RELATÓRIO DE ESTÁGIO
PROFISSIONALIZANTE
Mestrado Integrado em Medicina
Ano lectivo 2013-2014
Lisboa, Junho de 2014
ÍNDICE
INTRODUÇÃO página 2
ACTIVIDADES DESENVOLVIDAS
Pediatria página 3
Obstetrícia e Ginecologia página 4
Saúde Mental página 4
Medicina Geral e Familiar página 4
Medicina Interna página 5
Cirurgia página 5
Outras actividades página 6
REFLEXÃO CRÍTICA FINAL página 7
INTRODUÇÃO
O presente Relatório tem como objectivo descrever o Estágio Profissionalizante do
6º ano realizado por mim, Patrícia Raquel Oliveira Rodrigues Marques, com o número de
aluna 2009269, no âmbito do Mestrado Integrado em Medicina (MIM) da Faculdade de
Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa (FCM-UNL), no ano lectivo de
2013-2014.
Inicio com uma introdução breve onde apresento os objectivos e estrutura do
Relatório e os objectivos gerais que delineei no início deste ano, seguindo com uma
exposição cronológica dos estágios que frequentei, mencionando objectivos e actividades
desenvolvidas e concluindo com uma reflexão crítica final sobre este período integrador, de
suma importância na formação do futuro médico e preparação para o início da sua
actividade clínica. Anexo os certificados de participação em algumas das actividades
efectuadas neste período lectivo.
OBJECTIVOS GERAIS
Durante 32 semanas, de 16 de Setembro de 2013 a 23 de Maio de 2014, no âmbito
do Estágio Profissionalizante do 6º ano do MIM frequentei os estágios de Pediatria,
Obstetrícia e Ginecologia, Saúde Mental, Medicina Geral e Familiar, Medicina Interna e
Cirurgia.
Ademais os objectivos específicos que defini no início de cada estágio, tinha como
objectivo principal, no início do 6º ano, complementar os conhecimentos teóricos
previamente adquiridos com um aperfeiçoamento do meu desempenho na prática clínica,
observando os mais experientes, imitando algumas das suas acções e procurando usufruir
da autonomia inerente a este estágio profissionalizante para, eu própria, ir ultrapassando
curiosidade e iniciando este processo de aquisição de experiências que se perpetuará o
resto da minha vida, lapidando o tipo de médico que virei a ser. Com a devida importância
que considerei aplicar na aquisição de conhecimentos, encarei este ano também como
uma oportunidade de adquirir competências em termos de relação médico-doente uma vez
que, do meu ponto de vista, só assim é possível uma abordagem holística e
verdadeiramente baseada no doente, como nos tem vindo a ser incutido nos últimos anos.
ACTIVIDADES DESENVOLVIDAS
Iniciei o 6º ano com o estágio de Pediatria, realizado no Hospital Dona Estefânia,
Serviço de Hematologia, entre 16 de Setembro a 11 de Outubro de 2013. Neste estágio,
com a Regência do Prof. Doutor Luís Manuel Varandas, acompanhei diversos doentes no
âmbito das actividades diárias da minha orientadora, Dra. Paula Kjöllerström; contactei
com a Pediatria Geral em contexto de Serviço de Urgência; adicionalmente pude explorar
outras áreas da Pediatria como a Neurologia, Infecciologia, Pedopsiquiatria e
Imunoalergologia, com o objectivo de perceber um pouco a diversidade e especificidade
dos cuidados prestados a este grupo de doentes e de vivenciar o cenário e ambiente
inerentes a um Hospital Pediátrico. Concluí o estágio com a realização, em grupo, de um
De 14 de Outubro a 8 de Novembro de 2013, realizei o estágio de Obstetrícia e
Ginecologia (OG) no Hospital São Francisco Xavier, coordenado pelo Dr. Fernando
Cirurgião. Nesse período assisti a consultas de Ginecologia, Saúde Materno-Fetal,
Uroginecologia e Planeamento Familiar; frequentei o Serviço de Urgência e Bloco de
Partos bem como as enfermarias de Ginecologia e Obstetrícia. A componente prática
esteve bem patente neste estágio, na medida em que tive oportunidade de executar e
aperfeiçoar o meu desempenho em diversos procedimentos com utilidade não exclusiva na
área da OG.
Realizei posteriormente, sob Regência do Prof. Doutor Miguel Xavier e orientação
do Dr. Marco Gonçalves, o estágio de Saúde Mental, entre 11 de Novembro e 6 de
Dezembro de 2013 no Hospital Júlio de Matos (HJM). Durante duas semanas acompanhei
o meu tutor nas suas actividades diárias (consultas, internamento e urgência) e no período
restante frequentei o Hospital de Dia, a Alcoologia, Reabilitação e estruturas comunitárias,
no meu caso, na Unidade Comunitária de Cuidados Psiquiátricos de Odivelas, onde,
orientada pela Dra. Ana Cristina Farias, procurei entender e integrar-me o melhor possível
nas actividades ali desenvolvidas, nomeadamente as sessões de terapia de grupo e as
visitas domiciliárias.
O estágio de Medicina Geral e Familiar, regido pela Prof. Doutora Isabel Santos,
dividido em estágio rural e estágio urbano, foi realizado, respectivamente, na Unidade de
Saúde Familiar (USF) da Rosinha, entre 9 a 20 de Dezembro de 2013, com orientação da
Dra. Muriel Vieira e na USF Jardim dos Plátanos, de 6 a 17 de Janeiro de 2014 com
orientação do Dr. Júlio Crespo Silva. Durante estes períodos acompanhei os meus tutores
nas suas actividades diárias, incluindo consulta de Adultos, Saúde Materno Fetal,
Planeamento Familiar e Saúde Infantil. Sempre que possível, assisti e tentei realizar
domiciliárias e fui sempre incentivada a participar de forma interventiva em todas as
actividades, a questionar e propor estratégias terapêuticas e a construir algum sentido
crítico em relação aos métodos de actuação e prática clínica a que assisti e ao que é
previsto pelas normas de orientação que pude ir consultando. Para além da
aquisição/consolidação de conhecimentos, pretendi neste estágio usufruir das técnicas de
abordagem e comunicação com os diferentes grupos de doentes, apreendidas e praticadas
durante os três estágios anteriores.
De 27 de Janeiro a 21 de Março de 2014, realizei o estágio de Medicina Interna no Serviço 4 do Hospital de Santa Marta, com a Regência do Professor Doutor Fernando
Nolasco esob orientação do Dr. Miguel Toscano Rico. Nesse período acompanhei doentes
na enfermaria, procedendo à sua observação, registo no diário clínico, discussão de plano
terapêutico e requisição de exames complementares quando necessário. Fui cabalmente
incluída nas actividades da minha equipa de trabalho, participando da discussão dos
doentes e da observação dos que me eram atribuídos, o que incluía, para além dos
cuidados diários referidos, o contacto com a respectiva família e articulação com
Assistente Social, equipa de Enfermagem e outras Especialidades. Adicionalmente,
embora de uma forma menos autónoma, pude treinar a abordagem a alguns doentes que
observei em contexto de Urgência no Hospital de S. José. Durante o estágio assisti a
algumas sessões clínicas apresentadas por Internos do Serviço e eu própria realizei e
apresentei, em grupo, um trabalho de revisão baseado nas orientações da GOLD sobre a
abordagem na Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (“DPOC, uma pequena revisão de
uma grande doença”). A aprendizagem prática foi complementada com sessões teóricas semanais que decorreram no Edifício da Biblioteca da FCM-UNL.
Durante oito semanas, de 24 de Março a 23 de Maio de 2014, frequentei o estágio
duas semanas na Unidade de Cuidados Intensivos. Acompanhei neste período as
actividades diárias da minha tutora, Dra. Sílvia Silva, que procurou sempre promover e
estimular o desenvolvimento de autonomia dos seus alunos, no Bloco operatório, Consulta
de Cirurgia Geral e de Senologia, Internamento e Serviço de Urgência. Durante o estágio
assisti a diversas sessões clínicas além das sessões teóricas e teórico-práticas visadas no
plano da Unidade Curricular. Adicionalmente assisti às Jornadas do Departamento de
Cirurgia do HBA, dia 16 de Maio. Complementei a minha actividade formativa neste
estágio, com um trabalho (“Uma manifestação rara de uma doença rara”), com exposição de um caso clínico de tumor neuroendócrino do intestino delgado de apresentação atípica
e revisão teórica breve sobre o tema.
Outras actividades:
Adicionalmente assisti ao “Simpósio de Hipertensão Arterial”, no dia 11 de Abril de
2014, que decorreu no Edifício Egas Moniz da Faculdade de Medicina de Lisboa.
No dia 23 de Abril assisti ao Simpósio IACs 2014: Alargando horizontes em controlo
de Infecção organizado pelo Hospital Beatriz Ângelo.
Dia 6 de Maio participei, na Faculdade de Ciências Médicas, num Workshop sobre
REFLEXÃO CRÍTICA FINAL
Com vista nos objectivos que delineei no início dos estágios de Pediatria, Obstetrícia
e Ginecologia e Saúde Mental, considero que corresponderam às minhas expectativas na
medida em que me permitiram adquirir e consolidar conhecimentos, nomeadamente
através de uma abordagem mais prática, com treino de vários procedimentos, mas
também desmistificar e ultrapassar barreiras na questão da relação médico-doente com
estes pacientes que, admito, tinha tendência a diferenciar dos das outras áreas por não me
sentir apta e com recursos para lidar com eles. Hoje reconheço que as suas
particularidades e eventualmente exigências especiais, não são diferentes das
encontradas nas outras Especialidades e ultrapassadas essas questões, sinto-me mais
confiante na sua abordagem. Considero ter adquirido competências importantes nesse
sentido, que vim a aplicar com sucesso nos estágios subsequentes e que por isso já estão
certamente a modelar, creio, de forma positiva, a minha prestação enquanto médica.
Ressalvo o facto de ter tido a possibilidade de contactar com um Serviço de Hematologia,
no estágio de Pediatria; considero uma lacuna importante para quem não tem essa
oportunidade, dada a não obrigatoriedade desta unidade no plano curricular do MIM da
FCM-UNL e seria portanto uma das minhas propostas para futuras reestruturações desse
plano. Não obstante o aprofundamento do conhecimento na área da Hematologia, tenho
noção de que este ocorreu à custa de um contacto menor com a Pediatria Geral, que acho
que teria sido importante também.
O estágio de Medicina Geral e Familiar superou largamente as minhas expectativas.
Por um lado por se afastar um pouco dos ambientes hospitalares, potencialmente mais
regalados, a que estamos habituados, e ainda assim permitir o exercício pleno da
Medicina; por outro, pela abordagem mais paciente e demorada, que possibilita a criação
problemas que ele considera “de saúde”; de outro lado, pelas duas semanas em que estive numa região mais periférica e em que, pelo menos na minha experiência, havia um maior
número de casos sociais, com níveis socioeconómicos mais precários e pessoas menos
diferenciadas, gerando necessidade de uma abordagem diferente que garantisse o
entendimento e confiança mutuos; e por último, fazendo referência ao que mencionei no
início desta reflexão, pela capacidade que estes profissionais adquiriram para lidar com
pessoas que vão de crianças a idosos, incluindo grávidas e todos os doentes nas suas
diferentes vertentes biopsicossociais. A Medicina Geral e Familiar, quando bem exercida, é
sem dúvida uma pedra basilar da Saúde.
Precedendo o início dos dois últimos períodos do estágio profissionalizante, e dado
o seu carácter abrangente, propus-me a deixar de lado o medo de admitir o que não sei e
a questionar, ir atrás e desenvencilhar-me de modo a concluir o 6º ano com o sentido de
ter feito o meu melhor, não para obtenção de um resultado de avaliação, mas para o meu
amadurecimento, enquanto pessoa e enquanto futura Profissional de Saúde.
Enquanto adepta inveterada do Médico Internista, com base na minha experiência
em anos anteriores, o estágio de Medicina Interna correspondeu às minhas expectativas e
foi aquele em que dispus de maior autonomia, sem me sentir desapoiada, mas
permitindo-me aprender muito à custa do permitindo-meu trabalho individual e de trocas de ideias com os permitindo-meus
colegas e internos do Serviço que frequentei. Para além do ambiente exemplar, senti que
fui tratada “de igual para igual” e este aspecto deu-me alento e vontade de fazer sempre mais, de modo que, mesmo tendo ultrapassado por diversas vezes o número de horas
estipulado pela Unidade Curricular, nunca senti estar a desperdiçar tempo e fiz sempre
aquilo que achei ser da minha responsabilidade, com gosto. Acho essencialmente que o
sentido de responsabilidade nos torna mais despertos e nos incute o sentimento de
conclusão/constatação deste estágio, porque a sua duração o permitiu, foi que manter
boas relações com os restantes profissionais de saúde e essencialmente parar um pouco
para conversar com os doentes, mesmo que para ouvir pela milésima vez a história do
«filho que viajou para a América», são ingredientes fundamentais para facilitar a
exequibilidade dos tratamentos e muito provavelmente influenciar os seus resultados.
Por fim, no que diz respeito ao estágio de Cirurgia, é quase mandatório mencionar
as excelentes condições e recepção no Hospital Beatriz Ângelo, e sobretudo a aposta que
fazem na formação, seja de alunos, internos ou especialistas. Adicionalmente a
possibilidade de passarmos por outra especialidade (no caso, Medicina Intensiva,
Anestesiologia ou Gastrenterologia) tornou este período de estágio mais produtivo.
Destaco a competência e sobriedade da minha orientadora, quer em termos de
pontualidade e compromisso, quer em relação à dedicação que emprega no seu trabalho,
que considero serem características distintivas e que os doentes apreciam, de modo que
terminei o estágio pelo menos motivada a tentar usufruir deste exemplo no meu futuro.
Numa breve nota, aproveito para mencionar a adequabilidade do Estágio Opcional,
como complemento ao estágio profissionalizante nesta fase da nossa formação, permitindo
a cada aluno responder às suas necessidades próprias e propor-se a estagiar num Serviço
de uma área de interesse, numa altura em que já todos cogitam sobre a especialidade que
virão a escolher.
Concluo esta reflexão com um sentimento de dever cumprido e com a certeza de
que levo comigo os recursos que preciso para dar continuidade aos meus sonhos e
tornar-me uma Médica de verdade! Deixo um agradecitornar-mento a todas as pessoas que se
cruzaram no meu caminho nos últimos seis anos, contribuindo de alguma forma para a
minha formação e crescimento.