Medias tradicionais e novos media: credibilidade na transmissão de notícias. Guilherme V. Cabral – MCMM – 64817
[email protected] Universidade de Aveiro
Resumo
Com o avanço nas tecnologias da informação e comunicação, os hábitos e os
comportamentos das pessoas sofreram drásticas alterações. A informação conta com veículos cada vez mais eficientes e eficazes e é, então, cada vez mais inevitável sermos inundados com informação proveniente de todo o tipo de fontes, desde que acordamos até que nos deitamos.
As notícias são informação à qual as pessoas recorrem mais frequentemente. Contudo, os media tradicionais tendem a ser cada vez menos objetivos na informação que transmitem, o que leva à procura personalizada de fontes mais credíveis de notícias.
Medias tradicionais e novos media: credibilidade na transmissão de notícias.
Os meios de comunicação de massa referem-se a canais de comunicação que envolvem transmissão de informação para um número alargado de pessoas. Um meio de comunicação de massa é geralmente classificado como uma comunicação de um para muitos (Chris Livesey, 2011), como a televisão e o rádio. Nestes casos estamos perante exemplos claros de meios de comunicação de massa, visto que a sua transmissão atinge uma audiência alargada.
A televisão tem sido o meio de comunicação de massa tradicional mais popular e mais utilizado. É veículo de programas de entretenimento e ficção, de publicidade e de informação noticiosa que, nos anos 50, destronou o rádio como o meio de comunicação de massa mais popular.
A chegada da televisão às casas das pessoas causou grandes mudanças: O foco da atenção deixou de estar na mesa de jantar, uma vez que todos os elementos da família tinham de ter uma linha de visão para o ecrã, passando-se assim mais tempo no sofá,
preferencialmente com uma mesa repleta de petiscos nas imediações. Desde a sua origem, a TV sofreu várias modificações e foi-se tornando cada vez mais moderna: imagens a cores, teletexto, televisão por cabo, alta definição e televisão interativa.
Tal como já foi referido, a televisão é um transmissor importante de informação noticiosa sobre a atualidade nacional e internacional, que atinge uma enorme audiência. O mesmo acontece com os jornais impressos, que vendem milhares de exemplares com o
intuito de fazer chegar ao público as notícias locais, nacionais e internacionais mais importantes.
Contudo, as televisões e os jornais visam sempre aumentar o número de audiências ou o número de vendas e, por consequência, os lucros. Então, algumas televisões e jornais de qualidade duvidável recorrem ao sensacionalismo e à distorção da realidade para atrair leitores e audiências. A verdade é que uma manchete chocante cria mais interesse do que uma manchete dita “normal”.
Nas últimas duas décadas, a opinião dos americanos sobre a imprensa tem vindo a negativizar-se (Cassidy, 2007). Um estudo (Pew Research Center, 2005) concluiu que 60% dos americanos acha que os media são politicamente tendenciosos.
O número de adultos que usa a Internet para procurar e encontrar notícias está constantemente em ascensão. Um dos problemas que surgiram com este aumento é a credibilidade das novas tecnologias da informação e os novos media na transmissão de notícias.
Devido a questões de privacidade, precisão de conteúdo e outras questões, alguns investigadores previram um futuro problemático para as notícias on-line. Johnson e Kaye (1998) referem que uma das características básicas da Internet é o seu potencial acesso livre a toda a gente para partilhar informação sem grande critério e como esse acesso livre pode afetar a credibilidade do meio como uma fonte de informação. Enquanto os jornais, livros e televisão sofrem um processo de verificação e filtragem antes de atingir o público, as páginas da Internet nem sempre têm esse processo em conta (Flanagin & Metzger, 2000).
Num estudo sobre credibilidade na tecnologia, Tseng e Fogg (1999) concluíram que os utilizadores de computadores querem confiar nos seus sistemas, mas essa confiança fica comprometida quando os seus sistemas transmitem informação errónea. Tseng e Fogg descreveram quatro tipos de credibilidade baseada em computadores: presumida – baseada em assunções, reputada – baseada em opiniões de terceiros, superficial – baseada numa análise inicial, e experienciada – baseada em experiência própria.
Flanagin e Metzger (Flanagin & Metzger, 2001) observaram que a grande maioria dos estudos de credibilidade dos media ignoraram as notícias online e referem que as diferenças entre notícias online e os outros media tradicionais não podem ser ignoradas. Então, Flanagin e Metzger concluem que a Internet é uma tecnologia multidimensional usada de uma forma similar aos media mais tradicionais.
Contudo, o público acha que a credibilidade das notícias transmitida pelos media tradicionais é a mesma que as notícias lidas na Internet. Um inquérito feito a utilizadores da Internet interessados em política revela que jornais on-line, revistas de notícias e websites politicamente orientados são vistos credíveis por dois terços dos inquiridos (Johnson & Kaye, 1998).
É então importante avaliar a informação e assegurar que esta informação, veiculada para o público por televisão, rádio, jornais ou pela Internet, corresponde à realidade factual e não foi distorcida de uma forma sensacionalista para conseguir um aumento nos lucros. Em Portugal, há certos jornais e revistas tidos como maus exemplos de fontes de informação noticiosa, visto serem sensacionalistas demais ou transmitirem informação falsa. O caso da imprensa desportiva é um excelente exemplo: os jornais desportivos em Portugal não vêm
qualquer problema em noticiar, por exemplo, uma transferência de um jogador para um clube, sem contudo confirmar a veracidade do facto junto do jogador ou do clube. Então, o jornal noticia a transferência sem qualquer fundamento, somando pontos negativos na sua credibilidade quando, uns dias a seguir, a notícia desmente-se a si própria quando o jogador em causa se transfere para outro clube que não o clube mencionado pelo jornal. Este é um caso que demonstra a falta de processos de confirmação de factos, processos esses que podiam aumentar a credibilidade do jornal.
O sensacionalismo também se verifica em Portugal, com jornais como o Correio da Manhã que noticiam factos – verdadeiros ou não – sobre a vida pessoal de personalidades portuguesas. Assim, o jornal consegue um número de vendas elevado, noticiando factos que em nada contribuem para o desenvolvimento do país.
Segundo McQuail (2000), uma das questões estruturantes sobre os conteúdos veiculados pelos media são as questões associadas aos desempenhos dos media. McQuail, professor na Universidade de Amesterdão, diz que os conteúdos veiculados pelos media têm ou devem ter uma conceção de interesse público. Quem trabalha nos media deve ter isso em consideração, para garantir a maior qualidade na elaboração dos conteúdos. Contudo, os produtores de conteúdos devem levar a cabo um conjunto de valores que orientam o desempenho dos media, como a liberdade e independência, a diversidade de conteúdos, a objetividade das notícias e a não-distorção da realidade, sendo estes dois últimos exemplos os menos tidos em conta na má imprensa portuguesa. A objetividade das notícias não é respeitada: os produtores descuram-se maioritariamente nas respostas às perguntas “Quem?”, “O quê?”, “Quando?”, “Onde?” e “Como?”, perguntas essas que tornariam cada notícia
concisa e completa em termos de veracidade. A distorção da realidade é também frequente, pois os produtores e redações de notícias acabam por se basear muitas vezes em boatos e não em verdades factuais, porque preferem ser os primeiros a lançar uma notícia, mesmo que este não seja verdade.
O caso da Internet é um caso distinto das publicações impressas, e muito mais complexo de estudar, devido à variedade incontrolável de fontes e produtores existentes. Segundo o Instituto Nacional de Estatística, a percentagem de indivíduos com idades compreendidas entre os 16 e os 74 anos que consultavam a Internet para ler ou fazer download de notícias online, jornais ou revistas de notícias verificou um aumento 3,8% de 2014 para 2015, situando-se agora em 77,5%. Contudo, a Internet é um meio aberto a toda a gente e toda a gente tem a possibilidade de nela publicar o que bem entender. Assim sendo, os únicos sites credíveis de notícias acabam por ser aqueles que pertencem a uma grande marca de comunicação de massa (como por exemplo, os sites de jornais e canais de
televisão). Qualquer outro site de origem desconhecida, desassociado de qualquer marca, não tem qualquer hipótese neste meio.
Podemos então concluir que, apesar da existência de entidades reguladoras da comunicação, esta não funciona em pleno. A entidade regente em Portugal – a ERC (Entidade Reguladora para a Comunicação Social) – centra-se mais em casos onde a informação transmitida possa ser inadequada ou ofensiva, e descura-se no apuramento da verdade das notícias veiculadas pelos meios de comunicação de massa. No fundo, acaba por ser mais importante evitar que, por exemplo, conteúdos impróprios para crianças passem nas
televisões antes da meia-noite, do que aferir a veracidade das notícias transmitidas ao longo do resto do dia.
A solução poderia passar pela divisão da ERC em vertentes distintas: uma com a sua atual função, e outra para que a mensagem transmitida seja o mais verdadeira possível. Noticiar inverdades deveria também estar previsto na lei, para que não fosse tão fácil e tão pouco prejudicial escrever notícias falsas.
Desta forma, a audiência não teria de ser criteriosa nas suas fontes de informação: qualquer fonte seria digna de confiança e estaríamos rodeados de redações e noticiários televisivos cumpridores das suas éticas profissionais.
Referências
Cassidy, W. P. (2007). Online News Credibility: An Examination of the Perceptions of Newspaper Journalists. Journal of Computer-Mediated Communication, 12(2), 478– 498. http://doi.org/10.1111/j.1083-6101.2007.00334.x
Chris Livesey. (2011). Defining the Mass Media. The Mass Media, Defining t(1), 4. Retrieved from http://www.sociology.org.uk/media_defined.pdf
Flanagin, A. J., & Metzger, M. J. (2000). Perceptions of Internet Information Credibility. Retrieved January 29, 2016, from http://www.jasonmorrison.net/iakm/4006074.pdf Flanagin, A. J., & Metzger, M. J. (2001). Internet use in the contemporary media
environment. Human Communication Research, 27(1), 153–181. http://doi.org/10.1093/hcr/27.1.153
Johnson, T. J., & Kaye, B. K. (1998). Cruising is Believing?: Comparing Internet and Traditional Sources on Media Credibility Measures. Journalism & Mass
Communication Quarterly, 75(2), 325–340. http://doi.org/10.1177/107769909807500208
McQuail, D. (2000). Mass Communication Theory. Mass Communication Theory (Vol. 3rd). Pew Research Center. (2005). Public more critical of press, but goodwill persists. Retrieved
January 15, 2016 from http://people-press.org/reports/display.php3?ReportID=248 Tseng, S., & Fogg, B. J. (1999). Credibility and computing technology. Communications of