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ECLI:PT:STJ:2020: T8VIS.C1.S2

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ECLI:PT:STJ:2020:1610.16.0T8VIS.C1.S2

http://jurisprudencia.csm.org.pt/ecli/ECLI:PT:STJ:2020:1610.16.0T8VIS.C1.S2

Relator Nº do Documento

Bernardo Domingos

Apenso Data do Acordão

23/01/2020

Data de decisão sumária Votação

unanimidade

Tribunal de recurso Processo de recurso

Data Recurso

Referência de processo de recurso Nivel de acesso

Público

Meio Processual Decisão

Revista negada a revista

Indicações eventuais Área Temática

Transitado Em Julgado 2ª secção (cível)

Referencias Internacionais

Jurisprudência Nacional

Legislação Comunitária

Legislação Estrangeira

Descritores

união de facto; cessação; bem imóvel; direito de propriedade; compropriedade; usucapião; posse; corpus; animus possidendi;

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Sumário:

I - Os diferendos patrimoniais decorrentes da cessação duma relação de união de facto são apresentados perante os Tribunais com diferentes roupagens e distintos fundamentos jurídicos, desde as acções de reivindicação, a acções de condenação com base em responsabilidade contratual ou em deslocação patrimonial sem causa justificativa, até à partilha e dissolução de sociedades civis.II - O autor fundou o pedido invocando, como causa do mesmo, ser proprietário ou comproprietário do imóvel e, consequentemente, pedindo o reconhecimento dessa sua qualidade e não a condenação da ré a pagar-lhe o que quer que fosse, metade ou a totalidade do valor real do imóvel a título de indemnização, por ter contribuído nessa medida para a sua aquisição.III - Tendo-se provado que o A. praticou sobre o prédio, juntamente com a R., no decurso da união de facto, os actos materiais próprios de um (com)proprietário, pelo tempo necessário para a aquisição por usucapião do direito de (com)propriedade, nos termos do art. 1294.º CC, e que tais actos foram, acompanhados do animus que caracteriza a boa posse para usucapir, nada obsta a que se lhe reconheça a qualidade de comproprietário do imóvel, apesar de registralmente se encontrar apenas inscrito em nome da R. na sequência de acordo de ambos com vista a subtrair tal imóvel aos

herdeiros do A..

Decisão Integral:

ACORDAM NO SUPREMO TRIBUNAL DE JUSTIÇA2ª SECÇÃO CÍVEL * Relatório[1] «No

Tribunal Judicial da Comarca de … Juízo de Competência Genérica de … - Juiz …, AA, intentou contra BB, acção declarativa de condenação, pedindo a) A declaração de que o A., por via da usucapião ou acessão imobiliária industrial, é dono e legítimo proprietário do prédio urbano inscrito na matriz predial rústica da freguesia de …. e …, …, sob o artigo 566 e descrito na Conservatória do Registo Predial de …, sob o n.º 237, e o consequente cancelamento da inscrição matricial em nome da R.; b) Subsidiariamente (e não em alternativa como consta da PI), a declaração de que o A. é, com a R., comproprietário do prédio urbano inscrito na matriz predial rústica da freguesia de … e …, …, sob o artigo 566 e descrito na Conservatória do Registo Predial de …, sob o n.º 237; c) Em caso de

procedência de qualquer um dos pedidos, ser a R. condenada a entregar o prédio livre e

desocupado; d) A condenação da R. no pagamento de custas e condigna procuradoria. Para essa finalidade alegou que iniciou relação amorosa com a R. e que em 1992 passou a viver com esta em união de facto, explorando um café e residindo no mesmo edifício, que arrendou; quando da

partilha subsequente ao seu divórcio (ocorrido em 24.06.1993), recebeu o valor de 34.920 euros e com parte de tal dinheiro adquiriu um lote de terreno pelo valor de 2.490 euros, aquisição em que, todavia, figurou a R. como adquirente, em virtude do A., zangado que estava com os filhos do 1.º casamento, pretender evitar que estes herdassem tal prédio; pretendendo dar início à construção de uma moradia, encomendou o projecto da casa, pelo qual pagou o valor de 748,20 euros, e contratou a sua construção, das estruturas, junto de um empreiteiro pelo preço de 22.450 euros, tendo os acabamentos, anexos, garagens e furo de água sido igualmente por si contratados e integralmente pagos; todas as obras, realizadas de 1994 até cerca de 2007, ascenderam ao valor de 151.520 euros e foram custeadas com os seus recursos financeiros; a partir de 2008, passou a auferir de pensão de reforma no valor de 139,02 euros, valor do qual se serviu, desde então, para beneficiar ainda mais o prédio; alegou também que, quando regressou a Portugal, formou uma sociedade comercial com a aqui R. para exploração de dois táxis, tendo o A. pago todo o valor do capital social – 5.000 euros - e o valor de um veículo automóvel – 20.000 euros – que custeou por

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meio de contrato de empréstimo bancário no valor de 32.000 euros; alegou também que o valor global do terreno, moradia, anexos, garagens, furo de água, vinha plantada ascende, hoje, ao valor de 200.000 euros, tendo sido integralmente pago por si e que já foi oferecido para a respectiva aquisição; alega, finalmente, que todas as deslocações patrimoniais por si efectuadas, tendo em vista a construção da moradia e construções adjacentes, o foram com recursos próprios e com a convicção de que era seu único e legítimo proprietário e tendo em vista a subsistência da relação conjugal, da qual nasceu um filho em comum, que, todavia, em Fevereiro de 2015, cessou; conclui que, para além do terreno que foi por si adquirido, no mais, a casa foi construída com os recursos advenientes quer do A. quer da R. A Ré contestou alegando que depois de terem arrendado o café e passado a habitar no local o A. se dedicava à exploração da sua actividade de taxista e cujos rendimentos para si reservava, era a R. que explorava o estabelecimento de café, das 7 às 2 da manhã, auferindo a quantia de 400 mil escudos e liquidando a renda no valor de 40 mil escudos, cabendo-lhe a si e com a ajuda da pensão de reforma do seu falecido marido, fazer face a todas as despesas inerentes à exploração de tal estabelecimento; com as economias que tinha trazido da Suíça, cerca de 15.000 euros, e com o que já havia amealhado com a exploração do café, decidiu adquirir um terreno para, posteriormente, construir uma casa para a sua família, o que veio a fazer sem recurso a qualquer comparticipação económica do A., aquisição que, depois, registou; alegou, ainda, que posteriormente decidiu construir um moradia no terreno que adquiriu tendo solicitado ao A. que contactasse e solicitasse orçamentos e estabelecesse os contactos necessários com o empreiteiro e contraído um empréstimo da quantia de 3.500.000 escudos, junto da CGD, tendo, para tanto constituído hipoteca voluntária sobre o seu prédio e suportado todas as prestações mensais; mais tarde, e para custear os acabamentos da casa, a R. contraiu, em 26.05.1998, novo empréstimo de 3.000.000 escudos que também suportou integralmente; alegou também que, em meados de 1999, constituiu com o A. uma sociedade comercial para exercer a actividade de motorista de táxi e com a qual auferia a quantia média mensal de 750 euros; alegou também que, para além a referida actividade de motorista de táxi, continuava a cuidar da casa, dos animais (que criava para vender), tudo actividades que, juntamente com a ajuda dos dois filhos mais velhos, geradoras de rendimentos que afectava à gestão da casa e amortização dos empréstimos, sendo que, no mais, os resultados obtidos com a sociedade, eram administrados pelo A. com base na confiança que a R. nele depositava; alegou igualmente que em 2001, procedeu à colocação de sistema de aquecimento a gasóleo com o custo de 2.250 euros, que suportou integralmente e que mais tarde foi substituído por sistema de painéis solares adquirido pelo filho de ambos; mais alegou que, no que se refere aos anexos, para além de custeados estes encontram-se inacabados e, dado a sua construção amadora e aptidão para reduzir a luminosidade da casa, representam um ónus ao edificado, tanto mais que são objecto de um embargo administrativo; no mais, e dado o estado da casa de habitação, impugna o valor de 200.000 euros atribuído pelo A. ao imóvel em causa; alegou igualmente que, em Novembro de 2014, o A. adquiriu um prédio rústico onde implantou uma casa pré-fabricada e para a qual se mudou depois de ter iniciado uma relação de natureza conjugal com outra pessoa, tendo entretanto rompido a relação mantida com a R.. Conclui pela improcedência da acção. Proferido despacho saneador veio a realizar o julgamento e a ser proferida sentença que julgou a acção parcialmente procedente e, condenou a R. BB a reconhecer que o A. AA é legítimo comproprietário do prédio urbano inscrito na matriz predial rústica da freguesia de … e …, …, sob o artigo 566 e descrito na Conservatória do Registo Predial de …, sob o n.º 237; e no mais absolveu a R.». * Inconformada com o decidido, apelou a R. para o Tribunal da Relação de Coimbra, que por acórdão e por unanimidade confirmou a sentença. Mais uma vez irresignada veio a R. interpor

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recurso de revista excepcional, por alegada contradição de julgados e ainda com fundamento na melhoria da aplicação do direito. A formação admitiu a revista por entender verificada o pressuposto referido na al. a) do nº 1 do art.º 672º do CPC – Questão cuja apreciação seja claramente

necessária para uma melhor aplicação do direito. A recorrente rematou as suas alegações com as seguintes Conclusões: «O presente recurso de revista excepcional é admissível por verificação dos requisitos das alíneas a) e c) do n.° 1 do artigo 672.° do Cód. Proc. Civil. No que diz respeito ao fundamento constante da alínea c), ele, caí pela junção aos autos do Acórdão-Fundamento em anexo, cuja nota de trânsito em julgado se protesta juntar. No que diz respeito à alínea a) caberão no seu âmbito nomeadamente situações que surjam tratadas com frequência, e em alguns casos de forma diversa, questões de difícil solução e debatidas de forma controversa na doutrina e na jurisprudência, ou ainda cuja solução suscita e bem assim que sejam suscetíveis de afetar relevantes interesse gerais de uma comunidade, ou seja, se vocacionem a uma solução ou aplicação do direito, o que se considera ser o caso. Fundamentalmente a em resumo de forma sintética, o ora recorrente e seu companheiro (vivência em União de Facto) aqui recorrido, em 1990, a recorrente então viúva, foi trabalhar para a Suíça. Passados cerca de 6 meses da sua chegada à Suíça, a recorrente começou a conviver com o recorrido. Após a recorrente e recorrido estabeleceram uma relação amorosa entre si. Passaram, então, a viver como par, juntamente com os filhos da recorrente, CC e DD, de 9 e 3 anos de idade, na referida freguesia de …, onde

exploravam um café denominado "EE" e no qual fixaram, em aposento integrante, a sua

residência. Em 05.05.1994, a recorrente na qualidade de promitente compradora, celebrou contrato-promessa de compra e venda para aquisição do actual prédio urbano com área total descrita de 1.700 m2, sito em …, freguesia de …, concelho de …, inscrito na matriz predial urbana sob o artigo 566 e descrito na Conservatória do Registo Predial de … sob o n,° 237. Pela apresentação n.° 3 de 24.02.1995, a propriedade do prédio urbano, com área total descrita de 1.700 m2, sito em …, freguesia de …, concelho de …, inscrito na matriz predial urbana sob o artigo 566 e descrito na Conservatória do Registo Predial de … sob o n.° 237, freguesia de …, encontra-se inscrita a favor da R. O prédio apresenta, atualmente, o valor de mercado de cerca de 135.000 euros. A douta

sentença como o acórdão deram como provado: A petição enquadra-se numa "Ação de

Reivindicação"; Não sendo uma ação de "Enriquecimento Sem Causa"; Como ambos contribuíram para edificar o prédio configura uma situação de "Compropriedade" E, mesmo que assim se não entenda é alcançado pelas regras o instituto da "Usucapião". Por fim, diz a sentença que o A. não pode requerer a totalidade da propriedade, porque com dinheiro dos dois para aquisição conjunta, fazendo nascer, por via do contrato, uma situação de "Compropriedade". Em sentido contrário ao do acórdão recorrido: e no sentido defendido pela ora recorrente pronunciou-se ou o Acórdão do Supremo Tribunal de Justiça de 13.09.2011, Relator Nuno Carneira, Processo n°

2903/05.7TBCSC.L1.S1, disponível em www.dgsi.pt que a ora recorrente elege como Acórdão-Fundamento e cuja cópia ora se junta, protestando juntar-se tal acórdão com nota de trânsito em julgado. Neste Acórdão-Fundamento decidiu-se nos seguintes termos: "Acordam por unanimidade: I - A nulidade do acórdão por contradição entre os fundamentos e a decisão só ocorre quando a fundamentação adoptada conduz logicamente a determinada conclusão e, a final, o juiz extrai outra, oposta ou divergente (de sentido contrário). II - Ocorre erro de julgamento se as

consequências jurídicas extraídas dos factos, cuja inserção no processo a Relação determinou, foram inadequadas, por inadequada ter sido a sua subsunção à regra ou regras de direito pertinentes à situação concreta a julgar. III - A união de facto, por si só, não é título ou modo

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a autora ter contribuído em medida que não foi possível apurar para a aquisição de uma fracção autónoma em vida do seu companheiro e que este inscreveu no registo predial em nome dele - cf. art. 1316.° do CC, em conjugação com as normas da Lei n.° 7/2001, de 11-05. IV - Ponderando que as Leis n.°s 135/99, de 28-08, 7/2001, de 11-05, e 23/2010, de 30-08 [diplomas que

estabelecem medidas de protecção da união de facto] não contêm normas de direito transitório que determinem expressamente a sua aplicação a factos passados (i.e., a situações de união de facto já dissolvidas à data da sua entrada em vigor), tem de prevalecer a regra geral estabelecida no art 12.°, n.° 1, do CC, segundo a qual a lei só dispõe para o futuro. Dos factos provados o Autor alegou conforme se deixou descrito nestas alegações. A tese da recorrente é que tudo se passou na constância da União de Facto e será sobre este instituto jurídico (Enriquecimento Sem Causa) que terá, que ser analisada a questão sub judice e não como ação de reivindicação como

decidido. Face a esta problemática o acórdão recorrido concluiu-se que: A petição enquadra-se numa "Ação de Reivindicação"; Não sendo uma ação de "Enriquecimento Sem Causa"; Como ambos contribuíram para edificar o prédio configura uma situação de "Compropriedade" E, mesmo que assim senão entenda é alcançado pelas regras o instituto da "Usucapião". Por fim, diz a sentença que o A. não pode requerer a totalidade da propriedade, porque com dinheiro dos dois para aquisição conjunta, fazendo nascer, por via do contrato, uma situação de

"Compropriedade". Da matéria de Facto dada como provada pela Relação rigorosamente igual ao do Acórdão-Fundamento conforme acima descrito e assente no referido douto Acórdão: Quanto à matéria de Direito o recorrido, alegando ter contribuído na proporção de metade para o pagamento das prestações, pretende ser declarado total ou parcial comproprietário do prédio identificado na petição inicial. Na escritura pública e registo PREDIAL da CONSERVATÓRIA consta como

compradora apenas a recorrente, tendo o registo sido efetuado apenas em nome desta. Assim, nos termos do artigo 7.° do Código de Registo Predial este goza da presunção de que o direito existe e de que lhe pertence nos precisos termos em que o registo o define. Pretende o recorrido ser

considerado comproprietário do prédio em causa. Como já se referiu anteriormente, não basta alguém provar que contribuiu para a compra de determinado bem para que possa ser considerado, sem mais, comproprietário. A ação intentada pelo apelado é uma ação de simples apreciação positiva e não uma ação de reivindicação, por o apelado não estar na posse do imóvel e pretender o reconhecimento do seu domínio (Antunes Varela, RLJ115.7272).Por estar em causa o

reconhecimento do domínio relativamente a um imóvel, estamos perante uma ação real. Ora, nas ações reais a causa de pedir é o facto jurídico de que deriva o direito real (artigo 498.°, n.° 4 do Cód. Civil). Competindo ao Autor a prova dos factos constitutivos do seu direito nos termos do artigo 342.°, n.° 1, Cód. Civil, quem se arroga proprietário de um imóvel, ou invoca a presunção derivada do registo predial, ou demonstra a aquisição originária do bem. O recorrido não beneficia de qualquer presunção registrai. Nos termos do artigo 1316.° Cód. Civil, a propriedade adquire-se por contrato, sucessão por morte, usucapião, ocupação, acessão e demais modos previstos na lei.No caso dos autos, apenas podem estar em causa a aquisição por contrato ou a

usucapião. Resultou provado que o prédio em causa foi transmitido à recorrente companheira do apelado através de contrato de compra e venda, titulado por escritura pública. A compra e venda é um negócio formal. Nos termos do artigo 875.° Cód. Civil, na redação introduzida pelo artigo 4.° do Decreto-Lei 116/2008, de 4 de Julho, sem prejuízo do disposto em lei especial, o contrato de compra e venda de bens imóveis só é válido se for celebrado por escritura pública ou por

documento particular autenticado. O recorrido não foi parte nessa escritura pública nem pôs em causa a validade das declarações de vontade que foram emitidas. A circunstância de ter

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contribuído, em medida concretamente não apurada, não o transforma sem mais em

comproprietário. A única hipótese que teria para ilidir a presunção decorrente do registo seria a aquisição por usucapião que não invocou (cfr. artigo 1288.°), sendo aliás, discutível que fosse possuidor, pois a posse do prédio foi transmitida à recorrente (cfr. artigo 1263.°, alínea b), CC), sendo a sua posse uma posse sem ser em nome doutrem. Contrariamente ao que sucede no casamento (cfr. artigos 1724.° a 1733.° CC), não existe um regime de bens que defina a natureza dos bens adquiridos durante a união de facto, pelo que não se pode falar em património comum relativamente a bens que são adquiridos durante a comunhão de vida, com o dinheiro ou esforço de ambos (cfr. França Pitão, Uniões de facto e economia comum, Almedina, pg. 172 e ss.). A tutela do direito do recorrido relativamente à sua comparticipação na aquisição do prédio deverá ser feita no âmbito do instituto do enriquecimento sem causa, demonstrados os respetivos pressupostos, se nada tiver sido convencionado entre as partes (cfr. Francisco Pereira Coelho e Guilherme de

Oliveira, Curso de Direito da Família, Coimbra Editora, 4.a edição, pg. 79-80). Deve ser improcede, pois, a pretensão do recorrido, de ser considerado comproprietário do prédio em causa. Admitindo que pelo menos algumas das normas da Lei 7/2001, de 11 de Maio, seriam aplicáveis ao caso vertente, por força do artigo 12.°, n.° 2, in fine, CC, afirma o Mm.° Juiz a quo que os respectivos efeitos, maxime quanto à protecção da casa de morada de família, são apenas os que constam dos artigos 4.° e 5.° da referida lei, não se encontrando incluído nesses efeitos a comunhão de bens, E que para além de prever a transmissão do arrendamento por morte (cfr. artigo 5.° da Lei n.°

7/2001, de 11 de Maio), que ao caso não se aplica, a lei apenas consagra a existência de um direito real de habitação e/ou de um direito de preferência ao membro sobrevivo de uma união de facto, nos termos previstos no artigo 4.°, n.° 1, da referida Lei n.° 7/2001 [direitos esses que, in casu, já se extinguiram pelo decurso do respetivo prazo de 5 anos]. No ordenamento jurídico português atualmente em vigor o legislador optou por não estender às uniões de facto

determinados efeitos patrimoniais, como seja o da comunhão de bens. E afastou também que por esta via a apelante pudesse ter adquirido a compropriedade do prédio. No entanto, a invocação da Lei 135/99, de 28 de Agosto, e da Lei 7/2001, de 11 de Maio, não foi tanto no sentido de o apelado ter adquirido a compropriedade do prédio por esta via, mas de ser titular de um direito de ocupação do mesmo em causa obstativo da entrega da mesma à apelada. Sustenta a recorrente que tendo vivido com o recorrido/companheiro por mais de vinte anos, beneficia do regime legal de proteção da união de facto, invocando a inconstitucionalidade dos artigos 4.°, n.° 1, da Lei 135/99, de 28 de Agosto, e no artigo 4.° da Lei 7/2001, de 11 de Maio,por violação do princípio constitucional da proteção da família ínsito no artigo 36.°, n.° 1, da CRP, se interpretadas no sentido de estabelecer um regime de não proteção ou de proteção limitada da casa de morada da família constituída em união de facto face à família constituída através de casamento, bem como ao estabelecerem um tratamento injustificadamente diverso entre as casas de morada da família arrendadas e as não arrendadas, como é o caso. Contrariamente ao alegado pelo recorrido a união de facto, por si só, não é título ou modo jurídico legalmente reconhecido para a aquisição do direito de propriedade, como o não é o facto de o Autor ter contribuído para a aquisição do prédio ajuizado em medida que não foi possível apurar: é o que se conclui da conjugação do disposto no art.° 1316.° do Cód. Civil com as normas da Lei 7/2001, de 11 de Maio. O Autor não invocou a usucapião como modo da aquisição do direito peticionado (artigos 1287.° e 1316.° do Cód. Civil); por isso, nem as instâncias puderam, nem este STJ poderá julgar com base nessa causa de pedir, sob pena de violação do disposto no art.° 664.° do C.P.C., que imperativamente obriga à plena coincidência entre a causa de pedir e a causa de julgar. Ainda que se considerasse ter havido da parte do recorrido alegação

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explícita e suficiente daquela causa de pedir, certo é que não se provaram factos concretos que a demonstrem, designadamente a posse pública do direito de (com)propriedade pelo tempo

legalmente exigido (artigos 1287.° e 1297.° do Cód. Civil). E no Acórdão-Recorrido decidiu-se o seguinte: (...) Não merece censura a sentença recorrida ao condenar-se a Ré no reconhecimento de que o Autor é comproprietário do prédio em causa nos autos, e resulta prejudicada, porque incompatível, a apreciação das demais pretensões assentes no instituto da cessão imobiliária industrial. E no Acórdão-Fundamento? Como atrás dissemos, estamos de inteiro acordo com a fundamentação expressa pela Relação, importando tão somente acrescentar as precisões que se seguem. O alegado pela recorrente a união de facto, por si só, não é título ou modo jurídico legalmente reconhecido para a aquisição do direito de propriedade, como o não é o facto de o Autor ter contribuído para a aquisição do prédio ajuizada (pela ação de reivindicação) em medida que não foi possível apurar: é o que se conclui da conjugação do disposto no art.° 1316.° do Cód. Civil com as normas da Lei 7/2001, de 11 de Maio. O Autor não invocou a usucapião como modo da aquisição do direito peticionado (art.°s 1287.° e 1316.° do Cód. Civil); por isso, nem as

instâncias puderam, nem este STJ poderá julgar com base nessa causa de pedir, sob pena de violação do disposto no art.° 664.° do C.P.C., que imperativamente obriga à plena coincidência entre a causa de pedir e a causa de julgar. Ainda que se considerasse ter havido da parte do recorrido alegação explícita e suficiente daquela causa de pedir, certo é que não se provaram factos concretos que a demonstrem, designadamente a posse pública do direito de

(com)propriedade pelo tempo legalmente exigido (art.°s 1287.° e 1297.° do Cód. Civil). Verifica-se, pois, que, nos aludidos processos estamos a lidar com a mesma realidade jurídica. Ora a

desconformidade surge quando, na mesma questão jurídica de direito - efeitos patrimoniais

jurídicos derivados da União de Facto – a sentença como o douto Acórdão da Relação de Coimbra de que se recorre consideram que, não estando perante "efeitos jurídicos do fim da União de Facto" mas perante a discussão da reivindicação de qualquer o propriedade fora desse instituto. Nestes termos, parece-nos evidente, com respeito por opinião diversa, que terá de ser situação submetida a esse Venerando Supremo Tribunal de Justiça, para que, de uma vez por todas clarifique a

questão jurídica, com as implicações legais daí advenientes e por esse via sejam também

alcançadas a segurança e certeza jurídicas necessárias. Todavia, mesma que não se entendesse, o que não se se concebe, que tal factualidade se reconduziria à alínea c) do n.° 1 do artigo 672.° do Cod. Proc. Civil, sempre a mesma se enquadra na alínea a) da referida norma, na medida em que o fim da UNIÃO DE FACTO desta questão põe termos as decisões contraditórias sobre a mesma realidade jurídica (reivindicação, acessão industrial e benfeitorias) e por tal ser claramente necessário para uma melhor aplicação do direito. Em resumo, seja pela alínea c) seja pela alínea a), existe fundamento para a revista excepcional ser admitida e apreciado do mérito o recurso de revista interposto. In casu, afigura-se que o Autor atento todo o enquadramento fáctico excede claramente os limites da boa-fé, por venire contra factum proprium. O que tem que ser ponderado em favor do enquadramento jurídico defendido no presente recurso, com reflexo no entendimento desenvolvido no Acórdão-Fundamento. NESTES TERMOS, E nos demais de Direito sempre com o douto suprimento de Vossas Excelências deve ser dado provimento ao Recurso de Revista

Excecional apresentado pela Recorrente em conformidade com as presentes alegações, revogando-se o Acórdão recorrido e substituindo-revogando-se por outro que julgue a pretensão do Recorrido pelo

"Enriquecimento Sem Causa" e não a ser restituído pela "reivindicação" ou ressarcido pela

"acessão industrial" conforme Acórdão recorrido, absolvendo-se em consequência a Ré/Recorrente dos pedidos. Assim se fazendo a SÁ, SERENA E LÍDIMA JUSTIÇA. * Não houve resposta. * Na

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perspectiva da delimitação pelo recorrente[2], os recursos têm como âmbito as questões suscitadas nas conclusões das alegações (art.ºs 635º nº 4 e 639º do novo Cód. Proc. Civil)[3], salvo as

questões de conhecimento oficioso (n.º 2 in fine do art.º 608º do novo Cód. Proc. Civil). Das conclusões acabadas de transcrever decorre que a questão objecto, consiste em saber se, demonstrada a comparticipação de ambos os membros duma união de facto na aquisição de um imóvel, apenas registado em nome de um deles, o outro pode reivindicar a qualidade de

comproprietário e pedir o respectivo reconhecimento ou se apenas pode exigir a compensação do que prestou com base no enriquecimento sem causa. * Dos factos Com interesse para a

apreciação das questões suscitadas na revista, importa referir a factualidade que resulta dos autos e que é a seguinte: «“ 1. O A. casou com FF, em 04.06.1967. 2. Em 1982, o A. emigrou para a Suíça para onde foi trabalhar na … . 3. Posteriormente, em data não concretamente apurada mas necessariamente anterior a 1990, a referida FF juntou-se, com os seus filhos, ao A. 4. Em 1990, a R., então viúva, foi trabalhar para a Suíça, e por coincidência, para o mesmo hotel GG, onde a referida FF trabalhava também. 5. Tendo a R. ido trabalhar para a … do referido hotel. 6. Passados cerca de 6 meses da sua chegada à Suiça, a R. começou a conviver com o A. e a esposa e a

frequentar a casa destes. 7. Após, A. e R. estabeleceram uma relação amorosa entre si, 8. E o A. separou-se da sua esposa. 9. Face à ruptura do casamento, em 1992, o A. e a R. regressaram a Portugal e passaram a viver em …, …, 10. Dado que o A. também se havia reformado nesse ano. 11. Passaram, então, a viver como par, juntamente com o s filhos da R., CC e DD, de 9 e 3 anos de idade, na referida freguesia de …, onde exploravam um café denominado “EE” e no qual fixaram, em aposento integrante, a sua residência, 12. E cujo arrendamento foi celebrado pelo A. 13. O A. divorciou-se da sua esposa, FF, em 24.06.1993. 14. Em 05.05.1994, a R., na qualidade de promitente compradora, celebrou contrato-promessa de compra e venda para aquisição do

actual prédio urbano com área total descrita de 1.700 m2, sito em …, freguesia de …, concelho de …, inscrito na matriz predial urbana sob o artigo 566 e descrito na Conservatória do Registo Predial de … sob o n.º 237, 15. Tendo celebrado o contrato de compra e venda, a 07.10.1994, pelo preço de 500.000 escudos. 16. À data da celebração do acordo referido em 15., o prédio ali referido

correspondia a um lote de terreno, descrito como terra de pastagem, com uma área de cerca de 1.700 m2. 17. Pela apresentação n.º 3 de 24.02.1995, a propriedade do prédio urbano, com área total descrita de 1.700 m2, sito em …, freguesia de …, concelho de …, inscrito na matriz predial urbana sob o artigo 566 e descrito na Conservatória do Registo Predial de … sob o n.º 237, freguesia de …, encontra-se inscrita a favor da R. 18. Foi o A. que diligenciou pelos termos do negócio de compra e venda, 19. Tendo A. e R. acordado que a aquisição do prédio seria

outorgada pela R. e a propriedade registada em seu favor porque, estando o A. desavindo com os filhos do seu primeiro casamento, queria evitar que estes herdassem o bem. 20. A. e R.

combinaram que o prédio referido em 14. seria destinado à construção de uma moradia para sua habitação. 21. Tendo em vista tal desiderato, o A. solicitou a HH, arquitecto/desenhador da Câmara Municipal, a elaboração do projecto, cujo custo ascendeu a 748,20 euros. 22. Após, e obtido o licenciamento necessário, o A. celebrou, a 28.05.1994, com II, contrato de empreitada, pela quantia de 22.450 euros (4.500.000 escudos) para construção das estruturas da moradia e com excepção de acabamentos. 23. Posteriormente, o A. contratou o fornecimento e execução dos acabamentos, designadamente, a colocação de portas, os mosaicos, os azulejos, as louças, a cozinha, as instalações eléctricas. 24. Em data não concretamente apurada, mas posterior a 09.06.2004, o A. mandou edificar um anexo com seis divisões, uma correspondente a cozinha e cinco para arrumos, e um anexo (ao terraço da garagem) destinado a espaço de lazer. 25. Em

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data não concretamente apurada, o A. mandou proceder à abertura de um furo artesiano. 26. O pagamento dos serviços, materiais e obras referidas em 21. a 25. ocorreram por intermédio do A. 27. A construção da moradia e das obras referidas em 23. e 24. decorreu de 1994 a 2008. 28. Em 1992, aquando do seu regresso a Portugal com a R., além do arrendamento do Café “EE”,

explorado pela R., o A. adquiriu para si um alvará de táxi, atribuído pela Câmara Municipal de … . 29. Por essa altura, a R. explorava o referido estabelecimento de café e o A. desempenhava

actividade profissional como …. . 30. Na altura, a R. explorava, sozinha, com início de laboração às 7 horas, o referido café, desempenhando todas as tarefas inerentes a tal actividade, auferindo com tal exploração a quantia de cerca de 400.000 escudos, 31. Com a qual, para além da sua

retribuição, fazia face às despesas correntes. 32. A R., para além, da sua actividade no café, desempenhava todas as tarefas domésticas, tratando dos filhos, alimentação e roupas. 33. Em data não concretamente apurada, mas necessariamente entre os finais do ano de 1998 e inícios do ano de 1999, A. e R., com dois filhos da R. e o filho de ambos entretanto nascido, mudaram-se para a moradia, onde passaram a residir, até 2015. 34. Nessa altura, a R. deixou de se dedicar à exploração do café. 35. Entretanto, o A. adquiriu outro alvará de … para ser explorado pela R. 36. Com ambos alvarás, A. e R. formaram, em 10.08.1999, uma sociedade comercial com o capital social de 1.002.410 escudos, dividido em duas quotas iguais de 501.205 escudos, sendo uma do A. e outra da R. 37. O A., enquanto gerente da sociedade, diligenciou pela compra e legalização de um veículo automóvel, para táxi, marca Skoda, para a R. poder utilizar na sua actividade de …, pelo valor de 20.000 euros. 38. Para o efeito, foi solicitado um empréstimo junto da Caixa de Crédito Agrícola, no valor de 32.000 euros, no qual A. e R. figuraram como mutuários, 39. Cujo

cumprimento foi garantido com uma livrança em branco assinada por ambos. 40. Tal crédito foi liquidado em 04.01.2007, por via de cheque do A. 41. A partir das circunstâncias descritas em 35., a R. passou, tal como o R., a dedicar-se à actividade profissional de … , 42. Pela qual auferia a retribuição mensal de 750 euros, 43. Para além de se dedicar a todas as tarefas domésticas e criação de animais que criava para vender. 44. Os proventos da actividade da R. como … eram entregues ao A. a quem incumbia a respectiva gestão. 45. Desde 1993 até Fevereiro de 2015, data da ruptura da relação, A. e R. viveram como se de um casal se tratassem, 46. Fazendo vida em comum, habitando a mesma casa, onde recebiam amigos e familiares, afectando o produto da sua actividade profissional de cada um à economia doméstica 47. E no seio da qual nasceu, em

27.03.1996, um filho em comum, JJ. 48. A R., em 22.03.1995, celebrou contrato de mútuo bancário com hipoteca, para construção de habitação própria e permanente, na qual figurava como mutuária da quantia de 3.500.000 escudos, 49. Tendo sido constituída hipoteca, para garantia do crédito, sobre o prédio referido em 14. 50. As prestações relativas a tal mútuo foram liquidadas através de débito em conta titulada pela R. 51. A R., em 26.05.1998, celebrou contrato de mútuo bancário e constituição de penhor, para realização de obras de beneficiação de habitação, na qual figurava como mutuária da quantia de 3.000.000 escudos, 52. Garantido com procuração irrevogável para a constituição de hipoteca outorgada em favor da entidade mutuante. 53. As prestações relativas a tal mútuo foram liquidadas através de débito em conta titulada pela R. 54. As quantias mutuadas foram afectadas às obras referidas em 22. e 23. 55. Em 2001, foi instalado na moradia um sistema de aquecimento a gasóleo, cujo custo ascendeu ao valor de 2.250 euros. 56. Foram, mais tarde, colocados painéis solares. 57. Os anexos referidos em 24. encontram-se sem acabamentos, 58. E a sua contiguidade à moradia, privou esta de exposição solar e luminosidade. 59. Tais anexos foram objecto de embargo administrativo. 60. O custo do furo artesiano ascendeu ao valor de 3.000 euros. 61. O prédio apresenta, actualmente, o valor de mercado de cerca de 135.000

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euros.” * Do Direito A primeira instância, considerou que face aos termos em que a acção foi proposta e aos pedidos formulados se estava perante uma acção de reivindicação e não perante uma acção de condenação visando a compensação de créditos com base no enriquecimento sem causa, por ter cessado o fundamento do que foi prestado – a relação de união de facto. Considerou também que os factos provados eram suficientes para configurar uma situação de usucapião por parte do A., com virtualidade para que lhe fosse reconhecido direito de compropriedade sobre o imóvel reivindicando e nessa medida julgou procedente o pedido formulado sob o nº V da P.I. e acima descrito, no relatório, sob a al. b) . Apreciando a apelação interposta pela R. o Tribunal da Relação de Coimbra confirmou integralmente a sentença e reforçou o acerto da solução jurídica e da subsunção aí operada. No acórdão que admitiu a revista excepcional, considerou-se que a ausência de regulamentação legal sobre as realidades subsequentes ao termo duma união de facto e em particular às questões patrimoniais decorrentes dessa união se justificava a intervenção deste STJ na clarificação do regime aplicável a tais situações. Acontece que como o próprio colectivo da formação reconhece dificilmente se pode obter uma resposta clarificadora. Desde logo porquanto este Tribunal e as instâncias têm o seu conhecimento limitado pelos termos em que a acção é proposta em particular pela causa de pedir e pelos pedidos formulados. Ora o que acontece é que os diferendos patrimoniais decorrentes da cessação duma relação de união de facto são

apresentados perante os Tribunais com diferentes roupagens e distintos fundamentos jurídicos, desde as acções de reivindicação, a acções de condenação com base em responsabilidade contratual ou em deslocação patrimonial sem causa justificativa, até à partilha e dissolução de sociedades civis. No caso sub judicio, as instâncias, consideraram e bem que a presente acção, tal como foi apresentada, pelos pedidos nela formulados e pelos fundamentos de facto e de direito invocados na PI, era uma verdadeira acção de reivindicação. Invoca a recorrente que as decisões recorridas estão em oposição com o decidido no ac. do STJ de 13/9/2011, processo nº

2903/05.7TBCSC.L1.S1, porquanto em situação idêntica este último aresto considerou que no caso «A união de facto, por si só, não é título ou modo jurídico legalmente reconhecido para a aquisição do direito de propriedade, como o não é o facto de a autora ter contribuído em medida que não foi possível apurar para a aquisição de uma fracção autónoma em vida do seu companheiro e que este inscreveu no registo predial em nome dele – cf. art. 1316.º do CC, em conjugação com as normas da Lei n.º 7/2001, de 11-05». Ora nesse aresto e ao contrário do que sucede no caso sub judicio, considerou-se que a A. não tinha invocado a usucapião como causa de pedir e que por isso as instâncias não podiam julgar com base nessa causa de pedir, pois os factos alegados não permitiam a procedência do pedido. Acontece que no caso sub judicio a acção e os pedidos formulados são típicos de uma acção de reivindicação e o A. alegou os factos materiais para ver reconhecido o seu direito de propriedade exclusivo ou no mínimo a compropriedade, tendo inclusive alegado factos tendentes a afastar a presunção derivada do registo. As instâncias entenderam que os factos alegados e provados eram suficientes para conduzir ao reconhecimento do direito de compropriedade, com base na usucapião. No acórdão fundamento, ao invés considerou-se que não tinha sequer sido invocado tal instituto pelo que nunca as instâncias poderiam julgar procedente o pedido, para além de os factos provados serem induficiente para atingir tal desiderato. Não ocorre pois qualquer oposição jurisprudencial entre os dois arestos. Esclarecida esta questão dir-se-á que o conhecimento do recurso passa em primeira linha por, verificar se os factos considerados

assentes pelas instâncias e que agora se impõem inelutavelmente a este STJ, consentem a solução jurídica que foi adoptada na primeira instância e foi integralmente acolhida no acórdão recorrido. E a resposta não pode deixar de ser afirmativa. No acórdão recorrido, faz-se o

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enquadramento do problema e a delimitação das questões objecto da acção (e do recurso) de uma forma de tal modo clara e completa, que dissipa quaisquer dúvidas que possam existir quanto ao que está em causa na acção e no recurso. Começa por referir-se que «como se sublinha na sentença recorrida na acção de reivindicação, para lá da alegação e prova da posse por terceiro, ao autor cabe ainda a prova de factos tendentes à aquisição da propriedade pelo reivindicante, seja aquisição derivada, seja aquisição originária (v.g. por acessão ou usucapião), desconsiderando-se desde logo o enriquecimento sem causa alegado pelo autor porquanto esta figura jurídica não tem acuidade no caso em que se disputa a propriedade e por consequência a posse e não já qualquer indemnização. Com esta definição, obtemos também de acordo com os factos alegados pelo autor e que ficaram provados que o prédio discutido foi adquirido, primeiro o lote de terreno e depois a construção da casa e edificações adjacentes, quando autor e ré viviam em união de facto, em comunhão de cama, mesa e habitação como que se de marido e mulher fossem, em condições análogas à dos cônjuges. Mais concretamente, a aquisição do lote de terreno ocorre 1994, sendo o contrato promessa de maio e a escritura celebrada em outubro desse ano, quando autor e ré viviam comum desde 1992». E prossegue «é esta aquisição realizada nestes termos e contexto que o autor pretende que seja declarada como tendo sido realizada com rendimentos exclusivamente seus e sem qualquer participação da ré, não obstante quer o lote de terreno quer a casa tenham ficado registados em nome desta. Porém, não ficou provada que a titularidade exclusiva dos recursos financeiros utilizados quer para a aquisição do lote de terreno quer para as construções posteriores, pertencessem ao autor, e, também não ficou demonstrado que essa titularidade pertencesse em exclusivo à ré antes se provando que A. e R. na constância da sua união,

desempenhavam actividades profissionais geradoras de rendimentos (factos 29., 30., 31., 36. 41., 42., e 44.), assumiram obrigações bancárias (factos 38., 48. e 51), parte das quais, se destinaram justamente à construção da moradia (facto 54.), obrigações que, não obstante, não resultaram terem sido liquidadas com recursos da exclusiva titularidade de qualquer uma das partes (factos e), l), m) a r), v), y), dd), ee), oo) a ss)). Tudo isto que não sofre contestação probatória é colocado em crise no recurso com o protesto de que, tendo o autor posicionado a sua pretensão no domínio da reivindicação e não tendo ele provado que o registo esteja em seu nome nem que tenha usucapido, daqui devia decorrer desde logo a improcedência da acção. A este propósito, recordamos aqui que o nº3 do art. 5º do CPC dispõe que o juiz não está sujeito as alegações das partes no tocante à indagação, interpretação e aplicação das regras de direito, o que responde de forma directa ao argumento do recorrente no sentido de querer obstar à procedência total ou parcial da acção com base em o tribunal a quo ter interpretado e aplicado as regras de direito de forma diversa da

alegada pelo autor, isto é, que respeitando os factos provados e o pedido deduzido o tribunal tenha feito diverso enquadramento jurídico da questão de direito daquele que era apresentado pelo autor. Situando a questão suscitada nos autos com base nos factos que ficaram provados para apreciar os pedidos deduzidos, o tribunal em primeira instância enquadrou-a no domínio de

previsão em que um casal vivendo em união de facto e com economia doméstica em comum para a qual ambos participam, terminada essa união pretende ver decidida a propriedade de determinado imóvel adquirido durante a vivência recíproca. Ora, deixando de novo repetido, contra o

entendimento da recorrente, que não se fez nos autos prova de que os rendimentos de aquisição do prédio em questão tenham pertencido exclusivamente a qualquer um dos conviventes e

despistando também a circunstância de a propriedade se encontrar registada apenas em nome da ré por ter ficado demonstrado que esse registo se ficou a dever somente à vontade e acordo de ambos pretenderem subtrair esse bem a possibilidade de ele vir a ser herdado pelos filhos do

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primeiro casamento do autor e não a qualquer outro motivo de reconhecimento da propriedade exclusiva do bem pela ré, a indagação da propriedade do imóvel para os fins de saber da

procedência do pedido (principal ou alternativo) tem de se colocar no contexto predito da união de facto e do regime de bens adquiridos na união de facto com participação de ambos os conviventes. Contudo este contexto informador é apenas isso mesmo, um contexto, porque aquilo que é objecto da acção balizado pelo pedido e pelos factos fundadores do mesmo, é a definição da propriedade daquele concreto imóvel e não o da declaração da cessação da união de facto e consequente liquidação do património comum de quem tenha vivido em união de facto e essa união tenha cessado. Efectivamente, o art. 8º nº1, da Lei 7/2001 refere que a união de facto dissolve-se por vontade de qualquer um dos seus membros, sem necessidade, portanto, de uma qualquer declaração judicial que o reconheça, e o nº 2, da mesma disposição legal, estabelece que a dissolução tem de ser judicialmente declarada quando se pretendam fazer valer direitos que dependam dela. Mas o que se discute na acção, balizado pelos factos alegados e pelos pedidos deduzidos, é distinto da declaração de cessação da união de facto entre autor e ré ou da liquidação do património comum. Esta distinção não se trata em rigor de um pormenor e para o esclarecer deixa-se dito que a “união de facto” entre duas pessoas, sendo em rigor uma situação formalmente distinta do casamento, é também ela em regra geradora de um património comum, o qual, cessada que seja tal união, pode carecer de ser liquidado/partilhado. E não existindo um quadro legal

adequado e específico que regulamente os efeitos patrimoniais decorrentes da união de facto, para efeitos de liquidação e partilha do património que aquela gere, é razoável o recurso ao instituto de direito comum que melhor se enquadre na situação fáctica a resolver[4]. Nos casos em que tenha sido solicitada a declaração da cessação da união de facto e a liquidação do património comum, (o que não é o caso da acção pressente), tem a doutrina e a jurisprudência entendido que um dos institutos ( para além de outros ) que responde aos imperativos é o das sociedades de facto (art. 980 do CC) que pode ser utilizado em sede de liquidação e partilha do património que a união de facto tenha gerado, a sua aplicação justificar-se-á ainda assim por analogia, o que pressupõe desde logo o reconhecimento de que se está perante situações de facto semelhantes, ou seja, que concordam em alguns aspectos[5]. Perante o exposto, com total acerto e correcção, a sentença recorrida distinguiu a liquidação do património comum decorrentes das uniões de facto, desta outra questão suscitada nos autos e que, num mesmo contexto de cessação de união de facto entre autor e ré, o que se pretende não é a declaração dessa cessação e tão pouco a verificação de qual o património comum gerado por ela e sua liquidação, mas antes a definição em termos de

declaração de propriedade, de qual o proprietário, de um determinado imóvel adquirido por ambos os conviventes, com rendimentos de ambos, na constância da vida em comum (destaque

nosso). Não nos cansamos de sublinhar esta delimitação objectiva da acção e dos pedidos pois ela torna-se de todo necessária a compreender e a decidir o objecto da acção e do recurso. E

explicada esta, percebemos então de que forma o “contexto” da união de facto concorre para a solução uma vez que no domínio desta (da união de facto) sempre se deverá ter por pano de fundo o regime da separação de bens[6], mas este regime, se quanto à titularidade e partilha dos bens indica a solução de, a haver bens comuns, eles serem em compropriedade e não em comunhão, no caso dos imóveis, estes consideram-se daqueles que aparecerem como seu titular, sem embargo de se o outro contribuiu para a sua aquisição ter de provar invocando um crédito face ao outro cônjuge a exercer nos termos gerais do direito das obrigações, máxime, através do enriquecimento de um cônjuge em detrimento do outro. Contudo, como se disse anteriormente, a problemática do enriquecimento sem causa situou-o o autor no domínio da obrigação de indemnização, sendo com

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esse enquadramento que o afirmou na sua petição inicial ao dizer que tinha direito a ser ressarcido com base nesse enriquecimento da ré em 200.000,00 €, a totalidade de tudo o que disse ter

despendido com a aquisição do prédio discutido, sem que no entanto tenha formulado esse pedido mas antes o de que fosse declarada a compropriedade do imóvel com base nesse

enriquecimento. Também neste particular a sentença fez acertada compreensão do objecto da acção e da possibilidade legal dele conhecer ao indicar que aquela é de de reivindicação, de uma forma da aquisição da propriedade com incidência na discussão da posse originária ou presunção do registo e não de enriquecimento sem causa, não tendo o A. formulado qualquer pretensão indemnizatória mas, também, com a circunstância de, embora a ré figurar como proprietária inscrita do bem em causa nos autos com benefício da aludida presunção derivada do registo predial (art. 7 do CRP) não se ter demonstrado que a aquisição do lote e a construção da moradia tenha sido realizada com recurso a rendimentos da exclusiva titularidade do A. ou da R., pelo que, com base no “contexto” afirmado e sufragado pelo ac.do STJ de 2011 citado, se presumiria, por força do disposto no art.1736.º n.º 2 CC, analogicamente aplicado, que tais rendimentos eram propriedade de ambos em igual proporção. Ora, na presente acção, o autor fundou o pedido invocando, como causa do mesmo, ser proprietário ou comproprietário do imóvel e, consequentemente, pedindo o reconhecimento da sua qualidade de comproprietário e não a condenação da ré a pagar-lhe o que quer que fosse, metade ou a totalidade do valor real do imóvel que, diga-se, continua sob o domínio de facto de um daqueles que fez parta da união de facto, não tendo sido vendido[7]. Nesta

sequência de entendimento é correcto o caminho que a sentença percorre ao defender que não existe obstáculo à consideração de que, perante os factos provados (máxime os 19 e 20)

efectivamente a vontade de autor e ré correspondeu à utilização de dinheiro dos dois para uma aquisição conjunta, fazendo nascer, por via do contrato, uma situação de compropriedade, compropriedade esta que cabendo na discussão da causa balizada pelos pedidos é reforçada ainda pelas regras relativas à aquisição originária sobreponível à presunção derivada do registo de que a R. beneficia e pelas quais se chega à mesma conclusão de compropriedade do

imóvel. Baseada pois na posse, definida no art. 1251 do CC com as exigências imperativas de um específico e naturalístico exercício material de facto, o corpus, presidido por uma vontade de corresponder ao exercício do direito de propriedade ou de outro direito real, a usucapião a que alude o art. 1287 do CC, consiste numa forma de aquisição originária do direito de propriedade e de outros direitos reais de gozo que mantida durante certo lapso de tempo fixado na lei, faz nascer o direito com sentido de novidade não se baseando no direito do anterior transmitente. Ora, sabemos ser reconhecida a possibilidade, de que tratam muitos acórdãos, de se adquirirem partes

especificadas de um prédio em compropriedade, pelo exercício sobre elas de actos de posse com carácter de exclusividade e com o necessário animus. E da mesma maneira, também aparece frequentemente tratada a possibilidade de um comproprietário adquirir por usucapião, o direito de propriedade exclusiva de determinado imóvel, desde que haja inversão do título de posse, contando-se o prazo para a aquisição originária desde a inversão. Porém, a questão que deve colocar-contando-se é a de saber se é possível adquirir por usucapião em compropriedade e, confortados com o que já foi decidido[8], entendemos que sim porque a compropriedade se adquire, tal como o direito de propriedade, por contrato, sucessão por morte, usucapião, ocupação, acessão e demais modos previstos na lei. Em facto, como conclui a sentença, considerando que o A., juntamente com a R., na constância da sua união de facto, que se prolongou por mais de 20 anos (1992 a 2015), mesmo independentemente de terem utilizado recursos financeiros da titularidade de ambos (como

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construção da moradia para habitação de ambos – construção que directamente acompanhou – ali fixando a sua residência e organizando o seu centro de vida, dela beneficiando e retirando as suas utilidades económicas, administrando-a, afectando recursos à sua beneficiação, vê-se assim demonstrada a prática, pelo A., de actos materiais sobre o prédio, por tempo necessário para a aquisição por esta via, nos termos do art. 1294.º CC, actos que foram, além do mais,

acompanhados do animus que caracteriza a boa posse para usucapir. Aliás, de forma igual ao que se pode referir quanto à posse exercida sobre o mesmo imóvel pela ré e com os mesmos efeitos». Mas ainda que esse animus não tivesse sido demonstrado, como foi, sempre haveria de presumir-se nos termos do art.º 1252º nº 2 do CC. Como resulta claro do que presumir-se transcreveu, estamos em presença de uma acção real em que o A. pede o reconhecimento do seu direito de propriedade exclusivo (pedido principal) ou subsidiariamente o direito de compropriedade e não qualquer

compensação ou indemnização por ter contribuído para o enriquecimento do património da ré. O A. conseguiu demonstrar os fundamentos de facto necessários à procedência do pedido

subsidiário[9], como unanimemente reconheceram as instâncias. Estas fizeram uma correcta subsunção dos factos ao direito, dentro dos limites impostos pelos termos em que a acção foi proposta e pelos pedidos nela formulados, impondo-se por isso a confirmação do acórdão recorrido e consequentemente improcedendo a revista. * ** Sumário: I – Os diferendos patrimoniais

decorrentes da cessação duma relação de união de facto são apresentados perante os Tribunais com diferentes roupagens e distintos fundamentos jurídicos, desde as acções de reivindicação, a acções de condenação com base em responsabilidade contratual ou em deslocação patrimonial sem causa justificativa, até à partilha e dissolução de sociedades civis. II – O autor fundou o pedido invocando, como causa do mesmo, ser proprietário ou comproprietário do imóvel e,

consequentemente, pedindo o reconhecimento dessa sua qualidade e não a condenação da ré a pagar-lhe o que quer que fosse, metade ou a totalidade do valor real do imóvel a título de

indemnização, por ter contribuído nessa medida para a sua aquisição. III – Tendo-se se provado que o A. praticou sobre o prédio, juntamente com a R., no decurso da união de facto, os actos materiais próprios de um (com) proprietário, pelo tempo necessário para a aquisição por usucapião do direito de (com)propriedade, nos termos do art. 1294.º CC, e que tais actos foram,

acompanhados do animus que caracteriza a boa posse para usucapir, nada obsta a que se lhe reconheça a qualidade de comproprietário do imóvel, apesar de registralmente se encontrar apenas inscrito em nome da R..na sequência de acordo de ambos com vista a subtrair tal imóvel aos

herdeiros do A.. * ** Concluindo Pelo exposto acorda-se na improcedência da revista e confirma-se o acórdão recorrido. Custas pela recorrente. Notifique. Lisboa, em 23 de janeiro de 2020. José Manuel Bernardo Domingos (Relator) João Luís Marques Bernardo António Abrantes

Geraldes ________ [1] Parcialmente transcrito do acórdão recorrido. [2] O âmbito do recurso é triplamente delimitado. Primeiro é delimitado pelo objecto da acção e pelos eventuais casos julgados formados na 1.ª instância recorrida. Segundo é delimitado objectivamente pela parte dispositiva da sentença que for desfavorável ao recorrente (art.º 684º, n.º 2 2ª parte do Cód. Proc. Civil antigo e 635º nº 2 do NCPC) ou pelo fundamento ou facto em que a parte vencedora decaiu (art.º 684º-A, n.ºs 1 e 2 do Cód. Proc. Civil, hoje 636º nº 1 e 2 do NCPC). Terceiro o âmbito do recurso pode ser limitado pelo recorrente. Vd. Sobre esta matéria Miguel Teixeira de Sousa, Estudos Sobre o Novo Processo Civil, Lex, Lisboa –1997, págs. 460-461. Sobre isto, cfr. ainda, v. g., Fernando Amâncio Ferreira, Manual dos Recursos, Liv. Almedina, Coimbra – 2000, págs. 103 e segs. [3] Vd. J. A. Reis, Cód. Proc. Civil Anot., Vol. V, pág. 56. [4] Vd. Ac. R. L. de 23-11-2010 no proc. 1638/08.3TVLSB.L1-1 in dgsi.pt [5] Vd. Acs. STJ de de 9-3-2004, in CJ/STJ, 1, 112, e o AC.

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de 31-3-2009,in dgsi.pt e Pereira Coelho, in Revista de Legislação e Jurisprudência, ano 120, página 80). [6] Acórdão do STJ de 31-5-2011 no proc. 122/09.2TBVFC-A.L1.S1, in dgsi.pt e

Cristina Dias in, (Cadernos de Direito Privado, n.º 11, Jul./Set. 2005, pág. 76 da anotação ao Ac. da Relação de Guimarães de 29-9-2004,P. 1289/04 [7] Em caso de venda por parte da ré teria sentido, aí sim, um eventual pedido de condenação da ré no pagamento da totalidade ou de metade do valor da venda como ocorre no caso do ac. Do STJ de 2011 citado. [8] Acs. R.P de 09.06.1992 no Proc.: 0310837, de 14.01.1992 no Proc. 9050857 e o de 14-3-20013 no proc. 1650/09.5TBVRL.P1, in dgsi.pt [9]Estes actos materiais reveladores da posse estão demonstrados, designadamente, sob os nºs 19 a 27 dos factos provados.

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