A MATEMÁTICA NA HUMANIDADE
Guilherme Zanette (G – CLCA - UENP/CJ) Hugo Luiz Santos Oliveira
(G – CLCA - UENP/CJ)
Penha Lucilda de Souza Silvestre (Orientadora – CLCA - UENP/CJ)
INTRODUÇÃO
Neste presente artigo, apresentaremos a definição de matemática, onde a encontramos e como a utilizamos. Embora invisível a Matemática ocupe um papel cada vez mais significativo no nosso dia-a-dia. Espécie de bicho-papão da vida escolar, a matemática
sempre foi uma disciplina temida, que reprovava muito e tinha poucos fãs. Mas as novas formas de ensino, que usam jogos e brincadeiras, trouxeram a matéria mais para
perto do mundo real e vêm atraindo as crianças, para surpresa de muitos pais, que nunca
gostaram dela. O fato é que a matemática é presente em nosso dia a dia de tal forma que não
podemos, não devemos e, certamente, não queremos nos distanciar dela. Costumava-se definir a matemática como a ciência do número e grandeza. Isso já não é válido, pois certamente a matemática é muito mais do que números e grandezas. Hoje a matemática que conhecemos além de muito presente ela é essencial para todos e devemos saber ao menos o básico para não sermos lesados.
“As mudanças no ensino da disciplina começaram nos anos 80, foi quando a matemática passou a ser discutida no cotidiano, deixando heranças do ensino tradicional, como a tabuada e também a chamada matemática moderna, que lidava de forma abstrata com conceitos complexos como a teoria dos conjuntos. Vinte anos mais tarde, o ensino da matéria tem hoje três características principais. A primeira é a relação da matemática com situações concretas do mundo real. Outra é a introdução de brincadeiras para facilitar o processo, além de jogos que podem ser manipulados pelos alunos. E ainda o uso do computador, com programas auxiliares cada vez melhores tudo com o objetivo de fazer a criança compreender os problemas e selecionar a melhor forma de solucioná-los, sem decorebas”. (MAGINA,Sandra,1998,p.41-45)
1 A matemática na escola
A matemática que se estuda na escola aplica-se facilmente às necessidades cotidianas. Isto é obvio até a oitava série, mas no ensino médio parece que ela não tem tanta utilidade. Mas não é por acaso que se estuda matemática nas escolas.
A sociedade evoluiu exigindo cada vez mais conhecimentos matemáticos a todos os cidadãos. Um arquiteto dirá que a Matemática é útil para auxiliar a percepção e a criação da beleza; um engenheiro dirá que é útil para reforçar e aprovar experiências; um físico dirá que é útil por ser a linguagem da ciência; um administrador dirá que a Matemática orienta-o na administração; um psicólogo afirmará que o auxilia no tratamento estatístico de inquéritos; um matemático mostrará que um corpo matemático é útil quando for aplicável a outro corpo. A matemática é um saber necessário a todas as disciplinas e ciências, devido ao seu rigor. Deste modo se mostra que as outras ciências não se desenvolveriam se a matemática não existisse e não fosse estudada.
De certa forma todos somos matemáticos e fazemos matemática com regularidade: fazer as contas das compras; relacionar conjuntos de bens; previsão do tempo; programas de computadores; construção de edifícios, pontes e outros; prestações; etc. E confiamos sempre na exatidão dos nossos raciocínios até prova em contrário.
Podemos considerar que a aprendizagem da matemática nas escolas é paralela ao desenvolvimento da humanidade. O Homem há 10 mil anos mal sabia contar e agora calcula a trajetória de um satélite. De modo semelhante, uma criança aprende a contar com 6 anos e ao longo da sua adolescência vai aprendendo em pouco tempo aquilo que levou anos e anos a ser inventado.
A matemática na escola denota uma idéia de “ciência isolada”, onde os números, os cálculos, as medidas e muitos outros elementos não parecem ter ligação com o mundo ao redor. A matemática trabalhada na escola acaba tendo um caráter abstrato, onde “os pensamentos ou idéias matemáticas” acabam ficando apenas no pensamento e conseqüentemente dentro da sala de aula, sem estabelecer vínculo com a prática no dia-a-dia, ou seja, ela é dentro desse contexto, um instrumento para efetuar cálculos e resolver problemas escolares.
A matemática é uma linguagem que nos permite visualizá-la e interpretá-la em inúmeras situações, basta olharmos ao redor. Percebem-se a distância entre a matemática ensinada na sala aula e o conhecimento matemático utilizado no dia-a-dia. As dificuldades apresentadas por crianças na escola não traduzem as mesmas dificuldades encontradas na vida diária, até porque nesta última não há a rigidez dos algoritmos e nem a cobrança dos cálculos escritos, elas podem operar o cálculo mentalmente e conseqüentemente expressá-los de maneira verbal.
“Na escola, as respostas orais não tem reconhecimento em avaliações e exercícios, pois o modo de operar é predominantemente escrito.” (Carraher, 1995).
2 Amatemática no cotidiano
Noções básicas naturais de Matemática são aprendidas antes mesmo do ingresso na sala de aula, situações ligadas às formas geométricas, quantidades, espaço e localização fazem parte dos momentos de qualquer criança. Parte dessa experiência é aproveitada nas séries iniciais e posteriormente no ensino fundamental.
Uma boa parte da vida escolar do jovem é centrada na sala de aula, que precisa dispor de todos os requisitos básicos, buscando aproveitar a perspectiva do aluno. O ambiente da sala precisa ser um lugar onde o aluno esteja disposto a pensar os problemas e as diferentes formas de resolução, através da criatividade própria. Nós, professores de Matemática, não podemos deixar que o ensino se torne mecânico.
Um dos grandes motivos da evasão escolar é a falta de relação existente entre os conteúdos e as situações cotidianas, pois dessa forma o aluno se torna desmotivado, não tendo interesse em estudar algo que não possui aplicação real. Devemos buscar mecanismos educacionais capazes de criar elos entre a Matemática escolar e o meio em que os jovens vivem.
despertar no aluno novos meios de solucionar problemas, compreender fatos, organizar e planejar.
As novas formas de ensino têm exigido do licenciado a visão acadêmica, no intuito de aproveitar os contextos matemáticos, identificando e avaliando as estratégias criadas por parte dos alunos na busca por resultados e soluções.
No ensino da Matemática, destacam-se dois aspectos básicos: um consiste em relacionar observações do mundo real com representações e o outro consiste em relacionar essas representações com princípios e conceitos matemáticos. Nesse processo, a comunicação tem grande importância e deve ser estimulada, levando-se o aluno a "falar" e a "escrever" sobre Matemática, a trabalhar com representações gráficas, desenhos, construções, a aprender como organizar e tratar dados.
A aprendizagem em Matemática está ligada à compreensão, isto é, à apreensão do significado; apreender o significado de um objeto ou acontecimento pressupõe vê-lo em suas relações com outros objetos e acontecimentos. Assim, o tratamento dos conteúdos deve dar lugar a uma abordagem em que as conexões sejam favorecidas e destacadas. O significado da Matemática para o aluno resulta das conexões que ele estabelece entre ela e as demais disciplinas, entre ela e seu cotidiano e das conexões que ele estabelece entre os diferentes temas matemáticos.
A seleção e organização de conteúdos não devem ter como critério único a lógica interna da Matemática. Deve-se levar em conta sua relevância social e a contribuição para o desenvolvimento intelectual do aluno. Trata-se de um processo permanente de construção.
O conhecimento matemático deve ser apresentado aos alunos como historicamente construído e em permanente evolução. O contexto histórico possibilita ver a Matemática em sua prática filosófica, científica e social e contribui para a compreensão do lugar que ela tem no mundo.
Eu acho que uma preocupação fundamental, não apenas dos matemáticos mas de todos nós, sobretudo dos educadores, a quem cabe certas decifrações do mundo,eu acho que uma das grandes preocupações deveria ser essa: a de propor a de propor aos jovens estudantes, alunos homens do campo, que antes e ao mesmo que se descobrem que 4 por 4 são 16, descobrem também que há uma forma matemática de estar no mundo. (FREIRE apud D’AMBRÓSIO, 2006, p. 4).
REFERÊNCIAS:
MAGINA, S. Computador e o ensino da matemática.
D’AMBRÓSIO, U. Como ensinar a matemática hoje.
D’AMBRÓSIO, U. Porque se ensina a matemática.
Para citar este artigo:
ZANETTE, Guilherme; OLIVEIRA, Hugo Luiz Santos. A matemática na humanidade. In: VII SEMINÁRIO DE INICIAÇÃO CIENTÍFICA SÓLETRAS - Estudos Linguísticos e Literários. 2010. Anais... UENP – Universidade Estadual do Norte do Paraná – Centro de Letras, Comunicação e Artes. Jacarezinho, 2010. ISSN – 18089216.p. 630 – 634.