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APOSTILA MICROBIOLOGIA E PARASITOLOGIA

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Academic year: 2022

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APOSTILA

MICROBIOLOGIA E PARASITOLOGIA

ÁGUAS LINDAS – GO 2018

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HISTÓRIA DA MICROBIOLOGIA

Os microrganismos ou micróbios foram descritos pela primeira vez pelo microscopista holandês Anton van Leeuwenhoek no período compreendido entre 1670 a 1680. No entanto, permaneceram na obscuridade ou como meras curiosidades até meados do século XIX, quando Louis Pasteur considerado o Pai da Microbiologia, e Robert Koch através de experimentos elegantes e clássicos deram à microbiologia a importância devida, fundando-a como ciência e disciplina. As contribuições de Pasteur vão desde a distribuição dos microrganismos no ambiente, os meios para controlá-los, a refutação da teoria da geração espontânea, o desenvolvimento das teorias microbianas das fermentações e doenças, ao desenvolvimento de vacinas efetivas para controle de doenças animais e a raiva humana.

Acredita-se que os microrganismos (organismos pequenos só visíveis com o auxílio de lentes) apareceram na terra há bilhões de anos a partir de um material complexo de águas oceânicas ou de nuvens que circulavam a terra.

Os microrganismos são antigos, porém a microbiologia como ciência é jovem, uma vez que os microrganismos foram evidenciados há 300 anos e só foram estudados e compreendidos 200 anos depois.

Quem foi Louis Pasteur?

Louis Pasteur (1822 – 1895) era um químico francês bastante respeitado na época por seus inúmeros trabalhos científicos, dedicou seus consideráveis talentos ao estudo dos microrganismos. Interessou-se pela indústria de vinhos franceses e pela função dos microrganismos na produção de álcool.

Este interesse incentivou-o a continuar o debate sobre a origem dos microrganismos, uma vez que ainda persistiam alguns defensores da geração espontânea ou abiogênese, a exemplo do naturalista francês Félix Archiméde Pouchet (1800 – 1872). Pasteur fez uma série de experimentos definitivos. Um dos principais processos foi o uso de frascos de colo longo e curvado, semelhante ao pescoço de cisnes, que foram preenchidos com caldo nutritivo e aquecidos. O ar podia passar livremente através dos frascos abertos, mas nenhum microrganismo surgiu na solução. A poeira e os microrganismos depositavam-se na área sinuosa em forma de V do tubo e, portanto, não atingiam o caldo. Seus resultados foram comunicados com entusiasmo na Universidade de Sorbonna, em Paris, em 7 de abril de 1864.

Também, essas contribuições deram o impulso inicial para que pesquisadores como Lister, desenvolvessem as práticas da cirurgia antisséptica, a

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quimioterapia por Ehrlich, e o desenvolvimento da Imunologia (Metchnikoff e Ehrlich) e da virologia.

OS SERES VIVOS

Os seres vivos são constituídos de unidades microscópicas chamadas de células que formam, em conjunto, estruturas organizadas. As células são compostas de núcleo e citoplasma. Quando o núcleo celular é circundado por uma membrana nuclear ou carioteca, os organismos que as possuem são chamados de eucarióticos, os que não possuem células com carioteca são os procarióticos a exemplo das bactérias.

Baseado na maneira pela qual os organismos obtêm alimentos, Robert H.

Whittaker classificou os organismos vivos em 5 reinos: reino Monera, reino Protista, reino Plantae, reino Animalia e reino Fungi. Os microrganismos pertencem a três dos cinco reinos: as bactérias são do reino Monera, os protozoários e algas microscópicas são Protistas e os fungos microscópicos como leveduras e bolores pertencem ao reino Fungi.

CLASSIFICAÇÃO DAS CELULAS

As células são classificadas em procariontes e eucariontes (do grego pro, primeiro; eu, verdadeiro, e karyon, noz, núcleo). Os procariontes surgiram muito antes dos eucariontes. Há datação de fósseis de procariontes de três bilhões de anos. Os eucariontes apareceram provavelmente há um bilhão de anos.

Os procariontes são as células que não possuem envoltório nuclear delimitando o material genético. Não possuem também organelas membranosas e citoesqueleto, de modo que não ocorre o transporte de vesículas envolvidas na entrada (endocitose) e na saída (exocitose) de substâncias. É o caso das bactérias e das algas azuis.

Esquema do microscópio construído por Robert Hooke e um esquema de um fungo observado por este pesquisador. (Adaptado de Tortora et al., Microbiology - 8 ed).

Réplica do microscópio construído por Leeuwenhoek e de suas ilustrações, descrevendo os "animálculos" observados.

(Adaptado do livro Brock Biology of Microorganisms, 10 Ed., 2003).

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As células eucariontes possuem envoltório nuclear, formando um núcleo verdadeiro, o que protege o DNA do movimento do citoesqueleto. O citoplasma dos eucariontes, diferente daquele dos procariontes, é subdividido em compartimentos, aumentando a eficiência metabólica, o que permite que atinjam maior tamanho sem prejuízo das suas funções. Essas células são encontradas nos protozoários, fungos, plantas e animais.

INTRODUÇÃO Á MICROBIOLOGIA

Microbiologia: Mikros (= pequeno) + Bio (= vida) + logos (= ciência) A Microbiologia é classicamente definida como a área da ciência que dedica-se ao estudo de organismos que somente podem ser visualizados ao microscópio. Com base neste conceito, a microbiologia aborda um vasto e diverso grupo de organismos unicelulares de dimensões reduzidas, que podem ser encontrados como células isoladas ou agrupados em diferentes arranjos. Assim, a microbiologia envolve o estudo de organismos procarióticos (bactérias, archaeas), eucarióticos (algas, protozoários, fungos) e também seres acelulares (vírus).

BACTÉRIA FUNGOS FUNGOS

VÍRUS ALGAS PROTOZOÁRIOS

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RELAÇÃO ENTRE SERES VIVOS

Os seres vivos possuem características e propriedades que os diferenciam dos seres não vivos, também chamados inorgânicos. Dentre elas podemos apontar como mais importantes: organização celular, ciclo vital, capacidade de nutrição, crescimento e reprodução, sensibilidade e irritabilidade, composição química mais complexa, dentre outras.

ORGANIZAÇÃO CELULAR

Existem seres vivos de tamanhos e formas muito variadas. Mas somente os seres vivos, com exceção dos vírus, são formados por unidades fundamentais denominadas células - tão pequeninas que não são vistas a olho nu, mas através do microscópio.

Os organismos formados por uma só célula são chamados unicelulares, tais como as amebas, giárdias e bactérias, também conhecidos como microrganismos. Concentram numa só célula todas as suas funções; assim, uma ameba é uma só célula e ao mesmo tempo um ser completo, capaz de promover sua nutrição, crescimento e reprodução. Porém, a maioria dos seres vivos são formados por milhares de células, motivo pelo qual são denominados pluricelulares ou multicelulares, como as plantas e os animais.

Ciclo Vital

A maioria dos organismos vivos nasce, alimentam-se, crescem, desenvolvem- se, reproduzem-se e morrem – o que denominamos como ciclo vital.

Nutrição

Os alimentos são considerados os combustíveis da vida. Através deles os seres vivos conseguem energia para a realização de todas as funções vitais.

Quanto à obtenção de alimentos, podemos separar os seres vivos em dois grupos:

 Aqueles que sintetizam seus próprios alimentos, também conhecidos como autótrofos- caso das plantas e algas cianofíceas;

Inorgânicos (i = não; orgânico = organismo) - substâncias não exclusivas dos seres vivos, também encontradas nos seres brutos ou inanimados.

Microscópio - instrumento formado por um sistema de lentes e uma fonte de luz, capaz de aumentar a imagem de um objeto cerca de 1 500 vezes, sem prejudicar sua nitidez.

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 Aqueles incapazes de produzir seus próprios alimentos, como os animais que se alimentam de plantas ou de outros animais, chamados de heterótrofos.

REPRODUÇÃO

Existem basicamente dois tipos de reprodução: sexuada e assexuada. A reprodução sexuada é a que ocorre com o homem, pela participação de células especiais conhecidas por gametas. O gameta masculino dos seres vivos de uma mesma espécie funde-se com o feminino – fecundação –, dando origem a um novo ser a eles semelhante.

Os gametas podem vir de dois indivíduos de sexos distintos, como o homem e a mulher, ou de um ser ao mesmo tempo masculino e feminino, o chamado hermafrodita, ou seja, o que possui os dois sexos – isto ocorre com a minhoca e com um dos parasitos do intestino humano, a Taenia sp, que causa a teníase e é popularmente conhecida como solitária.

A reprodução assexuada é a forma mais simples de reprodução; nela, não há participação de gametas nem fecundação. Nesse caso, o próprio corpo do indivíduo, ou parte dele, como acontece com determinadas plantas, divide-se dando origem a novos seres idênticos – esse fenômeno ocorre com os parasitos responsáveis pela leishmaniose e doença de Chagas, por exemplo.

Sensibilidade e Irritabilidade

A capacidade de reagir de diferentes maneiras a um mesmo tipo de estímulo é chamada de sensibilidade. Só os animais apresentam essa característica, porque possuem sistema nervoso. A irritabilidade, por sua vez, é própria de todos os seres vivos. Caracteriza sua capacidade de responder ou reagir a estímulos ou a modificações do ambiente, tais como luz, temperatura, força da gravidade, pressão, etc.

Necessidades básicas para a sobrevivência e perpetuação dos seres vivos

Os seres vivos estão sempre buscando a sobrevivência e perpetuação ou manutenção de suas espécies. Para tanto, precisam de energia, obtida principalmente através da respiração celular. Necessitam, também, de alimentos, oxigênio, água e condições ambientais ideais, tais como temperatura, umidade, clima, luz solar.

Autótrofos - auto = próprio, dele mesmo; trofos = alimento.

Heterótrofos - hetero = diferente.

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Sobretudo, precisam estar bem adaptados e protegidos no ambiente em que vivem. Isto significa a possibilidade de, no mínimo, obter alimentos suficientes para crescerem e se reproduzirem.

Mas será que só isso basta?

O essencial é que tenham alimentos, água e ar de boa qualidade.

Preferencialmente, sem contaminação ou poluição.

As plantas, através do processo de fotossíntese, sintetizam seus próprios alimentos a partir da água, gás carbônico e energia solar. Elas não precisam alimentar-se de outros seres vivos e são consideradas elementos produtores na cadeia alimentar, pois produzem compostos orgânicos, ricos em energia.

Denominamos como cadeia alimentar a sequência em que um organismo serve de alimento para outro: por exemplo, as gramíneas no pasto servem de alimento para os bovinos; e estes, para o homem.

Na cadeia alimentar, os animais que se alimentam de plantas são chamados de herbívoros e considerados consumidores primários; os que se alimentam de animais herbívoros são os carnívoros ou consumidores secundários. E assim por diante.

Finalmente, existem os decompositores - os fungos e as bactérias -, que atacam os animais e as plantas mortas, fazendo retornar à natureza os compostos simples orgânicos e inorgânicos. Esses organismos fixam o nitrogênio atmosférico e formam compostos capazes de ser assimilados pelos vegetais.

Viram como as plantas já não podem mais ser consideradas seres produtores completos ou verdadeiros?

Assim, concluímos que nem mesmo as plantas conseguem viver sozinhas, pois necessitam da presença de compostos nitrogenados no ambiente, que são elaborados pelos microrganismos decompositores.

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Esses seres que não conseguimos ver, pois são extremamente pequenos, acabam tornando-se essenciais às plantas e aos demais seres vivos.

Entretanto, a cadeia alimentar é capaz de nos mostrar ainda mais: além da dependência entre os seres vivos existe também uma íntima ligação entre eles e o ambiente onde vivem.

E quanto à perpetuação das espécies?

O desejo de procriar, gerar filhos ou descendentes está consciente ou inconscientemente ligado ao objetivo de vida de todos os seres vivos, desde os microrganismos até o homem. Para o aumento ou manutenção do número de indivíduos de uma mesma espécie de ser vivo é fundamental que ocorra o processo de reprodução, não necessariamente obrigatório no ciclo vital, pois alguns animais podem viver muito bem e nunca se reproduzirem.

CLASSIFICAÇÃO DOS SERES VIVOS

Os seres vivos são muito variados e numerosos. Para conhecê-los e estudá- los os cientistas procuram compreender como se relacionam e qual o grau de parentesco existente entre eles. Assim sendo, procura-se agrupá-los e organizá-los segundo alguns critérios previamente definidos. Isto é fácil de imaginar. Podemos comparar o processo de classificação com, por exemplo, a tarefa de organizar peças de vários jogos de quebra-cabeça, todas juntas e misturadas.

Os seres vivos podem ser agrupados de acordo com suas semelhanças morfológicas (formas e estruturas), formas de alimentação, locomoção, reprodução, ciclo de vida, etc.

Os maiores grupos resultantes do processo de evolução são os reinos. Cada reino divide-se em grupos menores, chamados filos, os quais, por sua vez, subdividem-se em subfilos. Os filos e subfilos agrupam as classes, que reúnem as ordens, que agrupam as famílias, que reúnem os gêneros. Por fim, os organismos mais intimamente aparentados são agrupados em uma mesma Compostos nitrogenados – são substâncias que apresentam nitrogênio em sua composição - por exemplo, as proteínas presentes em todas as estruturas celulares. São também proteínas as enzimas, alguns hormônios e os anticorpos (imunoglobulinas).

Classificação - é o processo de agrupar os seres vivos com base em suas semelhanças.

Morfologia - é o estudo das formas e estruturas que os organismos podem apresentar.

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espécie. Atualmente, existem cinco reinos: Monera, Protista, Fungi, Plantae e Animalia.

Classificação dos Seres Vivos

REINO MONERA — O REINO DAS BACTÉRIAS

As bactérias, incluindo as algas azuis, compreendem os organismos procariontes vivos. Os procariontes não levam núcleo individualizado em suas células, nem organelas intracelulares e não se reproduzem sexualmente. O respectivo material genético acha-se incorporado em uma só molécula circular de DNA. Possuem paredes celulares rígidas e são os únicos organismos nos quais os polipeptídios fazem parte da estrutura básica da parede celular. Não há procariontes genuinamente multicelulares: conquanto possam as células não se dividirem completamente, formando, então, filamentos ou massas, não existem conexões citoplasmáticas entre elas.

As bactérias partilham com os fungos a função de agentes da decomposição no ecossistema mundial. Metabolicamente, revelam-se versáteis: a grande maioria é heterotrófica, ou seja, obtém alimento a partir de matéria orgânica ou inorgânica presente no meio, algumas são fotossintetizadoras (realizam a fotossíntese) e outras ainda, quimioautotróficas (obtém energia a partir de reações químicas, na presença de luz). Quanto à forma de respiração, podem ser Anaeróbias, Anaeróbias facultativas e Aeróbias. Apesar de sua ação benéfica na decomposição, muitas são agentes patogênicos terríveis, causando doenças fatais.

A taxonomia é o ramo da Biologia que trata da classificação e nomenclatura dos seres vivos.

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As células bacterianas podem ser formas esféricas (cocos), de bastonete (bacilos), de hélice em espiral (espirilos ou espiroquetas) ou em forma de vírgula (vibriões). Podem congregar-se em grupos ou filamentos ou massas sólidas, caso as paredes celulares não se dividam completamente.

Há estruturas de locomoção como os cílios e os flagelos, e estruturas que revestem completamente a célula, como os mucos.

A recombinação genética nas bactérias e algas azuis implica na transferência de DNA de célula para célula. Nos procariontes, a mutação, combinada a uma elevada taxa reprodutiva, é uma fonte muito mais fértil de variabilidade do que a recombinação.

Abaixo, exemplo ilustrativo de um tipo celular de bactéria.

Sexualmente — é o tipo de reprodução no qual há troca de material genético, ou incorporação de material genético proveniente de gametas (como espermatozóide e óvulo, por exemplo).

Aeróbio — organismo que respira na presença de oxigênio;

Anaeróbio facultativo — organismo que normalmente respira na presença de oxigênio, podendo respirar sem ele, em casos de necessidade;

Anaeróbio — organismo que respira na ausência de oxigênio.

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REINO PROTISTA — O REINO DOS PROTOZOÁRIOS

Os protozoários são organismos unicelulares ou coloniais, que pertencem a vários Filos. Muitas espécies são móveis e heterotróficas, o que é considerado um caráter animal. Os protozoários são encontrados no mar e na água doce, e muitas espécies são parasitas.

Os protozoários são divididos em 4 Classes: ciliados, flagelados, sarcodíneos e esporozoários. A divisão em classes, entre os protozoários, é feita geralmente com base no tipo ou na ausência de estruturas locomotoras.

Os ciliados possuem um complexo de organelas, especialmente como parte da película, na camada externa da célula.

Os cílios são utilizados na natação e, em alguns organismos, na alimentação.

Alguns ciliados são Predadores e outros são Filtradores.

Os flagelados incluem os protozoários que têm apenas um núcleo e um ou mais flagelos, geralmente não mais do que oito. Sua locomoção em água é bastante rápida, e geralmente são organismos de dimensões bastante grandes (alguns podem ser vistos a olho nu).

Os sarcodíneos incluem todos os protozoários que se locomovem a partir de estruturas denominadas Pseudópodes. São bastante comuns em água doce, e o exemplo mais comum é o da ameba (Amoeba, Entamoeba e outros gêneros).

Os esporozoários são protozoários parasitas de invertebrados e vertebrados e alguns deles necessitam de dois hospedeiros. Não há nenhum tipo de estrutura de locomoção. Entre os esporozoários causadores de doenças encontra-se o famoso Plasmodium, que é o agente causador da malária, o qual ataca preferencialmente Eritrócitos humanos.

Filo — categoria de classificação dos seres vivos, abaixo do Reino.

Classe — categoria de classificação dos seres vivos, abaixo de Filo.

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REINO FUNGI — O REINO DOS FUNGOS, MOFOS E BOLORES

Os fungos, que antigamente eram classificados no Reino Mycota, são os organismos encarregados da decomposição da matéria, ao lado das bactérias, degradando produtos orgânicos e devolvendo carbono, nitrogênio e outros componentes ao solo e ao ar. Conhecem-se umas 100 mil espécies. Trata-se de organismos de crescimento rápido e não fotossintetizantes, que dão origem a característicos filamentos denominados hifas.

Na maioria dos casos, os filamentos mostram-se altamente ramificados, compondo um tecido denominado micélio.

Os fungos reproduzem-se por meio de esporos. Entre suas peculiaridades genéticas estão os fenômenos que envolvem mutações a nível estrutural.

O Glicogênio é a principal reserva polissacarídica destes organismos heterotróficos.

O componente fundamental da maioria das paredes celulares deles é a Quitina. Em massa, revelam-se

Sapróbios, e muitos são parasitas e absorvem seu nutrimento de células vivas.

Não são considerados plantas porque não fazem fotossíntese;

nem animais porque não são capazes de se locomover à procura de alimentos. Absorvem do ambiente todos os nutrientes que necessitam para sobreviver.

Existem fungos úteis ao homem,

como os cogumelos utilizados na alimentação e aqueles empregados no Predador — organismo que se alimenta de outro, matando a vítima;

Filtrador — organismo que obtém alimento a partir da filtração do meio.

Pseudópodos — estruturas locomotoras onde há prolongamentos do citoplasma. Seu nome vem do grego, e significa "falsos pés".

Eritrócito — também denominado hemácia, é o mesmo que glóbulo vermelho.

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preparo de bebidas (cerveja) e produção de medicamentos (antibióticos).

Porém, alguns fungos são parasitos de plantas e animais, podendo causar doenças denominadas micoses. Algumas micoses ocorrem dentro do organismo (histoplamose), mas a maioria desenvolve-se na pele, unhas e mucosas, como a da boca.

Além do papel que desempenham como decompositores, os fungos, do ponto de vista econômico, denotam possuir apreciável importância como destruidores de matérias alimentares e outros materiais orgânicos. O grupo também inclui os fermentos, a penicilina e outros produtores de antibióticos, os bolores de queijo, as altamente prezadas trufas e outros cogumelos comestíveis (champinhon, por exemplo).

O Reino Fungi está dividido em três filos, que são:

Ascomicetos — compreendem umas 30 mil espécies descritas, sendo o maior dos filos do reino. As leveduras ou fermentos são ascomicetos unicelulares que se reproduzem por Brotamento. A maioria dos fungos azul- esverdeados, vermelhos e pardos, que estragam alimentos, são ascomicetos, incluindo a Neurospora, um bolor do pão de coloração salmão, o qual tem desempenhado notável papel na história da genética moderna. Embora sejam muito comuns os ascomicetos bem desenvolvidos e comestíveis (como as famosas trufas europeias), existem também algumas espécies microscópicas, como o Penicillium notatum, produtor do antibiótico penicilina, e o Saccharomyces cerevisiae, que é a levedura da cerveja.

Ficomicetos — microscópicos quando isolados, porém em conjunto assumem formações macroscópicas. Algumas espécies são parasitas de plantas, atacando a batata, certos cereais e a uva. Outros provocam doenças em animais, como o gênero Saprolegnia, que causa o emboloramento de peixes de aquário, levando-os à morte.

Basidiomicetos — compreendem a maioria dos cogumelos de jardim e cogumelos comestíveis (champignons), existindo cerca de 25 mil espécies.

Embora haja espécies comestíveis, muitos basidiomicetos são extremamente venenosos e alguns são alucinógenos (como o gênero Psilocibe, consumido no México durante cerimônias xamanísticas). Há espécies microscópicas, mas a maioria é macroscópica e bastante desenvolvida. Uma das principais características morfológicas deste grupo é a presença do chapéu, que fica no topo de um pequeno caule, e no qual estão as Lamelas com os esporos.

Glicogênio — carboidrato polissacarídeo que também é armazenado pelos animais, no fígado;

Quitina — proteína encontrada em animais (como a carapaça de insetos, por exemplo);

Sapróbio — organismo que se alimenta de matéria em decomposição.

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DOENÇAS CAUSADAS POR FUNGOS

Os microfungos ou cogumelos microscópicos podem causar no homem doenças denominadas micoses, dos mais variados tipos. O termo micose foi empregado pela primeira vez por Virchow, em 1856. Ocupam as micoses lugar de destaque na patologia tropical. No Brasil há estudos e trabalhos importantes sobre o assunto, e que interessam a vários ramos da Medicina.

Os cogumelos microscópicos de interesse clínico pertencem, na maioria, à classe dos chamados fungos imperfeitos.

Actinomicose. Micose produzida pelo Actinomyces bovis. As lesões actinomicóticas se instalam em setores os mais diversos do organismo.

Descrevem-se as seguintes formas anatomoclínicas:

(1) Cérvico-facial, com lesões também na língua, bochechas e encéfalo;

(2) Abdominal, com início no apêndice, gerando sintomas de apendicite aguda ou subaguda. Daí o fungo pode invadir outras estruturas: cólon, ovários, trompas, fígado etc.;

(3) Torácica, acometendo pulmões, geralmente a porção inferior, pleura e parede do tórax, onde forma fístulas.

Tratamento:

(1) penicilina, de preferência;

(2) sulfonamidas, para os casos que não se beneficiam com a penicilina;

(3) iodeto de potássio;

(4) remoção cirúrgica do pus e dos tecidos mortos;

(5) repouso e boa alimentação.

Brotamento — forma de reprodução assexuada na qual o desenvolvimento de um novo indivíduo a partir de brotos laterais.

Lamela — estrutura em forma de sulco ou gaveta

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Actinomicose

Nocardiose. Micose do tipo crônico, produzida por Nocardia asteroides, fungo muito comum no solo e de fácil crescimento nos meios usuais de laboratório. Encontra-se no pus ou nos tecidos orgânicos. As manifestações clínicas da nocardiose se assemelham, por vezes, às da actinomicose, mas aquela afeta com maior frequência os pulmões e os pés. Nos pulmões causa broncopneumonia tipo caseoso (aspecto de queijo), podendo mesmo confundir-se com a tuberculose. Forma abscessos em vários pontos do corpo, inclusive no cérebro. No tratamento, as drogas preferenciais são as sulfonamidas.

Geotricose. Micose causada por uma ou mais espécies do gênero Geotrichum e produz lesões na boca, semelhantes às do sapinho, no intestino, nos brônquios e pulmões. Trata-se com violeta de genciana. As formas pulmonares e brônquicas se beneficiam com o iodeto de potássio e vacina autógena.

Coccidioidocose. Micose causada pelo Coccidioides immitis.

Apresenta-se sob duas formas clínicas:

(1) primária, aguda, benigna, de bom prognóstico: os sintomas são os de uma infecção respiratória banal:

(2) progressiva, disseminada, grave, de elevada mortalidade: os sintomas variam com os órgãos acometidos (pulmões, ossos, pele).

Tratamento:

A coccidioidomicose primária cura-se em algumas semanas, sem qualquer tratamento específico: a forma progressiva é muito difícil de tratar, embora novas esperanças tenham surgido com o aparecimento recente do amphotericin, droga fungicida.

Criptococosee (torulose). Esta doença acomete qualquer parte do organismo, com acentuada preferência pelo cérebro e pelas meninges. É provocada pelo Cryptococcus neoformans. A mortalidade é elevada. O tratamento com o amphotericin tem produzido bons resultados, quando aplicado nas fases iniciais da doença.

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Rinosporidiose. Infecção de natureza fúngica, produzida pelo Rhinosporidium seeberi, caracterizada pela formação de pólipos pedunculados ou sésseis no nariz e nas conjuntivas. O primeiro caso brasileiro de rinosporidiose foi registrado por Montenegro em São Paulo.

Tratamento: extirpação cirúrgica com auxílio do bisturi elétrico, administração de antimonial penta valente e tratamento local com tartarato de potássio e antimônio a 5%, ou tártaro emético a 2%.

Candidíase (monilíase, sapinho). Doença provocada pela Candida albicans (antiga Monilia albican). Este fungo é habitante de estruturas normais, como a boca, o intestino e a vagina. Não se encontra normalmente na pele, salvo se nesta houver alguma doença concomitante. Pode ser identificado também no escarro de pessoas com doença pulmonar e brônquica não micótica.

A candidíase se manifesta por lesões das seguintes partes do organismo:

(1) mucosa da boca (sapinho) e da vagina;

(2) pele, sobretudo quando trabalhada constantemente pela umidade;

(3) unhas;

(4) brônquios;

(5) pulmões.

Tratamento:

As formas brônquicas e pulmonares devem ser tratadas com iodeto de potássio; a forma generalizada resiste aos tratamentos habituais, mas o amphotericin deve ser tentado, uma vez que in vitro a Candida é sensível a esse fungicida.

Candidíase (monilíase, sapinho)

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Esporotricose. Micose crônica causada pelo Sporotrichum schenki, e espalhada pelo mundo todo, especialmente entre homens de campo, horticultores e operários. Este fungo penetra no corpo através de ferimentos da pele das extremidades e pelo tubo gastrintestinal. A lesão cutânea inicial é característica: nódulo subcutâneo de consistência elástica, forma esférica, móvel, não aderente; depois adere à pele, que se torna avermelhada e, a seguir, preta, por causa da necrose, ou morte do tecido.

Medicamento de escolha: iodeto de potássio em doses crescentes.

Aspergilose. Doença causada por um micro fungo, do gênero Aspergillus, particularmente o A. fumigatus e o A. niger, e caracterizada por lesões na pele, no ouvido externo, seios paranasais, órbita, vagina, pulmões, brônquios e, às vezes, meninges e ossos. Tratamento médico se faz à base de iodeto de potássio e vacina autógena.

Blastomicose norte-americana

(Doença de Gilchrist). Micose causada pelo Blastomyces dermatitidis, caracterizada por lesões na pele, nos pulmões, ou generalizadas. O Blastomyces não se transmite de homem a homem, mas de sua fonte natural, o solo, onde vive e se multiplica. Esta micose é comum nos EUA, mas raríssima na América do Sul. Tratamento: iodeto de potássio, vacinas e aplicações locais de vários medicamentos.

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REINO ANIMALIA

O reino Animalia é o que reúne o maior e mais variado número de espécies.

Nele estão os homens, répteis, insetos, peixes, aves e outros animais. E também os vermes, que são parasitos e causadores de doenças como a ancilostomíase, conhecida como amarelão, e a ascariose, causada pelas lombrigas.

E os ácaros? Vocês já ouviram falar neles? Eles também são animais?

Sim, o filo artrópode inclui-se no reino animal e reúne os ácaros - que são transportados pelo ar e causam a sarna e alergias respiratórias - e os carrapatos (aracnídeos). Ambos parasitam o homem.

Os insetos também são artrópodes. Sua importância em nosso curso reside no fato de que dentre eles estão as pulgas, que vivem como parasitos, prejudicando os animais e o homem. Existem ainda os insetos que transmitem doenças infecciosas para o homem, como os mosquitos transmissores da febre amarela, dengue, malária e os barbeiros transmissores da doença de Chagas.

E os vírus? Se existem e são considerados seres vivos, onde se classificam?

VÍRUS — ORGANISMOS SEM REINO DEFINIDO

Os vírus, ainda sem classificação oficial e não possuindo um reino próprio, são agentes infecciosos compostos de uma parte central de ácido nucléico, seja RNA ou DNA, e de uma capa protetora cuja índole é proteica. Não se reproduzem fora das células vivas. Nos vírus providos de DNA (DNA vírus ou Adenovírus), este entra em competição com o DNA da célula hospedeira e assume a direção das atividades dela. Nos vírus que encerram RNA (RNA vírus ou Retrovírus), o qual é geralmente formado de uma só faixa, este atua

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como mensageiro na célula parasitada, associando-se aos Ribossomos e servindo como modelo para a síntese das proteínas.

Cada tipo de vírus apresenta uma estrutura altamente específica, sendo o icosaedro um dos arranjos mais facilmente encontrados, embora outras formas, como espirais, cilindros, quadrados e losangos, também sejam encontrados. Os Bacteriófagos são vírus que atacam bactérias, e são geralmente mencionados simplesmente como Fagos. O mais estudado é o Fago T4, que ataca a bactéria Escherichia coli. A forma típica de um fago T4 é mostrada a seguir, juntamente com outras formas virais.

Os vírus são chamados, biologicamente, de parasitas intracelulares obrigatórios. Isto equivale a dizer que, fora da célula-alvo viva, o vírus não tem atividade. Costuma-se, portanto, dizer que os vírus são um meio-termo entre a matéria bruta e os seres vivos. Dentro da célula-alvo, os vírus replicam-se normalmente, desempenhando, então, uma função que é comum a todos os seres vivos (reprodução); fora dela, alguns vírus entram em um estado chamado "cristalizado", o que os torna estruturas inertes semelhantes a minúsculos cristais. Nestas condições, os vírus não têm nenhuma atividade e tornam-se semelhantes à matéria bruta.

Formas de associação entre os seres vivos

Como já vimos, na natureza todos os seres vivos estão intimamente ligados e relacionados em estreita interdependência. Lembram-se da cadeia alimentar?

Ela nos mostrou claramente como isso é verdade.

As relações entre os seres vivos visam, na maioria das vezes, a dois aspectos: obtenção de alimentos e de proteção.

Na cadeia alimentar os seres vivos estão ligados pelo alimento. Há transferência de energia entre eles, que por sua vez estão também trocando energia e matéria com o ambiente, ligados ao ar, água, luz solar, etc.

Imaginemos um bairro de nossa cidade. Nele existem animais domésticos (cães, gatos), aves (pássaros, galinhas), insetos, várias espécies de plantas, seres humanos, etc. - e não podemos esquecer daqueles que não enxergamos: as bactérias, os vírus e os protozoários. Todos à procura de, no mínimo, alimento e proteção em um mesmo ambiente.

Não é difícil imaginar que essa convivência nem sempre será muito boa, não é mesmo?

Como são muitos, e de espécies diferentes, convivendo em um mesmo lugar e relacionando-se, interagem e criam vários tipos de associação. Essas associações podem ser de duas formas: positivas ou harmônicas e negativas ou desarmônicas.

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Associações positivas ou harmônicas

Nas relações harmônicas, as partes envolvidas são beneficiadas e, quando não existem vantagens, também não há prejuízos para ninguém. Todos se relacionam e convivem muito bem.

O comensalismo, o mutualismo e a simbiose são tipos de relações harmônicas.

No comensalismo, uma das espécies envolvidas obtém vantagens, mas a outra não é prejudicada. Como exemplo temos a ameba chamada Entamoeba coli, que pode viver no intestino do homem nutrindo-se de restos alimentares e jamais causar doenças para o hospedeiro.

O mutualismo é a relação em que as espécies se associam para viver de forma mais íntima, onde ambas são beneficiadas. Como exemplos temos os protozoários e bactérias que habitam o estômago dos ruminantes e participam na utilização e digestão da celulose, recebendo, em troca, moradia e nutrientes.

A simbiose é a forma extrema de associação harmônica. Nessa relação, as duas partes são beneficiadas, porém a troca de vantagens é tão grande que, depois de se associarem, esses indivíduos se tornam incapazes de viver isoladamente. Assim, temos os cupins, que se alimentam de madeira e para sobreviver necessitam dos protozoários (triconinfas). Esses protozoários habitam o tubo digestivo dos cupins e produzem enzimas capazes de digerir a celulose (derivada da madeira).

Se houver um aumento na temperatura ambiente capaz de matar os protozoários, os cupins também morrem, pois não mais terão quem produza enzimas para eles.

Associações negativas ou desarmônicas

As formas de relações desarmônicas mais comumente encontradas são a competição, o canibalismo e as predatórias. Em nosso estudo, nos ateremos ao parasitismo, haja vista a importância de seu conhecimento no cuidado de enfermagem.

No parasitismo, o organismo de um ser vivo hospeda, abriga ou recebe um outro ser vivo de espécie diferente, que passa a morar e a utilizar-se dessa moradia para seu benefício.

Podemos comparar o fenômeno do parasitismo com um inquilino que mora em casa alugada e, além de não pagar aluguel, ainda estraga o imóvel. Uns estragam muito; mas a maioria estraga tão pouco que o proprietário nem se dá conta. Portanto, sempre haverá um lado obtendo vantagens sobre o outro, que acaba sendo mais ou menos prejudicado.

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Aquele que leva vantagem (inquilino), ou seja, quem invade ou penetra no outro, é denominado parasito. E o indivíduo que recebe ou hospeda o parasito é chamado de hospedeiro.

O parasito pode fazer uso do organismo do hospedeiro como morada temporária, entretanto, na maioria das vezes, isto ocorre de forma definitiva.

Utilizam o hospedeiro como fonte direta ou indireta de alimentos, nutrindo-se de seus tecidos ou substâncias. De modo geral, há o estabelecimento de um equilíbrio entre o parasito e o hospedeiro, porque se o hospedeiro for muito agredido poderá reagir drasticamente (eliminando o parasito) ou até morrer, o que causará também a morte do parasito. Então, nas espécies em que o parasitismo vem sendo mantido há centenas de anos, raramente o parasito provoca a doença ou morte de seu hospedeiro.

NOÇÕES DE PARASITOLOGIA Parasitologia é o estudo dos parasitas ou doenças parasitárias, métodos de diagnósticos e controle de doenças parasitárias. Na maioria dos casos um organismo (O hospedeiro) passa a constituir o meio ecológico onde vive o outro (O parasita).

Ribossomo — estrutura presente na célula, responsável pela síntese de RNA.

Bacteriófago — a palavra significa, literalmente, "comedor de bactérias".

Relações Harmônicas

Comensalismo

Mutualismo

Simbiose

Relações Desarmônicas

Competição

Predatória

Parasitismo

Canibalismo

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PRINCIPAIS DOENÇAS ENDÊMICAS, EPIDÊMICAS E PANDÊMICAS E OUTRAS MOLÉSTIAS CAUSADAS POR MICRORGANISMOS, NO BRASIL E NO MUNDO

Como vimos, os microrganismos são seres que, devido à sua alta taxa mutacional, rápido crescimento e facilidade de colonização dos mais variados meios, conseguiram se desenvolver abundantemente na água, no solo, no ar, no interior de plantas e animais, e também sobre a superfície corporal destes.

A gravidade e o número de pessoas acometidas por uma determinada doença determinam a condição disseminadora do agente causador. Assim, as doenças podem ser classificadas em:

EPIDEMIA — doença que acomete um grande número de pessoas, num curto espaço de tempo, em uma determinada área geográfica. Temos como exemplos as famosas epidemias de cólera, de conjuntivite, de hepatite, de meningite, de dengue etc. Geralmente, as epidemias iniciam-se com um Surto que posteriormente toma a forma de uma epidemia propriamente dita;

ENDEMIA — doença que acomete um número de pessoas constante, ou com pouca oscilação, durante décadas ou espaço de tempo superior, em uma determinada área geográfica. As endemias mais comuns no Brasil são a malária, a doença de Chagas, o amarelão e a ascaridíase, pois os números de pessoas acometidas, em suas regiões de ocorrência, são constantes, ano após ano;

PANDEMIA — tipo de epidemia que se dissemina rapidamente sobre várias regiões geográficas do planeta, com controle sanitário muito pequeno ou nulo. Atualmente, as pandemias que mais preocupam a população mundial são a gripe e a AIDS. Uma pandemia famosa do início do séc. XX foi a gripe espanhola, que matou mais de 20 milhões de pessoas no mundo inteiro.

A tabela a seguir lista algumas doenças que ocorrem no mundo inteiro, divididas por agente causador (patógeno). Entre parênteses, temos as abreviações, ao término de cada doença: Ep = epidemia; En = endemia e P

= pandemia.

Patógeno Doenças

Brucelose (En)

Tuberculose (En; Ep) Cólera (En; Ep) Coqueluche (En) Coréia (En) Difteria (En; Ep) Disenteria (En; Ep) Tétano (En)

Escarlatina (En; Ep)

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Doenças Bacterianas Febre reumática (En)

Intoxicação alimentar (En; Ep) Lepra (En)

Meningite (Ep) Peste Bubônica (Ep) Pneumonia (En; Ep) Sífilis (En; Ep)

Doenças Virais

AIDS (P)

Caxumba (En; Ep) Dengue (Ep)

Gripe (Ep; P) Herpes (En) Poliomielite (En) Resfriado (En; Ep) Sarampo (En; Ep) Rubéola (En; Ep) Viroses em Geral (Ep)

Doenças Causadas por Fungos

Frieira (En)

Micose cutânea (En)

Sapinho ou candidíase (En)

Doenças causada por Protozoários

Doença de Chagas (En) Malária (En)

Leishmaniose Tegumentar (En)

Surto — ocorrência rápida e geralmente súbita de uma determinada doença.

Pandemia — a origem da palavra vem do grego (pan = todos; demos = povo; doença que se dissemina sobre todos os povos).

Peste bubônica — foi uma das mais terríveis epidemias que assolaram a Europa, matando quase 1/3 da população europeia durante a Idade Média.

Herpes — doença viral de fácil contágio. Estima-se que mais de 60% da população brasileira tenha a herpes simples; há outros tipos de herpes, além da simples, que são a zoster e a genital.

Viroses em geral — de difícil classificação, as viroses são doenças genéricas que atacam a população, de tempos em tempos. Nem mesmo os médicos conseguem, às vezes, diagnosticar o vírus causador.

A AIDS

Como vimos, o vírus da AIDS (Síndrome da Imunodeficiência Adquirida), o HIV, é um retrovírus. Em todos os seres vivos, o DNA orienta a síntese de uma molécula de RNA mensageiro. Essa molécula se dirige, então, ao

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citoplasma da célula onde, com o auxílio de ribossomos, enzimas e outras moléculas de RNA, determina a síntese de uma proteína específica. Nos retrovírus ocorre o inverso, pois com o auxílio de uma enzima típica desse grupo, o RNA do vírus sintetiza uma molécula de DNA que se incorpora no material genético da célula hospedeira. Deste DNA pode, então, permanecer inativo por tempo indeterminado. A qualquer momento, porém, pode desencadear a síntese de novas moléculas de RNA e de proteínas da cápsula, formando novos vírus idênticos ao original. Com o rompimento e destruição da célula, os novos vírus se libertam, podendo, então, atacar e destruir outras células. Assim, um número progressivamente maior de células é destruído.

O HIV, que já se mostrou ser um vírus com capacidade mutacional — reconhecem-se várias classes de HIV, como o HIV-I, HIV-II, HIV-III etc. — realiza seu ciclo dentro de um grupo de glóbulos brancos especializados na transmissão de mensagens aos produtores de anticorpos. Esses glóbulos brancos são os Linfócitos T4. Os linfócitos T4 são as células auxiliadoras do sistema imunológico humano, pois transmitem a informação sobre a presença de agentes estranhos no organismo aos Linfócitos B. Estes, por sua vez, são responsáveis pela produção de anticorpos, porém esta produção somente será feita mediante a mensagem transmitida pelos linfócitos T4. Assim, conclui-se facilmente que o organismo infectado pelo HIV começa a ficar imunodepressivo (ou seja, com uma baixa taxa de linfócitos circulantes no sangue, reduzindo a capacidade imunitária) devido à morte progressiva dos linfócitos T4, deixando, portanto, o organismo infectado totalmente vulnerável a outras infecções e doenças ditas oportunistas, causadas por bactérias, outros vírus, fungos, protozoários etc. Apesar de ainda não se ter a cura definitiva, a AIDS pode ser combatida através de Coquetéis, como o AZT, por exemplo.

AIDS — em português, utiliza-se a abreviação inglesa (Acquired Immune Deficiency Syndrome); em outros países, como os de língua espanhola, por exemplo, utiliza-se a abreviação SIDA.

Linfócito — leucócito de origem linfóide, com capacidade de produção de anticorpos. Representa relevante papel nos mecanismos imunitários do organismo. Há várias classes, sendo as mais conhecidas a dos linfócitos B e a dos linfócitos T.

Coquetel — mistura de vários medicamentos com o intuito de deter a ação reprodutiva dos vírus.

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Vírus

IMPORTÂNCIA DA PARASITOLOGIA PARA O TÉCNICO EM ENFERMAGEM

Analogamente ao que ocorre com a microbiologia, a parasitologia é um ramo especializado das ciências médicas que se dedica ao estudo dos Parasitas. É uma área de pesquisa bastante diversificada, pois os parasitas, que podem estar sobre a superfície ou no interior de seres vivos, são de ampla distribuição, hábitos variados e fácil disseminação. Para quem lida com a saúde humana, a parasitologia oferece ferramentas para conhecer os causadores de várias doenças, incluindo as famosas verminoses (tão comuns na infância) e as ectoparasitoses, assim como as medidas Profiláticas e Terapêuticas cabíveis em cada doença.

ORIGEM DO ESTUDO DOS PARASITAS

Há muito a humanidade vem sofrendo com as doenças causadas por parasitas, sejam eles vermes ou não. Há relatos de doenças, provavelmente verminoses, que atacavam populações nas antigas Mesopotâmia e Babilônia;

os hebreus, sabedores das doenças que eram veiculadas a partir do porco, proibiram, como parte de sua Lei Mosaica, o povo de ingerir carne suína; o mesmo ocorre na Índia, onde praticamente não há infestação humana por vermes veiculados através do boi ou da vaca, já que o povo não ingere carne bovina, por considerar tanto o boi quanto a vaca, sagrados.

Em teoria, qualquer ser vivo que viva dentro ou na superfície de outro ser vivo é considerado um parasita.

Biologicamente, o parasitismo é considerado como sendo uma relação interespecífica desarmônica, ou seja, uma relação em que dois organismos vivem juntos, porém um deles obtém energia e alimento às custas do outro, sendo este último denominado hospedeiro e sofrendo algum tipo de prejuízo (podendo ser, inclusive, a própria morte). Assim, dentro desta ótica

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conceitual, os microrganismos causadores de doenças (bactérias, fungos, protozoários e vírus) também são considerados parasitas; a nível didático, porém, faz-se a distinção entre microbiologia (que, como já vimos, estuda todos os seres vivos e demais organismos considerados microscópicos, ou seja, menores que 0,1 mm) e parasitologia (que aborda todos os organismos vivos macroscópicos ou não, porém pertencentes ao Reino Animal).

Assim, consideram-se parasitas os vermes achatados e os cilíndricos, estudados mais à frente, além dos Artrópodes, como os aracnídeos (carrapato, ácaro e ácaro da sarna) e os insetos (piolhos, chatos e larvas de moscas).

PARASITAS MICROSCÓPICOS E PARASITAS MACROSCÓPICOS

Esta divisão baseia-se no tamanho dos parasitas. Alguns vermes possuem uma fase geralmente microscópica (ovo ou larva), porém há parasitas, como o da sarna, que são microscópicos ou Sub-microscópicos. A divisão leva como ponto de partida o tamanho do adulto (se o adulto for menor que 0,1 mm, é considerado microscópico ou Sub-microscópicos; se for maior que 0,1 mm, é considerado macroscópico).

A tabela a seguir lista alguns desses parasitas, em suas devidas classificações. Entre colchetes [ ] observa-se a fase do parasita que é microscópica, quando o mesmo for macroscópico.

PARASITAS MICROSCÓPICOS Ácaros

Ácaro da sarna

PARASITAS MACROSCÓPICOS Carrapatos

Vermes cilíndricos [ovo; larva]

Vermes achatados [ovo; larva]

Piolhos Chatos

Larvas de moscas

ECTOPARASITAS E ENDOPARASITAS

Além da classificação geral em microscópicos e macroscópicos, os parasitas podem igualmente ser classificados em parasitas externos e parasitas internos. O primeiro grupo inclui os ectoparasitas; o segundo, os endoparasitas.

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Há diferenças bastante notáveis entre os parasitas que infestam a superfície corporal do hospedeiro daqueles que infestam seu interior. O ciclo biológico é bastante complexo entre os endoparasitas, que podem ou não ter uma fase larval externa, muitas vezes de vida livre. À exceção dos ácaros e dos ácaros da sarna, todos os outros ectoparasitas são macroscópicos; os endoparasitas, via de regra, são macroscópicos.

Como os parasitas são classificados, segundo estes parâmetros:

ECTOPARASITAS Carrapatos

Ácaros

Ácaros da sarna Piolhos

Chatos

Larvas de moscas ENDOPARASITAS Vermes cilíndricos Vermes achatados

Muito comumente, os ectoparasitas causam prurido e irritação extrema da pele, podendo, inclusive, criar bolsas ou necroses locais; os endoparasitas, por sua vez, causam os mais variados sintomas, conforme estudaremos a seguir.

Os carrapatos, os ácaros e os ácaros da sarna são aracnídeos que sugam o sangue do hospedeiro, fazendo com que a fêmea muitas vezes atinja proporções até vinte vezes o tamanho normal do adulto. Embora os ácaros passem despercebidos, são causadores de grandes e intensas alergias, no mundo inteiro. Alguns carrapatos podem ser veiculadores de doenças silvestres, daí a importância de serem estudados. Os ácaros da sarna cavam canais na pele, causando um prurido muito intenso e criando verdadeiros túneis endodérmicos, que podem atingir extensões variáveis.

Os piolhos e os chatos são insetos que se instalam sobre o couro cabeludo ou na região pubiana, muitas vezes até mesmo na região axilar e nas sobrancelhas, ou sobre o pêlo do corpo, causando intensa coceira. As fêmeas depositam seus ovos, as lêndeas, na base do pêlo ou do cabelo.

As larvas de moscas pertencem a várias espécies. A mais comum é a da mosca varejeira, também conhecida como mutuca ou butuca no Brasil, e que medicamente é identificada como sendo o famoso berne. As larvas desenvolvem-se no interior do tecido epitelial, e, após algumas semanas, a larva transforma-se em pupa e sai, então, o adulto.

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INFECÇÕES PARASITÁRIAS E A TRANSMISSÃO DOS AGENTES INFECCIOSOS

Cadeia de transmissão dos agentes infecciosos

Para que ocorram infecções parasitárias é fundamental que haja elementos básicos expostos e adaptados às condições do meio. Os elementos básicos da cadeia de transmissão das infecções parasitárias são o hospedeiro, o agente infeccioso e o meio ambiente.

No entanto, em muitos casos, temos a presença de vetores, isto é, insetos que transportam os agentes infecciosos de um hospedeiro parasitado a outro, até então sadio (não-infectado). É o caso da febre amarela, da leishmaniose e outras doenças.

Infecção - é a penetração, desenvolvimento ou multiplicação de um agente infeccioso no interior do corpo humano ou de um outro animal.

Para cada infecção parasitária existe uma cadeia de transmissão própria. Por exemplo, o Ascaris lumbricoides tem como hospedeiro somente o homem, mas precisa passar pelo meio ambiente, em condições ideais de temperatura, umidade e oxigênio, para evoluir (amadurecer) até encontrar um novo hospedeiro.

Qual a importância de conhecermos a cadeia de transmissão as principais infecções parasitárias?

Sua importância está na possibilidade de agirmos, muitas vezes com medidas simples, no sentido de interromper um dos elos da cadeia, impedindo, assim, a disseminação e multiplicação do agente infeccioso.

Conhecer onde e como vivem os parasitos, bem como sua forma de transmissão, facilita o controle das infecções tão indesejadas. Por exemplo, o simples gesto de lavar bem as mãos, após o contato com qualquer objeto contaminado, após usar o vaso sanitário e, obrigatoriamente, antes das refeições, pode representar grande ajuda nesse controle.

Hospedeiro

Na cadeia de transmissão, o hospedeiro pode ser o homem ou um animal, sempre exposto ao parasito ou ao vetor transmissor, quando for o caso.

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Na relação parasito-hospedeiro, este pode comportar-se como um portador são (sem sintomas aparentes) ou como um indivíduo doente com sintomas), porém ambos são capazes de transmitir a parasitose.

O hospedeiro pode ser chamado de intermediário quando os parasitos nele existentes se reproduzem de forma assexuada; e de definitivo quando os parasitos nele alojados se reproduzem de modo sexuado.

A Taenia solium, por exemplo, precisa, na sua cadeia de transmissão, de um hospedeiro definitivo, o homem, e de um intermediário, o porco.

Agente infeccioso

O agente infeccioso é um ser vivo capaz de reconhecer seu hospedeiro, nele penetrar, desenvolver-se, multiplicar-se e, mais tarde, sair para alcançar novos hospedeiros.

Os agentes infecciosos são também conhecidos pela designação de micróbios ou germes, como as bactérias, protozoários, vírus, ácaros e alguns fungos.

Existem, porém, os helmintos e alguns artrópodes, que são parasitos maiores e facilmente identificados sem a ajuda de microscópios. Só para termos uma idéia, a Taenia saginata, que parasita os bovinos e também os homens, pode medir de quatro a dez metros de comprimento.

Os parasitos são também classificados em endoparasitos e ectoparasitos.

Endoparasitos são aqueles que penetram no corpo do hospedeiro e aí passam a viver. Portanto, o correto é dizer que o ambiente está contaminado, e não infectado.

Ectoparasitos são aqueles que não penetram no hospedeiro, mas vivem externamente, na superfície de seu corpo, como os artrópodes - dentre os quais destacam-se as pulgas, piolhos e carrapatos.

Meio ambiente

Meio ambiente é o espaço constituído pelos fatores físicos, químicos e biológicos, por cujo intermédio são influenciados o parasito e o hospedeiro.

Como exemplos, podemos apontar:

• Físicos: temperatura, umidade, clima, luminosidade (luz solar);

• Químicos: gases atmosféricos (ar), pH, teor de oxigênio, agentes tóxicos, presença de matéria orgânica;

• Biológicos: água, nutrientes, seres vivos (plantas, animais).

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Anteriormente, vimos que as relações que se estabelecem a todo momento entre os seres vivos e os agentes infecciosos (parasitos) não são estáticas, definitivas; pelo contrário, são muito dinâmicas e exigem constantes adaptações de ambos os lados, tendendo sempre, para o bem das partes envolvidas, a aproximar-se do equilíbrio.

Entretanto, sabemos que tanto o parasito quanto o hospedeiro sofrem influência direta do ambiente, o qual, por sua vez, também sofre constantes alterações, de ordem natural ou artificial, como as causadas pelo próprio homem.

Doenças transmissíveis e não transmissíveis

Nem todas as doenças que ocorrem em uma comunidade são transmitidas, ou passadas, de pessoa a pessoa (“que se pega”). Existem também as que não se transmite desse modo (“que não se pega”).

Após termos aprendido a diferenciar os seres vivos dos seres não-vivos, e conhecido o fenômeno parasitismo, podemos afirmar que todas as doenças transmissíveis, ou todas as infecções parasitárias (gerando ou não doenças), são causadas somente por seres vivos, chamados de agentes infecciosos ou parasitos. O sarampo, a caxumba, a sífilis e a tuberculose exemplificam tal fato.

Quais seriam, então, as doenças não-transmissíveis?

As doenças não-transmissíveis podem ter várias causas, tais como deficiências metabólicas (algum órgão que não funcione bem), acidentes, traumatismos, origem genética (a pessoa nasce com o problema). Como exemplos, temos o diabetes, o câncer e o bócio tireoidiano.

Existem, ainda, doenças que possuem mais de uma causa, podendo, portanto, ser tanto transmissíveis como não-transmissíveis. Como exemplos, a hepatite e a pneumonia.

Parasitoses e Doenças Transmissíveis

Não podemos confundir infecção parasitária com doença. O parasito bem- sucedido é aquele que consegue obter tudo de que precisa para sobreviver causando o mínimo de prejuízo ao hospedeiro. Somente em alguns casos, a relação poderá ser nociva, em maior ou menor grau.

Desse modo, surgem os hospedeiros parasitados, sem doença e sem sintomas, conhecidos como portadores assintomáticos.

Será que os portadores assintomáticos oferecem algum tipo de risco para a comunidade?

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Realmente, sua presença é um sério problema. Como não percebem estar parasitados, não procuram tratamento, contribuindo, assim, para a contaminação do ambiente, espalhando a parasitose para outros indivíduos e, o que é pior, muitas vezes contaminando-se ainda mais.

Entretanto, em outros casos, a curto ou longo prazo, o parasito pode causar prejuízos, enfermidades ou doença aos hospedeiros, tornando-os patogênicos. Desse modo, surgem as doenças transmissíveis.

Fatores que influenciam o parasitismo como causa das doenças infecciosas Existem fatores que acabam conduzindo à parasitose e definindo seu destino.

Eles podem influenciar o fenômeno do parasitismo, contribuindo tanto para o equilíbrio entre parasito e hospedeiro, gerando, assim, o hospedeiro portador são, como para a quebra do equilíbrio - e a infecção resultante acaba causando doenças.

Os fatores mais importantes do parasitismo são os relacionados ao:

a) parasito: a quantidade de parasitos que entram no hospedeiro (carga parasitária), sua localização e capacidade de provocar doenças;

b) hospedeiro: idade, estado nutricional, grau de resistência, órgão do hospedeiro atingido pelo parasito, hábitos e nível socioeconômico e cultural, presença simultânea de outras doenças, fatores genéticos e uso de medicamentos;

c) meio ambiente: temperatura, umidade, clima, água, ar, luz solar, tipos de solo, teor de oxigênio e outros. Muitos agentes infecciosos morrem quando mantidos em temperatura mais baixa ou mais elevada por determinado tempo. É o caso dos cisticercos (larvas de Taenia solium) em carnes suínas, que morrem quando estas são congeladas a 10oC negativos, por dez dias, ou cozidas em temperatura acima de 60oC, por alguns minutos.

Dinâmica da transmissão das infecções parasitárias e doenças transmissíveis

As infecções e doenças transmissíveis podem ser transmitidas de forma direta ou indireta.

Transmissão direta de pessoa a pessoa

É a transmissão causada pelos agentes infecciosos que saem do corpo de um hospedeiro parasitado (homem ou animal) e passam diretamente para outro hospedeiro são, ou para si mesmo – caso em que recebe o nome de autoinfecção.

Nesse modo de transmissão os agentes infecciosos são eliminados dos seus hospedeiros já prontos, evoluídos ou com capacidade de infectar outros

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hospedeiros. As vias de transmissão direta de pessoa a pessoa podem ser, dentre outras, fecal-oral, gotículas, respiratória, sexual.

Transmissão indireta com presença de hospedeiros intermediários ou vetores

Ocorre quando o agente infeccioso passa por outro hospedeiro (intermediário) antes de alcançar o novo hospedeiro (definitivo) – caso da esquistossomose e da teníase (solitária). A ingestão de carne bovina ou suína, crua ou mal cozida, contendo as larvas da tênia, faz com que o indivíduo venha a ter solitária – a qual, ressalte-se, não é passada diretamente de pessoa a pessoa.

A forma indireta também ocorre quando o agente infeccioso é transportado através da picada de um vetor (inseto) e levado até o novo hospedeiro – caso da malária, filariose (elefantíase) e leishmaniose.

Transmissão indireta com presença do meio ambiente

Nesse tipo de transmissão, ao sair do hospedeiro o agente infeccioso já tem uma forma resistente que o habilita a manter-se vivo por algum tempo no ambiente, contaminando o ar, a água, o solo, alimentos e objetos (fômites) à espera de novo hospedeiro.

Nesse caso, incluem-se os protozoários que, expelidos através das fezes e sob a forma de cistos, assumem a forma de resistência denominada esporos.

Transmissão vertical e horizontal

A transmissão vertical é aquela que ocorre diretamente dos pais para seus descendentes através da placenta, esperma, óvulo, sangue, leite materno - por exemplo, a transmissão da mãe para o feto ou para o recém-nascido.

Podemos ainda citar como exemplos a rubéola, a AIDS infantil, a sífilis congênita, a hepatite B, a toxoplasmose e outras.

Agora, podemos elaborar o conceito de fonte de infecção:

Fonte de infecção é o foco, local onde se origina o agente infeccioso, permitindo-lhe passar diretamente para um hospedeiro, podendo localizar-se em pessoas, animais, objetos, alimentos, água, etc.

PRINCIPAIS DOENÇAS PARASITÁRIAS ENDÊMICAS DO BRASIL

O Brasil, assim como a África e o sudeste da Ásia, sofre com uma série de doenças parasitárias, genericamente denominadas verminoses ou Helmintoses.

Parece haver uma relação muito intensa entre o desenvolvimento de verminoses e o clima. Em locais úmidos e quentes, como é a maioria de

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nosso país, assim como o Continente Negro e o sudeste asiático, os vermes desenvolvem-se rápida e acentuadamente; em contrapartida, em regiões temperadas ou polares, parece não haver desenvolvimento de ciclos de vida de vermes.

Em linhas gerais, as principais doenças parasitárias, de interesse médico- sanitário e ambiental, são as seguintes:

FASCIOLITE

ESQUISTOSSOMOSE (BARRIGA D’ÁGUA) TENÍASE (SOLITÁRIA)

CISTICERCOSE

ASCARIDÍASE (LOMBRIGUEIRO) AMARELÃO

OXIURÍASE (OXIUROSE) ELEFANTÍASE

As doenças supramencionadas são discutidas nas duas seções seguintes, em forma de ciclo de vida (ciclo vital).

Os vermes, em biologia, são classificados em dois grandes grupos: o dos Platelmintos e o dos Nematelmintos.

Se os agentes infecciosos passam de um hospedeiro para outro é porque encontram uma porta de saída, ou seja, uma via de eliminação ideal. Da mesma forma, também encontram no futuro hospedeiro as portas de entrada ideais, podendo penetrar de forma passiva ou ativa:

Penetração Passiva - ocorre com a penetração de formas evolutivas de parasitos, como ovos de Enterobius, cistos de protozoários intestinais e demais agentes infecciosos como bactérias ou vírus. Ocorre por via oral, mediante a ingestão de alimentos (com bactérias e toxinas) ou água, bem como por inalação ou picadas de insetos (vetores) - caso da Leishmania e do Plasmodium, causador da malária;

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Penetração Ativa - ocorre com a participação de larvas de helmintos que penetram ativamente através da pele ou mucosa do hospedeiro, como o Schistosoma mansoni, Ancilostomídeos e o Strongyloides stercoralis.

Principais portas de entrada ou vias de penetração dos agentes infecciosos

As portas de entrada de um hospedeiro são os locais de seu corpo por onde os agentes infecciosos penetram. A seguir, listamos as principais vias de penetração:

a) boca (via digestiva) - os agentes infecciosos penetram pela boca, junto com os alimentos, a água, ou pelo contato das mãos e objetos contaminados levados diretamente à boca. Isto acontece com os ovos de alguns vermes (lombriga), cistos de protozoários (amebas, giárdias), bactérias (cólera), vírus (hepatite A, poliomielite) e fungos;

b) nariz e boca (via respiratória) - os agentes são inalados juntamente com o ar, penetrando no corpo através do nariz e ou boca, pelo processo respiratório. Como exemplos, temos: vírus da gripe, do sarampo e da catapora; bactérias responsáveis pela meningite, tuberculose e difteria (crupe);

c) pele e mucosa (via transcutânea) – geralmente, os agentes infecciosos penetram na pele ou mucosa dos hospedeiros através de feridas, picadas de insetos, arranhões e queimaduras, raramente em pele íntegra. Como exemplos, temos:dengue, doença de Chagas e malária;

d) vagina e uretra (via urogenital) - os agentes infecciosos penetram nos hospedeiros pelos órgãos genitais, por meio de secreções e do sêmen, nos contatos e relações sexuais. Assim ocorre a transmissão da sífilis, gonorréia, AIDS, tricomoníase, herpes genital e o papilomavírus humano.

CICLOS DE VIDA DE PLATELMINTOS (VERMES ACHATADOS)

Referências

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Os fungos com 81,5%, os vírus com 5,1% e as bactérias com 5% foram os causadores de doenças bióticas encontrados com maior freqüência, os demais foram deficiências e outros