Mana Natalia Bnto da Silva Correia Guedes
MUSEOLOGIA
E
COMUNICACO
Volume I
Dissertaco de Doutoramento em
Antropologia
(especializaco
emMuseoiogia),
apresentada
Faculdade de Cincias Sociais e Humanas da Universidade Nova de LisboaMuseologia
e ('omuntcagdo
Introdugo
INDICE GERAL
I
VOLUME
I PARTE
Museologia
eComunica^o
Capirulo
I -Museologia
- Tcnica, Cincia e ArteCapitulo
II-Museologia
eComunica^o
Eficcia das expos19c.es na transrmsso e recolha de elementos relacionados com o
patnmmo
culturalCapitulo
III - "ConhecerPortugal"
Ciclo de
exposices
tmerantes destinado aos Pases e Comunidades lusfonosObjectivo
e mbitoComissanado do ciclo de
Exp0si9c.es
Investiga^o,
selec^o
dosobjectos
e recolhabibliogrfica
27 1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. 8. 9. 10. PublicoLocaliza^o
Conserva^o
e seguran^a do edifcio e dascolec^es
Apresenta^o
dascolec^es
-anteprojecto,
plantas
eal^ados
daExposi^o.
Memona descritiva do esbocetoDtvulga^o
-apoio
pedaggico
epublicitano
Rubncas para estimativa de encargosMuseoiogia
e ('omumcagao
Esquema
deplaneamento
de umaexposi^o
tinerante.
Temponza^o
percentual
Pameis
-modula^o
geral
Pameis e \_tnnes -
pormenonza^o
II
VOLUME
IlParte"A Arte de trabalhar a madeira. Animo
ngelo.
um entalhador de Lisboa da 2a metade do seculo XVIII" Elementos para a pnmeiraExposi^o mtegrada
no ciclo"Conhecer
Portugal"
158 160 161
1.
Capitulo
I - Memna descntiva daExposi^o
Esquema
dacorrespondncia
dos pameis com as vitrmes e basesCap
tulo II - Roteiro daexposi^o
Pamel mtrodutonoA arte de trabalhar a madeira - Painis I a XVI Antnio
ngelo,
um entalhador de Lisboa dasegunda
metade do seculo XVIII - Paineis XVII a XXXIITerminologia
A Arte de trabalhar a madeira na Guin-Bissau - Pamel XXXIU
Plantas e
al^ados:
Esquema
decoloca^o
deobjectos
e textosnos
painis
Pamel da zona de
nicia^o
Esquema
geral
daExposi^o:
corte edistnbui^o
no espa^oMuseologia
eComumcagdo
III
VOLUME
Concluso 428
Apndice
documental 4391 . Manuscntos 44 1
2.
Impressos
^08Anexos 542
1 .
Questionano
5432. Entidades porruguesas vocacionadas para fmanciar
activida-des culturais nos
pases
lusfonos 5473.
Inquento
ao visitante 5504. Ficha de
identifica^o
da pe^a 5535. Ficha descntiva
global
^>546. Ficha de candidatura 557
7. Circular para os
rgos
decomumca^o
social 5628. Desdobrvel
publicitno
563Bibliografia
consultada:Museologia
eMuseografia
565Exposi^es tempornas
organizadas
porPortugal
nas colnias eno estrangeiro 571
Os Museus e a
preserva^o
das culturas autctones 574Comumdades portuguesas no mundo ^83
Talha em
Portugal
^84Diversos 587
Museologia
c ('omumcagao
Museologia
eComumcagdo
"A cu!**'.ra e desde sempre o instrumento de comunicaco entre os povos na medida em que
pode
contnbuir fonemente para o estbrv*o da compreenso internacional. reconhecendo asespecificidades
das formas de expresso e dos valores culturais propnos de cada sociedade"1Folheamos. dentro de seis anos, a pagina do
segundo
milenio.Na tbua
cronolgica
vemosregistado
um pequeno pais quepermanece com as mesmas fronteiras desde o seculo XII
-Portugal;
desenvolveu-sepoltica,
econmica e socialmenteenquadrado
no continente europeu at que, no sculo XIV. iniciou um movimento deexpanso
para alm Atlntico de tal dimenso. em tempo, emespa^o, em
espintualidade
que todo o orbe terrestre dele ra usufruirdirecta ou indirectamente.
Conhecidos ento por "nambam
jin",
"reinois" ou"patres".
os portugueses aliaram a destreza argucia, a coragem aorealismo;
foram pioneiros na cincia nutica, na justi^a. na
engenhana.
namedicina
aplicada
ao novo mundo descobertos
artes, a literatura eMuseoiogia
e Comunicagdoa outras
expresses
culturais eram e so sensiveis. cnando tormas. espa^os e compos19c.es inovadoras.Mas, nesta como noutras areas, nunca a fama correu celere fora de fronteiras; por
nibi^o
ou alheamento dos propnos. por debilidade das estruturas estatais que destes feitos se no ocupou, favorecendo estrategias adversas deprovenincia
exterior?Certo e que a magem cultural de
Portugal
no extenor nemsempre foi devida a
aten^o
que merece; to pouco andou a par como devia, com um harmomoso desenvolvimento cultural nas suas antigas colnias.Um estudo
comparativo
composi^es
similares-Fran^a
eInglaterra
-comprovam a necessidade de rever a
situa^o.
Paises que conheceram, como ns, momentos economicamente desfavorecidosmas, nem por esse motivo, se alhearam da sua
responsabilidade
emrela^o
ao desenvolvimento cultural ultramanno.Museoiogia
e ('omumcagdo
social,
ao seu futuro e de promover uma ordem mundial de ntercmbio. baseado no respeitopelas
culturas locais":."LEurope
sera culturelle ouqu'elle
ne serapas*'.
adverte Pierre Martens, "c'est debordant ses propres frontiresplus
mmequ'elie
n'a pas jamais pu le faire autrefois en s'ouuant aux autres en donnant
et en recevant
qu'elle
mamfestera cette dentitplunelle
ncessamentrenaissante qui est la siemie; et il n'est pas pour elle d'autre chose ni
d'autre salut"3
"Libertando-se de um europocentnsmo
ultrapassado.
aEuropa
deve contmuar a dar aos outros continentes a sua melhorcontnbui^o
para um humanismo umversalizante e colaborar com asoutras sociedades na tomada de conhecimento de si propnas na
constru^o
cientifca da sua histna. navaloriza^o
do seupatnmmo
e no prosseguimento danvestiga^o
cientifca e decna^o
cultural. Devemos trabalhar em conjunto para uma nova ordem economica. uma nova ordempoltica.
uma nova ordem social e uma nova ordem cultural mundiais porque so umalogica
nica ospode
conduzir a um futuro deequilbno
e desenvolvimentorelan^ando-nos
para trs eixos: a) ademocratiza^o;
b) a inverso devalores,
normas, atitudes, formas de pensamento. modalidades de sensibilidade e de ac^o. maneiras de viver; c) a umMuseoogia
c ( 'omumcacdodesen.olvimento que nos encaminha para sociedades de acordo com as
aspira^es
e as fnalidades culturais dos homens"4Quando
hoje
areafrma^o
da nossa dentidade e bem visivel ntra-muros (embora ainda sem seremgarantidos
meios sufcientes quepermitam
apreserva^o
dos testemunhos materiais) urge repensar metodos e meios para a promover no extenor, no so naEuropa
plunfacetada.
mas sobretudo nos Paises e Comunidades lusofonos.Reummos referncias aos passos "ofciais" de transmisso cultural alm tronteiras dados no nosso sculo. fxando-nos com mais detalhe na
ac^o
desenvolvida ultimamente nos Paises afncanos e no Brasil.oportuno
interrogarmo-nos
se serapnontno
ntensifcar junto destes Pases a transmisso de cultura portuguesa.quando
a saude. o ensmo, ascomunica^es
virias so reas que apresentam ainda. em muitos casos, ndices de subdesenvolvimento. A estaquesto
responde
aprpna
UNESCO com olan^amento
da Dcada mundiai do desenvolvimento cultural -"Qualquer
projecto de desenvolvimento econmico e social que no tenha em conta o meio cultural e natural de uma determinada
popula^o,
arnsca-se a ser votado ao fracasso"5.4 GODINHO. Vitorino Magalhes. Identite cuhurelle et Humanisme Pag. 75.
Museoiogia
c ('omumcagdo
A cultura portuguesa nsere-se, por direito propno, na identidade histnco-cultural de seis Paises e em centenas de Comunidades.
espalhadas
pelos
cinco continentes. Paises e Comunidades jovens. tantas vezes alheias as suas propnas raizes. So cerca de dezmilhes de pessoas que testemunham
biologicamente
a nossapresen^a. mas gnoram ou sumanamente conhecem a cultura que Ihes deu ongem ou se cruzou com a sua. "Situado na charneira entre os
pases tecnologicamente avan^ados
e os paisesdependentes,
Portugal
ocupa de facto umaposi^o
estratgica
para a transfernciatecnolgica
emlargas
regies
do mundo. comparticular
relevo para Africa deexpresso
portuguesa"6.
A
lngua
portuguesa une-nos mas no tende a ser a nossa Patna.como sonhou Pessoa, se no Ihe soubermos cnar as
condi^es
desobrevivncia;
ora, a transmissooral,
solada deexpresses
matenais dilui-se na
segunda
ou terceiragera^o
e osexemplos
no faltam, bemprximos
de ns - Malaca, Macau. Guine Bissau.exemplifcam
este facto.0
ndispensvel
relacionamento directo entre som eobjecto
temos que o reencontrar, no s nalingua
portuguesa e nos testemunhos matenais da cultura ponuguesa, mas tambm eespecialmente
nasexpresses
quefilolgica
e matenalmente lhe soMuseologia
e ('omunicagao
afns - o cnoulo como a arte
afro-portuguesa.
o concamm como a artemdo-portuguesa,
o malaio como a arte sino-portuguesa.A
bibliografa
consultada cerca dos Paises e Comumdades deLingua
portuguesa e escassa no que se refere a estudos de pubhco-tipo. eventual beneficiano daexposi^o
que programamos; noBrasil,
sentimos uma enorme avidez por tudo o que diz respeito a cultura portuguesa e opublico
aflui a pnmeira chamada deaten^o
paraqualquer
miciativa, quer sejaconferncia,
visitaguiada.
exposi^o.
lan^amento
de umIvto,
sendo at usual a entrega de certificados de presen^a em encontros oupalestrasT.
Idntica
reac^o
nopodemos
registar em contactos mantidos na GuinBissau,
tendo venficado. no s que alngua
portuguesa apresenta uma percentagem decrescente deutilizadores,
como so raras as niciativas culturais aliapresentadas pelo
nosso pais. Numa visita a umatabanca,
perto de Gabu. de quinze habitantescontactados,
apenas umapalavTa
sabiam emportugus
-"arnigo"*;
qumhentos
anos depermanncia
num terntno esto a diluir-serapidamente;
uma pesquisa conjunta. commvestigadores
dos doispases
mprescindvel
para apresentar localmente os testemunhos matenais dessaspocas
e retomar o fio condutor danterpenetra^o
das duas culturas.Factos constatados pessoalmente por ocasio do "I TRIOMUS". que decorreu no Rio de Janeiro em 1987
8 Visita integrada no "III Encontro de Museus de Paises e Comunidades de
Museologia
e ( 'omumcagdoA lenta
evolu^o
pohtica
de.Angola
eMo^ambique
para a democracia no tempermitido
restabelecer coin seguran^a os contactos culturais; escassas feiras do livro (alias. sempre muito bem acolhidas). mtercmbio de tecmcos. de escntores. deprofessores,
tm constituido ensaio para programas de maioramplitude.
A
implanta^o
da cultura portuguesa nestes dois paises e de tal forma evidente nalngua
como na arte. quepodemos
considerarpnontna
arealiza^o
de levantamentos sistemticos dopatnmmo.
A arteafro-portuguesa
atingiu ali as suasexpresses
maissignificativas
e apersistncia
de artifces conhecedores de tcnicas. estilos epolicromias
ancestrais so motivos para mcrementar a suarecupera^o
e transmisso mediata.A
prpna
exposi^o
podera
optar por tematicas referentes as maiores carncias dapopula^o
- saude,higiene.
transportes, etc.
-em clara
conjuga^o
com os mais recentes propositos da UNESCO que citamos: "deve ser dada umagrande
pnondade
em 1992-93 aimplementa^o
do programa seguinte (...):preserva^o
dopatnmnio
cultural fsico e no fsico; a dimenso cultural dodesenvolvimento;
dentidade cultural edialogo
ntercultural comofactor de coexistncia
pacfca
de grupos ena^es"9. Especialistas
mo^ambicanos
reconhecem esta necessidade deadequa^o
pedaggica
e civilizacional s tcmcasmuseolgicas.
Museoiogia
e ( 'omumcagdo"Em
geral",
diz-nos Alda Costa, Directora doDepartamento
deMuseus da
Direc^o
Geral do Patnmonio Cultural deMo^ambique.
"nas sociedades em desenvolvimento. a
urgncia
do desenvolvunento economico e do progresso cientfico e tecnico tem feito esquecer a dimenso cultural do desenvolvimento. Desenvolvimento e comfrequncia
concebido apenas em termos de progressotecnologico
e crescimento econmico. Mas adefni^o
de desenvolvimento temvindo a ser revista. 0 fracasso de muitos projectos de
desenvolvimento concebidos exclusivamente em termos economicos,
tem contnbuido para mudar o conceito de desenvolvimento. Crescente
aten^o
vem sendoprestada
dimenso cultural dedesenvolvtmento e
defm^o
emplementa^o
depoliticas
culturaisque, assentes na
preserva^o
eafrma^o
daheranga
e dentidade cultural, sirvam o desenvolvimento"lu.Maior
sensibiliza^o
e meios efcientes esto a serdispombilizados
em S. Tom ePrncipe
e em Cabo Verde. em que diversos Fortes eIgrejas
deconstru^o
lusa foram dotados de verbaspara
recupera^o
ereutiliza^o;
no esque^amos, no entanto. que por todo o litoral Atlntico ocidental, pequenas comunidades delngua
portuguesaaguardam
uma chamada de aten^o dos organismos ofciais para a necessidade de restauro do patnmonioMuseologia
e ( 'omumcacdoconstruido ali existente e do estudo de
tradi^es
e artes quase emextin^o.
0 Forte de S. JooBaptista
deAjuda
e um oasis nopanorama
degradado
dasconstru^es
belicasdispersas
em antigos entrepostos;ndispensavel
e. agora. reutiliza-las modelar e simbolicamente.De Malaca a Colnia do Sacramento nem tudo se
perdeu
dapresen^a dos antigos habitantes portugueses - mobiliano. talha,
pormenores de
constru^o.
jogos.dan^as,
permanecem a par dopatrunnio
construido.A quem compete ncentivar a
execu^o
do levantamento de todosestes testemunhos. se no pnontariamente a ns
portugueses0
Comunidades portuguesas nsendas em
pases
europeus,norte-amencanos e asiticos tm nsistentemente solicitado as mstncias ofciais, a
orgamza^o
de iniciativas quetransponham
para as suasassocia^es
ou clubes aimagem
do seupais
de ongem.Expos19c.es
que Ihes falem das suas raizes, da sua histna. da sua cultura. que contnbuam para a sua
afirma^o
local,ultrapassando
ate por vezescomplexos
ou outras dificuldades denser^o;
pretendem
umapresen^a real da cultura de um
pas
que foi ongem de quantos falamportugus.
Comumcar
palavra
chave neste fnal de seculo; se no ofizermos- se no o recuperarmos e dermos voz portuguesa ao
Museologia
e ('omumcagdo
cultura. a cincia. a tcnica aos paises de
lingua
portuguesa epromover de novo uma vivencia que persiste naturalmente na
lmgua.
evitando novos e diferentes desenraizamentos.Por certo. o
exemplo
da Suecia nos sera de novo muito util-colaborando activamente com os organismos
mo^ambicanos.
conforme sedepreende
do resumo dapnmeira
reunio doPrograma
dos Museus Afro-Suecos (Estocolmo, 1989) - "Nos temos muito aaprender
uns com os outros. Mas o mais fecundo ser fazerqualquer
coisa emconjunto"11.
Estando
provado
que umaexposi^o
temporana e um dos melhores meios deaproxima^o
ousensibiliza^o
da Comunidade.propomo-nos apresentar o programa de um ciclo de
exposi^es
dinmicas, de to fceis acesso, leitura e transporte. quanto
possivel.
que transmita simultaneamente a magem do
pas
real. vivo. actuante.disponivel.
aberto a um mais mtenso mtercmbio cultural. visandoestimular o ncio ou o prosseguimento de caminhos de
pesquisa.
preserva^o
e recolha dopatnmonio
cultural dos locais onde vier a decorrer a respectiva tinerncia.Atravs de um conjunto de pe^as onginais. de
documenta^o.
de montagensfotogrfcas,
apresentar-se-a, no Ciclo deExposi^es,
aevolu^o
esttica, cientifca, econmica, de diversos temas.1 1 Programme de MusesAfro-Suedois - Commentaires sur la Reunion et la
Museoiogia
eComumcagao
proporcionando
um contactoprximo
com a vivnciaquotidiana
que lhes deu ongem.De entre as actividades
museologicas.
destmadasespecialmente
ao
publico.
aexposi^o
temporana tem vindo a assumir nas ultimas dcadas umpapel
fundamental, se no o de maior nnpacto: o seupnncipal
objectivo
e atrair aaten^o
paracolec^es
privadas
ou demuseus, pouco conhecidas,
proporcionando
aoportunidade
deelabora^o
demonografas,
de estudosaprofundados;
pode
associar,por outro
lado,
os mais diversos aspectos que concorreram para agnese
dosobjectos
expostos.As matenas para uma
exposi^o
so vastas, todos os temas so dissecveis em minucia e a efccia desta tecnica tem vindo apropagar-se com tal progresso que de admitir que o futuro dos museus esteja
preferencialmente
na rotatividademplicita.
"abnitio", dos
objectos
a expor.Este facto
pressupe
umarenova^o
de mentalidades. deestruturas bsicas nternas, permanente
actualiza^o
de conceitos,exigncia
nainforma^o
que sepretende
transmitir.Expor
a custdia deBelm,
soiada, apenas com umalegenda
referindo apoca
defabnco,
suposto autor e local deprovenincia
senatil,
outrora. a uma minona deforma^o
erudita; envolv-la num contexto documental que nclua referncia s tecmcas utilizadas na suaMuscoiogia
e ( 'omumcagoepoca. e garantia de
atrac^o
de um mais vastopublico.
porquemiciado deste modo em matena a que era totalmente alheio.
aproximando-se
gradualmente
doobjecto.
encontrando pontos de referncia a que sensivel.Deste pnmeiro estadio,
informativo,
passa-se a um novonteresse - a
prepara^o
dopublico
para a defesa dopatrimnio
exposto e para o compromisso com a mensagem cultural que se subentende.
0 conservador do museu. autor do projecto da
Exposi^o
transmite. assim, uma
responsabilidade.
alargando-a
ao visitante; eleproprio,
uma vez esclarecido. vir a propor programascomplementares
a partir de elementos que possui e a que nunca tinha dado a devidaaten^o.
A
expenncia adquinda
no nosso pais, no tanto nos museusnacionais,
mas nos pequenos museus domterior,
leva-nos areconhecer as excelentes
condi^es
actuais para promovermos umapoltica
de ntercmbio cultural com os paises lusfonos. Confrmam-nograndes
expoentes europeus; Kenneth Hudson, Presidente do Jun do "Prmio do MuseuEuropeu
doAno",
afirmou em 1990: "ha umgrande
talentomuseolgico
emPortugal
e opas
tem um nmeroconsidervel de pequenos museus
simples
e nada sofsticados.produto
de um forte sentido artstico e de pouco dinheiro"!: Ai: HUDSON, Kenneth 1992
Museoiogia
e ( 'omumcagdoexposi-yo
premiada
"Siglas poveiras"
(Museu da Povoa do Varzun.1980). as
exposi^es
dos Museus da Vinha (Cartaxo) eMunicipais
do Seixal e de Alcochete so
alguns
e.xemplos
da recolha. est.ido eapresenta^o
de matenais feita com oempenho
directo da comunidade local.Propomos.
assnn. aorganiza^o
de um Ciclo deExposi^es
tinerantes. destinado aospases
aricanos lusofonos.cujas
tematicas portuguesas - artisticas, tecmcas e cientifcas - sirvam de ncentivo. no spreserva^o
edivulga^o
do patnmonio local comaquelas
directamenterelacionado,
mas que. deigual
modo. conduzam a um reencontro de culturas. colaborando no levantamento econserva^o
dopatnmmo
autctone.Consolidadas as estruturas
politicas
nospases
africanos lusfonos. esto reumdascondi^es
paracorrespondermos
as nstantessolic1ta9c.es
que nos tmdirigido.
A
museolga
brasileira. Df Lourdes doRego
Novais, resumiuclaramente no texto segumte a necessidade de proporcionar este
dilogo
nter-cultural a que nos referimos - "estamos convencidosque somente atravs de um trabalho conjunto
poderemos
assegurar acontinuago
de umaheran^a
cultural similar daciviliza^o
portuguesa que se ennqueceu ainda mais com tudoaquilo
que haviaMuseoiogia
eComumcagdo
portuguesa"13.
"Osla^os
histncos e culturais que nos unem so to fortes e to diversificados quegnora-los
sena umapromo^o
donosso etnocidio", afirmou Manuel
Veiga.
representante de Cabo Verde. no II Encontro de Museus de Paises e Comunidades deLingua Portuguesa,
refor^ando
mais adiante o desconhecimento mutuo dessas1nter-rela9c.es
e das marcas-testemunhas que vimosesculpindo
no universo deveras preocupante.particulannente
quando partilhamos
um substracto cultural comum, diversos aspectos de uma mesma histna e de umalngua
deintercomunicago
cujaco-propnedade
legitimamente
reclamamos; todas as ac^es que visem pois o nosso encontro-reencontro so bem vmdas e merecem a nossa melhoraten^o"14.
A vastido do tema. a apresentar num espa^o unico.
provavelmente
restnto, exige uma cntenosaselec^o
dosobjectos;
ter que serpartilhado
emexposi^es
ciclicas.complementares.
permitindo
por este motivo apermanncia
de um mteresse expectante - subtemas escolhidos com aparticipa^o
derepresentantes de todos os
pases
mplicados
de modo a obter-se consenso de nteresses, mtodos,calendanza^o
e actividadescomplementares.
Apresentando
embora aspectosparcelares,
cada13 // Encontro de Museus de Paises e Comumdades de Lmgua Portuguesa.
Mafra.1989. Pag. 33
14 "Museus de Cabo Verde". n // Encontro de Xtuseus de Paises e
Museologta
e ( 'omunicagaoexposi^o
mtegrar-se-a num conjunto. estudado de forma apoder
reumr-se caso se venham a venfcar
condi^es
especiais.A escolha dos
objectos
onginais a expor no tera que recairnecessanamente em
obras-pnmas.
to pouco apenas em obras dearte. mas em testemunhos de tima epoca. acontecimento ou mentalidade,
abrangendo
aspectos que vo daantropologia
aeconomia, da
pre-histna
aos tempos dehoje;
a leitura da mensagemque se
pretende
transmitir no admitequebras
de percurso. ausnciade contexto. desarmonia de volumes, de matenais. de processos
expositivos.
Para a sua montagem ser necessno
proceder-se
a umrecrutamento de
pessoal
devidamente habilitado emmuseografa.
prefenndo-o
a outras areasprofssionais,
sendo o programa elaborado conjuntamente porespecialistas
nos diferentes temas adesenvolver.
A
penodicidade
que sepode
considerar deal emfun^o
dasdisponibilidades
fnanceiras, tcmcas e outras condicionanteslocais,
a
anual,
prefenndo
umapoca
alta. de maior afuxo depublico
porocasio de
realiza^es
tradicionais como feiras, festas.peregnna^es.
Neste aspecto, cultura, comercio. tunsmo.religiosidade
no sepodem
alhear; se seprev
que, numa pnmeira fase, opublico
aatingir
no est sufcientemente motivado para estetipo de
exposi^es.
atendendo diminutasensibiliza^o
que possui.Museologia
cComumcagao
acontecimento que congregue um numero
sigmfcativo
depubhco.
cnando
cond19c.es
atractivas para aexposi^o.
Os pressupostos tecmcos da
exposi^o
tero em conta o estudoprvio
doptiblico,
do pais real receptor,respeitando
o seu grau de ensino, mentalidades. preconceitos; e aexposi^o
que vai ao encontro do guineense ou doangolano
e no este ao museutradicional, mausolu nacessivel e deserto. Sera \\o mercado, \\o
estdio, no
jardim,
na tabanca, naassocia^o
recreativa que aexposi^o
se monta. se tal fr necessano, para chamar aaten^o.
nunca num pnmeiro andar de um edificio silencioso, de escadanamponente mas inibidora, por contraste com a realidade
quotidiana
da maiona que se
pretende
atingir. Para que estaop^o
seja tida em conta. com sucesso, nas diferentes fases preparatonas, alem doselementos habituais -
nvestigadores,
conservador,grafco
- endispensvel
aparticipa^o
activa de um tcnico representante dopais receptor, porta voz das entidades ofciais. elemento
sensibilizador da
popula^o
local. perspicaz leitor desitua^es
queconvem destacar na
documenta^o
exibida. relator do programapost-exposi^o.
dando-lhe continuidade local. Aexequibihdade
deste ltimo aspecto deve ser tida emconsidera^o
logo
no nicio dostrabalhos; ele e, de
facto,
um dos pnncipaisobjectivos
a atingir - olevantamento do
patnmnio
local.Museologia
e ( 'omuntcagaopossivel
desenvolver harmoniosamente culturas e valores que segnoram. qtie se
negligenciam
ou que pouco se conhecem. Ora. naAfnca negra continuam a ser
desprezadas
as nquezas culttiraisnacionais.
permanecendo-se
ndiferente a seu respeito, a espera que opublico
ocidentalreconhe^a
algumas
de entre elas, que todos seapressam ento em consagrar e adular. enquanto no que respeita ao
essencial nem sequer as
chegam
acompreender'
"Importa,
pois, colocar o assento tonico no unenso trabalho denvestiga^o
e decompila^o
que o recenseamento requer. sempreconceitos e sem
descnmina^es,
pois trata-se de um recenseamento de todo opatnmmo
cultural. Aassocia^o
das elitese dos tcmcos formados
pelas
umversidades modernas, com osntelectuais tradicionais e os ammadores e
quadros
rurais sados dasmassas
populares
e a elasligados,
permitira levar a bom termo esta empresa, uma vez que asnstitui^es
representativas dos Estadostenham, com a
participa^o
consciente e activa daspopula^es
mteressadas. defnido pnncipios onentadores eesbo^ado
programasde
nvestiga^o
e de recolha."Na
elabora^o
e naconcretiza^o
destes programas de pesquisater-se-, nomeadamente. o maior cuiadado em dar a
pnondade
asobras e aos valores culturais mais
frageis,
tais como astradi^es
orais cujos mestres e
grandes depositanos
estohoje
em dia prestes adesaparecer.
Trata-se, regrageral,
de cronistas e memonalistas. deMuseoogia
e ('omunicagdo
costumes, de msicos e de
especiahstas
dosantigos
cnticossagrados.
de mestres-artesos detentores dos conhecimentostecnologicos
niciaticos tradicionais(pesquisadores
de ouro niciados"nas onze diferentes
espcies
de matenas mineiras. a dcimapnmeira das quais e o ouro. metal que foi magico antes de se tornar
em atnbuto real e em factor econmico". carpinteiros. pastores.
pescadores.
sapateiros. teceles.pedreiros.
ferreiros,ca^adores...).
de curandeiros. de aedos dinsticos. guerreiros. zagais. de letrados e
eruditos
mu^ulmanos,
de sacerdotes dos cultos tradicionais..."'5.Apresentamos,
nasegunda
parte. umexemplo
concreto do quepodera
vir a ser aprimeira
exposi^o
do Ciclo "ConhecerPortugal
-a Arte de trabalhar a madeira. Um entalhador de Lisboa da 2a metade
doseculo XVIII".
A
aquisi^o
de conhecimentos e de tcnicas e fundamental para odesenvolvunento econmico e social do Terceiro Mundo. As
necessidades nessa rea so
grandes
e vanadas, ndo desde amicia^o
emsimples
tcmcas ateduca^o
universitaria.A escolha do tema - talha ou escultura em madeira - recaiu sobre
uma das
manifesta^es
artisticas que mais atrai opublico
e, emespecial,
o africano; usando as suasprpnas palavras,
"a renova^odesta arte
(escultura afncana),
a suaconserva^o,
aprotec^o
doartista, tm sido
frequentemente
abordadas. No obstante, continua aMuseologia
eComunicagdo
faltar um estudo mterno que restitua os elementos do discurso
estetico afncano, a
despeito
doesfor^o
notvel de um E.Mveng.
deum B. Enwonwu. de um Obama ou de Memel. A arte negra
funcional.
religiosa.
ntmica, deve serobjecto
de uma analise simultaneamente tcmca, esttica,sociologica
e histonca"16.A obra nedita de Antnio
Angelo,
o entalhador de Lisboa,seleccionado para a pnmeira
exposi^o.
e um excelentee.xemplo
deartista que
apreendeu
com facilidade estilo e tcnicas. executando-ascom pencia;
abrange
quase meio seculo de actividade, permitindo-nos dentificaralgumas
das obras de talha de maior nnpacto dacapital.
A ofcma doentalhador,
ntegrada
naExposi^o.
transmitir ao visitante o conhecimento detecnologias
dapoca.
de modelos. detipos de
utihza^o,
remetendo-os para o patnmomo local afm oupara as suas
prpnas
cna^es,
contnbuindo para o desenvolvunento harmomoso da comumdade.De
facto,
"aparticipa^o
activa daspopula^es
nos projectos dedesenvolvimento que lhes dizem
respeito
jamais considerada comosomente
desejvel.
mas sim como umacondi^o
sme qua non para arealiza^o
dessesprojectos"1'.
Retomada no contexto da vida cultural a no^o de
desenvolvimento tomou de imediato todo o seu sentido. afrmando a
necessidade de se ter na devida conta apenas e em exclusivo. a
for^a
16 DI.AGNE, Pathe Introduqo EscuturaAfricana Pag 184
Museologia
c ('omumcagdo
de trabalho dos homens mas de
igual
modo. a SLia identidade culturalque e alis o fundamento da sua viso no mundo'"*.
Museologta
eComunicagdo
Museologia
e ( 'omumcacdoCAPTULO
I
Museologia
cComumcagao
0 processo de
evolu^o
daMuseologia
conducente a suaafrma^o
comodisciplina
cientifca tem vmdo a ntensifcar-se nas ultimas dcadas com o evidente desenvolvimento de novosconceitos,
metodos,
anlise e sntese deobjectivos.
A Galena clssica de Arte, a
colec^o
renascentista, o "Gabinetede cunosidades" constituem fases histricas dessa
evolugo.
em queo
objecto
era retirado do seu contexto nicial e deifcado em espa^os elaborados enatingveis.
Hoje
eimpensvel
admitir um Museu estatico, cnstalizado.necrolgico;
rompeu-se defmitivamente com a apatia ou o elitismo eesta
revolu^o
e de tal modoexplosiva
que, em 1992, aquesto
"Museus, haveralimites?",
escolhida para temtica da Conferncia Geral do ICOM19 no obteve resposta satisfatna. de tal modo sovastos os conhecimentos a atingir.
19 Muses:
y a-t-d des limites'f ICOM, 1992
"0 sufixo -iogtd. foi pela primeira vez junto a Museu por J Graesser em
1885 (no jornal Zeitschrtft Fur Museoiogte und
Antiquitatenkunden)
fazendo a seguinte afirmaco - se ha tnnta ou talvez vinte anos alguemMuseologia
c ComumcacaoSignifca
esta ndeciso que estamos a beira do extremo oposto.numa
completa
ruptura com openodo
antenor. sucedendo-sepermanentes
"happenings".
nos Museus ate ha pouco sacralizados00
diagnstico,
julgamos.
nclina-se mais para classificar esta tasecomo uma etapa
tipica
de crescimento que. por demasiadorapido.
tem sintomas de crise, de debilidade de alicerces. de buscaangustiante
de caminhos; mas estas so tambemalgumas
das caractersticas doslongos
processos deexperimenta^o
cientfica.Como dizia Fustel de
Coulanges, "para
um dia de sintese soprecisos
muitos anos de anlise".A cincia
museolgica
tem vindo lentamente a procurar-se a sipropna. a elaborar a sua
histria,
a sua teona e a suametodologia.
a delimitar o seuespa^o20.
Desde o momento em que o Museu se come^ou a questionar, a observar-se a si
prpno,
estavam a ser dados os pnmeiros passos:- O
que convem
preservar'7
-
Que
tipo de
colec^o
atrai mais opblico?
-Apreender
o visitante maiorquantidade
deobjectos
ou serprefervel
expor um numero reduzido0reagido com um sorriso de compaixo ou de complacncia. hoje e claro que e
drterente"
in THEATER. Lynn, Museum Studies. pag 405.:u Consulte-se a este proposito os numeros 1 e 2 de "MUWOP". 1980. 1981,
Museolofia c
Comuntcagdo
-Quais
os componentes de maior efccia paradivulga^o
a curtoprazo0
0 facto de no vir ainda considerada como cincia nos Estatutos
do ICOM mais recentes ( 1990)-1 no
questiona
a nossaafrma^o;
signifca.
sim.prudncia
naofcializa^o,
a nivel mundial, deconstata^es
comprovadas
com maior ntensidade apenas nodecorrer desta decada.
:1 Estatutos do ICOM. 1990 Art 2
"Defimco 1 0 museu e uma instituico permanente. sem fim lucrativo. ao
servico da sociedade e do seu desenvolvimento. aberto ao publico e que faz nvestigaces relacionadas com os testemunhos matenais do homem e do seu meio ambiente, recolhe-os, conser\'a-os, comumca-os e especialmente expe-os com objectivos de estudo. de educaco e de deleite
a) Esta definico de Museu deve ser dada sem nenhuma limitaco
resultante da natureza da autoridade de tutela. do estatuto terntonal. do sistema de funcionamento ou da orientaco das colecces da instituico a que se refere.
b) Alm dos "Museus" designados como tal. so admissiveis como correspondendo a esta definico
- os sitios e monumentos naturais. arqueologicos. etnograficos e
historicos que tenham caractensticas de Museu pelas suas actividades
de aquisico. de conservaco e de comunicaco dos testemunhos
naturais dos povos e do seu meio ambiente;
- as instituices
que conservam coleccoes e apresentam especies vivas de vegetais e ammais. tais como os jardins botnicos e zooiogicos.
aquanos. viveiros;
- os centros cientificos e os planetrios;
- as instituices de conserva<?o e galenas de exposi^o. dependendo de bibliotecas e de centros de arquivo;
-os parques naturais.
-qualquer outra instituico que o Conselho executivo considere como
tendo parcial ou totalmente as caractensticas de um Museu ou dando a
Museologia
e ComuntcacaoBasia venfcar que dois dos seus
objectivos
so "fazernvestiga^o
relacionada com os testemunhos matenais do homem edo seu meio ambiente e conuinic-los". para se concluir do grau de
mplica^o
cientfca queaqueles
pressupem;
nestas areas. amuseologia
exige uma estreitanterdisciplinandade
com ramos reconhecidamente cientifcos como o so ja aantropologia.
aecologia.
apsicologia.
asociologia.
A pergunta "Museus. havera lnnites0"
abrange,
a nosso ver. doisaspectos:
- o
aspecto do progresso de tal modo extraordmano que
conduziu, nas dcadas 70/80, a uma
amplia^o
do conceitomuseolgico
levando-o aparentemente ao extremo.podendo
p-lo
em causa, se a actividade exercida fr de pura ordemmuseologica
ou, com um olhar mais arguto. de exclusivaassistncia
social;
ento, perguntar-se-a, compete aMuseologia
entrar neste ultimo campo, diluindo-se as suascaractersticas tradicionais0
- o
segundo
aspecto est relacionado com os limites mternos daprpna Museologia;
aevolu^o
foi to vertiginosa que omuselogo
seapercebe
agora que nopode
sobreviver soladono seu terreno e que as suas
expenncias,
cada vez maisambiciosas, tm que ser
acompanhadas
por conhecimentos deMuseologia
e ( 'omumcagdoE nesta abertura de novas rotas. e neste ensaio de
complementandade
que aMuseologia
penetra nametodologia
cientfca:
"podemos
mterrogar-nos se este processo evolutivo epengoso ou
desejavel.
mas ele e nevitavel". diz-nos lnnaAntonova-. a
grande
decana daMuseologia
sovitica.Uma
expenncia
como a que nos propomos nesta teseobnga
aprofunda
refexo sobre osprncipios
em que se fundamenta. os meios com que vai actuar, o ngor e a validade dos fins a atingir.Trata-se de cnar. com o ciclo de expos19c.es "Conhecer
Portugal9",
um espa^opolivalente
de encontro de culturas, aberto atodas as suas
expresses
e em todos os sentidos. capaz de asexplicar
e de potenciar a suaqualidade
decomunica^o.
E necessno saber. em pnmeira analise.
qual
acapacidade
daMuseologia
como cincia para atingir esteobjectivo;
necessano saber se aMuseologia
efectivamente uma cincia, quais os meiosque lhe so
prpnos
elegitimos
e como se situa noquadro
das outras cincias.Se analisarmos a escassa
documenta^o
produzida pelos
orgamsmos nternacionais
especializados
(ICOM, UNESCO),pelas
Universidades,
Museus, Forums culturais, ou textos deMuselogos.
venfcamos que as
posi^es
assumidasdivergem
profundamente
Museologia
e Comunicacaoquando
se trata de considerar aMuseologia
como uma cinciamdependente.
Adiante veremos que a
participa^o
crescente de otitras areas deconhecimento na area da
Museologia
- desde agesto
as ciencias abstractas,englobando
opera^es
de restauro. tecmcas decomunica^o,
etc. - esconde. mesmo a muitos observadores maisatentos, a
especifcidade
prpna
desta rea; o facto de uma parte dotrabalho de
investiga^o
que lhes serve de base. porfor^a
dascircunstncias, se fazer em
mstitui^es
que no os Museus e.tambem, por nestes
predominar
em muito o caracterpratico
emediato, faz com que
alguns
considerem aMuseologia
como tecmcae no como cincia.
Porm,
a realidade que seimpe
que seperdem
no tempo. asnotcias sobre
colec^es
e coleccionadores e a sua nfuncia nacultura das
Na^es;
cada vez maior, desde o Sculo das Luzes, oacervo de
objectos
que o homem considerandispensvel
preservarcomo
condi^o
de sobrevivncia da suaprpna
dentidade.Basta atentar-se no facto de que a
Museologia,
a partir dos anos50,
sai das portas dos Museus para a rua.O que a
conserva^o
dos centros histncos e acna^o
de areasde paisagem
protegida,
seno o proposito de musealizar o propnoterritrio?
Museologia
e ('omumcagdo
conhecimento e da magem do mundo - "aldeia
global"
-que. cada
vez mais. se
perfila
dentro de nos.Se assim e.
for^oso
se torna reconhecer que aMuseologia
emerge
j
como cincia depleno
direito. com os seus valores autnomos.Por todas estas razes se dividem os pareceres dos
especialistas
e das
nstitui^es,
das mais visionriasaquelas
a quem o propnoprestigio cultural constrange ou conduz
prudncia
e ao ngor.Podemos. a titulo
exemplificativo.
avan^aralgumas.
Encontramos nas
palavras
de BameReynolds
uma aceitvelsumula de permissas que a
Museologia
devera ter, sepretender
afirmar-se cientificamente: "Se a
museologia
e umadisciplina
cientfica,
ela cai nitidamente no dominio das ciencias sociais. Paratal,
necessno que estejam reumdas certascondi^es:
- deve ter um
objectivo global
e ser defnvel emespecial
relativamente s outras
disciplinas mplicadas
nos Museus;- deve ter um
conjunto de
publica^es;
- deve ter uma estrutura terica e a sua
prpria metodologia;
- as suas concluses devempoder
ser avaliadas e as suasnvestiga^es
eexpenncias, repetidas;
- deve ser reconhecida
pelas
outrasdisciplinas
estabelecidas epela
propnaprofsso
museal"23.Museologia
cComumcagdo
E esta
formula^o
que remos analisar emseguida.
Afrmamos que a
Museologia
tem comoprincipal
objectivo
oestudo dos testemunhos matenais do homem a fm de,
postenormente. os facultar a sociedade;
enquadra-se.
portanto, \\ovasto ramo das cincias sociais e humanas, muito proximo do campo
da
Antropologia
Cultural,
como a defmu A.Mesquitela
de Lima: "AAntropologia
estuda o Homemntemporal
e anmmo. isto e. detodos os tempos, de todas as
pocas
e de todos os tipos - o Homemgennco"24.
No entanto, a
fun^o
social do Museu no se limita apenas adivulga^o
de matenas estntamente do foroantropolgico.
masalarga-se
a todo o conhecimento, ncluindo o das tematicasabstractas
(Vd.
G.I).
Formam-se,
assim,
pontostangenciais
entre o grupo cientifco emque se insere e todas as outras cincias que lhe compete
divulgar.
no nos refenmos apenas
divulga^o
histnca dessas cincias. maspermanente
actualiza^o
de umpublico
vido por conhecer novasdescobertas. No corrente ano, so frteis os
exemplos
deac^es
levadas a cabo por Museus que
despertaram
umexcepcional
interesse junto do
pblico,
refenndo-se a temas cientifcos e atecnologias
de ponta.Museoiogia
eComumcagdo
Museologia
e ('omuntcagdo
Obtena a
exposi^o
"Dinossauros" (Museu de HistoriaNatural. Lisboa. 1993) o assinalvei xito a que assistimos se tivesse
sido
organizada
por metodos clssicos como e. pore.xemplo.
aexposi^o
de vertebras existente nosServi^os
Geologicos
de Lisboa.apenas
legendada
com vintepalavras
escntas em letra de "caixa"pequena9
A habitual ausncia de
publico
nesta ultimamstitui^o
e aprova-resposta negativa mais evidente.
0 motivo do xito
alcan^ado
pela
exposi^o
"DinossaLiros".excedendo as expectativas mais optimistas, o emprego de mtodos
e tcmcas movadoras e
pluridisciplinares.
aliadas a um conhecimentomuseologico
de base cientfica.0
"marketing"
(que
utilizou reas deactua^o
dispendiosas.
como a televiso e a mprensa
comercial),
aestratgia
temporal.
areconstitui^o
cenogrfica
de ambientes eespcies
extintas. fazendoo contraponto com ossadas
autnticas,
vestigios da vida animal ouvegetal
encontrados e estudados porantropologos,
zoologos,
bilogos;
foi uma equipa de cientistas que obteve o xito, em trabalho conjunto com oMuselogo,
eleprpno
cientista.Vinos Sofka (Professor de
Museologia
na Universidade de Brno)no
pe
em causa o carcter cientfico daMuseologia:
"Comodisciplina
cientficandependente.
aMuseologia
tem porobjectivo
o estudo da actividade humana que se exerce atravs dainstitui^o
Museolofia c ( 'omumcacdo
conservar. estudar e
divulgar
o patnmonio naturai e cultural domundo ou de certas
regies
do mundo. Esta actividade. demultiplos
aspectos. da a
nstituigo
Museu o caracter de um notavel reservatno deobjectos
onginais, de base demforma^o,
deinstitui^o
para ainvestigavo
e. ao mesmo tempo. de meio deeduca^o
de massas. E por este motivo que o Museu enquantoinstitui^o
socio-cultural - a deia de Museu e a stia flosofa. osobjectivos
do Museu. as suas tarefas. a suaorgamza^o.
a suaevolu^o
e o seupapel
na colectividade - esta nopnmeiro
plano
damuseologia
e dainvestiga^o museolgica
e lhe transmitiu o seunome":-\
Idntica
posi^o
tem AnnaGregorova:
"amuseologia
no e uma actividadeprtica,
mas uma novadisciplina
cientifica com o seuobjecto
de estudo, os seus metodos e meios denvestiga^o
prpnos.
Com o desenvolvimento dos Museus e a sua mfluncia social
crescente, torna-se
ndispensavel
formar e codificar esta novadisciplina
cientfica noquadro
das outras cincias"26.A
Museologia
deixou de ser apenas umatecnologia.
umaactividade
prtica,
para dar os pnmeiros passos dedisciplina
cientfca.
25 "La Musologie - science ou seulement travail du Musee0". Dotram (Documents de travatlsur iaMuseologie) Nl. 1980 Pag 12
Museoiogia
c ComumcacdoA fnalidade tradicional do Museu - seleccionar. recolher.
estudar. conservar e
divulgar objectos
- mantem-_e; mas. oque mais
nfuiu na
obten^o
da sua nova dinmicafoi,
em pnmeirolugar.
aevolu^o
do conceito deobjecto.
testemunho da cultura matenal; este sempre foi a "fonte"museologica
por excelncia. mas oscntenos de
selec^o
e recolha(ac^es
que Ihe concedemonginalidade
eespecifcidade
emrela^o
a outrasdisciplinas)
vanaram consideravelmente.Ora, se estas
ac^es
so exclusivas dos Museus. alterando-se oscritenos, alteram-se substancialmente os organismos a que do
origem; deste modo, a
qualidade
deexecu^o,
a randade. a belezaesttica, o exotismo, deixaram de ser ndices exclusivos para
mtegra^o museolgica.
Est fora de causa dizer. como outrora. que "a pe^a X e de tal modo boa que edigna
defgtirar
num Museu" 0sentido, presentemente,
nverso: e o Museu que procuradigmfcar-se, mdo ao encontro de matenais
signifcativos.
mdependentemente
do seu valor comercial.
Objecto
de Museu ser, doravante,qualquer
matenalexemplifcativo
de determinada temtica; o facto de ser exposto temporanamente no Museu nomplica
a mcluso defnitiva no seuacervo; ele e uma memoria, um testemunho de determinado
acontecimento, mas nem sempre se
justifca
que mgresse no Museu-e o caso de
objectos
da vidaquotidiana contempornea
queMuseologia
e ComumcacdoE oportuno refectirmos sobre as
palavras
de Henn Marrou: "Eum documento toda a fonte de
informa^o
de que o espinto dohistonador sabe tirar
qualquer
coisa para o conhecimento dopassado
humano. visto sob o
ngulo
daquesto
que lhe foi posta. E evidenteque
mpossvel
dizer onde come^a e onde acaba o documento; cadavez mais a
no^o
sealarga
e acaba porabra^ar
textos. monumentos.observaves
de toda a ordem. (...) Numapalavra.
tudo o que naheran^a
subsistente dopassado
possa sernterpretado
como ummdice revelador de
qualquer
coisa sobre a presen^a. a actividade, ossentimentos, a mentalidade do homem de outrora. entrara na nossa
documenta^o.
Estano^o
aparece como uma fuso de duasvariveis
independentes:
enquantopassado (representado
pormatenal de todo o
gnero
que deleproveio
ate ns). eladepende
dohistonador,
da sua miciativa, da sua habilidade para utilizar osnstrumentos de trabalho e os seus conhecimentos. mas. em
pnmeiro
lugar,
do que ele e em si mesmo, da suamteligncia,
da sua aberturade espinto, da sua cultura"27.
Refere-se,
Henri Marrou, s fontes histncas. um dos aspectosque
pode
apresentar umobjecto museolgico.
Histona eMuseologia
nterpenetram-se, tal como a
nterdisciplinandade
cada vez maisutil e oportuna com as outras cincias.
Museoiogia
e ComuntcagdoUma to
grande ampliuide.
sem limites de espa^o. de tempo oude tematica. no
pode
ser realizada sem um concursoplundisciplinar.
mo so do ramo das cincias em que aMuseologia
tende a msenr-se - as cincias humanas
(antropologia.
psicologia,
sociologia.
histna,linguistica,
economia) - mas de todas, msistnnos.cuja tematica e ciclicamente escolhida para
apresenta^o.
A
contextualiza^o
dosobjectos,
umaexigncia
para os Museusque se
pretendem
actuais,mplica
atransposi^o
de pequenosumversos para o espa^o fechado do Museu ou a da dos visitantes ao
local onde
aquele
permanece ntacto ou reconstrudo numaptica
museologica.
Esta sera ametodologia
a seguir se se tratar de umaexposi^o
que sepretende
de sucesso.Consoante a temtica, assim os cntrios de
selec^o
e recolha deobjectos
vanam, sendo necessana umaeduca^o
especfca
desensibilidade
museolgica.
0 Museu
transforma-se,
pois, num verdadeiro laboratno deexpenncias,
de confrontos por vezes "subversivos eprovocatnos":8
com uma dinmicamimaginvel
h vinte anos.Se os
objectivos
deselec^o
e recolha lhe soprpnos,
ja osmtodos de
investiga^o
so comuns aos utihzadospelas
diversascincias no mbito do
qual
seenquadram
as pe^as escolhidas parafgurar
no Museu: recorre a Medicina sepretender
organizar umaMuseoiogia
c ComumcacdoExposi^o
sobre a malana, recorre a Histna se aExposi^o
fr sobre Mouzinlio deAlbuqtierque.
como recorre aAntropologia
se aexposi^o
fr sobre as tabancas daregio
suburbana de Bissau."Se. na realidade, o mtodo
prpno
daEtnologia
ou daAntropologia
Cultural aobserva^o
e adescn^o
da cultura, doobjecto
cultural. tanto tomado no seu sentido matenal. como nomatenal com o intuito de
chegar
aos comportamentos para oscompreender
e osexplicar,
no e menos verdade que o estudo dos valores atnbuidos aosobjectos
se torna ponto fundamental em taiscincias":9.
Divulgar
ou comumcar o acer\'o do Museu e um outro aspectoque tambm
adquiriu
uma nova dinmica,refor^ando
osla^os
plundisciplinares.
Presentemente, o que se
pretende
atingir, no e. como outrora.apenas o grupo de
eleitos,
de amigos ou convidados, mas toda acomunidade. 0 Museu existe para o
pblico
e e a ele que devededicar,
com pnmazia, a suaaten^o.
vasta a
bibliografa
sobre os Museus e opublico
As duasltimas dcadas vieram
ennquec-la,
coincidindo com a fortepreocupa^o
em atrair visitantes, querpela
louvvelsensibiliza^o
pedaggica,
quer,simplesmente,
numa perspectiva debilitada, porqueMuseoiogia
e ( 'omumcacoa
qualifca^o
de maior ou menormportncia
dada aos organismosvana consoante a estatistica de
frequncia
anual.Este Lim dos pontos que merece ser desenvolvido com a maior
clareza; mas muitos outros restam por esclarecer:
-a que tipo de
publico
nteressadingirmo-nos
compnondade?
- as
expos19c.es preparam-se em
fun^o
dopblico,
ou e esteque se deve ntegrar na temtica que 0 Museu lhe
prope?
- como conciliar hornos de Museus com os tempos livres.
pos-laborais. dos visitantes?
-qual
0 meio decomunica^o
social a que 0 visitante e maissensivel,
paradivulga^o
de actividades?0
mago
daquesto
consiste emdistinguir
ou dentifcar osmotivos que levam 0
publico
ao Museu. Em pnmeirolugar.
aforma^o,
a cunosidade em descobnr novos elementos oucompletar
reas do conhecimento. Como
hipotese
secundna,
asimples
distra^o.
0 alheamento face a outras actividadesquotidianas
montonas que, por serem cansativas ou preocupantes. procuraesquecer. Tambm a
emula^o
no deixa de ter peso,especialmente
social,
nesteleque
demotiva^es.
A
importncia
do trabalho doprogramador
daexposi^o
econsidervel, sobretudo no que diz respeito expectativa da
forma^o
dovisitante;
no basta quelegende
convenientemente osobjectos,
que os agrupe ou evidenciesegundo
um esquemalgico,
Museologia
eComumcagdo
a
capacidade
de transmitir uma mensagem com ngor e honestidadecientifca. facto que lhe deve dar.
logo
ao iniciar o projecto. o maiorsentido de
responsabilidade.
"A
afrma^o
segundo
aqual
osobjectos podem
faiar por sipropnos e transmitir
informa^o
sobre uma outra cultura e discutivel;e certo que as
propnedades
tsicassuperficiais
de umobjecto
podem
ser observadas
pelo
visitante. mas, como muitas outras. associedades
abongenes
atnbuem mais valor asmforma^es
simbolicas que codificam os
objectos
culturais""1.No est apenas em causa
"aquele"
visitante que. no dia X. veioao Museu, mas o efeito
multiplicador
que elepode
ter; o visitante e omelhor
propagandista
e adescn^o
pessoal,
oral ou escnta (se setratar de um
jornalista,
porexemplo)
que venha a fazer daexposi^o
no
pode
deixar de ser encaradapelo programador
daexposi^o.
Neste sentido. a
simples
folha volante. que se retira da caixapendente
daparede
dasala,
elaboradaespecifcamente
para asescolas,
apresentada
com acessibilidade elementar, deve conter todos os elementos necessnos ao esclarecimento dequalquer
visitante.
A
dispombilidade
para o atendimento post-visita ser um aspectoa considerar. cada vez com mais acuidade, visto que
possibilitar
arecolha de
sugestes,
o ncio de contactos teis em reas afns. oMuseologia
e Comunicagdoaparecimento
de projectos de tinerncia da propnaexposi^o.
Tantas vezes surgem, desta analise. revises ou
modifiea^es
deestrategias. projectos ou mtodos de trabalho noutros domnios do
conhecimento.
0
prpno programador
e a sua equipa -conservador,
designer.
antropologo
ou outro cientista - devem reciclar.periodicamente,
osseus conhecimentos em matena de meios de
comumca^o.
sobretudomeios audio-visuais.
Roy Strong,
Director do Museu Victona and Albert. e bem claroao afrmar que
"para poder
comunicar, o Museu deve.evidentemente,
ter a suadisposi^o
meios decomunica^o
("media")no sentido que se atnbui a este termo no fm do seculo XX e com a
enorme diversidade de meios que sso
mplica: publica^es,
conferncias,
rdio, televiso. video. 0 sucesso dequalquer
Museupressupe
que osresponsveis
conhe^am
a tecnica derela^es
publicas
e as saibam utilizar para expnmir visual e verbalmente osseus
objectivos
eonenta^es"31.
"O divertimento essencial
comumca^o".
diz-nos aindaStrong.
Apresentar
uma tematica degrande
senedade, de modo a atrairum visitante que se
pretende
distrair na visita ao Museu, e.xigemtodos propnos a que no e ndiferente. ate, um certo sentido de
Museologia
e Comumcagaohumor - textos resumidos mas bem
explicitos,
processos de relacionamento com outras tematicascomplementares
de maioracessibilidade
Apontamos,
comoexemplo
de sucesso. ae.xposi^o
sobre genetica.
apresentada
no Museu daCiviliza^o
deQuebec.
em1992. em que todas as
mforma^es
foramcompletadas
com matenaisaudio-visuais.
conseguindo
captar aaten^o
de umpblico
diversifcado etana e culturalmente falando.
Dizem os poetas que em cada adulto ha uma cnan^a; na
realidade. se e a
distra^o
que o atrai para uma visita ao Museu. osprocessos ludicos tm
lugar
previlegiado,
embora nonecessariamente de nvel elementar; se, junto de uma obra pictonca.
fgurarem
esbo^os
ougrfcos
preparatnos.
matenais einstrumentos dnticos aos utilizados na
execu^o.
paraexemplifca^o,
o sucesso de afluncia seguro.A visita ao Museu
pode
pressupor, por vezes. gosto deemula^o
-porque o visitante vai
acompanhado
dealguem
a quem quermostrar
objectos
guais aos que possui em sua casa ou porquepretende
que saibam que se nclui no numero depersonalidades
cultas e socialmente bem colocadas que. por
tradi^o,
frequentam
Museus. Ainda subsistem estes visitantes, eles
prpnos
legendados
de "raros", que aparecem nos Museus, como nos Concertos ou na
pera
- vopara serem vistos e no para ver. Tambem eles so uteis
aos Museus, como