ORGANIZAÇÃO E REPRESENTAÇÃO DO CONHECIMENTO NO BRASIL: análise de aspectos conceituais e da produção científica do enancib no período de 2005 a 2007.
Mariângela Spotti Lopes Fujita Doutora em Ciências da Comunicação
Professora Adjunta do Departamento de Ciência da Informação UNESP - Faculdade de Filosofia e Ciências - Campus de Marília
ORGANIZAÇÃO E REPRESENTAÇÃO DO CONHECIMENTO NO BRASIL: análise de aspectos conceituais e da produção científica do enancib no período de 2005 a 2007.
KNOWLEDGE ORGANIZATION AND REPRESENTATION IN BRAZIL: analysis of conceptual aspects of ENANCIB scientific production from 2005 to 2007.
RESUMO
A pesquisa na área de Organização e Representação do Conhecimento (ORC) no Brasil demonstra desenvolvimento pela quantidade e qualidade dos trabalhos apresentados no ENANCIB, Encontro da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Ciência da Informação (ANCIB). A análise do progresso científico nos aspectos teóricos e metodológicos necessita de definição temática dos conteúdos da área de ORC como parâmetro para aferir e comparar resultados. Com o objetivo geral de contribuir com uma definição temática em pesquisa para a área de ORC no Brasil foi elaborado um Esquema de Sistematização da área de ORC com base em propostas de estruturas temáticas e sistema de classificação apresentadas na literatura. A partir do Esquema foi possível identificar linhas e temas de pesquisa da área de ORC no Brasil, seus fundamentos teóricos e metodológicos, as tendências do desenvolvimento científico na série histórica de 3 anos (2005, 2006 e 2007) e a participação de sua comunidade científica.
PALAVRAS-CHAVE: organização e representação do conhecimento
ABSTRACT
The research in the area of Knowledge organization and representation (ORC in Portuguese) in Brazil shows development by the amount and quality of works presented at ENANCIB, the Meeting of the Research and Postgraduate Information Science National Association (ANCIB). The analysis of the scientific progress in the methodological and theoretical aspects needs thematic definition of the ORC area contents as parameter to check and compare results. In order to contribute with a thematic definition in research for the ORC area in Brazil, it was carried out a Systematization Scheme of the ORC area based on proposals of thematic structures and classification system presented in the literature. From this scheme, it was possible to identify lines and research subjects of the ORC area in Brazil, its methodological and theoretical foundations, the tendencies of the scientific development in the three-year historical sequence (2005, 2006 and 2007) and the involvement of its scientific community.
1 Introdução
A área de Organização e Representação do Conhecimento (ORC), de desenvolvimento científico recente no Brasil, tem sua principal comunidade científica ligada ao Grupo de Trabalho, de mesma denominação, da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Ciência da Informação (ANCIB). Essa comunidade científica da área de ORC compõe os quadros docentes permanentes dos Programas de Pós-Graduação em Ciência da Informação (PPGCI) e, também, se organiza em Grupos de Pesquisa que agregam estudantes de graduação e pós-graduação, profissionais e pesquisadores convidados.
O Grupo de Trabalho Organização e Representação do Conhecimento, conhecido como GT2, passou a funcionar em função da ANCIB que promove, com participação dos Programas de Pós-Graduação em Ciência da Informação, o Encontro da ANCIB – ENANCIB. Anualmente, os pesquisadores da área de ORC, liderados pelo coordenador do GT2, produzem e avaliam os trabalhos de pesquisa realizados junto aos PPGCI e grupos de pesquisa que serão comunicados e discutidos com a comunidade. Esse fórum de discussão entre pesquisadores, com 8 encontros realizados no período de 1994 a 2007, será considerado para representar a amostra deste estudo que pretende verificar aspectos formais e de conteúdo do desenvolvimento científico da área de ORC no Brasil com os trabalhos de pesquisa aprovados nas três últimas edições do ENANCIB, realizadas em 2005, 2006 e 2007, em Florianópolis, Marília e Salvador.
Essa verificação tem como objetivo geral contribuir com uma definição temática em pesquisa para a área de ORC no Brasil a partir de sistematização baseada em literatura com propostas de estruturas temáticas em ORC e como objetivos específicos identificar as linhas e temas de pesquisa da área de ORC, seus fundamentos teóricos e metodológicos, as tendências do desenvolvimento científico na série histórica de 3 anos e a participação de sua comunidade científica.
A importância desse trabalho decorre da necessidade da área de Organização e Representação do Conhecimento no Brasil ter uma definição temática dos conteúdos que sirva como parâmetro para acompanhar o desenvolvimento da pesquisa e do ensino que, nos últimos três anos, tem obtido destaque pela quantidade e qualidade dos trabalhos de pesquisa submetidos e aprovados pelo GT2 da ANCIB.
A criação do capítulo brasileiro da ISKO foi iniciativa dos pesquisadores do GT2 da ANCIB durante a realização dos ENANCIBs em 2005, 2006 e 2007. A ISKO-Brasil foi instalada oficialmente pela aprovação de seu estatuto em assembléia realizada em 2007 durante o VIII ENANCIB, em Salvador, ocasião em que foi composta a primeira Diretoria do Conselho Fiscal e do Conselho Consultivo, quando foram eleitos os seguintes membros: Presidente: José Augusto Chaves Guimarães (UNESP); Vice-presidente: Rosali Fernandez de Souza (IBICT); Secretário: Eduardo José Wense Dias (UFMG); Tesoureiro: Johanna W. Smit; Conselho Fiscal: Lígia Café (UFSC), Dulce Amélia Brito Neves (UFPR) e Maria Odaísa Espinheira (UFPA); Conselho Consultivo: Ulf Gregor Baranow (UFPR); Jayme Robredo (UnB) e Marcos Luiz Cavalcanti de Miranda (UNIRIO) (RELATÓRIO GT2, 2007).
A ISKO é a sociedade científica da área de Organização e Representação do Conhecimento responsável pelas principais ações em torno de sua necessária consolidação científica. Fundada em 22 de julho de 1989, teve, em sua primeira Diretoria, a pesquisadora Ingetraut Dahlberg, fundadora e Presidente de 1989 a 1996. Embora a área de Organização do Conhecimento tenha suas origens mais remotas na Teoria do Conhecimento desde a Antigüidade, o reconhecimento de sua própria identidade e das questões ligadas aos princípios de uma área científica (HJØRLAND, 1994, BARITÉ, 2001) está definitivamente ligado à criação da ISKO. Desde então, os avanços da área têm se pautado no fortalecimento de sua área teórica, processos, produtos e métodos a partir do conhecimento e reconhecimento da relevância científica e social adquirida ao longo dos tempos, tendo em vista resultados como os sistemas de classificação universais, tabela Cutter, a análise facetada, mudanças tecnológicas etc.
A visão do escopo da área é possível pelo Sistema de Classificação para a Literatura de Organização do Conhecimento, idealizado por Dahlberg (1993), com o primeiro, segundo e terceiros níveis hierárquicos e a seqüência de divisões 3x3, denominada Systematifier, para a organização e representação do conhecimento da área na seção de bibliografia corrente do periódico Knowledge Organization. A visão da área e sua sistematização é uma condição importante para o acompanhamento de seu desenvolvimento científico.
Hjorland (2003) considera difícil esboçar o progresso teórico e científico na área de Organização do Conhecimento (OC), porque lhe parece ser não teórica e fragmentada, além de que, diferentes linhas de pensamento parecem coexistir. Nesse sentido, complementa com sua observação de que a área carece de explorações sérias sobre os métodos de OC e as bases metodológicas de OC.
Conhecimento atende aos conceitos antropológicos e proposicionais de ciência de Alwin Diemer (1970 e 1975 apud DAHLBERG, 2006). Entretanto, na perspectiva dos aspectos essenciais da ciência (teorias, modelos, hipóteses) considera que suas principais fundamentações teóricas são: a) o trabalho de Ranganathan referente à análise em facetas para a categorização e às regras de combinação de conceitos, parcialmente antecipadas pela invenção dos auxiliares de Otlet e La Fontaine, que propiciaram a revisão e expansão do Dewey Decimal Classification; e b) o trabalho de Wüster referente à formação do sistema com base nas duas formas hierárquicas de sistemas de conceitos, usando a lógica de Port Royal. Nesse sentido, Dahlberg (2006) considera que a concepção inicial dos sistemas de classificação universais e especializados não foi baseada em fundamentos teóricos, mas intuitiva. Por isso, concordamos com Dahlberg (2006) no sentido de que este conhecimento sobre categorização, construção e uso de conceitos, assim como os sistemas de classificação e tesauros, faz com que a área de Organização do conhecimento se desenvolva de uma arte intuitiva para uma nova disciplina.
Em recente discussão na qual participamos com outros pesquisadores por ocasião de uma defesa de doutorado, constatamos que a área está em pleno vigor dado suas diversidade conceituais teóricas e metodológicas em discussão. Portanto, se por um lado, falta à área de Organização do Conhecimento uma consolidação científica, de outro, é inegável sua diversidade conceitual e o impacto de seus resultados para a organização do conhecimento de outras áreas científicas. Nesse contexto, é absolutamente fundamental à comunidade científica conhecer seu domínio em Organização do Conhecimento, embora tenhamos que concordar com Hjorland no que se refere à dificuldade em esboçar seu progresso científico. Mas, a criação da ISKO-Brasil em 2007, à semelhança da ISKO em 1989, é uma efetiva comprovação de vigor e desenvolvimento da área e de sua comunidade científica.
É nesse ponto que estabelecemos o desenvolvimento desta investigação, na definição temática e de estrutura de Organização e Representação do Conhecimento para observação de seus progressos científicos a partir da análise temática, interna e formal dos trabalhos apresentados no ENANCIB. Para isso, foi realizada revisão de literatura sobre Organização e Representação do Conhecimento, considerando-se seus aspectos epistemológicos e conceituais a partir do estudo do conhecimento como objeto da área, suas atividades e proposta de sistematização com base no
análise de aspectos internos referentes às abordagens teóricas, métodos, técnicas, marcos teóricos e formais referentes à autoria, vinculação acadêmica e de referências de fontes de informação.
2 Organização e Representação do Conhecimento: aspectos epistemológicos, conceituais e de sistematização.
A compreensão do domínio da área de Organização e Representação do Conhecimento está sistematizada em seu próprio nome formado por dois conceitos fundamentais: a Organização do Conhecimento e a Representação do Conhecimento. Estes dois conceitos são resultados de uma combinação das categorias Ação + Objeto. Dessa forma, podemos entender que a área tem como objeto de pesquisa o Conhecimento e, suas atividades principais em torno desse objeto, são a Organização e a Representação. Dessas atividades em torno do Conhecimento resultam instrumentos, processos e produtos, como facetas que vão se interpondo, para que tenham uso por outras áreas de conhecimento em ambientes institucionais.
Para Dahlberg (2006), essa combinação simples de conceitos, na qual o objeto e sua própria atividade já são indicados, cobrem o âmbito e o objeto da área de Organização do Conhecimento, ou seja, “conhecimento” no sentido de “conhecer” e “organização” no sentido de ordenação de objetos, e não de coletividades relacionadas às pessoas. Esta distinção é importante, por considerar que o nome Organização do Conhecimento refere-se ao objeto e à atividade da área.
Quando o periódico International Classification mudou seu título para Knowledge Organization, Dahlberg (2006) introduziu a conceituação de Organização do conhecimento
como “[...] os objetos e atividades da teoria do conceito, classificação e indexação e representação do conhecimento [...]”. A representação do conhecimento é entendida por Dahlberg como a estrutura lógica da representação conceitual e, também, o resultado da identificação de conceitos por termos determinados em função da terminologia utilizada. A esse respeito, entendemos que a representação do conhecimento em nossa área possui dois aspectos distintos: o resultado da representação de conteúdo pela identificação de conceitos e a representação da estrutura lógica do conhecimento. Este último, como resultado da atividade de Organização do Conhecimento.
Nesse sentido, Guimarães (2001) diferencia a concepção de conhecimento enquanto processo individual, da ISKO, fundamentada em Dahlberg (2006), da concepção de conhecimento enquanto “algo sobre o qual existe certo consenso social, trabalhando-se aqui com o conhecimento registrado e divulgado”.
Entretanto, esse conhecimento subjetivo e individual poderá ser transferido mediante formas de representação escrita ou falada, considerando-se nosso conhecimento prévio lingüístico que expressará nossas experiências e compreensões. Assim, este conhecimento subjetivo necessita, segundo Dahlberg (2006), de uma forma de representação não somente para compreensão, mas também para comparação na comunicação entre pessoas com outras representações.
Em uma analogia, Dahlberg (2006) utiliza a estrutura da matéria, constituída de moléculas, compostos e entidades, para explicar os diferentes graus de complexidade do conhecimento:
- elementos do conhecimento: características dos conceitos que podem ser adquiridas por atribuição de propriedades ou determinação sobre referentes que não devem ser confundidos com relações entre conceitos, como genérico, específico, associado etc.;
- unidades do conhecimento: são sínteses das características dos conceitos, obtidas a partir de enunciados sobre referentes e representados por um signo (palavra, nome, termo, código);
- unidades abrangentes do conhecimento: são combinações de conceitos em enunciados, ou em definições ou em caso de textos;
- sistemas de conhecimento: são entidades compostas de unidades de conhecimento arranjadas em um plano adequado com estrutura coesiva.
Com a definição desses quatro níveis fica claro que, na concepção da ISKO, toda a forma de organização do conhecimento deve estar baseada em unidades do conhecimento ou conceitos e nas diferentes possibilidades de combinar palavras/termos (STRAIOTO, 2001).
Assim, as aplicações da organização do conhecimento, segundo Dahlberg (2006), se referem à: a) construção de sistemas de conceitos; e
b) correlação para, ou mapeamento de unidades de sistemas conceituais com objetos da realidade.
Com a definição dos objetos e atividades da Organização do Conhecimento e suas concepções é possível analisar a seguinte conceituação:
arquivos e outras unidades de informação que abre maiores perspectivas para um importante desenvolvimento disciplinar e interdisciplinar no âmbito da Biblioteconomia e Documentação (BARITÉ, 2001, p.41).
A análise dessa definição revela, marcadamente, as atividades de Organização e Representação, e seu objeto: o conhecimento. Na visão de Barité, observa-se, também, a perspectiva do ambiente institucional e a concepção do conhecimento registrado.
Com a perspectiva do ambiente institucional e a concepção do conhecimento registrado, Hjørland (2008) distingue a Organização do Conhecimento em sentido específico, como a organização cognitiva ou intelectual do conhecimento e, em sentido amplo, como a organização social do conhecimento. Nessa distinção, considera que, em sentido específico, a Biblioteconomia e a Ciência da Informação são as disciplinas centrais da Organização do Conhecimento e compreende atividades, tais como “[...] descrição documentária, indexação e classificação realizadas em bibliotecas, bases de dados bibliográficas, arquivos e outros tipos de “instituições da memória” por bibliotecários, arquivistas, especialistas da informação, especialistas de assunto”. E, nesse sentido, Organização do Conhecimento diz respeito à “[...] natureza e à qualidade dos Processos de Organização do Conhecimento (KOP)1, bem como dos Sistemas de Organização do Conhecimento (KOS)2 usados para organizar documentos, representações de documentos, palavras e conceitos” (HJØRLAND, 2008, p.86). No sentido mais amplo, Hjørland (2008) considera que Organização do Conhecimento é sobre a divisão social do trabalho mental, ou seja, de como o conhecimento é socialmente organizado e como a realidade é organizada. Assim, no sentido mais amplo, a Sociologia do Conhecimento, a Metafísica, a Química, Biologia, Geografia e a Lingüística são as disciplinas centrais da Organização do Conhecimento.
Para uma visão da área de Organização do Conhecimento observaremos a organização de seu conteúdo a partir de um esquema de classificação idealizado por Dahlberg (1993), da proposta de Guimarães (2001) para a estrutura de conteúdos didáticos da área de Organização e Representação do Conhecimento no Brasil e da estrutura de organização das comunicações orais de trabalhos apresentados no Grupo de Trabalho 2 – Organização e Representação do Conhecimento no VIII ENANCIB (RELATÓRIO GT2, 2007):
a) esquema de classificação, idealizado por Dahlberg em 1993, utilizado para a elaboração da lista de conteúdo da bibliografia da literatura publicada sobre Organização do conhecimento no final de cada fascículo do periódico Knowledge Organization. Esse esquema, embora seja utilizado para todos os conteúdos de cunho científico, didático,
profissional, legislativo e de normalização, serve aos propósitos desse estudo por oferecer detalhamento de temas em suas divisões:
Grupo 0 – Divisão de Forma – Tipos de documentos da área. Conteúdos: revisões de literatura,
relatórios e proceedings de eventos, livros-textos, bibliografia etc.;
Grupo 1 – Considerações teóricas e gerais – Fundamentos teóricos e problemas gerais de
Organização do Conhecimento. Conteúdos: Ordenação e Organização do Conhecimento, Conceptologia em Organização do Conhecimento, Matemática e Organização do Conhecimento, Teoria de sistemas e Organização do Conhecimento, Psicologia e Organização do Conhecimento, Ciência e Organização do Conhecimento, Problemas em Organização do Conhecimento, Pesquisa da classificação, História da Organização do Conhecimento;
Grupo 2 – Conceitos e classes de conceitos (Tipos e Sistemas) e sua elaboração – Sistemas de
Classificação e Tesauros, estrutura e construção. Conteúdos: Estruturas e elementos de Sistemas de Classificação e Tesauros (SC&T), Construção de SC&T, Relações entre conceitos, Taxonomias, Notações e códigos, Manutenção, atualização e armazenagem de SC&T, Compatibilidade e concordância entre linguagens de indexação; Avaliação de Sistemas de Classificação e Tesauros;
Grupo 3 – Metodologia de Classificação e Indexação. Conteúdos: Teoria de Classificação e
Indexação, Análise de assunto, Técnicas de Classificação e Indexação, Classificação e Indexação automática, Ordenação manual e automática, Geração de índices e programas, reclassificação, Avaliação de Classificação e Indexação, Codificação e decodificação;
Grupo 4 – Sistemas de Classificação Universais (Sistemas de Classificação e Tesauros) –
Conteúdos: Dewey Decimal Classification, Library of Congress Classification, Library of Congress Subject Headings, Colon Classification, Outros Sistemas Universais de Classificação e Tesauros;
Grupo 5 – Sistemas de Classificação orientados à objetos (Taxonomias) nas diferentes áreas de
conhecimento;
Grupo 6 – Sistemas de Classificação de assuntos específicos – Classificações e Tesauros de
assuntos específicos;
Grupo 7 – Conceitos de outros campos relacionados externamente com a área – Representação
do Conhecimento por Linguagens e Terminologia. Conteúdos: Problemas gerais de linguagem natural em relação à Organização do Conhecimento, Semântica, Processamento automático da linguagem, Sistemas de recuperação on-line e tecnologias, Problemas de terminologia, de gramática, de léxicos/dicionários, Sistemas multilíngües e de traduções, Trabalho de Terminologia orientada ao assunto;
Grupo 8 – Métodos da área aplicados à forma de documentos e conteúdos de assunto –
Indexação e Classificação aplicadas. Conteúdos: Problemas gerais, Catálogos, Diretrizes, Regras, Índices, Indexação e Classificação de dados, títulos, literatura primária, de livros, literatura secundária, materiais especiais ou não livros e de assuntos específicos;
Grupo 9 – Ambiente da Organização do Conhecimento – Conteúdos: Organização profissional e
Econômicos, Uso de serviços, Normalização no trabalho de Organização do Conhecimento, Estudos de usuários etc.
O princípio por trás desta seqüência de aspectos, utilizados para estabelecer as subdivisões da área de Organização do Conhecimento, é o “Systematifier”, concebido por Dahlberg. A explicação do Systematifier é fornecida por Dahlberg (1993) a partir da seqüência de sistematização dos grupos de 1 a 9, sem considerar o Grupo 0, em três subdivisões da seguinte forma:
− Grupos 1-3: representam as divisões componentes/constituintes da área, caracterizadas por 1) Fundamentos teóricos, 2) Estrutura e construção de sistemas de classificação e tesauros, e 3) Classificação e Indexação;
− Grupos 4-6: representam as aplicações das divisões componentes/constituintes da área em: 4) Sistemas Universais, 5) Sistemas de classificação orientados ao objeto e tesauros, 6) Sistemas orientados aassuntos específicos;
− Grupos 7-9: representam a influência, aplicação e ambientes da área, 7) Influências externas: problemas da representação do conhecimento pela linguagem e terminologia, 8) Aplicação da classificação e indexação para diferentes tipos de dados, enunciados, documentos, e 9) Levar da área de organização do conhecimento para fora ou externo, a organização da área em nível nacional e internacional, sua educação e treinamento, seus aspectos legais e econômicos, estudos de usuários e normalização.
Esta seqüência de divisões 3x3 é denominada Systematifier. Segundo Dahlberg (1993) é uma seqüência de facetas que poderá ser usada em qualquer área de assunto.
Em análise dos progressos científicos e metodológicos, Dahlberg (2006) observou que a maior parte da literatura da área de Organização do Conhecimento refere-se aos 3 primeiros grupos (1, 2 e 3) e aos 3 últimos grupos (7, 8 e 9); os 3 grupos intermediários (4, 5 e 6) são menos representados.
1. Fundamentos de organização e representação do conhecimento 1.1 Teoria da comunicação (processos comunicativos)
1.2 Bases cognitivas do comportamento humano (processos de aquisição do conhecimento)
1.3 Fundamentos da lingüística e terminologia (relação pensamento/linguagem, questões semânticas, sintáticas e conceituais da área)
1.4 Conhecimento social e epistemologia do conhecimento (aspectos culturais envolvidos no processo)
1.5 Ciência e método científico 1.6 Fundamentos de lógica
1.7 Fundamentos de inteligência artificial
2. Organização do conhecimento 2.1 Teoria da classificação
2.2 Teoria da recuperação da informação (ciclo informacional) 2.3 Processos documentários
2.3.1 Análise documental (leitura documental e identificação de conceitos) 2.3.2 Síntese documental (seleção de conceitos, condensação documental e representação documental)
3. Representação do conhecimento
3.1 Linguagens documentais (sistemas de classificação, listas de cabeçalhos de assunto e tesauros)
3.2 Produtos documentários (resumos, índice e catálogos web) (GUIMARÃES, 2001, p.68-69).
Guimarães (2001, p. 68) explica que esta estrutura possui 3 núcleos básicos:
− Fundamentos de organização e representação do conhecimento: estudo da inserção da área no universo do conhecimento, com ênfase nas disciplinas que lhe são de interface; − Organização do conhecimento: estudo da base científica da área (princípios teóricos e
metodologias);
− Representação do conhecimento: estudo dos instrumentos (ferramentas) ou produtos da área.
c) estrutura de organização das comunicações orais de trabalhos apresentados no Grupo de Trabalho 2 – Organização e Representação do Conhecimento (GT2) no VIII ENANCIB (RELATÓRIO GT2, 2007). Nesta edição do ENANCIB, realizado em Salvador, o GT2 realizou uma distribuição de suas comunicações orais de trabalhos aprovados em três sessões, denominadas por três temas da área de Organização e Representação do Conhecimento, demonstrando uma classificação importante das pesquisas, que merece ser destacada porque é uma primeira estrutura de divisão de assuntos do GT2:
Linguagens e perspectivas de organização da informação: ontologias, taxonomias e aplicações tecnológicas: nesta sessão foi comunicada a maior parte dos trabalhos aprovados que trataram: do aspecto sistêmico de sistemas de recuperação de informação considerando usuários, vocabulários, políticas de indexação e softwares utilizados; de questões importantes inerentes à indexação automática realizada no âmbito da Ciência da Informação; discussões teórico-metodológicas para padronização de instrumentos terminológicos, tais como taxonomias e ontologias; do estudo de protótipos para a organização do conhecimento na web;
Questões contextuais e dimensão social da área: memória e patrimônio – os ambientes de arquivos, museus e bibliotecas estavam presentes nessa sessão, cujos trabalhos apresentaram: o envolvimento de questões de patrimônio, memória, história das cidades, documentos visuais, organização do conhecimento e de informações, explosão documental e informacional, informática, digitalização e ambiente virtual; demonstrando, nesta ponte entre o passado (patrimônio) e o presente/futuro (o digital), e em sua abrangência a sua grande importância nas discussões da Ciência da Informação (RELATÓRIO GT2, 2007).
Com a comparação das três sistematizações, obtemos o Quadro 1, adotando o princípio de divisão do esquema de Guimarães (2001) na primeira coluna para distribuir o conteúdo do esquema de Dahlberg (1993) na segunda coluna, de Guimarães (2001) na terceira coluna e do GT2 na quarta coluna, observando-se que em cada uma das três divisões existem subdivisões que somam, ao todo, as cinco facetas relativas à epistemologia, às dimensões interdisciplinares, à construção de instrumentos de ORC, aos processos documentários e aos produtos documentários:
Esquemas de Sistematização da área de ORC
______________________ Divisões
Sistema de classificação para Knowledge Organization Literature (DAHLBERG, 1993)
Estrutura de conteúdos didáticos da área de ORC no Brasil (GUIMARÃES, 2001)
Estrutura de organização das comunicações orais
de trabalhos
apresentados no GT2 FUNDAMENTOS
TEÓRICOS E DIMENSÕES
INTERDISCIPLINARES DE ORC
(Epistemologia de ORC e
interdisciplinaridades)
1. Fundamentos teóricos e problemas gerais de Organização do conhecimento.
1. Fundamentos de organização e representação do conhecimento
1.1 Teoria da comunicação (processos comunicativos) 1.2 Bases cognitivas do comportamento humano (processos de aquisição do conhecimento)
1.3 Fundamentos da lingüística e terminologia (relação
pensamento/linguagem, questões semânticas, sintáticas e conceituais da área)
1.4 Conhecimento social e epistemologia do
conhecimento (aspectos culturais envolvidos no processo)
1.5 Ciência e método científico
1.6 Fundamentos de lógica 1.7 Fundamentos de
1. Fundamentos teóricos e dimensões
interdisciplinares da
organização e
inteligência artificial ORGANIZAÇÃO DO CONHECIMENTO (Construção de Instrumentos de organização do
conhecimento e processos de organização do
conhecimento)
2. Sistemas de
Classificação e Tesauros, estrutura e construção 3. Metodologia de classificação e indexação 4. Sistemas de
Classificação Universais 5. Sistemas de
classificação orientados à objetos (Taxonomias) 6. Sistemas de
classificação de assuntos específicos
2. Organização do conhecimento
2.1 Teoria da classificação 2.2 Teoria da recuperação da informação (ciclo informacional) 2.3 Processos documentários
2.3.1 Análise documental (leitura documental e identificação de conceitos) 2.3.2 Síntese documental (seleção de conceitos, condensação documental e representação documental)
2. Linguagens e perspectivas de organização da informação: ontologias, taxonomias e aplicações tecnológicas
REPRESENTAÇÃO DO
CONHECIMENTO (aplicação dos instrumentos e produtos documentários)
7. Representação do conhecimento por Linguagens e Terminologia 8. Indexação e Classificação aplicadas 9. Ambiente da Organização do Conhecimento
3. Representação do conhecimento 3.1 Linguagens
documentais (sistemas de classificação, listas de cabeçalhos de assunto e tesauros)
3.2 Produtos documentários (resumos, índice e
catálogos web).
3. Questões contextuais e dimensão social da área: memória e patrimônio
Quadro 1: sistematização da área de ORC
Neste Quadro, observam-se pelo esquema de divisões 3X3 do Systematifier, do esquema de Guimarães e do esquema de organização do GT2, três divisões básicas:
− Fundamentos teóricos e dimensões interdisciplinares de Organização e Representação do conhecimento;
− Organização do Conhecimento; e − Representação do Conhecimento.
O conteúdo de cada divisão será composto pela somatória dos conteúdos dos esquemas de Dahlberg (1993), Guimarães (2001) e do GT2 (RELATÓRIO 2007) apresentados, respectivamente, nos itens a), b) e c). Dessa forma, podemos visualizar os seguintes conteúdos para cada divisão nos Quadros 2, 3, e 4:
Fundamentos teóricos e dimensões interdisciplinares de Organização e Representação do conhecimento
Estudo da inserção da área no universo do conhecimento, com ênfase nas disciplinas que lhe são de interface (GUIMARÃES, 2001).
Conteúdos:
Dahlberg (1993)
Ordenação e Organização do conhecimento, Conceptologia em Organização do Conhecimento, Matemática e Organização do Conhecimento, Teoria de sistemas e Organização do conhecimento, Psicologia e OC, Ciência e OC, Problemas em OC, Pesquisa da classificação, História da Organização do conhecimento;
Guimarães (2001)
Teoria da comunicação (processos comunicativos)
Bases cognitivas do comportamento humano (processos de aquisição do conhecimento)
Fundamentos da lingüística e terminologia (relação pensamento/linguagem, questões semânticas, sintáticas e conceituais da área)
Conhecimento social e epistemologia do conhecimento (aspectos culturais envolvidos no processo) Ciência e método científico
Fundamentos de lógica
Fundamentos de inteligência artificial
GT2 (RELATÓRIO, 2007)
Bases teóricas da área e de sua aplicabilidade a contextos de política científica, de acesso à informação e, principalmente, das dimensões interdisciplinares que a permeiam.
Quadro 2: conteúdo da Divisão de Fundamentos teóricos e dimensões interdisciplinares de Organização e
Representação do Conhecimento
Organização do conhecimento
Estudo da base científica da área (princípios teóricos e metodologias) (GUIMARÃES, 2001) Conteúdos:
Dahlberg (1993)
- Estruturas e elementos de Sistemas de Classificação e Tesauros (SC&T), Construção de SC&T, Relações entre conceitos, Taxonomias, Notações e códigos, Manutenção, atualização e armazenagem de SC&T, Compatibilidade e concordância entre linguagens de indexação; Avaliação de sistemas de classificação e tesauros
- Teoria de Classificação e Indexação, Análise de assunto, Técnicas de classificação e indexação, Classificação e Indexação automática, Ordenação manual e automática, Geração de índices e programas, reclassificação, avaliação de classificação e indexação; Codificação e Decodificação
- Dewey Decimal Classification, Library of Congress Classification, Library of Congress Subject Headings, Colon
Classification, Outros Sistemas Universais de Classificação e Tesauros;
- Sistemas de classificação orientados à objetos (Taxonomias) nas diferentes áreas de conhecimento; - Sistemas de classificação de assuntos específicos – Classificações e Tesauros de assuntos específicos
Guimarães (2001)
Teoria da classificação
Teoria da recuperação da informação (ciclo informacional) Processos documentários
Análise documental (leitura documental e identificação de conceitos)
Síntese documental (seleção de conceitos, condensação documental e representação documental)
GT2 (RELATÓRIO, 2007)
Aspecto sistêmico de sistemas de recuperação de informação considerando usuários, vocabulários, políticas de indexação e softwares utilizados; de questões importantes inerentes à indexação automática realizada no âmbito da Ciência da Informação; discussões teórico-metodológicas para padronização de instrumentos terminológicos, tais como taxonomias e ontologias; do estudo de protótipos para a organização do conhecimento na web.
Representação do conhecimento
Estudo dos instrumentos (ferramentas) ou produtos da área (GUIMARÃES, 2001). Conteúdos:
Dahlberg (1993)
- Problemas gerais de linguagem natural em relação à Organização do conhecimento, semântica, processamento automático da linguagem, sistemas de recuperação on-line e tecnologias, problemas de terminologia, de gramática, de léxicos/dicionários, sistemas multilíngües e de traduções, Trabalho de Terminologia orientada ao assunto;
- Problemas gerais, catálogos, Diretrizes, Regras, Índices, indexação e classificação de dados, títulos, literatura primária, de livros, literatura secundária, materiais especiais ou não livros e de assuntos específicos;
- Organização profissional e espacial (nível nacional e internacional), bem como itens de educação e treinamento, legislação, econômicos, uso de serviços, controle bibliográfico, normalização no trabalho de Organização do Conhecimento, estudos de usuários etc.
Guimarães (2001)
Linguagens documentais (sistemas de classificação, listas de cabeçalhos de assunto e tesauros) Produtos documentários (resumos, índice e catálogos web).
GT2 (RELATÓRIO, 2007)
Ambientes de arquivos, museus e bibliotecas; o envolvimento de questões de patrimônio, memória, história das cidades, documentos visuais, organização do conhecimento e de informações, explosão documental e informacional, informática, digitalização e ambiente virtual; demonstrando, nesta ponte entre o passado (patrimônio) e o presente/futuro (o digital), e em sua abrangência a sua grande importância nas discussões da Ciência da Informação.
Quadro 4: conteúdo da Divisão de Representação do Conhecimento
Com as 3 divisões e o conteúdo de cada uma foi possível a análise temática e classificação dos trabalhos apresentados nas três últimas edições do ENANCIB.
3 A Organização e Representação do conhecimento no GT-2 do ENANCIB no período de 2005 a 2007
O Encontro Nacional de Pesquisa em Ciência da Informação (ENANCIB) foi realizado no Brasil de 1994 a 2007, em oito edições, com promoção da Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Ciência da Informação (ANCIB) e organizado por seus associados, os Programas de Pós-Graduação em Ciência da Informação do Brasil, nos anos de 1994 da UFMG, 1995 da PUCCAMP, 1997 do IBICT/MCT-ECO/UFRJ, 2000 da UNB, 2003 da UFMG, 2005 da UFSC, 2006 da UNESP/Marília e 2007 da UFBA (MARTELETO, GINEZ DE LARA, 2008).
Os Programas de Pós-Graduação em Ciência da Informação considerados no período de 2005 a 2007 são vinculados, respectivamente, às seguintes Universidades e Institutos de Pesquisa: IBICT/UFF, PUCCAMP, UFBA, UFMG, UFPB, UFRGS, UFSC, UnB, UNESP/Marília, UNIRIO, USP/ECA. (Disponível em: http://marula.ibict.br/ancib).3
No espírito de uma reunião científica são apresentados e discutidos trabalhos de pesquisa gerados nos Programas de Pós-Graduação em Ciência da Informação em temas, cujos âmbitos teóricos e metodológicos se organizam em Grupos de Trabalho da ANCIB. No decorrer de sua trajetória e das reflexões conjuntas realizadas durante os ENANCIBs, os Grupos de Trabalho foram definindo suas delimitações temáticas que refletiram na consolidação da área de Ciência da Informação como geradora de conhecimento, uma vez que o desenvolvimento das pesquisas e
a discussão gerada no entorno dos Grupos de Trabalhos propiciava a visão de cada tema com distinções cada vez mais claras.
A oitava edição do ENANCIB, realizada em Salvador, apresentou a organização dos Grupos de Trabalho em sete temas: Estudos Históricos e Epistemológicos da Informação (GT 1); Organização e Representação do Conhecimento (GT 2); Mediação, Circulação e Uso da Informação (GT 3); Gestão da Informação e do Conhecimento nas Organizações (GT 4); Política e Economia da Informação (GT 5); Informação, Educação e Trabalho (GT 6); Produção e Comunicação da Informação em CT&I (GT 7).
A temática Organização e Representação do Conhecimento do GT 2 da ANCIB e dos Programas de Pós-Graduação em Ciência da Informação está delimitada em sua ementa:
Teorias, metodologias e práticas relacionadas à organização e preservação de documentos e da informação, enquanto conhecimento registrado e socializado, em ambiências informacionais tais como: arquivos, museus, bibliotecas e congêneres. Compreende, também, os estudos relacionados aos processos, produtos e instrumentos de representação do conhecimento (aqui incluindo o uso das tecnologias da informação) e as relações inter e transdisciplinares neles verificadas, além de aspectos relacionados às políticas de organização e preservação da memória institucional. (Disponível em: http://marula.ibict.br/ancib)
No que se refere às edições do ENANCIB de 2005, 2006 e 2007, o GT 2 foi coordenado por pesquisadores de reconhecida competência no âmbito de sua temática. No VI ENANCIB, realizado em Florianópolis em 2005 com organização da UFSC, o GT 2 foi coordenado pelo Prof. Dr. José Augusto Chaves Guimarães da UNESP/Marília, no VII ENANCIB, realizado em Marília em 2006 pela UNESP/Marília e no VIII ENANCIB, realizado em Salvador em 2007 pela UFBA, foi coordenado pela Profa. Dra. Rosali Fernandez de Souza do IBICT.
Conforme relatórios de 2005 (GUIMARÃES), 2006 (SOUZA) e 2007 (SOUZA) produzidos pelo GT 2, foram submetidos, aprovados e efetivamente comunicados trabalhos de pesquisa com a seguinte distribuição:
ENANCIB Trabalhos submetidos Trabalhos aprovados Trabalhos comunicados
2005 46 26 25
2006 43 23 21
2007 53 45 43
Total 142 94 90
Quadro 5: submissão, aprovação e apresentação de trabalhos GT 2
ao mesmo tempo, garantir a comunicação de um maior número de trabalhos. O relatório 2007 recomenda revisão para a dinâmica de pôster no que se refere aos métodos de exposição e comunicação com o objetivo de obter integração efetiva entre participantes do evento no âmbito do GT 2 e dos demais Grupos de Trabalho.
Para análise de definição temática da Organização e Representação do Conhecimento, enquanto área de pesquisa em Ciência da Informação, utilizaremos o conjunto de 94 trabalhos aprovados pelo Grupo de Trabalho 2 da ANCIB nas edições de 2005, 2006 e 2007 do ENANCIB realizado, respectivamente, em Florianópolis, Marília e Salvador.
A análise desse conjunto de 94 trabalhos será dividida em:
− Temática: para identificar as linhas de pesquisa da área de Organização e Representação do Conhecimento a partir de sistematização baseada em literatura com propostas de estruturas temáticas em ORC;
− Interna e de estrutura: para obter aspectos relacionados a abordagens teóricas e metodologia;
− Formal: cobrindo aspectos de autoria, vinculação acadêmica, formação acadêmica e de referências de fontes de informação;
Para visualização dos dados serão utilizadas tabelas e as análises em texto. O objetivo da análise é ter uma definição temática da área de ORC considerando-se os elementos fundamentais da geração do conhecimento: os pesquisadores e o desenvolvimento de suas pesquisas.
3.1 Análise temática de linhas de pesquisa da área de Organização e Representação do Conhecimento (ORC)
Esquema de Sistematização da área de ORC: divisões 2005 2006 2007 TOTAL
FUNDAMENTOS TEÓRICOS E DIMENSÕES
INTERDISCIPLINARES DE ORC 4 7 9 (21,3%) 20
ORGANIZAÇÃO DO CONHECIMENTO 20 12 19 51
(54,25%)
REPRESENTAÇÃO DO CONHECIMENTO 2 4 17 23
(24,46%)
TOTAL 26 23 45 94
Quadro 6: divisão Geral dos trabalhos
Essa divisão geral dos trabalhos, no Quadro 6, demonstra que a divisão de Organização do Conhecimento tem a maioria dos trabalhos nas três edições do ENANCIB e que as outras duas divisões se equivalem quanto à quantidade de trabalhos. Em uma análise dos temas de cada trabalho dentro dessa divisão Geral, é possível ter um detalhamento das temáticas do GT2 em cada divisão. Para alcançar o detalhamento de cada divisão, como demonstrado nos Quadros 7, 8 e 9 foi necessário utilizar os Quadros 2, 3 e 4 para determinar o tema pertinente ao conteúdo de cada trabalho. A determinação do tema, em muitos casos, demandou especificidade, que foi alcançada em consulta ao Sistema de Classificação para a Literatura de Organização do Conhecimento (Dahlberg, 1993).
Para a composição dos Quadros 7, 8, e 9 observaram-se as facetas de cada Divisão. Assim, no Quadro 7, da Divisão de Fundamentos teóricos e dimensões interdisciplinares, existem duas facetas que correspondem à epistemologia e outra a dimensões interdisciplinares; no Quadro 8, da Divisão de Organização do Conhecimento, as facetas de construção, estrutura e avaliação de instrumentos e a outra de processos; e no Quadro 9, a única faceta de produtos e sua aplicação.
Temas 2005 2006 2007 Total
Fundamentos Teóricos: epistemologia Conceptologia em Organização do Conhecimento: lógica
da representação do conhecimento 1 1
Conceptologia em Organização do Conhecimento: Teoria
do conceito, Categorias 3 3
Dimensões interdisciplinares
Conhecimento social e epistemologia do conhecimento
(aspectos culturais envolvidos no processo) 3 5 8
Dimensão Interdisciplinar de ORC: Fundamentos da lingüística e terminologia (relação pensamento/linguagem, questões semânticas, sintáticas e conceituais da área)
1 2 5 8
Total 4 7 9 20
Temas 2005 2006 2007 Total
Organização do conhecimento na construção, estrutura e avaliação de instrumentos
Análise comparada de tesauros 1 1
Avaliação de sistemas de classificação e tesauros em
áreas especializadas 1 1
Classificação Decimal de Dewey: avaliação 1 1
Classificação Decimal Universal: avaliação 1 1
Compatibilidade e concordância entre linguagens de
indexação 1 1
Compatibilidade e concordância entre sistemas de
classificação para áreas do conhecimento 2 1 3
Construção de sistemas de classificação baseada em
programas de computador 1 1
Construção de Tesauros 1 1
Construção de tesauros assistida por computador 1 1
Manutenção de tesauros assistida por computador 1 1
Metodologia para construção de Sistemas de classificação
de assuntos específicos 1 1 1 3
Metodologia para construção de Sistemas de classificação
e tesauros 1 1
Questões gerais de sistemas de classificação: Tipologia e
características de sistemas de classificação 1 1
Relações conceituais em campos de assuntos específicos 1 1 2 Sistemas de Classificação de assuntos específicos:
manutenção 1 1
Sistemas de classificação orientados ao objeto
(taxonomias) 5 5
Sub-Total 8 4 13 25
Organização do Conhecimento nos processos documentários
Teoria de Classificação e indexação 1 1 2
Análise documental (leitura documental e identificação de
conceitos) 4 1 1 6
Análise de assunto de tipos de documentos 2 2
Análise de assunto em campos específicos 1 1
Análise de assunto: análise do conhecimento 1 1
Análise de assunto: análise facetada 1 1
Análise de assunto: tematicidade 1 1
Análise de conteúdo: análise de texto de tipos de
documentos 1 1 2
Avaliação da indexação 1 1
Classificação e indexação automática 1 1
Classificação e indexação automática: indexação on-line 1 1
Classificação e indexação automática: método lingüístico 1 3 4
Classificação e indexação: codificação e decodificação 1 1
Indexação automática 1 1
Ordenação manual de arquivos de tipos de documentos 1 1
Sub-Total 12 8 6 26
Total 20 12 19 51
Quadro 8: definição temática da divisão de ORGANIZAÇÃO DO CONHECIMENTO
Problemas da linguagem natural em relação à organização
do conhecimento: semiótica 1 1
Classificação e Indexação de dados 1 1
Classificação e indexação de documentos especiais 3 3
Indexação aplicada à títulos de artigos 1 1
Controle bibliográfico: registros bibliográficos 1 1 2
Estudos de usuários: Necessidades de usuários em
indexação e classificação 1 1 2
Sistemas de recuperação on-line e tecnologias: catálogos
on-line 1 1 2
Sistemas de recuperação on-line e tecnologias: interfaces
de acesso on-line 1 1
Sistemas de Recuperação on-line e tecnologias:
programas para referência on-line 1 1
Sistemas de Recuperação on-line e tecnologias: sistemas
on-line especializados 5 5
Sistemas de Recuperação on-line: avaliação de técnicas
de recuperação on-line 2 1 3
Sistemas de Recuperação on-line: Sistemas dialógicos 1 1
Total 2 4 17 23
Quadro 9: definição temática da divisão de REPRESENTAÇÃO DO CONHECIMENTO
Pela análise temática observam-se aspectos que não são contemplados pelos esquemas, como é o caso da Dimensão interdisciplinar da Diplomática, do documento enquanto suporte de registro do conhecimento, das ontologias, atualização tecnológica referente à organização do conhecimento em repositórios digitais, bibliotecas virtuais etc. Dessa forma, os trabalhos sobre ontologias foram incluídos nos temas mais abrangentes referentes à “Sistema de Classificação e Tesauros: construção e estrutura”. Isso demonstra que o desenvolvimento científico dos trabalhos necessita de especificidade na análise de seus temas. De outra forma, é preciso pensar na pertinência dos temas relacionados a Museus e Arquivos que tratam da memória e do patrimônio, para que os pesquisadores dessas ambiências passem a participar do ENANCIB, a exemplo dos trabalhos apresentados em 2007, muito embora, as práticas e teorias de Organização e Representação do Conhecimento tenham sido formuladas na área de Biblioteconomia e Ciência da Informação. Essa interação seria proveitosa para um avanço interdisciplinar necessário entre as áreas.
e identificação de conceitos)”, os quais mantiveram apresentação de trabalhos durante os 3 anos. A necessidade de adaptação do esquema de classificação demonstra a necessidade da área de Organização e Representação do Conhecimento pensar na proposta de um esquema de classificação mais específico e atualizado que comporte os diversos aspectos da área.
3.2Análise interna e de estrutura dos trabalhos
A análise interna e de estrutura dos trabalhos teve como objetivo identificar, dentro das linhas de pesquisa da área de ORC nos ENANCIBs, aspectos relacionados a abordagens teóricas e metodologia. Para isso, verificamos em cada trabalho, do total de 94, as abordagens teóricas em item de fundamentação teórica e a metodologia no decorrer do desenvolvimento do trabalho. No decorrer da análise da fundamentação teórica de cada trabalho foi possível realizar um levantamento da literatura adotada em torno do marco teórico principal de cada trabalho e elaborar uma listagem dos autores, disponível em Apêndice, classificada nas três divisões do
Esquema de Sistematização da área de ORC proposto neste artigo. Nessa listagem alfabética,
constam autores brasileiros e estrangeiros da área de Organização e Representação do Conhecimento e de áreas interdisciplinares da Lingüística, Psicologia, Ciência da Computação, Terminologia, Diplomática e outras. A análise da listagem revela pertinência de determinados autores com os temas, como na linha de “Organização do conhecimento na construção, estrutura e avaliação de instrumentos” na qual estão, entre outros, os autores estrangeiros: Alan Gilchrist, Ingetraut Dahlberg, Derek Langridge, Vickery; e os autores brasileiros: Hagar Espanha Gomes, Maria Luiza Almeida Campos, Alice Príncipe Barbosa.
A análise das abordagens teóricas, realizada no item de fundamentação teórica de cada trabalho, revelou quantidade, qualidade e diversidade, como demonstra o Quadro 10, embora, nem todos os trabalhos tenham adotado, necessariamente, alguma abordagem. Por outro lado, alguns trabalhos adotaram mais de uma abordagem, como “Terminologia e Lingüística documentária”, “Abordagem cognitiva e sociocognitiva”. A quantidade e diversidade de abordagens demonstram a busca por fortalecimento teórico no desenvolvimento das pesquisas, bem como articulação científica com áreas afins. Por outro lado, alguns trabalhos apresentam abordagens específicas do desenvolvimento teórico da área de Organização e Representação do Conhecimento como a Teoria da Classificação, a Análise Facetada, Lingüística Documentária, entre outras, que demonstramos na divisão do Quadro 10.
Abordagem cognitiva e sociocognitiva Lingüística Documentária Abordagem de base lingüística Teoria do Conceito Abordagem semiótica. Teoria da Classificação
Terminologia e Lingüística Estruturalista. Abordagem logicista da Representação de Conhecimento Abordagem semântica. Perspectiva tecnicista (norte-americana) e perspectiva reflexiva
(européia)
Abordagem sociocognitiva Conceito de Linguagem Documentária, a partir das linhas francesa e brasileira.
Abordagem dialética materialista Análise de conteúdo
Abordagem sociológica de Mauss. Análise facetada na construção de ontologias Terminologia e Lingüística documentária Interfaces hipertextuais
Abordagem computacional Modelagem conceitual de sistemas de hipertextos Processamento de Linguagem Natural Processamento de Imagens e Ciência da Informação Teoria da Terminologia Análise de Domínio
Quadro 10: abordagens teóricas na área de ORC
Em trabalho sobre Organização do Conhecimento, Hjørland (2008) apresenta e discute os avanços teóricos a partir de uma classificação de abordagens teóricas de Organização do Conhecimento sugerida por Broughton, Hansson, Hjørland e Lopez-Huertas (2005) composta por: abordagem tradicional representada pelos sistemas de classificação usados em bibliotecas e bases de dados; abordagem analítico-facetada idealizada por Ranganathan e desenvolvida pelo Classification Research Group; abordagem tradicional de recuperação da informação concebida
na década de 50; abordagem orientada ao usuário e a perspectiva cognitiva que passaram a influenciar na década de 70; abordagem bibliométrica a partir da construção do Science Citation Index de Garfield; a abordagem de análise de domínio formulada a partir de 1994; e outras
abordagens (semiótica, crítica hermenêutica, análise de discurso e abordagem de gênero). Cada uma dessas abordagens desenvolve seus conhecimentos, métodos e técnicas.
A partir dessa proposta de classificação de abordagens teóricas em Organização do Conhecimento, observamos que os trabalhos apresentam quase todas as abordagens teóricas citadas, o que demonstra avanço e atualidade da área de ORC no Brasil.
Na metodologia de alguns trabalhos verificou-se a existência de métodos específicos da área de ORC tais como (Quadro 11): “Interfaces e formas gráficas de representação de organização de classes de conceitos e seus relacionamentos”, “Método de Kaiser”, “Rastreamento terminológico com análise da literatura”. Esses métodos específicos demonstram que a área de ORC no Brasil está investindo na criação e sistematização de seus próprios métodos, o que indica aumento de sua consolidação científica. É importante observar que todas as pesquisas indicaram procedimentos, técnicas e métodos. O conjunto das pesquisas apresenta diversidade de técnicas em função da natureza da pesquisa em cada tema, e todas as pesquisas possuem estudo teórico mediante revisão de literatura sobre o tema.
Classificação das pesquisas: Pesquisa experimental
Pesquisa hipotético-dedutiva Pesquisa qualitativa
Pesquisa quantitativa e exploratória Pesquisa teórica
Procedimentos das pesquisas: Levantamento bibliográfico Análise documental
Análise e discussão dos pressupostos teóricos e conceituais mediante revisão de literatura
Avaliação heurística Revisão bibliográfica
Revisão de literatura e discussão teórica
Técnicas de coleta de dados: Entrevista Questionário
Métodos e técnicas de pesquisa: Corpus metodológico exploratório Elaboração de modelo teórico-prático Estudo de caso
Estudo teórico Grupo focal. Modelo teórico Protocolo verbal
Métodos específicos: Construção de mapa conceitual
Interfaces e formas gráficas de representação de organização de classes de conceitos e seus relacionamentos.
Levantamento ou mapeamento teórico-conceitual Método de categorização
Método de Kaiser Método diplomático. Método grounded theory,
Metodologia de indexação automática. Modelagem conceitual
Modelagem domínio-ontológico Modelo de Biblioteca Digital Scorm
Organização de classes de conceitos e seus relacionamentos Rastreamento terminológico com análise de literatura. Sistematização dos descritores
Quadro 11: metodologia das pesquisas da área de ORC
3.3 Análise formal
Na análise formal foram considerados os elementos essenciais que identificam os pesquisadores e suas pesquisas: a autoria e a vinculação acadêmica, bem como uma análise da literatura referenciada. A autoria será analisada em função da vinculação acadêmica no sentido de identificar a condição dos pesquisadores enquanto alunos ou orientadores dos Programas de Pós-Graduação em Ciência da Informação e analisar a situação de colaboração científica no contexto de sua produção. Por outro lado, a análise das fontes utilizadas para o desenvolvimento das pesquisas terá um caráter quantitativo, na medida em que pretende indicar a tipologia e a origem documentária pela língua original.
Considerando os 94 trabalhos aprovados, a distribuição de autores nos três anos demonstra crescimento de pesquisadores na área de ORC, uma vez que em 2005 houve 26 trabalhos aprovados com 36 autores, em 2006, 23 trabalhos com 35 autores e em 2007, 45 trabalhos com 77 autores. A relação quantitativa entre trabalhos e autores é de 1,38% em 2005, 1,52% em 2006 e 1,71% em 2007 conforme Quadro 12:
ENANCIB Trabalhos aprovados Autores Relação quantitativa
2005 26 36 1,38%
2006 23 35 1,52%
2007 45 77 1,71%
Total 94 148 1,57%
Quadro 12: distribuição de autores por trabalhos aprovados
A relação quantitativa indica um aumento da colaboração científica entre os pesquisadores em suas pesquisas. Entretanto, examina-se que os trabalhos não tiveram uma distribuição de co-autorias uniforme, pois trabalhos apresentam dois, três e mais de três autores, como indica o Quadro 13:
Autoria 2005 2006 2007 Total
1 autor 13 7 15 35
2 autores 9 12 23 44
3 autores 4 4 3 11
mais de 3 autores 0 0 4 4
Total de trabalhos 26 23 45 94
Quadro 13: autoria em trabalhos apresentados
Os 3 trabalhos com mais de 3 autores, presentes no ENANCIB de Salvador, demonstram a atuação de grupos de pesquisa dentro de três Programas de Pós-Graduação em Ciência da Informação, o do IBICT/UFF, da UFBA e o da UFPb. Segundo consta no Relatório do GT 2 de 2007, os três trabalhos foram aprovados para comunicação em forma de pôster. Além dos autores que são orientadores e alunos dos referidos Programas, identificam-se outros profissionais integrantes do grupo que desenvolve a pesquisa.
Na colaboração científica entre pesquisadores experientes de diferentes instituições busca-se alcançar consolidação teórica e metodológica, visibilidade científica e fortalecimento da área. A colaboração que se estabelece entre orientador e orientando nas co-autorias visa alcançar orientação quanto à autonomia intelectual que busque a parceria em pesquisa para troca de experiência.
A colaboração científica é compreendida nesta análise pela co-autoria e pela vinculação acadêmica, principalmente, dos Programas de Pós-Graduação em Ciência da Informação, considerando-se a consistência existente entre as pesquisas em andamento e publicações.
Nesse sentido, a vinculação acadêmica dos autores demonstra que a maioria dos trabalhos (88%) aprovados nas três edições do ENANCIB é resultado da produção científica dos Programas de Pós-Graduação em Ciência da Informação, conforme Quadro 14.
Vinculação 2005 2006 2007 TOTAL
PPGCI 25 19 39 83
Universidades Estrangeiras
- 2 1 3
Outras Instituições do Brasil sem PPGCI
1 2 5 8
TOTAL 26 23 45 94
Quadro 14: vinculação acadêmica dos autores
A análise de colaboração científica, realizada com 53 trabalhos de co-autoria dos PPGCI com 2, 3 e mais de 3 autores revelou que os docentes dos PPGCI têm maior produção científica em colaboração com seus orientandos (67,92%), porém, verifica-se a colaboração com: docentes de um mesmo PPGCI, docentes de diferentes PPGCI, docentes e alunos de um mesmo PPGCI, pesquisadores da mesma universidade e pesquisadores docentes de outras universidades brasileiras, conforme Quadro 15. É interessante observar que é quase inexistente a colaboração científica entre docentes de um mesmo PPGCI nos trabalhos analisados.
CATEGORIAS 2005 2006 2007 Total
Docentes de PPGCI de diferentes instituições
0 2 1 3
Docentes de PPGCI de uma mesma instituição
0 1 0 1
Orientador e orientando de PPGCI
10 3 23 36
Orientador e orientando de PPGCI e pesquisador estrangeiro
0 1 0 1
Pesquisadores de diferentes instituições e de PPGCI
1 2 4 7
discente de graduação Docente de PPGCI, discentes de PPGCI e discentes de graduação
0 0 1 1
Discentes de PPGCI de diferentes instituições
1 1 0 2
Total 13 10 30 53
Quadro 15: colaboração científica em trabalhos de co-autoria de docentes e discentes de PPGCI
3.3.2 Análise da literatura referenciada
Com a literatura referenciada ao final dos 94 trabalhos das três edições do ENANCIB obteve-se um total de 1976 referências, dentre as quais, 399 são repetições que variaram de 2 a 5 vezes. A análise da literatura referenciada foi realizada com objetivo formal de observar a tipologia documentária utilizada e a origem documentária pela língua original. Os tipos documentários identificados na literatura referenciada correspondem a livros, capítulos de livros, artigos de periódicos impressos, dissertações e teses, obras de referência (dicionários, glossários, enciclopédias, vocabulários técnicos), textos da internet e textos de outras categorias (guias, normas, diretrizes, legislação, relatórios técnicos). No quadro 16 observa-se que artigos de periódicos impressos e livros correspondem a mais de 50% de toda a literatura referenciada nos 94 trabalhos.
.
Tipologia documentária da literatura referenciada Quantidade Repetições Total
1. Textos de outras categorias 92 9 101 (5,11%)
2. Textos da internet 223 41 264 (13,36%)
3. Obras de Referências 48 2 50 (2,53%)
4. Livros 385 123 508 (25,7%)
5. Documentos de eventos 151 1 152 (7,7%)
6. Dissertações e teses 87 50 137 (6,93%)
7. Capítulos de livros 144 33 177 (9%)
8. Artigos de periódicos impressos 447 140 587 (29,7%)
Total 1577 399 1976
Quadro 16: bibliografia citada por tipos documentários
Essa literatura referenciada contém, aproximadamente, 49,72% dos trabalhos em português, 38,7% em inglês, 6,75% em espanhol e 4,9% em francês.
4 Considerações finais
da elaboração de métodos específicos, instrumentos, processos e produtos específicos que compõem sua natureza científica. Ao realizarmos uma análise das tendências do desenvolvimento científico na série histórica de 2005 a 2007, acabamos por constatar abordagens teóricas, métodos e instrumentos específicos. Além disso, estão vinculados ao desenvolvimento de pesquisas em ORC, pesquisadores de todos os Programas de Pós-Graduação em Ciência da Informação do Brasil.
A proposta de definição temática perseguida por este estudo, ao mesmo tempo em que esclarece, também levanta dúvidas, pois são muitos temas cujos conteúdos necessitam do apoio de investigação terminológica. Essa perspectiva é bastante oportuna nessa fase de vigor científico que atravessamos. Consideramos estratégico recomendar à comunidade científica direcionar o desenvolvimento de pesquisas sobre o domínio da área no que se refere à sua terminologia e à sua sistematização com o objetivo de alcance de visibilidade científica. Nesse sentido, é preciso trabalhar com nossos próprios métodos, processos, instrumentos e o conhecimento da área de como organizar o conhecimento.
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