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A indústria e o setor de máquinas e equipamentos

No documento A política comercial brasileira (páginas 68-74)

3.2 A POLÍTICA COMERCIAL BRASILEIRA NOS ÚLTIMOS 10 ANOS SOBRE O

3.2.4 A indústria e o setor de máquinas e equipamentos

No dia 04 de o – O Conselho de Ministros da Câmara de Comércio Exterior – CAMEX (câmara anexa ao MDIC) decidiu aumentar o imposto de importação para cem

produtos, de forma temporária, estabelecendo uma alíquota máxima de até 25%, alegando que esta ação do governo estaria completamente de acordo com as regras da OMC, pois, inclusive, em linha com os acordos firmados na entidade o Brasil pode aumentar o imposto de importação para até 35% para grande parte de produtos industrializados e até 55% para grande parte dos produtos agrícolas importados pelo país (BRASIL, 2012b).

Segundo o ministro da fazenda Guido Mantega, disse que a medida serve para estimular a produção nacional e ainda que haverá um monitoramento do governo em relação aos preços destes produtos no mercado interno, - “Está havendo um aumento do imposto de importação para determinados produtos de modo a estimular a produção nacional. Porém, nós vamos fiscalizar os preços desses produtos, porque, se houver aumento no mercado interno, haverá inflação e nós não queremos isso”, declarou. O ministro esclareceu ainda que se isso ocorrer, o produto, então, poderá ser retirado da lista. Pois acredita que vivemos um momento em que faltam mercados no mundo para as grandes exportadoras e estas por sua vez, destinam-se ao Brasil, assim tais importações acabam por prejudicar a indústria nacional (BRASIL, 2012b).

De forma geral, esse aumento das tarifas contempla setores industriais sensíveis, como o automotivo, o de bens de capital, o calçadista e o têxtil. E a elaboração da lista foi precedida por uma consulta pública, para que o setor privado participasse das discussões. Além, disso sua elaboração foi negociada com os demais sócios do MERCOSUL. A maior alíquota atingiu 25%, sendo o teto da OMC de 35% (O GLOBO, 2012).

Associação Brasileira de Importadores de Máquinas e Equipamentos Industriais (ABIMEI), ressalva a respeito do setor de bens de capital - máquinas e equipamentos:

Os importadores de bens de capital foram surpreendidos com a recente medida do governo, que aumenta a alíquota do Imposto de Importação de 14% para 25% sobre alguns tipos de máquinas e equipamentos industriais. O setor, que já vem amargando declínio no ritmo dos negócios desde o último trimestre do ano passado, com redução nas vendas em torno de 20%. Bens de capital são meios de produção e o Brasil é um dos poucos países do mundo que tributam este tipo de maquinário. Elevar o Imposto de Importação de máquinas-ferramenta é um protecionismo injustificado, porque se trata de um fator fundamental para tornar o país mais competitivo mundialmente. Importação atende a demanda que a indústria nacional não consegue em tempo, quantidade e tecnologia. (ABIMEI, 2012).

A tributação sobre o setor de máquinas e equipamentos, conforme ressaltou a associação de importadores deste setor, dificulta a compra destes produtos para utilização no mercado interno. Há um motivo para que tais compradores optem pela importação, que podem estar relacionados a qualidade, tecnologia, tempo, preço. Este fato vem demonstrar

que as indústrias nacionais não são competitivas neste quesito, caso contrário, a participação da indústria no PIB nacional não teria caído nos últimos dez anos de acordo com dado já relatados.

Algumas indústrias dependem de outras para sua sobrevivência. Todas as indústrias precisam de máquinas e equipamentos. Se a indústria nacional não é capaz fornecer, a situação se complica para quem precisa produzir aqui, pois a máquina ficara mais onerada, e isso pode vir a refletir nos produtos industrializados, influenciando até mesmo sobre a inflação.

Sobre isso a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (ABIMAQ), com base no estudo dos dados da indústria, vem reafirmar esta queda da participação da indústria no PIB ao mostrar que balança comercial de máquinas e equipamentos fechou o primeiro trimestre deste ano com um déficit 7,5% maior que o verificado no primeiro trimestre do ao passado e desta forma, nesses primeiros meses o setor de bens de capital amargou um déficit de US$ 4,4 bilhões. (ABIMAQ, 2012).

A associação ainda ressalva que A América Latina representa o principal destino das exportações de bens de capital, mas a participação no total exportado vem caindo nos últimos meses. O Resultado do MERCOSUL passou de 41% no primeiro trimestre de 2011 para 33% em 2012.

Esta queda no faturamento em parte se deve ao aumento das importações que por sua vez, vem gerar concorrência as empresa nacionais. As importações vêm crescendo e apenas o grupo de máquinas para bens de consumo apresentou resultado abaixo do verificado no primeiro trimestre do ano passado. Os subsetores que apresentaram crescimentos mais expressivos foram: máquinas para agricultura, máquinas para logística e construção civil e máquinas para a indústria de transformação. E os países que mais exportaram máquinas e equipamentos para o Brasil foram os Estados Unidos, Alemanha, bem como a china que até meados de 2004 ocupava a 10ª posição e nos últimos anos vem alcançando um espaço cada vez maior no mercado brasileiro (ABIMAQ, 2012).

Ainda com base nos dados fornecidos pela associação dos fabricantes nacionais de máquinas e equipamentos ainda, com dados mais recentes do mês de julho, sabe-se que o setor de bens de capital mecânico no mês de julho deste ano obteve o faturamento total de R$ 6,4 bilhões, o que se comparado ao mês anterior representa uma retração de 14,6%. Na comparação com o mês de julho do ano passado, a retração foi de 6%. Os setores de máquinas têxteis, máquinas para plástico, máquinas para madeira, máquinas-ferramenta e bombas e

moto bombas apresentaram resultados do faturamento bem inferiores no período de janeiro a maio de 2011.

Entre 2005 e 2012 a balança comercial do setor de bens de capital veio observando uma queda no faturamento, conseqüência na queda das vendas internas que perderam espaço para importação e também devido à queda nas exportações. O faturamento em 2006 caiu em US$ 2.269 milhões, com relação ao ano de 2005. Já no ano de 2007 o déficit foi de US$ 5.363 milhões. No ano de 2010, por exemplo, o déficit no faturamento chegou a US$ 15.743 milhões, subindo mais recentemente, em 2011 para US$ 17.879 milhões de déficit. (ABIMAQ, 2012).

Com análise destes dados mais recentes é possível compreender por que as medidas governamentais de proteção á indústria vem crescendo. No setor industrial a participação no PIB vem caindo. Tais dados causam desconforto entre os produtores nacionais de máquinas e equipamentos, que inseguros e vendo a perda de mercado para os produtos importados, pressionam o governo por medidas que venham a reverter tal quadro.

Em reposta em maio deste ano o governo anunciou que ofereceria estímulos a indústria de bens de capital para que estas produzam as máquinas e equipamentos que atualmente são importadas. Ficando como certa a participação do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), para financiar os projetos. O coordenador geral do setor no MDIC, Ronaldo Melo disse que poderia haver redução de tributos para estimular a fabricação local. Este projeto de desenvolvimento da produção nacional, como foi nomeado pelo governo, veio sendo feito em conjunto com a ABIMAQ. Assim o governo tem se esforçado para diminuir as importações nestes setores considerados chave para a geração de emprego no país (VERÍSSIMO, 2012).

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, anunciou no mês de setembro a desoneração sobre a folha de pagamentos de 25 setores industriais da economia. Representará para o governo a retirada de 20% da contribuição sobre as folhas de pagamentos das empresas ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Mas as empresas terão que de recolher de 1% a 2% do faturamento. O governo acredita que ao tirar tributos incidentes sobre os salários, será possível estimular a geração de empregos no país e melhorar a competitividade das empresas, concentrando-se os maiores benefícios aos setores intensivos em mão-de-obra. (JUS BRASIL, 2012)

Além disso, existem outras formas do governo proteger a indústria nacional não por meio de incentivos sobre impostos a fabricantes nacionais, ou onerarão por meio do aumento do imposto de importação de certos produtos. Hoje o governo desenvolve grande

controle nas importações por meios das chamadas licenças de importação. (BANCO DO BASIL, 2012)

De acordo com o Banco do Brasil (BB) a licença de importação em 2012 pode ser considerada como um documento eletrônico processado através do Sistema Integrado de Comércio Exterior (SISCOMEX), utilizado para licenciar as importações de produtos cuja natureza ou tipo de operação está sujeita a controles de órgãos governamentais. Este na maioria das vezes deve ser obtido previamente ao embarque embarque da mercadoria no exterior. Através da Licença de importação o governo obtém maior controle das importações, e s órgãos responsáveis podem indeferir a L.I, se esta não estiver em perfeito acordo com as exigências de tais órgãos. Isto dificulta e acaba por desestimular as importações. (BANCO DO BASIL, 2012)

No caso do setor de máquinas e equipamentos, o maior controle é exercido pelo Departamento de comércio Exterior (DECEX), que sujeita produtos do setor a L.I não automática, ou seja, aquela que o órgão tem 60 dias de prazo para dar o parecer. Assim conforme dispõe a portaria SECEX Nº 23 de 14 e julho de 2011 estão sujeitas a exame de similaridade (onde a empresa precisa registrar a L.I e enviar o catálogo do produto que deseja importar ao DECEX, e então é feito a publicação do produto para consulta pública dos fabricantes nacionais, se estes por sua vez não se manifestarem, o importador tem direito a importação com benefício de isenção ou redução do imposto de importação), assim o importador pode importar o produto de qualquer forma, mas só terá redução ou isenção do imposto se na houver no Brasil produção de produto similar. (BRASIL, 2012b).

Esta política do governo embora protecionista e um tanto contraditória, reflete de fato a proteção governamental para com as indústrias de máquinas e equipamentos, mas também, oportuniza a compra no exterior com benefício de isenção ou redução do Imposto de Importação quando não há similar nacional. A questão é que quando há similar existe o pagamento do imposto que encarece a importação, dificultando a compra nacional de máquinas e equipamentos fundamental para o desenvolvimento da indústria e da competitividade.

Sobretudo, existem ainda outras formas de atuação do governo em prol do benefício da indústria de máquinas e equipamentos, que podem e vem sendo tomados pelo governo, por reconhecer a necessidade destes maquinários para a produtividade nacional.

Dentre essas medidas existe o ex-tarifário, que segundo o é importante salientar que:

Um regime que consiste na redução temporária do Imposto de Importação para máquinas e equipamentos sem produção no Brasil é uma ferramenta importante para fortalecer a indústria nacional – uma das diretrizes do Plano Brasil Maior. A concessão de Ex-tarifários permite o aumento da competitividade das empresas e a concretização de projetos com objetivo de abastecer o mercado interno e aumentar as exportações brasileiras. Os equipamentos serão importados principalmente da Alemanha (25,4%); dos Estados Unidos (24,1%); da Itália (9,3%); e da Índia (7,3%). Os investimentos globais e os investimentos relativos às importações dos equipamentos, vinculados aos 569 Ex-tarifários que integram as duas Resoluções Camex são, respectivamente, de US$ 5,8 bilhões e US$ 1,4 bilhão. Os principais setores beneficiados, em relação ao valor dos investimentos globais foram: automotivo (19,7%), siderúrgico (12,5%), petróleo (12,2%), gráfico (10,4%) e construção civil (10,3%). (BRASIL, 2012b, p. 1 ).

Cabe ao governo medir a real importância do setor para economia, e tomar iniciativas que trabalhem em conjunto o interesse das empresas, governo e sociedade e que forneçam benefícios para ambos. O que por vezes ocorre no Brasil que pressionado pelas empresas o governo toma ações que refletem positiva e negativamente na sociedade e contas públicas.

Como exemplo serve as 100 NCM´S do imposto de importação que tiveram aumento recente da alíquota, sendo doze delas do setor de bens de capital – máquinas e equipamentos. Para o governo no quesito contas públicas ocorrerá um aumento da arrecadação dos cofres públicos. Para os fabricantes nacionais vai diminuir a concorrência e possivelmente aumentaram as vendas de seus produtos e, portanto seu faturamento. Para os importadores e indústrias que precisam dos importados é uma política ruim, pois, dificultará a compra na medida em que as máquinas equipamentos e diversos produtos ficam muito mais caros, gerando uma via de mão dupla, pois se as indústrias nacionais que vendem suas máquinas e equipamentos se beneficiam, pois observa o crescimento da produtividade já às indústrias nacionais que dependem das importações observarão sua produtividade cair. Com isso empregos e renda que se ganham com esta política são empregos e renda que acabam se perdendo também em contrapartida.

De acordo com a agência Paulista de promoção de investimentos e competitividade o setor de bens de capital:

Responde pela produção de um complexo conjunto de máquinas e equipamentos utilizados na produção de outros bens, mantendo relação direta com a produção dos demais setores, além de desempenhar papel importante na difusão e geração de novas tecnologias. Sendo composto por uma série de segmentos industriais, com destaque para máquinas e equipamentos e outros segmentos como o de veículos automotores, reboques e carrocerias; máquinas, aparelhos e materiais elétricos; equipamentos de informática e periféricos e equipamentos de comunicação. Mas o segmento de bens de capital do país está concentrado na região de São Paulo, onde de acordo com dados do IBGE só o Estado respondeu por 57% do Valor da Transformação Industrial - VTI, cerca de US$ 8,7 bilhões, e por 53% do pessoal

ocupado (198 mil empregados) dessa indústria no país. (INVESTE SÃO PAULO 2012, p. 1)

3.3 O POSICIONAMENTO DE IMPORTADORES E FABRICANTES NACIONAIS

No documento A política comercial brasileira (páginas 68-74)