Processamento cognitivo e objetivo da leitura
Caroline Bernardes Borges1 1 Considerações iniciais
Para que o ensino de Língua Portuguesa nas escolas seja eficiente, é necessário que, no mínimo, os alunos compreendam aquilo que leem. É evidente que a leitura é a base da atividade escolar e fator primordial para um bom desempenho dos alunos na realização dessas atividades. Porém, como bem sabemos, os índices que comprovam a falta de habilidade leitora dos alunos são alarmantes. Tais índices são frequentemente revelados e comentados por pais, professores e também pelos órgãos oficiais que aplicam avaliações que medem o nível da eficiência da leitura dos alunos – considerando o domínio linguístico dos estudantes brasileiros –, tais como o PISA (Programa Internacional de Avaliação dos Estudantes), o SAEB (Sistema de Avaliação da Educação Básica) e o SAERS (Sistema de Avaliação do Rendimento Escolar do Rio Grande do Sul).
O principal causador dessa situação, com certeza, é o desinteresse enorme pela leitura entre os jovens, já que as mídias e os meios tecnológicos chamam mais atenção do que os livros. Aliado a essa causa principal, está o trabalho inadequado realizado, muitas vezes, pela maioria dos professores de Língua Portuguesa, que não possuem aporte teórico suficiente para transpor para as suas práticas e, ainda, se deparam com o desinteresse dos alunos, o que os desmotiva cada dia mais.
Frente a isso, devemos ter em mente que é necessário que os professores se conscientizem acerca da importância de um trabalho eficiente de leitura em sala de aula, para que, dessa forma, possam tornar os alunos leitores habilidosos. É a partir do desenvolvimento dos usos das estratégias de leitura e da reflexão sobre como o processo de compreensão é realizado que os alunos se tornarão conscientes desse processo e poderão, assim, desenvolver as suas habilidades em leitura de forma eficaz. A leitura é guiada pelo objetivo inicial de cada leitor e esse leitor precisa entender como realizará a leitura a partir desse objetivo que possui.
1 Graduada em Letras pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). Mestranda em
Linguística pela PUCRS e bolsista integral de mestrado (CAPES). E-mail: [email protected], [email protected].
É diante de tal situação que surgiu a vontade de investigar como o processo de leitura varia à medida que o objetivo do leitor também é alterado. A intenção do leitor conduz seu modo de ler e, assim, entende-se que se trata de uma das principais variáveis do processo de leitura, merecendo atenção especial.
Para que se entenda como se dá essa variação, será realizada uma pesquisa – orientada pela Professora Doutora Vera Wannmacher Pereira (PUCRS) – com alunos de ensino fundamental, a partir da qual eles lerão um texto selecionado, mas cada grupo de leitores com um objetivo diferente. Para que esse objetivo seja atingido, será realizado um pré-teste para mensurar os conhecimentos que os alunos já possuem sobre o assunto do texto, a fim de que todos realizem a atividade com o nível de conhecimentos mais semelhante possível, já que esse fator não pode influenciar no processo de leitura dos alunos, pois não constitui o objetivo do trabalho.
Para que se entenda como a pesquisa será organizada e como será a metodologia empregada, este trabalho evidenciará, de maneira geral, o que os trabalhos existentes em relação a esse assunto acrescentaram à área, quais são os objetivos da pesquisa e qual é a fundamentação teórica que lhe subjaz. Além disso, será exposta a metodologia que será empregada para que a pesquisa seja concretizada.
2 Alguns estudos já realizados sobre o tópico
De maneira geral, os estudos voltados para o trabalho com a leitura desenvolvidos nas áreas da Psicolinguística e do Ensino – mais especificamente aqueles relacionados à compreensão leitora e aos fatores que podem interferir no processamento da leitura – são muitos e de natureza diversa. De fato existem variáveis que norteiam o processo da leitura realizado pelo leitor e, a fim de entender de maneira geral o que tem sido pesquisado e construído quanto a esse assunto, procura-se explicitar quais são os principais trabalhos realizados nesse sentido.
A presente pesquisa pretende relacionar os diferentes objetivos/intenções de leitura dos leitores e as etapas do processamento de leitura, ou seja, entender como tal processo pode sofrer alterações à medida que as intenções do leitor também forem alteradas, como já foi salientado. Porém, ao buscar trabalhos desenvolvidos anteriormente sobre esse tema, notou-se que poucos
estudiosos dedicaram-se a trabalhar especificamente com os objetivos de leitura de modo teórico-prático. Dessa forma, foi feito um levantamento dos estudos que circundam esse tema, envolvendo outras variáveis do processo de leitura e o próprio processamento.
Fregonezi (2002), em um importante estudo sobre o desenvolvimento das estratégias de leitura em sala de aula, enfatiza que é necessário estimular o desenvolvimento do uso das estratégias de leitura levando em consideração os objetivos do leitor. Isso porque a intenção do leitor o fará utilizar a(s) estratégia(s) mais adequada(s) em função do contexto em que ele estiver inserido. O autor chama atenção para o fato de os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN’s) apresentarem considerações que esclarecem como deve ser feito o encaminhamento da leitura nas aulas de Língua Portuguesa, deixando explícita a importância da reflexão que deve ser feita juntamente com os alunos sobre as modalidades de leitura e quais as condutas que essas modalidades exigirão dele. Porém, apesar desse suporte existir, a maior parte dos professores participantes de determinado curso de especialização na área, ao serem consultados sobre tais modalidades e sua influência para o processamento da leitura, não souberam citar quais foram mencionadas pelos PCN’s e quais eram as orientações dadas pelo documento.
Valle (2006), por sua vez, realizou um trabalho baseado no uso das estratégias de compreensão leitora, objetivando a formação de um leitor ativo que tem consciência sobre o que lê e sobre quais são suas intenções quando lê, assumindo determinada responsabilidade diante do texto que está diante de si. Para tanto, a autora realizou uma pesquisa com alunos da 5ª série do ensino fundamental, para a qual construiu e aplicou um material pedagógico com vistas a desenvolver o uso das estratégias de leitura a partir da leitura de narrativas curtas. Esse tipo de exercício torna o leitor mais autônomo, justamente porque ele passa a se sentir mais seguro diante de um texto à medida que sabe quais estratégias deve utilizar para chegar à compreensão de maneira efetiva. A partir das atividades, grande parte dos alunos passou a compreender melhor os textos e, consequentemente, a ler com maior frequência.
Striquer e Menegassi (2006) também desenvolveram um trabalho com a intenção de refletir sobre os objetivos de leitura. Os autores investigaram como os objetivos de leitura são apresentados em um livro didático de Língua Portuguesa (Português: leitura, produção e gramática, SARMENTO, 2002), que é o mais utilizado pelas escolas da rede pública de ensino da região norte
do Paraná, levando em consideração que este constitui um dos principais materiais utilizados pelos professores atualmente nas salas de aula das escolas locais. Deste material, na maioria das vezes, são selecionados e retirados os textos trabalhados em sala de aula e, então, a maneira como os objetivos são expostos e trabalhados faz toda a diferença para um trabalho com a leitura. Após a realização da análise, chegaram à conclusão de que esse livro didático apresenta um objetivo único de leitura, o que exclui o ensino de objetivos específicos de leitura, levando em consideração os diferentes textos trabalhados em sala de aula.
Em outro estudo da área, Ferreira e Dias (2004) defendem que a compreensão de um texto não se dá apenas pelos aspectos gráficos e linguísticos nele presentes, mas também pelo modo como o leitor apreende o sentido de tais marcas a partir do que ele conhece do mundo, da própria língua e também de suas intenções frente a determinado texto. A partir dessas ideias, os autores refletem acerca da compreensão atingida através dessa relação entre texto, leitor e escritor, que é estabelecida, em grande parte, pelas inferências realizadas pelo leitor, levando em consideração todas essas variáveis.
Em outro estudo de Ferreira e Dias (2005), as autoras refletem justamente sobre a variação que ocorre durante o processamento da leitura à medida que os objetivos também são alterados, o que corresponde ao objetivo da presente pesquisa. Assim, abordam a leitura como prática social e como uma atividade afetivo-cognitiva, defendendo a ideia de que a compreensão é constituída a partir da relação entre autor, texto, leitor e contexto, responsável pelas grandes possibilidades de construção de sentido, assim como pela delimitação dessas possibilidades em função da situação comunicativa. Em virtude dessa composição, o leitor torna-se capaz de realizar as inferências necessárias para chegar à compreensão, relacionando o que está explícito no texto com aquilo que está implícito em suas entrelinhas.
Kissilevitc (2007) levanta reflexões sobre o ensino e a aprendizagem de leitura a partir de contextos significativos, ou seja, tendo como ponto de partida a priorização da relação texto, leitor, autor e contexto, também abordados por Ferreira e Dias em suas análises. Sob uma perspectiva sócio-interacionista, observando o texto a partir da situação de leitura em que ele está inserido, veem tal situação como resultante de intervenções e estratégias que devem ser desenvolvidas a partir do momento em que o leitor já está ciente dos seus objetivos frente a uma determinada leitura.
Sponholz, Gerber e Volker (2006) também abordam, de certa maneira, o tema que é objetivo desta pesquisa em um de seus estudos: analisam em que medida o tipo de texto e o propósito de leitura influenciam na geração de inferências durante o processo da leitura. As hipóteses iniciais das autoras são que os participantes irão realizar mais inferências durante a leitura quando possuem objetivos relacionados a um determinado ensino do que durante uma leitura de lazer, assim como leitores com graus de instrução semelhante provavelmente apresentarão inferências de mesmo nível. Para tanto, realizaram uma pesquisa de leitura, em que leitores com objetivos diferentes – de estudo ou de lazer – leram textos diferentes, e o resultado mostrou que não só objetivos diferentes influenciam na realização de inferências, mas também a idade dos participantes e o conhecimento de mundo de cada um. Além disso, dependendo de todas essas variáveis, o tempo de leitura de cada um dos sujeitos também mostrou alterações.
Foram elencados e brevemente comentados apenas alguns dos principais estudos acerca da influência dos diferentes propósitos de leitura na atividade/processamento de leitura, pois são muitas as reflexões acerca da importância das variáveis de leitura para o processo em si. O assunto, em geral, é bastante abordado em estudos da área da linguística, porém, especificamente o assunto da influência dos objetivos de leitura para esse processamento ainda não foi estudado tão a fundo. É frente a essa falta de atenção específica à importância da consciência dos objetivos de leitura que a presente pesquisa visa à investigação da influência dos diferentes propósitos para o processo da leitura.
3 Pressupostos teóricos da pesquisa
Não é cabível iniciar um trabalho que vise a investigar a influência dos objetivos de leitura no processamento desta sem falar em compreensão e entendê-la a partir de seu viés teórico. Sabe-se que a leitura não envolve a mera decodificação de letras e sons para traduzir o que está sendo lido. Trata-se, pois, de um processo cognitivo a partir do qual o leitor compreende o que, inicialmente, decodificou. Esse processo é uma construção de significados a partir daquilo que está escrito, das características físicas do texto lido – superestrutura, aspectos linguísticos e estilísticos – e também das vivências do leitor. Então, como atividade cognitiva, entende-se que a leitura compreende a
interação entre as informações e aspectos visuais e não visuais do texto, já que implica a relação entre os conhecimentos de mundo e o sistema cognitivo do leitor, todos responsáveis pelas inferências construídas durante o ato da leitura. A compreensão leitora, então, “é examinada não só como a apropriação do conteúdo lido, mas como o processamento realizado pelo leitor para realizar essa apropriação” (PEREIRA, 2012, p.82).
Para que a compreensão seja atingida com eficácia, então, é necessário que as estratégias de leitura sejam desenvolvidas, já que são procedimentos que ajudam o leitor a regular sua atividade de leitura e, a partir deles, tornar-se capaz de selecionar, avaliar, persistir ou abandonar determinadas ações para atingir os objetivos de leitura que possui. O leitor faz uso das estratégias de leitura inconscientemente, na maioria das vezes, mas é importante que ele entenda como as utiliza e quais são os caminhos que percorre para chegar à compreensão, pois isso é de suma importância para que torne sua compreensão cada vez mais eficaz e consistente (SOLÉ, 1998).
Como procedimentos que o leitor utiliza para processar a compreensão, as estratégias são definidas como cognitivas e metacognitivas. As estratégias cognitivas são intuitivas e não conscientes, ou seja, são aquelas que o leitor utiliza sem ter consciência de que está utilizando, é uma ação automática. Já as estratégias metacognitivas requerem reflexão e envolvem o uso consciente desses procedimentos. Assim, um exemplo do primeiro tipo de estratégia seria o reconhecimento natural de que a escrita ocidental é disposta da esquerda para a direita; e um exemplo do segundo grupo seria o reconhecimento de um erro e sua avaliação seguida de um reparo, pois a partir disso o leitor refletiria sobre o que fez para acertar na segunda tentativa. É importante ressaltar que as estratégias cognitivas estão centradas no objeto da leitura, ou seja, o leitor se detém no conteúdo do que está lendo, enquanto as estratégias metacognitivas estão centradas no processo da leitura, na reflexão sobre o modo como o leitor está realizando a leitura.
Solé (1998) enfatiza, assim, que as estratégias de leitura, como procedimentos elevados que envolvem a cognição e a metacognição, não podem ser tratados como métodos extremamente precisos e livres de falhas, já que não se trata de habilidades específicas. Dessa forma, entende-se que esses procedimentos envolvem a capacidade de expor e de analisar os problemas e encontrar as soluções para estes, características específicas da “mentalidade estratégica”, termo proposto pela autora. Mesmo que arriscadas, as estratégias envolvem suspeitas coerentes e inteligentes sobre qual
rumo devemos tomar durante a nossa leitura.
Kato (1999) diz que o procedimento da leitura pode ocorrer a partir de dois processamentos: o top-down e o bottom-up. O top-down consiste em um tipo de leitura descendente e não linear, que ocorre na direção das maiores unidades linguísticas para as menores, a partir da qual as características linguísticas deixadas pelo autor e os conhecimentos prévios do leitor são utilizados para realizar predições e testagem de hipóteses. Portanto, quando o leitor tem muito conhecimento prévio sobre os aspectos desenvolvidos no texto, esse processamento é utilizado. Já o bottom-up refere-se ao processamento ascendente e linear, que acontece na direção das menores unidades linguísticas para as maiores, utilizado comumente nas situações em que o leitor tem poucos conhecimentos prévios acerca do conteúdo desenvolvido no texto.
De qualquer forma, vale ressaltar que um processamento não exclui o outro, pois podem ser utilizados alternadamente, inclusive. O leitor que utiliza o top-down com mais frequência, geralmente lê com maior fluência e é capaz de captar mais facilmente as ideias do texto. Já o leitor que utiliza mais comumente o bottom-up, constrói o sentido daquilo que leu predominantemente com base no texto.
Sabendo, então, o que é a leitura e a compreensão, bem como quais são as variáveis que podem influenciar nesse processo, nos deteremos daqui em diante nos objetivos de leitura e sua influência para o processamento da leitura. São os objetivos de leitura que guiarão e situarão o leitor frente a um texto, delineando os caminhos a serem percorridos durante a leitura, bem como auxiliando na consecução do próprio objetivo, ou seja, na compreensão do texto. A leitura que faremos de um texto, portanto, sempre estará de acordo com a nossa intenção. Se a intenção muda, também é alterado o tipo de leitura que será realizado (SOLÉ, 1998).
A autora elenca alguns dos principais objetivos que os leitores podem ter frente a um texto, entre eles: ler para obter alguma informação pontual, ler para seguir determinadas instruções, ler para obter uma informação geral sobre o conteúdo lido, ler para aprender algo (sempre se aprende, mas é fato que, por vezes, lemos algo unicamente com essa intenção), ler para revisar algo que nós mesmos escrevemos, ler por prazer e bem-estar, ler para comunicar um texto a algum público, ler para praticar a leitura em voz alta, ler para constatar o que foi compreendido com a leitura etc. As intenções podem ser muitas ou ainda uma só, mas é certo que o leitor sempre terá um objetivo
frente a um texto. Ninguém inicia uma leitura sem finalidade alguma. E, para isso, também é importante que os conhecimentos prévios dos alunos sejam ativados, bem como medidos, a fim de que se tenha um resultado independente dessa variável. Esse tópico será melhor discutido na seção referente à metodologia da pesquisa.
Giasson (2000) ressalta a importância do estabelecimento da relação entre três variáveis essenciais à compreensão: leitor, texto e contexto. Como o nosso propósito é tratar dos objetivos de leitura, nos ateremos à variável contexto, que envolve o contexto psicológico, o contexto social e o contexto físico, segundo a autora. A intenção do leitor, nesse caso, está inserida no contexto psicológico, que está relacionado às condições do leitor e do seu meio, ou seja, ao interesse que o leitor tem pelo texto a ser lido e à motivação que possui. A autora coloca a intenção da leitura como fator circunstancial para a compreensão, já que “a maneira como o leitor aborda o texto influenciará o que ele vier a compreender e a reter dele” (GIASSON, 2000, p. 40).
A partir desses pressupostos – aqui brevemente expostos, pois a pesquisa encontra-se recém em fase embrionária –, teve-se a intenção de demonstrar o objetivo da pesquisa frente à teoria que lhe subjaz, além de demonstrar os princípios que a motivaram e que a fundamentam. Na próxima seção, serão melhor definidos e explicados o objetivo e a questão de pesquisa provisória, bem como a metodologia que se pretende empregar para a realização da pesquisa.
4 Objetivos e metodologia
Como já pudemos notar ao longo deste trabalho, a pesquisa foi motivada pela relevante importância da intenção do leitor frente aos textos que lê, já que são seus objetivos de leitura que guiarão o processamento da compreensão. Assim, entende-se que os alunos, como leitores proficientes, somente atribuirão sentido a suas leituras a partir do momento em que constatarem qual é a finalidade da sua tarefa. É necessário que eles estejam convictos do que querem e do que pretendem fazer para, então, realizarem uma leitura eficiente. Solé enfatiza que
O fato de saber por que fazemos alguma coisa – por exemplo, por que está lendo este livro? – saber o que se pretende que façamos ou que pretendemos com uma atuação é o que nos permite atribuir-lhe sentido e é uma condição necessária para abordar essa atuação com maior segurança, com garantias de êxito (SOLÉ, 1998, p. 42).
Em função de tais pressupostos, o objetivo geral da pesquisa é investigar quais são as alterações sofridas no processamento da leitura e na compreensão à medida que os objetivos de leitura dos leitores também mudam. A principal questão de pesquisa que se pretende responder é “Em que medida a variação do objetivo de leitura do leitor interfere no processamento da leitura e na compreensão do texto lido?”. Naturalmente, ao longo desse processo inicial da pesquisa os objetivos específicos ainda não foram evidenciados, mas, a partir da reflexão acerca das possíveis intervenções que os objetivos do leitor podem causar na leitura, novas indagações podem surgir.
Para que o objetivo seja atingido, um único texto será selecionado e, a partir da sua temática, será realizado um levantamento dos conhecimentos prévios dos sujeitos leitores através de um instrumento que será elaborado para tal constatação. Após esse levantamento, será realizado um nivelamento desses conhecimentos, pois os sujeitos precisam estar próximos em termos de nível de conhecimentos prévios, embora seja impossível a exatidão dessa variável, já que cada indivíduo é único e possui experiências pessoais e intelectuais singulares. Após a realização de tal nivelamento, serão elencados diferentes objetivos de leitura para cada sujeito e, depois, o texto será lido por eles e o objetivo deverá ser atingido (os sujeitos realizarão a tarefa após saberem qual objetivo devem alcançar). A partir dos resultados – diferentes tipos de processamento, diferentes leituras e interpretações, diferentes informações no foco da atenção etc. –, serão constatadas quais são as alterações sofridas especificamente em função de cada uma das intenções dos leitores.
A partir do objetivo que se pretende atingir e da questão de pesquisa que deve ser respondida, a pesquisa será realizada através da metodologia descrita. É evidente que as ideias são bastante iniciais ainda e todas as etapas serão pensadas com cuidado e atenção, para que sejam descritas de forma detalhada e esclarecedora. De qualquer forma, o mais importante é ter em mente que o objetivo principal é este: entender quais são as consequências da leitura de um mesmo texto com objetivos diferentes, a fim de que fique evidenciada a importância de saber o que se quer para chegar à compreensão de maneira efetiva.
5 Considerações finais
claras quais são as intenções que fomentaram a vontade de realizar esta pesquisa, que está em sua fase embrionária. É notório que os nossos objetivos nos guiam durante nossa vida e não ocorre de maneira diferente com o processo da leitura.
O que influenciará o nosso modo de ler, as informações para as quais voltaremos mais a nossa atenção, o que extrairemos de determinado texto, a nossa compreensão como um todo, são as nossas intenções frente ao texto a ser lido. O que pretendemos fazer com ele nos mostrará como progredir, o que buscar, o que descartar etc. Frente a isso, pretende-se levantar uma reflexão acerca da importância desse aspecto: o objetivo como fator fundamental para nortear a leitura.
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