A POLÍTICA COMERCIAL BRASILEIRA: O PROTECIONISMO SOBRE O SETOR INDUSTRIAL
Florianópolis 2012
A POLÍTICA COMERCIAL BRASILEIRA: O PROTECIONISMO SOBRE O SETOR INDUSTRIAL
Trabalho de conclusão de curso, apresentado ao curso de graduação em Relações Internacionais da Universidade do Sul de Santa Catarina, como requisito parcial para obtenção do título de bacharel em Relações Internacionais.
Orientador: Profª. Kátia Regina de Macedo, Msc.
Florianópolis 2012
A POLÍTICA COMERCIAL BRASILEIRA: O PROTECIONISMO SOBRE O SETOR INDUSTRIAL
Este Trabalho de Conclusão de Curso foi julgado adequado à obtenção do título de Bacharel em Relações Internacionais e aprovado em sua forma final pelo Curso de Relações Internacionais, da Universidade do Sul de Santa Catarina.
Florianópolis, 07 de Dezembro de 2012.
________________________________________ Profª. Kátia Regina de Macedo, Msc. Universidade do Sul de Santa Catarina
________________________________________ Prof. José Ricardo Tavares, Msc.
Universidade do Sul de Santa Catarina
________________________________________ Prof. João Batista, Msc.
Agradeço primeiramente a Deus pela força de todas as horas e a saúde para progredir.
Agradeço aos meus tios Edelfôncio Faria e Fabrício Curi, sem os quais não teria chegado até aqui. Agradeço ao meu avô Silvestre Faria e minha avó Irma Faria que sei que de onde estiverem estarão contemplados de felicidade e orgulho. Foram um alicerce, me fizeram quem sou, me ensinando os princípios mais lindos que um ser humano pode ter, dentre eles: o amor sem mensuração.
Globalização trouxe consigo muitos efeitos sobre a sociedade, assim como surtiu profundas transformações sobre a economia dos países, diversificando e aumentando o fluxo de comércio exterior entre as nações. Estas passaram a utilizar diferentes formas de ação, por meio de suas políticas comerciais. Entre elas, uma comumente conhecida, que é a proteção aos produtores e fabricantes nacionais, contextualizada pelos estudiosos de “Protecionismo”. No Brasil não é diferente, utilizou-se e ainda utilizam-se medidas protecionistas. Assim sendo, este trabalho busca compreender as principais razões para utilização destas, mediante o setor industrial. Para tanto, apresenta-se um pouco sobre o processo de industrialização no Brasil. Contextualizando assim a política comercial dos últimos 10 anos, para entender as ações mais recentes e a posição do governo perante o tema, bem como o panorama atual da indústria no país. Também disponibiliza a opinião dos fabricantes nacionais bem como a opinião dos importadores de máquinas e equipamentos sobre ações de proteção governamental ao mercado interno, esclarecendo fatores a favor e contra tal política comercial.
Globalization has brought many effects on society, and has had profound changes on the economy of countries, diversifying and increasing the flow of trade between nations. They began to use different forms of action, through its trade policies. Among them, one commonly known, is that the protection of national producers and manufacturers, contextualized by scholars of "Protectionism". In Brazil is no different, we used and still are used protectionist measures. Therefore, this study seeks to understand the main reasons for using these through the sector industrial. It presents a little about the process of industrialization in Brazil. Contextualizing so the trade policy of the past 10 years to understand the most recent actions and the government's position before the subject, as well as the current situation of the industry in the country. It also offers a view of the domestic manufacturers as well as the views of importers of machinery and equipment on actions of government protection for the domestic market, explaining the factors for and against such trade policy.
BB - Banco do Brasil BC - Banco Central
BNDES - Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social CSN - Companhia Siderúrgica Nacional
DECEX - Departamento de Comércio Exterior
DIEESE - Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Econômicos FHC - Fernando Henrique Cardoso
IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística LI - Licenciamento de Importação
MDIC - Ministério do Desenvolvimento Indústria e Comércio MERCOSUL - Mercado Comum do Sul.
NCM - Nomenclatura Comum do MERCOSUL OMC - Organização Mundial do Comércio. ONU - Organização das Nações Unidas. PIB - Produto Interno Bruto
PSI - Política de Substituição de Importações. SECEX - Secretaria de Comércio Exterior.
SISCOMEX - Sistema Integrado de Comércio Exterior SH - Sistema harmonizado.
1 INTRODUÇÃO ...9
1.1 EXPOSIÇÃO DO TEMA E DO PROBLEMA...9
1.2 OBJETIVOS ...12 1.2.1 Objetivo geral...12 1.2.2 Objetivos específicos ...12 1.3 JUSTIFICATIVA ...13 1.4 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS ...13 1.4.1 Caracterização da pesquisa ...13
1.4.2 Técnicas para coleta e análise de dados ...14
1.5 ESTRUTURA DE ATIVIDADES ...14 2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA ...16 2.1 GLOBALIZAÇÃO ...16 2.2 COMÉRCIO EXTERIOR ...21 2.3 O PROTECIONISMO...28 2.3.1 Barreiras Tarifárias...31 2.3.2 Barreiras não-tarifárias...32
2.4 A ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DO COMÉRCIO (OMC) ...35
2.5 ARGUMENTOS A FAVOR E CONTRA O PROTECIONISMO ...37
2.5.1 Argumentos a favor do liberalismo ...37
2.5.2 Argumentos a favor do protecionismo ...39
3 DESENVOLVIMENTO...45
3.1 A INDUSTRIALIZAÇÃO BRASILEIRA...45
3.2 A POLÍTICA COMERCIAL BRASILEIRA NOS ÚLTIMOS 10 ANOS SOBRE O SETOR INDUSTRIAL ...56
3.2.1 O Governo Luís Inácio Lula da Silva (2002 – 2010) ...56
3.2.2 O Governo Dilma Rousseff (2010 – 2012) ...62
3.2.3 A Desindustrialização ...64
3.2.4 A indústria e o setor de máquinas e equipamentos...67
3.3 O POSICIONAMENTO DE IMPORTADORES E FABRICANTES NACIONAIS DIANTE DAS MEDIDAS PROTECIONISTAS...73
3.3.1 A ABIMEI...73
1 INTRODUÇÃO
O presente estudo tem como tema a política comercial brasileira – o protecionismo sobre setor industrial. Tal setor gera uma grande remessa de capital do exterior para o Brasil, por meio dos investimentos indiretos.
Além de estarem relacionadas à economia, as delimitações deste trabalho se estendem em grande escala ao comércio exterior, por apresentar grande desenvoltura nos últimos séculos, influenciando diretamente no relacionamento entre os países, além de possibilitar uma troca comercial muito ampla na medida em que são realizadas as vendas do que produzimos em excedente, chamadas exportações, e a compra do que não somos capazes de produzir, ou produzimos com ineficiência, chamadas importações, influenciando diretamente as economias internas dos países.
Como terceira delimitação deste trabalho colocam-se as medidas protecionistas que vem modificando preços no mercado interno, por dificultar a concorrência entre as marcas nacionais e estrangeiras no Brasil. Mas este trabalho tem como foco principal aquelas adotadas pelo Brasil, buscando entender: Por que o país vem adotando medidas protecionistas para com a indústria – setor de Máquinas e Equipamentos, e quais são elas?
1.1 EXPOSIÇÃO DO TEMA E DO PROBLEMA
O Mundo atual em que se vive passou por uma série de transformações das mais variadas nos últimos séculos. Essas transformações se expandiram para o meio econômico, político, social, religioso, jurídico, cultural, ambiental, dentre outros meios, fenômeno hoje conhecido como Globalização, como reforçado a seguir.
A respeito do contexto de Globalização, Muçouçah (1995 apud VIEIRA, 2004 p. 73) destaca:
A globalização é normalmente associada a processos econômicos como a circulação de capitais, a ampliação dos mercados ou a integração produtiva em escala mundial, mas, descreve também fenômenos da esfera social, como a criação e expansão de instituições supranacionais, a universalização de padrões culturais e o equacionamento de questões concernentes à totalidade do planeta (meio ambiente, desarmamento nuclear, crescimento populacional, direitos humanos). Assim o termo tem designado a crescente transnacionalização das relações econômicas, sociais, políticas e culturais que ocorrem no mundo.
Para imaginar quando se iniciou, com maior força o comércio internacional, é necessário lembrar o tempo em que começaram as grandes navegações em meados dos séculos XV, que permitiram um aumento na circulação de bens e uma maior abrangência de mercados.
Com o passar dos séculos e o crescimento do capitalismo este comércio se intensificou e foi aumentando continuamente graças a busca por um maior número de mercados pelas nações, visando seu próprio desenvolvimento econômico. Como exemplo, é possível citar a acumulação de capital realizada no período mercantilista, conforme ressalva Maia (2007, p. 192) ressalta que:
De 1500 a 1750, por exemplo, o mercantilismo tornou-se regime econômico predominante. Por isso, os países estimulavam as exportações e desestimulavam as importações, mesmo que isso prejudicasse a vida do povo. O estado tinha um poder muito grande nas decisões econômicas. A força dele era tal que, na verdade, ele decidia quem podia produzir, comercializar ou importar, sempre preocupado com o aumento da riqueza governamental.
Com o crescimento do comércio entre as nações, cresceu também a competitividade e estas passaram a se preocupar com a proteção de seus mercados, pois, não mais lhes interessava apenas vender para o mercado internacional, mas, também, proteger o mercado interno dos produtos oferecidos pelos vendedores de outras nações, de forma que os produtores e as indústrias nacionais não perdessem seu espaço de venda internamente e ainda pudessem competir no mercado externo através da venda de suas mercadorias.
Além disso, o mundo passou por períodos de crise e recessão, sendo um dos mais prejudiciais e discutidos até hoje o enfrentado no período entre as duas Grandes Guerras Mundiais, a conhecida e famosa Crise de 1929, quando as nações procuraram se proteger da concorrência estrangeira, acusada até então de ser a responsável pelo agravamento da depressão. No entanto, este fechamento das fronteiras no período, ao invés de, favorecer a produção, contribuiu para o aumento da depressão (RAINELLI, 2004).
Já em meados do século XVIII, o mercantilismo saiu de foco, e o ideário liberalista começa a florescer, com destaque, conforme salienta Maia (2007), para o mercado livre, iniciativa individual e desregulamentação, cabendo ao governo preocupar-se com a preservação da justiça e defesa nacional.
Mesmo com o desenvolvimento do liberalismo os países continuam até hoje a utilizar com abuso de medidas protecionistas, tendo por convicção a idéia que as importações são um ponto negativo e embora, em parte isto possa ser um fato concreto, por outro lado, as
importações são uma alternativa para a aquisição de importantes bens em que os países não possuem vantagens comparativas para produzir. As tendências protecionistas têm por base uma idéia que pode ser resumida de forma simples: as importações representam uma concorrência inaceitável, pois, fazem crescer o desemprego. (RAINELLI, 2004).
As tendências protecionistas têm por base uma idéia que pode ser resumida de forma simples: as importações representam uma concorrência inaceitável, pois, fazem crescer o desemprego (RAINELLI, 2004).
Observando a história mundial, é justificável afirmar que, em diferentes momentos, os países encontraram e ainda encontram justificativas para atuarem com medidas protecionistas, seja para proteger a balança comercial, as indústrias estabelecidas, ou mesmo a indústria nascente.
A este respeito Krugman e Obstfeld (2001, p. 262), destacam:
Desde a II Guerra Mundial, até os anos 70, muitos países tentaram acelerar seu desenvolvimento econômico, limitando as importações de bens manufaturados de maneira a promover um setor industrial que atendesse ao mercado doméstico. Esta estratégia tornou-se popular por uma série de razões, mas, argumentos econômicos teóricos para a substituição de importações exercem um papel importante para este crescimento. Provavelmente o mais importante destes argumentos tenha sido a indústria nascente.
Ainda sobre a PSI, pode ser definida como uma política que visava criar uma indústria de manufaturados nos países em desenvolvimento, fazendo-se necessário neste caso, o protecionismo (por meio de tarifas ou cotas de importação) visto que, esta era a forma de poder competir posteriormente com os países desenvolvidos, protegendo a indústria nascente enquanto crescia das indústrias já formadas e competitivas dos respectivos países (KRUGMAN; OBSTFELD, 2001).
Desta forma, é passível de conclusão que todos os outros países do mundo, principalmente os desenvolvidos e os em crescente ascensão como é caso do Brasil, tenham uma política protecionista como assunto de ressalva na atuação de sua política externa.
Segundo destaca Barral (2002, p. 13):
Este caráter cíclico do comércio internacional pode ser percebido na história da política comercial brasileira de um liberalismo ingênuo da Velha República, esta política passou a extremos protecionistas após a revolução de 1930, sofreu um espasmo livre-cambista no Governo Dutra e recaiu no protecionismo de substituições de importações durante o regime militar. A abertura comercial rápida e extremada foi retomada durante o governo Collor.
Sendo assim, no Brasil o tema em poucos momentos foi tratado com maior indiferença. Hoje o assunto também tem importante relevância para a nossa economia e é tratado como tal nas pautas governamentais e rodadas internacionais de negociações.
Como a história do Brasil, além de fatores climáticos e geográficos propiciou que o foco de produção brasileiro se voltasse para a produção agrícola, este está entre os nossos maiores fortes econômicos desde meados de do século XV, após ser extrativista começar o ciclo do açúcar em meados do século XVI. Desde então a economia passou por diversas etapas de desenvolvimento econômico, até as primeiras tentativas de implementação da indústria em meados do séc. XIX (MACEDO; BOING, 2007).
Com o crescimento do setor industrial surgiram as medidas de proteção á indústria. Assim, por um conjunto de fatores, estas medidas continuaram, entre os principais motivos: a queda da participação da indústria no PIB, a desvalorização cambial chinesa que vem afetando no aumento das importações brasileiras; o crescimento do setor de serviços, as crises mundiais, dentro outros.
1.2 OBJETIVOS
1.2.1 Objetivo geral
O objetivo geral deste trabalho é identificar os motivos que levam o Brasil a adotar medidas protecionistas sobre o setor industrial.
1.2.2 Objetivos específicos
Os objetivos específicos deste trabalho são:
a) Apresentar o histórico sobre a industrialização brasileira, compreendendo seu desenvolvimento e ações protecionistas tomadas ao longo das décadas;
b) descrever as políticas comerciais protecionistas adotadas nos últimos 10 anos sobre o setor industrial;
c) identificar o posicionamento de importadores e fabricantes nacionais do setor, de máquinas e equipamentos diante das medidas protecionistas.
1.3 JUSTIFICATIVA
O processo de globalização veio intensificando o comércio internacional ao longo dos últimos séculos, aumentando assim o volume de transações comerciais entre os estados, sendo hoje, de grande importância econômica e também política.
Este comércio hora parece algo positivo, hora uma variável negativa, pois, se ao mesmo tempo pode servir como uma válvula de escape do excedente produtivo e uma maneira de buscar lucro fora do estado nacional contribuindo assim com o desenvolvimento das nações podem vir também por meio do excesso de importações prejudicarem a economia interna desequilibrando a balança comercial.
No Brasil não é diferente, o comércio internacional veio para modernizar a indústria nacional, mas, trouxe consigo um grande volume de importações, gerando assim problemas para a indústria interna.
Sobre tudo os consumidores estão cada vez mais exigentes à medida que conhecem outras possibilidades de compra, outra qualidade e preço, o fazendo repensar e voltar seus olhares para os bens industrializados importados, que em muitos casos unam preço e qualidade ao mesmo tempo na mercadoria. Então, como forma de proteger esta indústria nacional mais despreparada, às políticas brasileiras voltadas a este setor, concentram seus esforços nas medidas protecionistas de comércio internacional. Para tanto, este trabalho se faz necessário para que possamos é identificar os motivos que levam o Brasil a adotar medidas protecionistas sobre o setor industrial.
1.4 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
Os itens que serão apresentados na seqüência pretendem esclarecer aos leitores deste trabalho sobre quais serão os tipos de pesquisas e como eles serão utilizados.
1.4.1 Caracterização da pesquisa
Reconhecendo a importância da pesquisa que busca gerar conhecimentos novos, mas, que não necessariamente deverão ser aplicados, servindo assim de forma simples como aquisição de novas idéias, sem uma aplicabilidade notória imediata podemos classificá-la em uma pesquisa básica. (GIL, 2008).
Com base nas variáveis apresentadas neste trabalho de forma geral a pesquisa pode ser classificada também como sendo exploratória por aprimorar idéias e descobrir intuições, além de, pela análise de exemplos, estimularem a compreensão (GIL, 2008).
Sendo assim este trabalho busca demonstrar ao leitor um panorama amplo, criando um cenário que demonstre uma base geral, as variáveis preponderantes sobre os fatos ocorridos, abordando exemplos, podendo sobre intuição propor soluções hipotéticas.
1.4.2 Técnicas para coleta e análise de dados
O presente trabalho tem como parte estrutural principal de sua construção a pesquisa bibliográfica, ou seja, aquela feita através de livros e publicações periódicas.
Sobre os livros utilizados na pesquisa bibliográfica o autor destaca que: os livros constituem as fontes bibliográficas por excelência. Em função de sua forma de utilização podem ser classificados como de leitura corrente ou de referência (GIL, 2008).
Sobre as publicações periódicas Gil (2008, p. 45), destaca:
Já as publicações regulares são aquelas editadas em fascículos editados em intervalos regulares e irregulares, com a colaboração de vários autores, tratando de assuntos diversos, embora relacionados a um objetivo mais ou menos definido. Além da pesquisa bibliográfica, o presente projeto possui como fundamento a pesquisa documental. Esta tem a como função a busca pelo conhecimento de um dado tema em documentos. De acordo com Máttar Neto (2003), alguns desses documentos incluem ofícios, tabelas e fontes estatísticas, dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), contratos e atas, relatórios de empresas, etc.
Mesmo os processo de pesquisa apresentando similaridades todos buscam o fornecimento de conhecimento, bem como, a aprimoramento deste estudo através de fontes distintas e interpretações variáveis.
1.5 ESTRUTURA DE ATIVIDADES
A estrutura das atividades destina-se a esclarecer as etapas deste projeto. O primeiro foco deste trabalho concentrou-se basicamente no projeto, até eu se iniciou a descrição do desenvolvimento. Primeiramente com o tópico primeiro, direcionando a como
ocorreu o desenvolvimento da indústria brasileira, com base também nos períodos da economia, e a evolução, portanto, da indústria no decorrer.
O tópico segundo vem, tratando da política comercial brasileira nos últimos 10 anos, concentrando-se, nos últimos dois governos, além de, trazer primeiramente o atual panorama da indústria no país e secundariamente o atual panorama da indústria de maquinas e equipamentos.
Já o tópico terceiro vem apresentando desenvolvimento por último, levantando duas visões dos mais diretamente interessados no quesito protecionismo, aos fabricantes nacionais, representados pela Associação Brasileira de Máquinas (ABIMAQ) e Equipamentos, defensora de tais medidas, e a Associação Brasileira de Importadores de Máquinas e Equipamentos (ABIMEI), que mostra posição oposta a tais medidas. Assim, por último realizaram-se as disposições encontradas nas considerações finais.
2 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
O comércio Mundial é hoje uma importante fonte de renda para muitos países que exportam suas mercadorias, mas, ao mesmo tempo é um meio de abastecimento para todas as nações, pois, estes necessitam dos mais variados produtos para sobrevivência.
O aumento deste fluxo comercial trouxe consigo, crises mundiais como a de 1929 ou mesmo a mais atual, de 2007. Há discussões no cenário internacional sobre a influência do crescimento deste fluxo na ocorrência de tais crises.
A forma que encontraram de se “proteger” contra os aspectos negativos deste comércio foram as medidas protecionistas. Assim ambos os países, tanto os países desenvolvidos, como aqueles que buscam reconhecimento internacional, conhecidos como “em desenvolvimento”, ou ainda, utilizando um termo mais recente “os emergentes”, se utilizam de tal meio.
Reforçando esta idéia, Rainelli (2004) ressalta que existem ciclos no protecionismo em hora ligados a aspectos que influenciam o nível de produção das nações, relacionados aos períodos de crise, onde as pressões protecionistas são muito fortes.
No Brasil não é diferente, pois, utilizamos diversas medidas protecionistas para proteção da indústria nacional. Então, para contextualização deste tema, foram abordados os seguintes tópicos no decorrer deste estudo: globalização, comércio exterior e protecionismo e política comercial; na seqüência foi apresentado um histórico da industrialização brasileira e seu papel no desenvolvimento econômico. Além de demonstrou-se a atuação da política comercial brasileira no contexto da última década, a atual situação da indústria no país e de forma secundária o atual panorama da indústria de máquinas e equipamentos no país, bem como a visão dos fabricantes nacionais e importadores do setor. Neste contexto buscou-se compreender o protecionismo e suas formas de atuação, averiguando as variáveis que fazem com que o país se utilize de tais medidas, na tentativa de entender os motivos governamentais.
2.1 GLOBALIZAÇÃO
A sociedade, na qual vivemos atualmente, passou por profundas transformações das mais variadas que vieram atingindo todos os campos que estruturam as nações. Hoje o termo comumente conhecido para nomear estas mudanças foi definido por muitos, como globalização.
Tanto no que diz respeito a sua definição propriamente dita, bem como as vantagens e desvantagens deste processo para os estados, ou mesmo quando se iniciou tal transformação, são questões que não obtiveram um consenso entre os estudiosos, conforme ressalta:
Não há um consenso a respeito. Alguns estudiosos falam dos anos de 1980, quando os governos começaram a implantar o programa econômico neoliberal, abrindo suas portas à entrada do capital e das mercadorias estrangeiras. Outros acreditam que a origem da globalização remonta à segunda metade do século XIX, aproximadamente, quando as grandes economias capitalistas iniciaram a primeira grande onda de investimentos no exterior, inaugurando o que se chamou de imperialismo. Finalmente, para outros estudiosos, a globalização é um fenômeno bem mais antigo, que surgiu com as grandes viagens marítimas dos séculos XV e XVI, a partir das quais exploradores, burgueses e governantes europeus submeteram as terras conquistadas do chamado Novo Mundo à dinâmica da política econômica
mercantilista, integrando colônias e metrópoles no comércio mundial.
(HISTÓRIAMAIS, 2012).
A globalização pode ser definida como um processo onde os países ultrapassam suas fronteiras nacionais, sem necessariamente aboli-las (COSTA, 2011).
Para Kuazaqui (1998 apud COSTA 2011, p. 20), no entanto:
Globalização é um conceito e um paradigma. De maneira simples podemos conceituar a globalização como a diminuição das barreiras geográficas e econômicas, de forma que cada empresa poderá desenvolver negócios em qualquer país, usufruindo de mercados fornecedores de produtos, comerciantes, fornecedores e clientes, respeitando as características que formam a base cultural de cada nação, como, a cultura, língua, costumes e tradições.
Para outros a globalização é reconhecida como um processo de transformação econômica propiciado também pela revolução tecnológica, sendo hoje a interdependência financeira e ou econômica dos mercados internacionais (COUTINHO, 2008).
Assim sendo, é possível crer que embora tenha facilitado as negociações entre os países, a globalização gerou uma dependência entre seus mercados financeiros, portanto, quando um país “não vai bem das pernas” isso pode acarretar prejuízos a um país que esteja no outro lado do mundo. Sendo assim, quanto maior a abertura econômica de um país mais sujeito ao sistema financeiro internacional ele estará.
Para Mailson da Nóbrega, ex-ministro da Fazenda, a globalização significa maior escala de produção e de especialização de novos produtos e conhecimentos, significa maior competitividade, tanto entre países como entre empresas no mesmo país. Isto força os participantes a buscarem eficiência e assim maior produtividade. Portanto, para países, empresas e trabalhadores a globalização acarreta riscos (COUTINHO, 2008).
Ainda dentro do conceito das propriedades desta globalização, muitos autores são defensores deste processo alegando pontos positivos e negativos, principalmente relacionados às transformações tecnológicas. Para Hein (1994 apud VIEIRA 2004, p. 75), por exemplo, a intensificação da socialização global nas últimas décadas baseia-se na expansão da tecnologia de informação, como tecnologia-chave, ou seja, na tecnologia como fator indispensável. De fato, a tecnologia da informação propiciou agilidade e facilidade na vida cotidiana. No entanto, há críticas no que diz respeito a sua capacidade de diminuir os empregos nos países, pois, passou-se a substituir os homens pelas máquinas programadas simplesmente conhecidas como os computadores e seus sistemas inteligentes.
É fundamental ressaltar que as transformações tecnológicas relacionadas a informação como importante fator desenvolvedor de tal globalização, propiciaram também transformações na comunicação e transporte, tão essenciais para o mundo já globalizado no qual se vive hoje.
Essas transformações tecnológicas nas áreas de comunicação e transporte estão afetaram e continuam afetando as relações entre todas as nações de forma que as antigas definições de fronteiras não são mais as mesmas de algumas décadas atrás. Hoje a sociedade internacional possui uma dinâmica que se sobrepõe as fronteiras de cada nação. Na comunicação mais especificamente, observa-se que a notícia pode estar em todo lugar do mundo em tempo recorde pela internet. A própria bolsa de valores nos serve de exemplo, visto que as negociações de ações das empresas podem ser decididas via online, permitindo assim o acesso a negócios do outro lado do mundo (COSTA, 2011).
Thales de Menezes, jornalista da Faculdade de São Paulo, destaca como exemplo negativo da globalização da tecnologia que na França o uso de computadores para executar tarefas na linha de montagem das fábricas de automóveis obrigou muitos torneiros mecânicos a procurar empregos em países africanos, já na Alemanha trabalhadores braçais vão tentar a sorte em empresas da Turquia (COUTINHO, 2008).
Vieira (2004) defende que as novas forças que sugiram com a globalização e que operam na atual ordem mundial, denominada pela economia capitalista de cunho neoliberal, reduzem os espaços do estado-nação, obrigando-os a reformularem seus projetos nacionais.
No entanto, a globalização não afeta apenas o campo econômico sobre tudo propicia grandes mudanças nos campos: Econômico, cultural, jurídico, social, ambiental e político e financeiro. De acordo com Vieira (2004), os agentes mais dinâmicos da globalização não são os governos que formam os mercados comuns em busca de integração
econômica, mas sim os conglomerados de empresas transnacionais que dominam a maior parte da produção, do comércio, da tecnologia e das finanças internacionais.
Assim observa-se que na medida em que as nações passaram a aumentar a interação relacionada ao meio econômico e comercial, os governantes, na busca de mais vantagens para a economia nacional, passaram a atentar-se ao campo político, desenvolvendo assim políticas e negociações mais apropriadas a esta nova ordem mundial, buscando aproximação e associação a outros países.
Já no que diz respeito as mudanças culturais sabe-se que os fast-foods, como ressalta Boaventura de Souza Santos, podem ser de grande exemplo, refletindo o quanto a globalização propiciou a imposição de uma cultura sobre a outra, neste caso as grandes empresas americanas sobre quase todos os países do globo. Assim a americanização do mundo é a tese mais conhecida sobre globalização (VIEIRA, 2004).
No campo jurídico as mudanças ocorreram na medida em que se faziam necessárias novas legislações, acordos, tratados, convenções, organizações internacionais como a Organização Mundial do Comércio (OMC) que regula o comércio internacional, ou mesmo a Organização das Nações Unidas (ONU) que busca a defesa da paz internacional e dos direitos humanos, dentre outras formas de aproximação e estabelecimento de normas entre as nações.
Mesmo diante das críticas relacionadas ao processo de globalização se faz necessário o reconhecimento de que propiciaram grandes benefícios também aos países na medida em que o comércio, por exemplo, possibilitou o abastecimento mundial, sabendo que nenhum país é capaz de produzir de tudo e na quantidade que necessita, gerando assim juntamente a este fato, o que hoje é chamado de divisão internacional do trabalho.
No campo social, são severas as críticas a globalização, por ter propiciado o aumento da desigualdade social e da pobreza.
Vieira (2004, p. 87) reforça:
O século XX conduziu a economia global a uma encruzilhada: o processo de reestruturação econômica levou a um mundo em desenvolvimento á fome, e grandes parcelas da população ao empobrecimento. A nova ordem financeira internacional parece nutrir-se de exclusão social e degradação ambiental.
De fato não apenas ocorreram modificações sociais, mas também ambientais geradas pelo aumento da população e respectivamente do consumo. Crescendo o desmatamento florestal para produção de alimentos e criação de animais, bem como, a
poluição dos rios e mares, devido à falta de preparo e organização mundial relacionada ao meio ambiente.
O campo político também sofreu grandes mudanças e ainda sofre, visto que, o processo de globalização é contínuo e diário. Vieira, (2004), analisa a questão, afirmando que a atual reestruturação capitalista vem abalando a ordem jurídica-política e as diferentes instituições estatais e civis que a regulam o sistema político. Assim os estados ficam privados da possibilidade de articular uma política autônoma de desenvolvimento.
As comunicações sociais também evoluíram muito devido as mudanças tecnológicas, a diminuição dos preços propiciada pela competitividade internacional (oferecendo maior acesso até mesmo as populações de baixa classe social a televisões, computadores, por exemplo) e o fenômeno da Internet tornando a informação de conhecimento to mundial de fácil acesso a praticamente toda a população global.
O sistema de finanças dos países tem evoluído e crescido constantemente graças a este fenômeno de globalização financeira. Sobre a globalização das finanças Baumann, Canuto e Gonçalves (2004, p. 220), definem:
A globalização financeira pode ser entendida como a interação de três processos distintos ao longo dos últimos vinte anos: a expansão extraordinária dos fluxos financeiros internacionais, o acirramento da concorrência nos mercados internacionais de capitais e a maior integração entre os sistemas financeiros nacionais.
Como efeito de definição, Costa (2011), define mercados internacionais como sendo aqueles em que os produtos originados de diferentes países competem ou estão em via de competir.
Sobre o primeiro processo é fato que os fluxos internacionais aceleraram muito, nos quesitos relacionados aos empréstimos, financiamentos e outras formas de investimento, e este fator influência diretamente nos índices econômicos internos. Quanto ao segundo processo, as disputas financeiras aumentaram também por parte de bancos e instituições financeiras não bancárias. E por último processo, a integração entre os sistemas financeiros nacionais, refere-se aos ativos produzidos pelos residentes no país, nas mãos de não residentes (BAUMANN; CANUTO; GONÇAVES, 2004).
É indiscutível que todas as outras transformações causadas pela globalização se tornaram necessárias e possíveis devido às mudanças econômicas que servem de base para o aumento e disseminação deste processo sobre os estados. Então, trazendo benefícios e desvantagens a globalização deve ser encarada como um processo que já ocorreu, que ocorre
que ainda ocorrerá por um longo período no planeta. Simão Davi Silber, professor da USP defende que a globalização não pode ser retardada nem ignorada, pois as poderosas forças que comandam tal processo – ligadas aos avanços tecnológicos – têm vida própria e são independentes do governo. Portanto o empresário, participar ou não da globalização, por exemplo, não é uma opção, pois, ela é irreversível no ambiente internacional (COUTINHO, 2008).
Conclui-se, portanto, que a globalização trouxe consigo aspectos positivos e negativos para a sociedade em geral, visto que, ao mesmo tempo em que propicia desenvolvimento, inclusão e integração, gera interdependência econômica, prejuízos ambientais e desigualdade social.
Na próxima parte deste estudo se apresentou o comércio exterior e sua proximidade com a globalização e alguns dos conceitos referidos anteriormente.
2.2 COMÉRCIO EXTERIOR
Quando se pensa em comércio exterior, a primeira vista nos parece um assunto de abordagem nova, por apresentar maior influência na interdependência de todas as nações à medida que se passaram as décadas e as crises econômicas mundiais afetaram as economias internas. No entanto o comércio internacional começou a muitos séculos atrás e veio intensificando-se ao longo do tempo.
Conforme destaca Campos (1990, p. 30):
No passado foi a expansão do comércio internacional a mola mestra das descobertas de novas terras, fato ocorrido na antiguidade clássica, com os gregos e os fenícios e principalmente no final da idade média com Espanha e Portugal, mas esta expansão ocorreu após lutas travadas contra os povos que estavam estabelecidos nestas terras, através de batalhas que na maioria das vezes, os levaram ao extermínio. A posse de novas terras descobertas se firmou na exploração dos recursos econômicos existentes e sua transferência ás metrópoles, com finalidades essencialmente comerciais, tornando-as nações dominadoras do comércio internacional da época. Existem diversas teorias para exemplificar o surgimento do comércio internacional, a produção, e a especialização e divisão internacional do trabalho. Entre as que explicam direta ou indiretamente tais fatores, estas são: Teoria Valor-trabalho, a teoria das Vantagens Absolutas e das Vantagens Comparativas.
A teoria do Valor-Trabalho defende que o processo produtivo depende apenas do fator de produção trabalho. Por ter sido desenvolvida em meados do século XIX, pode
apresentar uma visão muito fechada no sentido de conotar todo o processo produtivo apenas o fator trabalho, mas, explica-se, pois, na época as técnicas produtivas eram muito mais intensivas em mão-de-obra do que atualmente. Assim, os preços dos produtos eram determinados pelo conteúdo de trabalho empregado nele (BAUMANN; CANUTO; GONÇALVES, 2004).
Percebe-se assim que o valor dos produtos estava totalmente relacionado à quantidade de trabalho empregado na sua produção. Assim tomando como partida o comércio internacional, em conseqüência os produtos trocados seriam principalmente se conseguisse empregar mais força de trabalho na produção.
Utilizando a base da teoria do Valor-trabalho, ou seja, a força de trabalho empregada, pode-se explicar o funcionamento da teoria a seguir, a teoria das Vantagens Absolutas:
Baumann, Canuto e Gonçalves (2004, p. 12) exemplificam tal teoria da seguinte forma:
Partindo da noção do valor-trabalho (apenas o conteúdo do valor trabalho determina os custos de produção), suponha (em um mundo com apenas dois países e dois produtos) que em um determinado país A, a produção de uma unidade de alimentos demande 20 unidades de trabalho e a produção de uma unidade de tecido demande 10 unidades de trabalho. Ao mesmo tempo, em outro país B, a produção de uma unidade de alimentos demande 10 unidades de trabalho e a produção de uma unidade de tecido demande 20 unidades de trabalho. Neste contexto, o país A tem vantagem absoluta na produção de tecidos (é mais barato produzir tecidos em A), enquanto o país B tem vantagem absoluta na produção de alimentos.
O conhecido e defensor de tal teoria é Adam Smith que aponta ainda, que uma economia só manterá transações comerciais livres com outras, se, verificar a possibilidade de ganhos claros neste intercâmbio. Assim para ele o comércio internacional se justifica apenas quando for mais barato adquirir itens produzidos em outra economia (BAUMANN; CANUTO; GONÇALVES, 2004).
Finalizando tal teoria, é vantagem para os países exportarem aquilo que gastam menos força de trabalho para produzir, pois possuem vantagem absoluta sobre o outro país na produção. Mas os próprios autores assumem que esta teoria pode ter sido deixada de lado na medida em que por possuírem diferentes níveis de cultura, tecnologia e desenvolvimento alguns países estão anos de desenvolvimento a frente de outros. Assim sendo, logo se criou uma nova teoria a Teoria das Vantagens comparativas.
O criador e defensor de tal teoria é David Ricardo. Para ele sobre tudo se deve considerar a estrutura produtiva de cada país. Além disso, muitas vezes um país possui as
mesmas vantagens absolutas em vários segmentos. E pela teoria de Adam Smith então, não seria vantajosa a troca comercial, visto que, não seria lógico, trocar comercialmente algo que já se produz bem e com valor comparativamente igualitário que o outro país. Para David o importante é apegar-se a noção da eficiência relativa na produção de cada produto em cada país. Em resumo a teoria das vantagens comparativas defende que é a possibilidade de obter mais produtos por meio do comércio internacional que reflete os ganhos possíveis, desde que os países se especializem nos produtos aos quais possuírem mais vantagens comparativas perante a produção do mesmo produto em outros países (BAUMANN; CANUTO; GONÇALVES, 2004).
Colocando como exemplo é possível citar os produtos commodities brasileiros perante os produtos industriais japoneses, como os carros. Para o Brasil a mais vantagem comparativa em produzir alimentos, devido ao clima, recursos naturais abundantes e a terra para produção. No Japão sabe-se que nem o relevo, nem o clima contribuem significativamente para produção agrícola. Assim é mais barato produzir “carros”, pois devido aos fatores econômicos históricos o país – Japão é mais eficiente em produzir carros e exportá-los, sendo mais barato importar os commodities. Para o Brasil é mais vantajoso exportar os commodities e importar os carros.
No entanto há que se discutir sobre as reais vantagens, analisando todo um contexto se forem analisadas as questões relacionadas a ganhos e valor agregado. Basta pensar: quantos commodities são necessários para que se adquira um único carro? Por isso, existem tantas discussões sobre o protecionismo, sobre produzir não apenas o que se é eficiente, mas também aquilo que não se é, mas que tem valor agregado, ou simplesmente produzir, ainda que sem muitas vantagens comparativas, pois, tratam-se de produtos estratégicos para economia (na medida em que sejam alimentos essenciais a população, ou mesmo máquinas e equipamentos indispensáveis para produção e processamento de outros bens essenciais).
Neste contexto foi abordado no próximo tópico: o Protecionismo identificando a criação de organizações, e órgãos, e mesmo de blocos e grupos de integração na busca de tentar minimizar e regular as relações comerciais e medidas de proteção comercial.
Além das obras existentes hoje na busca de esclarecer o surgimento e a influência do comércio exterior nas relações comerciais das nações, algumas evidenciam fatores que contribuíram para o crescimento de tal fenômeno, bem como sua participação no desenvolvimento dos países.
Sabe-se que as guerras, por exemplo, são de grande contribuição para a expansão econômica internacional por propiciarem a evolução tecnológica, mais fortemente durante a Segunda guerra Mundial. De fato, se fossemos observar os países desenvolvidos atualmente, são estes em sua maioria aqueles que mais sofreram com as guerras como alguns países europeus e asiáticos, que ao intensificar suas reconstruções, recuperaram-se, baseados em planos de assistência técnica e aplicação maciça de capital oriundo de organismos internacionais (CAMPOS, 1990).
Focando mesmo em nosso próprio país, sobre a questão da expansão do comércio exterior é fundamental e torna-se importante salientar a contribuição das grandes navegações no século XV, para este acontecimento. Foi neste período que fomos “descobertos” pelos portugueses e começou então nossa história de participação no comércio internacional, ainda que inicialmente restrita e submissa às vontades da Metrópole portuguesa.
Porém, o grande envolvimento brasileiro no comércio exterior, veio a ocorrer alguns séculos depois, quando já éramos a muito tempo um país independente, mais precisamente durante o governo de Fernando Collor de Melo em meados de 1990, sendo o grande mentor da abertura econômica internacional brasileira. Passamos de uma economia até então fechada, para uma economia aberta e sujeita as influências impostas pelo comércio internacional.
Há aqueles que defendam o comércio internacional como sendo um fenômeno positivo para o desenvolvimento dos países e outros em contrapartida criticam o fato de ter criado maior desigualdade econômica e interdependência entre as nações.
Quanto a esta questão Baumann, Canuto e Gonçalves (2004, p. 3) salientam:
O fato de poder dispor de um medicamento cujo princípio ativo foi fabricado em outro país, de poder comprar um equipamento fotográfico fabricado em outro país, de poder trabalhar em uma empresa fabricante de determinado produto cujo mercado principal é constituído por consumidores residentes em outro país é tão ilustrativo quanto o fato de que – para a autoridade monetária, por exemplo – a projeção de expansão da oferta monetária depende da entrada de investimentos externos e/ou capitais de empréstimos em um determinado período. De modo semelhante as decisões tanto dos fabricantes nacionais quanto dos importadores ou das autoridades da área macroeconômica são afetadas quando ocorrem variações inesperadas na taxa de câmbio.
No embalo das informações descritas pelos autores é possível ressaltar que, de fato, o comércio pode oferecer vantagens e desvantagens para os países. Se de um lado os países podem obter mercadorias que não são capazes de produzir e de outro podem lucrar pela venda de suas mercadorias, em contrapartida ao envolverem-se neste comércio estão
automaticamente suscetíveis às crises da economia internacional, propiciadas pelo excesso ou pela falta de oferta e de demanda no setor de capitais, por exemplo.
Sobre tais vantagens e desvantagens propiciadas pelo comércio internacional há o questionamento - os ganhos do comércio superam as perdas ocorridas? Poderíamos responder tal questão somando perdas e ganhos, mas a questão é mais complexa, tendo em vista que, “bem-estar” é uma questão subjetiva. È importante analisar quanto proveito os indivíduos tem em suas vidas. Ou ainda, para avaliarmos os ganhos totais deste comércio, uma questão diferente poderia ser levantada – aqueles que ganham com o comércio internacional, poderiam compensar de alguma forma aqueles que perdem sem prejudicar o nível de sua situação econômica? Se a resposta for positiva, entende-se que o comércio pode ser potencialmente um fenômeno de ganho pata todos os seus participantes (KRUGMAN; OBSTFELD, 2001).
Todos nós seres humanos possuímos necessidades ilimitadas, voltadas para nossa subsistência como é o caso da água e dos alimentos, ou não, como é o caso de bens supérfluos, como jóias, por exemplo. É justamente tal consumo que move este comércio internacional, pois, os países não são capazes de produzir tudo aquilo que precisam para manter um bom nível de abastecimento, igualdade e desenvolvimento.
De acordo com que especifica Maia (2007, p. 1):
O ser humano percebeu que era difícil produzir tudo o que precisava. Era mais fácil fazer dez coisas iguais do que sete diferentes. Assim nasceu a divisão do trabalho: um indivíduo produzia apenas um tipo de objeto em quantidade superior as suas necessidades e trocava os excedentes. A divisão do trabalho não só aumentou a produtividade como também permitiu a melhoria da qualidade.
Hoje, portanto, o comércio para o economista Venícius Dias de Oliveira é definido como uma via de mão dupla. Isso por que as vendas representam as exportações e as compras às importações. E, além disso, outros fatores fizeram o comércio internacional uma necessidade. São eles, a desigual distribuição das jazidas de minerais no planeta, como o petróleo, que não existe em muitos lugares e em outros há em grande abundância; a diferença climática e geográfica (a exemplo temos o Japão que tem grande parte de sua área geográfica formada por montanhas, dificultando assim o plantio de alimentos); diferença dos estágios de desenvolvimento econômico, gerada pelos fatores históricos individuais de cada país, como por exemplo, a descoberta tardia e/ou a dominação e exploração prolongada pelas metrópoles (MAIA, 2007).
Esta necessidade do comércio internacional fez com que alguns países se especializassem mais em determinadas áreas de produção. Sobre isto, ainda, pode-se dizer que os países detêm diferentes tecnologias, clima, bem como, níveis de capacidade técnica, terra e mão-de-obra, oportunizados pelos seus fatores históricos. Assim sendo, estas diferenças afetam os custos de produção e as formas de troca que são feitas entre os países. Alguns tipos de atividades produtivas requerem uma grande estrutura e escala produtiva, para reduzir o custo dos produtos finais, isto geralmente ocorre nos países relativamente maiores. A história de cada país condicionou suas forças de trabalho para diferentes habilidades particulares, propiciando assim diferentes vantagens produtivas em diferentes setores e mercadorias (CAVES; FRANKEL; JONES, 2001).
De uma forma ou de outra hoje não há como reverter o comércio internacional. Ele existe, todos os países dependem dele e isto é um fato que deve ser encarado com planejamento e planos econômicos estratégicos a serem definidos pelos governos dos países, pois, apesar de vivermos num mundo capitalista neoliberal, os estados ainda exercem importante função no setor econômico diretamente ligado ao desenvolvimento e bem estar dos integrantes da sociedade.
Como o foco deste trabalho é o Brasil um breve histórico apenas, agora, pois, no tópico a seguir: Política Comercial Brasileira nos últimos 10 anos será discorrido mais particularmente sobre o assunto. No Brasil o comércio internacional pode ser definido como um fator de grande importância ao desenvolvimento econômico. A experiência brasileira com a política externa comercial até meados de 1960 foi influenciada pela ênfase de produzir nacionalmente para competir com os importados competitivos. Isso por que havia uma tendência estrutural ao desequilíbrio externo no período, e entendia-se á época que produzir nacionalmente era a forma de não ficar á mercê destes desequilíbrios. Assim reduzia-se tal dependência de importados através de barreiras comerciais a importação e por meio do estímulo a produção interna substitutiva. (BAUMANN; CANUTO; GONÇALVES, 2004).
A crise de 1930 que se iniciou nos Estados Unidos e espalhou-se pela Europa, quando chegou ao Brasil gerou uma queda na demanda de café, diminuindo assim o seu preço. No período anterior, na década de 1920, ocorreu grande entrada de fluxos de capitais no Brasil, que foi revertida no momento da crise. Assim ocorreu uma crise na balança de pagamentos brasileira, pois as exportações caíram, deixando a balança de capital negativa (GREMAUD et al., 2005).
A forma como o Brasil fez frente a crise, provocou o que Furtado chamou de Deslocamento do Centro Dinâmico da economia brasileira. Este se refere ao período em que o elemento essencial na determinação do nível de renda da economia brasileira, deixa de ser a demanda externa e, como é tipo de uma economia agroexportadora, e passa a ser a atividade voltada ao mercado interno, mais precisamente o consumo e especialmente o investimento doméstico. Este deslocamento ocorre em função da resposta dada á crise dada pelo governo de Getúlio Vargas, depois de ter ocorrido a revolução de 30.
Um pouco mais a frente, analisando agora a década de 90, destaca-se que o liberalismo econômico era predominante no período. Fazendo surgir reformulações e uma nova forma de pensar quanto à integração de uma política de comércio exterior (GRIECO, 1994).
Assim após a abertura comercial oportunizada pelo Governo Collor, apesar de suas imperfeições, entendeu-se que a economia mundial estava convergindo para um comportamento mais integrado de seus mercados num ritmo acelerado e fez com que alguns governantes sul-americanos como os da Argentina, Paraguai, Uruguai e o próprio Brasil, criassem o MERCOSUL (FARO; FARO, 2010).
Nota-se aqui a importância do comércio internacional para o desenvolvimento do país e para contribuição de uma maior integração regional. Aumentando os ganhos no comércio exterior, possibilitando a troca de experiências e até mesmo facilitando a transmissão de conhecimento científico e tecnológico tão importante para o desenvolvimento industrial.
Ainda sobre o a década de 90, referindo-se a abertura comercial Faro e Faro (2010, p. 7): destaca:
Com efeito, era possível observar em nível mundial quão inflamados eram os fluxos financeiros e comerciais internacionais. Um maior entendimento e uma maior absorção da globalização, combinados com o fim da Guerra Fria, contribuíram substancialmente para a decisão generalizada da grande maioria doa países na busca de um grau maior de abertura de suas economias. O Brasil não podia se distanciar desta onda, pois, o crescimento dos fluxos comerciais e financeiros em escala mundial era evidente e o grau de abertura das nações bastante elevado. O fato é que somente por intermédio da internacionalização da economia é possível a um país como o Brasil reduzir seus respectivos níveis de vulnerabilidade externa e melhorar os fluxos comerciais com o resto do mundo.
Sobre tal período da economia brasileira há opiniões das mais diversas salientadas por vários críticos as quais comumente se discutem nas aulas na universidade. Existem aqueles que compreendem tal abertura realizada pelo Governante do período, Fernando Collor de Melo, de forma negativa, em parte por acreditarem que o Brasil não se encontrava preparado para tal abertura. Sendo assim havia o receio de que as empresas nacionais viessem
a quebrar devido à concorrência que chegaria do exterior. Em parte pelo fato de não simpatizarem com a questão das privatizações de empresas nacionais e pelos confiscos das poupanças realizadas no período.
Outros críticos defendem que tal abertura foi importante para o país por possibilitar a inovação tecnológica, e uma modernização industrial para as indústrias que possuíam um parque industrial atrasado se comparado aos de outros países. E sobre tudo que tal concorrência possibilitaria uma maior qualidade nos produtos brasileiros, beneficiando assim a população nos quesitos qualidade e preço.
Tais medidas embora, com opiniões divergentes foram importantes, na medida em que fizeram as empresas aqui construídas a repensarem sobre o que e como estavam produzindo, sendo assim, um passo importante que contribui para tornar os produtos brasileiros, mais competitivos.
Portanto, conclui-se que embora o comércio internacional gere uma interdependência entre os países é também muito benéfico por proporcionar um acesso aos mais diversos produtos que se necessita e não se é vantajoso ou capaz de produzir (lembrando que o que e como produzir em muitos casos depende de fatores relacionados a cultura, história, elevo, clima e recursos naturais que independem assim de questões puramente estratégicas das empresas e governos) também por possibilitar o lucro das empresas nacionais gerando emprego e renda, por meio das exportações. Cabendo aos governantes contrabalancearem a forma e o momento de intervir ou não por meio das relações diplomáticas, políticas e principalmente comerciais na economia e sua regulação.
2.3 O PROTECIONISMO
Na medida em que se intensificaram as transações comerciais entre os países, sejam elas provenientes do próprio comércio exterior por meio das importações - ou seja, a compra de produtos do mercado externo e exportações – a venda de produtos ao mercado externo, seja por meio dos investimentos diretos e indiretos realizados pelas empresas multinacionais, os governos dos países com o passar dos tempos começaram a conceder maior atenção ao assunto. Sobre investimentos diretos e indiretos e sua influência na economia Wolffenbüttel (2012, p. 1), ressalta:
Investimento estrangeiro direto (IED) é todo aporte de dinheiro vindo do exterior que é aplicado na estrutura produtiva doméstica de um país, isto é, na forma de participação acionária em empresas já existentes ou na criação de novas empresas.
Esse tipo de investimento é o mais interessante porque os recursos entram no país, ficam por longo tempo e ajudam a aumentar a capacidade de produção, ao contrário do investimento especulativo (IEI – investimento externo indireto), que chega em um dia, passa pelo mercado financeiro e sai a qualquer momento. Entre as décadas de 1960 e 1980, o Brasil recebeu grandes volumes de investimento estrangeiro direto, mas perdeu o posto para países do Leste Europeu recém-saídos do comunismo. Com a globalização, o fluxo de capitais ficou mais fácil e os investimentos aumentaram. Atualmente, o Brasil disputa com economias emergentes, como Índia, China e África do Sul.
Carvalho e Silva (2003) definem multinacional, como aquelas empresas que possuem uma base de origem nacional, mas, estão sujeitas a regulamentação e controle procedentes desta origem. As diferenciando assim das transnacionais de capital inteiramente livre, sem nacionalidade específica.
Ainda sobre liberdade comercial e protecionismo, em meados do século XVIII o liberalismo econômico fazia parte do cenário mundial, e foi ele quem permitiu a Revolução Industrial, o que não seria fácil anteriormente ao Liberalismo, pois o regime anterior era caracterizado por monopólios e pelo controle do estado, chamado no período de Mercantilismo (MAIA, 2007).
Maia (2007, p. 173) ainda descreve que:
Os defensores do liberalismo dizem que ele gera maior solidariedade. A interdependência dos países levaria a uma maior confraternização internacional. Isto realmente está ocorrendo na Europa; no passado; as guerras eram freqüentes. Com a formação da União Européia, que ampliou o Liberalismo entre os países associados, a paz ficou mais sólida. Diga-se de passagem, os blocos econômicos formam um verdadeiro arquipélago de Liberalismo.
A favor de tal liberalismo Adam Smith defendia que não se devia proteger a produção, pois tal medida direcionaria o capital de forma diferente da que ocorreria sob condições de comércio livre. Ressalvando ainda que a divisão do trabalho era importante para a especialização, o crescimento da produção e a diminuição dos custos (MAIA, 2007).
Tal movimento liberalista afastou o estado de algumas funções, principalmente aquelas relacionadas às intervenções econômicas. Mas, hoje quando os países enfrentam períodos de crise percebe-se que as empresas e bancos sentem a necessidade de serem amparados pelos governos.
Não é de hoje a discussão sobre tal liberalismo econômico e sua potencialidade em influenciar no livre comércio e nas economias internas dos países. Costumeiramente nenhum país gosta de perdas. Todos buscam obtenção de boas taxas econômicas propiciadas pela produção industrial e de serviços. Mas, sabe-se que para isso também se torna necessária
a negociação, partindo-se do ponto que não se pode apenas ganhar, os países barganham nas negociações em determinado setor, mas, também precisam estar dispostos a abrir para barganha alguns de seus setores, para que todos obtenham ganho no jogo do livre comércio.
Para Caves, Frankel e Jones (2001, p. 21):
Primordialmente as discussões sobre livre comércio derivam do fato de que praticamente qualquer alteração nas condições comerciais cria tanto perdedores como ganhadores, qualquer que seja seu impacto geral sobre o bem estar de uma nação, um movimento de um comércio mais livre prejudicará algumas partes dentro de um país, e esses membros negativamente atingidos podem usar qualquer meio ao seu alcance para tentar impedir movimento no sentido do livre comércio.
No entanto, os mesmo autores ressaltam que a chave para entender os ganhos provenientes do livre comércio, está em analisar sua situação antes dele. Com relação às vestimentas e os alimentos, por exemplo. Os preços são determinados pela oferta e demanda dos próprios países, que podem ganhar comercializando entre si. Assim se os países produzem diferentes alimentos e vestimentas podem comercializar. E embora a importação de alguns produtos prejudique os produtores de algum setor interno, o intercâmbio é necessário, para que se satisfaçam as necessidades internas da população (CAVES; FRANKEL; JONES, 2001).
Sabe-se que os produtores internos muitas vezes ficam em situação desconfortável perante esta troca comercial e, portanto, da concorrência internacional. E embora muitos estudiosos e grupos defendam o liberalismo econômico, quando se sentem em “apuros”, deixa-se de lado a teoria e cobram-se do governo atitudes práticas.
Assim sendo, não se pode dizer que é apenas nos períodos de crise que o setor econômico recorre à ajuda governamental facilmente repugnada pelos neoliberalistas. As empresas nacionais de cada país tendem a recorrer aos governantes também, em busca de proteção. Buscam tal ajuda, por não serem competitivas o bastante e quando sentem-se ameaçadas pela entrada de produtos estrangeiros no país, oriundos da trocas comerciais.
Este protecionismo é classificado por Maia (2007, p. 175) como:
Uma política econômica em que o estado é bastante intervencionista. Enquanto no Liberalismo as decisões econômicas são produtos dos mercados, no protecionismo essas decisões são dadas pelos burocratas estatais. O governo dita a política comercial externa e interna, controla as importações e as exportações.
Existem hoje diversas formas de medidas protecionistas adotadas por tais burocratas estatais. Entre elas estão às barreiras tarifárias, que são aquelas que se tornam
obstáculos a realização das transações comerciais, por meio da cobrança de direitos aduaneiros. È comum que os países possuam uma legislação específica para tratar do assunto. Assim, tal tributação expressa uma barreira ao comércio exterior por envolver arrecadação de valores em percentual elevados o suficiente para inviabilizar um bom curso das negociações comerciais (FARO; FARO, 2010).
2.3.1 Barreiras Tarifárias
As barreiras tarifárias estão estritamente ligadas ao Imposto de Importação que é uma tarifa cobrada na entrada da mercadoria estrangeira no país de destino. E pode ser classificada em específica, ad valorem ou mista. A específica é cobrada por unidade de produto a ser importado. Na cobrança ad valorem é diferente, pois não é cobrado um percentual por unidade, mas sim calculado sobre o preço dos produtos. Já o sistema misto é quando além de um valor por unidade, se tarifa também o imposto sobre o preço da mercadoria, ou seja, é aplicado ao mesmo tempo as tarifas específica e ad valorem (CARVALHO; SILVA, 2003).
Ainda que os valores recolhidos pelos países através destas barreiras tarifárias possam ser significativos, fonte de recita não é o objetivo principal. Na verdade é apenas mais uma barreia nacional, na busca de tornar dificultosa, ou impeditiva a entrada de determinados produtos estrangeiros em território brasileiro que venham a prejudicar os produtores nacionais aqui já estabelecidos.
A priori a tarifa pode ser benéfica ou não ao país, por acarretar alguns fatores. Se o país importador for pequeno, os excessos de despesas para o consumidor que teria que comprar nacional e pagar mais caro superariam as receitas do governo e dos empresários nacionais, portanto, para a maioria da sociedade a imposição da tarifa traria mais prejuízos que benefícios. Já no caso de grandes países, com maior volume de trocas, há mais ganhos que perdas, pois, o governo poderia repassar parte dos “custos da proteção” ao exportador estrangeiro e a população que então optaria pelo nacional, conseguindo o governo chegar ao seu objetivo (CARVALHO; SILVA, 2003).
Além disso, a tarifa pode gerar efeitos sobre a concorrência (na medida em que diminui a concorrência do produto nacional para com o importado, mas também prejudica o desenvolvimento da eficiência produtiva das empresas nacionais), sobre a renda (pois, nos períodos de recessão econômica, por exemplo, pode ser usada para desestimular a compra do exterior, aumentando no curto prazo os empregos e a renda no país), sobre a balança de
pagamentos (em curto prazo pode contribuir para o superávit na balança comercial) (CARVALHO; SILVA, 2003).
2.3.2 Barreiras não-tarifárias
Além das barreiras tarifárias, existem também as barreiras não tarifárias que de acordo com Faro e Faro, (2010, p. 303):
Consistem na adoção de procedimentos que interferem nas relações de comércio, entre as nações, a partir da implementação de mecanismos de apoio a política econômica compreendida pelas autoridades governamentais. Tais procedimentos, entretanto, não envolvem a cobrança de direitos aduaneiros ou qualquer outra forma de tributação associada, ainda que o objetivo seja o mesmo, isto é proteger os setores produtivos domésticos contra as investidas comerciais estrangeiras.
2.3.2.1 Barreiras técnicas
As barreiras técnicas são um exemplo de barreira não tarifária e também são comumente utilizadas pelos países na busca de controlar o fluxo comercial em transação. Segundo Faro e Faro (2010), em princípio, podem ser classificadas como barreiras não tarifárias, pelo fato de não envolverem nenhuma cobrança de tarifa. São, portanto, obstáculos a negociação de produtos originados de terceiros países, num mercado específico em decorrência de dois aspectos, que são: a necessidade de atender exigências de regulamentos técnicos rigorosos, discriminatórios ou sem transparência; e a existência de procedimentos relacionados a cerificações, e avaliações de conformidade.
2.3.2.2 Subsídios
Além das barreiras técnicas os subsídios são outro método protecionista e segundo Carvalho e Silva (2003, p. 65):
Quando empregado como instrumento de política comercial, consiste em pagamentos, diretos ou indiretos, feitos pelo governo para encorajar exportações e encorajar importações. Em ambos os casos equivale a um imposto negativo e representa, portanto, uma redução de custo para o produtor. Em geral a concessão de subsídios se dá em dinheiro, redução de impostos ou financiamentos a taxas de juros inferiores a do mercado. Há casos ainda onde o produtor compra do consumidor e revende por menos aos consumidores.
Nesta medida os produtos nacionais ficam com um valor reduzido perante os produtos importados, aumentando a possibilidade de compra dos nacionais por parte dos consumidores internos, beneficiando o produtor nacional. A questão e que isso por horas desencadeia um desestimulo a inovação nacional, pois, ao invés de competir e buscar melhorar, os produtores internos acabam acomodando-se. Assim a sociedade no geral mesmo que no momento não esteja pagando mais pelo nacional, acaba muitas vezes não obtendo a mesma qualidade do importado.
2.3.2.3 Quotas
Existem algumas outras formas de protecionismo relacionadas às quotas, por exemplo, ou seja, o governo estabelece uma quantidade “x” de tal produto a ser importada, com um valor “y” da alíquota do imposto, proibindo importar mais que isto, ou aumentando os impostos caso a quantidade extrapole a quota especificada.
Sobre esta política protecionista existem duras críticas ao seu poder de influenciar o sistema de preços internos, pois, a insuficiência de oferta por conseqüência acaba gerando elevação dos preços e sobre tudo não há benefício para a sociedade e sim apenas para as empresas, pois estas compram mais barato do exterior e revendem mais caro no mercado interno (CARVALHO; SILVA, 2003).
2.3.2.4 Controle cambial
Percebe-se no dia-a-dia que os preços chineses são inferiores aos demais, bem como se escuta nos noticiários e debatem-se na aulas universitárias de economia que o fator resultante disso é o controle cambial efetuado por tal país. De fato controle cambial também pode ser considerado forte política protecionista, na medida em que com a desvalorização da moeda é possível baratear as exportações e encarecer as importações.
Carvalho e Silva (2003, p. 71) exemplificam que:
Uma forma de controle cambial é dificultar a importação por meio de licenças para compra de moeda estrangeira. Outra ainda é o emprego de taxas múltiplas de câmbio: quanto maior o interesse em proteger determinado produto, maior a taxa de câmbio fixada para sua importação.
2.3.2.5 Proibição de importações
Sobre tudo existe ainda uma forma mais “agressiva” de cunho protecionista que é aquela conhecida como proibição de importações, que como o próprio nome identifica é uma medida ou o governo simplesmente proibido a entrada de determinada mercadoria em território nacional.
2.3.2.6 Monopólios estatais e leis de compra de produtos nacionais
Existem também os monopólios estatais, onde o governo centraliza a importação de determinado produto, impedindo assim a atuação de outros agentes. Ou mesmo as Leis de Compras de Produto Nacional que delimitam o impedimento da importação de produtos que possuam similar nacional (CARVALHO; SILVA, 2003).
No Brasil o órgão que cuida destas questões é o Ministério de Desenvolvimento, Indústria e comércio (MDIC) , por meio do Departamento de Comércio Exterior (DECEX) que é quem cuida da publicação para consulta pública dos catálogos dos produtos e respectivas NCM´s – Nomenclatura Comum do MERCOSUL (que são compostas de oito números, sendo os seis primeiros pertencentes ao SH – sistema Harmonizado, e os dois últimos a NMC, pelos quais são identificados os produtos e suas categorias) dos produtos que necessitam passar pelo exame de similaridade para que possam ser importados. Este processo se dá através do deferimento dos licenciamentos de importação registrados no atual Sistema de Comércio Exterior brasileiro (SISCOMEX) , mas este é um assunto que será abordado nas próximas seções deste trabalho no campo sobre a política comercial brasileira dos últimos 10 anos (VERÍSSIMO, 2012).
2.3.2.7 Depósito prévio a importação
Há também o chamado depósito prévio a importação que é uma medida em que, segundo Carvalho e Silva (2003, p. 71):
Antes da efetiva importação de determinada mercadoria, seu valor total ou percentual dele, é recolhido por órgão do governo, normalmente o BC – Banco Central e permanece retido por determinado período de tempo. Esse método além de dificultar a importação, constitui também empréstimo forçado ao governo.
2.3.2.8 AVRES – Acordos Voluntários de Restrição ás Exportações
Estes “acordos” surgiram da necessidade de garantir proteção a setores ameaçados pelas importações. Foi à solução encontrada pelos países desenvolvidos após a Segunda Guerra Mundial, para atender as demandas externas sem prejudicar setores específicos. Assim sendo, neste acordo o parceiro exportador se compromete a restringir a quantidade exportada ao mercado importador, e embora sinta interesse em aumentar tais vendas, fica impossibilitado sob conseqüência de restrições mais severas (CARVALHO; SILVA, 2003).
Existem os prós e os contras que ditam as posições dos autores sobre o Protecionismo. Conforme classifica Maia (2007, p. 174): “O Protecionismo pode ser: Agressivo – quando se assemelha a uma verdadeira guerra comercial; Defensivo – para proteger a produção nacional de Dumping; e Moderado – quando utilizado de forma mais equilibrada.”
Entre as críticas negativas ao protecionismo destacam-se a divisão da produção que pode tornar-se perigosa desde que o exportador estrangeiro não consiga mais atender as necessidades do importador, ocorrendo uma guerra de proporções como ocorreu durante as Guerras Mundiais. Pois, por não haver concorrência esta se sente desestimulada a inovar. E entre os últimos aspectos negativos, tal protecionismo pode permitir a formação de monopólios. No caso Brasileiro tivemos o monopólio do petróleo e das telecomunicações que mais vieram prejudicando que ajudando a economia nacional (MAIA, 2007).
Entre os aspectos positivos, defende-se que é importante ser auto-suficiente para produzir tudo que puder em caso de guerras mundiais, para não ficar dependente das importações. Além disso, defende-se que as empresas nacionais podem oferecer emprego, gerando assim renda, aumentando o poder de compra, o que fica mais difícil com entrada de produtos estrangeiros no país. Fala-se também na questão de proteger os bens essenciais a sobrevivência e economia como é o caso do petróleo. Ou mesmo defende-se o protecionismo afirmando que é necessário para os setores estratégicos da economia, que são vitais para segurança, não deixando o país vulnerável.