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Os telecentros e a inclusão digital

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Academic year: 2022

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Os telecentros e a inclusão digital

Patrícia Mousquer[1]

RESUMO

O telecentro é uma das formas de se obter informação e posterior conhecimento através do uso das tecnologias de informação e comunicação dependendo de como é abordado as aprendizagens em suas oficinas. Foco nas camadas menos favorecidas da comunidade, este artigo procura mostrar a sua devida importância como política pública.

Palavras-Chave: Inclusão Digital. Telecentro.

1 INTRODUÇÁO

Tanto bibliotecas quanto telecentros são espaços disponíveis para qualquer cidadão, independente de sua classe social, situação econômica ou grau de instrução, nestes espaços é possível fazer uso das Tics (tecnologias de informação e comunicação), contribuindo para que estes usuários em ambos espaços possam transformar e aplicar em seu próprio benefício a informação que obtém, constituindo o segundo nível de inclusão digital que é caracterizado pela “satisfação de suas necessidades a partir do uso deste meio” (HARGITTAI, 2004 apud LAIPELT; MOURA;CAREGNATO, 2006).

Conforme o Livro Verde da Sociedade da Informação no Brasil (TAKAHASHI, 2000 apud BARRETO;PARADELLA;ASSIS, 2008) “documento que esboça diretrizes para a inserção do Brasil na Sociedade da Informação, o país aponta para a necessidade da inclusão social, via educação e promoção do acesso à informação” assim como, o ato de educar vai muito mais além do que apenas treinar as pessoas para o uso das TICs, trata-se de capacitar estas pessoas para aquisição de competências nas quais contribuirão na tomada de decisão quanto ao conhecimento adquirido, aplicando criativamente as novas mídias.

Com a difusão das novas tecnologias propiciadas pelo Estado, este modelo de acesso à informação passou a ser mais realista com políticas públicas como é o caso do telecentro, onde basta um órgão público inscrever-se para ter a possibilidade de receber este recurso material como computadores, impressora e

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scanner, ficando o gestor público com gastos referentes a recursos humanos, infra-estrutura e despesas correntes. Mas apenas estes recursos não fariam diferença se não houvesse a preocupação para oferecer gratuitamente cursos à comunidade a qual se insere o telecentro. Este novo modelo de gestão pública vai ao encontro com as características fundamentais da tecnologia da informação segundo Castells (apud WERTHEIN,

2000, p.73

):

• A informação é sua matéria-prima: as tecnologias se desenvolvem para permitir o

homem atuar sobre a informação propriamente dita, ao contrário do passado quando o objetivo dominante era utilizar informação para agir sobre as tecnologias, criando implementos novos ou adaptando-os a novos usos;

• Os efeitos das novas tecnologias têm alta penetrabilidade porque a informação é parte integrante de toda atividade humana, individual ou coletiva e, portanto todas essas atividades tendem a serem afetadas diretamente pela nova tecnologia.

• Predomínio da lógica de redes. Esta lógica, característica de todo tipo de relação

complexa, pode ser, graças às novas tecnologias, materialmente implementada em qualquer tipo de processo;

• Flexibilidade: a tecnologia favorece processos reversíveis, permite modificação ou reorganização de componentes e tem alta capacidade de reconfiguraçáo;

• Crescente convergência de tecnologia, principalmente a microeletrônica,

telecomunicações, optoeletrönica, computadores, mas também e crescentemente, a biologia.

Esperamos que os telecentros não apresentem futuramente características como as Bibliotecas Públicas que dificilmente recebem a devida atenção como acervo atualizado, espaços adequados e atualização tecnológica, pois a biblioteca também exerce importante papel na sociedade tanto internacional quanto brasileira onde se é possível realizar diversos serviços de auxílio aos usuários e comunidade em geral.

2 SOCIEDADE DA INFORMAÇÁO E SOCIEDADE DO CONHECIMENTO NO BRASIL

Como transformar a sociedade da informação em sociedade do conhecimento?A princípio

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precisamos dar condições para que a população em geral consiga usufruir de meios que possibilitem esta mudança, pois transformar a informação adquirida que a princípio são dados que foram organizados de uma forma significativa, deve acima de tudo ser apropriada de tal forma que passe a ser conhecimento, relacionando- se com o contexto das pessoas. Logo, para valer o direito à cidadania é preciso fazer uso da comunicação e da informação o que em muitos casos isto não possível devido às condições financeiras de grande parte da população brasileira.

Segundo Mônaco (2001), o homem deve possuir um pensamento crítico em relação à informação, destacando entre suas capacidades “uma cosmovisáo dialética da realidade; o domínio da área de interesse e de seu sistema conceitual; a habilidade de se renovar” então, como fazer com que esta sociedade que vivemos possa realmente obter informação para transformá-la posteriormente em conhecimento se não há recursos financeiros para dispor, por exemplo, de computador e acesso à internet? Mas muitos dirão que há bibliotecas públicas, então rebatemos com a seguinte pergunta: existem bibliotecas públicas realmente equipadas e atualizadas para toda e qualquer comunidade local?

Segundo Silveira (2005) apenas os Estados Unidos e o Canadá possuem quase que metade do acesso mundial à rede; 41%, ou seja, a sociedade rica utiliza com intensidade o uso da informação, enquanto que países pobres ou em desenvolvimento ficam relegados a atitudes por parte do Estado para tentar utilizar o acesso à rede. “Segundo o IBGE, Censo 2000, apenas 10,6% dos domicílios possuem computador em um contexto em que menos de 40% deles possuem telefone fixo” (SILVEIRA, 2005, p.423).

Conforme o Livro Verde da Sociedade da Informação no Brasil (2000), a educação na sociedade da informação deve levar em conta o papel que as tecnologias de informação e comunicação desempenham na formação de uma sociedade que priorize a inclusão e justiça social.

2.1 Biblioteca Pública X Telecentro

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Primeiramente devemos conceituar o que é um telecentro. Segundo as recomendações para montagem de um telecentro fornecido pelo Ministério das Comunicações: “telecentros comunitários são espaços públicos providos de computadores conectados à internet em banda larga, onde são realizadas atividades, por meio do uso das TICs com o objetivo de promover a inclusão digital e social das comunidades atendidas”, sendo que seu objetivo principal é “promover o desenvolvimento social e econômico das comunidades atendidas, reduzindo a exclusão social e criando oportunidades aos cidadãos” . As premissas do projeto são a inserção do cidadão na sociedade da informação por meio da utilização de ferramentas de TICs visando a redução da exclusão digital e social. A implantação dos Telecentros constitui um espaço público que permita ao cidadão interagir com outros que já tenham acesso aos recursos das TICs, bem como com o Poder Público, por meio dos Portais de Governo Eletrônico. A utilização de ferramentas (computadores, impressoras, conectividade e outros equipamentos audiovisuais e/ou multimídia), para uso em capacitaçóes e atividades diversas ligadas à inclusão digital para todo o público alvo. Entre as atividades a serem realizadas no telecentro são: uso livre dos equipamentos, acesso à internet, cursos de informática básica, curso de navegação na internet, uso preferencial de software de plataforma aberta e não proprietária (griffo meu) conforme as diretrizes do Governo Federal, realização de oficinas de capacitação e oficinas diversas que possam utilizar as TICs disponíveis nos Telecentros, produção e compartilhamento de conhecimento coletivo (conteúdos produzidos a partir das capacitações), realização de atividades sócio-culturais para mobilização social e/ou divulgaçáo do conhecimento, oficinas de alfabetização digital.

Um dos quesitos do projeto dos telecentros é a instalação em locais públicos como as bibliotecas públicas, a princípio esta idéia gera certa confusão porque por mais que ambos sejam espaços destinados ao atendimento da comunidade a qual estão inseridos, parece que o espaço da biblioteca pública poderá ser comprometido com a perda do foco do termo conceitual referente às funções básicas de uma biblioteca pública entre as quais podemos destacar o atendimento ao usuário tanto no setor de referência quanto ao serviço de empréstimo, porém também não podemos esquecer que em muitos casos esta medida está ajudando a angariar recursos digamos que mais atrativos para seus usuários e também o aumento de novos leitores que muitas vezes vem até a Biblioteca Pública apenas para acessar seu e-mail nos computadores disponíveis em seu espaço, que na verdade são provenientes de outro projeto, o da inclusão digital mas acabam conhecendo melhor este novo leiaute, agora híbrido. Mas este novo perfil de Biblioteca Pública encontra-se respaldo inclusive no Manifesto da Unesco (1994) o qual prevê dois itens referente novas tecnologias: “ garantir aos cidadãos todo tipo de informação comunitária; facilitar o desenvolvimento da informação e da habilidade de uso

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de tecnologias”.

Neste contexto, poderá ser trabalhada inclusive a educação de usuários, auxiliando quanto ao uso das ferramentas de busca disponíveis da rede e como selecionar a informação relevante para sua pesquisa.

Segundo Levy (1998),” a utilização multiforme dos computadores para o ensino está se propagando na escola, na casa, na formação profissional e contínua” e porque não unir em um único espaço este novo modo de acesso ao conhecimento ao tradicional?

3 INCLUSÁO DIGITAL X TELECENTRO

Incluir para construir. A partir deste binômio devemos pensar que através deste processo de inclusão construiremos uma sociedade mais igualitária levando acesso à informação para as camadas sociais desfavorecidas de ações como o telecentro comunitário, aberto a todos sem exceção e com a oportunidade de qualificação profissional para aqueles que se interessarem. Com o estudo da comunidade, é possível fazer um trabalho direcionado de acordo com suas necessidades, agregando resultados inclusive com as escolas localizadas no município, oportunizando aprendizagem também ao corpo docente pois através do computador

“todos os alunos podem ser submetidos exatamente ao mesmo programa de ensino e podem-se registrar em detalhe suas progressões , seus atrasos e erros” (LEVY, 1998, p. 27).

Segundo Silveira (2005, p.431-432), há quatros itens que transforma a inclusão digital em política pública:

[ ... ] reconhecimento que a exclusão digital amplia a miséria e dificulta o desenvolvimento humano local e nacional; [ ... ] a constatação que o mercado não irá incluir na era da informação os extratos pobres e desprovidos de dinheiro; [ ... ] a velocidade da inclusão é decisiva para que a sociedade tenha sujeitos e quadros em número suficiente para aproveitar as brechas de desenvolvimento no contexto da mundializaçáo de trocas desiguais e, também, para adquirir capacidade de gerar inovações; [ ... ] aceitação de que a liberdade de expressão e o direito de se comunicar seria uma falácia se ele fosse apenas para a minoria que tem acesso à comunicação em rede.

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Conforme dados levantados do Ibict (Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia, a Inclusão Digital tem merecido atenção por parte das políticas públicas. Porém não há precisão do número exato de telecentros no Brasil. A partir de dados levantados pela Unesco e após pelo Ibict, pôde-se constatar um avanço na inclusão digital conforme mapa da figura1 abaixo:

Os resultados apresentados fazem parte do levantamento de iniciativas de inclusão digital no Brasil conforme quantitativos dos estados brasileiros, regiões administrativas brasileiras bem como governo federal, estadual, municipal, terceiro setor e universidades (IBICT, 2008).

Muitos municípios estão aderindo ao projeto de inclusão digital através dos telecentros como é o caso do município de Eldorado do Sul que recentemente recebeu o kit completo para o início deste espaço de inclusão, e o local destinado para este fim foi o da Biblioteca Pública que há muito tempo carece de atrativos que possam contribuir para a divulgação de seu espaço bem como a devida visibilidade com a comunidade a qual está inserida. Através deste espaço pretende-se desenvolver outros projetos como o incentivo à pesquisa

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bibliográfica através dos computadores instalados neste espaço, bem como trabalhar questões relacionados ao marketing institucional o que nada disso seria possível se contasse apenas com a verba municipal destinada todos os anos na LOA (Lei Orçamentária Anual) que bem sabemos que se o responsável por esta unidade de informação não estiver atento para o destino de seu recurso, certamente este terá outra finalidade com outras atividades, pois sabemos que a maioria das bibliotecas públicas no país são subordinadas à Secretaria Municipal de Educação, a qual certamente possui outras prioridades.

CONCLUSÃO

Apesar de uma iniciativa como esta ser um passo importante para colocar uma camada da população apar das novas tecnologias de informação e comunicação, sediar um telecentro não é uma tarefa tão simples, pois o gestor público terá de arcar com as despesas dos insumos para manutenção dos computadores e impressoras, não esquecendo que terá que buscar parcerias no município inclusive para a capacitação dos monitores para ministrarem cursos para a comunidade local. Porém são atitudes como esta que locais até então esquecidos pelo poder público, principalmente o municipal que é o caso das Bibliotecas Públicas, é uma forma com que os usuários sejam beneficiados com este projeto. Incluir todos não é tarefa fácil, depende da cultura da comunidade, aprender a apreender significados, capacitar-se e inserir-se no mercado é mais que conquistar seu espaço, é assumir compromisso, seriedade e amadurecimento.

Apropriar-se do uso das tecnologias dominantes não é apenas usar as ferramentas básicas de um computador, mas sim saber construir seu conhecimento para sua vida pessoal e profissional. Aproveitar as oportunidades oferecidas por ações como os telecentros e mais, dentro de uma Biblioteca Pública é acima de tudo, constituir-se como cidadão capaz. Sem utopias a parte, talvez seja uma das formas de levar outro objeto de interação, não apenas atividades tradicionais já consolidadas como projetos de esporte e cidadania, mas também capacitar sua comunidade é proporcionar novas formas de aprendizagem que poderá contribuir inclusive aos alunos matriculados em sua rede de ensino tornando a escola mais convidativa também fará

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reduzir o número de assaltos e vandalismo tão costumeiros em comunidades carentes.

RESUMEM

Lo telecentro é uma de las formas para obtener más informatión y el conocimiento mediante el uso de tecnologias de información y comunicatión em función de la forma em que el aprendizaje se aborda em sus talleres. Centrarse em los menos favorecidos los sectores de la comunidad, este artículo intenta mostrar su debida importancia como política pública.

Palabras clave: Inclusão Digital. Telecentro. Biblioteca Pública.

REFERÊNCIAS

BARRETO, Angela Maria; PARADELLA, Maria Dulce; ASSIS, Sônia. Bibliotecas públicas e telecentros:

ambientes democráticos e alternativos para a inclusão social, Ciência da Informação, Brasília, v.37, n.1, p.27- 36, jan/abr. 2008. Disponível em: <http:// revista.ibict.br> Acesso em: 13 nov. 2008.

IBICT. Inclusão Digital. Estatísticas de Pids. Disponível em: <inclusão.ibict.br> Acesso em: 19 nov. 2008.

LAIPELT, Rita do Carmo Ferreira. MOURA, Ana Maria Mielniczuk; CAREGNATO, Sônia Elisa. Inclusão Digital:

laços entre bibliotecas e telecentros. Informação e Sociedade, João Pessoa, v.16, n.1, 2006, p.285-295.

Disponível em: <

http://revista.ibict.br

> Acesso em 03 nov. 2008.

LEVY, Pierre. A máquina universo: criação, cognição e cultura informática. Porto Alegre: Artmed, 1998.

MONACO. Gaetano Lo. Sociedade da Informação X Sociedade do Conhecimento. Disponível em:

<

http://www.inep.gov.br

> Acesso em: 19 nov. 2008.

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SILVEIRA, Sérgio Amadeu. Inclusão digital, software livre e globalização contra-hegemônica. Disponível em <http: www.softwarelivre. gov.br> Acesso em: 02 nov. 2008.

UNESCO. Manifesto da IFLA/UNESCO sobre Bibliotecas Públicas (1994). Disponível em<

http://www,ifla.org.br

> Acesso em: 19 nov. 2008.

WERTHEIM, Jorge.A sociedade da informação e seus desafios. Ciência da Informação, Brasília, v.29, n.2, p. 71-77, maio/ago. 2000. Disponível em: <

http://www.scielo.br

> Acesso em: 19 nov. 2008.

[1]

Aluna do Curso de Biblioteconomia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Trabalho apresentado como pré- requisito para obtenção de conceito na disciplina BIB 3064- Produção Documentos Eletrônicos. Porto Alegre, novembro de 2008. E-mail: [email protected]

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