www.bjorl.org
Brazilian
Journal
of
OTORHINOLARYNGOLOGY
ARTIGO
ORIGINAL
Does
stapes
surgery
improve
tinnitus
in
patients
with
otosclerosis?
夽
Onur
Ismi
a,∗,
Osman
Erdogan
a,
Mesut
Yesilova
a,
Cengiz
Ozcan
a,
Didem
Ovla
be
Kemal
Gorur
aaUniversityofMersin,FacultyofMedicine,DepartmentofOtorhinolaryngology,Mersin,Turkey
bUniversityofMersin,FacultyofMedicine,DepartmentofBiostatistics,Mersin,Turkey
Recebidoem23demaiode2016;aceitoem11dejulhode2016 DisponívelnaInternetem7dejunhode2017
KEYWORDS Otosclerosis; Tinnitus; Stapedotomy; Lowpitch; Highpitch
Abstract
Introduction:Otosclerosis(OS)istheprimarydiseaseofthehumantemporalbone characte-rizedbyconductivehearinglossandtinnitus.Theexactpathogenesisoftinnitusinotosclerosis patientsisnotknownandfactorsaffectingthetinnitusoutcome inotosclerosispatientsare stillcontroversial.
Objectives:Tofindtheeffectofstapedotomyontinnitusforotosclerosispatients.
Methods:Fifty-sixotosclerosispatientswithpreoperativetinnituswereenrolledtothestudy. PuretoneaverageAir-BoneGapvalues,preoperativetinnituspitch,Air-BoneGapclosureat tinnitusfrequencieswereevaluatedfortheireffectonthepostoperativeoutcome.
Results:Low pitch tinnitus had more favorable outcome compared to high pitch tinnitus (p=0.002).Postoperativeaveragepure tonethresholds Air-BoneGap valueswere not rela-tedtothepostoperativetinnitus(p=0.213).Therewasnostatisticallysignificantdifference betweenpostoperative Air-BoneGap closureattinnitusfrequencyandimprovementofhigh pitchtinnitus(p=0.427).TherewasastatisticallysignificantdifferencebetweenAir-BoneGap improvementintinnitusfrequencyandlowpitchtinnitusrecovery(p=0.026).
Conclusion:Lowpitch tinnitusis morelikelyto beresolvedafter stapedotomy for patients withotosclerosis.HighpitchtinnitusmaynotresolveevenafterclosureoftheAir-BoneGapat tinnitusfrequencies.
© 2016 Associac¸˜ao Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia C´ervico-Facial. Published by Elsevier Editora Ltda. This is an open access article under the CC BY license (http:// creativecommons.org/licenses/by/4.0/).
DOIserefereaoartigo:http://dx.doi.org/10.1016/j.bjorl.2016.07.001 夽
Comocitaresteartigo:IsmiO,ErdoganO,YesilovaM,OzcanC,OvlaD,GorurK.Doesstapessurgeryimprovetinnitusinpatientswith otosclerosis?BrazJOtorhinolaryngol.2017;83:568---73.
∗Autorparacorrespondência.
E-mail:[email protected](O.Ismi).
ArevisãoporparesédaresponsabilidadedaAssociac¸ãoBrasileiradeOtorrinolaringologiaeCirurgiaCérvico-Facial.
PALAVRAS-CHAVE Otosclerose; Zumbido; Estapedotomia; Grave;
Agudo
Aestapedotomiamelhoraozumbidoempacientescomotosclerose?
Resumo
Introduc¸ão: Otosclerose(OS)éaprincipaldoenc¸adoossotemporalhumanocaracterizadapor perdaauditivacondutivaezumbido.Apatogeniaexatadozumbidoempacientescom otoscle-rosenãoéconhecidaefatoresqueafetamodesfechodezumbidoempacientescomotosclerose aindasãocontroversos.
Objetivos: Encontraroefeitodaestapedotomiasobreozumbidoempacientescomotosclerose.
Método: Foramincluídosnoestudo56pacientescomotosclerosecomzumbidopré-operatório. Osvaloresmédiostonaisdogapaero-ósseo,otomdezumbidonopré-operatório,ofechamento dogapnasfrequênciasdoszumbidosforamavaliadosquantoaoseuefeitosobreodesfecho pós-operatório.
Resultados: Ozumbido em tom grave tevedesfecho maisfavorável em comparac¸ãocom o zumbidoagudo(p=0,002).Osvaloresmédiosdosgapspós-operatóriosnãoforamrelacionados comozumbidopós-operatório(p=0,213).Nãohouvediferenc¸aestatisticamentesignificativa entreofechamentopós-operatóriodogapnafrequênciadozumbidoemelhoriadozumbidode tomagudo(p=0,427).Houvediferenc¸aestatisticamentesignificativaentreamelhorianogap nasfrequênciasdozumbidoerecuperac¸ãodozumbidodetommaisgrave(p=0,026).
Conclusão:Ozumbidodetommaisgraveparecesermaisbemresolvidodepoisde estapedo-tomiaempacientescomotosclerose.Ozumbidodetomagudopodenãodesaparecer,mesmo apósofechamentodogapnasfrequênciasdozumbido.
© 2016 Associac¸˜ao Brasileira de Otorrinolaringologia e Cirurgia C´ervico-Facial. Publicado por Elsevier Editora Ltda. Este ´e um artigo Open Access sob uma licenc¸a CC BY (http:// creativecommons.org/licenses/by/4.0/).
Introduc
¸ão
A otosclerose (OS) é a principaldoenc¸ado osso temporal
humano.Éumadoenc¸aautossômicadominantehereditária
com penetrância variável.Clinicamente, a perdaauditiva
condutivaprogressivaeoszumbidossãoosprincipais
sinto-mas.Aáreamaiscomumdefixac¸ãoestapedianaéacrura
anterior.Aperdaauditivaneurossensorialpode
desenvolver--secasoasplacasenvolvamacóclea.1
A otosclerose foi descrita há cercadedois séculos; no
entanto, a patogenia exata não é totalmente
compreen-dida. Embora aparelhos auditivos e terapia clínica sejam
recomendadosem determinadascondic¸ões,a
estapedoto-miacommicrofenestracontinuaaseraprincipalescolhaem
pacientescomperdaauditivadotipocondutiva.1Osucesso
dacirurgiadoestriboempacientescomOSéavaliadocom
osresultadosdaaudic¸ãopós-operatóriaeataxade
fecha-mentodogapaero-ósseo.
Ozumbidotambéméumsintomacomumesubestimado,
ao lado da perda auditiva condutiva na OS.2 As taxas de
satisfac¸ãoapósacirurgiadoestriboestãodiretamente
rela-cionadas com a cessac¸ão pós-operatória do zumbido. Os
pacientescomOScomzumbidonãoresolvidoapósa
cirur-giarelataramescoresdesatisfac¸ãosignificativamentemais
baixos.3 A incidência estimada de zumbido subjetivo em
pacientescomOSéde56-84,5%.2,4
A patogenia exatadozumbidona OSnãoé conhecida.
Váriosautoresrelataramdiferentesmecanismospossíveis,
como reduc¸ão da vibrac¸ão do líquido da orelha interna;
ruídos musculares ou vasculares não mascarados com a
perda auditiva condutiva; aglutinac¸ão intravascular de
eritrócitosnosvasosdacóclea;metabólitostóxicos
produzi-dospelosfocosotoscleróticos;vascularizac¸ãopatológicado
ossootosclerótico;eirritac¸ão dasfibrasnervosasporosso
otosclerótico.4,5
Emboraváriosestudostenhamsidopublicados,oefeito
dacirurgiadoestribosobreozumbidoaindaéumassunto
dedebate. Algunsautores relataram que o zumbido mais
agudotemmaiorprobabilidadederesoluc¸ãoporcirurgiado
estribo,5,6 enquantoGersdorffetal.7 eAyacheetal.8 não
encontraramsignificânciaestatísticaentrearecuperac¸ãodo
zumbidograveouagudo.Além dafrequênciadozumbido,
ozumbidopré-operatórionãocompensado9eaperda
audi-tivadealtafrequêncianopós-operatório3foramrelatados
comdesfechodesfavorável.Alémdisso,oefeitodo
fecha-mentodogapaero-ósseonasfrequênciasdozumbido,após
acirurgia,nãofoidiscutidonosestudos.
Diferentementedeoutrosestudos,nestemanuscritofoi
avaliadooefeitodofechamentodogapnasfrequênciasdo
zumbidoemrelac¸ãoaoszumbidosdetons grave,médioe
agudo.
Método
Aaprovac¸ãodocomitêdeéticalocalfoiobtidaparaonosso
estudocomonúmero2.016.190. Foramincluídos69
paci-entescom perdaauditivacondutiva.Depoisdeumexame
otorrinolaringológico detalhado, o tipo de perda auditiva
e os limiares auditivos foram avaliados com diapasão e
achados audiométricos. Os pacientes com perda auditiva
escoresdediscriminac¸ãodafalade≥90%foramoperados.
Atomografiacomputadorizadapré-operatóriadoosso
tem-poralfoifeitaemtodosospacientes.OdiagnósticodeOSfoi
confirmadoduranteacirurgia.Todosospacientesforam
sub-metidosaestapedotomiademicrofenestraepistãodeTeflon
porum único cirurgião. Os pacientes com outra etiologia
possívelparaozumbido,comotraumaacústico,
anormali-dadesbioquímicas dosanguecomoanemia,deficiênciade
vitaminaB12,alterac¸õesdostestesdefunc¸ãodatireoidee
históriadecirurgiapréviadaorelhaforamexcluídos.
Técnicacirúrgica
Todos os pacientes foram operados sob anestesia geral,
comincisãoendoaural.Resumidamente,apósincisão
modi-ficadadeRosen,descolamentodoretalhotimpanomeatale
remoc¸ãoósseadonervocordadotímpanocomumacureta
oubroca,amobilidadedacadeiaossicularfoiinspecionada
epalpadaparaestabelecerodiagnóstico.Todosos
pacien-tesforamoperados comusodatécnica deestapedotomia
emetapasreversasdeFisch.10Adistânciaentreasuperfície
lateraldoprocessolongodabigornaeaplatinadoestribo
foimedidacomumahastedemedic¸ãomaleável.Umamicro
fenestra foi feita com brocas de 0,5 ou 0,7mm.
Tomou--semeticulosocuidadoparaevitar aaspirac¸ãodafenestra
ecolocac¸ãodaprótese imediatamenteapós afenestra.A
fenestra nãofoi selada antes dacolocac¸ão daprótese. A
mobilidadedaprótese foiavaliada porpalpac¸ãosuave do
martelo.
Característicasdospacienteseplanejamento
Foramincluídos 42 (60,8%) indivíduos dosexo feminino e
27(39,1%)domasculino.Amédiadeidadefoide42anos
(variac¸ão de 32-57); 56 (81,1%) pacientes apresentavam
queixadezumbidopré-operatório.Afrequênciadozumbido
no pré-operatório, medida pelo teste de pitch-matching,
foidefinida como segue: altasfrequências(4kHz,6kHz e
8kHz), frequências médias (1kHz, 2kHz e 3kHz) e
bai-xas frequências (125Hz, 250Hz e 500Hz).11 Para o teste
de pitch-matching, o método adaptativo (bracketing) foi
usado.Resumidamente, o tom foi estabelecido
sucessiva-mente em nove frequências audiométricas entre 0,125 e
8kHz(0,125;0,25;0,5;1;2;3;4;6e8kHz),epediu-seao
indivíduoqueindicasse quaisdessasfrequências mais
cor-respondiamaotom doseuzumbido. Afrequênciado tom
detestefoientãoajustadaemetapasdemeiaoitavaacima
eabaixodafrequênciaselecionadaepedia-seaoindivíduo
para indicar qual das frequências combinava melhor com
otomdozumbido.Acorrespondênciafinalfoiconsiderada
afrequênciaque oindivíduo julgoumaisseaproximarde
seuzumbido.Essatécnicaérecomendadaparausoclínico
derotinaepareceproduzir menoserros deoitavadoque
outrosprocedimentos.12,13
Esses pacientes foram divididos em quatro grupos, de
acordocomoestadodezumbido pós-operatório:Grupo I,
totalmenterecuperado;GrupoII,melhorado;GrupoIII,
inal-terado;GrupoIV,piorado.OsGruposIeIIforamclassificados
nomesmo grupocomo desfecho‘‘favorável’’.Oslimiares
deconduc¸ãoaéreoseósseostonaisnoprimeiroanode
pré--operatório e pós-operatório e os gaps aero-ósseos foram
avaliadosdeacordocomasdiretrizesdaAmericanAcademy
of Otolaryngology Head and Neck Surgery.14 O gap
aero--ósseo foicalculado comsubtrac¸ão dos níveis limiares de
conduc¸ãoósseadosníveis delimiaresdeconduc¸ãoaérea.
Osucessodacirurgiafoidefinidocomogap<10dBtonalno
primeiroanodepós-operatóriosemperdaauditiva
neuros-sensorial(deteriorac¸ãopós-operatória>10dBdosníveisde
conduc¸ãoósseaemrelac¸ãoaosníveispré-operatóriospara
frequênciasde1,2e4kHz)8.
Analiseestatística
As estatísticas descritivas foram apresentadas como
proporc¸õesoumedianas(25-75%percentis),conforme
apro-priado.
Todasasmedic¸õescontínuasforamtestadaspara
norma-lidadepelostestesdeKolmogorov-SmirnoveShapiro-Wilk.
Um valor de p<0,05 foi considerado significativo. Como
as medidasnão apresentaram umadistribuic¸ão normal, o
método nãoparamétrico doteste U deMann-Whitney foi
usado para comparac¸ão entre grupos independentes. Os
resultadosdacomparac¸ãoforamexibidoscomográfico
box--plot.
OsdadoscategóricosforamcomparadoscomPearson
qui--quadradocomcorrec¸ãodeYates,razãodeprobabilidadeou
testeexatodeFisher.OtesteZdeduasproporc¸õesfoiusado
paracompararosdoisgrupossequaisquerdiferenc¸asentre
elesfossemsignificativas.
Resultados
Dos69pacientes,56(81,1%)apresentavamqueixade
zum-bidonopré-operatório.Ataxadesucessoglobalfoide79,7%
(55 de69). Não houvepioria dozumbido entrepacientes
comzumbidonopré-operatório.Noentanto,emum
paci-entesemzumbidonopré-operatórioocorreuperdaauditiva
neurossensorial moderada (60dB). Ele relatou queixa de
zumbidonopós-operatório.Asfrequênciasdezumbido
pré--operatórioforamasseguintes:20pacientescomzumbido
grave,quatrocomzumbidomédioe32comzumbidoagudo.
No total, 34 dos 56 (60,7%) pacientes tiveram um
resultado favorável com o estado dozumbido do Grupo I
(28pacientes---50%) ouGrupo II (seispacientes---10,7%);
22 dos 56 (39,3%) pacientes tiveram estado do zumbido
inalterado(GrupoIII).
O gap pós-operatório foi menor do que 10dB em
44(78,6%)de56pacientescomzumbidopré-operatório.O
gapficouentre10-20dBemnove(16%)emaiordoque21dB
em três (5,4%) pacientes.Nenhum desses pacientes
apre-sentou perda auditiva neurossensorial no pós-operatório.
Valores de gap específicos das frequências dos zumbidos
nopré-operatório e pós-operatório estão apresentadosna
tabela 1. A relac¸ão entre o estado do zumbido
pós--operatório e a média dos gaps no pós-operatório é
mostradanafigura1.Nãohouvediferenc¸aestatisticamente
significativaentreamagnitudedosgapsnopós-operatório
eoestadodozumbido(p=0,213).
Afrequênciado zumbidonopré-operatório e o estado
pós-operatóriodozumbidoencontram-senatabela2.Houve
umarelac¸ãoestatisticamentesignificativaentrea
Tabela1 Valoresdegapsaero-ósseo(GAP)pré-operatórios epós-operatóriosespecíficosdefrequênciamédia
Frequência(kHz) GAPMédio DP Valoresp
0,5Pré-op 46,73 10,79 <0,001
0,5Pós-op 8,84 7,31
1Pré-op 41,92 10,48 <0,001
1Pós-op 9,03 7,98
2Pré-op 35,96 9,7 <0,001
2Pós-op 7,4 6,52
3Pré-op 35,57 9,73 <0,001
3Pós-op 8,17 6,26
DP,desviopadrão;Pós-op,valorespós-operatóriosnoprimeiro ano;Pré-op,valorespré-operatórios.
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Completamente recuperado ou melhorado
Inalterado
Estado de Zumbido Pós-operatório
GAP pós-operatório
Figura 1 Comparac¸ão entre estado de zumbido
pós--operatório e níveis de GAP limiares tonais médios e pós-operatóriosfoidemonstrada(GAP,gapaero-ósseo).
pós-operatório(p=0,003);ozumbidograveteveum desfe-chomaisfavorável,emcomparac¸ãocomozumbidoagudo (p=0,002).Nãohouvediferenc¸aestatisticamente significa-tiva entre zumbido grave e médio (p=0,22) ou zumbido agudoemédio(p=0,812)emrelac¸ãoàmelhoriadozumbido nopós-operatório.
Trintaedoispacientescomzumbidodealtafrequência pré-operatórioforamavaliadosparataxadefechamentodo
gapnasfrequênciasdoszumbidospós-operatórios.Oestado do zumbido pós-operatório desses pacientes é demons-trado na figura 2. Não houve diferenc¸a estatisticamente
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Completamente recuperado ou melhorado
Inalterado
Zumbido Agudo
FZ GAP pós-operatório
Figura2 Comparac¸ãoentreestadodezumbidoagudoe valo-res de GAP pós-operatórios em frequências de zumbido foi mostrada(FZGAP,valoresdogapaero-ósseodefrequênciade zumbido).
significativaentreofechamentodogappós-operatórionas
frequênciasdoszumbidosemelhoriadasqueixasdezumbido
dealtafrequência(p=0,427).
Vinte pacientes com zumbido de baixa frequência no
pré-operatório foram avaliadosquanto ao fechamentodo
gap aero-ósseo na frequência do zumbido e as queixas
de zumbido no pós-operatório (fig. 3). Houve diferenc¸a
estatisticamentesignificativaentreamelhoria dogapnas
frequênciasdoszumbidosesuamelhora(p=0,026).
Foram usados dois tamanhos de prótese: 0,4mm de
diâmetro da haste para quatro pacientes e 0,6mm para
52 deles. A comparac¸ão do diâmetro do pistão de teflon
e do estado de zumbido no pós-operatório encontra-se
resumidana tabela3.Nãohouverelac¸ãoestatisticamente
significativa entre o diâmetro da prótese e o estado de
zumbidopós-operatório(p=0,641).
Discussão
Noestudoatual,ozumbidopré-operatórioestevepresente
em81,1%dospacientescomOS;ataxadesucessodanossa
cirurgiadeestapedotomiafoide78,6%paraesses
pacien-tes.Aincidênciadezumbidofoirelatadacomo56-84,5%2,4
ea taxa desucesso dacirurgia foide 56-92%em estudos
anteriores4,6,8,15.
Tabela2 Relac¸ãoentrefrequênciadozumbidoeestadodezumbidopós-operatório
Zumbido
Frequênciasubjetivadozumbido Melhoradoou
completamenterecuperado
Inalterado Valorp
Altafrequência 14(43,8%) 18(56,2%) 0,003
Médiafrequência 2(50%) 2(50%)
Tabela3 Relac¸ãoentrediâmetrodopistãodeTefloneestadodozumbido
Zumbido
DiâmetrodopistãodeTeflon(mm) Melhoradoou
completamenterecuperado
Inalterado Valorp
0,6mm(n=52) 32(61,5%) 20(38,5%) 0,641
0,4mm(n=4) 2(50%) 2(50%)
Trinta e quatro (60,7%) pacientes obtiveram melhoria totalou parcial do zumbido; noentanto, o zumbido per-maneceu inalterado em 22 (39,3%) pacientes em nosso estudo.O zumbidonãopiorou em qualquer dospacientes apósa cirurgia. Ataxa de zumbidofavorável (totalmente recuperado ou melhorado) foi classificada como 40-96% nopós-operatórioem manuscritosanteriores.9,15 LimaAda
etal.15 eSzyma´nskietal.4tambémrelataramquenenhum
pacientetevepioriadozumbidonopós-operatório.
Em nosso estudo, após a cirurgia, a melhoria foi mais
acentuadaparao zumbidodetomgrave, emcomparac¸ão
comosdetomagudo(p=0,002).Afisiopatologiaexatado
zumbidoédesconhecidaempacientescomOS.Avia
audi-tiva eferente tem um efeito modulador sobre as células
ciliadas externas do órgão de Corti, que pode
tampo-nar ou amplificar a mensagem proveniente do cérebro.5
Quandooestímuloauditivodiminui,osistemanervoso
cen-tralcompensa,aumentaasensibilidadedascélulasciliadas
externas16 e gera umapercepc¸ão auditivafantasma como
zumbido.Helleretal.17eDelBoL.etal.18 mostraramque
adultossaudáveiscom audic¸ão normalrelataram zumbido
apósficarem umacâmara anecoica porumlongotempo.
Adiminuic¸ãona vibrac¸ão dolíquidodaorelha interna em
pacientescom perda auditiva condutiva,como aquela na
OS,diminuioestímuloaferentedavia auditivacentral.O
estímuloaferentereduzido, por suavez, diminuio efeito
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Completamente recuperado ou melhorado
Inalterado
Zumbido Grave
FZ GAP pós-operatório
Figura3 Comparac¸ãoentreestadodezumbidogravee valo-res pós-operatórios de GAP em frequências de zumbido foi apresentada(FZGAP,valoresdogapaero-ósseodefrequência dezumbido).
supressordasviaseferentesnoórgãodeCorti.Adisfunc¸ão
daviaeferenteéumdospossíveismecanismosdepercepc¸ão
dozumbidoempacientescomperdaauditivacondutiva.5,16
Causseetal.5afirmaramqueomecanismodeamplificac¸ão
dosinaldascélulasciliadasexternasprovocaumzumbido
grave,emvezdeumzunidoouruídosemelhanteaummotor,
como em casos com perdaauditivacondutiva. Quandoas
vibrac¸õesdoslíquidosdoorelhainterna sãorestabelecidas
cirurgicamenteeaperdaauditivaémelhorada,ozumbido
detommaisgrave,namaioriadasvezes,recupera-se.
Nos-sosachadoseosdeváriosestudosanteriores6,19,20também
apoiamessahipótese.Noentanto,Gersdorffetal.7eAyache
etal.8nãoconseguiramencontrarcorrelac¸ãoentreoestado
do zumbidopós-operatório e a frequênciado zumbidono
pré-operatório.
Embora tenhamos tido um resultado auditivo
bem--sucedido, a recuperac¸ão pós-operatória do zumbido não
esteve relacionada com o fechamento pós-operatório do
gap (p=0,213). Esse achado foi sustentado por Ramsay
et al.,6 Lima Ada et al.,15 Szyma´nski et al.4 e Gersdorff
et al.7 Eles não encontraram correlac¸ão entre o sucesso
dacirurgia eo estado dezumbidopós-operatório.
Recen-temente,Bast etal.9afirmaramque osucessodacirurgia
teveumimpactosobreamelhoriadozumbidocompensado
no pré-operatório, enquanto o zumbido não compensado
nãodesapareceu,apesardeumacirurgiabem-sucedida.Os
resultadosdeGlasgold eAltmann21 e Sparanoetal.22 não
deram apoioaos nossosachados e em seusestudos
resul-tados auditivos menosfavoráveis forammais propensos a
apresentarzumbido.
O zumbido acompanha 70-85% dos pacientes com
perdaauditivacausadapordiferentesdoenc¸asdosistema
auditivo.23Otomdozumbidofrequentemente
correlaciona--se com as frequências da perda auditiva.24 Perda ou
diminuic¸ãoda entradana cócleaprovoca reorganizac¸ãoe
excessodesinalizac¸ãodasfrequênciasdaperdaauditivanas
viascentrais.Poressarazão,otomdozumbidoépercebido
pertooudentrodas frequênciasdaperdadeaudic¸ão.25 A
partir desse ponto devista, avaliamos o efeito do
fecha-mentodogapnasfrequênciasdozumbidoempacientescom
OS.Verificamosquequantomaisotomdozumbidosesituou
nasfaixasdefrequênciasmaisbaixas,ofechamentodogap
na frequênciado zumbido aumentou a chance de
melho-riadozumbido.Esseachadodemonstraqueapatogeniado
zumbidodealtafrequênciaempacientescomOSestá
asso-ciadaaumfatordiferentequenãoafixac¸ãodaplatinado
estribo.
A técnica usada durante a cirurgia de OS é
conside-radaumfatorquepodeimpactaroresultadodoestadodo
zumbido. Sakai etal.19 mostraram que uma cirurgiamais
desfechodesfavorável, em comparac¸ão com a
estapedec-tomia parcial ou estapedotomia. No estudo de Gersdorff
etal.,7o prognósticodozumbidofoimelhorapós
estape-dotomia, em comparac¸ão com estapedectomia parcial, e
o uso do laser de argônio durante a cirurgia não alterou
odesfecho.Ayache etal.,8aocontrário,nãoencontraram
diferenc¸asentreastécnicascirúrgicaseodesfechode
zum-bidopós-operatório.Recentemente,Bagger-Sjöbäcketal.3
relataram que a cirurgiade OScausou perdaauditivaem
frequências mais altas, a partir de 8kHz, e que o
desfe-cho dozumbidoestavadiretamenterelacionado comessa
perda auditivanas altas frequências induzida por trauma
cirúrgico. No entanto, os achados de Ramsay et al.6 não
fornecem apoioaesserelato eparapacientes comperda
auditivanasfrequênciasaltasdevidoaotraumacirúrgicoo
desfechodozumbidonãofoidiferente,emcomparac¸ãocom
orestantedospacientes.Deacordocomosnossos
resulta-dos,umaperfurac¸ãomenor na janelaovale ouso deum
pistão de Teflon de diâmetro menor nãoalterou o
desfe-chodozumbido,masesseachadopodeserespúrio,devido
ao baixo númerodepacientes comprótese de 0,4mm de
diâmetronanossasérie.
Conclusão
Acirurgiadoestribonãosórestabeleceaaudic¸ãode
paci-entescom OS, mas tambémresolve a queixade zumbido
na maioria dos pacientes. A queixa de zumbido de baixa
frequência tem mais probabilidade de ser resolvida após
cirurgia. O zumbido de tons maisagudos pode não
desa-parecer,mesmoapósofechamentodogapnasfrequências
dozumbido.Todosospacientes comotosclerose e queixa
de zumbido devem ser avaliados para as frequências do
zumbidonopré-operatório.Ospacientescom zumbidode
frequênciaaltadevemserinformadosdequeasuaqueixa
dezumbidopodenãoserresolvida,apesardamelhoriana
audic¸ão.
Conflitos
de
interesse
Osautoresdeclaramnãohaverconflitosdeinteresse.
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