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Código de processo civil de 1973 versus Projeto de Lei n° 166/2010: alterações em sede de recursos interpostos no juízo a quo

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DANIEL DE MELO RADIN

CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 1973 VERSUS PROJETO DE LEI Nº 166/2010: ALTERAÇÕES EM SEDE DE

RECURSOS INTERPOSTOS NO JUÍZO A QUO

IJUÍ (RS) 2012

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DANIEL DE MELO RADIN

CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 1973 VERSUS PROJETO DE LEI Nº 166/2010: ALTERAÇÕES EM SEDE DE

RECURSOS INTERPOSTOS NO JUÍZO A QUO

Monografia final do Curso de Graduação em Direito objetivando a aprovação no componente curricular Monografia.

UNIJUÍ – Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul.

DEJ – Departamento de Estudos Jurídicos.

Orientador (a): MSc. Joaquim Henrique Gatto

IJUÍ (RS) 2012

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Dedico este trabalho a minha família que sempre esteve ao meu lado nos momentos mais difíceis da graduação. Principalmente aos meus pais que não mediram esforços ao decorrer de todos estes anos para que pudesse me formar. Por fim, agradeço a todos que de uma forma ou outra me auxiliaram e ampararam-me durante toda a minha caminhada acadêmica.

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AGRADECIMENTOS

A Deus, acima de tudo, pela vida, sabedoria, saúde, força e coragem.

A meu orientador MSc. Joaquim Henrique Gatto pela sua dedicação e disponibilidade.

A todos que colaboraram de uma maneira ou outra durante a trajetória de construção deste trabalho, meu muito obrigado!

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“A justiça atrasada não é justiça; senão injustiça qualificada e manifesta.”

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RESUMO

O presente trabalho de pesquisa monográfica faz uma breve explanação dos motivos do Código de Processo Civil de 1973, as mudanças que ocorreram no mesmo até os dias de hoje e apresenta o panorama atual do processo civil brasileiro. Traz os motivos e os objetivos da Comissão elaboradora do anteprojeto para o Novo Código de Processo Civil brasileiro (nº 166/2010). Aponta as mudanças trazidas pelo Projeto do Novo Código de Processo Civil em sede dos recursos interpostos no Juízo a quo. Discute brevemente as referidas mudanças e tenta apontar quais serão suas possíveis consequências – negativas ou positivas – no sistema processual brasileiro.

Palavras-Chave: Projeto. Novo Código de Processo Civil. Recursos. Alterações. Consequências.

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ABSTRACT

El presente trabajo de investigación monográfica hace una breve explicación de las razones del Código de Procedimiento Civil de 1973, así como los cambios que se produjeron en la misma, hasta el día de hoy. Los intentos de localizar el panorama actual del procedimiento civil brasileño. Reúne las razones y los objetivos de la Comisión elaboradora de ante-proyecto del nuevo Código de Procedimiento Civil brasileño (nº. 166/2010). Se señalan los cambios introducidos por el proyecto del nuevo Código de Procedimiento Civil no. 166/2010, en sed de apelaciones en la sentencia un statu quo. Brevemente se describen estos cambios y trata de señalar cuáles son sus posibles consecuencias-positivas o negativas - en el ordenamiento jurídico brasileño.

Palabras clave: Proyecto. Nuevo Código de Procedimiento Civil. Recursos. Cambios. Consecuencias.

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SUMÁRIO

INTRODUÇÃO...09/10 1 O SISTEMA RECURSAL A PARTIR DE 1973...11 1.1 Codificações processuais do século XX ... ...11/13 1.2 A Proposta inicial do Código de 1973 ... ...13/18 1.3 Reformas recursais sofridas pelo CPC/73 e o panorama atual...18/22 2 A PROPOSTA DE ELABORAÇÃO DE UM NOVO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL (PROJETO DE LEI Nº 166/2010) ... ...22 2.1 As diretrizes adotadas para a elaboração do Projeto de Lei nº 166/2010...22/25 2.2 Mudanças gerais no sistema recursal presentes no Projeto de Lei nº 166/2010...25/26 2.2.1 Legitimidade recursal...27 2.2.2 Desistência do recurso...27/28 2.2.3 Renúncia ao direito de recorrer...28 2.2.4 Contagem dos prazos recursais...28/29 2.2.5 Interrupção dos prazos recursais...29 2.2.6 Preparo e deserção...29/30 2.2.7 Recurso interposto por um dos litisconsortes...30 2.2.8 Honorários de sucumbência em grau recursal...30/32 2.3- Mudanças em cada um dos recursos interpostos no juízo a quo trazidas pelo Projeto de Lei nº 166/2010...32 2.3.1 Agravo retido...32/33 2.3.2 Agravo de instrumento...34/37 2.3.3 Embargos de declaração... 37/38 2.3.4 Apelação...39/41 2.3.5 Recurso adesivo...41/42 2.3.6 Reexame necessário...42/44 CONCLUSÃO ... ...45/46 REFERÊNCIAS ... ...47/48

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INTRODUÇÃO

Considerando-se o tema “Celeridade Processual”, tem-se que o grande número de recursos e as diversas possibilidades de interposições dos mesmos, estabelecidos no Código de Processo Civil vigente, podem ser considerados como a principal razão da morosidade processual na atualidade, uma vez que as partes acabam utilizando-se de tais recursos para, quando perdedoras, protelar o feito por um longo período de tempo.

Assim, o Projeto de um novo Código de Processo Civil (Projeto de Lei Nº 166/2010), o qual foi proposto no ano de 2010, restando aprovado pelo Senado Federal e, atualmente está na Câmara dos Deputados para possíveis emendas e posterior votação, traz diversas alterações no sistema recursal, a fim de dar mais celeridade ao processo e uma resposta mais rápida e eficaz aos jurisdicionados.

Neste sentido, objetiva o presente trabalho fazer uma comparação do Código de Processo Civil vigente, com as mudanças trazidas pelo Projeto do Novo Código de Processo Civil (Projeto de Lei Nº 166/2010), no sistema recursal, mais especificamente nos recursos interpostos no juízo a quo, bem como trazendo uma perspectiva de quais serão as possíveis consequências das referidas mudanças.

A pesquisa está desenvolvida em dois capítulos, sendo que no primeiro capítulo, denominado “O SISTEMA RECURSAL A PARTIR DE 1973”, será feito uma breve exposição das codificações processuais do século XX, trará a proposta inicial do CPC de 1973, bem como ressaltará as reformas recursais sofridas pelo CPC/73 e o panorama atual do sistema recursal.

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O segundo e último capítulo, denominado “A PROPOSTA DE ELABORAÇÃO DE UM NOVO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL (PROJETO DE LEI Nº 166/2010)”, trará as diretrizes adotadas para a elaboração do Projeto do NCPC, tratará especificamente das mudanças ocorridas no sistema recursal de forma geral, bem como das mudanças trazidas em cada um dos recursos.

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1 O SISTEMA RECURSAL A PARTIR DE 1973

1.1 Codificações processuais do século XX

Em 1850, logo após a elaboração do código comercial, o Brasil editou o Regulamento nº 737, o primeiro Código Processual nacional, que se destinava, porém, a regular o processamento das causas comerciais.

Posteriormente, já na era republicana, o regulamento nº 737 foi estendido também aos efeitos civis, por força do Regulamento nº 763, de 1890.

Embora as opiniões da época divergissem sobre o valor jurídico do Regulamento nº 737, temos que reconhecer que, em sua própria perspectiva histórica, ele foi um marco admirável de evolução no direito processual brasileiro, especialmente no que tange à economia e simplicidade do procedimento, uma vez que tornou pública a inquirição, suprimiu as exceções incidentes, limitando-as à incompetência, suspeição, ilegitimidade da parte, litispendência e coisa julgada, permitiu ao juiz, em matéria de prova, conhecer do fato demonstrado, sem embargo da ausência de referência das partes, etc.

Posteriormente, a Constituição de 1934 instituiu o processo unitário, atribuindo à União a competência para legislar a respeito do direito processual (art. 5º, XIX).

Em meados da década de 30, a comunidade jurídica percebeu que a unificação das Leis do direito Processual civil brasileiro era uma necessidade de ordem política e jurídica. Com tal intuito, o Governo elaborou uma comissão para elaborar o Código Nacional de Processo Civil, que, entretanto, não conseguiu ultimar seu trabalho, em razão de divergências insuperáveis entre seus membros.

Um dos membros da referida comissão, Pedro Batista Martins, elaborou o projeto, que foi aprovado pelo Ministro Francisco Campos e transformado em Lei pelo Governo (Decreto-Lei nº 1.608, de 1939) entrando em vigor a partir de 1º de março de 1940.

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Com a sua aplicação, notou-se que o CPC/ 1939 tinha diversos problemas. Era um Código sem sistema e sem coerência e, apesar das inovações eficazes e elogiáveis que trazia, os seus preceitos eram arcaicos e dificilmente poderiam adequar-se às normas inovadoras contidas no seu bojo, pois ao contrário do que afirmado por muitos doutrinadores, não era um código de processo oral, mas de processo escrito, com os defeitos a ele inerentes e continuava a ser dividido em fases, sob o domínio do princípio da eventualidade.

No que tange ao sistema recursal, apesar de ter melhorado, em relação ao sistema anterior, a tratativa dos recursos, o CPC/1939, em geral, era obscuro e sem muito rigor técnico, dificuldades essas que deveriam ser superadas pela doutrina e pela jurisprudência.

Sobre o assunto esclarecem Gregório Assagra de Almeida e Luiz Manoel Gomes Junior (2010, p. 52.):

Haviam também sérios problemas no CPC de 1939 no plano recursal, os quais dificultavam, em muito, a escolha do recurso correto, de forma que a aplicabilidade da fungibilidade recursal era comum nos tribunais. Para se ter uma ideia do problema, observa-se que sob o rótulo comum do agravo de petição estavam, reunidos 05 (cinco) recursos, com condições de admissibilidade diversas. Assim, era cabível agravo de petição: 1) para impugnar decisão que punha termo ao processo, sem resolução de mérito (art. 846 do CPC/1939); 2) para impugnar decisão terminativa da instância e da prolatada a respeito do pedido das partes (decreto-lei nº 960 de 1939, art. 45); 3) para impugnar decisões de mérito proferida em ações de acidente de trabalho e de alimentos (Lei nº 5.316/1967, art. 14); 4) para impugnar decisões nos casos indicados expressamente pela Lei de Falência (Decreto-lei nº 7.661/1945); 5) para impugnar decisões que concedia ou que negava o mandado de segurança (Lei nº 1.533/1951, art. 12)

Ao formular críticas ao CPC/1939 e ao sistema recursal vigente na época, Alfredo Buzaid afirmou, no item 27, da exposição dos motivos do CPC de 1973 que: “O legislador brasileiro não abraçou, porém, nenhum critério. Divorciado de qualquer preocupação científica ou sistemática, preferiu, em cada lei, as soluções puramente empíricas”.

Portanto, pode-se observar que a metódica do CPC de 1939 era meramente pragmática, ainda influenciada pelo sincretismo e, portanto, desprovida do necessário embasamento técnico e científico que, na época, já estava muito bem desenvolvido em países da Europa, como a Alemanha e Itália.

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Assim, percebendo os doutrinadores que o CPC/1939 não atendia as demandas para as quais foi criado e, a fim de pôr o sistema processual civil brasileiro em consonância com o progresso científico dos tempos atuais, sentiram a necessidade de elaborar um novo Código de Processo Civil.

1.2 A Proposta inicial do Código de 1973

Portanto, foi com a finalidade de pôr o sistema processual civil brasileiro em consonância com o progresso científico dos tempos atuais que foi elaborado o anteprojeto do Código de Processo Civil de 1973.

O anteprojeto do Código de Processo Civil de 1973 foi elaborado pelo processualista Alfredo Buzaid, tendo passado por rigorosa revisão por parte de uma comissão nomeada pelo então Ministro da justiça, composta pelos processualistas José Frederico Marques, Luiz Machado Guimarães, Luis Antônio de Andrade e José Carlos Barbosa Moreira que também colaborou com a comissão.

Após as revisões e da exposição dos motivos do próprio Alfredo Buzaid, então Ministro da Justiça, o projeto foi enviado ao Congresso Nacional e aprovado com a inclusão de emendas, convertendo-se na Lei 5.869, de 11 de janeiro de 1973, com a publicação no Diário Oficial aos 17 de janeiro de 1973, sendo que passou a vigorar no dia 1º de janeiro de 1974.

Foram fontes de inspiração do CPC/73: a ordenança de Processo Civil Alemã (ZPO) de 1877; o Códice di procedura Civile dello Stato della Città del Vaticano; o Código de Processo Civil Italiano; e o Código de Processo Civil português.

Várias inovações e melhoramentos foram trazidos pelo CPC de 1973, neste sentido esclarecem Gregório Assagra de Almeida e Luiz Manoel Gomes Junior (2010, p. 53.)

Em relação ao CPC/39, que não tinha uma boa técnica, o CPC/73 é muito mais avançado, seja no plano da técnica legislativa, seja no plano da forma de sua sistematização, com especial destaque para o livro III, referente ao processo cautelar, e para o disciplinado em título próprio dos procedimentos de jurisdição voluntária. Esse avanço do CPC/73 em relação ao CPC/39 deu-se em razão do CPC/73 ter recebido toda a influência do procedimentalismo científico; na ocasião da elaboração do CPC/73, a visão científica do direito processual já

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estava muito bem difundida no Brasil, o que ocorreu por força predominante da vinda e permanência no País, na década de 40 do século passado, do grande processualista italiano Enrico Tullio Liebman. Liebmann teve Alfredo Buzaid com um de seus grandes discípulos no Brasil, criando em São Paulo a Escola Paulista de Direito Processual e que depois veio a se tornar em uma Escola Brasileira de Direito Processual.

Duas características são marcantes no CPC/73. A primeira é o rigor técnico científico, referenciado, principalmente no processo cautelar, reconhecido pela doutrina estrangeira. A segunda é a visão liberal individualista que impregnou sua elaboração. O CPC/73 é um código de resolução de conflitos interindividuais e, por isso, não é adequado para a resolução de conflitos massificados.

Neste sentido explica Nelson Nery Junior (2009, p.156):

Isto porque os institutos ortodoxos do Processo Civil não podem ser aplicados aos direitos transindividuais, porquanto o processo civil foi idealizado como ciência em meados do século passado, notavelmente influenciado pelos princípios liberais do individualismo que caracterizaram as grandes codificações do século XIX. Ao pensar, por exemplo, em legitimação para a causa como instituto ligado ao direito material individual a ser discutido em juízo, não se pode ter esse mesmo enfoque quando se fala em direitos difusos, cujo titular do direito individual é indeterminável.

Outro obstáculo do Código de Processo Civil de 1973 é que ele foi elaborado com base em uma concepção dirigida predominantemente pelo método técnico-jurídico, constituindo-se em um sistema mais fechado, introspectivo. Em razão desta visão fechada, que orientou a concepção do CPC/73, é que esse diploma vem sofrendo constantes alterações para atender as necessidades inerentes ao acesso à justiça, tendo como objetivo a rapidez da prestação jurisdicional, exigências constitucionais (art. 5º XXXV e LXXVIII, da Constituição federal/88).

Sobre o assunto esclarecem Gregório Assagra de Almeida e Luiz Manoel Gomes Junior (2010, p. 66.):

Nos tempos atuais o método de estudo, reforma e aplicação do direito processual, na visão do acesso à justiça, é o pluralista, que é aberto e composto por vários elementos, tais como o ético, histórico, o político, o social, jurídico e o sistemático. É fundamental que esses elementos tenham como fio de condução a teoria dos direitos e garantias constitucionais fundamentais.

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No Tocante ao sistema recursal, o Código de Processo Civil de 1973 expos seus motivos da seguinte forma (CPC/73, 2007, p.397/399):

Não poderíamos encerrar esta Exposição de Motivos sem uma análise aprofundada do sistema de recursos, a fim de justificar a inovação preconizada pelo projeto. O direito brasileiro se ressente, entre outros, de dois defeitos fundamentais: a) sob o aspecto terminológico, o emprego de uma expressão única para designar institutos diferentes; b) sob o aspecto sistemático, uma quantidade excessiva de meios de impugnar as decisões. O rigor da ciência jurídica depende substancialmente da pureza da linguagem não devendo designar com um nome comum institutos diversos, nem institutos iguais com nomes diferentes. O direito brasileiro, ao nomear os recursos, não observou essa exigência da técnica jurídica. Sob o nome comum de agravo de petição, reúne cinco recursos, cujas condições de admissibilidade são essencialmente diversas. Assim é que cabe: a) da decisão que põe termo ao processo, sem entrar no julgamento do mérito (Código de Processo Civil, art. 846); b) da decisão terminativa da instância e da sentença proferida sobre o pedido das partes (Dec.-lei nº 960, de 17 de novembro de 1938, art. 45); c) da decisão de mérito proferida em ações de acidente de trabalho e de alimentos (Lei nº 5.316, de 14 de novembro de 1967, art. 15, § 2º, e Lei nº 5.478, de 25 de julho de 1968, art. 14); d) nos casos expressamente indicados na Lei de Falências (Dec.-lei nº 7.661, de 21 de junho de 1945, arts. 18, § 3º; 19; 69, § 4º; 77, § 4º; 79, § 2º; 97; 137, § 4º, e 155, § 3º); e e) da decisão que nega ou concede mandado de segurança (Lei nº 1.533, de 31 de dezembro de 1951, art. 12). 27. Admitindo agravo de petição, quer de decisão terminativa, quer de decisão definitiva, quer de outras providências jurisdicionais de índole diversa, o legislador brasileiro abandonou a ideia de uniformidade. Ora, o sistema de recursos deve fundar-se, antes de mais nada, em um critério, qualquer que seja, contanto que seja um critério. O legislador poderá reduzir a uma denominação única todos os recursos, chamando-os simplesmente apelação, ou atendendo à natureza do provimento jurisdicional, conceder a apelação de sentença definitiva de mérito e agravo das demais decisões. O legislador brasileiro não abraçou, porém, nenhum critério. Divorciado de qualquer preocupação científica ou sistemática, preferiu, em cada lei, as soluções puramente empíricas. 28. Sob o aspecto sistemático, o legislador mantém uma variedade considerável de recursos. Os autores nacionais não escondem a sua perplexidade diante de tamanha confusão legislativa e chegaram ao ponto de propor reformas substanciais, consideradas inadiáveis. E. D. Moniz de Aragão, animado do propósito de colaborar na tarefa de revisão legislativa, apresenta, num substancioso estudo, as linhas fundamentais de uma nova sistemática de recursos. Era indispensável apontar essa ausência de unidade, especialmente porque várias leis extravagantes serão atingidas pela reforma do Código, devendo submeter-se às normas que regem o novo sistema de recursos. Não se justificava que, tratando-se de ações, gozassem de um tratamento especial, com recursos próprios, diferentes daqueles aplicados às ações em geral. Na tarefa de uniformizar a teoria geral dos recursos, foi preciso não só refundi-los, atendendo a razões práticas, mas até suprimir alguns, cuja manutenção não mais se explica à luz da ciência. O projeto aboliu os agravos de petição e no auto do processo. 29. Duas razões principais nos levaram a eliminar o agravo de petição. A primeira é que deixou de ser um recurso próprio e específico, passando a recurso de conteúdo genérico e variável. Basta esta única circunstância para se ver que ele não deve subsistir no sistema geral, pelo menos com a função que atualmente exerce. Carecendo de precisão terminológica e de individuação científica, aplica-se indiferentemente a uma pluralidade de decisões, constituindo por isso fonte de graves incertezas. A segunda razão é que o Código vigente admitiu apelação de sentença definitiva (art. 820) e agravo de petição, de decisão terminativa (art. 846). O elemento que aproxima e, ao mesmo tempo, exclui os dois recursos é o mérito da causa. Quando o juiz o decide, cabe apelação; quando põe termo ao processo sem decidi-lo, cabe agravo de petição.

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O critério é lógico, mas não prático. Definir o que seja o mérito é um dos problemas mais árduos da ciência do processo e tendo o Código adotado um critério distintivo entre esses dois recursos, de índole eminentemente conceitual, manteve dúvidas que não foram dissipadas ao longo de trinta anos de sua aplicação. Ainda não se tranquilizaram as opiniões, na doutrina e na jurisprudência, acerca do recurso hábil para impugnar as decisões que resolvem a questão de carência de ação, de legitimidade ad causam e de prescrição do direito”. 30. O projeto também aboliu o agravo no auto do processo. Uma das características do processo oral e concentrado é a irrecorribilidade em separado das decisões interlocutórias. Esse é o sistema adotado por algumas legislações. Assim, também, o entendimento da doutrina nacional. De todas as figuras de agravo que herdamos de Portugal, aquela cuja índole se amolda ao princípio da irrecorribilidade em separado das interlocutórias é o agravo no auto do processo. Coube ao eminente processualista Machado Guimarães, o mérito de haver sugerido a revivescência desse recurso, por entender que ele se harmonizava com o processo oral e concentrado. Foi provavelmente sob a influência dessas ideias que Moniz de Aragão conservou no projeto que escreveu, ao lado do agravo de instrumento, o agravo no auto do processo. Embora reconheçamos que esse recurso se ajuste aos princípios fundamentais que estruturam o Código, pareceu-nos melhor conceder, para os casos que ele especifica, o agravo de instrumento, que apresenta sobre o agravo no auto do processo algumas vantagens dignas de realce. Nenhuma dessas figuras de agravo suspende o andamento do processo principal. O agravo no auto do processo, ínsito no bojo dos autos, aguarda a ascensão da causa do Tribunal, onde será conhecido como preliminar, no julgamento da apelação (Código de Processo Civil, art. 877). Só então é que se separará o gravame. O agravo de instrumento, sem interromper a marcha do processo, assegura, todavia, a verificação da decisão impugnada antes que o juiz profira sentença definitiva. O Tribunal corrigirá os erros cometidos pelo juiz, em cada oportunidade, sem embaraçar o andamento da ação. 31. Convém, ainda, tecer alguns comentários sobre a nomenclatura do Código vigente. Os recursos de agravo de instrumento e no auto do processo (arts. 842 e 851) se fundam num critério meramente casuístico, que não exaure a totalidade dos casos que se apresentam na vida cotidiana dos tribunais. Daí a razão por que o dinamismo da vida judiciária teve de suprir as lacunas da ordem jurídica positiva, concedendo dois sucedâneos de recurso, a saber, a correição parcial e o mandado de segurança. A experiência demonstrou que esses dois remédios foram úteis corrigindo injustiças ou ilegalidades flagrantes, mas representavam uma grave deformação no sistema, pelo uso de expedientes estranhos ao quadro de recursos. É certo que, para obviar aos inconvenientes da interposição errônea de um recurso por outro, o Código vigente admite o seu conhecimento pela instância superior e ordena a remessa à câmara ou turma, desde que não esteja viciado por má-fé ou erro grosseiro (art. 810). O Código consagrou, nesse preceito legal, a teoria do “recurso indiferente” (Sowohls-auch-Theorie), como ensinam os autores alemães. Esta solução não serviu, porém, para melhorar o sistema, porque a frequência com que os recursos, erroneamente interpostos, não são conhecidos pelo Tribunal evidenciou que a aplicação do art. 810 tem valor limitadíssimo. 32. Por outro lado, o enunciado de algumas disposições gerais (Livro VII, Título I) denota imprecisão e ambiguidade justamente nos pontos em que a lei deveria ser exata e explícita. Haja vista, por exemplo, o art. 814, assim no que concerne à parte, como ao Ministério Público e ainda o art. 815, ao conceder recurso ao terceiro prejudicado. O pressuposto do recurso é o estado de sucumbimento, cuja medida é dada pela existência de um prejuízo. Ora, esta ideia não aparece claramente no referido título, que sempre fala de parte, sem aludir, uma vez sequer, à circunstância de ser “vencida”. O réu pode sofrer prejuízo, ainda quando o juiz lhe dá ganho de causa. É o que ocorre, quando o magistrado declara o autor carecedor da ação, ao invés de julgar improcedente a ação. Mas não é só. Prescreve o Código que compete ao órgão do Ministério Público o direito de recorrer “quando expresso em lei” (art. 814). O Ministério Público oficia, no processo civil, ora como parte, ora como fiscal da lei. A locução empregada pelo referido preceito, sem qualquer individuação, assim no

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Código como em Lei especial, deu lugar a fundas divergências, que era preciso afastar a bem da segurança dos negócios jurídicos e da missão atribuída ao Ministério Público. Em relação ao terceiro, o Código diz simplesmente que ele “poderá recorrer” (art. 815), deixando de mencionar os pressupostos de sua admissibilidade; a doutrina, diante de regra tão extensa, construiu duas soluções distintas: uma que permite o recurso como intervenção ad coadjuvandum e outra, ad infringendum. 33. Diversamente do Código vigente, o projeto simplifica o sistema de recursos. Concede apelação só de sentença; de todas as decisões interlocutórias, agravo de instrumento. Esta solução atende plenamente aos princípios fundamentais do Código, sem sacrificar o andamento da causa e sem retardar injustificavelmente a resolução de questões incidentes, muitas das quais são de importância decisiva para a apreciação do mérito. O critério que distingue os dois recursos é simples. Se o juiz põe termo ao processo, cabe apelação. Não importa indagar se decidiu ou não o mérito. A condição do recurso é que tenha havido julgamento final no processo. Cabe agravo de instrumento de toda a decisão, proferida no curso do processo, pela qual o juiz resolve questão incidente. 34. No sistema do projeto, o recurso extraordinário sobe por instrumento. Na verdade, partindo-se da ideia de que compete aos Tribunais estaduais e ao Tribunal Federal de Recursos o julgamento das causas em segundo grau de jurisdição, daí se segue que, perante a sua justiça, hão de exaurir-se os recursos ordinários conferidos pelo Código de Processo Civil. Ora, depois que a ação percorre os dois graus de jurisdição, é de se supor que a causa tenha sido amplamente apreciada, sob o duplo aspecto de fato e de direito; e, se apesar disso, a parte vencida ainda não se sente convencida e pretende interpor recurso extraordinário, é verdadeiramente paradoxal que o vencedor tenha de extrair carta de sentença, às suas expensas, para executar o julgado, só porque o recurso foi admitido pelo Presidente do Tribunal. Esta solução do direito vigente encerra uma inversão na ordem das coisas, impondo que o vencedor suporte ainda um ônus, depois de ter sido decretada a procedência do seu pedido. Mais lógico seria que o recurso extraordinário se processasse em separado, com a trasladação das peças por conta do recorrente.

Como referido anteriormente, o CPC/39 admitia o recurso de agravo de petição, quer em decisão terminativa, quer em decisão definitiva, quer em outras providências jurisdicionais de índole diversa, sendo que com tal permissão, o legislador brasileiro abandonou a ideia de uniformidade, o que gerava uma enorme confusão no sistema processual.

Com o intuito de simplificar e uniformizar o sistema recursal brasileiro, o CPC de 73 acabou abolindo os agravos de petição e nos autos do processo, concedendo o recurso de apelação só de sentença e, de todas as decisões interlocutórias, agravo de instrumento. Sendo que adotou um critério para distinguir os recursos, se o juiz põe termo ao processo, cabe apelação. Não importa indagar se decidiu ou não o mérito. A condição do recurso é que tenha havido julgamento final no processo. Cabe agravo de instrumento de toda a decisão, proferida no curso do processo, pela qual o juiz resolve questão incidente, sendo que este recurso não suspendia o andamento do processo.

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Com as referidas alterações, o legislador brasileiro achou ter chegado à solução dos problemas do sistema recursal, uma vez que tal alteração atendia plenamente aos princípios fundamentais do Código, sem sacrificar o andamento da causa e sem retardar injustificavelmente a resolução de questões incidentes.

Mas, como se verá a seguir, o legislador não conseguiu atingir por completo seu objetivo de solucionar todas as mazelas do sistema recursal brasileiro, sendo que no decorrer dos anos de vigência do presente código de Processo Civil, várias foram as alterações no nosso sistema processual.

1.3 Reformas recursais sofridas pelo CPC/73 e o panorama atual

Passados mais de trinta anos da entrada em vigor do atual Código de Processo Civil, operou-se natural modificação da sociedade, sendo que tal modificação repercutiu no sistema processual e acabou por determinar a obrigatoriedade do aprimoramento do modelo originário.

É sabido que a partir da Constituição Federal de 1988 e em decorrência do movimento mundial pelo acesso à justiça, foi implantado no Brasil um amplo e moderno programa de reformas do sistema processual civil, inclusive as que se efetivaram após a Emenda Constitucional n. 45, denominada “reforma do judiciário”, e que se implementou mediante a edição de inúmeras leis processuais esparsas.

Em decorrência do citado programa, tivemos grandes avanços em nosso sistema processual. Neste contexto foram criadas Leis de extrema importância, como a Lei 9.307/1996, denominada Lei da Arbitragem, a Lei 8.952/1994 que inseriu no Código de Processo Civil o artigo 273, o qual admitiu a antecipação dos efeitos da tutela jurisdicional final pretendida, a Lei 9.099/1995 que instituiu os juizados especiais estaduais, entre outras, que vieram a atender algumas demandas atuais de nossos jurisdicionados.

A Lei n. 8.950, de 13.12.94, objetivou compatibilizar os artigos 539 a 546 do Código de Processo Civil com as normas da Constituição em vigor, e com as disposições da Lei n. 8.038, de 28.05.90, que instituíra normas procedimentais sobre os processos que especifica perante o Superior Tribunal de Justiça e o Supremo Tribunal Federal. Sendo que

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os arts. 539 e 540 cederam espaço a preceitos de conteúdo inteiramente diverso. Assim ficaram os arts. 539 e 540: "Art. 539. Serão julgados em recurso ordinário: I - pelo Supremo Tribunal Federal, os mandados de segurança, os habeas datas e os mandados de injunção decididos em única instância pelos Tribunais Superiores, quando denegatória a decisão; II - Pelo Superior Tribunal de Justiça: a. os mandados de segurança decididos em única instância pelos Tribunais Regionais Federais ou pelos Tribunais dos Estados e do Distrito Federal e Territórios, quando denegatória a decisão; b. as causas em que forem partes, de um lado, Estado estrangeiro ou organismo internacional e, de outro, Município ou pessoa residente ou domiciliada no País. Parágrafo único. Nas causas referidas no inciso II, alínea b, caberá agravo das decisões interlocutórias". "Art. 540. Aos recursos mencionados no artigo anterior aplica -se, quanto aos requisitos de admissibilidade e ao procedimento no juízo de origem, o disposto nos Capítulos II e III deste Título, observando -se, no Supremo Tribunal Federal e no Superior Tribunal de Justiça, o disposto nos seus regimentos internos".

A Lei n. 8.950/94 revogou os arts. 464 e 465, e os parágrafos únicos dos arts. 514 e 531, todos do Código de Processo Civil, em virtude da nova sistemática adotada.

Já a Lei nº 9756/98 veio dispor sobre o processamento de recursos no âmbito dos tribunais, acrescentando o parágrafo único do art. 481 do Código de Processo Civil, com a seguinte redação: “Os órgãos fracionários dos tribunais não submeterão ao plenário, ou ao órgão especial, a arguição de inconstitucionalidade, quando já houver pronunciamento destes ou do plenário do Supremo Tribunal Federal sobre a questão."

Posteriormente, essas modificações procedimentais foram seguidas por outras, como a Lei 10.352/01 que incluiu no ordenamento jurídico a cláusula do stare decisis, sendo que tal cláusula ampliou os poderes do Juiz, podendo este decidir sobre o trancamento do processamento do recurso, quando o ato judicial estiver apoiado em súmula do tribunal superior ou na jurisprudência dominante do Supremo Tribunal Federal, conforme o Artigo 518. § 1º do CPC: “art. 518, §1º O juiz não receberá o recurso de apelação quando a sentença estiver em conformidade com súmula do Superior Tribunal de Justiça ou do Supremo Tribunal Federal”.

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Com tal modificação, o operador do direito, antes de interpor o referido recurso, passou a ter o ônus de observar o posicionamento sumulado dos tribunais superiores, especialmente o Supremo Tribunal Federal, sob pena de ter negado seguimento ao seu apelo. Tal dispositivo destacou-se com a Emenda Constitucional n.º 45 de 2004 que instituiu a súmula vinculante, sendo posteriormente regulamentada pela Lei 11.470/06, sendo que com a Lei 11.417/06 restou vinculada a admissibilidade do recurso extraordinário à repercussão geral, ficando viável o julgamento conjunto de recursos que abordam a mesma matéria, conforme o artigo 543-A, § 1º do CPC: “art. 543-A. O supremo Tribunal Federal, em decisão irrecorrível, não conhecerá de recurso extraordinário, quando a questão constitucional nele versada não oferecer repercussão geral, nos termos deste artigo. §1º: para efeito de repercussão geral, será considerada a existência, ou não, de questões relevantes do ponto de vista econômico, político, social ou jurídico, que ultrapassem os interesses subjetivos da causa”.

Portanto, o recorrente, de forma preliminar, deve indicar a existência da repercussão geral, e, que haverá repercussão geral sempre que o recurso impugnar decisão contrária à súmula ou jurisprudência dominante do tribunal (art. 543-A, §§ 1º e 2º).

Outra alteração no sistema recursal do CPC/73 foi em relação à interposição dos recursos de agravo retido e de instrumento.

Até 1995 todos os agravos de instrumento interpostos pelas partes eram processados em primeiro grau de jurisdição e, somente depois, remetidos ao segundo grau de jurisdição.

Porém, em 1995, com a Lei 9.139/95, o artigo 524 do CPC recebeu nova redação: “art.524. O agravo de instrumento será dirigido diretamente ao tribunal competente, através de petição com os seguintes requisitos”.

Com a nova redação que permite a interposição do agravo de instrumento diretamente no 2º grau de jurisdição, avalanches de agravos de instrumento passaram a ser recebidas pelos tribunais, sendo que com o considerável aumento na carga de trabalho, restou prejudicado o julgamento das apelações, contribuindo tal fato para a morosidade dos processos.

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Demonstradas, em breves linhas, as principais reformas que ao longo do tempo moldaram o originário Código Buzaid, importante referir que, mesmo em 2010, ano em que foi aprovado pelo Senado o Projeto para um Novo Código de Processo Civil, continuaram sendo feitas reformas no CPC/1973, sendo que a última grande modificação foi a desnecessidade da juntada de cópias autenticadas para a formação do Agravo de Instrumento manejado às instâncias superiores em razão da não admissibilidade de recurso especial e/ou extraordinário – Lei n° 12.322/2010. Tal alteração diz respeito à questão extremamente relevante na prática forense, qual seja, construção do denominado “Agravo nos autos do processo”.

Ocorre que, mesmo após todas essas mudanças, o defeito contemporâneo do nosso sistema processual consistente na sua “irrazoável duração do processo”, se manteve inalterado, restando clara a necessidade do aprofundamento no estudo das causas da tão destacada “morosidade da justiça” e, as consequentes mudanças a fim de tornar o processo mais efetivo.

Ademais é público e notório o fato de que o Poder Judiciário brasileiro encontra-se em crise há muitos anos, uma vez que o grande número de demandas propostas anualmente provoca uma má prestação jurisdicional. Se não bastasse, os litigantes de má-fé utilizam-se dos recursos para protelar ainda mais os processos. Por tais motivos, no decorrer dos anos, o legislador achou necessário modificar determinados dispositivos no CPC/73.

Assim, a proposta de um novo Código de Processo Civil (PLS nº 166/2010) mais célere, justo e menos complexo, vem a atender as demandas existentes, uma vez que a simplicidade do sistema, além de proporcionar-lhe coesão mais visível, permite ao julgador centrar sua atenção, de modo mais intenso, no mérito da causa.

Neste sentido, o ano de 2010 ficará marcado na comunidade jurídica brasileira, uma vez que trouxe consigo a tão esperada proposta de um novo código de Processo Civil, através da PLS nº 166.

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É unânime o entendimento de que a legislação processual brasileira está precisando de atualização, para que os jurisdicionados tenham melhor acesso à justiça e o processo deixe de ser tão moroso.

2 A PROPOSTA DE ELABORAÇÃO DE UM NOVO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL (PROJETO DE LEI Nº 166/2010)

2.1 As diretrizes adotadas para a elaboração do Projeto de Lei nº 166/2010

Constata-se que o clamor social é contra a morosidade da prestação jurisdicional que está concretizada no atual código de processo civil.

Assim, por meio da iniciativa do Senador José Sarney foi nomeada Comissão para elaboração do então anteprojeto, hoje projeto, de novo Código de Processo Civil brasileiro, estando na presidência dos trabalhos o Ministro Luiz Fux e, na seqüencia, os seguintes membros: Teresa Arruda Alvim Wambier para relatar, Adroaldo Furtado Fabrício, Benedito Cerezzo Pereira Filho, Bruno Dantas, Elpídio Donizetti Nunes, Humberto Theodoro Júnior, Jansen Fialho de Almeida, José Miguel Garcia Medina, José Roberto dos Santos Bedaque, Marcus Vinicius Furtado Coelho e Paulo Cesar Pinheiro Carneiro.

Registre-se que o referido projeto encontra-se na Câmara dos Deputados, uma vez que restou aprovado pelo substitutivo do Senado Federal, com as alterações do Relator Geral, Senador Valter Pereira.

A preocupação primeira da Comissão foi democratizar o anteprojeto, ouvindo a comunidade científica e laica, abrindo rumo à edificação de um código da nação brasileira, sendo que os seus destinatários, ao ver da Comissão, deveriam se manifestar, apontando o que pretendiam do processo conquanto instrumento de prestação soberana de justiça pelo Estado.

Com tal intuíto a Comissão operou em duas frentes distintas: criou uma página virtual para recebimento de sugestões, bem como realizou diversas audiências públicas em pontos estratégicos do território nacional, sem prejuízo das 200 (duzentas) sugestões recebidas da comunidade jurídica como um todo, aí compreendidos os vários segmentos judiciais da advocacia pública e privada e da comunidade científica através de seus

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institutos, como por exemplo, o Instituto Brasileiro de Direito Processual. Enfim, o Brasil falou e foi ouvido.

A Comissão elaboradora do Projeto de Novo Código de Processo Civil Brasileiro ergueu a bandeira da duração razoável do processo para ser o norte perseguido na condução dos trabalhos a fim de dar a garantia ao jurisdicionado de que, ingressando no Poder Judiciário, seu processo terá um tempo de tramitação no mínimo razoável.

Reconhecidamente a causa maior da demora processual decorre de um sistema de recursos obsoleto e propício a manobras protelatórias dos litigantes de má-fé.

É indispensável que o sistema processual leve em conta o princípio da razoável duração do processo. Afinal a ausência de celeridade, sob certo ângulo, é ausência de justiça. A simplificação do sistema recursal leva a um processo mais ágil e consequentemente mais justo.

O número de recursos previstos na legislação processual civil é objeto de reflexão e crítica, há muitos anos, na doutrina brasileira. Neste sentido, a proposta do novo código de processo civil traz entre outras providências a exclusão dos embargos infringentes, a limitação do campo de abrangência do agravo de instrumento para os casos de urgência (art. 929 da PLS 166/2010), sendo que a irresignação com as demais decisões interlocutórias deverão ser levantadas no recurso de apelação e a regra da não suspensão da eficácia da decisão com a interposição dos recursos, o que dará maior celeridade processual e a efetividade no cumprimento das decisões.

Neste sentido, Egas Moniz de Aragão (2006, p. 18), em emblemático trabalho sobre o tema, já indagou de forma contundente:

Há demasiados recursos no ordenamento jurídico brasileiro? Deve-se restringir seu cabimento? São eles responsáveis pela morosidade no funcionamento do Poder Judiciário?” Há três recursos que “atendem aos interesses da brevidade e certeza, interesses que devem ser ponderados – como na fórmula da composição dos medicamentos – para dar adequado remédio às necessidades do processo judicial”: a apelação, o agravo e o extraordinário, isto é, recurso especial e recurso extraordinário.

A corte Suprema Americana, além do poder de eleição das impugnações que vai julgar, ocupa-se anualmente de menos de uma centena (100) de recursos, ao passo que os Tribunais

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Superiores do Brasil têm no seu acervo 250.000 (duzentos e cinquenta mil) recursos para julgamento. (MARINONI, 2010, p.95).

Assim, resta claro que a exclusão e/ou a limitação do campo de abrangência de alguns recursos, muitas vezes meramente protelatórios, torna o processo mais célere e consequentemente mais eficaz, sendo que a prestação jurisdicional virá mais rápida às partes, atendendo verdadeiramente as suas mazelas.

Tal desafio revelou-se um tanto maior na medida em que a supressão de recursos ou a redução nas possibilidades de utilizá-los afeta diretamente em garantias constitucionais dirigidas ao legislador ordinário, como os princípios do contraditório e da ampla defesa, dentro outros.

Ainda assim, o projeto do novo código de processo civil demonstrou ser possível superar tais barreiras sem a mais tênue violação dessas cláusulas pétreas, uma vez que simplificou o sistema recursal, sem que significasse qualquer tipo de restrição ao direito de defesa.

Nesse sentido, pertinente citar um trecho da exposição de motivos do projeto do novo CPC pela Relatora, Professora Teresa Alvim Wambier:

Não há fórmulas mágicas. O Código vigente, de 1973, operou satisfatoriamente durante duas décadas. A partir dos anos noventa, entretanto, sucessivas reformas, a grande maioria delas lideradas pelos Ministros Athos Gusmão Carneiro e Sálvio de Figueiredo Teixeira, introduziram no Código revogado significativas alterações, com o objetivo de adaptar as normas processuais a mudanças na sociedade e ao funcionamento das instituições. A expressiva maioria dessas alterações, como, por exemplo, em 1.994, a inclusão no sistema do instituto da antecipação de tutela; em 1.995, a alteração do regime do agravo; e, mais recentemente, as leis que alteraram a execução, foram bem recebidas pela comunidade jurídica e geraram resultados positivos, no plano da operatividade do sistema. O enfraquecimento da coesão entre as normas processuais foi uma conseqüência natural do método consistente em se incluírem, aos poucos, alterações no CPC, comprometendo a sua forma sistemática. A complexidade resultante desse processo confunde-se, até certo ponto, com essa desorganização, comprometendo a celeridade e gerando questões evitáveis (= pontos que geram polêmica e atraem atenção dos magistrados) que subtraem indevidamente a atenção do operador do direito. Nessa dimensão, a preocupação em se preservar a forma sistemática das normas processuais, longe de ser meramente acadêmica, atende, sobretudo, a uma necessidade de caráter pragmático: obter-se um grau mais intenso de funcionalidade. Sem prejuízo da manutenção e do aperfeiçoamento dos institutos introduzidos no sistema pelas reformas ocorridas nos anos de 1.992 até hoje, criou-se um Código novo, que não significa, todavia, uma ruptura com o passado, mas um passo à frente. Assim, além de conservados

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os institutos cujos resultados foram positivos, incluíram-se no sistema outros tantos que visam a atribuir-lhe alto grau de eficiência. Há mudanças necessárias, porque reclamadas pela comunidade jurídica, e correspondentes a queixas recorrentes dos jurisdicionados e dos operadores do Direito, ouvidas em todo país. Na elaboração deste Anteprojeto de Código de Processo Civil, essa foi uma das linhas principais de trabalho: resolver problemas. Deixar de ver o processo como teoria descomprometida de sua natureza fundamental de método de resolução de conflitos, por meio do qual se realizam valores constitucionais.

Assim, e por isso, um dos métodos de trabalho da Comissão foi o de resolver problemas, sobre cuja existência há praticamente unanimidade na comunidade jurídica. Isso ocorreu, por exemplo, no que diz respeito à complexidade do sistema recursal existente na lei revogada. Se o sistema recursal, que havia no Código revogado em sua versão originária, era consideravelmente mais simples que o anterior, depois das sucessivas reformas pontuais que ocorreram, se tornou, inegavelmente, muito mais complexo. Não se deixou de lado, é claro, a necessidade de se construir um

Código coerente e harmônico interna corporis, mas não se cultivou a obsessão em elaborar uma obra magistral, estética e tecnicamente perfeita, em detrimento de sua funcionalidade. (DIDIER JR, 2011, p. 124, grifo nosso).

Sobre a influência do sistema recursal na qualidade do sistema jurisdicional ainda expõe nos motivos a Relatora:

A tendência à diminuição do número de recursos que devem ser apreciados pelos Tribunais de segundo grau e superiores é resultado inexorável da jurisprudência mais uniforme e estável. Proporcionar legislativamente melhores condições para operacionalizar formas de uniformização do entendimento dos Tribunais brasileiros acerca de teses jurídicas é concretizar, na vida da sociedade brasileira, o princípio constitucional da isonomia. Criaram-se figuras, no novo CPC,

para evitar a dispersão excessiva da jurisprudência. Com isso, haverá condições de se atenuar o assoberbamento de trabalho no Poder Judiciário, sem comprometer a qualidade da prestação jurisdicional. Dentre esses

instrumentos, está a complementação e o reforço da eficiência do regime de julgamento de recursos repetitivos, que agora abrange a possibilidade de suspensão do procedimento das demais ações, tanto no juízo de primeiro grau, quanto dos demais recursos extraordinários ou especiais, que estejam tramitando nos tribunais superiores, aguardando julgamento, desatreladamente dos afetados”. (DIDIER JR, 2011, p. 124, grifo nosso).

Assim, em busca desta tão sonhada efetividade/celeridade na prestação jurisdicional, a comissão elaborou várias mudanças no sistema recursal brasileiro, sendo que dentre as mais significativas podemos apontar a significativa redução das hipóteses de aplicação do recurso de agravo de instrumento, bem como a supressão do agravo retido, conforme passaremos a ver nos itens seguintes.

2.2 Mudanças gerais no sistema recursal presentes no Projeto de Lei nº 166/2010

O atual sistema recursal sofreu consideráveis alterações com o projeto do novo Código de Processo Civil, havendo mudanças quanto ao rol dos recursos.

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No Código vigente, o dispositivo concernente ao rol dos recursos encontra-se no Título X, livro I do CPC, a partir do art. 496, “in verbis”:

“Art. 496. São cabíveis os seguintes recursos: I - apelação;

II - agravo;

III - embargos infringentes; IV - embargos de declaração; V - recurso ordinário; VI - recurso especial; VII - recurso extraordinário;

VIII - embargos de divergência em recurso especial e em recurso extraordinário.”

Já no projeto do novo Código de Processo Civil, o sistema recursal vem descrito no livro IV, título II, no capítulo nomeado “disposições gerais”, a partir do art. 907, “in verbis”:

“Art. 907. São cabíveis os seguintes recursos: I – apelação;

II – agravo de instrumento; III – agravo interno;

IV – embargos de declaração; V – recurso ordinário; VI – recurso especial; VII – recurso extraordinário; VIII – embargos de divergência.”

Assim, como se pode facilmente observar, em relação aos recursos, houve algumas alterações com exclusão de alguns recursos e inclusão de outros, o que será tema de análise a seguir.

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2.2.1 Legitimidade recursal

No que tange a legitimidade recursal, o art. 909 do NCPC simplesmente repetiu o art. 499 do CPC, não trazendo nada de novo no que tange ao respectivo instituto. Estabelece o artigo 909 que: “O recurso pode ser interposto pela parte vencida, pelo terceiro prejudicado e pelo Ministério Público, seja como parte ou fiscal da lei”. Já em seu parágrafo único o mesmo artigo refere que: “Cumpre ao terceiro demonstrar a possibilidade de a decisão sobre a relação jurídica submetida à apreciação judicial atingir direito de que seja titular.”

2.2.2 Desistência do recurso

Quanto à desistência dos recursos, o NCPC em seu art. 911, caput repetiu o texto do art. 501 do CPC, referente à desistência recursal, estabelecendo que: “O recorrente poderá, a qualquer tempo, sem a anuência do recorrido ou dos litisconsortes, desistir do recurso.”

Cabe ressaltar que a única diferença está na inclusão de um parágrafo único no referido artigo, que foi criado para tratar especificamente da desistência dos recursos repetitivos. Refere o parágrafo único que: “No julgamento de recursos repetitivos, a questão ou as questões jurídicas objeto do recurso representativo de controvérsia de que se desistiu serão decididas pelo Superior Tribunal de Justiça ou pelo Supremo Tribunal Federal.”

Sobre o tema pode-se destacar a brilhante explanação de Luiz Guilherme Marinoni e Daniel Mitidiero (2010, p.179/180):

Analisando a eficácia da desistência de recurso extraordinário com repercussão geral ou de recurso extraordinário ou recurso especial repetitivos, observamos que, “depois de reconhecida a repercussão geral do recurso extraordinário (art. 543-A, CPC) ou de afetado o recurso como sendo representativo de controvérsia (arts. 543-B e 543-C, CPC), é ineficaz, para efeitos de desafetação do recurso de seu julgamento, eventual desistência do recorrente. É que como o reconhecimento da repercussão geral e como a escolha do recurso como paradigma de recursos repetitivos julga-se a partir do caso para a obtenção da unidade do direito. Pouco importa o caso individual em si, sobrelevando o interesse na obtenção da unidade do direito. Daí a razão pela qual, ainda que se deva admitir a desistência do recurso para os efeitos de excluir o recorrente da eficácia da decisão daquele recurso, tendo em conta o princípio da demanda-expressão processual do valor que a ordem jurídica reconhece a liberdade de agir em juízo e a autonomia privada-, a desistência não tem o condão de impedir a resolução de questão com repercussão geral e a fixação de precedentes em processos repetitivos, dado o interesse público primário na obtenção da unidade do direito mediante atuação do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de justiça.

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Sendo assim, a comissão organizadora do anteprojeto estabeleceu que a desistência do recurso paradigma não impede o julgamento da questão objeto do recurso representativo da controvérsia no STJ ou STF, uma vez que trata-se de consideração do interesse público no julgamento da questão paradigmática, que enseja a multiplicação dos recursos excepcionais.

2.2.3 Renúncia ao direito de recorrer

Também não houve novidade quanto à possibilidade de renúncia do recurso, tendo em vista que o art. 912 do NCPC repete literalmente o artigo 502 do atual CPC.

Importante ressaltar que a parte que aceitar expressa ou tacitamente a sentença ou decisão não poderá recorrer. É denominado renuncia tácita a prática de um ato incompatível com a vontade de recorrer (art. 503 do atual CPC e art. 913 do NCPC).

2.2.4 Contagem dos prazos recursais

No tocante ao instituto da contagem dos prazos recursais verifica-se que o NCPC trouxe importantes e esperadas alterações.

No CPC em vigor o prazo para a interposição dos recursos está descrito no artigo 508, o qual estabelece que: “Na apelação, nos embargos infringentes, no recurso ordinário, no recurso especial, no recurso extraordinário e nos embargos de divergência, o prazo para interpor e para responder é de 15 (quinze) dias.” Ressalta-se que no presente CPC são contados todos os dias, incluindo os feriados, sábados e domingos, sendo que tais dias só não são considerados para o início e o término da contagem.

O Projeto do Novo Código a fim de tornar a contagem do prazo recursal bem mais prática, unificou-os, com exceção dos embargos de declaração que permanece com o prazo de 5 (cinco) dias.

Tal inovação pode ser percebida no parágrafo único do artigo Art. 907, o qual estabelece que: “Exceto os embargos de declaração, os recursos são interponíveis em quinze dias úteis”.

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Quanto à contagem dos prazos recursais, preceitua o projeto do NCPC que a mesma deverá ser feita levando em consideração somente os dias úteis, conforme refere o artigo 174: “Na contagem de prazo em dias, estabelecido pela lei ou pelo juiz, computar-se-ão, de forma contínua, somente os úteis”.

Outra importante inovação consta do parágrafo único do artigo 174, o qual refere que: “Não são intempestivos atos praticados antes da ocorrência do termo inicial do prazo.” Trata-se de resposta a determinados setores da jurisprudência que entendiam intempestivo o recurso interposto antes da abertura do prazo recursal.

2.2.5 Interrupção dos prazos recursais

No tocante ao instituto da interrupção dos prazos recursais, nada há de novo, pois o NCPC em seu art. 917 reproduziu o art. 507 do Atual CPC: “Art. 917. Se, durante o prazo para a interposição do recurso, sobrevier o falecimento da parte ou de seu advogado ou ocorrer motivo de força maior que suspenda o curso do processo, será tal prazo restituído em proveito da parte, do herdeiro ou do sucessor, contra quem começará a correr novamente depois da intimação”.

2.2.6 Preparo e deserção

Quanto ao instituto do preparo, o artigo 920 do Projeto propõe a disciplina mantendo, no essencial, a regra do art. 511 do Código vigente. A inovação fica por conta da explicitação da possibilidade de o relator relevar a pena de deserção por justo motivo, tal possibilidade foi incluída através do paragrafo único do artigo 920, o qual estabelece que: “Provando o recorrente justo impedimento, o relator relevará, por decisão irrecorrível, a pena de deserção”.

Sobre o presente tema, importante destacar a crítica ao artigo 920 do Projeto, de Luiz Guilherme Marinoni e Daniel Mitidiero (2010, p.181):

A rigor, o art. 920 é parcialmente contrário ao cariz cooperativo do processo civil do Estado Constitucional. Se a insuficiência de preparo dá lugar à possibilidade de sua complementação (art. 920, II), não há razão para que a inexistência de preparo não de lugar a idêntica providência. Como já observamos “em uma estrutura de processo civil regido pela ideia de colaboração, jamais a ausência de preparo pode levar à deserção do recurso e conseguinte inadmissibilidade sem que o órgão jurisdicional,

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previamente, intime a parte para efetivação do depósito correspondente. Trata-se do dever de prevenção do órgão jurisdicional. Viola o dever de diálogo, cujo fundamento está no direito fundamental ao contraditório (art. 5º, LV, CF), a decretação de deserção de recurso sem que a parte tenha sido previamente intimada para efetivar o preparo”. Convém nova redação ao artigo 920, II, do Projeto.

Dessa forma, seria mais adequado que fosse mudado o artigo 920 do Projeto, para que ao invés de ser decretada sumariamente a pena de deserção, a parte recorrente fosse primeiramente intimada para depositar o preparo, sob pena de deserção.

2.2.7 Recurso interposto por um dos litisconsortes

Quanto ao recurso interposto por um dos litisconsortes, verifica-se o que estabelece o art. 509 do CPC em vigor: “O recurso interposto por um dos litisconsortes a todos aproveita, salvo se distintos ou opostos os seus interesses.”

Já o Projeto do NCPC altera a segunda parte do texto legal acima referido. Segundo prescreve o art. 918 caput do Projeto, o recurso interposto por um dos litisconsortes a todos aproveita, desde que comuns às questões de fatos e de direitos. Senão vejamos: “art. 918, caput: O recurso interposto por um dos litisconsortes a todos aproveita, desde que comuns as questões de fato e de direito.”

Em relação ao parágrafo único do art. 509 do CPC atual: “Havendo solidariedade passiva, o recurso interposto por um devedor aproveitará aos outros, quando as defesas opostas ao credor lhes forem comuns”, o Projeto do NCPC em nada o altera, repetindo literalmente seu texto.

2.2.8 Honorários de sucumbência em grau recursal

Primeiramente, quanto aos honorários sucumbências em grau recursal, cabe referir que no Código de Processo Civil em vigor não há dispositivo que traga, de forma clara, a possibilidade de aplicação dos mesmos. Verifica-se que o artigo 20 do atual Código de Processo Civil nada refere a esse respeito (in verbis): “Art. 20. A sentença condenará o vencido a pagar ao vencedor as despesas que antecipou e os honorários advocatícios. Esta verba honorária será devida, também, nos casos em que o advogado funcionar em causa própria. § 1º O juiz, ao decidir qualquer incidente ou recurso, condenará nas despesas o

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vencido. § 2º As despesas abrangem não só as custas dos atos do processo, como também a indenização de viagem, diária de testemunha e remuneração do assistente técnico. § 3º Os honorários serão fixados entre o mínimo de dez por cento (10%) e o máximo de vinte por cento (20%) sobre o valor da condenação, atendidos: a) o grau de zelo do profissional; b) o lugar de prestação do serviço; c) a natureza e importância da causa, o trabalho realizado pelo advogado e o tempo exigido para o seu serviço. § 4º Nas causas de pequeno valor, nas de valor inestimável, naquelas em que não houver condenação ou for vencida a Fazenda Pública, e nas execuções, embargadas ou não, os honorários serão fixados consoante apreciação equitativa do juiz, atendidas as normas das alíneas a, b e c do parágrafo anterior. § 5º Nas ações de indenização por ato ilícito contra pessoa, o valor da condenação será a soma das prestações vencidas com o capital necessário a produzir a renda correspondente às prestações vincendas (art. 602), podendo estas ser pagas, também mensalmente, na forma do § 2o do referido art. 602, inclusive em consignação na folha de pagamentos do devedor.”

Já o Projeto do Novo Código de Processo Civil, traz de forma bastante clara a possibilidade de fixação de honorários de sucumbência em grau recursal, além de ter alargado o percentual máximo de 20% para 25%, conforme estabelece o §7º, do artigo 87 do NCPC: “A instância recursal, de ofício ou a requerimento da parte, fixará nova verba honorária advocatícia, observando-se o disposto nos §§ 2º e 3º e o limite total de vinte e cinco por cento para a fase de conhecimento.”

Outrossim, também importa salientar que o intuito reformador do Projeto, ao prever explicitamente a verba honorária recursal, não era o de proporcionar “justa remuneração” aos advogados, em reconhecimento aos trabalhos desenvolvidos depois de sua fixação na “sentença”, mas sim inibir a interposição de recursos, uma vez que na primeira versão do Projeto os honorários de sucumbência só não seriam devidos se fosse provido o recurso, conforme referiam os §§ 8º e 9º do artigo 73 da redação originária do projeto: § 8º- Em caso de provimento de recurso extraordinário ou especial, o Supremo Tribunal Federal ou o Superior Tribunal de Justiça afastará a incidência dos honorários de sucumbência recursal. § 9º-O disposto no § 6º não se aplica quando a questão jurídica discutida no recurso for objeto de divergência jurisprudencial.”

Mas, com a apresentação do relatório-geral do Projeto pelo Senador Valter Pereira, os §§ 8º e 9º do artigo 73 da redação originária do projeto foram eliminados, ficando

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assentado que, interposto o recurso, são devidos honorários na instância recursal, sendo que com tal medida restou homenageada a finalidade da justa remuneração, conforme estabelece o §7º, do artigo 87 do NCPC: “A instância recursal, de ofício ou a requerimento da parte, fixará nova verba honorária advocatícia, observando-se o disposto nos §§ 2º e 3º e o limite total de vinte e cinco por cento para a fase de conhecimento.”

Sendo assim, é louvável a disposição do projeto. Penaliza aquele que retarda a tramitação processual e proporciona justa remuneração aos advogados que empregaram seu labor na instância recursal, após a fixação ocorrida na sentença.

2.3 Mudanças em cada um dos recursos interpostos no juízo a quo trazidas pelo Projeto de Lei nº 166/2010

2.3.1 Agravo retido

Primeiramente, cabe destacar que no Código de Processo Civil vigente, o agravo retido que está previsto no artigo 522, primeira parte, do referido diploma legal, é o recurso adequado para atacar as decisões interlocutórias de primeiro grau que não estão sob a égide do agravo de instrumento, ou seja, decisões interlocutórias que não ocasionem lesão grave ou de difícil reparação à parte. Senão vejamos:

Art. 522. Das decisões interlocutórias caberá agravo, no prazo de 10 (dez) dias, na forma retida, salvo quando se tratar de decisão suscetível de causar à parte lesão grave e de difícil reparação, bem como nos casos de inadmissão da apelação e nos relativos aos efeitos em que a apelação é recebida, quando será admitida a sua interposição por instrumento. (Redação dada pela Lei nº 11.187, de 2005).Parágrafo único. O agravo retido independe de preparo.

Ocorre que no Projeto do novo Código de Processo Civil inexiste previsão de interposição do recurso de agravo retido, sendo cabível agravo de instrumento apenas em hipóteses taxativamente previstas em lei, conforme art. 969 do NCPC: “Cabe agravo de instrumento contra as decisões interlocutórias que versarem sobre: I – tutelas de urgência ou da evidência; II – o mérito da causa; III – rejeição da alegação de convenção de arbitragem; IV – o incidente de resolução de desconsideração da personalidade jurídica; V – a gratuidade de justiça; VI – a exibição ou posse de documento ou coisa; VII – exclusão de litisconsorte por ilegitimidade; VIII – a limitação de litisconsórcio; IX – a admissão ou inadmissão de

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intervenção de terceiros; X – outros casos expressamente referidos em lei. Todas as demais decisões interlocutórias proferidas antes da sentença, no entanto, não estarão cobertas pelo instituto da preclusão e devem ser suscitadas em preliminar de apelação, eventualmente interposta contra a decisão final, ou nas contrarrazões, conforme estabelecido pelo parágrafo único do mesmo artigo: “As questões resolvidas na fase cognitiva, se a decisão a seu respeito não comportar agravo de instrumento, não ficam cobertas pela preclusão e devem ser suscitadas em preliminar de apelação, eventualmente interposta contra a decisão final, ou nas contrarrazões.”

Sendo assim, decisões como: não autorização da formulação de uma pergunta às testemunhas; não admissão da denunciação da lide; decisão sobre a incompetência relativa; não admissão da reconvenção, somente poderiam ser reanalisadas muito tempo depois de terem sido proferidas, ou seja, no momento da apelação, sendo que se acolhida tais irresignações, todos os atos do procedimento posteriores à decisão anulada também seriam anulados, e, em regra, refeitos, o que traria uma eventual insegurança jurídica.

Sobre o presente tema importante destacar a crítica de Bruno Campos Silva (2011, p.70):

Eis o posicionamento crítico de Fredir Didier Jr., com o qual perfilhamos: “Em vez de processo, retrocesso”. Em vez de decisão de mérito, reinício de fases procedimentais já superadas. Segurança jurídica e duração razoável, “estado de coisas” que precisam ser atingidos por força dos mencionados princípios constitucionais, simplesmente desprezados. Se a decisão é recorrível, haverá preclusão do direito ao recurso se a parte não a impugnar no primeiro momento que lhe couber falar nos autos. Aquela questão, já decidida, não poderia mais ser revista. O órgão jurisdicional passaria a ocupar-se das demais questões objeto da sua cognição, sejam elas questões de mérito ou de admissibilidade, questões de fato ou de direito. Haveria, assim, redução da extensão da cognição, já que em relação a algumas questões teria havido decisão já estabilizada. Nada justifica, realmente, que o órgão jurisdicional possa decidir uma questão ao longo do procedimento a essa decisão de nada valha. Decisão sem possibilidade de preclusão é situação que claramente ofende a segurança jurídica. Avilta, inclusive, o papel do juiz de primeira instância.

Conclui-se, assim, que a decisão tomada pela Comissão de extinguir o agravo retido, não foi a mais acertada. Salvo melhor juízo, deve-se manter o sistema atual, noqual decisão interlocutória que não esteja no rol taxativo, acima exposto, do agravo de instrumento, seja atacada por agravo retido, sob pena de preclusão do direito. Dessa forma, o processo, certamente, seria mais célere.

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