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ARQUIVOS E FONTES DOCUMENTAIS: A CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO DO MOVIMENTO DE EDUCAÇÃO DE BASE EM TEFÉ/AM 1

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ARQUIVOS E FONTES DOCUMENTAIS:

A CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO

DO MOVIMENTO DE EDUCAÇÃO DE BASE EM TEFÉ/AM

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Leni Rodrigues Coelho

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Considerações Iniciais

Tefé é uma cidade do interior do estado do Amazonas e foi cenário, por várias décadas da atuação do Movimento de Educação de Base (MEB), no entanto, muito pouco se escreveu sobre essa(s) história(s). A partir de 2008, professores dos cursos de Pedagogia e História e bolsistas de iniciação cientifica começaram a desenvolver atividades que visaram a construção de um Arquivo Histórico que possibilitasse a construção dessa(s) histórias(s). Neste trabalho buscou-se refletir sobre o trabalho desenvolvido e como ele contribuirá para a consolidação da escrita da história da educação de jovens e adultos dessa região ainda pouco conhecida pela academia local e nacional.

Ressalta-se que o estado do Amazonas abriga a maior floresta tropical do mundo, com riquezas naturais insondáveis e tem cada vez mais atraído a atenção tanto de brasileiros como de estrangeiros. Maior rio, maior bacia hidrográfica, imagens grandiosamente ligadas à sua imensa geografia são recorrentes no imaginário popular. De maneira geral, a história da região pauta-se por representações veiculadas pela mídia, que enfatiza questões referentes à natureza e às populações indígenas, silenciando muitas outras histórias, ou seja, a dos sujeitos sociais concretos. Exemplo emblemático dessa questão é a história do Movimento de Educação de Base (MEB), nessa região.

Em específico, este trabalho trata da organização, da catalogação e da digitalização dos documentos do Movimento de Educação de Base, um movimento popular relevante no município de Tefé-AM e região e como esse acervo abre novas perspectivas para a escrita da história da educação na região do Médio Solimões. No que diz respeito ao Movimento de Educação de Base em Tefé e redondezas, apesar de sua importância na luta pelo acesso à educação para setores até então excluídos dos bancos escolares e da organização política das

1 Os resultados da pesquisa são frutos dos projetos de Iniciação Científica (PAIC), financiados pela Fundação de

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comunidades ribeirinhas, continua sendo um movimento praticamente desconhecido pela população em geral e mesmo na academia, tendo em vista que poucos são os trabalhos que tratam essa temática, isto tanto em nível de graduação como de pós-graduação. Portanto, a manutenção do arquivo do MEB é importante para a população do município de Tefé, por que permite o acesso da sociedade como um todo a fontes primárias, as quais são significativas para as pesquisas da área de educação e cultura popular. Para Medeiros (2009, p. 187):

A luta pela organização de arquivos no municípios e estados passou a ser tarefa fundamental para viabilizar a história da educação: não se trata do acesso ‘permitido’ a um ou a alguns pesquisadores, mas o acesso garantido à comunidade, de forma adequada.

A criação da Universidade do Estado do Amazonas e, respectivamente, do curso de licenciatura em História e Pedagogia é recente, data de 2001. A partir da consolidação dos cursos e a busca pelo desenvolvimento da pesquisa científica é que um grupo de professores e alunos identificou o acervo nas dependências da Rádio Educação Rural de Tefé e iniciou as atividades focando a organização dos documentos que registram a atuação do MEB e que foi coletado e guardado pela Igreja Católica desde o século XVIII. O acervo guarda documentos escritos e iconográficos referentes aos quarenta anos de história do MEB Tefé, mas encontrava-se em condições precárias sem um local apropriado para seu armazenamento e mesmo sem nenhuma organização sistemática que possibilitasse o desenvolvimento de pesquisas científicas.

Afirma-se que a produção do conhecimento de história no Brasil, nas primeiras décadas do século XX, apresentava quadro bastante deficitário, não havendo a consolidação dos estudos histórico-científicos nacionais bem definidos, sendo as obras de análise sobre o país reduzida, apresentando em sua maioria pouca reflexão crítica, como afirma Lapa (1981). No entanto, já na década de 1980, identifica-se a preocupação de muitos historiadores, como por exemplo Challoub (1986), que traz à tona o cotidiano das pessoas simples e suas mais variadas formas de existência/resistência. Essa preocupação estende-se não só a história como a várias outras áreas do conhecimento, como a Educação, no que diz respeito ao compreender as várias faces da educação no Brasil.

Difundiu-se, dessa forma, entre os pesquisadores, a compreensão da importância das ações de todos os agentes sociais na produção da realidade. Nos dias atuais identifica-se grande preocupação com a necessidade de inserir na escrita da história sujeitos históricos negligenciados, até então, como os pobres, as mulheres e os negros. A busca da inclusão,

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iniciada nos discursos, principalmente a partir dos anos de 1980 que anunciam os projetos sociais, expandiu-se para as reivindicações por melhores condições de vida, pela participação na vida econômica e política - nas páginas da História. Esses objetivos foram perseguidos pelo Movimento de Educação de Base em nível nacional e Tefé em específico.

Entende-se, tal como Marc Bloch (1997), que o historiador investiga suas questões com os pés fincados em seu tempo. Bloch em “Apologia à História” apresenta uma nova forma de fazer história com métodos científicos, enfatizando o constante movimento da pesquisa histórica, que, em seu ato de tessitura, constrói novas tramas narrativas, mas que a preocupação essencial é com as ações dos homens no tempo, em seus vários âmbitos político, social, cultural e econômico.

O Arquivo e a Memória do Movimento de Educação de Base em Tefé

No primeiro contato com a documentação, essas se encontravam desorganizadas, empoeiradas e guardadas dentro de caixa de papelão, pastas e envelopes A4, em condições inadequadas para conservação e arquivamento. Assim, iniciou-se o trabalho de organização, catalogação e digitalização de documentos guardados nas dependências da Rádio Educação Rural de Tefé. O trabalho realizado tem uma relevante missão, ou seja, de contribuir para preencher as lacunas no que diz respeito à história da educação, da organização política, da cultura, enfim, da história do município de Tefé. Em relação a preservação do patrimônio documental Sousa (2009, p. 127) ressalta que:

Se, para os grandes centros, essa tendência, muitas vezes, se reveste de experiências bem-sucedidas de constituição e proteção de acervos de valor histórico, o mesmo não ocorre quando atentamos para a realidade de cidades interioranas, com valorosas exceções [...]. Com efeito, a despeito de diversas tentativas e iniciativas de organizar instituições voltadas para a guarda da memória local e regional, temos conseguido fazer muito pouco – ou quase nada – se consideramos a dimensão e riqueza do nosso patrimônio histórico e o crescente processo de destruição a que se encontra submetido.

Foi perceptível as péssimas condições de armazenamento e conservação, o que instigou a refletir sobre o não reconhecimento da importância da conservação dos documentos para a construção do conhecimento e da própria memória. Ressalta-se a relevância das ações realizadas com os documentos para o meio acadêmico, em razão de possibilitar o contato com vários registros deixados por esse movimento, no entanto, até o presente momento foi alvo de poucas análises. Para além desse fato, identificou-se que havia uma expressiva documentação que tratava da história da Educação de Jovens e Adultos, uma temática

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relegada a um plano secundário pelos governantes e pelos educadores, com raras exceções. A respeito dessa problemática Fávero (2009, p. 05) afirma que:

A história da educação de adultos e a história da educação popular não aparecem nos livros de história da educação brasileira; uma ou outra vez são feitas referências esparsas, não raro apenas a Paulo Freire, pela sua projeção. Toda a produção sobre essas ‘modalidades’ educativas conta de livros específicos, a maioria deles provenientes de trabalhos de teses e dissertações. Além disso, o relativamente difícil acesso a esses livros, encontrados apenas em bibliotecas universitárias e em sebos, e o pouco empenho no estudo aprofundado das campanhas e movimentos, inseridos nos respectivos contextos históricos, tem levado a interpretações parciais e não raro incorretas.

A construção do Arquivo Histórico em Tefé com documentos referentes ao MEB rema contra a realidade afirmada por Fávero, pois possibilitará aos professores pesquisadores, alunos de graduação e pós-graduação desenvolverem pesquisas científicas naquele espaço, sobre a temática da educação popular e de jovens e adultos já que permite o acesso a uma documentação valiosa e inédita como fontes primárias, as quais são significativas para a consolidação de pesquisas científicas nas referidas temáticas.

Para a consolidação do arquivo foram realizadas atividades práticas e teóricas com metodologia específica de organização e preservação dos documentos, que incluiu basicamente duas etapas. No primeiro momento da pesquisa priorizou-se a formação teórica com estudos de obras referentes ao tema: Bosi (1994); Cunha (1992); De Decca (1992); Fávero (2009); Fenelon (1993); Fonseca (1997); Le Goff (2003) e Spinelli Jr (1997).

No segundo momento trabalhou-se com a higienização dos documentos, retirando os grampos, clipes metálicos e outros artefatos que danificam o papel. Para fazer esta limpeza utilizou-se pincel próprio para retirar as sujidades de insetos encontradas na documentação, bem como a organização, catalogação e digitalização de todos os documentos. Na prática objetivou-se separar, higienizar, organizar e catalogar os documentos produzidos pelo Movimento de Educação de Base durante os seus quarenta anos. A limpeza dos documentos possibilitou a conservação e a acomodação dos mesmos, tendo em vista que depois de limpos eram acomodados em pastas. Ressalta-se que para Beck (1991, p. 57), “a limpeza é um dos fatores prioritários de preservação”.

As espécies documentais encontradas no Prédio da Rádio Educação Rural de Tefé são registros da atuação do MEB desde seu surgimento em 1963 até seu encerramento em 2003, e são variados: relatórios anuais, mensais e trienais do MEB, plano de encontros, folhas de pagamentos de funcionários, livros, cartilhas do MEB, scripts, avaliações, recortes de jornais,

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álbuns de fotografias, planejamento de atividades, prestações de contas, correspondências, atas, ofícios e documentos diversos.

Constam também documentos referentes às atividades desenvolvidas pelo MEB em outras localidades do estado do Amazonas como Jutaí, Carauari, Maraã e Fonte Boa, bem como documentos produzidos em outros estados do nordeste brasileiro. Muitos são exemplares raros, guardados ao longo dos anos, salvos do pouco apreço à preservação de nossa memória ou que sobreviveram à desestruturação dos movimentos populares ocorrida no país após o golpe militar de 1964. Corroborando com essa questão Toledo e Gimenez (2009, p. 119), argumenta que:

Cabe, ao pesquisador, individualmente, fazer o trabalho que deveria ser de uma política pública de construção e preservação da memória (documentada) nacional e da cultura (documentada) no Brasil. Isso pode ser constatado no caso da tímida abertura dos arquivos dos órgãos estatais de repressão no Brasil durante a ditadura militar. Os arquivos foram disponibilizados com algumas restrições, mas não estão organizados e nem digitalizados. Há ainda um grande trabalho a ser feito.

A organização do acervo da Rádio Educação Rural de Tefé ainda não está totalmente concluída, entretanto, é possível afirmar que a documentação se encontra incompleta. No decorrer das atividades foram organizados e catalogados 5.333 documentos, destes foram digitalizados aproximadamente 500 documentos primários e 800 fotografias. Na sua grande maioria os documentos, sejam escritos ou iconográficos, encontravam-se gastos em decorrência da ação do tempo e do pouco apreço da sociedade. Diante dessa realidade foi necessário agir urgentemente para preservar a memória do movimento. O trabalho realizado não se restringe ao ato de apenas arquivar e organizar papéis, e sim de guardar registros da atuação do MEB, possibilitando escrever páginas importantes da história no município de Tefé, ou seja, parte da história da cidade. Nesse sentido, Le Goff, (2003, p.535), afirma que:

O documento não é qualquer coisa que fica por conta do passado, é um produto da sociedade que fabricou segundo as relações de forças que aí detinham o poder. Só a análise do documento enquanto monumento permite á memória coletiva recuperá-la e ao historiador usá-lo cientificamente, isto é, com pleno conhecimento de causa.

A conservação e a preservação desses arquivos garantem o imprescindível acesso às informações de documentos oficiais desse movimento, buscando preservar a memória e a cultura do patrimônio histórico, divulgando os valores históricos, artísticos e afetivos do patrimônio cultural do Município de Tefé. Paoli (1992, p. 25), salienta que:

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um espaço de sentido múltiplo, onde diferentes versões se contrariam porque saídas de uma cultura plural e conflitante. A noção de ‘Património Histórico’ deveria evocar estas dimensões múltiplas da cultura como imagem de um passado vivo: acontecimentos e coisas que merecem ser preservados porque são coletivamente significativas em sua coletividade. Não é, no entanto, o que parece acontecer: quando se fala em patrimônio histórico, pensa-se quase sempre em uma imagem congelada do passado. Um passado paralisado em museus cheios de objetos que ali estão para atestar que há uma herança coletiva cuja função social parece suspeita.

O trabalho desenvolvido até o presente momento na Rádio Educação Rural de Tefé ainda não é suficiente para garantir a preservação e conservação dos documentos num espaço de médio e longo tempo, pois é necessário que se tenha um local apropriado para arquivar tais documentos, além de utilizar um processo de restauração que ainda não possuímos condições de realizar, e, principalmente, a digitalização dos documentos, para que minimize os riscos de se perder os originais, mas, importantes passos foram dados.

No entanto, os riscos de se perder parte da documentação ainda não foram totalmente superados. Faz-se importante destacar ainda que a realidade do Arquivo da Rádio Educação Rural de Tefé se encontra na atualidade com falta de recursos e de profissionais qualificados para atender o pesquisador, meios inadequados de conservação do material em uso, faltam treinamentos e técnicas de conservação e restauro dos documentos no acervo.

Acrescente-se a isso que, ao longo dos anos não houve uma efetiva busca da construção da história da educação, mas principalmente, da educação de jovens e adultos na cidade de Tefé. Assim, muitas histórias da grande parte da população ribeirinha que viviam em Tefé e seus arredores foram silenciadas e o trabalho realizado buscou transformar esse panorama.

A Preservação dos Documentos do Movimento de Educação de Base em Tefé

A preservação e a conservação são técnicas de importância imperiosa para as bibliotecas, arquivos, museus e demais centros de documentação que necessitam de cuidados para que estejam disponíveis para consulta ou manuseio das gerações futuras. Portanto, Medeiros (2005, p. 23) ressalta que é necessário conservar para não restaurar.

A importância de conservar e preservar um objeto que consideramos parte de um patrimônio está no fato deste se constituir registro material da cultura, da expressão artística, da forma de pensar e sentir de uma comunidade de uma determinada época e lugar, um registro de sua história, dos saberes, das técnicas e instrumentos que utilizava.

A respeito dessa questão, professores e alunos da Universidade do Estado do Amazonas em Tefé desenvolvem projetos com a finalidade de organizar, catalogar e digitalizar os

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efetiva para a manutenção e a preservação dos acervos históricos. Os problemas referentes à falta de conservação documental, em especial a do MEB/Tefé ainda são deixados de lado pela falta de conhecimento e pouco apreço da população.

A partir do momento que as instituições e profissionais da área da educação em Tefé adotarem normas e critérios para o manuseio dos acervos, bem como sensibilizarem a população da importância que têm os bens culturais e históricos certamente haverá melhoria no que tange a preservação e conservação do patrimônio histórico.

Percebe-se que esta não é uma realidade apenas no Município de Tefé, pois ocorre também em outros municípios e estados brasileiros. Na realidade brasileira existem muitos acervos e poucos profissionais qualificados, o descaso das autoridades, a falta de uma política de preservação e conservação que dão ao patrimônio histórico um caráter de não relevância. Desta forma é importante que a sociedade, os pesquisadores, os estudantes e os professores se mobilizem na busca da preservação desses acervos documentais.

Para que os acervos documentais tenham sua vida prolongada é necessária uma construção de locais apropriados. Acredita-se que na tentativa de recuperar um acervo, muitas vezes os esforços despendidos nem sempre são satisfatórios, uma vez que se tem a existência de danos causados pelas ações ambientais, químicos e biológicos, como também os danos causados pelo manuseio inadequado e a forma errada de armazenamento, evidenciando assim a necessidade de uma atuação mais eficaz na conservação preventiva, sendo que esta última contribui para a preservação do patrimônio e memória documental de um país.

Como já afirmado, a preservação documental da Rádio Educação Rural de Tefé sofre pela necessidade de profissionais qualificados, falta de equipamentos e matérias básicas para o desenvolvimento dessa função primordial. Apesar de muitos acervos se encontrarem em situações inapropriadas, já se tem em âmbito nacional iniciativas relevantes tanto teoricamente quanto na prática. No que se refere à literatura existente sobre higienização e conservação, constata-se uma preocupação com a conservação preventiva em bibliotecas e arquivos.

Há necessidade de se trabalhar com parcerias, com apoio da sociedade e instituições que buscam preservar os acervos históricos que contam as histórias dos movimentos populares. Além disso, deve-se atentar para o fato de que a preservação dos registros históricos não é responsabilidade de um agente em específico, mas sim da sociedade em geral. A preservação e a conservação desses acervos documentais permitem aos

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pesquisadores subsídios para a construção da narrativa histórica. Para além desse fato também contribui para a preservação da memória e a identidade da sociedade tefeense.

As reflexões aqui realizadas apontam para a potencialidade dos documentos guardados nas dependências da Rádio Educação Rural de Tefé para a escrita da história da educação de jovens e adultos. Por outro lado, enfatizam as ações para a preservação, a conservação e catalogação dos documentos escritos e iconográficos do MEB.

O trabalho realizado teve um duplo sentido. O primeiro exerce forte atração sobre o pesquisador das ciências humanas ansiosos para desvendar no fértil manancial desses testemunhos da memória os meandros das tramas culturais produzidas pelos grupos humanos que viveram na região. Já o segundo, capacitou os estudantes dos cursos de História e Pedagogia da Universidade do Estado do Amazonas para a organização de arquivos, preservação de documentos, proporcionando a oportunidade do primeiro contato com a pesquisa histórica e ou da história da educação.

Considerações Finais

Acredita-se que é necessário adotar uma política de preservação, no tocante às medidas preventivas, dentre elas, a higienização, para combater a eliminação de sujidades sobre as obras, como poeira, partículas sólidas e elementos espúrios à estrutura física do papel, objetivando, entre outros fatores, a permanência estética e estrutural da mesma. Assim a conservação dos documentos é necessária para mantermos viva a identidade cultural. A consciência da importância de um bem cultural é condição primordial para a sua preservação e conservação.

A conservação e preservação dos patrimônios estão baseadas em uma administração segura dos acervos quanto aos recursos adequados e as técnicas apropriadas para prolongar a vida útil dos suportes de informação. As normas relativas ao uso levam em conta critérios determinantes que garantam a integridade física desses patrimônios, visando sua preservação para as gerações futuras. (MEDEIROS, 2006). A conservação dos acervos documentais é um desafio para os sujeitos responsáveis por sua guarda. Entre as mais importantes agressões causadas aos documentos em geral estão aquelas determinadas pela biodeterioração, provocada, muitas vezes por agentes biológicos como fungos e insetos.

Espera-se que o trabalho realizado acerca dos documentos possa subsidiar teórico e empiricamente professores e alunos em suas pesquisas acerca da educação de jovens e adultos em Tefé/AM e outras temáticas que consigam trazer à tona o cotidiano e as

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de estimular a comunidade acadêmica e a sociedade em geral a construção de uma mentalidade voltada à valorização do patrimônio histórico-cultural em que estão inseridos.

Referências

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Nacional, 1991.

BLOCH, Marc. Introdução à História. Edição revista, aumentada e criticada por Étienne Bloch. Publicações Europa-América, 1997.

CASIMIRO, Ana Palmira Bittencourt S; LOMBARDI, José Claudinei; MAGALHÃES, Lívia Diana Rocha (Org). A Pesquisa e a Preservação de Arquivos e Fontes: para a Educação, Cultura e Memória. Campinas/SP: Alínea, 2009.

CASSARES, Norma Cianflone. Como Fazer Conservação Preventiva em Arquivos e Bibliotecas. São Paulo: Arquivo do Estado/Imprensa Oficial, 2000.

CIAVATTA, Maria. Arquivos da Memória do Trabalho e da Educação: centros de memória e formação integrada para não apagar o futuro. São Paulo: Cortez, 2005.

CHALLOUB, Sidney. Trabalho, Lar e Botequim. São Paulo: Brasiliense, 1986.

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DE DECCA, Edgar Salvatore de. Memória e Cidadania. In. DPH. O Direito à Memória: Patrimônio Histórico e Cidadania. São Paulo: Secretaria Municipal de Cultura, 1992.

FÁVERO, Osmar. Memória e História: o DVD Educação Popular 1947-1967. Rio de Janeiro: 2009. FENELON, Déa Ribeiro. Cultura e História Social. In: Revista Projeto História, n. 10. São Paulo: PUC/EDUC, 1993, p. 73-90.

LAPA, José Roberto do Amaral. Historiografia Brasileira Contemporânea: A História em Questão. Petrópolis: Vozes, 1981.

HALBWACHS, Maurice. A Memória Coletiva. São Paulo: Vértice, 1990.

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MEDEIROS, G. F. de. Por Que Preservar, Conservar e Restaurar? Belo Horizonte: Superintendência de Museus do Estado de Minas Gerais, v.2, n.2, p.172-184, ago/dez. 2006.

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MEDEIROS, Ruy Hermann Araújo. Arquivos Escolares. In. CASIMIRO, Ana Palmira Bittencourt S; LOMBARDI, José Claudinei; MAGALHÃES, Lívia Diana Rocha (Org). A Pesquisa e a Preservação de

Arquivos e Fontes para a Educação, Cultura e Memória. Campinas/SP: Alínea, 2009.

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SOUSA, Avanete Pereira. Fontes Documentais para o Estudo do Poder Local e do Cotidiano na Bahia Colonial. In. CASIMIRO, Ana Palmira Bittencourt S; LOMBARDI, José Claudinei; MAGALHÃES, Lívia Diana Rocha (Org). A Pesquisa e a Preservação de Arquivos e Fontes para a Educação, Cultura e

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SPINELLI JUNIOR, Jayme. A Conservação de Acervos Bibliográficos & Documentais. Rio de Janeiro: Fundação Biblioteca Nacional, Departamento de Processos Técnicos, 1997.

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