• Nenhum resultado encontrado

O aristarco portuguez: revista annual de critica litteraria: 1º ano (1868)Publicado por:Imprensa da UniversidadeURLpersistente:URI:http://hdl.handle.net/10316.2/2968Accessed :28-Oct-2022 22:15:50

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2022

Share "O aristarco portuguez: revista annual de critica litteraria: 1º ano (1868)Publicado por:Imprensa da UniversidadeURLpersistente:URI:http://hdl.handle.net/10316.2/2968Accessed :28-Oct-2022 22:15:50"

Copied!
229
0
0

Texto

(1)

A navegação consulta e descarregamento dos títulos inseridos nas Bibliotecas Digitais UC Digitalis, UC Pombalina e UC Impactum, pressupõem a aceitação plena e sem reservas dos Termos e Condições de Uso destas Bibliotecas Digitais, disponíveis em https://digitalis.uc.pt/pt-pt/termos.

Conforme exposto nos referidos Termos e Condições de Uso, o descarregamento de títulos de acesso restrito requer uma licença válida de autorização devendo o utilizador aceder ao(s) documento(s) a partir de um endereço de IP da instituição detentora da supramencionada licença.

Ao utilizador é apenas permitido o descarregamento para uso pessoal, pelo que o emprego do(s) título(s) descarregado(s) para outro fim, designadamente comercial, carece de autorização do respetivo autor ou editor da obra.

Na medida em que todas as obras da UC Digitalis se encontram protegidas pelo Código do Direito de Autor e Direitos Conexos e demais legislação aplicável, toda a cópia, parcial ou total, deste documento, nos casos em que é legalmente admitida, deverá conter ou fazer-se acompanhar por este aviso.

O aristarco portuguez: revista annual de critica litteraria: 1º ano (1868) Publicado por: Imprensa da Universidade

URL

persistente: URI:http://hdl.handle.net/10316.2/2968 Accessed : 28-Oct-2022 22:15:50

digitalis.uc.pt pombalina.uc.pt

(2)
(3)

\ i ', / ,~

I " I -'

IIynrUrlrr7 LOtLeaeo/J!:~

c!7n

cAtemo[Y

y

~ae~ueiro3~ ' éJe gotol1lLf!lor a'..7l/mewa

e '1Qcorzceliod Coad q/ Janta tulalia

:7he 9ft if

c9'olza9J. cfte/Jonc/fUlWf r~~

g/'the eIa.H p/'

!90Ó

(4)
(5)
(6)

,.

I

t

(7)
(8)

ARISTA·RCO· PORTUGUEZ

REVISTA ANNUAL DE CRITICA LITTERABIA

PRIMEIRO ANNO - 1868

f .

Auctores das obras criticadas:

A. da Silva Galo.- Alberto Pimenlel.-Camillo Caslello-Braoco.

-Candido de Figueiredo.-Carlos Borgn.-Climaco dos Rei •. - Eduardo A. Vidal.- Ernesto P. de Almeida.- Eugenio de Caslilb ...

- F. Adolpbo Coelho.-Guerra Junqueiro.-Guilberme Braga.- Julio Diniz.- Latino de Faria.- Lemos .de Napoles.- Lopes Praça.

- Martins de Carvalbo.- Ramalbo Ortigllo.- Simõn Dias.- Tbeo-

c~p~:::~,·

(9)
(10)

o

ARISTARCO PORTUGUEZ

(11)

--- .

(12)

o

ARISTARCO PORTUGUEZ

BIVISTA AINUAL DI CRITICA 'LITTlUIIA .a.

i.O ANNO-i868

COIMBRA

nlPRENSA DA. UNIVERSIDADE

i868

(13)

iilil;~l\llIi COLLEGE lItono":

(;OIJ~l OF SI\NT~ EULH o'

COLlEClltlll tilfT Of .IOItI .. lTl1MIri:JI.

MAr ~ 1"~·.

(14)

,

Lançámos u~a vista de olhos pela nossa Iittera- tura de hoje; e, se mo-tivos houve por que nos con- gratulassemos, I não vimos sem má.gua o como em Portugal se aquilatavam &s nossas letras.

Por mais que a vista se nos entranhasse por todos os recantos da nossa republicasinha littéraria, niló l!0s appareceu um crítico de lei, que tivesse ânimo para dizer sem rebuço toda ~ verdade ao povo que, no procurar alimentos para o espirito, poucas vezes pode por si escolher, d'entre os insossos e os dele- terios, aquelles que lhe apllrem o gosto e nutram a intelligencia.

Por força de consequencia, o merito do escriptor . dependia do favor das circumstancias, e, por muitas vezes, o merecimento real ficava na sombra, em- quanto a fama revestia de luz e gloria entidades que a justiça nunca devia de salvar da obscuridade.

E não é porque em Portugal faltassem homens, que do seu levantado ingenho tirassem luz, para mostrar a verdade ao povo: impecia-os talvez a con- sideração de que poucos dos que escrevem escutam a sangue-frio as verdades da crítica, malquistando-se

(15)

de prompto com os que se aventuram a prégal-as em público.

~lo nos deteve tão balofa e pueril consideração : tomámos o caminho da verdade e da justiça, e nilo trepidaremos diante de susceptibilidades feridas .

. A nossa missão especial é notar e louvar o bom, e apontar e censurar o mau. Se cabalmente anilo desempenharmos, ao menos o publico ha de conve~­

cer-se - ou nós nos· enganamos mllito- de qlle nol-a impozemos com

8.

mlio na consciencia.

Se já hoje não apparece- o nosso nome á frente- d'estes estudos críticos, nilo é tanto éulpa nossa,.

quanto d'aquelles que avesaram u~a parte do Pll- blico a não ver ('om bons olhos a imparcialidade da verdadeira crítica. Apparecerá. um dia, quando vir- mos que se faz justiça aos nossos esforços e á. pu- reza das nossas intenç(Jes.

"*

(16)

PRIMEIRA PARTE

PROSA

(17)

.1

/

(18)

,

o

ARISTARCO PORTUGUEZ

REVISTA ANNUAL DE CRITICA LlTTEB.ARIA

A. DA SILVA GAIO

MARIO

Episodios das Inetas eivis portnguezas de 1820 a 1834

, LISBOA, 18&8

No meio das ruida,as tempestades moraes, que agitam o coração da Europa D1odernR, a litteratura marcha insensivel como baixel que levasse os des- pojos do passado. A litteratura, que segundo os prin- cipios do Cenaculo francez não podia deixar de ser toda dramatica numa epo~ha de revoluções como &

nossa, desnortêa-se do seu augusto s&cerdocio hu- manitario para Ile concentrar no sanctual'io da con- sciencia individual.

Neste aeculo de transição, em que deviamoa todos

(19)

7

pregar ás massas qual o seu destino na terra, os seus direitos, os seus deveres, cruzamos os braç~s

como os prophetas de,J erusalem e choramos cada, qual á beira do seu Cedron' lamentoso, como se o nosso ultimo dia tivesse de ser ámanhlI. Àgo~a que os marés da politica andam revoltos no fluxo e re- fluxo continuo dos partidos, e os povos em sua mar- cha trillmphal para a lib~rdade vão rasgando 'os -pés na via dolorosa das revoluções, alitteratura assume um caracter pacifico, os romances, os dramas, e os poemas sociaes fallecem, e se nalguns apparece o caracter revolucionario, é porque só herdaram da Restaw'ação, nanja que lhe viesse inspirado da crise por que vamos passando. Se alguma questão social se discute, tão só ao pamphleto e ao jornal se devem as honras da discussilo.

O nosso marasmo nilo é sómente o symptoma de debilidade intellectllal, não é tambem o resultado de indolencia propria aos :J>ôvos do Meio-dia, é o espirito de imitação que nos mata. Não sabemos le- gislar sem que a França formule as nossas leis. Este facto dá.-se em politica, em sciencias, e em Iittera- tura. Somos para os francezes, o que estes dizem da Alenianha -uma posteridade contempóranea.- Sem fallarmos da poesia, de que infeliz~ente não te- mos uma eschola, que represente as agonias da trans- formação do seculo, porque em Portugal não ha a raça grega, atrevida, inflammada de André Chenier ;

(20)

limitando-nol a um eclcctismo caprich~80 e mal di- rigido; sem falarmos do romance 'de costumes, onde a maltrapida parodia de Balzac por ahi trapa- cêa cOm o publico jogando a cabra cega; sem fal.

larmos do n08SO "lheatro, que é o transumpto do vaudeIJilli811l0 de Scrihe, como este foi o imitador . de Calderon ; - notamos no romance historico porto- . guez as mesmas tendencias, que descobrimos nos

romances historicos france~es depois da revolução de 1789. A :h'rança era um montão de ruinas fume- gantes do incendio. Era necessario animar o povo desalentado, mostrando·lhe as glorias do seu

p~do.

Hoje é necessario dizer nlo o que fomos, mas o que devemos ser. É necessario fazer da historia não um espectaculo, mas uma lição proveitosa, para cau- tela no futuro. Em quanto Casimiro Delavigne e Béranger cantam em suaslyras enthusiasticas o trium- pho da liberdade politica, e Lamennais fustiga o ul- tramontanismo, pedindo a liberdade religiosa, Sainte Benve formúla os verdadeiros principios da critica, Guizot desenvolve a philo80phia da historia, Ben- jamin C0!lst.ant proclama as garantiss do cidadla, e . todos se empenham na reo:rganisaçio intellectual, moral e politica da ~"rança; o romance historico ap- parece balbuciante em Arlincourt, vigoroso em Vi- ctor Hugo, poetico em Chateaubriand. A Inglaterra responde pela voz omnipotente de Walter Scott, e Portugal por via do seu representante nacional- o visconde Garrett.

(21)

6

o

Arco de Sant'AlUU.I' e a Notre Da'm8 foram o resultado d'uma necessidade imperiosa, qual era a de saber se as revoluç<Jes são 11m ll.Ca80~ ou filhas das leis providenci&e8 da humanidade .. O que Bos- suet com Sl1a admiravel eloquencia tinha demons- trado em sua Historia Universal, o mesmo foire- cti6cado pela litteratura subsequente á epocha im- perial. Mas então o romancista tinha cumprido a sua missão, expondo co~o Chateaubrinnd nos Mar- tgru o modo como a idêa zomba do despotismo cego dos homllDs; hoje é necessario mais alguma cousa- abrir o caminho para o futuro, prever o que será ámanhã. Os Mis/n-aveis de Victor Hugo, livro que é por sem dúvida o primeiro poema social d'este _ seculo, necessita do ultimo capitulo; que ha de es-

crever-se ámanhã, quando algum vidente da his- toria no~ disser para onde caminhamos. Os princi- pios estio postos, levante-se alguem a formular a

conc1aslo. .

Para que hão de os romances historicos pedir piedade aos corações c lagrimas aos olhos, mostran- do-nos o quadro de nossas glorias passadas? O que nós queremos é consolação para os males presentes e bastantes·esperanças no porvir.

Quando 8S rosas da patrio. cavalheiresca, folgasã e independente murchavam na coroa de D. João III, Cam3es vingava do esquecimento e uansmittia &Os vindouros o deposito de nossas glorias. Então nlo podiamos fazer mnis, porque as nossas cÍl'cumstan-

(22)

7

cias eram desesperadas. Hoje, que temos fé em nossos corações e garantia DOS codigos libel'aes da Europa, não temos tempo de olhar para ~s abarcas dos nossos maiores, senão para al~uma estre1la, que por ven-, tUI'a venba luzir em nossos horison teso

Não rejeitamos a cschola historica; ao contrario, amamol-a pelo seu duplo interesse da instrucção e do deleite. O que dizemos é que o romance historico de hoje, longe de ser uma narração, deve ser uma experiencia. Bem sabemos quantos serviços devemos a Saint-Résl e a João de Barros, mas muito mais devemos a Herder e a Herculano. Uns lev~m-nos aolabyrinto, outros dão-nos o fio de Ariadna. Que- remos romances historicos para lição, co~o os de Walter-Scott, e não para espectaculo, como os do visconde de Arlincourt.

Vejamos se o romance do sr. Gaio satisfaz ás exigeDcias da critica moderna, e se elIe merece os louros, de que a imprensa. portugueza. o coroou.

Passandó em silencio RS origens do romance histo- rico e~ Portugal, de que encontramos vestígios ano- nymos nas relações de naufragios, nalgumas chro- nicas anteriores ao seculo de sei~centos, e nas lendas piedosas colligidas pelo auctor do Fl'J8 Sando'1'um, bemmereceram da patria. os escriptores do secul,o actual, que souberam fazer uma especie de philo- sophia romantica d'alguns factos positivos da nossa historia.

(23)

8

Garrett, Herculano, Rebello da Silva, Andrade Corvo já t6m fóros de romancistas historicos; e se bons ou máos foram os titulos de sua. fidalguia, niio descu.

tiremos neste logar. A esta phalange privilegiada por seu inpontestavel merecimento vem unir· se agora o auctor do Mario, a quem de certo não falta ingenho, mas cujo merecimento em certo modo foi e~8ggerado por quem tinha obrigação de ser imparcial. Os nossos criticos nito sabem elogiar sem favor, nem censurar sem paixão. O que nos parece, é, que A. Silva Gaio é certamente academico muito mais distincto do' que romancista; e, se lhe não falta talento para o romance, carece de muita experiencia, predicado jndispensavel para ser mestre em qIJa1quer coisa.

O Mario é uma boa estreia, mas não passa d'ahi.

O pensamento do Mario, ou antes a intenção do seu auctor é profundamente patriotica e racional. Re- presenta a celeuma dos marinheiros politicos ao ve- rem a liberdade quasi a pique de encontro á tyrannia coroada;, porqJle a cabeça de um monarcha despo.

tico vale bem a dureza de uma rocha. Em todo aquelle movimento dramatico do MJrio escuta-se incessan- temente o fremito, o alarido confuso de uma epocha revoltada contra os esbirros da sombra, os phariseus da lei, os devassos seductorcs da familia, os algozes do povo, 08 sicarios da intriga, os vendilhões do tem- plo, os imbecis do throno, e, o que mais é, 08 hy- pocritas, que eio nome da religião e do throno flore-

(24)

9

teava~ lanças contra o coração dos crentes; que todo se abria por dentro em canticos ~pela aurora que tiro fonnoM rompia já no anno de 89.

O logar .da· scena é bem escolhido. A Beira com a sua vegetação triste; coroada de pinhaes, recortada de olivedos e castanheiros, tapetada de vinhas e ur- zes, rasgada por valleiros, o ondulada por serras, é um cadafalso excellente para a execução de uma. idéa ignominiosa, um.capitolio formoso para o triumpho da liberdade, um calvario soberbo pal'a a resurreição de um povo. A epocha de 1820 a 1834 foi uma es- colba excellente, pelos principios fecundos que pro- duziu, e mais ainda pelo muito que se presta ao cara- cter dramatico do romance. Aqui pode o escriptor desOObrir thesouros, que tem a certeza de que estão intactos. Nenhum mineiro por lá. os andou a. explo- rar. Tudo o que vier é novidade, e a novidade agrada sempre; muito mais a nós outros, que andamos abor- recidos com a rotina classica d'esta litteratura falsa.

E depois, que bello espaço para referencias e epi_

sodios, aquelles esforços lentos dos liberaes de 1817, as agonias, ~s vexações e as penas dos infelizes com- panheiros de Gomes Freire de Andrade até que po- dem alcançar aquelle intersticio liberal de 1820 a 1823! Aqui tudo é heroico, sublime, grandioso! Os quatorze annos que precederam a. revolução de 1834 nilo têm aguaI em nossa hi.toria contemporanea.

Duas sociedade~ poderosas, dois pensamentos incon-

(25)

lO

ciliavei., sol e Doit~ luetando como dois gigantes-é um espectooulo que assombra e ao mesmo tempo in- spira. Local magnifico, epocha prestadia, &8sumpto grandioso, protogonista soberbo porque é a liberdade, pàrte historiea bem estudada, a trama ezq geral bem urdida, que falta para a apotheose? Tudo; falta o

art~da j o Mario é uma pessima execução de uma idéa grande. Papeis d'esta força, .ou o artista os 00-

ceita, e então os desempenha bem, ou lhe falleeem forças, e entilo rejeita-os e escolhe outros, onde possa mostrar sua pericia. No Mario falta a experiencia do romancista historico.

A agitação revolucionaria, o medo, a alegria, a eÔr da epocha, os caracteres, que num dieto, numa palavra, num movimento. se revelam, faltam naquelle livro. É a historia d'aquella. 'comprida epocha nar- rada por um homem que a Duviu contar.· Gaio não nos faz· viver a.Ui, em conversa com Jorge Pinto e Mario; faz-llos apenas uma dissertação sobre liber- dade em fomia dialogal. Aqui ouvimos uma prelec- ção sobre botaniea, aUi sobl'e geographia, alem vai repetindo a phrase estafada:-ondulaçê1ea do terreno.

Em tudo apparece

o

auetor do livro; os seus heroes repetem a lição que lhes ensinou; são umas aspe- cies de cabeças falantes.

Silva Gaio está. na sombra arti~ulando o que os seus heroes têm de falar. Por isso ~ que se nota a cada passo que Silva Gaio se não compenetrou do

(26)

tf

.pirito, do. epQcha, nem estudou: 01 typos, que figu- ram na contextura. D'esta falta resultou um defeito, que o· bom artista: cuidadosllll1ente evita-a invéro- similbançamalogal. Eft'ectivamente o' dialogo do ltfo,,,io apenas se conbece pelas indicaç3es typogra.- pbicas. A particular tendencia de cada interlocutor desapparece n&quelle nivelamento deexpresslo. Bem.

sei que nem todos podem asaumir todas as indoles como Valtar ou Goetbe ou Garrett; mas o estado e a experiencia abrem largo caminbo para conquistar este segredo. A indole de Silva Gaio é toda declama- tona, e por mais de uma vez tivemos occasilIo de admirar seus dotes oratorios j mas isso, que fica bem na cadeira do magieterio, nIo pode entrar em todas as paginu de um romance. Com alguma coneislo deixava no Mario paginas exeelleutes. O aooessorio abeorve o essencial e o necessario; nem tanto flores que sufroquem. Por via d'este seu defeito é que por vezes perdeu a Hngua seuá fóros de genuina, .e o colorido ficou, sem animaçJo, parecebdo antes um bri- lho postiço. Por vezes deixa Silva Gaio nas ,acenas de sentimento transparecer uma especie de lambuje idyliana, que faz rir em vez de arrancar lagrimas.

Nisto se parece com Thomaz Ribeiro, servindo-se de pala,Vt'as tio plebeas e tio choradas, que instinctiva..

mente nos sorrimos de descontentes, que nlo de ale- gres. Cheira-nos isto áqualla mallia dos n0Il808 pri- meiros bucolicos, que, em vez de estudarem a: natu-

2

-

~

(27)

i

r .

II

reza qual ella é, se deram a copiaI-a pela copia que d'ella havia feito o celebre Sannazaru.

Aecoaaram Gaio de ter imitado Paulo Faval.

E

verdade que ha grandes analogias entre o Mn.rio e o Jean. DiaJIlej cremos, porem, que nem eBBe li- vro viue.

na

d'estas coincidencias muitiasimas: nem Gaio precisaTa de imitar; para fazer obras como a do Mmio sobra-lhe talento.

Entretanto encontramos DO Alfsge'1M d6 Somarem coiaaa tio parecidas com outras do Mario. que fica- mos desconfiadoa não' houvesse por alli sua imi- taçio. As mesma.a ludaB populares pela liberdade.

O padre Mauricio do .HJrio é uma copia do Froill1o Dias, freire do Hoapital.- Ambos têm sua sobrinha;

no Alfag6'1M chama-se Ald.a, no Mario, Theresa.- Cada. uma d'estas é namorada. por doia; DO .Alfa- geme por N un'aIvares Pereira e Fernão Vaz, no Mario por Fernando, com quem casa, e por Mario.- No r0-

mance de Gaio ha uma lucta entre a familia do pa- dre Mauricio e a de Jorge Pinto; no drama de Garrett essa lucta existe entre o traidor Mendo e o &anoto freire do Hospital. Por generosidade aecreditemos que esta approximação de facto foi casual. O que pre- judica- o romance é o caracter contradictorio de Jorge Pinto, representando umaa vezes 9 papel de conse- lheiro de estado, outras V6SeS de esbirro; oollSide.

rado aqui ente abjecto, alli senhor poderoso, Doutra parte salteador. Jorge Pinto, que podia illsultar ao casa

(28)

ta

do vigario de S. Romlo, como iJllultava a doe vi- DOS, diverio-ae por alli com ,o pobre do Fernando, que representa um papel de truão .• : impOl8ivel. The.

rasa é UDl typo, que se nilo entende. A mulher creada á sombra da sotaina fana em politica como qualquer diplomata. Por mais veze.s que Albano Coutinho en- tôe a sua interminavel Magnificat, por mais que Xavier Cordeiro, Pinheiro Chagas, Thomaz Ribeiro e Mendes Leal exaltem o Mario, estas sombras, que notamos, silo nódoas indeleveis, e faz pena vel-as num quadro tio magesto80, como o dr. A. Silva Gaio se propoz traçar.

Vejam tambem com que profundo conhecimento da arte aecusaram Silva Gaio do gravissimo crime de ter omittido alguns factos importantes das luctas civis de 1820 a 18341 Nilo cito o auctor do reparo, ainda por generosidade. Queria o sabio critico que um ro- mance historico fosse um compendio 1 Não tem olhos para reparar nos defeitos, mas vê-os onde os nilo pode haver I

Em resumo: Silva Gaio tem bastante merecimento, se bem que mllit~ distante se ha de considerar dos mestres portuguezes acima declarados; e neIle reco- nhecemos talento para um dia se incorporar na lista gloriosa de Garrett, Herculano, Rebello da Silva e Andrade Corvo; por ora, nãll. O Mario nilo satis- faz ás exigencias da critica nem da epocha. Quere- mos uma lição que nos aproveifle no futuro, se d'ella.

(29)

"'.

precisarmos; nlo queremos saber como luctd.moB em circumstancias que não alo as' de hoje. Quem tem talento como A. da Silva Gaio, tem obrigaçlo de caminhar d. frente do povo. •

(30)

CAMILW CASTELLO-BRANCO

,~

Camillo CastelliJ..&anco é um nome por tal' fór- ma illuetre na, nqssa litteratura contemporanea, q\1e as suas obras como que ficam fórn, do alcance da critica. Obreiro .inC&D8avel, os sena trabalhos con- seguiram um logar em todas as livrarias; a opinião publiCá emittiu o seu 'lJ6f"edictum, e este v8'I'edictum se nlo, é de todo em todo verdadeiro difficilmente poderá ser contrariado.

Quem nllo conhece Camillo Castello-Branco, o homem dos setenta e tantos livrol, o estylista ad- miJ:avel, o dramaturgo, o poeta, o theologo, o po·

litico, o romancista e o fazedor de satyras? Nin- guem. Podemos aBBeveral-o.

A imprensa é que não tem tido o desembaraço, a coragem su4&iente de reproduzir a opinião geral.

No ,tribunal legitimo e à.uthenti~o dos 'homens de lettras. fallaram já amigos e inimigos; e a imparcia- lidade, vestindo-.. de paciencia., teve de resignar- se a esperar pelo, futuro.

(31)

16

Nilo nos cabe a nós, meros apreciadores da litte- ratura d'este anno, escutar e verificar o echo da opinilo publica. Vasta é já para nós a seara esco- lhida; mas nllo nos isentaremos de lançar os traços geraas pan q .. e 01 leitorea

pose;.m

julgar se por ventura é verdadeira a luz que nos ha de guiar nesta melindrosa apreciação.

II

Camillo Caetello-Branco, ao lado de um talento pteCioeissimo, tem uma vontade frouxa e inconstante;

ao paBBO que a sua intelligencia se eleva como a aguia, contemplando a verdade e a virtude, o seu coraçi1o, na práctica da vida, despenha-se e deixa- se facilmente vencer das caricias do prazer e dai seducç3es mundana.s; tem o idealismo na cabeça e por vezes o materialismo no coraçi1o; é o Protheu da fabula: ri-se como sceptico e chora como crente ; as 8uas lagrimas encantam, as suas gargalhadas ho ....

rorisam; anjo ou demonio, Camillo Castello-Branco tem talento de mais para ser uma vulgaridade.

Relembrando passadas amarguraa, escreveu 0&.

millo num de seus livros: «Contava com a graça divina para lactar e vencer-me a mim, o mais

me-

xoravel inimigo que ainda tive. Enganei·tne, as pah:3es 80praram rijas do lado do inferno; 08 vi ..

lumbres da graça deixei-os apagar DO coraçIo te-

pleto de mãos sedimentos.» Muitas e muitas v • •

(32)

1'1

temos visto e contemplado Camillo. Nunca nos coube em sorte tractar com elle. V8-Ie, comtudo, que o julgámos imparcialmente em vista do seu depoi- mento. Nem é, nem foi, nem poderia ser D088a mente egualar

8:

severidade d'elle para comsigo. A aara publica raras vezea se engana, ajuisando de esori.

ptores de tio popular nomeada. Parece-nOl por tanto irrecusavel o duplo aspecto sob que temOl apresentado o auctor illustre de Um Mmem Bico.

do Homem de 1wio8~ e do Amor:

de

pe-rdiçllo.

Ora esta dualidade, esta heterogeneidade; esta anthiteee que se dá no homem, revela-Ie evidente- mente, incarna-se e, muitas vezes, oatenta-S8 no ea- criptor publico.

E como poderia eaperar-se outra cousa ?I Camillo tem escripto em assumptos tio diversoa e tio precipitadamente, que nem tempo tem para contrafazer-se. Se tive88e reflectido alguns momen- tos, facilmente teria evitado tristi88imaa desillus3es.

Que fez elle mettendo-Ie em politica? Escreveu, en- tre ~utras cousas, os fO'lhetina do Nacional~ prestou.

se ás velleidadee dos partidos belligerantes, desa- creditou-se. E nlo tinha elIe uma intelligencia bri- lhanti88ima para formar convicç3es elevadas, nlo lhe" tinha o Oreador liberalisado as riquezaa do ta- lento para ler um cidadlo prestadio como Demos- thenes ou Oicero '/1

Perdeu-o a pouca firmeza de caracter, perderam-no

(33)

t8

as illus3es do sensualismo; que lhe vexadaram os olhos ante 08 esplendores da SUA illustração.

Encetando a carreira theologiea teve. 4) :bom senso de desviar· dos rins a estamall~ sacerdotal; em desconto traduziu livros religio808, fez-se campeio do catholicismo. Ainda como romancista, pequenos têm sido .os seus desmandos. Se a. liberdade de cul- tos fosse para nós uma feliz realidade, Deos aa.be o que seria. Assim, podemol-o julgar em paz com

Deos e com o papa.

Como dramaturgo e poeta.... Camillo nem é poeta nem dramaturgo; Camillo, verdadeirainente, só deve ser olhado como o professor e o decano dos nossos romancistas, se não dos romancistas histoJ:i- cos, pelo menos d'aquelles que escrevem romances da actualidade.

É certo, porem, que ainda como romancista não p6de dominar de todo as suas tendeI.lCÍas.

9

romance PocIe s.er historico, didactioo e humo- ristico. Em todas as tres especies de romances tem

·Camillo, por mais de uma vez, revelado a fecundi- dade do seu talento.

No romance historico deu-nos, entre outras obrall, o Jud6U~ e se não póde neste genero rivalisar com Alexandre Herculano e RebelIo da Silva, nem por isso deixam 011 seus ensaios de ter merecimento.

No romance humoristico em certo modo poderão talvez contar-se como notaveis as Scena8 da Foz,.. e

(34)

Ui

a Queda da um Anjo. TheophiJo Braga gosta d'eete ultimo romanoe; ileSa entendemos que ·tal romance apenas aerve para moatrar o máu genio de Camillo.

A satyra peB80al é alli ligeillamente disfàtçada. Em vez de eensura ao vicio, o leitor·1IÓ chega a' de8C()oo brir naquellas paginas um desforço, uIÍla vi~ça,

e a vinganÇa, por mais que se diga,·aó ,~rve para amesquinhar os seus auct.&res.

O romance didaetieo fi da actualidade é o prinei~

paI titulo do credito liUerario de.Camillo. Filiam-se neste genero os primeiros dois romances

de

que va-

mos

falar. '

III

FeliZDlente é este um dos anDOS em que a inool- ligenci'a. e·· o coração de Camillo nos têm dado al- guns fructos relativamente primorosos.

A B~ do Munte-Gordova· é um romance. for- mosissimo. Sobre ser um romance social, 'Veio

t.ão

a proposito, que. nós o acouselharíamos ~ todos OIJ

paes de familia. . ,

011' ptu"igos de um mãu confessor aio infinitos, Podem matar e atrophiar o que ha de ~ sanoto no iIl\crario da ~nsciencia e do cor_çã~. Nem o amor de mije lhes pode ser superior. O máu con- felsor ·é

a

víbora aquecida no seio. A· monomania religiosa; é a peQr de todas as monomanias. As ver-

(35)

dadeirae practicas e sentimentos religiOlO8 fazem .. netos j o fautismo fa. demonios ou idiotas.

O contraste eDtre frei Jaeintho de Deoa e frei SUvestre do Coraçlo Divino é traçado ""m uma naturalidade e mestria dignas de Camillo Cutello- Branco.

Tem o romance trea partes:

1..,

rn.ocidoIU de fim

homem;

2.·,

o ultimo frade;

S.·,

quinta lIJNfI.CÜI·do amor ~li.,ino. Em toda. .. tres partes se ooeupa o 10maMista de Imlb08 ou de algum dos seu. heroea:

- Angelica e Thomaz d'AquÍno.

Na primeira parte pôde o auctor descrever com um colorido vivo e animado a relaxação dos con- ventos no seu ultimo período, e como elIes eram oe- casillo de desgraças pela coacçlo dos paes sobre a vontade dos filhos. Começa a. resplandecer o vulto admiravel de Jacintbo de Deos, e Thomaz d'Aquino morre ferido de uma bala.

Na segunda. parte, frei Jacintho de Deos protege o filho de Thomaz d' Aquino, e recolbê a um con- vento a inconsoJavel Angelica Florinda; mas nIo pode livraI-a da lepra de Silvestre do Coraçlo Di- vino, que lhe' tinha estragaao o coraçlo e a cabeça a um tempo. A leitura d'esta segunda parte, rep~

timol-o, deveria ser reflectida pel081eito1'es de todas as classes, para estes repetirem a ai. moral d'aquel- las paginas a. todos os que têm ouvidos, É 1lDl ba- luarte aos enredos dos Grainhas e rompanbia.

"

.~

-

....

(36)

21

A terceira parte termina fechando Angelica oe olhos na presença de seu filho, o barlo de Barga.el.

O RelJrrJto de RÜGf'dina é um dos rolD&DceII de que nIo é licito, ainda a um mestre, elCJ'e"t'er mui- tos por anno.

Entretanto, é força confessai-o, achamol-o mena.

util e pro"t'eitoso que a B'I'fIIM do Mrmte-Crmlova;

temol-o por mais artistico e menos natural.

Os episodios da morte dos lentes em Condeixa ti traçado com tal variedade de cares; são os princi- paes caracteres tão bem desenhados; as narraçi'les tio "t'ariadas; os dialogos tio 'hem trnadOtl que a

DQS80B olhos em nenhuma. outra. parte do li"n'O se revela tio perceptivelmente o talento do auetor. Até pelo lado da moral paira a irreprehensibilidade 80- bre o quadro; nlo ha palavra de honra nem jura- IOOnto que possa sal"t'ar a nossa responsabilidade de um crtme ou d'uma. acçilo immoral.

O resto do romance está bem deJineado-. Talvell se possa notar a.lguma inverosimilhança no credito que deu Norberto ao abbade, quando, perguntàdo sobre o destino de Ricardina, se limitou a responder:

Morreu. Ainda é menos natural que Bernardo nI.o inquirisee de Norberto como chegou a informar-se da morte de Ricardin!, e que sabendo &s -cireum- Btandas desse credito á nova.

Segundo se noe affigur&, o capitulo: c O qw fes a ignorancia.. do mylo ji!JW'edo,1t formando um doe

(37)

81seneiaes do enredo, toma o romance men68 crivei e o fu desmerecer um pouco.

Leonardo Botelho. de Queira. é um iypo exeel- lentemente acabado. Talvez pareça ·excessivamente endurecido; mas culpem a natureza que nos o1fdJ"8Ce a eada passo excrescencias d'aquellas.

Ü' final do romance satisfaz o coração, e nllo deiu' o leitor em torturaI.

IV

.. Reata-nol ralar de mail trea livros de Camillo CaBtello-:Branco: o Sangue, o M06aico e ~s Virtu4u Antil}tU.

O Sanf}'Uié é um doa romances BomenOI .de Camillo.

Ra um filho, que, tendo herdado boa fortuna por in- termedio do BUppOBtO avô, faz endoudecer o pae que o eBtremece, provoeando-o a duello com um nome IUppó8to, a. fim de vingar o primeiro marido de lua mie •.

Os aoontecimentos precipitam-se. A virtude, ce- dendo &Os eommettimentos da infidelidadeeonjugal, afrouXa entre prete;x.tos justificativos do romaooista.

A obstinação do filho, salvo de um tiro com que seu pae, sem o conhecer, () ferira· em duello, traz ao romance um desenlace pouco natural. É pouco cri- vei que um homem, á, vista das precedencills, 8:0 ver o que com elle se tinha ·passado na França, não co-

. __ . ____ .. __ -' ..J

(38)

i3

lhesse informaç3es para, FIm presença.do que se pa.s- sava 'em ~asa do seu adve1'8ario, não cuspir, saerile!

gamente, nas faces, embora macula.das, de sua mie, a baba de um miserave!.

Camillo poderá. dizer - escrevi a verdade. Não sabemos se vai nisto appéllo a todas as glorias de Balzac, do insigne observador do coração humano.

Ousamos insurgir-noa contra a elasticidade do dieto.

AIS bellezas de um rico e variado esty)o e as ca- rambolas da pobre e torva realidade nllo bastam para um romance sair perfeito. É preciso que o ge- nio, dirigido pelo gosto puro da arte, faça pairar o real até encontrar-se com o ideal. Ao San!}'Ue falta- lhe muito para ter esta ultima. condição.

E já agora digamos de uma vez toda a· verd!lde.

Sente-se facilmente nas ultimas composiç3es de Oa- millo um esmorecimento notavel ds.s suas faculdádea romanticas. Que Camillo ·desprezara sempre dev~

sal' os segredos da sciencia do helIo, isso era já con- vicção nossa, antes das suas críticas a. Theophilo Braga. Mas julgámos sempre incontestavel a sua tendencia o aptidito para o romance. Propendemol todavia para crer que esta declinação se deve attri ..

buir á falta de tempo e cuidado.

Escreve, nIo compae romances. A necessidade, que nlo o amor da arte e da gloria, é, geralmente, havida como o mais poderoso motor da sua penna.

O MOBaico é um agregado de antigualhas com

(39)

pouco valor intrineeoo; os lavores exteroos nem lem- pre podem salvar o leitor do enfado. Abre-ee por um artigo em que censura o viver abeaiado das ra- parigas do Minho.

As Virludu u.nti!Jf" são tres historietas: A freira fU6 jazia ckaga. i o fraile que fazia rei.; e um poeta port.uguez ••. rioo. De tempos remotos as duas

primeiras, contemporanea a ultima.

Nada diremos da obra. O editor, por maior qu~

fOlIe o typo eecolhido, por mais que o faiasse e es- paçaBSe os capitulos, nilo pMe fazer livro das duas primeiras narrativ&8; faltava·lhe novo romancete;

eecreve A Camillo, o qual á falta de peça littera- ria congenere lhe mandou UlIl poeta :portugua ...

rico. O livro vingou roçar por 224 paginas; o bon- doso editor, embora o titulo geral da obra fosse prejlldicado, respirou; mas no tocante a elogios diz -toe não lhe cabe fazel-os, terminando com esta de- eJaraçlo: Pela minha parle

fis

quanto pude: em dal-o á estampa.

Quem nIo dará credito ao sr. Campos Junior?

Da nossa parte tambem fazemos-lhe a justiça de lhe dar fé e de lhe desejarmos prosperos re.ultados, remettendo de n0880S hombros a tarefa dos elogioB para quem julgar o livro digno d'elles.

(40)

v

Mais duas palavras. Os criticos de palpa devem de estar assanbados comnosco por nos verem discre- tear longe dos descuido. em que, mais ou menos, costumam descambar os artistas escrupulosos e os pensadores severos.

Ha dias, indo nOS80 caminbo, ouviamos" barafllSo- tar em clamorosa disputa: « Nilo emprega o Camillo, ainda nos livros d'este anno, l1&e em vez de lIIu~

faz em logar de faM1 diz quando deveria escrever diZ6' Nas Virludes antigaIJ não preferiu e11e, Da ter- ceira pessoa do presente do indicativo, pôr induze por indud Na primeira pagina do Mosaico não se lê, por ventura, este periodo: .Sá. de Miranda, Ber- nardes; Lobo e Fernão Alvares; Camoos e Braz Garcia; Sá de Miranda e Quita, 011 quatro pontos cardeaes tomados de poetas que melodiavam buco- Hcas, louvores de saneta vida pastoril, virtudes de zagalas que faziam corar &s rosas de puro enver- gonhadas» I? Não escreveu elIe ... »

Não ouvimos que mais disseram; o que sabemos é que tomaramos nós e os que falIam como ess'ou- tros brincar com a liogua portugueza tão galhar- damente, como Camillo nos seus ultimos livros tem brincado. Tem seus lapsos," que mais revelam pressa •

(41)

do que insciencia. É verdade que Camillo nem isso perd6a nos outros, quando apaixonado; mas 0..

millo nilo é Camillo quando se mette a despicar as Buas paixi'Jes ou as alhêas.

VI

Não é da nOSM conta considerar o.millo como vingador dOB creditos de Soropita do qual nem por isso passamos de gostar, em que pese a muitos.

Alem das ObrtJJI de Soropita fez tambem publicar' as Memorias do bispo do Grilo-Pará.

Folgamos com tudo que é dilatar a nossa 8sphera litteraria, na qual o n0880 romancista é um obreiro incansavel.

A -isto limitaremos o nosso discurso aproposito de Camillo Castello-Branco. Basta que seja tio s0-

lidamente exacto, como é seguramente imparcial.

(42)

CARLOS BORGES

EULALlA

Romance original LISBOA, .1&8

Não deve de passar deaa.percebido este romau- eesiuho de Carlos Berges.

Na turba magna dos romances de segunda plana é de justiça distinguir Eulalia. Os caracteres 010 alo impossiveis, mas tambem 010 são trivia.es;- Fernando, um D. Juan a·la-moda, eae na boa graça de Margarida, donzella tão innocente que até igno- rava a palawa afTWf': este ultimo assérto, esta igno- macia da palavra amor .. é que nos não parece lá muito possivel em frente das luzes do seculo deze- nove; mas vá..

Fernando chega a amar Margarida; mas, sedu- zido pelos encantos de Eulalia, mulher dissoluta, volta-se para esta, c abandona aquella. Aslagrimas porém de Margarida abalam e convertem Eulalia, reduzindo-a a supplicar a Fernando a felicidade da sua rival. Graças á generosidade de Eulalia, a ben-

a

(43)

18

çlo nupcial trouxe a paz e a ventura a um liber_

tino e a uma innocente vilipendiada.

Quem tiver o Fausto diante dos olhos, encontra nos primeiros traços do romance Eulalia alguDs pontos de analogia com o poema

ilQ

immortal Goethe:

- aquelIe nome de Marg~rida, aquelIa candura e innocencia tão serafica; . n.1:! F.auBto as gargalhadas de Mephistopheles, e" na Eulalia o riso do demonio a ,cada passo que a donzella dá para fÓJ'a da inno- cencia primitivA .•• Mas bem podia ser que o auctor da Eulalia nem se lembrasse do Fausto, quando traçou as primeiras linhas do seu romancesinho..

O que nós podemos asseverar é que o livro é as- cripto com algumA correcç:io, e ás vezes com ele.

gancia. Outras vezes' o estylo é desigual, o pincel do ·artista treme na mão incipiente, e acontece de onde em onde que os quadl'os se nilo recommendam pela nitidez e firmeza dos traços.

Por fim, ousamos avançar que nilo cremos na vo-

ea~oã:o litterat'Ía. de Carlos Borges: a politica. lúbmi- nistl'a-lbe prosa em demasia, e a caiJe9a ha de ma-

ta:.-·lhe o coraçilo.

(44)

CLIMACO DOS REIS

OS HOMENS DE BEM

POIITA DELlADI,I8&1

Climaco dos Reis é um moço digno de estima, porque trabalha, e é um soldado intrepido na cru- zada do progresso. Se não suspender a tão ardua.

quanto gloriosa faina de letras, é de crer que o seu nome não passe desconhecido na republica litteraria.

Por ora, pouco ou nada fez.- Os HO'IMnB de bem são um romance, cuja segunda ph~e é um erro de grammatica: cEngolpho'l.se no passado as vinte e quatro horas do dia 22 de agosto de 1866.- A lin- guagem rarissimas vezes é vernacula, e os episodios são tão desligados, tio despidos de interesse, tão sem variedade, que difficilmente haverá quem leia o li- vro sem fastio.

Climaco dos Reis precisa estudar muitQ; mas quem tem aptidão para. o trabalho, não deve de esmorecer

dia~te das difficuldades que lhe interceptam um fu- turo de gloria.

(45)
(46)

COSTA GOODOLPIDM

PAGINAS SOLTAS

L1SIO" IU8

São uns esboços de tentativaslitterarias, medindo apenas 96 paginas. Antolham-se-nos os longes d'um e15tylo suave, mas as incorrecçê)es afogam-no eiltre os defeitos que se nos deparam. A grammatica sof- fre por lá algumas torturas, quando lemos, por exemplo, h<YUveram homens, em vez de h<YUve ho- tnem; e o bom gosto cede, nio raras vezes, o logar ao que se chama semsabor.

Não queremos levar desanimo ao auctor das pa,- ginas soltas; cumprimos apenas o nosso dever, e aconselhamos-Ihe, por bem seu, que não erga nulo dos bons modelos, e que noo farisque os folhetinei- ros de agua doce que sonham com a po"steridade, erguendo-se um monumento de ... banalidades char- ras. E perd6e a rustiquez dos nossos dizeres: somos ás vezes rudes, por falar ás direitas.

(47)

-. ...,

... -_.-

. ...:.

.

. , - -~

(48)

F. ADOLPHO COELHO

A LlNGUA PORTUGUEZA

CII~.IRI, •••••

l'aUaremoa com pra:ler' d'eete eecriptor novel, j~

erG~ito e digno de eltima.

NIe temos.duvida em o ola8lifiear desde já como o conheoedor maia profundo dai origens da nossa liogua. Em Phooologia. ex~u quanto at6 hqje se tem eecripto entre DÓs. Os fazedores de gr"mma$i·

cu, que )lOr ahi pullulam, devem de estar. mar ....

vi1hados da sua rotin~ra ignorancia. •

. Para explicar a causa do nos.o atnuo neste ge- nem de estados et!CU81do nOI é divagar m~to. O,iD.o glez e o allemlo, lingua. ~ntre n6. geralmente de.- conhecidas, reveJa~ a Adolpho Coelho o que 01

.. ü predece8lOrert.almejar.am em vlo saber •.

, Neste' .~lIlar Th8G'philo. Braga" iniciador de um novo mMimellto litterario,. nIo eguala o allctor da Lingu P~. É q_ TheophUo mub~ia, diaoihnente# oing~e. e o allemlo; ora o franco; a pe- .... .Je1Úlgaa.-uai.erul, nIo pode IUbttiQür &queIJas.

, . tu

preciso, .. parem, .alo eu.ggerar; " pMferilllOlJ

(49)

3'

8S theorias de Francisco Adolpho Coelho sobre ori- gens da Lingua Portugueza e sobre Phonologia a quanto tinham escripto entre nós os I!eus predeces- sores, nuo quer isto dizer que o fasciculo, onde o auctor ex~e as saas' il:léaé 'esteja escripto ortodo- xamente.

É-nos

fo~ CQD~' q,u~'

'!I

~~riptor

novato nlo soube apresentar, ~s sens conhecimentos em um portuguez sempre correéto e harmonioso. Os seus períOdos alo de uma 'dureza fe~, lêem-ee cOI.clif- ficuldade. A paginas IV da pt'efaçlo diz elle l-por.

tanto o seu estudo bem comprehendido nlo consiste no fundo em mais de que saber ... -Ora aqueDe fundo 010 II expreesilo mllit6 casti~a, quando ,empregado naquella accepçilo. 'Nlo'pénsa o audtor ... im, visto que o ém'prega noutras partes-COm egual coragem, e designadamente' a folhas XIII.

A paginas xv diz elle: « A ordem material é aSllis grande nalles;» pois tambem haverá ordem 00 'me- thodo pequeno? Nlo gaatamos~

A paginas XVI escreveú na penúltima linha: cÉ que o que se devia. determiu8.l' era .8 (1 pe. .'Valha- nos Deus ccim tanto que.·;No mesmo faiqdo aioda por tres veleS se encontra o celebre quó . :

A paginas

a

da obra lemos este periodo: (I\()g..

tm, exterior,

e

pot-assim dizer puramente. CIIiclaIio nal,' que perrnittiu a elBÚ teadeaciu. o

"'arufw-

flUIr-.'

em priúcipioa de operaçlo _va .•••. Porque

(50)

3S

moti\to nIo esc~vWia' () actor. '~~116'

Pareee..noa que leu, inadl1ertidâmente, Soãre.: Bar.- bou. 'sobre o:..so doa in6aito& pellllDse ••

Emfi.m alguma. ·nll emprega fIIIsItn10 com a tigni~

ficação de até, e .cae nouiras inadvertenciaa que ·dj) bom pde apontariamos se houveMe, W) plano.d'.eat~

livro, logar para t&e8 delongas. . .

·E8ereva.o estude Q.auctOl',·e C) 1UI() b tf)l"nará.molirtre.

Aqúi poriamos ponto, S8 nôl-o.aonsenti8éé :a .. l011

impreaeito que, geralmente •. fiaeram ai oritieas. seve.- ras, asperas, desabridas de Adolpho Coelho. Con~

sta-nos que & Bua indole é um tanto agrelte .. Mettido coIDsigo, folheando os seus volumft8allemil.es, in- glezes, francezes, portuguezes e hespanhoes, não cura de se tomar brando e a.fFavel por meio de escolhida convivencia. Não negaremos que tenha razão Adol- pho Coelho em censurar Leoni e ~"r. Francisco de S. Luiz; mal! tambem é certo que se podiam dizer as mesmas verdades em phrases cor tezes e menos rudes. Emfim, estando o auctor no começo da sua

",ida Utteraria, não admira que encontremos no seu primeiro trabalho algumas verduras e descuidos.

Alguns meticulosos hão de, por ventura, estra- nhar que Adolpho Coelho tenha empregado uma te- chnologia desusada entre nós, a qual &Os menos lidos nas materias do livro ha de cauSal' embaraço.. Da nossa parte não levamos a esse ponto -os nosso. es- crupulos. Isto de crear linguagem nova e privati-

.'

(51)

'.

86

vamente UOSBa para delignar. ideas,· creadas longe de DÓI, , um orgulho mal cabido e Uautil, .eendo aliás certo que ha btast&nte propriecbde e preaillo na terminologia adoptada pe10a ellCl'iptorel, q_ 1181'-

viram de fonte a08 mudos de Adolpbo Coelho. Em quanto ao mai8 MO en~ndo, por eridmtte, a importancia do livro. É um caminho novo· q~ ao revela, inesperada e modestamente ao& .maclo .... das humanidades e boas lettras do n~1IO pais. Que to- dos lb'e agradetlLlD, como ncSe sinceramente lh'o agra.

deee1nGs • . . .

Saudamos o joven escriptor, e anciamos a CGnti- nuaçilo da obra.

.

~""'-'--'~~~.-.:tl!!_"""""""' __ ... _ _ _ _ ~

(52)

,.

J. D. IüIALHO ORTIGÃO

...

EM PARIS

PORTO, /811

Acabamos de· ler alg-amall pagiDas do livro de RA- malho. São uns apontameatos fiscriptos ao oo.,rer da penna, com.preàendendo algulnas curiosidadea.

EDtre '0 fim e o ultimo periodo do livro vem a data: PaJri.-Janei,v1 th 1868. Quem ler meiadu ..

zia de paginas acredita, flWilmente, que o livro foi

1lOI'D eft'eito esc.ripto ela Pui ••

PQUC08 peri6d08 se pa88aln sem qu.e o auc~ n08 mimõeeie' com uma ou outra loouçilJ t'raDil6Z8o •. Ás

veze~ até.o pooprio porlng.uez se rettellte da liD.gu&-

geIO que o auetM.fjallaria quotidianamente em PJlris.

A Ijnguagem é deeeofeitada,. tuante a deapreten- ciosa. Tem, de vez em quando, uma ou ~tra ••

proseio. metaph:r-, .que \'em mostraL'-1lO6 que () li-

VI"O DIo é par.- todo., mae tio sóm6nte. para ~.'l ... e souberem o francez, e a significação d'este. ou d'a·

quelle vocabulo, que é aeceitavel, embor~.os.~l\IQ s6 usam do dieeionario portuguez de FonsecallBPql1otta

(53)

38

o não possam decifrar. Ahi vai um exemplo - in- tuspecção •• Se fOSBe intusecçào ainda os coitadlls lá.

iriam; assim, ficarão a adivinhar.

Fm quanto ao mais, repetimos, tirante as nume- rosaslocuçoos frantézas intercalMas no. iexto, tirante uma ou outra expresMo arrevesada, uns vorsos fran- 'Cezes I e pouco mais, o li.ro fica ao alcance de todos.

Já que toquei nos versos accreeeentarci que são nada.

mais, nada menos de d~zesete quadras escriptas num album juncto do leito da RlDante adormecida .

. O auetor diz que ~ VerBOS nilo estão boDa; é de crer, porém, que seja modestia.

Aoousa o elCriptor um folego extraordinario; tem periodo que atira para mais de trinta linha. Por lleagraça nossa quiz a aorte que. abris~ ~fum&

n:I'J o livro a paginas 113. N'essa pagina. cOmeÇa um periodo: .ElIa entende'Gos etc., eto. Pois.eue ptltiédo {,

"lU

mar sem limites, é o Sa.hará. O pOnto final deseja.se, tOas não chega a apparecer; telR. de contentar-nOI eorn a magra virgu. e com o ponto e virgula e nada mais: nem siquer oa doia pontos nOI acodem ao cansaço. Tambem nos nIo pregbu ou- tra Pfl9&.

Na parte inacripta-A Parü . . . eom.,elle a 'enddilhar diversos nomes de cidades; ·deseem08 eoUl

~~---

• Pago 11.

t~. 4:7.

_ _ ~---..-..L.-_ _ .. '\..o _ . _ ... _ _ _ _ _

(54)

8.

os ·olbol até o fedo da pagina, et nlo deabubrindo paragem, interrompemos a leitura. Ficámo-oo ...

quellas palaVl'88: .Sevilha e o seu luar, com 08 seus pandeiro. e 88 s~a!il aeranadas ... Abrimoa.o livro nou- tra parte sem nos dar ao trabalho de decifrar se o.

Jaoeleiro. são. do luar, ou de Sevilha, ou de Sevilha e dI) 111M'.

Um velhinho, 8IC.,iptor 00880, que maneja, inveja- velmente, a lingua latina e a portugueza, diz que se permittem, le bem me lembro, os hiatos DO' disev-

808 singelos e em outro. calOs.

Oa ctM:OphtJÜm8 é que Dilo .bemos quem os dellCul- pa: oomtudo n88 paginaI q Ilelem08 alguns 88 oft'erece- ram a l108IkJ8 olhos. Doa cacophatona innocentel como que ouve nlo vale a pena {aliar-se: que jmporta que tenhamos de ouTir couve t , Ahi temos um outro ca- cophatOD innocente: qwaoolá I; ainda que le leia caco lá, nlo ha que lastimar. Já nos custa llIai. a to.

lerar eat'outra eacaphonia: .de que acabo de fallar' • J

SJlo descuideis repuavei •• Emôm, 010 queremos ser minuciosos em demasia. A pago 75, linha. 17, e na primeira pagina do prologo em viagem. na setima linha, encontram-R oacaphonias que podem oft'euder o pudor e que deveriam evitar-se.

I Pág. 151.:

2 Pag.l08.

3 Pag.281.

.',

(55)

HIo de dizer 011 leimre, do Aftltareo POfTttcgtIta que 008 esquec6ID08 dê iallar.lhes, do usuapto'.

1i'n'O; da materia, de intrinseco, ela idea.,-ou, de. outra coulla assim.

Não nos esquce8moll; mas oonfeunreDlo&'que.

poderiamos fazer (J summario -do lIVI'O, ainda qu~

tivessemos lido todos os -periodos. É d'ulD& ·varie- dade tão notavel de matelliall' que, por VeRa, mais

DOI parece um catalogo que um livro.' Em quatro paginas '(176-1-79) DOS diz'o a'Uotor o nome de du.- ' zias de mulheres illustres. Por lato ajuilJe~se do resto.

<1onbece-'S8 que não desgosta d' Aroaldb Gamai e que nlo syitlpftthisa, e com rado, com Ponson du Terrail.

Em quanto a modeatia. vamos. indO: "Consinta-se, 'diz o auctoll, qt\e eu desafogue· numa. 'palávra um dos maiores·desvanecimentos· da minha vida 1iüeraria;

é licito a quem, como eu, 'tão pouco tem de que se orgulhe: o meu nome nâo . era coinp1etameate des- conhecido naquella casa (de Ferdioand Deuia) •• ·lIaia abaixo ajuncta: .Eu tenho-me aproximado de mui- tos homens celebres, ,tenho olhado de perto 'para - muitas frontes aureoladas pela gloria, guardo a lêm- bran9& de muitas d'estas entrevistasa I etc,' etC.

Deus queira que nunca as olvido, embora Ic.esqueça ele o dizer.

É certo que Ramalho Ortigão vai tatldo. um tal

1 Pag.63.

(56)

4.

qual Dome DO D0880 pequen~ mundo litterario; es- creveu, segundo DOS dizem, uns folhetins criticando o D. Jayme de Thomaz Ribeiro, escreveu a. Lit- teratura de hoje; auxiliado, tambem segundo di·

zem, pelo sr. J. Gomes Monteiro, escreveu muitc) em jomaes, e saiu-se agora com um livro que se poderá

ler, por vezes, sem muito enfado.

É pena que o auctor termine por se despedir dn.

mocidade. A perda é toda n088a; não teremos mais EmPana.

A moral do livro não é má, ainda que alguma vez pareça. exquisita:

.As bellas qualidades, silo palavras de Ramalho, produzem a admiração, os beIlos defeitos inspiram a.

sympathia: 01"& eu, podendo escolhe~, quero mais selO querido que admirado. J ..

Lá o lê, lá o entende.

2 Pago 217.

(57)
(58)

.1

J. J. LOPES PRAÇA

HISTORIA DA PHILOSOPHIA EM PORTUGAL

.

:

. DeatimUdQ. oeste ~a.p~1,l11) á 7loti~ia de um voiume . que rWo deve eaqu.6ceJ! noa IPlna~ da philosophin po.rtu,gueza. DiriemoB .noti~a., porque nem as pro- porçilea . d~este liv,ro comporta a analy8e minuciollfl.

d'uma obra. como a do sr. Praça, nem as nOSsas for-

.ç~ alcançam a ma.is. Criticar um livro unico, .erp Portugal, no seu Jenero, inteira.mente novo em aU~8

doutrinas, e talvez novo eln sua fórma e com cel'.

teza tio abundante em theorias, quanto proveitoso em seus corolari08, importa um estudo tãÓ demorado e tão reflectido! como aquclle que o seu auetor por ventura custasse. E porque nem todos se 4edicam ás cspecialidades.philosophicas, nem pos8uem os 00-

lIhecimentos d!) sr. J. J. Lopes Praça, d'ahi veiu que as analyses, que do livro lhe thler~m, sahiram a pu- blico tão .uperficiaes, que desmerecem o. nome de criticas.' Não censuramos ninguem, porque de~os

começar por nós a censura. Poetas" por poetas sejaUl

4

(59)

I .

lidos; philo80phos, por philo80phos poderio devida- mente ser comprehendidos; mas é obrigação nossa registrar aqui o nome de J. J. Lopes Praça. O nome do auctor da Historia da PAiloaophia em PortugJ

RtU BUa8 relaÇÕ61 COWJ o t'l'WWitnento geral da PhiloBo- pkia era desconhecido antes

4a

publicação d'este li- vro. Não admira: o sr. Praça nunca. procurou cen- tros nem a protecçlo dos Mecenas. O seu orgulho é fidalgo de mail para pedir· 88l11olas; se alguma coisa pede é que lhe façam justiça inteira. Depois o sr. Praça nito viu a luz da Tida em thalam08 d'ouro e purpura, e todos sabem que beje em dia os mais respeitados e ennobrecid08 sIo aquelles a ~m a fortuna concedeu, caprichosa, uma libré agaloada d'ouro para o seu lacaio, e um arco tritlmpbal de patacos na fachada de seu palacio. Estes sim, que nasceram bemdict08 de Deus e do mundo, e de tal fónna sahiram regenerados da pia baptisma.l de sua religiAo, que de todos os peccados orlginaes ficarám dispensados; até o do trabálho, que é de todos o pri- meiro brazilo, lhe foi pennutado em deseanço eter- no, para seu glorioso regalo. Uma creança que nas- ceu lá. fóra do mundo na insignificante e desconhe- cida aldeia de Ca.stedo, e deixa sua aurea mediQ.

C'l'itas de seus honrados paes só por amor do saber, e vem a Braga receber os primeiros premios em seus preparatorios e curso theologico, e d'alli vôa á uni-

o versidade a colher os primeiros louros nas faculda-

õIo-o--:~ c-~.. . "o ... o ..->L--~_.' .. ~=-

-_ ... _ .. ___ ... ___

0 0 • • --<

(60)

das de direito, theologia e.philosophia, só com o SQU

... elbo eandieiro de lata e a sua tenacissima vontade de estudar, e hoje fi doutotando em direito com re- gosijo de

1Mnl.

lentes; uma criança que sem arrimo, sem dinheiro nem prot~ se)levanta da. humil- des agua. furtadae da sua vivenda até ao capitolio da sciencia; esta cri.ao9& que ainda do conta vinte e cinco' annos, como havia de ser cOllbecido entre 09

grandes; .os grandes dé pequeninas invejas? Ainda bem que esta. humildade é a glorificaçlo do seu no-

me~ e que 'este nome, de que hoje vae gosando pe- rante os apreciadores do talento, o deve á. 8118 von- tade, ao seu eStudo e ao seu genio I Nilo conhecelllos poema melhormente merecid.o, e se nos faz pena vel-o .algemado (palavras d'elle) pela pobreza e singu- laridade de seus recursos ..•• materiaeu bemdiga- mos aquella pobreza, pot'que d'ella bem póde ser que nascessse ti. necessidade do estudo e. d'este o desen- volvimento do seu talento. Tambem os padres bem- disseram do peccado de Adio pelos beneficios d~

Tinda do Reparador.

Deixando os particulares da vida tilo cortada de penas, e tio amesquinhada de recursos do sr. Lo- pes Praça, falemos do seu Jivl"O. Escusado é enca- recer a necessidade da obra áquelles que bem 8&, bem que nIo possuia a nossa litteratnra, tão abun- dante em outros ramos, uma historia de seus pbi- losophos, por onde podessemos calcular o movimento

(61)

·da philoSophis . racional entre. n6s. Todos aaWamos que. tivemos e~holM regulares, que' a 1IIOUa uni- versidade nlo foi das ultimas àstabelecidú Da

Eu-

ropa, que tiVêltlM 'sabios' que ·ataombraralb as ee- 'cholas estrarigeita8~ nomead6mente em Heapanha e

em Roma, que os jesRhag -em 'Portugal eultivaram

a

philoSbphin. com proveito a·plir das tfcieneiaa ma- thematicàs 'e theologicas; 'por onde calculávamos que em Pórtugal tiveesetD florescido philosopbos; o nome' d'eUe!!, porém, seus 'progressos na sciencia, 08 pOt'menores de suas vidas e s.ystemas, finalmente o papel definitivo que POlo ventura tivessem represen- tado no meio dó inôvimento philowphieo antes e de- pois do descobrimento da. imprensa e das luzes es- palhadas pelos sabíos' de ConstAntinopla, quesdSes eram estas que ninguem on8;lra T6$01'ter em publi- co. As naçlies cultas da Europa já. têm a par de sua historia. politica ou conjunctamente com elIa a his- toria da. sua. philosophiaj Portugal nlo tinha dil.do por essa fàlta,' porque até muita gente de boas le- tras ignorava que em Portugal tivessem havido phi- l"osophos. Num ou noutro livro estrangeiro lá. appa- reeia de vez em quando o nome de Francisco San- ches e de Luiz Antonio Vernei; mas tio desaperce- . bidos passavam entre nós, que nem com essas ra- rissimas eitaçUes os estrangeiros faziam vergonha aos naeionaes; que aSAim deixavam por milos alheias estas riquezas, que afio o 'orgulho

e

o patrimouio de na-

(62)

9Ge1i,

p,equ.enaa . e. em~ida~ •. Foi neeeallRl"ie que Stanke ~iesse d •• r' que. 4 PkiwlfJp1tiG. lwitaJw. ti nba acompanhado o mo?imtntQphibophieo.etm;lp6u

ptMrilnAf AOfl, oerp.ti .. ; mas aind" Qes$ft eecriptor as,

hQ~'~ siJb,cJicigidatlá He.splJIlh .. , e Portugalfica, clcoo.dido O" lQal visto na. penq!D»r.a. inglQria d'tll·

gum escasso eJ.Q,i~. lato n~i> dev.Et a.dmü:ar, se at~.

tendectDos, ao n0880 des\eixp por ving_ Q que dft di- reito no" per~nce. Se ,neSa aRdamos em JlOIfIlQS CIS-

cholas de littefatm:a a f~cr flbra. por o q~ ~ nosso respeito escrgera8i6mpn~ e Ferdinand Diniat,V EÜ~m

agora que lon~ f.adiga'l que penOl3as locubraçiSea,.

que pr04igios.de vQntade ,Pila seriaim:precisos. ao Br;

Praça para evocar· de se,ua jazigos e reOl'gnnisar essa tileira de homens iUustres qtre em 'seu livro' o.ll~ta illuminado~ oad4 um por sua aureola! ,S", algum. dos nouOSo leitores já passou Jloit~ euoites em claro) com 01 olhos .pregados, BO~ UIll manuscripto ~o'prin,~

cipio damollarch~, pN,Curando decifrar á luz d9 qan- dieiro aquella paleograpbia. arreveza,da, e por ve,.~8

indecifravel,. se passou. Ol! melho~es dias da SlUI-vida sepultado em livrariaJ,6 8,' procura d'um documente) para e.nCOJltrar uma data, o fio d'urn. B.ysteIW.\, um' ponto mal averiguados se algUIp já pa8Bou. por e~a

dura prova, a;vaUará o.s suores e as mortificaça~s que·

ao sr. Lopes ~aç$ çustoll a Historia da philospphia em Portugal.. O . fim do auctor e~re:vendo ~ste li'Yl'~

foi bem servir a sua pntria. cAcQpda:r ~a m.e~o.ri~

(63)

-

....

do povo portuguez. a lembrança do se1l paeudo,

e

dar-lhe vida, e nduveneeel-o.- Tal foi o peD8a1Ilebto que preBidiu á redacçlo d'eRe livro. II Louvavel em- penho de quem estima a ma terra! Das BUM artes e scienciu é que Athenas têm vivido a tl'avM de tantos seculos: quem sabe se d'este pobre espolio é que teremos de viver no futuro? Bemdictos sejam os filhos que trabalham pela boa nomeada de sua mie! O systema adoptado pelo sr. Praça foi o se- guinte: dividiu todo o movimento de philosophia entre nós em treB periodos; o primeiro desde o c0-

meço da monarchia ate D. Joio lU; o segundo desde D. Jo~o III até D. João V; e o t~rceiro desde D. Joio V até o sr. Silvestre Pinheiro Ferreira.

Nlo é esta a divisão que se costuma fazer da lit- ratura portugueza; mas é preciso advertir que emte Portugal, onde mais ou mends se reflectiu a luz da pbi- losophia estrangeira, aconteceu o mesmo que lt\ feSra.

A philosophia nlo acompanhou pari paBBU o dee- envolvimento dos outros ramos de n08SOS conheci- mento& j pelo contrario, quando a poesia e a theolo"

gia tinham apparecido no horisonte litterario, a phi- 1000phia ainda esperava que o seu dia amanhecesse ..

Demais a mais, a divisão em tres periodos jnstifi- ca-se perfeitamente: (no tempo· (de D. Joio III) rea- nimaram-se as letras e se fundou o collegio, que deve â philosophia se não uma face nova, ao menos uma feiçlo caraeteristiea e digna de notar-se,,; a univer-

Referências

Documentos relacionados

Para analisar as Componentes de Gestão foram utilizadas questões referentes à forma como o visitante considera as condições da ilha no momento da realização do

Nesse mesmo período, foi feito um pedido (Processo do Conjunto da Avenida Rio Branco, no Rio de Janeiro nº 860-T-72) pelo Instituto dos Arquitetos do Brasil e pelo Clube de

Neste estudo foram estipulados os seguintes objec- tivos: (a) identifi car as dimensões do desenvolvimento vocacional (convicção vocacional, cooperação vocacio- nal,

Afinal de contas, tanto uma quanto a outra são ferramentas essenciais para a compreensão da realidade, além de ser o principal motivo da re- pulsa pela matemática, uma vez que é

O capítulo I apresenta a política implantada pelo Choque de Gestão em Minas Gerais para a gestão do desempenho na Administração Pública estadual, descreve os tipos de

De acordo com o Consed (2011), o cursista deve ter em mente os pressupostos básicos que sustentam a formulação do Progestão, tanto do ponto de vista do gerenciamento

escolar e entrevistas com roteiros semiestruturados aplicados às professoras formadoras da Universidade Federal de Permabuco (UFPE) e da Escola Cristo Rei, aos profissionais

O Programa de Avaliação da Rede Pública de Educação Básica (Proeb), criado em 2000, em Minas Gerais, foi o primeiro programa a fornecer os subsídios necessários para que