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Academic year: 2021

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TÍTULO: PRÉ-ESCOLARES: AVALIAÇÃO NUTRICIONAL, BIOQUIMICA E PARASITOLÓGICA EM CRIANÇAS DA CRECHE CENTRO DE LIBERTAÇÃO DE VIDAS (CELIVI) – INSTITUIÇÃO

FILANTRÓPICA EM SANTO ANDRÉ-SP, BRASIL TÍTULO:

CATEGORIA: CONCLUÍDO CATEGORIA:

ÁREA: CIÊNCIAS BIOLÓGICAS E SAÚDE ÁREA:

SUBÁREA: Nutrição SUBÁREA:

INSTITUIÇÃO(ÕES): FACULDADE DE MEDICINA DO ABC - FMABC INSTITUIÇÃO(ÕES):

AUTOR(ES): LAURITA ROQUE, MICHELLE LIMA DE ARAUJO, NATALY LOBOSCO CAVASSANI AUTOR(ES):

ORIENTADOR(ES): GERSON SALAY, NARJARA PEREIRA LEITE ORIENTADOR(ES):

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1 INTRODUÇÃO

Nos dias atuais, em razão do número crescente de mulheres se inserindo no mercado de trabalho, houve uma mudança em relação aos cuidados das crianças, muitas delas estão sendo inserida em creches (PEREIRA, 2013). Esta instituição tem papel importante no desenvolvimento integral da criança em seus aspectos físicos, psicológicos, intelectual e social. As crianças que frequentam creches estão mais suscetíveis a desenvolver infecções em comparação com aquelas que são mantidas em suas residências devido ao grande contato interpessoal facilitado pelos ambientes coletivos (PEDRAZA, 2014).

As parasitoses intestinais são consideradas um problema de saúde pública em países subdesenvolvidos (FERRAZ, 2014). No Brasil, este problema é intensificado pelas condições precárias de saneamento básico, baixo nível socioeconômico, falta de orientação higiênico-sanitária e de programas de educação em saúde.

(QUADROS, 2004) É fato que a idade pré-escolar (2 a 6 anos) representa um grupo suscetível a esses tipos de infecções por ser uma fase de constante mudança no organismo devida o crescimento e hábitos de higiene pouco consolidados. (BELO, 2012; PEREIRA, 2013). As parasitoses intestinais na infância assumem grande relevância não só pela morbidade, mas também pela associação habitual com diarreia crônica e desnutrição. (PEDRAZA, 2014).

Devido à mudança do estilo de vida da sociedade atual, o padrão nutricional está em constante evolução, sendo assim, os pré-escolares estão mais suscetíveis ao consumo de alimentos industrializados, de alto valor calórico e baixo teor de nutrientes, o que pode levar a mudanças do estado nutricional saudável (LEAL, 2015). Em resposta a estas problemáticas, a saúde do pré-escolar passa a ser comprometida, tornando-os mais suscetíveis a carências nutricionais, obesidade, DCNT e risco aumentado de infecções. (CASTRO, 2005). A escola é o principal local para o desenvolvimento de atividades que visem à promoção da alimentação

saudável. Inserir temas como componentes à grade curricular do ensino pode dar sustentabilidade às iniciativas de educação em saúde (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 2002).Avaliando essa conjuntura, o objetivo desse trabalho é avaliar o estado nutricional de pré-escolares, em como alterações bioquímicas e parasitológicas das crianças regularmente institucionalizadas em creches.

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Objetivo Primário: Avaliar o estado nutricional, atrelado à prevalência de parasitas patogênicos e presença de anemia ferropriva.

Objetivos Secundários: Avaliação higiênica sanitária de alunos, professores e espaço físico da creche, Avaliação qualitativa de cardápio, orientar crianças,

responsáveis legais e professores da creche sobre promoção e educação em saúde e nutricional por meio de atividades recreativas.

2. METODOLOGIA

O grupo de pesquisa avaliado compunha 58 crianças de 2 a 6 anos de idade, de ambos os sexos, correspondente às crianças da Creche Celivi-Centro de libertação de vidas, localizado no município de Santo André-SP, Brasil. Todos os, pais,

parentes, cuidadores, professores e funcionários que tiverem algum tipo de

relacionamento com as crianças e tiveram interesse, participaram do projeto. Todos os responsáveis pelas crianças participantes do projeto foram previamente

esclarecidos dos nossos objetivos, assinaram termo de consentimento aprovado pelo Comitê de Ética, com anuência da diretora da creche. Três diferentes amostras de fezes foram coletadas em dias alternados, em frascos apropriados contendo ou ao conservante. Para a detecção dos vários parasitas que poderão ser

diagnosticados, diferentes métodos serão empregados, baseados nas técnicas descritas em De CARLI, 2001, Técnica de Hoffman e Técnica de Faust.

Para obter informações sobre perfil socioeconômico, higiene, hábitos alimentares e dados clínicos relevantes, foi aplicado um questionário. As técnicas de avaliação da composição corporal incluem a aferição do peso, da estatura, e de

circunferências de braço e cintura. As medidas serão avaliadas segundo os critérios estabelecidos por Frisancho (1990), Burr e Phillips (1984) e curvas da OMS 2006 E 2007. E as atividades de educação nutricional (formuladas a partir de atividades lúdicas e interativas, como dinâmicas, desenhos, músicas e outros).

Os responsáveis legais, professores e funcionários serão orientados por meio da palestra: Educação em Saúde, conteúdo: Giardia e meios de contaminação.

Foi realizada análise descritiva dos dados, as variáveis qualitativas serão apresentadas por frequência absoluta e relativa e a variáveis quantitativas por mediana, valores de percentis 25 e 75, valor mínimo e máximo. A análise estatística será realizada no software estatístico Stata versão 11.0.

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4 DESENVOLVIMENTO

Foram realizadas diversas visitas na Creche Celivi. Com base nos levantamentos feitos em literatura, desenvolvemos a situação problema e fizemos a primeira visita para reconhecimento do espaço e conversa junto aos professores e diretores da escola. Tivemos diversas reuniões com os pais e professores para explicar a problemática do projeto e como o mesmo iria envolver os pré-escolares. Após assinatura de cada responsável legal e aprovação do comitê de ética e pesquisa da Faculdade de Medicina do ABC, começamos o desenvolvimento. Fomos fazer a avaliação nutricional das crianças ao mesmo tempo em que aconteciam os exames de sangue e coleta de fezes. Após esse primeiro momento de desenvolvimento em campo, pudemos verificar os resultados e voltar na Creche para dialogar com os diretores, familiares e crianças sobre a devolutiva das investigações. Todas as crianças e familiares acometidos com parasitose foram encaminhadas para tratamento. As crianças anêmicas foram suplementadas e todas pertencentes do projeto participaram de atividades de educação em saúde e nutricional. Houve novos testes na creche para verificar se não houve recidivas.

4 RESULTADOS

Ao todo, 58 crianças com idade de 2 a 6 anos foram avaliadas, onde 46,55% correspondem ao sexo feminino e 53,55% ao sexo masculino. Suas idades são representadas por mediana cinco anos (50%).

A fim de detectar estado nutricional geral, dentre os diversos parâmetros antropométricos aplicados, uma vez que os resultados se expuseram de maneira mista, não evidenciando o que se era esperado (desnutrição em sua prevalência). A maioria das crianças se apresentou com dados satisfatórios, sendo 87,93%

avaliadas como eutróficas. Porém, o dado de 8,62% em relação ao sobrepeso chamou atenção para a saúde geral desses indivíduos. Apenas 1,72% das crianças apresentaram desnutrição e 1,72% sobrepeso.

Em relação à renda familiar dos entrevistados; 68,97% alegaram possuir baixa renda (1 a 3 salários mínimos) e 3,45% que não possuía renda alguma. 17,24% possuía renda regular (3 a 5 Salários mínimos) e somente 6,90% possui renda elevada (5 a 7 salários mínimos). E 3,45% não souberam responder à questão. É justificável a maioria das crianças serem de baixa renda devido à creche ser filantrópica e localizada perto de uma grande comunidade do Município de Santo André. A associação de estado nutricional e renda familiar foram feitas por teste

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Qui-Quadrado. Foi contemplado a categoria do estado nutricional da criança juntamente com o da renda familiar. 64,28% das crianças se encontravam eutróficas e com renda baixa (De 1 a 2 SM per capita). Concluiu-se que a renda familiar de uma população apresenta grande impacto na qualidade de sua alimentação. Quando falamos de populações carentes, o baixo poder aquisitivo muitas vezes está atrelado à ausência de conhecimento alimentar, resultando em oferta precária, estando ausentes boas fontes de alimentos, contribuindo para ambiente obesogênico (SAÚDE, 2014).

Dados da POF (Pesquisa de Orçamentos Familiares) indicam que a população da região Sudeste, em âmbito urbano e rural, tem como base alimentar, alimentos ricos em açúcar (sacarose) e demais carboidratos, além de alto consumo de alimentos ricos em lipídios. Uma criança acima do peso, apenas possui oferta calórica dos alimentos, onde o contexto nutricional muitas vezes fica excluso, sendo justamente ele, o primordial para evitar a carência de minerais como o ferro (SILVA, 2018). O fornecimento de uma alimentação rica em nutrientes em geral fornece a possibilidade de crescimento satisfatório e saudável. (OMS, 2011). Em fase pré-escolar, a criança permanece a maior parte de seu dia institucionalizada em creche ou escola. Com isso, é papel da instituição fornecer 70% das recomendações nutricionais para suas crianças, se em permanência de período integral. Quando não, deve, da mesma forma, buscar ofertar alimentação saudável (PNAE, 2017). O cardápio dos meses de fevereiro e março de 2018 serviu como base para avaliação. Utilizamos como referência para as correções a pirâmide alimentar do escolar

elaborada pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). Dividimos os grupos alimentares (cereais, pães, tubérculos e raízes; verduras e legumes; frutas; leite, iogurte e queijos; carnes e ovos; feijões; açúcares e doces; industrializados) e comparamos as porções ofertadas, de modo a fazer uma mediana entre os dois meses. Todos os grupos ficaram abaixo das porções indicadas, exceto açúcares e doces que são servidos o dobro de porções. Notaram-se diversas preparações feitas com fritura de imersão e doces industrializados. Não há variedade no grupo das frutas, verduras e legumes (uma opção viável para ser usada como referência de escolha, seria o site do CEAGESP que disponibiliza um calendário de alimentos sazonais, onde se encontram a preços acessíveis). Outras observações foram feitas como ausência de alimentos integrais, derivados do leite e carnes brancas. Todas

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essas pontuações encontradas no cardápio, juntamente com o estado nutricional podem contribuir para o desenvolvimento do estado anêmico.

A partir da realização de exames laboratoriais, foi possível observar presença de anemia nos alunos da creche Celivi. Este diagnóstico foi confirmado através da realização de exames de sangue, onde os valores de hemoglobina, VCM, HCM e ferritina foram considerados. 13,79% das crianças da creche se apresentavam anêmicas e 56,90% em risco de anemia. As crianças que apresentaram anêmicas não evidenciaram relação com o estado nutricional, já que as mesmas em sua maioria são eutróficas; 15,69%. Sendo assim, comprovam-se todas as crianças caracterizadas com anemia estão dentro dos padrões antropométricos avaliativos e teoricamente representam população bem nutrida.

A prevalência de parasitoses patogênicas foi de 14,75%. O parasita encontrado nas amostras foi o Giardia Lambia. Não foi correlacionada a presença de

parasitoses patogênicas com o estado nutricional de desnutrição. Tivemos apenas um indivíduo desnutrido e detectado com Giardia Lambia. Nenhum dos funcionários e professores da creche foi detectado com parasitose intestinal; já com relação aos familiares, apenas uma avó de criança foi detectada com Entamoeba histolytica e encaminhada a tratamento. Ao realizarmos exames de fezes nos cachorros da creche foi observado que três deles estavam contaminados com Giardia spp e foram encaminhados a tratamento. Toda a população em desnutrição (representada

apenas por um aluno) correlacionou-se com a presença de parasitose. Contudo, no presente estudo, a grande maioria está em eutrofia. Este ponto abre margem para atrelar associações com outros fatores externos, que podem justificar o número significativo de crianças parasitadas. Um destes fatores externos é o nível sócio econômico em que a criança está inserida. Foi possível avaliar que 6,90% possui renda elevada. Renda familiar regular corresponde a 17,24%. Baixa renda em sua maioria, com 68,97% e 3,45% não possuíam renda. Em duplicata, 3,45% da amostra não souberam ou não responderam questão pertinente.

Em relação à correlação de estado nutricional e renda familiar, a maior parte da amostra possui “baixa renda” e estão em eutrofia (36 alunos).

Dados não mostrados representam que as crianças analisadas não possuíam correlações de parasitose intestinal com a anemia das, ou seja, esta anemia é por uma fonte diferente da presença de parasitose, no caso, Giardia. Em outras

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a anemia das crianças não foi correlacionada coma presença de parasitose, com o estado nutricional deficiente (desnutrição), nem com processos de higiene. Este panorama pode ser justificado a não total qualidade alimentar existente no cardápio oferecido pela creche.

Referente à higienização das mãos, 77,19% responderam que as crianças fazem uma boa higienização das mãos (Antes e depois de ir ao banheiro e fazer as

refeições). E 19,30% alegaram que lavam as mãos somente em alguma dessas situações e 3,51% afirmaram que não lava as mãos em nenhuma das situações citadas. Atrelando os fatores de higienização de mãos com o acometimento do parasita, foi possível analisar que também não há conexão entre os dois, já que tanto as crianças que fazem a higiene de forma adequada (13,64%), quanto à maneira regular (18,18%) se mostraram suscetíveis em contrair o parasita em relação as que realizam de forma inadequada que não apresentaram nenhum acometimento.

Sobre a qualidade de água em sua residência, 50% apresentou que possui uma boa qualidade (possui água encanada/galão/filtrada), 37,93% uma qualidade regular (possui água encanada/torneira/fervida), e 10,34% uma qualidade de água ruim (não possui água encanada/poço ou rio/nenhum tratamento) e 1,72% não sabe ou não respondeu.

Quanto à ingestão de alimentos crus, 75,86% consomem, não consomem 18,97%, e 5,17% não sabem ou não respondeu. Existe uma correlação entre as crianças que ingeriam alimentos crus e o acometimento de parasitas. Associando esses dois fatores 13,64% das crianças apresentaram a parasitose. Porém, crianças que não fazem a ingestão de alimentos crus também apresentaram o acometimento pela mesma, totalizando 9,09%.Sobre os cuidados a serem tomados com a ingestão de alimentos crus, 55,17% demonstrou utilizar uma maneira inadequada para a higienização dos mesmos (lavados somente com água ou não lavados), 32,76% de forma apropriado (lavados com água e sabão/água e cloro), 5,17% de maneira cuidadosa (lavados com água, sabão, bucha e cloro), e não sabe ou não respondeu 6,90%.

Foi elaborado um questionário para os funcionários da creche. Apesar de o mesmo se mostrar bem satisfatório em algumas respostas, foi possível analisar uma divergência entre as respostas e a visitas ao local. Todos os funcionários disseram que recebem orientação dos superiores (100%), e que realizam a lavagem das mãos

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sempre antes das refeições e após utilizarem o banheiro. Também afirmaram que as crianças realizam a higienização das mãos em ambas as situações.

Em relação à limpeza dos alimentos, 45,45% não sabem ou não souberam como realizam essa higiene, 27,27% disseram que limpavam os alimentos com água e hipoclorito e 27,27% somente com água. Ao final da análise desses resultados, foi possível perceber que há uma divergência de respostas entre os funcionários, que associado às visitas que eram feitas ao local poderia ser dito que esses resultados não seriam tão satisfatórios quanto parece.

No início de 2018 (março-abril) foram realizados novos exames de fezes nas crianças positivas anteriormente e foram encontradas duas crianças com parasitose intestinal, sendo uma com Entamoeba histolytica e a outra com Enterobius

vermiculares. Um dos cachorros ainda apresentava Giardia spp. Todos acometidos foram encaminhados para tratamento.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Este estudo evidenciou que a maioria das crianças institucionalizadas na creche Celivi apresenta estado nutricional satisfatório, porém ouve uma incidência de crianças com peso aumentado. As parasitoses intestinais tiveram uma prevalência significante, porém não foram associadas ao estado nutricional do pré-escolar. No tocante do acometimento anêmico, apesar de estarem associadas a estado

nutricional eutrófico, podemos justificar que as crianças portadoras de anemia podem ter este estado favorecido pela alimentação ofertada pela creche, que se encontra desfavorecida qualitativamente. Nas atividades da creche podemos perceber que os hábitos de higiene das crianças não eram satisfatórios, apesar de não comprovação estatística, como os respondidos em questionário epidemiológico. As atividades em educação nutricional e em saúde despertam a curiosidade das crianças, podendo por meio dessas ter um aprendizado mais eficaz.

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