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Comissanado do ciclo de Exp0si9c.es

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(1)

Mana Natalia Bnto da Silva Correia Guedes

MUSEOLOGIA

E

COMUNICACO

Volume I

Dissertaco de Doutoramento em

Antropologia

(especializaco

em

Museoiogia),

apresentada

Faculdade de Cincias Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa

(2)

Museologia

e (

'omuntcagdo

Introdugo

INDICE GERAL

I

VOLUME

I PARTE

Museologia

e

Comunica^o

Capirulo

I -

Museologia

- Tcnica, Cincia e Arte

Capitulo

II

-Museologia

e

Comunica^o

Eficcia das expos19c.es na transrmsso e recolha de elementos relacionados com o

patnmmo

cultural

Capitulo

III - "Conhecer

Portugal"

Ciclo de

exposices

tmerantes destinado aos Pases e Comunidades lusfonos

Objectivo

e mbito

Comissanado do ciclo de

Exp0si9c.es

Investiga^o,

selec^o

dos

objectos

e recolha

bibliogrfica

27 1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. 8. 9. 10. Publico

Localiza^o

Conserva^o

e seguran^a do edifcio e das

colec^es

Apresenta^o

das

colec^es

-anteprojecto,

plantas

e

al^ados

da

Exposi^o.

Memona descritiva do esboceto

Dtvulga^o

-apoio

pedaggico

e

publicitano

Rubncas para estimativa de encargos

(3)

Museoiogia

e (

'omumcagao

Esquema

de

planeamento

de uma

exposi^o

tinerante.

Temponza^o

percentual

Pameis

-modula^o

geral

Pameis e \_tnnes -

pormenonza^o

II

VOLUME

IlParte

"A Arte de trabalhar a madeira. Animo

ngelo.

um entalhador de Lisboa da 2a metade do seculo XVIII" Elementos para a pnmeira

Exposi^o mtegrada

no ciclo

"Conhecer

Portugal"

158 160 161

1.

Capitulo

I - Memna descntiva da

Exposi^o

Esquema

da

correspondncia

dos pameis com as vitrmes e bases

Cap

tulo II - Roteiro da

exposi^o

Pamel mtrodutono

A arte de trabalhar a madeira - Painis I a XVI Antnio

ngelo,

um entalhador de Lisboa da

segunda

metade do seculo XVIII - Paineis XVII a XXXII

Terminologia

A Arte de trabalhar a madeira na Guin-Bissau - Pamel XXXIU

Plantas e

al^ados:

Esquema

de

coloca^o

de

objectos

e textos

nos

painis

Pamel da zona de

nicia^o

Esquema

geral

da

Exposi^o:

corte e

distnbui^o

no espa^o

(4)

Museologia

e

Comumcagdo

III

VOLUME

Concluso 428

Apndice

documental 439

1 . Manuscntos 44 1

2.

Impressos

^08

Anexos 542

1 .

Questionano

543

2. Entidades porruguesas vocacionadas para fmanciar

activida-des culturais nos

pases

lusfonos 547

3.

Inquento

ao visitante 550

4. Ficha de

identifica^o

da pe^a 553

5. Ficha descntiva

global

^>54

6. Ficha de candidatura 557

7. Circular para os

rgos

de

comumca^o

social 562

8. Desdobrvel

publicitno

563

Bibliografia

consultada:

Museologia

e

Museografia

565

Exposi^es tempornas

organizadas

por

Portugal

nas colnias e

no estrangeiro 571

Os Museus e a

preserva^o

das culturas autctones 574

Comumdades portuguesas no mundo ^83

Talha em

Portugal

^84

Diversos 587

(5)

Museologia

c (

'omumcagao

(6)

Museologia

e

Comumcagdo

"A cu!**'.ra e desde sempre o instrumento de comunicaco entre os povos na medida em que

pode

contnbuir fonemente para o estbrv*o da compreenso internacional. reconhecendo as

especificidades

das formas de expresso e dos valores culturais propnos de cada sociedade"1

Folheamos. dentro de seis anos, a pagina do

segundo

milenio.

Na tbua

cronolgica

vemos

registado

um pequeno pais que

permanece com as mesmas fronteiras desde o seculo XII

-Portugal;

desenvolveu-se

poltica,

econmica e socialmente

enquadrado

no continente europeu at que, no sculo XIV. iniciou um movimento de

expanso

para alm Atlntico de tal dimenso. em tempo, em

espa^o, em

espintualidade

que todo o orbe terrestre dele ra usufruir

directa ou indirectamente.

Conhecidos ento por "nambam

jin",

"reinois" ou

"patres".

os portugueses aliaram a destreza argucia, a coragem ao

realismo;

foram pioneiros na cincia nutica, na justi^a. na

engenhana.

na

medicina

aplicada

ao novo mundo descoberto

s

artes, a literatura e

(7)

Museoiogia

e Comunicagdo

a outras

expresses

culturais eram e so sensiveis. cnando tormas. espa^os e compos19c.es inovadoras.

Mas, nesta como noutras areas, nunca a fama correu celere fora de fronteiras; por

nibi^o

ou alheamento dos propnos. por debilidade das estruturas estatais que destes feitos se no ocupou, favorecendo estrategias adversas de

provenincia

exterior?

Certo e que a magem cultural de

Portugal

no extenor nem

sempre foi devida a

aten^o

que merece; to pouco andou a par como devia, com um harmomoso desenvolvimento cultural nas suas antigas colnias.

Um estudo

comparativo

com

posi^es

similares

-Fran^a

e

Inglaterra

-comprovam a necessidade de rever a

situa^o.

Paises que conheceram, como ns, momentos economicamente desfavorecidos

mas, nem por esse motivo, se alhearam da sua

responsabilidade

em

rela^o

ao desenvolvimento cultural ultramanno.

(8)

Museoiogia

e (

'omumcagdo

social,

ao seu futuro e de promover uma ordem mundial de ntercmbio. baseado no respeito

pelas

culturas locais":.

"LEurope

sera culturelle ou

qu'elle

ne sera

pas*'.

adverte Pierre Martens, "c'est debordant ses propres frontires

plus

mme

qu'elie

n'a pas jamais pu le faire autrefois en s'ouuant aux autres en donnant

et en recevant

qu'elle

mamfestera cette dentit

plunelle

ncessament

renaissante qui est la siemie; et il n'est pas pour elle d'autre chose ni

d'autre salut"3

"Libertando-se de um europocentnsmo

ultrapassado.

a

Europa

deve contmuar a dar aos outros continentes a sua melhor

contnbui^o

para um humanismo umversalizante e colaborar com as

outras sociedades na tomada de conhecimento de si propnas na

constru^o

cientifca da sua histna. na

valoriza^o

do seu

patnmmo

e no prosseguimento da

nvestiga^o

cientifca e de

cna^o

cultural. Devemos trabalhar em conjunto para uma nova ordem economica. uma nova ordem

poltica.

uma nova ordem social e uma nova ordem cultural mundiais porque so uma

logica

nica os

pode

conduzir a um futuro de

equilbno

e desenvolvimento

relan^ando-nos

para trs eixos: a) a

democratiza^o;

b) a inverso de

valores,

normas, atitudes, formas de pensamento. modalidades de sensibilidade e de ac^o. maneiras de viver; c) a um

(9)

Museoogia

c ( 'omumcacdo

desen.olvimento que nos encaminha para sociedades de acordo com as

aspira^es

e as fnalidades culturais dos homens"4

Quando

hoje

a

reafrma^o

da nossa dentidade e bem visivel ntra-muros (embora ainda sem serem

garantidos

meios sufcientes que

permitam

a

preserva^o

dos testemunhos materiais) urge repensar metodos e meios para a promover no extenor, no so na

Europa

plunfacetada.

mas sobretudo nos Paises e Comunidades lusofonos.

Reummos referncias aos passos "ofciais" de transmisso cultural alm tronteiras dados no nosso sculo. fxando-nos com mais detalhe na

ac^o

desenvolvida ultimamente nos Paises afncanos e no Brasil.

oportuno

interrogarmo-nos

se sera

pnontno

ntensifcar junto destes Pases a transmisso de cultura portuguesa.

quando

a saude. o ensmo, as

comunica^es

virias so reas que apresentam ainda. em muitos casos, ndices de subdesenvolvimento. A esta

questo

responde

a

prpna

UNESCO com o

lan^amento

da Dcada mundiai do desenvolvimento cultural -

"Qualquer

projecto de desenvolvimento econmico e social que no tenha em conta o meio cultural e natural de uma determinada

popula^o,

arnsca-se a ser votado ao fracasso"5.

4 GODINHO. Vitorino Magalhes. Identite cuhurelle et Humanisme Pag. 75.

(10)

Museoiogia

c (

'omumcagdo

A cultura portuguesa nsere-se, por direito propno, na identidade histnco-cultural de seis Paises e em centenas de Comunidades.

espalhadas

pelos

cinco continentes. Paises e Comunidades jovens. tantas vezes alheias as suas propnas raizes. So cerca de dez

milhes de pessoas que testemunham

biologicamente

a nossa

presen^a. mas gnoram ou sumanamente conhecem a cultura que Ihes deu ongem ou se cruzou com a sua. "Situado na charneira entre os

pases tecnologicamente avan^ados

e os paises

dependentes,

Portugal

ocupa de facto uma

posi^o

estratgica

para a transferncia

tecnolgica

em

largas

regies

do mundo. com

particular

relevo para Africa de

expresso

portuguesa"6.

A

lngua

portuguesa une-nos mas no tende a ser a nossa Patna.

como sonhou Pessoa, se no Ihe soubermos cnar as

condi^es

de

sobrevivncia;

ora, a transmisso

oral,

solada de

expresses

matenais dilui-se na

segunda

ou terceira

gera^o

e os

exemplos

no faltam, bem

prximos

de ns - Malaca, Macau. Guine Bissau.

exemplifcam

este facto.

0

ndispensvel

relacionamento directo entre som e

objecto

temos que o reencontrar, no s na

lingua

portuguesa e nos testemunhos matenais da cultura ponuguesa, mas tambm e

especialmente

nas

expresses

que

filolgica

e matenalmente lhe so

(11)

Museologia

e (

'omunicagao

afns - o cnoulo como a arte

afro-portuguesa.

o concamm como a arte

mdo-portuguesa,

o malaio como a arte sino-portuguesa.

A

bibliografa

consultada cerca dos Paises e Comumdades de

Lingua

portuguesa e escassa no que se refere a estudos de

pubhco-tipo. eventual beneficiano da

exposi^o

que programamos; no

Brasil,

sentimos uma enorme avidez por tudo o que diz respeito a cultura portuguesa e o

publico

aflui a pnmeira chamada de

aten^o

para

qualquer

miciativa, quer seja

conferncia,

visita

guiada.

exposi^o.

lan^amento

de um

Ivto,

sendo at usual a entrega de certificados de presen^a em encontros ou

palestrasT.

Idntica

reac^o

no

podemos

registar em contactos mantidos na Guin

Bissau,

tendo venficado. no s que a

lngua

portuguesa apresenta uma percentagem decrescente de

utilizadores,

como so raras as niciativas culturais ali

apresentadas pelo

nosso pais. Numa visita a uma

tabanca,

perto de Gabu. de quinze habitantes

contactados,

apenas uma

palavTa

sabiam em

portugus

-"arnigo"*;

qumhentos

anos de

permanncia

num terntno esto a diluir-se

rapidamente;

uma pesquisa conjunta. com

mvestigadores

dos dois

pases

mprescindvel

para apresentar localmente os testemunhos matenais dessas

pocas

e retomar o fio condutor da

nterpenetra^o

das duas culturas.

Factos constatados pessoalmente por ocasio do "I TRIOMUS". que decorreu no Rio de Janeiro em 1987

8 Visita integrada no "III Encontro de Museus de Paises e Comunidades de

(12)

Museologia

e ( 'omumcagdo

A lenta

evolu^o

pohtica

de

.Angola

e

Mo^ambique

para a democracia no tem

permitido

restabelecer coin seguran^a os contactos culturais; escassas feiras do livro (alias. sempre muito bem acolhidas). mtercmbio de tecmcos. de escntores. de

professores,

tm constituido ensaio para programas de maior

amplitude.

A

implanta^o

da cultura portuguesa nestes dois paises e de tal forma evidente na

lngua

como na arte. que

podemos

considerar

pnontna

a

realiza^o

de levantamentos sistemticos do

patnmmo.

A arte

afro-portuguesa

atingiu ali as suas

expresses

mais

significativas

e a

persistncia

de artifces conhecedores de tcnicas. estilos e

policromias

ancestrais so motivos para mcrementar a sua

recupera^o

e transmisso mediata.

A

prpna

exposi^o

podera

optar por tematicas referentes as maiores carncias da

popula^o

- saude,

higiene.

transportes, etc.

-em clara

conjuga^o

com os mais recentes propositos da UNESCO que citamos: "deve ser dada uma

grande

pnondade

em 1992-93 a

implementa^o

do programa seguinte (...):

preserva^o

do

patnmnio

cultural fsico e no fsico; a dimenso cultural do

desenvolvimento;

dentidade cultural e

dialogo

ntercultural como

factor de coexistncia

pacfca

de grupos e

na^es"9. Especialistas

mo^ambicanos

reconhecem esta necessidade de

adequa^o

pedaggica

e civilizacional s tcmcas

museolgicas.

(13)

Museoiogia

e ( 'omumcagdo

"Em

geral",

diz-nos Alda Costa, Directora do

Departamento

de

Museus da

Direc^o

Geral do Patnmonio Cultural de

Mo^ambique.

"nas sociedades em desenvolvimento. a

urgncia

do desenvolvunento economico e do progresso cientfico e tecnico tem feito esquecer a dimenso cultural do desenvolvimento. Desenvolvimento e com

frequncia

concebido apenas em termos de progresso

tecnologico

e crescimento econmico. Mas a

defni^o

de desenvolvimento tem

vindo a ser revista. 0 fracasso de muitos projectos de

desenvolvimento concebidos exclusivamente em termos economicos,

tem contnbuido para mudar o conceito de desenvolvimento. Crescente

aten^o

vem sendo

prestada

dimenso cultural de

desenvolvtmento e

defm^o

e

mplementa^o

de

politicas

culturais

que, assentes na

preserva^o

e

afrma^o

da

heranga

e dentidade cultural, sirvam o desenvolvimento"lu.

Maior

sensibiliza^o

e meios efcientes esto a ser

dispombilizados

em S. Tom e

Prncipe

e em Cabo Verde. em que diversos Fortes e

Igrejas

de

constru^o

lusa foram dotados de verbas

para

recupera^o

e

reutiliza^o;

no esque^amos, no entanto. que por todo o litoral Atlntico ocidental, pequenas comunidades de

lngua

portuguesa

aguardam

uma chamada de aten^o dos organismos ofciais para a necessidade de restauro do patnmonio

(14)

Museologia

e ( 'omumcacdo

construido ali existente e do estudo de

tradi^es

e artes quase em

extin^o.

0 Forte de S. Joo

Baptista

de

Ajuda

e um oasis no

panorama

degradado

das

constru^es

belicas

dispersas

em antigos entrepostos;

ndispensavel

e. agora. reutiliza-las modelar e simbolicamente.

De Malaca a Colnia do Sacramento nem tudo se

perdeu

da

presen^a dos antigos habitantes portugueses - mobiliano. talha,

pormenores de

constru^o.

jogos.

dan^as,

permanecem a par do

patrunnio

construido.

A quem compete ncentivar a

execu^o

do levantamento de todos

estes testemunhos. se no pnontariamente a ns

portugueses0

Comunidades portuguesas nsendas em

pases

europeus,

norte-amencanos e asiticos tm nsistentemente solicitado as mstncias ofciais, a

orgamza^o

de iniciativas que

transponham

para as suas

associa^es

ou clubes a

imagem

do seu

pais

de ongem.

Expos19c.es

que Ihes falem das suas raizes, da sua histna. da sua cultura. que contnbuam para a sua

afirma^o

local,

ultrapassando

ate por vezes

complexos

ou outras dificuldades de

nser^o;

pretendem

uma

presen^a real da cultura de um

pas

que foi ongem de quantos falam

portugus.

Comumcar

palavra

chave neste fnal de seculo; se no o

fizermos- se no o recuperarmos e dermos voz portuguesa ao

(15)

Museologia

e (

'omumcagdo

cultura. a cincia. a tcnica aos paises de

lingua

portuguesa e

promover de novo uma vivencia que persiste naturalmente na

lmgua.

evitando novos e diferentes desenraizamentos.

Por certo. o

exemplo

da Suecia nos sera de novo muito util

-colaborando activamente com os organismos

mo^ambicanos.

conforme se

depreende

do resumo da

pnmeira

reunio do

Programa

dos Museus Afro-Suecos (Estocolmo, 1989) - "Nos temos muito a

aprender

uns com os outros. Mas o mais fecundo ser fazer

qualquer

coisa em

conjunto"11.

Estando

provado

que uma

exposi^o

temporana e um dos melhores meios de

aproxima^o

ou

sensibiliza^o

da Comunidade.

propomo-nos apresentar o programa de um ciclo de

exposi^es

dinmicas, de to fceis acesso, leitura e transporte. quanto

possivel.

que transmita simultaneamente a magem do

pas

real. vivo. actuante.

disponivel.

aberto a um mais mtenso mtercmbio cultural. visando

estimular o ncio ou o prosseguimento de caminhos de

pesquisa.

preserva^o

e recolha do

patnmonio

cultural dos locais onde vier a decorrer a respectiva tinerncia.

Atravs de um conjunto de pe^as onginais. de

documenta^o.

de montagens

fotogrfcas,

apresentar-se-a, no Ciclo de

Exposi^es,

a

evolu^o

esttica, cientifca, econmica, de diversos temas.

1 1 Programme de MusesAfro-Suedois - Commentaires sur la Reunion et la

(16)

Museoiogia

e

Comumcagao

proporcionando

um contacto

prximo

com a vivncia

quotidiana

que lhes deu ongem.

De entre as actividades

museologicas.

destmadas

especialmente

ao

publico.

a

exposi^o

temporana tem vindo a assumir nas ultimas dcadas um

papel

fundamental, se no o de maior nnpacto: o seu

pnncipal

objectivo

e atrair a

aten^o

para

colec^es

privadas

ou de

museus, pouco conhecidas,

proporcionando

a

oportunidade

de

elabora^o

de

monografas,

de estudos

aprofundados;

pode

associar,

por outro

lado,

os mais diversos aspectos que concorreram para a

gnese

dos

objectos

expostos.

As matenas para uma

exposi^o

so vastas, todos os temas so dissecveis em minucia e a efccia desta tecnica tem vindo a

propagar-se com tal progresso que de admitir que o futuro dos museus esteja

preferencialmente

na rotatividade

mplicita.

"ab

nitio", dos

objectos

a expor.

Este facto

pressupe

uma

renova^o

de mentalidades. de

estruturas bsicas nternas, permanente

actualiza^o

de conceitos,

exigncia

na

informa^o

que se

pretende

transmitir.

Expor

a custdia de

Belm,

soiada, apenas com uma

legenda

referindo a

poca

de

fabnco,

suposto autor e local de

provenincia

sena

til,

outrora. a uma minona de

forma^o

erudita; envolv-la num contexto documental que nclua referncia s tecmcas utilizadas na sua

(17)

Muscoiogia

e ( 'omumcago

epoca. e garantia de

atrac^o

de um mais vasto

publico.

porque

miciado deste modo em matena a que era totalmente alheio.

aproximando-se

gradualmente

do

objecto.

encontrando pontos de referncia a que sensivel.

Deste pnmeiro estadio,

informativo,

passa-se a um novo

nteresse - a

prepara^o

do

publico

para a defesa do

patrimnio

exposto e para o compromisso com a mensagem cultural que se subentende.

0 conservador do museu. autor do projecto da

Exposi^o

transmite. assim, uma

responsabilidade.

alargando-a

ao visitante; ele

proprio,

uma vez esclarecido. vir a propor programas

complementares

a partir de elementos que possui e a que nunca tinha dado a devida

aten^o.

A

expenncia adquinda

no nosso pais, no tanto nos museus

nacionais,

mas nos pequenos museus do

mterior,

leva-nos a

reconhecer as excelentes

condi^es

actuais para promovermos uma

poltica

de ntercmbio cultural com os paises lusfonos. Confrmam-no

grandes

expoentes europeus; Kenneth Hudson, Presidente do Jun do "Prmio do Museu

Europeu

do

Ano",

afirmou em 1990: "ha um

grande

talento

museolgico

em

Portugal

e o

pas

tem um nmero

considervel de pequenos museus

simples

e nada sofsticados.

produto

de um forte sentido artstico e de pouco dinheiro"!: A

i: HUDSON, Kenneth 1992

(18)

Museoiogia

e ( 'omumcagdo

exposi-yo

premiada

"Siglas poveiras"

(Museu da Povoa do Varzun.

1980). as

exposi^es

dos Museus da Vinha (Cartaxo) e

Municipais

do Seixal e de Alcochete so

alguns

e.xemplos

da recolha. est.ido e

apresenta^o

de matenais feita com o

empenho

directo da comunidade local.

Propomos.

assnn. a

organiza^o

de um Ciclo de

Exposi^es

tinerantes. destinado aos

pases

aricanos lusofonos.

cujas

tematicas portuguesas - artisticas, tecmcas e cientifcas - sirvam de ncentivo. no s

preserva^o

e

divulga^o

do patnmonio local com

aquelas

directamente

relacionado,

mas que. de

igual

modo. conduzam a um reencontro de culturas. colaborando no levantamento e

conserva^o

do

patnmmo

autctone.

Consolidadas as estruturas

politicas

nos

pases

africanos lusfonos. esto reumdas

condi^es

para

correspondermos

as nstantes

solic1ta9c.es

que nos tm

dirigido.

A

museolga

brasileira. Df Lourdes do

Rego

Novais, resumiu

claramente no texto segumte a necessidade de proporcionar este

dilogo

nter-cultural a que nos referimos - "estamos convencidos

que somente atravs de um trabalho conjunto

poderemos

assegurar a

continuago

de uma

heran^a

cultural similar da

civiliza^o

portuguesa que se ennqueceu ainda mais com tudo

aquilo

que havia

(19)

Museoiogia

e

Comumcagdo

portuguesa"13.

"Os

la^os

histncos e culturais que nos unem so to fortes e to diversificados que

gnora-los

sena uma

promo^o

do

nosso etnocidio", afirmou Manuel

Veiga.

representante de Cabo Verde. no II Encontro de Museus de Paises e Comunidades de

Lingua Portuguesa,

refor^ando

mais adiante o desconhecimento mutuo dessas

1nter-rela9c.es

e das marcas-testemunhas que vimos

esculpindo

no universo deveras preocupante.

particulannente

quando partilhamos

um substracto cultural comum, diversos aspectos de uma mesma histna e de uma

lngua

de

intercomunicago

cuja

co-propnedade

legitimamente

reclamamos; todas as ac^es que visem pois o nosso encontro-reencontro so bem vmdas e merecem a nossa melhor

aten^o"14.

A vastido do tema. a apresentar num espa^o unico.

provavelmente

restnto, exige uma cntenosa

selec^o

dos

objectos;

ter que ser

partilhado

em

exposi^es

ciclicas.

complementares.

permitindo

por este motivo a

permanncia

de um mteresse expectante - subtemas escolhidos com a

participa^o

de

representantes de todos os

pases

mplicados

de modo a obter-se consenso de nteresses, mtodos,

calendanza^o

e actividades

complementares.

Apresentando

embora aspectos

parcelares,

cada

13 // Encontro de Museus de Paises e Comumdades de Lmgua Portuguesa.

Mafra.1989. Pag. 33

14 "Museus de Cabo Verde". n // Encontro de Xtuseus de Paises e

(20)

Museologta

e ( 'omunicagao

exposi^o

mtegrar-se-a num conjunto. estudado de forma a

poder

reumr-se caso se venham a venfcar

condi^es

especiais.

A escolha dos

objectos

onginais a expor no tera que recair

necessanamente em

obras-pnmas.

to pouco apenas em obras de

arte. mas em testemunhos de tima epoca. acontecimento ou mentalidade,

abrangendo

aspectos que vo da

antropologia

a

economia, da

pre-histna

aos tempos de

hoje;

a leitura da mensagem

que se

pretende

transmitir no admite

quebras

de percurso. ausncia

de contexto. desarmonia de volumes, de matenais. de processos

expositivos.

Para a sua montagem ser necessno

proceder-se

a um

recrutamento de

pessoal

devidamente habilitado em

museografa.

prefenndo-o

a outras areas

profssionais,

sendo o programa elaborado conjuntamente por

especialistas

nos diferentes temas a

desenvolver.

A

penodicidade

que se

pode

considerar deal em

fun^o

das

disponibilidades

fnanceiras, tcmcas e outras condicionantes

locais,

a

anual,

prefenndo

uma

poca

alta. de maior afuxo de

publico

por

ocasio de

realiza^es

tradicionais como feiras, festas.

peregnna^es.

Neste aspecto, cultura, comercio. tunsmo.

religiosidade

no se

podem

alhear; se se

prev

que, numa pnmeira fase, o

publico

a

atingir

no est sufcientemente motivado para este

tipo de

exposi^es.

atendendo diminuta

sensibiliza^o

que possui.

(21)

Museologia

c

Comumcagao

acontecimento que congregue um numero

sigmfcativo

de

pubhco.

cnando

cond19c.es

atractivas para a

exposi^o.

Os pressupostos tecmcos da

exposi^o

tero em conta o estudo

prvio

do

ptiblico,

do pais real receptor,

respeitando

o seu grau de ensino, mentalidades. preconceitos; e a

exposi^o

que vai ao encontro do guineense ou do

angolano

e no este ao museu

tradicional, mausolu nacessivel e deserto. Sera \\o mercado, \\o

estdio, no

jardim,

na tabanca, na

associa^o

recreativa que a

exposi^o

se monta. se tal fr necessano, para chamar a

aten^o.

nunca num pnmeiro andar de um edificio silencioso, de escadana

mponente mas inibidora, por contraste com a realidade

quotidiana

da maiona que se

pretende

atingir. Para que esta

op^o

seja tida em conta. com sucesso, nas diferentes fases preparatonas, alem dos

elementos habituais -

nvestigadores,

conservador,

grafco

- e

ndispensvel

a

participa^o

activa de um tcnico representante do

pais receptor, porta voz das entidades ofciais. elemento

sensibilizador da

popula^o

local. perspicaz leitor de

situa^es

que

convem destacar na

documenta^o

exibida. relator do programa

post-exposi^o.

dando-lhe continuidade local. A

exequibihdade

deste ltimo aspecto deve ser tida em

considera^o

logo

no nicio dos

trabalhos; ele e, de

facto,

um dos pnncipais

objectivos

a atingir - o

levantamento do

patnmnio

local.

(22)

Museologia

e ( 'omuntcagao

possivel

desenvolver harmoniosamente culturas e valores que se

gnoram. qtie se

negligenciam

ou que pouco se conhecem. Ora. na

Afnca negra continuam a ser

desprezadas

as nquezas culttirais

nacionais.

permanecendo-se

ndiferente a seu respeito, a espera que o

publico

ocidental

reconhe^a

algumas

de entre elas, que todos se

apressam ento em consagrar e adular. enquanto no que respeita ao

essencial nem sequer as

chegam

a

compreender'

"Importa,

pois, colocar o assento tonico no unenso trabalho de

nvestiga^o

e de

compila^o

que o recenseamento requer. sem

preconceitos e sem

descnmina^es,

pois trata-se de um recenseamento de todo o

patnmmo

cultural. A

associa^o

das elites

e dos tcmcos formados

pelas

umversidades modernas, com os

ntelectuais tradicionais e os ammadores e

quadros

rurais sados das

massas

populares

e a elas

ligados,

permitira levar a bom termo esta empresa, uma vez que as

nstitui^es

representativas dos Estados

tenham, com a

participa^o

consciente e activa das

popula^es

mteressadas. defnido pnncipios onentadores e

esbo^ado

programas

de

nvestiga^o

e de recolha.

"Na

elabora^o

e na

concretiza^o

destes programas de pesquisa

ter-se-, nomeadamente. o maior cuiadado em dar a

pnondade

as

obras e aos valores culturais mais

frageis,

tais como as

tradi^es

orais cujos mestres e

grandes depositanos

esto

hoje

em dia prestes a

desaparecer.

Trata-se, regra

geral,

de cronistas e memonalistas. de

(23)

Museoogia

e (

'omunicagdo

costumes, de msicos e de

especiahstas

dos

antigos

cnticos

sagrados.

de mestres-artesos detentores dos conhecimentos

tecnologicos

niciaticos tradicionais

(pesquisadores

de ouro niciados

"nas onze diferentes

espcies

de matenas mineiras. a dcima

pnmeira das quais e o ouro. metal que foi magico antes de se tornar

em atnbuto real e em factor econmico". carpinteiros. pastores.

pescadores.

sapateiros. teceles.

pedreiros.

ferreiros,

ca^adores...).

de curandeiros. de aedos dinsticos. guerreiros. zagais. de letrados e

eruditos

mu^ulmanos,

de sacerdotes dos cultos tradicionais..."'5.

Apresentamos,

na

segunda

parte. um

exemplo

concreto do que

podera

vir a ser a

primeira

exposi^o

do Ciclo "Conhecer

Portugal

-a Arte de trabalhar a madeira. Um entalhador de Lisboa da 2a metade

doseculo XVIII".

A

aquisi^o

de conhecimentos e de tcnicas e fundamental para o

desenvolvunento econmico e social do Terceiro Mundo. As

necessidades nessa rea so

grandes

e vanadas, ndo desde a

micia^o

em

simples

tcmcas at

educa^o

universitaria.

A escolha do tema - talha ou escultura em madeira - recaiu sobre

uma das

manifesta^es

artisticas que mais atrai o

publico

e, em

especial,

o africano; usando as suas

prpnas palavras,

"a renova^o

desta arte

(escultura afncana),

a sua

conserva^o,

a

protec^o

do

artista, tm sido

frequentemente

abordadas. No obstante, continua a

(24)

Museologia

e

Comunicagdo

faltar um estudo mterno que restitua os elementos do discurso

estetico afncano, a

despeito

do

esfor^o

notvel de um E.

Mveng.

de

um B. Enwonwu. de um Obama ou de Memel. A arte negra

funcional.

religiosa.

ntmica, deve ser

objecto

de uma analise simultaneamente tcmca, esttica,

sociologica

e histonca"16.

A obra nedita de Antnio

Angelo,

o entalhador de Lisboa,

seleccionado para a pnmeira

exposi^o.

e um excelente

e.xemplo

de

artista que

apreendeu

com facilidade estilo e tcnicas. executando-as

com pencia;

abrange

quase meio seculo de actividade,

permitindo-nos dentificar

algumas

das obras de talha de maior nnpacto da

capital.

A ofcma do

entalhador,

ntegrada

na

Exposi^o.

transmitir ao visitante o conhecimento de

tecnologias

da

poca.

de modelos. de

tipos de

utihza^o,

remetendo-os para o patnmomo local afm ou

para as suas

prpnas

cna^es,

contnbuindo para o desenvolvunento harmomoso da comumdade.

De

facto,

"a

participa^o

activa das

popula^es

nos projectos de

desenvolvimento que lhes dizem

respeito

jamais considerada como

somente

desejvel.

mas sim como uma

condi^o

sme qua non para a

realiza^o

desses

projectos"1'.

Retomada no contexto da vida cultural a no^o de

desenvolvimento tomou de imediato todo o seu sentido. afrmando a

necessidade de se ter na devida conta apenas e em exclusivo. a

for^a

16 DI.AGNE, Pathe Introduqo EscuturaAfricana Pag 184

(25)

Museologia

c (

'omumcagdo

de trabalho dos homens mas de

igual

modo. a SLia identidade cultural

que e alis o fundamento da sua viso no mundo'"*.

(26)

Museologta

e

Comunicagdo

(27)

Museologia

e ( 'omumcacdo

CAPTULO

I

(28)

Museologia

c

Comumcagao

0 processo de

evolu^o

da

Museologia

conducente a sua

afrma^o

como

disciplina

cientifca tem vmdo a ntensifcar-se nas ultimas dcadas com o evidente desenvolvimento de novos

conceitos,

metodos,

anlise e sntese de

objectivos.

A Galena clssica de Arte, a

colec^o

renascentista, o "Gabinete

de cunosidades" constituem fases histricas dessa

evolugo.

em que

o

objecto

era retirado do seu contexto nicial e deifcado em espa^os elaborados e

natingveis.

Hoje

e

impensvel

admitir um Museu estatico, cnstalizado.

necrolgico;

rompeu-se defmitivamente com a apatia ou o elitismo e

esta

revolu^o

e de tal modo

explosiva

que, em 1992, a

questo

"Museus, havera

limites?",

escolhida para temtica da Conferncia Geral do ICOM19 no obteve resposta satisfatna. de tal modo so

vastos os conhecimentos a atingir.

19 Muses:

y a-t-d des limites'f ICOM, 1992

"0 sufixo -iogtd. foi pela primeira vez junto a Museu por J Graesser em

1885 (no jornal Zeitschrtft Fur Museoiogte und

Antiquitatenkunden)

fazendo a seguinte afirmaco - se ha tnnta ou talvez vinte anos alguem

(29)

Museologia

c Comumcacao

Signifca

esta ndeciso que estamos a beira do extremo oposto.

numa

completa

ruptura com o

penodo

antenor. sucedendo-se

permanentes

"happenings".

nos Museus ate ha pouco sacralizados0

0

diagnstico,

julgamos.

nclina-se mais para classificar esta tase

como uma etapa

tipica

de crescimento que. por demasiado

rapido.

tem sintomas de crise, de debilidade de alicerces. de busca

angustiante

de caminhos; mas estas so tambem

algumas

das caractersticas dos

longos

processos de

experimenta^o

cientfica.

Como dizia Fustel de

Coulanges, "para

um dia de sintese so

precisos

muitos anos de anlise".

A cincia

museolgica

tem vindo lentamente a procurar-se a si

propna. a elaborar a sua

histria,

a sua teona e a sua

metodologia.

a delimitar o seu

espa^o20.

Desde o momento em que o Museu se come^ou a questionar, a observar-se a si

prpno,

estavam a ser dados os pnmeiros passos:

- O

que convem

preservar'7

-

Que

tipo de

colec^o

atrai mais o

pblico?

-Apreender

o visitante maior

quantidade

de

objectos

ou ser

prefervel

expor um numero reduzido0

reagido com um sorriso de compaixo ou de complacncia. hoje e claro que e

drterente"

in THEATER. Lynn, Museum Studies. pag 405.

:u Consulte-se a este proposito os numeros 1 e 2 de "MUWOP". 1980. 1981,

(30)

Museolofia c

Comuntcagdo

-Quais

os componentes de maior efccia para

divulga^o

a curto

prazo0

0 facto de no vir ainda considerada como cincia nos Estatutos

do ICOM mais recentes ( 1990)-1 no

questiona

a nossa

afrma^o;

signifca.

sim.

prudncia

na

ofcializa^o,

a nivel mundial, de

constata^es

comprovadas

com maior ntensidade apenas no

decorrer desta decada.

:1 Estatutos do ICOM. 1990 Art 2

"Defimco 1 0 museu e uma instituico permanente. sem fim lucrativo. ao

servico da sociedade e do seu desenvolvimento. aberto ao publico e que faz nvestigaces relacionadas com os testemunhos matenais do homem e do seu meio ambiente, recolhe-os, conser\'a-os, comumca-os e especialmente expe-os com objectivos de estudo. de educaco e de deleite

a) Esta definico de Museu deve ser dada sem nenhuma limitaco

resultante da natureza da autoridade de tutela. do estatuto terntonal. do sistema de funcionamento ou da orientaco das colecces da instituico a que se refere.

b) Alm dos "Museus" designados como tal. so admissiveis como correspondendo a esta definico

- os sitios e monumentos naturais. arqueologicos. etnograficos e

historicos que tenham caractensticas de Museu pelas suas actividades

de aquisico. de conservaco e de comunicaco dos testemunhos

naturais dos povos e do seu meio ambiente;

- as instituices

que conservam coleccoes e apresentam especies vivas de vegetais e ammais. tais como os jardins botnicos e zooiogicos.

aquanos. viveiros;

- os centros cientificos e os planetrios;

- as instituices de conserva<?o e galenas de exposi^o. dependendo de bibliotecas e de centros de arquivo;

-os parques naturais.

-qualquer outra instituico que o Conselho executivo considere como

tendo parcial ou totalmente as caractensticas de um Museu ou dando a

(31)

Museologia

e Comuntcacao

Basia venfcar que dois dos seus

objectivos

so "fazer

nvestiga^o

relacionada com os testemunhos matenais do homem e

do seu meio ambiente e conuinic-los". para se concluir do grau de

mplica^o

cientfca que

aqueles

pressupem;

nestas areas. a

museologia

exige uma estreita

nterdisciplinandade

com ramos reconhecidamente cientifcos como o so ja a

antropologia.

a

ecologia.

a

psicologia.

a

sociologia.

A pergunta "Museus. havera lnnites0"

abrange,

a nosso ver. dois

aspectos:

- o

aspecto do progresso de tal modo extraordmano que

conduziu, nas dcadas 70/80, a uma

amplia^o

do conceito

museolgico

levando-o aparentemente ao extremo.

podendo

p-lo

em causa, se a actividade exercida fr de pura ordem

museologica

ou, com um olhar mais arguto. de exclusiva

assistncia

social;

ento, perguntar-se-a, compete a

Museologia

entrar neste ultimo campo, diluindo-se as suas

caractersticas tradicionais0

- o

segundo

aspecto est relacionado com os limites mternos da

prpna Museologia;

a

evolu^o

foi to vertiginosa que o

muselogo

se

apercebe

agora que no

pode

sobreviver solado

no seu terreno e que as suas

expenncias,

cada vez mais

ambiciosas, tm que ser

acompanhadas

por conhecimentos de

(32)

Museologia

e ( 'omumcagdo

E nesta abertura de novas rotas. e neste ensaio de

complementandade

que a

Museologia

penetra na

metodologia

cientfca:

"podemos

mterrogar-nos se este processo evolutivo e

pengoso ou

desejavel.

mas ele e nevitavel". diz-nos lnna

Antonova-. a

grande

decana da

Museologia

sovitica.

Uma

expenncia

como a que nos propomos nesta tese

obnga

a

profunda

refexo sobre os

prncipios

em que se fundamenta. os meios com que vai actuar, o ngor e a validade dos fins a atingir.

Trata-se de cnar. com o ciclo de expos19c.es "Conhecer

Portugal9",

um espa^o

polivalente

de encontro de culturas, aberto a

todas as suas

expresses

e em todos os sentidos. capaz de as

explicar

e de potenciar a sua

qualidade

de

comunica^o.

E necessno saber. em pnmeira analise.

qual

a

capacidade

da

Museologia

como cincia para atingir este

objectivo;

necessano saber se a

Museologia

efectivamente uma cincia, quais os meios

que lhe so

prpnos

e

legitimos

e como se situa no

quadro

das outras cincias.

Se analisarmos a escassa

documenta^o

produzida pelos

orgamsmos nternacionais

especializados

(ICOM, UNESCO),

pelas

Universidades,

Museus, Forums culturais, ou textos de

Muselogos.

venfcamos que as

posi^es

assumidas

divergem

profundamente

(33)

Museologia

e Comunicacao

quando

se trata de considerar a

Museologia

como uma cincia

mdependente.

Adiante veremos que a

participa^o

crescente de otitras areas de

conhecimento na area da

Museologia

- desde a

gesto

as ciencias abstractas,

englobando

opera^es

de restauro. tecmcas de

comunica^o,

etc. - esconde. mesmo a muitos observadores mais

atentos, a

especifcidade

prpna

desta rea; o facto de uma parte do

trabalho de

investiga^o

que lhes serve de base. por

for^a

das

circunstncias, se fazer em

mstitui^es

que no os Museus e.

tambem, por nestes

predominar

em muito o caracter

pratico

e

mediato, faz com que

alguns

considerem a

Museologia

como tecmca

e no como cincia.

Porm,

a realidade que se

impe

que se

perdem

no tempo. as

notcias sobre

colec^es

e coleccionadores e a sua nfuncia na

cultura das

Na^es;

cada vez maior, desde o Sculo das Luzes, o

acervo de

objectos

que o homem considera

ndispensvel

preservar

como

condi^o

de sobrevivncia da sua

prpna

dentidade.

Basta atentar-se no facto de que a

Museologia,

a partir dos anos

50,

sai das portas dos Museus para a rua.

O que a

conserva^o

dos centros histncos e a

cna^o

de areas

de paisagem

protegida,

seno o proposito de musealizar o propno

territrio?

(34)

Museologia

e (

'omumcagdo

conhecimento e da magem do mundo - "aldeia

global"

-que. cada

vez mais. se

perfila

dentro de nos.

Se assim e.

for^oso

se torna reconhecer que a

Museologia

emerge

j

como cincia de

pleno

direito. com os seus valores autnomos.

Por todas estas razes se dividem os pareceres dos

especialistas

e das

nstitui^es,

das mais visionrias

aquelas

a quem o propno

prestigio cultural constrange ou conduz

prudncia

e ao ngor.

Podemos. a titulo

exemplificativo.

avan^ar

algumas.

Encontramos nas

palavras

de Bame

Reynolds

uma aceitvel

sumula de permissas que a

Museologia

devera ter, se

pretender

afirmar-se cientificamente: "Se a

museologia

e uma

disciplina

cientfica,

ela cai nitidamente no dominio das ciencias sociais. Para

tal,

necessno que estejam reumdas certas

condi^es:

- deve ter um

objectivo global

e ser defnvel em

especial

relativamente s outras

disciplinas mplicadas

nos Museus;

- deve ter um

conjunto de

publica^es;

- deve ter uma estrutura terica e a sua

prpria metodologia;

- as suas concluses devem

poder

ser avaliadas e as suas

nvestiga^es

e

expenncias, repetidas;

- deve ser reconhecida

pelas

outras

disciplinas

estabelecidas e

pela

propna

profsso

museal"23.

(35)

Museologia

c

Comumcagdo

E esta

formula^o

que remos analisar em

seguida.

Afrmamos que a

Museologia

tem como

principal

objectivo

o

estudo dos testemunhos matenais do homem a fm de,

postenormente. os facultar a sociedade;

enquadra-se.

portanto, \\o

vasto ramo das cincias sociais e humanas, muito proximo do campo

da

Antropologia

Cultural,

como a defmu A.

Mesquitela

de Lima: "A

Antropologia

estuda o Homem

ntemporal

e anmmo. isto e. de

todos os tempos, de todas as

pocas

e de todos os tipos - o Homem

gennco"24.

No entanto, a

fun^o

social do Museu no se limita apenas a

divulga^o

de matenas estntamente do foro

antropolgico.

mas

alarga-se

a todo o conhecimento, ncluindo o das tematicas

abstractas

(Vd.

G.I).

Formam-se,

assim,

pontos

tangenciais

entre o grupo cientifco em

que se insere e todas as outras cincias que lhe compete

divulgar.

no nos refenmos apenas

divulga^o

histnca dessas cincias. mas

permanente

actualiza^o

de um

publico

vido por conhecer novas

descobertas. No corrente ano, so frteis os

exemplos

de

ac^es

levadas a cabo por Museus que

despertaram

um

excepcional

interesse junto do

pblico,

refenndo-se a temas cientifcos e a

tecnologias

de ponta.

(36)

Museoiogia

e

Comumcagdo

(37)

Museologia

e (

'omuntcagdo

Obtena a

exposi^o

"Dinossauros" (Museu de Historia

Natural. Lisboa. 1993) o assinalvei xito a que assistimos se tivesse

sido

organizada

por metodos clssicos como e. por

e.xemplo.

a

exposi^o

de vertebras existente nos

Servi^os

Geologicos

de Lisboa.

apenas

legendada

com vinte

palavras

escntas em letra de "caixa"

pequena9

A habitual ausncia de

publico

nesta ultima

mstitui^o

e a

prova-resposta negativa mais evidente.

0 motivo do xito

alcan^ado

pela

exposi^o

"DinossaLiros".

excedendo as expectativas mais optimistas, o emprego de mtodos

e tcmcas movadoras e

pluridisciplinares.

aliadas a um conhecimento

museologico

de base cientfica.

0

"marketing"

(que

utilizou reas de

actua^o

dispendiosas.

como a televiso e a mprensa

comercial),

a

estratgia

temporal.

a

reconstitui^o

cenogrfica

de ambientes e

espcies

extintas. fazendo

o contraponto com ossadas

autnticas,

vestigios da vida animal ou

vegetal

encontrados e estudados por

antropologos,

zoologos,

bilogos;

foi uma equipa de cientistas que obteve o xito, em trabalho conjunto com o

Muselogo,

ele

prpno

cientista.

Vinos Sofka (Professor de

Museologia

na Universidade de Brno)

no

pe

em causa o carcter cientfico da

Museologia:

"Como

disciplina

cientfica

ndependente.

a

Museologia

tem por

objectivo

o estudo da actividade humana que se exerce atravs da

institui^o

(38)

Museolofia c ( 'omumcacdo

conservar. estudar e

divulgar

o patnmonio naturai e cultural do

mundo ou de certas

regies

do mundo. Esta actividade. de

multiplos

aspectos. da a

nstituigo

Museu o caracter de um notavel reservatno de

objectos

onginais, de base de

mforma^o,

de

institui^o

para a

investigavo

e. ao mesmo tempo. de meio de

educa^o

de massas. E por este motivo que o Museu enquanto

institui^o

socio-cultural - a deia de Museu e a stia flosofa. os

objectivos

do Museu. as suas tarefas. a sua

orgamza^o.

a sua

evolu^o

e o seu

papel

na colectividade - esta no

pnmeiro

plano

da

museologia

e da

investiga^o museolgica

e lhe transmitiu o seu

nome":-\

Idntica

posi^o

tem Anna

Gregorova:

"a

museologia

no e uma actividade

prtica,

mas uma nova

disciplina

cientifica com o seu

objecto

de estudo, os seus metodos e meios de

nvestiga^o

prpnos.

Com o desenvolvimento dos Museus e a sua mfluncia social

crescente, torna-se

ndispensavel

formar e codificar esta nova

disciplina

cientfica no

quadro

das outras cincias"26.

A

Museologia

deixou de ser apenas uma

tecnologia.

uma

actividade

prtica,

para dar os pnmeiros passos de

disciplina

cientfca.

25 "La Musologie - science ou seulement travail du Musee0". Dotram (Documents de travatlsur iaMuseologie) Nl. 1980 Pag 12

(39)

Museoiogia

c Comumcacdo

A fnalidade tradicional do Museu - seleccionar. recolher.

estudar. conservar e

divulgar objectos

- mantem-_e; mas. o

que mais

nfuiu na

obten^o

da sua nova dinmica

foi,

em pnmeiro

lugar.

a

evolu^o

do conceito de

objecto.

testemunho da cultura matenal; este sempre foi a "fonte"

museologica

por excelncia. mas os

cntenos de

selec^o

e recolha

(ac^es

que Ihe concedem

onginalidade

e

especifcidade

em

rela^o

a outras

disciplinas)

vanaram consideravelmente.

Ora, se estas

ac^es

so exclusivas dos Museus. alterando-se os

critenos, alteram-se substancialmente os organismos a que do

origem; deste modo, a

qualidade

de

execu^o,

a randade. a beleza

esttica, o exotismo, deixaram de ser ndices exclusivos para

mtegra^o museolgica.

Est fora de causa dizer. como outrora. que "a pe^a X e de tal modo boa que e

digna

de

fgtirar

num Museu" 0

sentido, presentemente,

nverso: e o Museu que procura

digmfcar-se, mdo ao encontro de matenais

signifcativos.

mdependentemente

do seu valor comercial.

Objecto

de Museu ser, doravante,

qualquer

matenal

exemplifcativo

de determinada temtica; o facto de ser exposto temporanamente no Museu no

mplica

a mcluso defnitiva no seu

acervo; ele e uma memoria, um testemunho de determinado

acontecimento, mas nem sempre se

justifca

que mgresse no Museu

-e o caso de

objectos

da vida

quotidiana contempornea

que

(40)

Museologia

e Comumcacdo

E oportuno refectirmos sobre as

palavras

de Henn Marrou: "E

um documento toda a fonte de

informa^o

de que o espinto do

histonador sabe tirar

qualquer

coisa para o conhecimento do

passado

humano. visto sob o

ngulo

da

questo

que lhe foi posta. E evidente

que

mpossvel

dizer onde come^a e onde acaba o documento; cada

vez mais a

no^o

se

alarga

e acaba por

abra^ar

textos. monumentos.

observaves

de toda a ordem. (...) Numa

palavra.

tudo o que na

heran^a

subsistente do

passado

possa ser

nterpretado

como um

mdice revelador de

qualquer

coisa sobre a presen^a. a actividade, os

sentimentos, a mentalidade do homem de outrora. entrara na nossa

documenta^o.

Esta

no^o

aparece como uma fuso de duas

variveis

independentes:

enquanto

passado (representado

por

matenal de todo o

gnero

que dele

proveio

ate ns). ela

depende

do

histonador,

da sua miciativa, da sua habilidade para utilizar os

nstrumentos de trabalho e os seus conhecimentos. mas. em

pnmeiro

lugar,

do que ele e em si mesmo, da sua

mteligncia,

da sua abertura

de espinto, da sua cultura"27.

Refere-se,

Henri Marrou, s fontes histncas. um dos aspectos

que

pode

apresentar um

objecto museolgico.

Histona e

Museologia

nterpenetram-se, tal como a

nterdisciplinandade

cada vez mais

util e oportuna com as outras cincias.

(41)

Museoiogia

e Comuntcagdo

Uma to

grande ampliuide.

sem limites de espa^o. de tempo ou

de tematica. no

pode

ser realizada sem um concurso

plundisciplinar.

mo so do ramo das cincias em que a

Museologia

tende a msenr-se - as cincias humanas

(antropologia.

psicologia,

sociologia.

histna,

linguistica,

economia) - mas de todas, msistnnos.

cuja tematica e ciclicamente escolhida para

apresenta^o.

A

contextualiza^o

dos

objectos,

uma

exigncia

para os Museus

que se

pretendem

actuais,

mplica

a

transposi^o

de pequenos

umversos para o espa^o fechado do Museu ou a da dos visitantes ao

local onde

aquele

permanece ntacto ou reconstrudo numa

ptica

museologica.

Esta sera a

metodologia

a seguir se se tratar de uma

exposi^o

que se

pretende

de sucesso.

Consoante a temtica, assim os cntrios de

selec^o

e recolha de

objectos

vanam, sendo necessana uma

educa^o

especfca

de

sensibilidade

museolgica.

0 Museu

transforma-se,

pois, num verdadeiro laboratno de

expenncias,

de confrontos por vezes "subversivos e

provocatnos":8

com uma dinmica

mimaginvel

h vinte anos.

Se os

objectivos

de

selec^o

e recolha lhe so

prpnos,

ja os

mtodos de

investiga^o

so comuns aos utihzados

pelas

diversas

cincias no mbito do

qual

se

enquadram

as pe^as escolhidas para

fgurar

no Museu: recorre a Medicina se

pretender

organizar uma

(42)

Museoiogia

c Comumcacdo

Exposi^o

sobre a malana, recorre a Histna se a

Exposi^o

fr sobre Mouzinlio de

Albuqtierque.

como recorre a

Antropologia

se a

exposi^o

fr sobre as tabancas da

regio

suburbana de Bissau.

"Se. na realidade, o mtodo

prpno

da

Etnologia

ou da

Antropologia

Cultural a

observa^o

e a

descn^o

da cultura, do

objecto

cultural. tanto tomado no seu sentido matenal. como no

matenal com o intuito de

chegar

aos comportamentos para os

compreender

e os

explicar,

no e menos verdade que o estudo dos valores atnbuidos aos

objectos

se torna ponto fundamental em tais

cincias":9.

Divulgar

ou comumcar o acer\'o do Museu e um outro aspecto

que tambm

adquiriu

uma nova dinmica,

refor^ando

os

la^os

plundisciplinares.

Presentemente, o que se

pretende

atingir, no e. como outrora.

apenas o grupo de

eleitos,

de amigos ou convidados, mas toda a

comunidade. 0 Museu existe para o

pblico

e e a ele que deve

dedicar,

com pnmazia, a sua

aten^o.

vasta a

bibliografa

sobre os Museus e o

publico

As duas

ltimas dcadas vieram

ennquec-la,

coincidindo com a forte

preocupa^o

em atrair visitantes, quer

pela

louvvel

sensibiliza^o

pedaggica,

quer,

simplesmente,

numa perspectiva debilitada, porque

(43)

Museoiogia

e ( 'omumcaco

a

qualifca^o

de maior ou menor

mportncia

dada aos organismos

vana consoante a estatistica de

frequncia

anual.

Este Lim dos pontos que merece ser desenvolvido com a maior

clareza; mas muitos outros restam por esclarecer:

-a que tipo de

publico

nteressa

dingirmo-nos

com

pnondade?

- as

expos19c.es preparam-se em

fun^o

do

pblico,

ou e este

que se deve ntegrar na temtica que 0 Museu lhe

prope?

- como conciliar hornos de Museus com os tempos livres.

pos-laborais. dos visitantes?

-qual

0 meio de

comunica^o

social a que 0 visitante e mais

sensivel,

para

divulga^o

de actividades?

0

mago

da

questo

consiste em

distinguir

ou dentifcar os

motivos que levam 0

publico

ao Museu. Em pnmeiro

lugar.

a

forma^o,

a cunosidade em descobnr novos elementos ou

completar

reas do conhecimento. Como

hipotese

secundna,

a

simples

distra^o.

0 alheamento face a outras actividades

quotidianas

montonas que, por serem cansativas ou preocupantes. procura

esquecer. Tambm a

emula^o

no deixa de ter peso,

especialmente

social,

neste

leque

de

motiva^es.

A

importncia

do trabalho do

programador

da

exposi^o

e

considervel, sobretudo no que diz respeito expectativa da

forma^o

do

visitante;

no basta que

legende

convenientemente os

objectos,

que os agrupe ou evidencie

segundo

um esquema

lgico,

(44)

Museologia

e

Comumcagdo

a

capacidade

de transmitir uma mensagem com ngor e honestidade

cientifca. facto que lhe deve dar.

logo

ao iniciar o projecto. o maior

sentido de

responsabilidade.

"A

afrma^o

segundo

a

qual

os

objectos podem

faiar por si

propnos e transmitir

informa^o

sobre uma outra cultura e discutivel;

e certo que as

propnedades

tsicas

superficiais

de um

objecto

podem

ser observadas

pelo

visitante. mas, como muitas outras. as

sociedades

abongenes

atnbuem mais valor as

mforma^es

simbolicas que codificam os

objectos

culturais""1.

No est apenas em causa

"aquele"

visitante que. no dia X. veio

ao Museu, mas o efeito

multiplicador

que ele

pode

ter; o visitante e o

melhor

propagandista

e a

descn^o

pessoal,

oral ou escnta (se se

tratar de um

jornalista,

por

exemplo)

que venha a fazer da

exposi^o

no

pode

deixar de ser encarada

pelo programador

da

exposi^o.

Neste sentido. a

simples

folha volante. que se retira da caixa

pendente

da

parede

da

sala,

elaborada

especifcamente

para as

escolas,

apresentada

com acessibilidade elementar, deve conter todos os elementos necessnos ao esclarecimento de

qualquer

visitante.

A

dispombilidade

para o atendimento post-visita ser um aspecto

a considerar. cada vez com mais acuidade, visto que

possibilitar

a

recolha de

sugestes,

o ncio de contactos teis em reas afns. o

(45)

Museologia

e Comunicagdo

aparecimento

de projectos de tinerncia da propna

exposi^o.

Tantas vezes surgem, desta analise. revises ou

modifiea^es

de

estrategias. projectos ou mtodos de trabalho noutros domnios do

conhecimento.

0

prpno programador

e a sua equipa -

conservador,

designer.

antropologo

ou outro cientista - devem reciclar.

periodicamente,

os

seus conhecimentos em matena de meios de

comumca^o.

sobretudo

meios audio-visuais.

Roy Strong,

Director do Museu Victona and Albert. e bem claro

ao afrmar que

"para poder

comunicar, o Museu deve.

evidentemente,

ter a sua

disposi^o

meios de

comunica^o

("media")

no sentido que se atnbui a este termo no fm do seculo XX e com a

enorme diversidade de meios que sso

mplica: publica^es,

conferncias,

rdio, televiso. video. 0 sucesso de

qualquer

Museu

pressupe

que os

responsveis

conhe^am

a tecnica de

rela^es

publicas

e as saibam utilizar para expnmir visual e verbalmente os

seus

objectivos

e

onenta^es"31.

"O divertimento essencial

comumca^o".

diz-nos ainda

Strong.

Apresentar

uma tematica de

grande

senedade, de modo a atrair

um visitante que se

pretende

distrair na visita ao Museu, e.xige

mtodos propnos a que no e ndiferente. ate, um certo sentido de

(46)

Museologia

e Comumcagao

humor - textos resumidos mas bem

explicitos,

processos de relacionamento com outras tematicas

complementares

de maior

acessibilidade

Apontamos,

como

exemplo

de sucesso. a

e.xposi^o

sobre genetica.

apresentada

no Museu da

Civiliza^o

de

Quebec.

em

1992. em que todas as

mforma^es

foram

completadas

com matenais

audio-visuais.

conseguindo

captar a

aten^o

de um

pblico

diversifcado etana e culturalmente falando.

Dizem os poetas que em cada adulto ha uma cnan^a; na

realidade. se e a

distra^o

que o atrai para uma visita ao Museu. os

processos ludicos tm

lugar

previlegiado,

embora no

necessariamente de nvel elementar; se, junto de uma obra pictonca.

fgurarem

esbo^os

ou

grfcos

preparatnos.

matenais e

instrumentos dnticos aos utilizados na

execu^o.

para

exemplifca^o,

o sucesso de afluncia seguro.

A visita ao Museu

pode

pressupor, por vezes. gosto de

emula^o

-porque o visitante vai

acompanhado

de

alguem

a quem quer

mostrar

objectos

guais aos que possui em sua casa ou porque

pretende

que saibam que se nclui no numero de

personalidades

cultas e socialmente bem colocadas que. por

tradi^o,

frequentam

Museus. Ainda subsistem estes visitantes, eles

prpnos

legendados

de "raros", que aparecem nos Museus, como nos Concertos ou na

pera

- vo

para serem vistos e no para ver. Tambem eles so uteis

aos Museus, como

visitante-tipo

a analisar e a conhecer melhor

pelo

Referências

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