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Brás, Bexiga e Barra Funda. Alcântara Machado

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Academic year: 2022

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OBRA ANALISADA Brás, Bexiga e Barra Funda

GÊNERO contos

AUTOR Alcântara Machado

DADOS BIOGRÁFICOS

Nome completo: Antônio Castilho de Alcântara Machado D’Oliveira.

Nascimento: em dia 25 de maio de 1901, na cidade de São Paulo.

Morte: em 14 de abril de 1935, na cidade do Rio de Janeiro.

BIBLIOGRAFIA Obras:

Pathé Baby, 1926;

Brás Bexiga e Barra Funda, 1927;

Laranja da China, 1928;

Anchieta na Capitania de São Vicente, 1928;

Comemoração de Brasílio Machado, 1929; Mana Maria, ed.

Póstuma, 1926; Cavaquinho e Saxofone, ed. Póstuma, 1940.

RESENHA Sendo um livro de contos, existem na verdade vários enredos curtos. Cada um destes contos foca-se em membros dos três bairros paulistanos do título e são neo-realistas. O autor, no prefácio, define o livro como um jornal e os contos como notícias, adicionando ainda mais realismo às histórias. Na linguagem, há mistura de italiano e português, num riquíssimo linguajar dos habitantes desses bairros.

Gaetaninho

Gaetaninho era um menino dos mamelucos formado. Era pobre, muito pobre. Andava de carro só em enterro ou casamento. Sonhava estar andando de carro. Era apenas um sonho. Sonho difícil de se realizar graças à pobreza. Um dia jogando bola Gaetaninho foi atropelado por um bonde e morreu.

No bonde vinha seu pai. Agora o que era sonho se tornara realidade. Gaetaninho agora andava de carro. E no carro da frente, dentro de um caixão fechado com flores pobres por cima.

Carmela

Carmela e Bianca saem juntas do serviço. Carmela é linda e possui um lindo corpo. Ela é admirada por todos que passam por ela. Bianca é estrábica e feia e, por isso, é apenas a sentinela da companheira. Carmela, porém, não gosta de ser admirada como

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é. Bianca adoraria ser, mas não é. Os únicos homens que chegavam para conversar com Bianca era para perguntar algo ou mandar algum recado para a amiga. Como um rapaz chamado por caixa-d’óculos pede a Bianca que avise a amiga que ele a espera às oito horas atrás da igreja Santa Cecília. Bianca avisa.

Carmela da uma de durona, mas vai. No encontro caixa-d’óculos convida Carmela a um passeio de carro. Ela só aceita na condição de que Bianca vá junto. Os dias passam e Carmela agora diz a Bianca que nos próximos passeios ela não irá junto por pedido de caixa-d’óculos. Bianca se irrita. Bianca quando nervosa rói as unhas todas e sai. No passeio encontra Ernestinha. Esta pergunta, a Bianca sobre o Angelo companheiro de serviço de Bianca. Esta diz que é pra casar. Ernestina se assusta.

Tiro de Guerra nº 35

No Grupo Escolar da Barra Funda, Aristodemo Guggiani ficou sabendo que o Brasil foi descoberto sem querer e que é o país maior, mais belo e mais rico do mundo. O professor Seu Serafim fazia, no final da aula, os alunos contarem o hino nacional e o da bandeira. Quando o sinal batia o pessoal saia vaiando Seu Serafim. Aristodermo saía da escola e ia para a oficina mecânica do cunhado. Era um moleque danado. Entre suas encrencas a mais marcante foi quando quase morreu afogado no Tietë. Aos 20 anos brigou com o cunhado e foi ser cobrador numa Companhia de Autoviação que fazia a linha Praça do Patriarca- Lapa. Logo arrumou uma namorada. Seria feito, no seu emprego, um sorteio para escolha de defensor da pátria. Para escapar do sorteio, Aristodemo ostentava agora a farda de soldado de tiro- de-Guerra nº 35. Lá ele era a base da Segunda esquadra e foi escolhido para ser ajudante-de-ordens do Sargento Aristóteles Camarão de Medeiro natural de São Pedro do Cariri. Seu primeiro dever era saber o hino nacional de cor. Foi aí que deu valor a Seu Serafim, o professor da Antiga Escola. O Segundo dever era ensaiar o hino com toda a esquadra. Durante o ensaio um descendente de alemão sorria em vez de cantar como todos.

Disse que não contava porque não era brasileiro e levou um tapa na cara dado por Aristodemo que ensaiava à esquadra o hino. O Sargento ao saber, disse apenas que ouviria testemunhas e iria proceder como fosse de justiça. A justiça foi feita: O Alemão era desligado do tiro-de-guerra e Aristodemo apenas suspenso por um dia. O Alemão desligado por falta de nacionalidade e Aristodemo suspenso por um dia por falta de respeito em relação ao tapa dado no Alemão Guilherme Schwertzb. A conselho do sargento, achou melhor sair do tiro-de-guerra e hoje trabalha na Sociedade de transportes Rui Barbosa Ltda na mesma linha da Praça do Patriarca-Lapa.

Amor e Sangue

Grazia não queria mais falar com Nicolino. Por mais que ele tentasse ela não queria mais saber dele. Ainda esperançoso foi até o barbeiro cortar o cabelo e fazer a barba para ver se, mais bonito, reconquistava seu amor. No barbeiro ficou sabendo que um jovem matara uma moça por um amor não correspondido.

Achou bandidagem tudo aquilo, não amor.

Saiu do barbeiro e topou com Grazia. Ela não queria mesmo saber dele. Nicolino ameaçou até se matar, mas nada dela voltar a falar com ele. Foi então que ele voltou aborrecido. Mais tarde

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quando Grazia conversava com Rosa, Nicolino veio conversar com ela (ou tentar pelo menos) pela última vez pedir que ela voltasse com ele. A tentativa foi de novo em vão. Então foi, que, com uma punhalada ele a matou. Disse ao delegado que só matou porque estava louco e porque era um desgraçado. O estribilho do Assassinato por amor causou furor na zona.

A Sociedade

O filho de Salvatore Melli chamado Adriano Melli namorava Teresa Rita filha do conselheiro José Bonifácio cuja esposa não gostava nem um pouco do namorado que a filha arrumara. Um dia Salvatore melli e o Conselheiro José Bonifácio fizeram um ótimo negócio juntos. O negócio fora tão bom para ambas que logo

seus filhos casaram um com o outro e a mulher do Conselheiro que era contra se apegou com o genro e passou a gostar dele, formando um forte laço de amizade.

Lisetta

Lisetta entrara no bonde com Mariana, sua mãe. Logo notara um ursinho, um lindo ursinho nos braços de uma menina rica. Ficou encantada. Quis tocá-lo, a menina percebendo abraçou com força o ursinho. A mãe da menina rica achou ruim e nem respondeu ao pedido de desculpas de Mariana. Lisetta começou a chorar por querer apenas tocar no ursinho e não poder. Ao chegar em casa Lisetta apanhou bastante de Mariana pela vergonha que causara.

Seu irmão Ugo deu-lhe um pequeno ursinho, ela de alegria correu para o quarto e fechou-se por dentro com o ursinho que ganhara do seu irmão.

Corintians(2) VS. Palestra(1)

Miquelina fora até o Palestra Itália ver seu time do coração, o Palestra, jogar contra o rival Corintians. Queria também e torcia para que o astro de seu time, o Rocco, humilhasse o astro Corintiano chamado de Biagio. Mas o que vira foi totalmente o contrário. Seu time perdia por um gol a zero e seu astro Rocco faltando oito minutos para o termino da partida fez penalti em Biagio e o Corintians ganhou o jogo por dois gols a zero.

Miquelina saiu de campo nervosa e nada queria.

Notas Biográficas do Novo Deputado

Juca recebera uma carta do administrador da Santa Inácia e, por ela, soube que o pai do seu afilhado Gennarinho, o compadre João intaliano havia morrido de uma anemia nos rim. O administrador perguntava ao patrão o que fazer com a criança.

Junto de sua esposa, Dona Nequinha, resolveram trazer o menino para morar com eles. Tratavam dele como um filho e gostaram dele. Gennarinho tinha nove anos e causava admiração em Dona Nequinha por sua esperteza. Só não gostavam do seu nome e o traduziram ficando Januario. Depois resolveram se preocupar com o futuro do menino. Colocaram-no na escola do Ginásio de São Bento. O Reitor do Colégio perguntou o seu nome inteiro, ele, com pressa, respondeu: Januário Peixoto de Faria e

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foi para o recreio.

O Monstro de Rodas

Morrera uma criança. Uma menina pequena. Durante a caminhada para o enterro mulheres choravam, homens também choravam. Crianças brincavam e faziam apostas. Fora enterrada.

De volta para casa olharam para o retrato que publicaram na Gazeta. Pelo retrato admiraram sua beleza, mas de mais nada isso adiantava. O pai tinha ido conversar com o advogado.

Armazém Progresso de São Paulo

O armazém do Natale era célebre em todo o Bexiga por causa das ofertas que fazia dizendo que dava um conto de réis a quem provasse que na sua venda não tinha artigos de todas as qualidades. O filho do doutor da esquina brincava com Natale sobre a oferta tentando achar algo que o armazém não possuía.

Ele marcava tudo o que comprava na conta do pai só com pseudônimos. O armazém tinha crescido nos últimos tempos graças ao trabalho forte dele e sua esposa a Dona Bianca que suava firme na cozinha. Certo dia Dona Bianca fora servir um cliente por nome de José Espiridião e este mexera com ela.

Correu a contar ao marido. Este ao ir conversar com Espiridião fora tapeado na mudança da conversa para o aumento do preço da cebola. Natale voltou para a esposa e perguntou se tinha cara de idiota. Esta fora dormir se vendo no palacete mais caro da Avenida Paulista.

Nacionalidade

O barbeiro Tranquillo zampinetti era bem tranqüilo. A tarde sentava junto a sua esposa na calçada e falavam somente na Itália. O único desgosto, que sentiam era esse. Saudades da terra natal. Ia dormir com a idéia de voltar à pátria na cabeça.

Ele era proprietário de vários prédios em São Paulo. Chorou como uma criança o Bruno se formou bacharel em Ciências Jurídicas e Sociais pela Faculdade de Direito de São Paulo. O primeiro serviço profissional do Bruno foi naturalizar brasileiro Tranquillo Zampinetti, cidadão italiano residente em São Paulo.

ESTILO DE ÉPOCA Modernismo

INTERTEXTUALIDADE

A obra intertextualiza com as disciplinas de História, Geografia, Sociologia e Política por contextualizar a enorme contribuição do imigrante no desenvolvimento sócio-econômico brasileiro, assim como a influência cultural e lingüística dos imigrantes, principalmente os italianos na composição da paisagem brasileira.

A prosperidade do café na segunda metade do século XIX, antes das crises de superprodução deste século, gera a acumulação de capitais que vai tornar possível a arrancada da industrialização.

Uma convergência de circunstâncias propícias concorre para fazer

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de São Paulo a grande metrópole industrial de hoje: os capitais dos barões e comissários do café; a energia elétrica produzida pelos canadenses da Light na represa Billings, vizinha à cidade; a mão-de-obra e o mercado consumidor fornecidos pelos imigrantes; as restrições às importações conseqüentes à Primeira Guerra Mundial.

Os imigrantes italianos serão, ao mesmo tempo, agentes ativos e beneficiários da industrialização e os nomes peninsulares ficarão para sempre ligados à revolução industrial paulista. A participação italiana é sensível já na fase inicial de indústria de bens de consumo, alimentos ou tecidos, dominada pelos Matarazzos e Crespis, durante a qual o Conde Francisco Matarazzo aparece como a figura simbólica dos novos magnatas, uma espécie de Rockefeller paulista. Mais tarde, ela se acentua no desenvolvimento da indústria pesada de máquinas e equipamentos, onde a inventividade mecânica dos italianos do norte vai criar os gigantes industriais de hoje, os Bardellas, os Dedinis, os Romis.

Se a História, mais sensível ao êxito ostensivo do que às vidas obscuras, vai guardar apenas os nomes dos donos de fábricas, é preciso não esquecer que eram também, em geral, italianos os que operavam essas fábricas. E serão italianos os trabalhadores que introduzirão no Brasil as correntes de pensamento e ação sociais da Europa contemporânea, o que se chamava, na linguagem policial de então, as doutrinas exóticas: o anarquismo, o socialismo, o movimento sindical, a organização das primeiras greves.

É nesse contexto dinâmico de expansão econômica, de aumento da população, de modernização urbana, de criação de oportunidades que se situam dois fenômenos, um cultural, outro sociológico: a Revolução Modernista de 22 e a emergência da geração dos filhos de imigrantes. Do encontro desses mundos vai surgir o livro de Alcântara Machado.

VISÃO CRÍTICA

Alfredo Bosi aponta em Alcântara Machado, no qual reconhece o grande prosador do Modernismo paulista, o renovador da estrutura e do andamento da história curta. Depois de aproximá- lo a Lima Barreto, no realismo de uma literatura voltada para as ruas da cidade, o crítico contrasta a pungência do romancista dos subúrbios do Rio com o divertissement das páginas do paulistano. "Nelas, uma análise ideo-estilística mais rigorosa não constata nenhuma identificação coerente com o imigrante, pitoresco no máximo, patético porque criança (o conto do Gaetaninho), mas, em geral, ambicioso, petulante, quando capaz de competir com as famílias tradicionais em declínio. O populismo literário é ambíguo: sentimental, mas intimamente distante... é sensível, a uma leitura crítica dos contos, esse fatal olhar de fora os novos bairros operários e de classe média..." E mais adiante: " foi, assim, uma inclinação liberal e literária pelo pitoresco e pelo anedótico que o fez tomar por matéria de seus contos a vida difícil do imigrante... esses dados de base ajudam a entender os limites do realismo do escritor, visíveis mesmo nos contos melhores, onde o sentimental ou o cômico fácil, mimético, acabam por empanar um visão mais profunda e dinâmica das relações humanas que pretendem configurar".

Referências

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