TÍTULO: LEVANTAMENTO DO USO CONCOMITANTE DE PLANTAS MEDICINAIS E MEDICAMENTOS ALOPÁTICOS NO MUNICÍPIO DE POÇOS DE CALDAS-MG
TÍTULO:
CATEGORIA: CONCLUÍDO CATEGORIA:
ÁREA: CIÊNCIAS BIOLÓGICAS E SAÚDE ÁREA:
SUBÁREA: FARMÁCIA SUBÁREA:
INSTITUIÇÃO: FACULDADE PITÁGORAS DE POÇOS DE CALDAS INSTITUIÇÃO:
AUTOR(ES): FABIANO LOPES ANDRADE, VIVIANE CÁSSIA DO COUTO AUTOR(ES):
ORIENTADOR(ES): YULA DE LIMA MEROLA ORIENTADOR(ES):
RESUMO
Este trabalho teve como objetivo realizar levantamento das plantas medicinais utilizadas pela população de Poços de Caldas-MG, a fim de levantar o conhecimento popular sobre as plantas e suas interações com outros medicamentos. A metodologia usada foi de entrevistas semiestruturadas, onde foram colhidas informações sobre o perfil da população, quanto ao sexo e a aceitação do uso das plantas medicinais para fins de tratamento de doenças ou mal estar, a perspectiva quanto a sua eficácia e os efeitos indesejados observados no uso concomitante com outros medicamentos. De acordo com a pesquisa 35% dos entrevistados já fizeram uso de alguma planta medicinal com outros medicamentos e 8% relataram efeitos indesejáveis. Com esses resultados, observa-se que é necessário a orientação do uso correto das plantas medicinais, evitando possíveis interações medicamentosas.
Palavras-chave: Plantas medicinais. Uso terapêutico. Fitoterápicos. Farmácia. Interações.
INTRODUÇÃO
Desde os tempos imemoriáveis, os homens buscam na natureza recursos para melhorar suas condições de vida, aumentando suas chances de sobrevivência. O emprego de plantas medicinais na recuperação tem evoluído ao longo dos tempos desde as formas mais simples de tratamento local, provavelmente utilizada pelo homem das cavernas, até as formas tecnologicamente sofisticadas da fabricação industrial utilizadas pelo homem moderno (Lorenzi et al., 2002).
A cultura popular na utilização de plantas medicinais, trazida através dos tempos, corrobora no uso indiscriminado de plantas medicinais dentro do contexto da automedicação que é entendida como a utilização de medicamentos sem prescrição, orientação e/ou o acompanhamento do médico (Nicoletti et.al, 2007).
De acordo com OMS (Organização Mundial da Saúde), plantas medicinais são todas aquelas silvestres ou cultivadas, utilizadas como recurso para prevenir, aliviar, curar ou modificar um processo fisiológico normal ou patológico, ou utilizado como fonte de fármacos e de seus precursores, enquanto fitoterápicos são produtos medicinais acabados e etiquetados, cujos componentes ativos são formados por partes aéreas ou subterrâneas de plantas, ou outro material vegetal, ou
combinações destes, em estado bruto ou em formas de preparações vegetais (OMS, 2000; Rates, 2001).
O uso de plantas medicinais é equivocadamente entendido, pela população de uma maneira geral, como o emprego de fitoterapia. As plantas medicinais são capazes de aliviar ou curar enfermidades e têm tradição de uso como medicamento em uma população ou comunidade. Entretanto, para usá-las é imprescindível o conhecimento do processo de coleta, estabilização e secagem, podendo ser íntegra, rasurada, triturada ou pulverizada e como prepará-la. (Nicoletti et al, 2007)
A falsa concepção de que “medicamento natural, se não fizer bem, mal não faz” contribui com a estatística de que no Brasil, segundo o Sistema de Informações Tóxico-Farmacológicas (SINITOX), os medicamentos ocupam o primeiro lugar entre os agentes causadores de intoxicações em seres humanos e o segundo lugar nos registros de mortes por intoxicação, embora, não sejam encontrados dados es-pecíficos relacionados exclusivamente à ingestão de plantas medicinais. Existem várias causas responsáveis pelo desencadeamento de intoxicações com plantas medicinais como, por exemplo, falta de conhecimento a respeito de condições de cultivo, associada à correta identificação farmacobotânica da planta, informações insuficientes sobre reações adversas, esquema posológico, período de tempo a ser empregado, entre outras e, em especial, as interações medicamentosas decorrentes (Sinitox, 2012).
A interação medicamentosa pode ser definida como sendo a resposta farmacológica ou clínica da co-exposição do medicamento convencional com outra substância que acaba modificando a resposta do paciente a este medicamento. (Kuhlmann, Muck, 2001).
Inúmeras interações medicamentosas podem ocorrer em caso de uso de produtos de origem vegetal concomitantemente com outros medicamentos, o que pode levar a sérios danos ao usuário com o comprometimento da recuperação da saúde. A divulgação destes dados poderá contribuir enormemente para informar aos profissionais da saúde que, como propagadores de conhecimento, poderão orientar a população quanto ao uso correto, bem como, as possíveis consequências das interações estabelecidas (Nicoletti et.al, 2010).
OBJETIVOS
Avaliar o uso de plantas medicinais e suas interações com medicamentos alopáticos na população de Poços de Caldas-MG.
METODOLOGIA
A presente pesquisa foi desenvolvida no município de Poços de Caldas, localizada na região do sul de Minas Gerais, com população de 152.435 habitantes, com uma área territorial de 547,260 Km² de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE, 2010).
Trata-se de uma pesquisa exploratória de abordagem qualitativa e quantitativa, sendo a técnica utilizada a aplicação de entrevista semiestruturada individual com 613 pessoas. A coleta de dados foi efetuada no mês de Janeiro e Fevereiro de 2014, onde foram aplicados questionários elaborados e procurou-se estabelecer um esquema padrão de abordagem aos entrevistados.
Os questionários foram aplicados no centro do município de Poços de Caldas, em frente ao posto de saúde, prefeitura, praça central, lojas e mercados, onde foram entrevistadas 613 pessoas. Nos locais referidos, podem ser encontradas pessoas de todos os bairros do município e de diferentes classes sociais.
Para os questionários foram elaboradas questões que pudessem fornecer dados para o diagnóstico do perfil dos consumidores de plantas medicinais do município. O estudo foi focado no levantamento etnobotânico, abordando sexo, idade, os métodos de utilização de plantas medicinais, seus usos e indicações terapêuticas, periocidade, origem do conhecimento e suas associações com outros medicamentos convencionais.
A amostragem da população entrevistada, e consequentemente o número de questionários a serem aplicados, foi realizado de acordo com o cálculo para amostra aleatória simples proposta por Santos (2009), considerando um erro amostral de 4% e um nível de confiança de 95%, foi obtido um (n) satisfatório de 598 pessoas. Como critério de exclusão os menores de 19 anos que correspondem a 2,44% (15).
A tabulação dos dados ocorreu por meio do programa Microsoft Office Excel 2010, com representação gráfica dos resultados.
A inclusão das participantes no projeto obedeceu aos aspectos legais e éticos no desenvolvimento da pesquisa, de acordo com as Diretrizes e Normas da Resolução nº 196/96 do Conselho Nacional de Saúde do Ministério da Saúde (CNS/MS). O projeto foi aprovado pelo Comitê de Ética e Pesquisa com Seres Humanos (CEPSH) avaliados pela instituição responsável pelos locais onde a pesquisa foi desenvolvida.
RESULTADOS
Dos entrevistados 78% (466) já usaram ou fazem uso de alguma planta medicinal, 22% (131) não usam nenhum tipo de planta medicinal como tratamento, porém 80% (478) consideram o uso de plantas medicinais eficazes e 20% (120) não acreditam na eficácia das plantas, conforme tabela abaixo.
TOTAL DE ENTREVISTADOS 598 100
JÁ USARAM OU FAZEM USO DE ALGUMA PLANTA MEDICINAL. 478 78
CONSIDERAM O USO DE PLANTAS MEDICINAIS EFICAZ. 492 80
NÃO ACREDITAM NA EFICÁCIA DAS PLANTAS. 120 20 Tabela 1. % dos entrevistados que fazem uso ou não de plantas medicinais.
Figura 1. % do uso de plantas medicinais com medicamentos alopáticos.
Figura 2. % de efeitos indesejáveis quanto ao uso de plantas medicinais.
O quadro abaixo mostra os efeitos relatados pelos entrevistados que utilizaram plantas medicinais junto com outros medicamentos.
Faz uso de medicamentos
com plantas medicinais ; 209; 35%
Não faz uso de medicamentos com plantas medicinais; 389; 65% Não sentiu efeito indesejado (adverso); 209; 92% Sentiu algun efeito indesejado (adverso) ; 17; 8%
PLANTAS REAÇÕES RELATADAS
Alecrim taquicardia
Alfavaca agitação, mal estar
Alho dor de estomago
Amoreira arritmia
Arnica náusea, dor de cabeça
Boldo dor de cabeça, mal estar, vômito Buchinha do norte irritação cheiro forte
Camomila agitação, queda pressão Canela diarreia, dor de estomago,
Carqueja queda de pressão
Erva cidreira diurese, tontura, enxaqueca Erva doce diarreia, hipotensão
Gengibre dor de estomago, hipertensão, queimação Hortelã aumenta pressão, insônia
Mate Insônia
Melissa diarreia, taquicardia
Mil homens Intestino solto
Pau tenente Hipoglicemia
Quebra pedra dor abdominal
Senne Diarreia
Tabela 2. Relação de plantas citadas pelos entrevistados e suas reações.
CONCLUSÃO
Durante o estudo verificou-se que grande parte da população estudada faz uso de plantas medicinais como um método terapêutico e acreditam na sua eficácia, porém o seu uso é indicado de acordo com conhecimento empírico, no entanto, há uma percentagem relevante (35%) que utilizam essas plantas juntamente com outros medicamentos alopáticos, sem ter o conhecimento de que elas podem influenciar no metabolismo destes, causando efeitos sinérgicos e/ou antagônicos, ocasionando danos ao organismo.
Sendo assim, é necessário que profissionais da saúde reconheçam essas interações, a fim de alertar e conscientizar a população quanto ao uso correto das plantas medicinais, evitando que efeitos indesejáveis aconteçam.
FONTES CONSULTADAS
IBGEdisponívelem:http://cidades.ibge.gov.br/xtras/perfil.php?codmun=315180 Acesso em: 10 de março de 2014.
Lorenzi HF & Matos FJA (2002) Plantas Medicinais do Brasil, nativas e exóticas. 1 ed. São Paulo: Plantarum.
SANTOS, Glauber Eduardo de Oliveira. Cálculo amostral: calculadora on-line. Disponível em: <http://www.calculoamostral.vai.la>. Acesso em: 15 de março. 2014.
Rates, SMK, 2001. Promoção do uso racional de fitoterápicos: Uma abordagem no ensino de Farmacognosia. Revista Brasileira Farmacognosia 11: 57-69. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/rbfar/v11n2/a01v11n2
OMS/Organização Mundial da Saude. Pautas generales para las metodologias de investigación de la medicina tradicional, Ginebra, 2000. Disponível em: www.who.it. Acessado em: 26/08/2014.
Nicoletti MA, Junior MAO, Bertasso CC, Caprossi PY – Principais Interações no Uso de Fitoterápicos – Revista Infarma, vol. 19, nº 1∕2, pág. 32, 2007
Disponível em: http://www.saudedireta.com.br/docsupload/1339893751infa09pdf.
BRASIL. Ministério da Saúde. Sistema Nacional de Informações Tóxico Farmacológicas. Registro de intoxicações, dados nacionais. Disponível em http://www.fiocruz.br/sinitox_novo/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?sid=379. Acessado em: 26/08/2014
BRASIL. Ministério da Saúde. Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) nº 14 de 31 de marco de 2010. Dispõe sobre o registro de medicamentos fitoterápicos. Brasília: ANVISA, DOU, 2010.
Nicoletti MA, Carvalho KC, Oliveira Jr MA, Bertasso CC, Caporossi PY, Tavares APL- Uso popular de medicamentos contendo drogas de origem vegetal e/ou plantas medicinais: principais interações decorrentes - Revista Saúde – UNG 4
(1) 2010, pág.26 Disponível em:
http://revistas.ung.br/index.php/saude/article/download/371/625
Kuhlmann J, Muck W. Clinical-pharmacological strategies to assess drug interaction potential during drug development. Drug Saf 2001; 24:715-25