TÓPICO 7 - TÉCNICAS DE COMBATE DA CRIMINALIDADE (TCA) O cenário mais moderno e eficaz no combate da criminalidade aponta uma técnica extraída do conceito T.C.A., aqui representado pelas palavras Tecnologia, Comunicação e Ação. Dentro dessa exata ordem, a primeira é composta por todo aparato disponibilizado sob a forma de prevenção ativa e passiva.
Exemplo disto são as catracas eletrônicas que só permitem a entrada de uma pessoa num local após “ler” os dados gravados em um cartão magnético, e este, enquanto esse personagem estiver naquele recinto, fornecerá prontamente a sua exata localização.
Por este sentido, a Tecnologia está cada vez mais presente quando, p.e., inúmeras operações bancárias são feitas sem qualquer participação de um bancário.
Esse desenvolvimento é tão fantástico que malotes de valores em alguns países da Europa, já são entregues sem carros fortes, armas ou escoltas. O fato decorre por um sistema onde o malote só poderá ser aberto em locais apropriados, por pessoas autorizadas e complexos códigos, caso contrário, todo o seu conteúdo será destruído por um laser interno sem nenhuma perda, pois o montante atingido será reposto pelo governo.
No nosso cotidiano da logística, podemos citar a modernidade do rastreamento e monitoramento de cargas, veículos e até seres animais e humano s. Tal tecnologia passou a ser fundamental para o Gerenciamento de Risco, pois de um modo totalmente impessoal, por ações estudadas, planejadas e programadas, em tese afastada de falhas e erros humanos, pode-se bem estar protegido por vários sistemas de preventivos, afora, é claro, afastar riscos ao trabalhador envolvido.
É claro, que se deve ser considerado que a “máquina” pode funcionar sem o homem, mas não poderá agir (ainda) na sua total independência, pois que, em certos aspectos, tão somente exibirá e avisará uma situação.
É o caso de um equipamento de monitoramento, que sempre estará na dependência das atenções e ações de um operador.
A segunda palavra do TCA vem da Comunicação, que significa envio, recebimento e acompanhamento de informes sobre situações de risco, seja iminente ou remoto.
Melhor exemplo disto é quando um seqüestro é presenciado por alguém que, munido de um celular, imediatamente avisa a polícia. Com efeito, tal fato passará a ser alvo de busca e localização e ação policial. Há vários casos de salvamento de vítimas, muitos até com a prisão dos marginais.
Comunicação é vital, pois que abre “um canal” entre a emergência e o socorro, possibilitando um bom desfecho do caso. Um bom exemplo disto é o caso de algumas empresas manterem um telefone celular escondido em banheiros para, que em caso de rendição, os funcionários poderem pedir auxílio.
Na Logística, essa comunicação pode ser feita, além do sistema de telefonia, por um sistema de rádio, onde os motoristas, ajudantes e/ou operadores de bases fixas podem pedir auxílio, principalmente quando se possível informar detalhes da ação criminosa.
Por último, temos a palavra Ação, posta em última ordem por que, efetivamente, deve ser feita somente em último caso, após todos os detalhes
serem observados, analisados e planejados, e, principalmente, por quem está devidamente preparado e apto.
O exemplo disto é quando uma vítima prefere reagir a esperar que todos os recursos anteriores sejam adotados, onde tal situação, em muitos casos, tenha significado ferimento ou até mesmo morte.
Evidente que qualquer tecnologia, por mais avançada que seja não vai substituir o ser humano, mas apenas muito bem colaborar com a prevenção e reação em caso de sinistro .
Outrossim, existem atividades em que o ser humano é fundamental. É o caso da necessidade de escolta armada para acompanhamento de uma carga de valor, pois por mais que a operação seja rastreada e monitorada, é um agente humano que fará o combate direto, isto se o caso assim exigir.
Vale destacar que tudo aquilo que servir de obstáculo ao intento criminoso é sempre válido na tentativa de “blindar” os alvos abrigados.
Assim, colocando alguns tipos de barreiras, o agente ativo poderá se sentir tolido para não agir.
Por fim, colocamos que todo ato crime decorre de duas fontes, isoladas e conjugadas. ATO INSEGURO e CONDIÇÃO INSEGURA . A primeira advém da falha do empregado , que não coloca a devida atenção a sua volta, e, o mais grave, quando deixa de aplicar as normas de segurança ou relega os equipamentos e sistemas colocados ao seu dispor. Já a CONDIÇÃO INSEGURA surge pela falhas e omissões da própria empresa , entenda-se nisto, a supervisão e chefia.
TÓPICO 8 - CONCEITO DE ESTRATÉGIA E APLICABILIDADE PRÁTICA O significado clássico da palavra Estratégia tem origem militar, traduzida como: organização e planejamento de operações bélicas .
Na matéria de Gerenciamento de Risco, Estratégia tem essa exata interpretação, pois está diretamente voltada para os vários embates na diária luta contra o crime.
Assim, por essa analogia, a Logística tem um constante inimigo, multiplicado por várias facetas, tipos, frentes, formas e modos de agir, só não tendo um delineado campo de batalha, pois os embates podem ocorrer em qualquer local e qualquer alvo abrigado, desde uma base fixa, uma operação de distribuição ou em uma rodovia.
Desta feita, e muito desafortunadamente, o combate ao crime sé dá nas exatas circunstâncias de uma guerra, sendo daí totalmente justificado a escolha da melhor Estratégia contra esse inimigo.
Devidamente adaptado da natureza militar para o atual universo das atividades de Logística, o sucesso na defesa patrimonial e do elemento humano envolvido será obtido na montagem da melhor Estratégia, composta pelos itens de Observação, Recursos, Informação, Planejamento e Ação (ORIPA).
OBSERVAÇÃO representa identificar, ao tempo presente, todas as atividades e condições da atividade, relacionando-as por todos os eventuais tipos de riscos nas operações abrigadas, seja de um espaço físico, distribuição e transporte.
INFORMAÇÃO vem a ser o levantamento do conjunto de todos os dados de contexto possíveis da ação e reação marginal, podendo ser colhido por diversas fontes e meios.
RECURSOS são todos os elementos existentes e disponibilizados, direta e indiretamente, para proteção ativa e passiva, sejam de natureza tecnológica, humana ou por ambas.
PLANEJAMENTO , após um criterioso estudo dos itens anteriores, é o esquema tático a ser empregado na atividade, específica ou genérica, buscando-se a melhor otimização de emprego de todos os recursos selecionados.
AÇÃO e a execução e exercício do planejamento, cujo resultado deve sempre ser alvo monitoramento afim de manutenção, adição de tecnologia e/ou ajustes, afinal, como a criminalidade tem natureza mutante e sazonal, o acompanhamento de meios defensivos é condição essencial.
TÓPICO 9 - ANÁLISE DE RISCO, PREVISIBILIDADE E PREVENÇÃO Para iniciar esta matéria é oportuno citar o exemplo da empresa aérea israelense EL AL, tida como a mais segura do setor, que apesar de estar num epicentro de ações de terrorismo, desde 1972 não mais sofreu qualquer tipo de ataque.
Tal posição é fruto da criação de um complexo esquema de segurança preventiva em todas as aeronaves e passageiros em trânsito nos seus aeroportos e espaço aéreo, e atualmente, em face de maior acirramento regional, tornou-se ainda mais severa, adotando um “check-in” de cinco horas com imediato isolamento e radiografia de bagagens e cargas. Já os passageiros são examinados por detectores de metais, de massa compactada, de partículas e vapores. Tem ainda a disponibilidade de agentes do Mossad (serviço secreto estatal) em todos os seus vôos, treinamento de defesa pessoal de todos os tripulantes, cabine blindada, chegando-se ao extremo de um sofisticado sistema de monitoração do interior dos seus aviões.
No caso da empresa aérea, tais cuidados, considerados custosos e desconfortáveis, fazem parte de uma opção pela prevenção contra quaisquer atos de terrorismo, iguais aos praticados nos EUA em 11 de setembro, que, aliás, desde então, adota essas mesmas normas nos seus aeroportos.
Com o histórico acima, vamos conceituar análise de risco, previsibilidade e prevenção. Porém, mais uma vez vamos consignar que o combate da criminalidade se dá por duas vias, uma repressiva e outra preventiva, sendo esta a única apropriada e adequada aos nossos interesses e permissão.
Ao seu conceito mais prático, Risco é todo fato eventual e adverso causador de dano, no nosso caso, de toda sorte de ações subtrativas e lesivas contra o ser, ao patrimônio ou de seqüelas emocionais, sejam conjuntas ou isoladamente.
Prevenção vem a ser o ato de prevenir, ou seja, de precaver, evitar, tomar medidas antes de um fato. E, por esta linha, o primeiro ponto é definir o que se deseja evitar, ou seja, qual seriam as adversidades que se pretende evitar. Para tanto, o gestor de Logística deve saber qual a correspondência de potencialidade lesiva ao produto ou operação em que está atuando. Como exemplo, temos a seguinte questão: qual carga seria a mais visada a ser roubada: de produtos eletrônicos ou de papel sulfite. Se a resposta for a primeira, está certo. Se for a segunda, também. E se forem ambas, idem, pois tudo vai depender do fator de demanda que as cargas possam provocar. Nesse momento entra a conjuntura do verbo Prever.
É evidente que a de eletrônicos terá um valor físico maior, pois criminoso sabe bem considerar o binômio valor de mercado x lucratividade , condição relevante para a pretensão criminosa.
Assim, as duas podem bem despertar uma cobiça bandida, principalmente quando são diretamente ligadas à chamada demanda criminosa . No caso, é certo que a carga de eletrônicos sempre poderá significar um perigo maior, mas, por outro lado, não pode ser relegado que o material de escritório e papelaria também pode ensejar escusos lucros como carga subtraída.
E não devemos esquecer também a criminalidade sazonal (que ocorre em certas épocas), onde uma carga de TV será mais cobiçada em tempos de copa do mundo, e a de material escolar e papelaria no início das aulas. Assim, em questões de segurança, não existe a hipótese de risco zero, mas de maior ou menor potencialidade lesiva.
Nesse ponto temos o fator Previsibilidade , que vem a ser a condição de conceber antecipadamente um fato passível de se concretizar, ou seja, de imaginar aquilo que tem um efetivo potencial, mesmo que por mínimas expectativas.
Após determinar qual o tipo de interesse criminoso sobre o alvo, local ou operação abrigada, é necessário analisar todos e possíveis atos delituosos, começando por pesquisas de grau de risco, freqüência, regionalização e os mais comuns tipos de crimes. Tais aspectos podem ser encontrados internamente em análises que toda empresa deve fazer, como iremos abordar futuramente, e, externamente, em contatos e pesquisas junto aos setores e segmentos envolvidos, seja de nível público (polícias civil e militar) ou privados (sindicatos, associações, seguradoras e afins).
Feito isto, através de uma “logística reversa”, será possível buscar o mais adequado contexto preventivo.
Podemos então afirmar que a condição de Previsibilidade surge com a análise de um risco, que é a habilidade de observação e exame aplicado sobre todos os aspectos respectivos de valor e de vulnerabilidade de um patrimônio, e, em paralelo, como ele é operado no mercado criminoso.
Assim, criamos a sigla VAO, de Valorização, Acessibilidade e Operacionalidade .
Temos que a previsibilidade demanda pelo exame de uma situação, extraindo-se ao máximo todos os extraindo-seus aspectos e detalhes, para, ao mesmo tempo, imaginar-se todas as factuais hipóteses que concorram ao risco. Isto significa um exame pleno e detalhado do local ou operação de trabalho dentro dos diretos aspectos que podem significar ou sugerir interesses ao crime, que na melhor conclusão deste tópico podemos representar pela equação:
ANÁLISE DE RISCO + PREVISIBILIDADE + PREVENÇÃO= MINIMIZAÇÃO DE PERDAS
Como aplicabilidade de VAO, vamos ao exemplo de um quadro de Matisse avaliado em dois milhões de dólares (V) que é mantido em um local muito bem protegido (A). Evidente que esse valor, embora possa despertar atenções criminosas, chegar até esse alvo será um grande complicador. Agora, se essa obra for colocada numa exposição pública de uma pequena cidade, sem muita segurança, teremos um risco bem maior. Afora isso, os roubadores terão de operacionalizar (O) o patrimônio no mercado, o qual, de atípicas características, não será fácil.
Concluindo: quanto maior for o VALOR do patrimônio ao interesse criminoso, e seu ACESSO for mais facilitado ou menos dificultoso, e, em paralelo, houver
uma atingível OPERACIONALIDADE no mercado marginal, maior será o risco. Com tal PREVISIBILIDADE poderá se buscar a melhor PREVENÇÃO.
Agora vamos ao fator quantificação adotado uma estrutura de quatro níveis de risco: AA altíssimo; A alto; B médio e C baixo, por onde será possível obter qual o risco que determinado seguimento se relaciona dentro dessa escala. Para se obter essa correspondência, vamos atribuir pontos de um a nove a cada item do VAO e somá-los. Esse total será dividido por 27, cujo resultado será enquadrado na escala de nível de risco (se 4,3,2 ou 1).
Vamos explicar detalhadamente todo o processo. A primeira dúvida que poderia surgir qual seria a razão da escala ser dividida de um a nove? Por simplicidade de raciocínio associado sobre tudo aquilo que nos cerca, separados em três tipos: ruim/baixo, mediano/médio ou bom/alto .
Nesta divisão podemos observar o serviço de uma portaria associando a satisfação ou não de fatores básicos (número de vigilantes, supervisão, treinamento, conhecimento e aplicação de normas de conduta, postura e afins), para dizer se esse trabalho é classificado em ruim, mediano ou bom . E cada um desses elementos ainda será subdividido em outras três notas, tentando fazer uma leitura mais equilibrada possível, afinal, quando se diz que uma portaria é de baixa qualidade, poderemos estar desprezando alguns itens positivos.
Ainda complicado? Vamos a um exemplo prático de uma carga de pneus para veículos. De plano, devemos atribuir pontos ao item VALOR (VALOR FÍSICO x DEMANDA CRIMINOSA).
Como em qualquer enquadramento científico, temos de, obrigatoriamente, buscar informações e dados, exatamente como já visto na matéria de Estratégia.
A pergunta a ser feita é se esse item, afora o aspecto do custo físico, detém interesse marginal, ou seja, VALORIZAÇÃO , e qual seria a sua intensidade. No DEIC ou no SETCESP (Sindicato das Empresas de Transportes de Carga do Estado de São Paulo), extraindo o aspecto de sazonalidade (que em razão de férias/viagens pode alterar a leitura do cotidiano), será apurado se esse produto é ou não costumeiramente alvo de roubos e afins, e, dependendo do número de eventos retratados, iremos aplicar a pontuação citada.
Destarte, se os dados fornecidos refletem que o índice de roubos de pneus é elevado, resta definir se tal condição merece uma pontuação de 7 a 9, e, no caso, comparando a outros seguimentos examinados, adotamos o valor 7(V). Observe que já está ficando mais claro, pois em primeiro fracionamos em um dos três grupos (baixo, médio ou alto), e, depois, dentro de cada divisão, colocamos variantes que podem agravar ou minimizar esse nível.
Em seguida tem-se o quesito ACESSIBILIDADE , o que vem a ser sob que forma a ação marginal tem acesso a esse tipo de carga. Como ocorre a sua subtração, se por ações de quadrilhas especializadas ou não, se são tomadas nas BASES FIXAS (sob o zelo de que tipo de vigilância, se monitorada por câmeras, controles de saída, se possuem marcas aptas de identificação, se o comércio específico prefere relegar a segurança em razão de fatores securitários, etc.), em MOVIMENTAÇÃO e TRANSPORTE ou em OPERAÇÕES DE DISTRIBUIÇÃO (em ambos os casos, se esse carregamento é cuidado por escoltas, se tem marca/controle de lote, se é rastreado e monitorado, se existe integração ou INTERFACE com a rede de distribuidores, se existe organismos preocupados como esse específico combate, etc.).
No caso em estudo, em razão do volume de ocorrências, das observações acima e da comparação a outros produtos, elegemos a nota n° 8(A).
Por último, temos aspecto da OPERACIONALIDADE , o que vem a ser sob quais condições esse produto pode e é pulverizado no mercado marginal, se é de fácil ou de difícil armazenagem, se a receptação é latente e pontual, se o comércio informal é atuante (borracharias p.e.,), se há uma fiscalização (entenda-se: interesse policial ou fazendário), e, principalmente, se, em paralelo, exista uma cultura de “vantagem” pelo consumidor. Quanto a este item, o grau é 9(O), em face e peso, infelizmente, do mercado e o consumo informal.
Com a soma dos três valores obtidos nos itens VAO (7+8+9) temos 24, e, desta feita, para se apurar o grau de risco devemos aquilatar a sua proporção junto ao risco máximo, que vem a ser o total de 27 (3 vezes o máximo de cada item), chegando ao percentual arredondado de risco de 72. Esse resultado será relacionado na escala citada, obedecendo ao seguinte critério:
De 01 a 40 - Nível 1 baixo risco De 41 a 70 - Nível 2 médio risco De 71 a 90 - Nível 3 alto risco
De 91 a 100 - Nível 4 altíssimo risco
Como se vê, no caso do item automotivo, temos um ALTO RISCO. Agora imaginemos outro tipo de pneu, aquele fabricado para operar caminhões Terex usados nas mineradoras, que medem 3 metros de diâmetro e custam RS. 50.000,00 a unidade.
Na pontuação dos itens de VAO, no item Valorização teremos 8, isto só pela cifra em si de cada unidade. Porém, na questão Acessibilidade é que observamos um oposto, afinal, praticar crime com um material tão atípico é uma tarefa um tanto desencorajadora, pois afora as características de peso e dimensões, o agente da ação deverá pensar em como transportar e esconder o produto, portanto, atribuiremos uma nota 3. Por último, o mercado que consome tal item é estritamente fechado e cercado de cautelas e fiscalizações, de modo que a sua receptação seria um muito difícil, daí podemos atribuir o valor 2 para o aspecto de Operacionalidade.
Somando os valores apurados (13), que divididos pelo risco máximo (27), temos 48% de risco, e pelo enquadramento da respectiva tabela chegamos ao fator de Risco Médio.