dentro de categorias pré-deterrni-nadas. Este método, assim como a sim-ples enumeração, reúne dois problemas básicos. O primeiro relaciona-se com a de-finição da questão de referência. Não há wso sobre o que pode ser considera-Orno tal, ficando difícil de se

estabe-lecer uma medida de avaliação. O segundo problema está na fixação de um critério consistente para a categorização das ques-tões que atenda às exigências de uniformi-dade do levantamento (25 :456). Na falta destes critérios, há a reunião de dados de forma dispersiva, de modo que raramente há possibilidade de se efetuar compara-ções entre um estudo e outro. Isto pode ser observado no grau de variação dos mo-delos de classificação adota dos nas diver-sas análises:

a) Por tipo - As categorias mais co-muns referem-se a: questões de diretórios ou indicadores; informações rápidas fac-tuais; auxílio à pesquisa; escolha dos me-lhores materiais (25 :458). Uma outra clas-sificação citada por Shores reúne fatos; assunto geral; como se faz?; ajuda simples (30:6). Derivadas destes modelos, mas apresentando maior detalhamento encon-tra-se a tese de Caroline Hieber, comenta-da por Weech, na qual a autora considera os seguintes tipos de questões: reprodu-ção exata (gravura, mapa, texto); preen-chimento de espaços em branco; descriti-vas, informação sobre ... (como funciona?); lista de referências (33 :318).

b) Por assunto - Estudos visando a determinar as áreas de concentração das perguntas. A maioria das análises foram feitas no universo de bibliotecas públicas, empregando-se comumente a classificação Decimal de Dewey como padrão.

c) Por propósito e leitor - Determi-nação das causas da pergunta e sua prove-niência.

d) Por fonte ou material usado - Ca-tegorização das questões tendo em vista o canal de comunicação utilizado (pessoal, telefone, carta) e o material de referência no qual foi procurada a informação.

e) Estudo das questões não respondi-das - Outra forma de avaliação desenvol-vida, onde se observa o desempenho do

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Márcia Elisa Garcia de Grandi

bibliotecário em responder às questões apresentadas. A análise das perguntas não resolvidas satisfatoriamente pode fornecer subsídios para detectar alguns problemas relativos ao funcionamento, como ade-quação da coleção ou treinamento do pes-soal.

3.5.3 Análise da clientela - Constitui uma tendência cada vez mais acentuada. Sua importância é reconhecidamente de-cisiva, devendo preceder a qualquer outro método de avaliação (10:192). Através do estudo do usuário pode-se determinar o nível de instrução e orientação compatí-vel com o próprio nícompatí-vel do consultante: a forma da disposição do material; forma de acesso e outros fatores (18:72). As pes-quisas realizadas sobre o usuário do Servi-ço de Referência estão direcionadas para as suas características educacionais e ocupacionais, e as razões que o levaram a procurar a informação. Recentemente tem se explorado o não usuário, ou seja, aquele que não procura o departamento de referência. Nos levantamentos efetua-dos constatou-se que na maioria das vezes uma significativa parcela não se utiliza dos serviços de Referência pelos mais di-versos motivos, como desconhecimento das atividades da Referência, experiências negativas anteriores, hesitação e receio em aborrecer ao bibliotecário ou receio em formular as questões por considerá-Ias muito simples ou improcedentes.

3.5.4 Análise da coleção de referên-cia - A maioria dos estudos são baseados no emprego de lista bibliográfica padrão, contra a qual são checados os títulos do setor de Referência para verificar sua ade-quação. Weech aponta para estudos reali-zados tendo em vista a data da publicação do material, o que dá condições para ava-liação da atualização das fontes. Outro método é avaliar a satisfação do usuário

em relação à coleção de referência (33: 322).

3.5.5 Pessoal e organização - As in-vestigações situam-se em termos de quan-tas bibliotecas possuem um setor de refe-rência; o número de bibliotecários em pe-ríodo integral; as tarefas pelas quais o se-tor é responsável; o treinamento profissio-nal e a eficiência do pessoal (tempo de serviço).

3.5.6 Análise de custo -

E

feita em pequena escala visto que não existem me-didas fixadas para as unidádes de traba-lho. Aparecem aqui as dificuldades já apontadas quanto à mensuração do Servi-ço de Referência provocadas pelo caráter subjetivo das suas funções e finalidades. Uma forma viável de realizar esta análise é a utilização das técnicas elaboradas por Wessel e equipe, já mencionadas neste trabalho (SCORE, GAME, SCOUL T e CORE Analysis).

3.5.7 Normas e padrões para o Servi-ço de Referência - As poucas normas existentes referem-se apenas à necessidade e justificativa de um Serviço de Referên-cia, não especificando funções, materiais, organização, aspectos físicos, etc. (33: 326). Desta forma, nem sempre é possível realizar a avaliação tendo em vista o cum-primento ou não dos requisitos mínimos que deveriam ser fixados por estas nor-mas, visto que são muito inconsistentes.

3.5.8 Questões-teste - Avaliação do produto final do Serviço de Referência, ou seja, a informação prestada. Consiste na aplicação de um teste ao bibliotecário de referência no qual as questões são sele-cionadas tendo em vista uma escala cres-cente de dificuldades e a utilização de uma variedade de fontes. As respostas re-gistradas são medidas através de algum critério como precisão, rapidez ou cober-tura. Uma variação deste método esta na

Avaliação do Serviço de Referência: revisão

aplicação de questionários de avaliação sem o conhecimento do bibliotecário. O pesquisador apresenta-se como usuário comum, testando a eficiência do pessoal em atender à demanda pelas informa-çõess. O problema principal desta técnica está no aspecto ético em avaliar um pro-fissional sem este ter consciência disto. 3.5.9 Bibliometria - A bibliometria pode ser utilizada para avaliar o material de Referência, testando a utilização do acervo, a necessidade de se incentivar de-terminadas áreas, ou uma política de des-carte para manter o equilíbrio e atualiza-ção da coleatualiza-ção (10:190).

4. Avaliação do serviço de

referência - tendências atuais

Através de um levantamento realiza-do no LISA (Library & Information Scien-ce Abstracts), cobrindo o período de 1975-1980, foram observados 14 artigos que tratam da avaliação do serviço de re-ferência. Além destes, considerou-se tam-bém o artigo já mencionado de Nice de Figueiredo que data do final do ano de 197410. O objetivo, como já foi colocado no início, era verificar quais as tendências atuais quanto a métodos e procedimentos adotados na avaliação da referência. Os comentários que se seguem traduzem de maneira geral os principais aspectos dos artigos. Deve-se mencionar também que não houve possibilidade de verificação di-reta de todos os trabalhos, baseando-se a análise destes casos apenas nos resumos publicados pelo LISA.

O primeiro aspecto a salientar quan-do se observa a literatura sobre o assunto é a ênfase que vem sendo dada ao estudo das necessidades de Informação do usuá-rio e à satisfação do mesmo, derivada da capacidade do serviço em atender estas necessidades. Neste sentido salienta-se o

artigo de Brudenall que relata um levan-tamento efetuado entre usuários com o objetivo de avaliar as respostas obtidas do bibliotecário de referência às questões apresentadas. Este mesmo questionário foi aplicado ao _bibliotecário, revelando divergências significativas entre as duas partes". Outra pesquisa realizada na Uni-versidade de Chicago teve como finalida-de finalida-determinar até que ponto os estudan-tes tinham conhecimento da existência do departamento de referência e _dos ser-viços prestados. Uma amostra de 98 estu-dantes entrevistados pelo telefone revelou que muitos não utilizavam os serviços porque o ignoravam. Entre os freqüenta-dores habituais havia grande parte que não tinha pleno conhecimento de todas as facilidades- oferecidas pelo Serviço. Evi-denciou-se, portanto, a necessidade de se estabelecer uma política de divulgação interna e externa do departamento de re-ferêncía/",

Além das tendências observadas quanto à avaliação da satisfação do usuá-rio para com as respostas obtidas e ava-liação do serviço em atingir o usuário em potencial, deve-se mencionar o crescente interesse para com a análise da ínteração usuário-bibliotecário. Há uma preocupa-ção cada vez maior voltada para os aspec-tos pessoais que envolvem o processo da Referência e que influenciam o nível de satisfação do usuário. Gothberg expõe uma pesquisa efetuada em uma bibliote-ca públibibliote-ca onde foi avaliada a satisfação do usuário exposto a dois tipos de aten-dimento: o direto, envolvendo a entrevis-ta com o bibliotecário, e o indireto, por telefone, correio ou outros. Conclui-se que os usuários expostos ao primeiro atendimento expressaram maior satisfa-ção em termos da resposta obtida e de sa-tisfação pessoal pelo diálogo travado!' . O contato usuário-bibliotecário também é

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Márcia Elisa Garcia de Grandi

objeto de análise do trabalho de Howell e outros que levam em conta outra va-riável, que é a organização das atividades de referência e avaliação das mesmas pelo próprio pessoal" . Resta acrescentar a me-todologia proposta por Níce de Fígueire-do para avaliação Fígueire-do serviço de referência tendo em vista a satisfação do usuário. A metodologia é bem abrangente, compre-endendo basicamente a mensuração do nível de satisfação através de um questio-nário anexado a todo serviço bibliográfico. Este questionário deve coletar dados quanto à adequação do serviço e o nível do auxílío recebido pelo usuário 10 •

A organização das atividades do setor de Referência e a qualificação do pessoal são outros pontos destacados. Três artigos enfocam os problemas organizacionaís e administrativos, enfatizando inclusive a necessidade de modelos de avaliação esta-belecidos junto ao administrador da bi-blioteca, tendo em vista os objetivos ge-rais da mesma7. 13. 27 .Ellison propõe um método de avaliação do desempenho se-gundo o qual esta avaliação deve ser feita ao final de cada ano, observando-se o pro-gresso alcançado em direção dos objetivos estabelecidos pela instituição 7• Runyon aponta para a importância da avaliação da referência. na estruturação e estabeleci-mento das diretrizes gerais e no estudo da clientela e da bíblíotecaê? . O desempenho dos bibliotecários também tem sido cons-tantemente mensurado e avaliado. A téc-nica mais adotada é a do questionário, avaliando-se as respostas em termos de tempo dispendido, relevância e cobertu-ra". Estão sendo feitos estudos quanto à qualificação do pessoal, examinando-se grupos de profissionais especializados e grupos sem especializaçâo

v".

Além da qualificação profissional, merecem desta-que as variáveis como salários, tempo de serviço, cursos de extensão e outros24

A avaliação das questões de referên-cia apresenta urna evolução que transcen-de o simples registro estatístico. A classi-ficação das perguntas denota uma preo-cupação com a sistematização dos servi-ços e com a introdução de mudanças ou alternativas mais apropriadas. Estudos es-tão sendo propostos no sentido de verifi-car a ocorrência de grande número de per-guntas menos relevantes que poderiam ser respondidas por pessoal não especializa-do, já que não exigem muito conhecimen-to ou esforço. O méconhecimen-todo proposconhecimen-to consis-te no registro de consis-tempo gasto pelo usuário na procura de uma informação com ou sem a ajuda do bibliotecário de referên-cia; anotação do tempo dispendido pelo bibliotecário e a verificação do tempo gas-to pelo usuário desde quando entra na sa-la de referência até a localização do mate-ríal'". A avaliação da freqüência dos di-versos tipos de questões pode ser um meio de racionalizar o serviço de referên-da de forma que diminua o volume de trabalho com o atendimento de simples perguntas. Isto pode ser obtido reforçan-do-se a divulgação através de cartazes, le-treiros, avisos explicativos, guias da bi-blioteca e outrosê? .

As estatísticas do serviço de referên-cia adotadas na maioria das bibliotecas continuam a ser utilizadas como forma de controle e registro das tarefas desempe-nhadas. Os formulários geralmente são constituídos por dados completados pelo preenchimento de espaços em branco com simples marcação ou através de uma frase curta, sendo que estes dados refe-rem-se ao tipo de transação efetuada (re-ferência rápida, consulta ao catálogo, bi-bliografia, etc.), horário, tipo de material utilizado e outros": Nice de Figueiredo reafirma a necessidade de se manter re-gistros estatísticos da circulação

(núme-rO de itens, assunto, tipo, etc.) e do bal-cão de referência (número de consultas, assunto, tipo, etc.)'" .

A relação entre o tamanho da cole-ção de referência e a habilidade do bi-bliotecário em responder às questões também tem sido abordada. Powell ana-lisa questionários aplicados a responsá-veis pelo setor de referência, de várias bibliotecas, comprovando que o volume da coleção tem um papel importante no nível de desempenho do bibliotecário. No entanto, a relação entre as duas va-riáveis não é linear. Depois de atingido um determinado limite, o tamanho do acervo deixa de exercer ação direta so-bre o desempenho, chegando mesmo a declinar" .

5. Conclusões

A tarefa de avaliação do serviço de referência é uma das mais árduas dentro da biblioteca. Em primeiro lugar, por en-volver fatores muito pessoais e subjeti-vos e, em segundo, pela falta de uma sis-tematização e padronização de critérios, métodos e atividades. Além disto, há de se acrescentar o despreparo de muitos bibliotecários quanto às tarefas de nível administrativo que envolvem conheci-mento de técnicas de planejamento, or-ganização, controle e avaliação. Não se pode ignorar também os obstáculos pro-venientes de estruturas com origens já deficientes, que forçam o administrador a consumir grande parte de seu tempo na realização de trabalhos de rotina, em de-trimento de uma de suas funções que é o controle e avaliação do sistema.

Observando-se a literatura especia-lizada sobre o assunto; nota-se uma ên-fase muito grande na análise quantitati-va, relegando-se a um segundo plano a análise da qualidade do serviço. Só

mui-to recentemente é que tem havido um movimento na direção aos aspectos me-nos visíveis e, portanto, mais difíceis de serem mensurados, corno a satisfação do usuário, suas necessidades, a interação en-tre ele e o bibliotecário e vários outros.

Persistem, contudo, os problemas quanto à falta de padrões e objetivos cla-ramente definidos, resultando muitas ve-zes a avaliação em dados não confiáveis ou em estudos exploratórios e informais sem nenhum rigor metodológico. Mesmo quando o levantamento de dados e análise são bem elaborados, referem-se quase sempre a situações muito específicas, apresentando resultados que se aplicam apenas aquele universo estudado, sem per-mitir uma extrapolação para outros casos. Evidencia-se assim a necessidade de uma sistematização a nível teórico que possa subsidiar critérios e métodos de avaliação do serviço de referência aplicáveis a qual-quer situação.

Além do mais a avaliação do serviço de referência deve ser um processo con-tínuo para que haja controle efetivo de todas as variáveis que interfiram no de-sempenho eficiente do serviço. No en-tanto, deve-se ter o extremo cuidado de não se confundir os fins com os meios. Ou seja, não se deve transformar a avalia-ção em objetivo primeiro do serviço em detrimento de outras atividades essen-ciais. A euforia causada por modismos, e que leva a um comportamento de pu-ra imitação é altamente perniciosa para o funcionamento de qualquer serviço. Não se justifica em hipótese alguma o dispên-dio de recursos e de tempo desnecessários na tarefa de avaliação, principalmente quando subtraídos de setores onde são indispensáveis. Portanto, embora de suma importância, a avaliação do Serviço de Referência ou de qualquer outra atividade tem que ser executada cuidadosamente,

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(7)

Márcia Elisa Garcia de Grandi

Avaliação do Serviço de Referência: revisão

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adotando-se métodos e instrumentos ade-quados.

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