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Em busca do paraíso distante: em torno de alguns obstáculos à efetivação dos direitos fundamentais

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Academic year: 2021

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EM BUSCA DO PARAÍSO DISTANTE:

EM TORNO DE ALGUNS OBSTÁCULOS À

EFETIVAÇÃO DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS

IN SEARCH OF FAR PARADISE: AROUND SOME

OBSTACLES TO EFFECTIVE FUNDAMENTAL

RIGHTS

Matheus Felipe de Castro*

Janaína Reckziegel**

RESUMO

O presente artigo buscará refletir criticamente sobre defasagens políticas e estruturais existentes entre o discurso constitucionalista dos direitos fundamentais e a prática do Estado brasileiro, apontando problemas que devem ser resolvidos para que o Poder Político possa se !!"# $#$ % &'% %&%& !%()*%+,-&!.!#)/%&0&1,-&2! %2!1#!&3)"4$ ")/%&0&3-"& 3) !)#-"&.$13%2!1#%)"5&"!6%&1%"& !(%+7!"&2% 4%3%"&'!(%&verticalidade, seja naquelas marcadas pela horizontalidade, !2&8$!&' !/%(!4!2& !(%+7!"& ' )/%3%"& 3!& '-3! 9& :$"#!1#% ;& 8$!& $2%& ' ;<)"& 3!& # %1".- 2%+,-5& %& '% #) & 3%& !.!#)/%+,-& 3-"& 3) !)#-"& .$13%2!1#%)"5& 3!2%13%& $2%&

* Doutor em Direito pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC); professor adjunto II do Departamento de Direito da UFSC; pesquisador do Grupo Direitos Fundamentais Civis, 3-&= -> %2%&3!&=?"@A %3$%+,-&!2&B) !)#-&3%&C1-!"45&campus de Chapecó; e advogado em Florianópolis. Contato: [email protected]

** Graduada em Ciências Jurídicas e Sociais pela Universidade do Oeste de Santa Catarina (Unoesc); mestre em Direito Público; doutoranda em Direitos Fundamentais e Novos Direitos pela Universidade Estácio de Sá; professora e pesquisadora do Grupo Direitos D$13%2!1#%)"&E)/)"5&3-&= -> %2%&3!&=?"@A %3$%+,-&!2&B) !)#-&3%&C1-!"45&campus de

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MATHEUS FELIPE DE CASTRO JANAÍNA RECKZIEGEL

2$3%1+%&3!&2!1#%()3%3!&3-"&6$ )"#%"5&4-2&%F%13-1-&3-"&' !""$'-"#-"& metodológicos do positivismo.

Palavras-chave:&B) !)#-"&.$13%2!1#%)"9&D)(-"-G%&3%&' ;<)"9&=-")#)/)"2-& jurídico.

ABSTRACT

HI)"& % #)4(!& %)2"& #-& !J!4#& 4 )#)4%((K& -1& '-()#)4%(& %13& "# $4#$ %(& (%>"& between the constitutional fundamental rights discourse and practice of the Brazilian State, pointing out problems that must be solved before the Political Power can be restructured to achieve effective - not merely discursive - rights fundamental relations is marked by verticality, horizontality is marked by those where private power relations prevail. Sustain a praxis of transformation from the enforcement of fundamental rights requires a change in mindset of lawyers, with abandonment of methodological assumptions of positivism.

Keywords: Fundamental rights. Philosophy of praxis. Legal positivism.

INTRODUÇÃO

L-&(-1>-&# %6!#-&3!&"$%&4-1"-()3%+,-5&-&4-1"#)#$4)-1%()"2-&-4)-dental assentou suas premissas básicas sobre o paradigma dos direitos fundamentais. Contemporaneamente, não há autor, jurista, legislador ou administrador que não admita, ao menos retoricamente, que os or-3!1%2!1#-"&6$ M3)4-"&I-3)! 1-"&1,-&'-3!2&"!1,-&G14% &"!$"&%()4! 4!"& sobre a base do respeito a direitos essenciais positivados nas Constitui-+7!"&1%4)-1%)"&!& !4-1I!4)3-"&'!(%&E-2$1)3%3!&N1#! 1%4)-1%(9

No entanto, o que se percebe, na realidade que se opera fora dos textos, é um total descompasso entre o que é dito e o que é praticado, !1# !&-&8$!&O&'!1"%3-&!&-&8$!&O& !%()*%3-&!2&#! 2-"&3!&!.!#)/%+,-&3!& um rol mínimo de direitos historicamente construídos e conquistados '!(%"&($#%"&"-4)%)"&# %/%3%"&'!(-&P'-/-&"-F! %1-Q&1-"&R(#)2-"&"O4$(-"9

Na verdade, embora o próprio discurso constitucionalista (de -13!&"!&!<# %)&%&F%"!&3-"&3) !)#-"&.$13%2!1#%)"S&.%+%&'% #!&3!&$2%&# %-3)+,-&'-(M#)4%&8$!&/!2&3!"3!&-&()F! %()"2-5&#%2FO2&!(!5&4-2-&discurso,

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T2&F$"4%&3-&'% %M"-&3)"#%1#!U&!2&#- 1-&3!&%(>$1"&-F"#;4$(-"&V&!.!#)/%+,-&3-"&3) !)#-"&.$13%2!1#%)"&

#!/!&> %13!&3)G4$(3%3!&'% %&"!&)2'- &1%& !%()3%3!5&1%&2!3)3%&!2&8$!& o constitucionalismo inicial possuía características meramente formais, permitindo que a realidade fosse comandada preponderantemente pela lógica das leis de mercado, o que evidentemente encontrava sua maior expressão jurídica nos códigos civis e nas leis do comércio.

W>- %5&1%&2!3)3%&!2&8$!&%/%1+%&%&%"")2&4I%2%3%&4-1"#)#$4)--1%()*%+,-&3-"&- 3!1%2!1#-"&6$ M3)4-"&0&-&8$!&)2'()4)#%2!1#!&%32)#!& 8$!&%"&4-1"#)#$)+7!"&.- %25&'- &2$)#-"&"O4$(-"5&2! %"&.-(I%"&3!&'%'!(& "$F2!#)3%"&V"& !(%+7!"& !%)"&3!&'-3! &XY%""%(!S&0&!&8$!&-&3)"4$ "-&3-"& direitos fundamentais vai tomando foros de verdadeiro leitmotiv a guiar a atividade dos homens de Estado, há que se questionar sobre as lacunas e tensões existentes entre aquilo que se declara e aquilo que se pratica, questionando-se sobre medidas concretas que possam !3!"!1I% &%"&.$1+7!"&3!&T"#%3-&'% %&%&4-14 !#)*%+,-&3!&$2&' -> %2%& mínimo de direitos fundamentais que atendam aos interesses de um povo determinado na história.

Para tanto, o presente artigo, partindo do referencial teórico da

!"#" $%&$%'()*+#&X#!- )%&3)%(O#)4%&3-&B) !)#-&Z&2O#-3-&3%&4-14 !+,-S5& F$"4% ;& !%()*% &$2%& !J!<,-&4 M#)4%&%& !"'!)#-&3%"&3!.%"%>!1"&'-(M#)4%"& e estruturais existentes entre o discurso constitucionalista dos direi-tos fundamentais e a prática concreta do Estado brasileiro, tentando apontar os nós que devem ser desfeitos para que o poder político possa "!& !!"# $#$ % &'% %&%& !%()*%+,-&!.!#)/%&0&1,-&2! %2!1#!&3)"4$ ")/%& 0&3-"&3) !)#-"&.$13%2!1#%)"5&"!6%&1%"& !(%+7!"&2%

4%3%"&'!(%&verticali-dade&X !(%+7!"&4(;"")4%"&T"#%3-[4)3%3,-S5&"!6%&1%8$!(%"&2% 4%3%"&'!(%& horizontalidade,&)"#-&O5&1%"&8$%)"&' !/%(!4!2& !(%+7!"&' )/%3%"&!1# !&

pessoas ou entre essas e os poderes privados.

DIREITOS FUNDAMENTAIS: DA TEORIA À

PRÁ-TICA DE SUA EFETIVIDADE

Há grande discussão em torno da natureza dos direitos funda-2!1#%)"9&W"&/; )%"&#!- )%"&!&'-")+7!"&!<)"#!1#!"&"!&/)14$(%25& !"'!4-#)/%2!1#!5&V"&3)/! "%"&'-")+7!"&'-(M#)4-@)3!-(?>)4%"&3-"&)1#O ' !#!"9& Classicamente, no entanto, admitiu-se que os direitos fundamentais seriam direitos públicos subjetivos, no sentido de direitos dos cidadãos

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MATHEUS FELIPE DE CASTRO JANAÍNA RECKZIEGEL

oponíveis ao Poder do Estado, numa sociedade liberal saída das en-tranhas do Absolutismo.1

=% %&!""%&4-14!'+,-5&T"#%3-&!&"-4)!3%3!&"! )%2&)1"#\14)%"&"!-'% %3%"5&8$!&"!&4-2$1)4% )%2&1$2%& !(%+,-&3!&&,#-". $./$%(,-0'("-$, razão pela qual caberia à sociedade o controle do Estado mediante a )2'-")+,-&4-1"#%1#!&3!&()2)#!"&6$ M3)4-"&V&"$%&%#$%+,-5&4-2-& !""%(#-$& Bonavides: “Que todas as diligências do libealismo convergiam para !""!&G2&0&%&()2)#%+,-&3-&'-3! &0&%G>$ %@"!@1-"&3-"&# %+-"&2%)"&'!4$-()% !"&V&3-$# )1%&()F! %(Q92&:!>$13-&!""%&/)",-5&#-3%&%&%32)1)"# %+,-& pública moderna (e o direito administrativo que lhe corresponde) teria ")3-&4-1"#)#$M3%5&4-1.- 2!&]! 4-/)4)5&P^999_&'% %&-&2-3!(-&()F! %(&3!& ' -#!+,-&3-"&3) !)#-"&)13)/)3$%)"&!2&.%4!&3-&T"#%3-5&1,-&'% %&%&)2-'(!2!1#%+,-&3-"&' )14M')-"&!&'-(M#)4%"&4-1"%> %3%"&1%&E-1"#)#$)+,-Q93 W&!/-($+,-&3-"&T"#%3-"&3!&4- #!&()F! %(&'% %&-"&T"#%3-"&3!&2--3!(-&"-4)%(&-'! -$&' -.$13%&2-3)G4%+,-&1%"&.- 2%"&3!&!.!#)/%+,-&3-"& direitos fundamentais, antes concebidos negativamente, ou seja, como deveres de $1#2,./3" por parte do Estado em frente aos indivíduos (que Alexy divide em três grandes grupos: direitos a que o Estado 1,-&)2'!+%&-$&1,-&3)G4$(#!&4! #%"&%+7!"&3-&#)#$(% &3-&3) !)#-`&3) !)#-"& %& 8$!& -& T"#%3-& 1,-& %.!#!& 3!#! 2)1%3%"& 4% %4#! M"#)4%"& -$& ")#$%+7!"& 3-& #)#$(% & 3-& 3) !)#-`& !5& !1G25& 3) !)#-"& %& 8$!& -& T"#%3-& 1,-& !()2)1!& 3!#! 2)1%3%"&'-")+7!"&6$ M3)4%"&3-&#)#$(% &3-&3) !)#-S4 e, depois, con-cebidos positivamente como deveres de $24$/3" diante das necessidades 4-14 !#%"&3!&$2&'-/-5&4-2-&"%R3!5&!3$4%+,-5&4$(#$ %5&(%*! 5&# %F%(I-5& desenvolvimento (e que o mesmo Alexy subdivide em dois grandes > $'-"U&%+7!"&!"#%#%)"&3!&4-1#!R3-&.;#)4-&!&%+7!"&!"#%#%)"&3!&4-1#!R3-& normativo),5&%2!1)*%13-&%& M>)3%&"!'% %+,-&T"#%3-["-4)!3%3!&8$!&-& liberalismo impunha e concebendo o poder político como uma espécie de '(,#2$&"(%&,%#,(5+/"# públicos fundamentais aos cidadãos,6 mas sem

%(#! % &%&4-14!'+,-&)1)4)%(&3!&8$!&#%2FO2&!""%"&' !"#%+7!"&%#)/%"&"! )%2&

direitos públicos subjetivos dos cidadãos perante o Estado.7

a$# %&/)",-&"! )%&%8$!(%&8$!&4-1")3! %&%&!/-($+,-&3-"&3) !)#-"& fundamentais como trincheiras conquistadas na luta política das clas-"!"&# %F%(I%3- %"&!&3%"&2%)- )%"&!<4($M3%"5&4-2&-&G2&3!&!8$)()F % &%& luta de classes inerente ao tecido social no qual se assentam as bases do Estado.8&T"#%&4-14!'+,-&realista leva em conta o fato de o poder de

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T2&F$"4%&3-&'% %M"-&3)"#%1#!U&!2&#- 1-&3!&%(>$1"&-F"#;4$(-"&V&!.!#)/%+,-&3-"&3) !)#-"&.$13%2!1#%)"&

T"#%3-&8$%"!&1$14%&4- !"'-13! &!.!#)/%2!1#!&V"&3!4(% %+7!"&4-1"#)#$-cionais que consideram sua fonte e controle popular.9 Assim, o direito estabeleceria os limites do exercício do poder de Estado, quer dizer, da )1#! /!1+,-&3-"&"!$"&%'% !(I-"5&G<%13-&%&()1I%&3!&3!2% 4%+,-&!1# !&-& )13)/M3$-&0&!&-"&"!$"&3) !)#-"&P"$F6!#)/-"Q5&P1%#$ %)"Q5&P)1%()!1;/!)"Q& !#49&0&!&-&T"#%3-5&!<' )2)13-&$2%& !(%+,-&3!&.- +%&8$!&"!&-'! % )%&1-& )1#! )- &3!&$2%& !(%+,-&3!&4(%""!"9&L!""!&"!1#)3-5&!""!"&()2)#!"&'-"#-"& '!(-&3) !)#-&"! )%2&)>$%(2!1#!&%&!<' !"",-&3%&()2)#%+,-&3-&'-3! &3!& 3-2)1%+,-&3!&4(%""!&'!(%&($#%&3%"&2%""%"&'-'$(% !"910

Mais atualmente, acabaram tendo grande aceitabilidade con-4!'+7!"&8$!&%32)#!2&$2&T"#%3-&constitucionalizado, no sentido de que sua estrutura e poder estariam colocados acima das disputas entre classes e outros grupos sociais existentes numa sociedade pluralista, !2&8$!&%&E-1"#)#$)+,-&!&%&B!2-4 %4)%&I%/! )%2&"!&4-1"-()3%3-&!2& frente aos poderes privados. O poder não pertenceria a um grupo -$&4(%""!&"-4)%(5&!&%&"-F! %1)%&"! )%&(!>%(5&!<' !""%&1%&E-1"#)#$)+,-5& que criaria um complexo de procedimentos que garantiriam a todos os cidadãos, individualmente ou organizados em grupos de pressão X'% #)3-"5&")13)4%#-"5&%""-4)%+7!"5&4(%""!"&!#49S5&"!&!<' !""% &3!&.- 2%& equilibrada, de maneira que nenhum grupo conseguisse se tornar he-gemônico, desequilibrando as regras do jogo democrático formalizado 1%&E-1"#)#$)+,-911

T2F- %& !"#%& R(#)2%& '-")+,-& "!6%& "!3$#- %2!1#!& %3-#%3%& '!(%& maioria dos autores atuais que estudam e divulgam os direitos fun-damentais, ela parece partir de um idealismo básico que aprofunda a 4-14!'+,-&3!&$2%&"-4)!3%3!&!2&8$!&-"&4-1J)#-"&"!&-'! !2&3!&.- 2%& (constitucionalmente) controlada e localizada (na esfera privada), sem )1#! .! ) & 1%& 4-13$+,-& !.!#)/%& 3-& '-3! & '-(M#)4-& %& partir da própria "-4)!3%3!& 4)/)(9& L,-& V& #-%5& $2& %$#- & 4-2-& D )!3 )4I& bc((! & %G 2%& que sua teoria estruturante do direito só seria aplicável às sociedades onde o povo fosse realmente soberano, fonte e manipulador do poder político, em nada colaborando para o entendimento de sociedades onde o povo seria um mero pedestal passivo sobre o qual se levanta o poder de Estado sob o domínio de um grupo social minoritário em tamanho, mas majoritário em poder:

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MATHEUS FELIPE DE CASTRO JANAÍNA RECKZIEGEL

Eles (os direitos fundamentais) fundamentam normativamente uma sociedade à medida que ela é livre e pluralista, e um Estado, à medida 8$!&!(!&O&3!2-4 ;#)4-9&T(!"&",-&-"&2!)-"&3!& !%()*%+,-&'- &!<4!(d14)%& do ‘poder constituinte do povo’. Sem a prática dos direitos humanos e da cidadania, o ‘povo’ permanece sendo uma metáfora abstrata de .$1+,-& )3!-(?>)4%9& b%"& '- & 2!)-& 3%& ' ;#)4%& 3-"& human rigths ele se #- 1%5&!2&.$1+,-&1- 2%#)/%5&e'-/-&#)#$(% &3-&T"#%3-f&XStaatsvolk) em uma democracia legítima.12

Evidentemente, trata-se de um ideal que ainda não parece ter sido %(4%1+%3-&'- &1!1I$2%&"-4)!3%3!&4-14 !#%2!1#!&4-1")3! %3%&!&8$!& faz recordar os ideais democráticos que vêm sendo desenhados desde a Antiguidade Clássica e que nos fazem perceber que a democracia não é uma coisa pronta e acabada (o que existiria somente no mundo das ideias), mas uma (,!$/3"& "-4)-'-(M#)4-@!4-1g2)4%& !2& 4-1# $+,-& '! 2%1!1#!&!&"$F2!#)3%&%&%/%1+-"&!& !/!"!"&4-1.- 2!&%&4- !(%+,-& 4-14 !#%&3%"&.- +%"&'-(M#)4%"&!2&!2F%#!&1%&"-4)!3%3!9

E o jurista apenas realizaria um trabalho de (,!,6+2+7$/3" do sistema político vigente, que mantém e aprofunda as assimetrias de poder social, político e econômico existentes na sociedade, se partisse do pressuposto de que esse 8#2$&"% (,$!7,.2,% ,*+#2,.2, encontra seu fundamento não mais numa teoria da soberania estatal há muito ques-tionada,13&2%"&")2&1%& !%()*%+,-&3-"&3) !)#-"&.$13%2!1#%)"&3-"&"!$"&

4)3%3,-"5&-&8$!&1,-&/!2&%4-1#!4!13-&1%&' ;#)4%&3!&1!1I$2%&1%+,-& %#$%(5&4-2-&-4- !&4-2&-&] %")(5& !4- 3)"#%&!2&4-13!1%+7!"&)1#! 1%-4)-1%)"&'!(%&/)-(%+,-&3!&3) !)#-"&.$13%2!1#%)"&3-"&"!$"&4)3%3,-"14 (o Brasil conta com um sistema judiciário profundamente marcado pelo

positivismo jurídico e pela seletividade criminal de setores empobrecidos, 4-2F)1%3-&4-2&F%)<M"")2%&#%<%&3!&'% #)4)'%+,-&'-'$(% &!.!#)/%&1-"& negócios públicos) e até mesmo com os Estados Unidos da América, 1%+,-&%(% 3!%3%&4-2-&F! +-&3%&3!2-4 %4)%&()F! %(&2-3! 1%5&2%"&8$!& 2%1#O2&$2&4%2'-&3!&4-14!1# %+,-&1%&]%M%&3!&A$%1#;1%2-5&E$F%5& onde implementou um verdadeiro Direito Penal do Inimigo,15 além dos conhecidos atos de terrorismo de Estado que promove mundo afora, )14($")/!& 4-2& /)-(%+,-& V& "-F! %1)%& !& %$#-3!#! 2)1%+,-& 3%& 2%)- )%& 3-"&-$# -"&'-/-"5&!2F- %&!""%"&3$%"&1%+7!"5& !#- )4%2!1#!5&#!1I%2& %/%1+%3-&!&4-1"-()3%3-&$2%&' -.$13%&6$"#)G4%+,-&3!&"!$"&'-3! !"& '-(M#)4-"&4-2&F%"!&1%& !%()*%+,-&3-"&3) !)#-"&.$13%2!1#%)"9

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T2&F$"4%&3-&'% %M"-&3)"#%1#!U&!2&#- 1-&3!&%(>$1"&-F"#;4$(-"&V&!.!#)/%+,-&3-"&3) !)#-"&.$13%2!1#%)"&

=- & -$# -& (%3-5& "!& %& 4-1"#%#%+,-& 3!& 8$!& %& #!- )%& 3-"& 3) !)#-"& .$13%2!1#%)"&"!&!14-1# %&2$)#-&2%)"&%/%1+%3%&3-&8$!&%&' ;#)4%&3-"& 3) !)#-"&.$13%2!1#%)"5&)""-&1,-&8$! &")>1)G4% &8$!&I%6%5&1!4!""% )%-mente, um descolamento entre ambas, como se fossem fenômenos distintos. Na verdade, teoria e prática são faces do mesmo processo !%(& "!& 3!"3-F %13-& 1-& #!2'-[!"'%+-& !& 1,-& '-3!2& "! & "!'% %3%"& % #)G4)%(2!1#!5&'- 8$!&4-2'7!2&$2%&unidade. A aparente&"!'% %+,-& entre teoria e prática decorre do fato de os homens se apegarem aos discursos " -+$+# que encobrem os funcionamentos reais dos processos de poder. E o discurso da teoria dos direitos fundamentais parece vir "!13-&%' -' )%3-&'!(-"&)3!?(->-"&!"#%#%)"&4-2-&.- 2%&3!&6$"#)G4%+,-& 3!&$2%&'-(M#)4%&8$!&4$2' ) )%&.$1+7!"&3).! !1#!"&3%"&3!4(% %3%"&1%& realidade, relegitimando-se pela velha fórmula transformista enun-4)%3%&'- &Y%2'!3$"%&1-&"!$&PN(&A%##-'% 3-QU&tudo deve mudar para

permancer como está!

Se há uma lacuna ou uma tensão entre ambas, é exatamente nela 8$!&3!/!&"! &F$"4%3%&%&!<'()4%+,-& %4)-1%(&'% %&!""%&3!.%"%>!25&4-2-& quer Zizek.16 Há que se perguntar se teoria e prática não estariam 4$2' )13-& .$1+7!"& 3)"#)1#%"& '% %& %& !' -3$+,-& 3!& 4! #%& !%()3%3!& composta de aparências ideológicas e essências reais de funcionamento, -$&"!6%5&1,-&!"#% )%2&4$2' )13-&.$1+7!"&3)"#)1#%"5&2%"&4-2'(!2!1#%-res de uma mesma realidade oculta num mundo de aparências, onde %&(!>)#)2)3%3!&X-$&(!>)#)2%+,-S&O&%"'!4#-&4 $4)%(&'% %&%&2%1$#!1+,-& prática do sistema.17

DIREITOS FUNDAMENTAIS: PODERES

PÚBLI-COS E PODERES PRIVADOS

Como mencionado linhas atrás, os direitos fundamentais nas-4! %2& ' )2!) %2!1#!& 4-2-& .- 2%& 3!& 4-1# %'-")+,-& 3-"& '-3! !"& privados ao poder público, com a ascensão das burguesias nacionais %-& '-3! & 3!& T"#%3-& !2& "$%"& !"'!4#)/%"& 1%+7!"5& 3%13-& - )>!2& %-& conceito primário de Estado burguês de Direito.18&W&' -#!+,-&3!&3) !)#-"&

humanos fundamentais teria surgido na história da humanidade como maneira de conter o poder do Estado, sempre propenso ao abuso e à % F)# % )!3%3!5&3!1# -&3!&4! #-"&()2)#!"&G<%3-"&'!(%&(!)5&4-(%F- %13-& para conformar muito mais do que uma simples nova ordem política

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MATHEUS FELIPE DE CASTRO JANAÍNA RECKZIEGEL

da sociedade, mas consolidando, decisivamente, a própria -+5+!+9$/3"%

burguesa, como lembra Comparato:

Sem dúvida, esses efeitos não foram minimamente previstos pelos ' ?4! !"& !/-($4)-1; )-"9&b%"&1,-&O&2!1-"&/! 3%3!&8$!&%&4)/)()*%+,-& burguesa e o sistema econômico capitalista não teriam prosperado tão vivamente, a partir do século XIX, se o direito revolucionário não tivesse 4 )%3-&%"&)1"#)#$)+7!"&8$!&(I!&"! /) %2&3!&.$13%2!1#-919

No entanto, o desenvolvimento do sistema capitalista de produ-+,-& !/!(-$&8$!&#%2FO2&!&' )14)'%(2!1#!&-"&entes privados (empresas, 4- '- %+7!"5&'!""-%"&)13)/)3$%(2!1#!&4-1")3! %3%"S&!<! 4!2&'-3! & sobre outras pessoas ou sobre a coletividade, possuindo inclusive grande poderio para causar danos individuais, difusos e coletivos, que se manifestam sob a forma de violências à saúde pública, ao bem-estar 4-(!#)/-5&%-&2!)-&%2F)!1#!&!&2!"2-&V"&4I%2%3%"&P2)1- )%"Q5&!1#!1-didas como agrupamentos coletivos em torno de características bem 3!G1)3%"&'% %&%&$1)/! "%()3%3!&3%&4-2$1)3%3!&-13!&!"#,-&)1"! )3%"& X %+%5&!#1)%5&- )!1#%+,-&"!<$%(5&'-(M#)4%&!& !()>)-"%5&>d1! -&!#49S9

T""%&4-1"#%#%+,-&(%1+-$&'- &#! %&%&/!(I%&/)",-&()F! %(&3!&$2%& 4-1# %'-")+,-&")2'()"#%&!1# !&"-4)!3%3!&4)/)(&!&T"#%3-5& !/!(%13-&8$!& 1,-&"-2!1#!&1%"& !(%+7!"&verticais (Estado/sociedade civil/cidadãos), 2%"&#%2FO2&!&' )14)'%(2!1#!&1%"& !(%+7!"&horizontais (em que o Estado '! 2%1!4!&3!&.- %[ !(%+7!"&4)3%3,-"[4)3%3,-"&-$&'-3! !"&!4-1g2)-cos/cidadãos), o poder se exerce e efetiva de maneira assimétrica, não existindo igualdade material possível numa sociedade marcada pela 3!")>$%(3%3!9&:%2$!(&=)1I!) -&A$)2% ,!"&O&' !4)"-&!2&"$%&-F"! /%+,-5& quando assevera que:

W&4-1# %'-")+,-&!1# !&-&T"#%3-&0&2%$5&%$#- &!&.-1#!&3%"&/)-(%+7!"&0&!& a sociedade civil – boa, generosa e inocente – ignora que a lei e o Esta-3-& !J!#!2&%&4-14!1# %+,-&3!&'-3! &!&%& !.- +%25&%&4-14!1# %+,-&3!& '-3! &!&%"&/)-(%+7!"&8$!&!(%&1!4!""% )%2!1#!&' -/-4%&- )>)1%2@"!&1%& própria sociedade civil.20

L!""!&'%""-5&$2%&/!*&4-1"-()3%3%&%&)3!)%@.- +%&3!&8$!&-&T"-#%3-& !& "$%"& 2R(#)'(%"& 2%1).!"#%+7!"& .$14)-1%)"& X%32)1)"# %#)/%"5& (!>)"(%#)/%"&!&6$3)4%1#!"S&"!&/)14$(% )%2&!"# )#%2!1#!&V& !%()*%+,-&3-"&

(9)

T2&F$"4%&3-&'% %M"-&3)"#%1#!U&!2&#- 1-&3!&%(>$1"&-F"#;4$(-"&V&!.!#)/%+,-&3-"&3) !)#-"&.$13%2!1#%)"&

direitos fundamentais21 (o que, por enquanto, parece ser um discurso

)3!-(?>)4-&3!&X !S.$13%2!1#%+,-&3-&'-3! &!"#%#%(S5&"$ >!&!&' -().!-ra o pensamento de que também os poderes privados deveriam se /)14$(% &V&!.!#)/%+,-&3-"&3) !)#-"&.$13%2!1#%)"5&-&8$!&(!/% )%&%&$2%& sociedade funcionalizada& '- & /%(- !"& 4-1"#)#$4)-1%(2!1#!& 3!G1)3-"& pela comunidade política nacional.

A principal crítica a essa visão surgida a partir do Direito Cons-titucional Alemão é decorrente de setores liberais extremistas que negam qualquer legitimidade ao Estado para interferir na autonomia da

vontade e na livre iniciativa5&4-2-&.- 2%"&3!&.$14)-1%2!1#-&P1- 2%(Q& da sociedade moderna. Eis que qualquer admissão em contrário viria a lesar irremediavelmente, para eles, o próprio cerne do direito geral à liberdade. Na sociedade civil, os homens seriam livres para se au-todeterminar, mediante acordo de vontades (contratoS5&!&%&/)14$(%+,-& ' O/)%&3!&"!$"&4-2'- #%2!1#-"&%&/%(- !"&'-(M#)4%2!1#!&3!G1)3-"&"! )%& ilegítima e abusiva.

O argumento é ideologicamente comprometido e não parece 4-1"#)#$) &!1# %/!&V&!.!#)/%+,-&3-"&3) !)#-"&.$13%2!1#%)"&1%"& !(%+7!"& ' )/%3%"5&4-2-&6;&-&3!2-1"# -$&W(!<K&8$%13-&%G 2-$&1,-&"! &3).M4)(& !.$#% &-&% >$2!1#-&3!&8$!&-"&!.!)#-"&3) !#-"&3%&) %3)%+,-&3-"&3) !)-#-"&.$13%2!1#%)"&1%"& !(%+7!"&' )/%3%"&3)2)1$) )%2&-$&%1$(% )%2&%& %$#-1-2)%&' )/%3%5&!)"&8$!&!(%&' ?' )%&O&$2&-F6!#-&3!&' -#!+,-&'!(-"& direitos fundamentais.22&W();"5&W(!<K&4I!>%&%&4 )#)4% &4-2-&$2%&P^999_&

3!G4)d14)%& 3%& 3)"4$"",-& %4! 4%& 3-"& !.!)#-"& '! %1#!& #! 4!) -"& 8$!& %& 8$!"#,-&3%& !"# )+,-&V&%$#-1-2)%&' )/%3%&#!1I%&-4$'%3-&-&' )2!) -& '(%1-&!&8$!&"$%&' -#!+,-&1,-&#!1I%&")3-&# %#%3%&4-2-&$2%&8$!"#,-& 3!&)>$%(&)2'- #\14)%Q923

O grave problema parece residir na própria estrutura jurídico--administrativa do Estado brasileiro que parece não estar preparada institucionalmente para efetivar direitos fundamentais a partir de si mesma (a partir do próprio Estado), muito menos para fazer valer 3) !)#-"&.$13%2!1#%)"&1%"& !(%+7!"&I- )*-1#%)"5&-$&"!6%5&!1# !&-"&'% #)-4$(% !"9&L%&/! 3%3!5&2!"2-&8$%13-&"!&.%(%&!2&!.!#)/%+,-&3!&3) !)#-"& .$13%2!1#%)"&!2& !(%+7!"&I- )*-1#%)"5&1,-&"!&' !"4)13!&3!&4!

#%&ver-ticalidade5&!)"&8$!&%&'! >$1#%&P^999_&%&8$!2&4%F! )%&>% %1#) &%&!.!#)/%+,-&

(10)

MATHEUS FELIPE DE CASTRO JANAÍNA RECKZIEGEL

uma única e idêntica resposta num Estado constitucionalizado e, 2%)"&!"'!4)G4%2!1#!5&1%&' ?' )%&6$ )"3)+,-&4-1"#)#$4)-1%(9&E-2-&6;& !""%(#%3-&()1I%"&%4)2%5&#-3%&%&%32)1)"# %+,-&'RF()4%&F %")(!) %&!&-& direito administrativo nacional têm servido para o modelo liberal de ' -#!+,-&3-"&3) !)#-"&)13)/)3$%)"&!2&.%4!&3-&T"#%3-5&2%"&1,-&'% %&%& )2'(!2!1#%+,-&3!&' )14M')-"&!&'-(M#)4%"&4-1"%> %3-"&1%&E-1"#)#$)+,-924

O Estado brasileiro, como já mencionado, ainda é apontado internacionalmente como grande violador de direitos humanos. As três esferas funcionais do Estado nacional (embora tenham ocorrido %/%1+-"&4-1")3! ;/!)"S&%)13%&'-""$!2&> %13!&3)G4$(3%3!&!2&"$'! % & uma visão pouco democrática da vida em sociedade, em que o povo seja efetivamente (e não somente nos dizeres constitucionais) o pro-prietário do poder. Nesse passo, os direitos fundamentais previstos na Carta constitucional de 1988 não foram capazes, pela sua própria .- +%&1- 2%#)/%5&3!&4-1"#)#$4)-1%()*% &-&' ?' )-&T"#%3-5&8$!&' !4)"%& ele mesmo ser constituído como Estado de direitos fundamentais.

Para citar alguns exemplos, o processo judicial, instrumento de !.!#)/%+,-&3%&.$1+,-&6$ )"3)4)-1%(&3-&T"#%3-5&%)13%&1,-&4-1"!>$)$&"!& libertar de suas raízes autoritárias. O processo penal, de inquestionável 2%# )*&)18$)")#)/%5&#!2&"!&2-"# %3-&I)"#- )4%2!1#!&"!(!#)/-5&%(4%1+%1-3-&%'!1%"&%"&4%2%3%"&2% >)1%()*%3%"&3%&"-4)!3%3!&!&P)2$1)*%13-Q& o poderio econômico e político de suas malhas. O processo civil, por seu turno, vem cada vez mais rejeitando o que possui de bom (a sua matriz acusatória), tendendo cada vez mais a aceitar pressupostos de )18$)")#- )%()"2-5&G4%13-&' !"-&V&/!(I%&/)",-&3-&' -4!""-&4-2-&P)1"# $-2!1#-Q&3-&T"#%3-&'% %&P3) )2) &4-1J)#-"&3!&)1#! !""!"Q5&P'%4)G4%13-&%& "-4)!3%3!Q5&-&8$!&'-""$)&)18$!"#)-1;/!(&4-1#!R3-&'-(M#)4-@)3!-(?>)4-9

:!&-&T"#%3-&F %")(!) -&!&2%)"&!"'!4)G4%2!1#!&-&"!$&=-3! &i$-diciário pretendem fazer garantir os direitos fundamentais também 1%"& !(%+7!"&' )/%3%"5&3)"#!1")-1%13-&%&%"")2!# )%&3!&'-3! &!<)"#!1#!& na sociedade civil, primeiro precisarão adaptar o seu aparelho a res-peitar os direitos fundamentais que vêm historicamente violando e, em segundo, construindo um processo judicial que supere as práticas tradicionais acima apontadas, tendendo a se tornar um instrumento de

-".-(,2+9$/3"%&"#%&+(,+2"#%:4.&$7,.2$+# em todas as esferas do próprio

(11)

T2&F$"4%&3-&'% %M"-&3)"#%1#!U&!2&#- 1-&3!&%(>$1"&-F"#;4$(-"&V&!.!#)/%+,-&3-"&3) !)#-"&.$13%2!1#%)"&

Sem que haja uma reengenharia do aparelho do Estado e de seu - 3!1%2!1#-&6$ M3)4-5&#!13!1#!&%&4-1"#)#$) &$2%&%32)1)"# %+,-&'RF()4%& democrática e fundada verdadeiramente na soberania popular, o dis-curso dos direitos fundamentais não passará de um mero disdis-curso e, ')- 5&$2&3)"4$ "-&3!&(!>)#)2%+,-&3!&$2&%'% !(I-&3!&'-3! &3!4 O')#-&!2& "$%&!""d14)%9&T&!""%"&> %13!"&# %1".- 2%+7!"&3!/!2&'% #) &3-&' ?' )-& Estado, ou seja, a partir da esfera do político, para irradiar-se sobre o 3-2M1)-&3-&!4-1g2)4-9&:!2&8$!&%"& !(%+7!"&/! #)4%)"&T"#%3-[4)3%3,-& "!6%2&!.!#)/%2!1#!&4-1"#)#$4)-1%()*%3%"5&3)G4)(2!1#!&I%/! ;&) %3)%+,-& 3!&3) !)#-"&.$13%2!1#%)"&1%"& !(%+7!"&I- )*-1#%)"&!1# !&'% #)4$(% !"9

DIREITOS FUNDAMENTAIS E ORDENAMENTO

JURÍDICO

a$# -&> %13!&-F"#;4$(-&V& !%()*%+,-&3-"&3) !)#-"&.$13%2!1#%)"&O& a forma como se estrutura o ordenamento jurídico e a forma dogmática com que os operadores do direito abordam o seu objeto de estudo. Apesar do seu potencial de +.#2(47,.2"%&,%2($.#:"(7$/3" social (eis que "!&/)/!&"-F&%&O>)3!&3!&$2%&4-1"#)#$)+,-&%2'(%2!1#!&3!2-4 ;#)4%S5&-"& operadores do direito insistem em manejá-lo como mero reprodutor de

uma ordem social vigente, mantendo e reproduzindo velhos preconceitos !&.- 2%"&3!&3-2)1%+,-&8$!&1,-&"!&4-%3$1%2&4-2-&$2%&/! 3%3!) %& democracia popular.

O direito possui caráter eminentemente dialético, podendo, con-.- 2!& -& 4%"-5& "! /) & 4-2-& )1"# $2!1#-& 3!& ()2)#%+,-& 3-& '-3! 5& 2%"& #%2FO2&4-2-&)1"# $2!1#-&3!& !%()*%+,-&3-&'-3! 5&4-2-&")1#!#)*%/%& L- F! #-&]-FF)-&%-&%G 2% &8$!&P^999_&-&-F6!#)/-&3!&#-3-&(!>)"(%3- &1,-& O&- >%1)*% &%&.- +%5&2%"&- >%1)*% &%&"-4)!3%3!&2!3)%1#!&%&.- +%Q525 %*,-&'!(%&8$%(&P^999_&-&B) !)#-5&4-2-&!(!&O5&O&!<' !"",-&3-"&2%)"&.- #!"5& 1,-&3-"&2%)"&6$"#-"Q926 Tanto melhor que os mais fortes sejam também os mais justos!

L-&!1#%1#-5&4-2-&1,-&"!&'-3!&4-1#% &4-2&%&")2'(!"&PF-13%3!Q& dos homens, eis que o sistema jurídico não pode se fundamentar em 2! %"&'-")+7!"&"$F6!#)/%"&-$&' !.! d14)%"&3-"&"$6!)#-"&8$!&)1#! /d2& 1%& %32)1)"# %+,-& 'RF()4%& !2& >! %(& !& 6$ )3)4)-1%(& !2& '% #)4$(% 9& a& ordenamento jurídico precisa, em primeiro plano, traduzir de forma

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MATHEUS FELIPE DE CASTRO JANAÍNA RECKZIEGEL

objetiva um conjunto estruturado de normas que garantam efeti-/%2!1#!& %& !%()*%+,-& 3-"& 3) !)#-"& .$13%2!1#%)"5& '! 2)#)13-& 8$!& %& partir deles os sujeitos acima referidos possam construir uma '()*+# 4-1"#)#$4)-1%(2!1#!&%3!8$%3%&V& !%()*%+,-&3-"&' !""$'-"#-"&3!&$2%& democracia verdadeira. Isso, evidentemente, demanda uma profunda 2$3%1+%&3!&2!1#%()3%3!&'- &'% #!&3-"&-'! %3- !"&3-&3) !)#-5&-&8$!& não é tarefa fácil de ser realizada. Eis que, como constatava Warat, P^999_&%&4$(#$ %&!"#%#)*%3%&' -3$*&)13)/M3$-"&1- 2%()*%3-"5&% #)4$(%3-"& uns aos outros conforme sistemas hierárquicos, sistemas de valores e ")"#!2%"&3!&"$F2)"",-&3)"")2$(%3-"Q927

Ora, o positivismo jurídico, ainda hegemônico nas Universida-des de Direito e no foro judicial aborda os textos normativos como

pontos de chegada, quando eles são apenas pontos de partida num regime constitucionalizado, constituindo um ordenamento jurídico aberto à '-13! %+,-&3!&' )14M')-"9&H %#%13-@-"&3%&' )2!) %&.- 2%5&%4%F%2-"& F$"4%13-&3!"!"'! %3%2!1#!&-&"!$&")>1)G4%3-&)1# M1"!4-5&4-2-&"!&-"& textos normativos possuíssem uma verdade intrínseca que poderia ser descoberta pela atividade intelectual do jurista e, quando isso não é !%()*%35&G4% )%&!/)3!14)%3%&$2%&)14%'%4)3%3!&)1#!(!4#$%(&3!&P)1#! -' !#% &4- !#%2!1#!&%&1- 2%Q&-'- &-'% #!&3-&"$6!)#-&3-&4-1I!4)2!1#-9

Ao contrário, como pontos de partida, os textos normativos pas-sam a ser entendidos como programas abertos para o mundo, ou seja, como programas que devem ser desenvolvidos pela atividade prática 3-"&I-2!1"5&3%13-&- )>!2&V"&1- 2%"&4-14 !#%"&X"!1#!1+%"5&3!4)"7!"& !2&4%"-"&'% #)4$(% !"S5&8$!&3!/!2&' -3$*) &"-($+7!"&3!&' -F(!2%"& que garantam a efetividade dos direitos fundamentais.

Com isso não se está a pregar o subjetivismo absoluto daqueles que negam sentido objetivo às normas, delegando o sentido somente %-"&' -4!""-"&)1#! ' !#%#)/-"5&4-2-&8$! )%&L)!#*"4I!5&8$%13-&%G 2%/%& 8$!&1,-&!<)"#)%2&.%#-"5&2%"&"-2!1#!&)1#! ' !#%+7!"&"-F !&%& !%()3%3!9& Interpretar não é conferir qualquer sentido à norma, mas construir o "!$&"!1#)3-&PI)4&!#&1$14Q&4-1.- 2!&%"&%"') %+7!"&3-"&3) !)#-"&.$13%-2!1#%)"&!<' !""-"&1%&4-1"#)#$)+,-&!&%"&1!4!"")3%3!"&3%&4-1"-()3%+,-& democrática do momento histórico, partindo-se de algo objetivamente colocado. É absolutamente importante que o ordenamento jurídico tenha concretude objetiva. Aqui, como bem lembra Alaor Caffé Alves,

(13)

T2&F$"4%&3-&'% %M"-&3)"#%1#!U&!2&#- 1-&3!&%(>$1"&-F"#;4$(-"&V&!.!#)/%+,-&3-"&3) !)#-"&.$13%2!1#%)"&

O&8$!&%3!1# %&%&/% );/!(&!"'!4MG4%&3-&'-3! &'% %&%&3!#! 2)1%+,-&3-& 4-1#!R3-&3-&4-2%13-&1- 2%#)/-5&G<%13-@(I!&-"&4-1#- 1-"&)2'-")#)-/-"5&>% %1#)13-&"!>$ %1+%5&4! #!*%5&4%(4$(%F)()3%3!&!&' !/)")F)()3%3!& 1%"& !(%+7!"&"-F&"$%&#$#!(%928

a %5&"!&-"&#!<#-"&1- 2%#)/-"&",-&'-1#-"&3!&'% #)3%5&%&3!G1)+,-& 3-&"!$&")>1)G4%3-5&1%&' ;<)"5&"!&-'! % ;&#%2FO2&'- &2!)-&3!&$2%& 3)"'$#%&3!&/)"7!"&3!&2$13-5&3!&'-")+7!"&'-(M#)4%"&!&3!&)3!-(->)%"9&a$& seja, o direito vai se concretizar em meio a uma luta política que se -'! %&#%2FO2&1%&#!- )%&)1#! ' !#%#)/%9&a&#!<#-&1- 2%#)/-&O&$2&!"'%+-& 3!&($#%5&$2&!"'%+-&%F! #-5&!2F- %&#!1I%&")3-&' !/)%2!1#!&4-(-4%3-& por aqueles que detêm o poder de estabelecê-lo, sujeitos que nem "!2' !&4- !"'-13!2&V8$!(!"&4$6%&E-1"#)#$)+,-&3!4(% %&%&#)#$(% )3%3!& do poder soberano.

W&4-1"#)#$4)-1%()*%+,-&3-&- 3!1%2!1#-&6$ M3)4-&X%G 2%+,-&8$!& seria logicamente absurda perante a moderna ciência do direito, mas que não o é empiricamente quando observadas as sociedades concre-tas) passa por superar velhas barreiras e cristalizados preconceitos em torno de visões de mundo que não são meramente interpretativas, 2%"&8$!&",-&)1#! ' !#%+7!"&/)14$(%3%"&%&$2&4-2' -2)""-&X%)13%&8$!& inconsciente) que, em última instância, se vincula aos interesses das classes dominantes, ou seja, visões e práticas que reproduzem e man-#d2&-&P!"#%F()"I2!1#Q9

Somente assim se poderá aspirar àquilo que se vem chamando 3!&!.!)#-"&) %3)%3- !"&3-"&3) !)#-"&.$13%2!1#%)"&1%"& !(%+7!"&"-4)%)"5& por intermédio do ordenamento jurídico positivo, sejam elas marca-das pela verticalidade (Estado/cidadão), seja pela horizontalidade X4)3%3,-[4)3%3,-&-$&4)3%3,-['-3! !"&' )/%3-"S5&) %3)%+,-&!""%&8$!5& 1$2& !>)2!&3!&/! 3%3!) %&3!2-4 %4)%&'-'$(% &!&/)14$(%+,-&!"# )#%& 3-"&(!>)"(%3- !"&V&/-1#%3!&"-F! %1%5&3!/! )%&")>1)G4% &) %3)%+,-&3-& ' ?' )-&)3!%(&3!&6$"#)+%29 a todo o ordenamento jurídico e dele para toda a sociedade realmente existente.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

W& !%()3%3!&O&$1)#; )%5&"M1#!"!&3!&2R(#)'(%"&3!#! 2)1%+7!"&4-1-4 !#% )1%+7!"&4-1-4;9&:! )%&$2&! -&%G 2% &8$!5&!2&3) !)#-5&I%/! )%&$2%&3$%()3%3!&

(14)

MATHEUS FELIPE DE CASTRO JANAÍNA RECKZIEGEL

!1# !&#!- )%&!&' ;#)4%9&W-&4-1# ; )-5&#!- )%&!&' ;#)4%&",-&2%1).!"#%+7!"& 3-&2!"2-&' -4!""-&3!&3!"3-F %2!1#-&3-& !%(&1-&#!2'-[!"'%+-9&L-& !1#%1#-5&!<)"#!&$2%&4(% %&(%4$1%&!1# !&%&' -> %2%+,-&-G4)%(&3-&3) !)-#-&!&%&"$%&!.!#)/%+,-&' ;#)4%5&-&8$!&1-"&4-(-4%&%&'! >$1#%&)14g2-3%& se a '("6($7$/3"%" -+$!%&"%&+(,+2" não passaria de um discurso sobre a

'("6($7$/3"%(,$!%&"%&+(,+2", ou seja, um metadiscurso, com evidentes

conteúdos ideológicos.

Ora, acreditamos que é nessa lacuna que se deve buscar compre-ender o funcionamento real do direito. A lacuna é o momento eminen-temente negativo, ou seja, o momento que abre o caminho à síntese do real. Síntese do real que não aparece ao observador de forma imediata, mas que precisa também ela ser decifrada: 2"&$%-+;.-+$%#,(+$%#4'<(=4$%

se a essência e a aparência das coisas coincidissem imediatamente (MARX). Nesse sentido é que a democracia não é uma coisa, mas um

proces-so&!2&4-1"#%1#!&3!/) 5&-$&"!6%5&$2%& !(%+,-&"-4)%(&8$!&"!&/%)&4-1"# $)13-&

1-&#!2'-[!"'%+-&!&8$!&1,-&'-3!&"! &4-1.$13)3%&4-2&$2&3)"4$ "-&

sobre a democracia que, longe de efetivá-la, parece sempre postergá-@(%&'% %&3!'-)"9&W&)3!)%@.- +%&3-"&3) !)#-"&.$13%2!1#%)"5&"$ >)3%&4-2& %"& !/-($+7!"& 8$!5& $2%& %& $2%5& .- %2& 4-1"-()3%13-& %& 4)/)()*%+,-& F$ >$!"%5&#!2&"-. )3-&> %13!"&# %1".- 2%+7!"&3!"3!&-&%3/!1#-&3%"& > %13!"&3!4(% %+7!"&3!&3) !)#-"5&4-2-&%&. %14!"%&!&%&1- #!@%2! )4%1%9& Agora parece ter adentrado aos cenários constitucionais como forma de fundamentar um regime baseado verdadeiramente na dignidade da pessoa humana.

No entanto, embora o discurso dos direitos fundamentais tenha %/%1+%3-&"-F !2%1!) %&1-&] %")(5&%)13%&!<)"#!2&3!.%"%>!1"&I)"#? )4%"5& políticas, jurídicas e sociológicas que devem ser superadas para a re-%()*%+,-&3!""!"&3) !)#-"9&a&T"#%3-&F %")(!) -&O& !4- 3)"#%&)1#! 1%4)-1%(& 3!&/)-(%+7!"&%&3) !)#-"&.$13%2!1#%)"5&1,-&"!13-&6$"#-&)2%>)1% &8$!& 3!""%&.- 2%&'-""%&"!&)1"# $2!1#%()*% &'% %&%&!.!#)/%+,-&3!""!"&/%(--res. Por outro lado, parece menos justo ainda imaginar que direitos .$13%2!1#%)"&'-""%2&"!& !%()*% &"!2&%&)1#! /!1+,-&%#)/%&3%&!".! %&3-& '-(M#)4-&1%"& !(%+7!"&"-4)%)"5&-&8$!&4-(-4%&-&3!"%G-&3%&4-1"# $+,-&3!& um Estado de direitos fundamentais apto a comandar esse processo 3!&> %13!"&# %1".- 2%+7!"9

(15)

T2&F$"4%&3-&'% %M"-&3)"#%1#!U&!2&#- 1-&3!&%(>$1"&-F"#;4$(-"&V&!.!#)/%+,-&3-"&3) !)#-"&.$13%2!1#%)"&

=- #%1#-5&$2&T"#%3-&4-1"#)#$4)-1%()*%3-&!&$2%&6$ )"3)+,-&4-1"-#)#$4)-1%(& ' !3)"'-"#%& V& !%()*%+,-& !.!#)/%& 3-"& 3) !)#-"& .$13%2!1#%)"& '-3!2&6->% &'%'!(&3!4)")/-5&4-(%F- %13-&'% %&%&4-1"-()3%+,-&3!&$2%& democracia possível, cuja caminhada obteve uma grande vitória em 1988, mas que apenas engatinha na história de um povo que aspira a uma 1%+,-&()/ !5&6$"#%&!&"-()3; )%5&3!"!1/-(/)3%&!& !>)-1%(2!1#!&I% 2g1)4%5& 1%&8$%(&"!&! %3)8$!2&%&2)"O )%&!&%&2% >)1%()*%+,-5&%F )13-&4%2)1I-& '% %&%&'(!1%& !%()*%+,-&3-"&'-#!14)%)"&3!&4%3%&$2&3!&"!$"&2!2F -"9

NOTAS

1 BONAVIDES, Paulo. Curso de direito constitucional. 9. ed. São Paulo: Malheiros, 1999. p. 517.

2 BONAVIDES, Paulo. Do Estado liberal ao Estado social. 7. ed. São Paulo: Malheiros, 2004. p. 167.

3 BERCOVICI, Gilberto. Constituição econômica e desenvolvimento: uma leitura a partir 3%&E-1"#)#$)+,-&3!&jkll9&:,-&=%$(-U&b%(I!) -"5&mnno9&'9&pp9

q& WYTrs5&t-F! #9&Teoria dos direitos fundamentais. São Paulo: Malheiros, 2008. p. 196. 5 Ibidem, p. 201.

6 FURTADO, Celso. A pré-revolução brasileira. Rio de Janeiro: Fundo de Cultura, 1962. p. 78. 7 BERCOVICI, op. cit., p. 11.

8 AGUIAR, Roberto A.R. de. Direito, poder e opressão. 3. ed. São Paulo: Alfa-Ômega, 1990. p. 153-157.

k& ]tW:NY5&E-1"#)#$)+,-&3%&t!'RF()4%&D!3! %#)/%&3-&] %")(5&3!&jkll5&% #9&ju5&'% ;> %.-&R1)4-U& “Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou direta-2!1#!5&1-"&#! 2-"&3!"#%&E-1"#)#$)+,-Q9

10 POULANTZAS, Nicos. Fascismo e ditadura. São Paulo: Martins Fontes, 1978. p. 344. jj& vWAtT]TY:ws5&A$"#%/-9&El derecho dúctil: ley, de rechos, justicia. 4. ed. Madrid: Trotta,

2002. p. 13 e HÄBERLE, Peter. Pluralismo y constitución: estudios de teo ría constitucional de la sociedad abierta. Madrid: Tecnos, 2002. p. 103.

jm& bxYYTt5&D )!3 )4I9&H!- )%&2-3! 1%&!&)1#! ' !#%+,-&3-"&3) !)#-"&.$13%2!1#%)"5&!"'!4)%(-mente com base na teoria estruturante do direito. Anuário Iberoamericano de Justicia Constitucional, La Rioja, n. 7, p. 315-327, 2003. p. 324.

jy& zNEHatNLa5&D;F)-&t-3 )>-9&T/-($+,-&3%&#!- )%&3-"&3) !)#-"&.$13%2!1#%)"9&Revista CEJ, Brasília, n. 39, p. 10-21, out./dez. 2007. p. 11-12.

14 Somente perante a Corte Interamericana de Direitos Humanos, o Brasil já foi condenado nos casos Damião Ximenes, Sétimo Garibaldi, Guerrilha do Araguaia, extensão da lei de anistia aos torturadores do Regime Militar (decisão do STF) etc. Esses casos representam $2%&M1G2%&%2-"# %&3%&/)-(%+,-&3!&3) !)#-"&.$13%2!1#%)"&1-&] %")(5&8$!&4I!>% %2&%&"! & conhecidos porque julgados pelo organismo internacional.

15 KHAN, Mahvish Rukhsana. Diário de Guantánamo: os detentos e as histórias que eles 2!&4-1#% %29&:,-&=%$(-U&Y% -$""!&3-&] %")(5&mnnl5&'9&jp9&=% %&%&.$13%2!1#%+,-&3!&$2& Direito Penal do Inimigo, cf. JACOBS, Günter; MELIÁ, Manuel Cancio. Direito penal do inimigoU&1-+7!"&!&4 M#)4%"9&q9&!39&=- #-&W(!> !U&Y)/ % )%&3-&W3/->%3-5&mnnk9&=% %&%&4 M#)4%& 3!""%&4-1"# $+,-&#!? )4%5&4.9&vWDDWtaLN5&T$>d1)-&t%R(9&O inimigo no direito penal. 2. ed. Rio de Janeiro: Revan, 2007.

16 ZIZEK, Slavoj. A visão em paralaxe. São Paulo: Boitempo, 2008. p. 18.

17 ANDRADE, Vera Regina Pereira de. Dogmática jurídica: !"4- +-&3!&"$%&4-1G>$ %+,-&!& identidade. 2. ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2003. p. 85.

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MATHEUS FELIPE DE CASTRO JANAÍNA RECKZIEGEL

19 COMPARATO, Fábio Konder. !"#$%"&'(!)*+,-$*."!/(+!/*$0*,(+!123/"%03,"*+. 3. ed. São Paulo: Saravia, 2004. p. 142.

20 GUIMARÃES, Samuel Pinheiro. 40+"#(+!5$"+*60*$(+!3"!0$"!/(+!7*7"3,0+. Rio de Janeiro: Contraponto, 2005. p. 108.

21 SARLET, Ingo Wolfgan. !0#.8.*"!/(+!/*$0*,(+!123/"%03,"*+. 6. ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2010, p. 381 e ss.

mm& WYTrs5&-'9&4)#95&'9&oqn9 my& WYTrs5&-'9&4)#95&(-49&4)#9 24 BERCOVICI, op. cit. p. 77.

25 BOBBIO, Norberto. Teoria do ordenamento jurídico. 6. ed. Brasília: Editora Universidade de Brasília, 1995. p. 70.

26 BOBBIO, op. cit, p. 67.

27 WARAT, Luis Alberto. O monastério dos sábios: o sentido comum teórico dos juristas. In: ______. Introdução geral ao direito II: a epistemologia jurídica da modernidade. Porto Alegre: Sergio Antonio Fabris Editor, 2002. p. 62.

28 ALVES, Alaôr Caffé. Dialética e direito: linguagem, sentido e realidade: fundamentos a $2%&#!- )%&4 M#)4%&3%&)1#! ' !#%+,-&3-&3) !)#-9&]% $! )5&:=U&b%1-(!5&mnjn9&'9&jom9

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Referências

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