Carta de Intenções do 1º Encont
h
arte –
Encont
ros de
H
istória da
Arte da Antiguidade
2012
11 de Abril, Lisboa
12 de Abril, Tróia de Setúbal.
Horizontes Artísticos da Lusitânia
“O olhar não se esgota”
Justino Maciel
É inegável, nos nossos dias, o vigor da investigação científica na área da História da Arte. Esta revela-se como um campo fecundo de reflexão e de aprofundamento de temáticas que tocam profundamente as questões essenciais dos estudos em Ciências Socias e Humanas. A História da Arte da Antiguidade desempenha um papel essencial nesta abertura de temas de estudo e de amplitudes metodológicas. É um privilégio a anterioridade da História da Arte da Antiguidade relativamente a muitas imagens que povoam a expressão da Arte ao longo de sucessivas épocas históricas até à contemporaneidade e o olhar do Historiador da Arte da Antiguidade é sempre o de alguém que decompõe, quase intuitivamente, o que vê numa procura profunda das raízes inteligíveis das formas.
O desenvolvimento que actualmente se verifica na investigação em História da Arte é o resultado do empenho crescente do Departamento de História da Arte da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa através do Instituto de História da Arte da mesma Faculdade. A Linha de Investigação em Arte Clássica e Antiguidade Tardia do Instituto de História da Arte, aposta na investigação em directrizes que têm como objectivo reforçar a análise reflexiva e
aprofundamento de questões e metodologias, incentivando o trabalho de equipa e procurando um reforço das colaborações internacionais.
A Linha de Investigação Arte Clássica e Antiguidade Tardia do Instituto de História da Arte da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa é a herdeira do enorme contributo metodologicamente inovador do Professor Justino Maciel. O avanço nos estudos sobre a História da Arte da Antiguidade e o crescente interesse que esta vai despertando nos alunos (desde a Licenciatura ao Doutoramento) são o resultado de uma perspectiva nova de abordagem da História da Arte da Antiguidade Clássica e Antiguidade Tardia. Neste Linha de Investigação, como em outras Linhas de Investigação de outras épocas da História da Arte, o olhar é fonte inesgotável de informação. Subjacente a todo o trabalho do Historiador da Arte está a transição do do olhar ao ver. O ver aprende-se e renova-se, complementando-se com um estudo renovado dos textos dos autores da Antiguidade Clássica e Tardia, procurando nas palavras um auxílio para a compreensão cabal das imagens e nestas, por sua vez, a expressividade necessária à sua interpretação. A consciência que preside a esta atitude é a de que as linguagens verbal e visual são um todo articulado e único, numa conveniência de sentido profundamente vitruviano. A actual Linha de Investigação em Arte Clássica e Antiguidade Tardia do Instituto de História da Arte chama a si a tarefa de continuar o trabalho do Professor Justino Maciel, numa ampla visão metodológica em que a interdisciplinaridade e a reflexão conjunta das épocas historico-artísticas são as sua linhas condutoras.
É neste sentido que o 1º Encontraharte pretende caminhar. Sentindo que usufrui de um caminho aberto pelas investigações dos Professores Bairrão Oleiro e Justino Maciel, chama a si a incumbência de continuar e manter o interesse vivo pelo estudo da História da Arte da Antiguidade. Tal como os legionários romanos construíam as estradas medindo e calculando o terreno à medida que o calcorreavam, assim também o “caminho se faz caminhando” alimentando-se de colaborações várias e atenções múltiplas nas quais gostaríamos de salientar a importância do ensino da História da Arte da Antiguidade e o fulgor que dele pode resultar em termos de uma geração de Novos Investigadores.
O 1º Encontrharte elegeu como espaço de atenção a província romana da Lusitânia e, pretendendo abrir horizontes, inspirou-se nas Vias Romanas, caminhos desbravados e a desbravar, essenciais e articulados, coluna vertebral do Espaço, do Tempo, da Arte. Deste modo, o tema aglutinador do 1º Encontraharte Lusitânia é Horizontes Artísticos da Lusitânia. As sessões constituintes deste 1º Encontraharte são as seguintes:
1ª Sessão temática: Abordagens e Metodologias.
O objectivo desta sessão é abrir caminhos de pensamento e reflexão sobre metodologias da História da Arte da Antiguidade. O ponto de vista que inspira a organização deste 1º Encontraharte é reforçar a importância da comunicação entre as várias épocas de estudo e investigação que compõem os três ciclos de estudos da História da Arte da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, muito concretamente, Antiguidade, Idade Média, Idade Moderna e Contemporaneidade. Pretende-se uma atitude que ultrapasse o estrito, embora nuclear, âmbito do objecto e método de investigação da História da Arte da Antiguidade alargando este último e relacionando-o com outras formas de pensamento mais comummente utilizadas em outras épocas da História da Arte. Simultaneamente, ambiciona-se o alargamento interdisciplinar com a certeza de que o verdadeiro conhecimento, se bem que particularizado, focado e especializado, comunga de uma ligação ampla de saberes aos quais o olhar do especialista deve estar atento. Com efeito, o conhecimento atinge-se olhando insistentemente o nosso objecto de estudo mas também, por vezes, saindo e afastando-se dele, vendo ao seu redor e para além dele. É este verdadeiramante o olhar que a História da Arte da Antiguidade fornece, uma percepção do seu campo de acção, vendo para além dele.
2ª Sessão temática: Espaços, Materiais e Formas
A segunda sessão pretende dedicar-se a um estudo sobre a ampla acepção do Espaço. O Espaço é, em primeiro lugar, geografia; é o horizonte da planície, o obstáculo do relevo, o curso de água que faz perder a memória, que liga e afasta, é o perspectiva do oceano, o limite entre a terra e o mar marcado pelo promontório. A
geografia acolhe o povoamento. O diagnóstico primordial do Espaço tranforma-o em comunicação e as vias e as pontes asseguram a ligação dos locais na Lusitânia Romana qual coluna vertebral.
Espaço é construção, concepção da arquitectura, teoria e prática,escolha e utilização de materiais. É a escultura arquitectónica que, plasticamente, comunga da arquitectura e escultura, conjuga o espaço e condiciona as formas.
3ª Sessão temática: Iconografias
Finalmente, a terceira sessão dedicada às Iconografias, à descrição, estudo e interpretação da imagem da História da Arte. Fim último da análise do historiador da arte que ambiciona ver o objecto, escolher e seguir a metodologia adequada, abarcar o espaço, captar a forma, visualizar o significante, ler o significado, munir-se de uma compreensão global do seu ofício.
O 1º Enconharte, dedicado aos Horizontes Artísticos da Lusitânia pretende ser um espaço de reflexão e investigação. Pretende munir-se da estradas e pontes com um espírito entusiasta e inventivo, ligar sensibilidades, aproximar metodologias. Proporcionar um verdadeiro Encontro de cada um com a Arte e com a História da Arte. A História da Arte da Antiguidade é uma fonte aberta à pesquisa, detentora privilegiada de um tempo passado mas não esquecido em que o presente se encontra, revê e, finalmente, se compreende.
Comissão Científica
M. Justino Maciel (Instituto de História da Arte, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas – Universidade Nova De Lisboa);
M. Angeles Gutiérrez Behemerid (Facultad de Filosofia y Letras, Departamiento de Prehistoria, Arqueologia, Antropologia Social, Universidad de Valladolid);
Filomena Limão (Instituto de História da Arte, Faculdade de Ciências Sociais e Humanas – Universidade Nova de Lisboa).
Keynote speaker
M. Angeles Gutiérrez Behemerid
Comissão Executiva
Ana Paula Louro (IHA, FCSH-UNL)
Secretariado
Ana Celeste Glória (IHA, FCSH-UNL)
Carina Vicente (IHA, FCSH-UNL)
Eloísa Rodrigues (IHA, FCSH-UNL)
Apoio gráfico e fotográfico
Catarina Coelho
Mafalda Duarte
Mafalda Marcos
Patrocínios a Apoios