A tiróide na consulta
Ana Carolina Teixeira
Especialista em Medicina Geral e Familiar USF Barão do Corvo – ACES Gaia
3 junho 2021
Nós apoiamos:
Caso 1
Mulher, 24 anosAP:
Amigdalectomia (aos 10 anos) MH:
Anticoncecional oral combinado (Etinilestradiol+Gestodeno
0,02/0,075mg)
Motivo da consulta:
Quer fazer check-up (“quero fazer exames a tudo para saber como estou”). Assintomática.
O médico decide fazer pedido de estudo analítico, deve incluir estudo da função tiroideia?
Rastreio de doença tiroideia
Adultos assintomáticos (excluindo gravidez), não devem fazer TSH por rastreio
Canadian Medical Association Journal (CMAJ) – 2019
Evidência científica insuficiente (sem recomendação contra ou a favor)
US Preventive Services Task Force 2015
American Family Physician, 2015
Deve ser considerado o rastreio de hipotiroidismo naqueles com > 60 anos
American Thyroid Association (ATA)
American Association of Clinical Endocrinologists (AACE), 2012
Caso 2
Mulher, 55 anos AP:
Arritmia cardíaca HTA
MH: Amiodarona 200mg id, Losartan 100mg id, Carvedilol 12,5mg bid
Motivo da consulta:
Quer fazer check-up (“quero fazer exames a tudo para saber como estou”). Assintomática.
O médico decide fazer pedido de estudo analítico, deve incluir estudo da função tiroideia? Não.
A mãe da utente, presente na consulta, aproveita o assunto para perguntar se no seu caso há indicação para fazer rastreio.
Mulher, 24 anos AP:
Amigdalectomia (aos 10 anos) MH:
Rastreio: situações especiais
TSH e T4L: 6-6 meses
(amiodarona), 12-12 meses (lítio) TSH: 12-12 meses
Caso 3
Motivo da consulta:
Cansaço, sonolência e aumento de peso com semanas de evolução. Nega life-events.
O médico que observa a utente pensa em fazer despiste de patologia tiroideia, o que deve pedir?
Mulher, 72 anos, autónoma AP:
HTA MH:
Porque não dosear T4 e T3 total?
T4 totalT3 total
Múltiplos fatores influenciam os níveis da tiroglobulina transportadora da tiroxina
Aumenta TBG Diminui TBG
Gravidez
Hepatite aguda/crónica ativa Porfiria aguda intermitente
Tumores produtores de estrogénios Defeito genético familiar
Fármacos: contracetivos orais, tamoxifeno, fenotiazidas, metadona
Hipoproteinemia Síndrome nefrótico Cirrose hepática
Tumores produtores de androgénios Acromegalia
Defeito genético familiar
Fármacos: androgénios/anabolizantes, corticóides, salicilatos, carbamazepina, fenitoína
Caso 3
Motivo da consulta:
Cansaço, sonolência e aumento de peso com semanas de evolução. Nega life-events.
O médico que observa a utente pensa em fazer despiste de patologia tiroideia, o que deve pedir? TSH (ou TSH e T4 livre)
Mulher, 72 anos, autónoma AP:
HTA MH:
Ramipril 5mg 1+0+0
Motivo da 2ª consulta:
Mostrar estudo analítico
O médico revê os registos da consulta anterior e, antes de abrir os
resultados da função tiroideia, está a suspeitar de alteração compatível com:
- Hipotiroidismo ? - Hipertiroidismo ?
Hipotiroidismo vs Hipertiroidismo
Hipotiroidismo vs Hipertiroidismo
Aumento de peso e edemaQueda cabelo Pele seca Intolerância ao frio Obstipação Letargia Depressão Irregularidades menstruais Infertilidade Bócio Mialgias
Diminuição da função cognitiva Galactorreia
[SAOS, Síndrome túnel cárpico, Anemia, Dislipidemia, Aumento da prolactina, HTA]
Perda de peso Palpitações Bócio
Diarreia
Irregularidades menstruais (amenorreia, oligomenorreia)
Infertilidade
Nervosismo e tremor Perturbação do sono
Alterações da visão (fotofobia,diplopia) ou exoftalmia
Fraqueza muscular, Fadiga Intolerância ao calor
Hipersudorese, mãos húmidas Mixedema pré-tibial (D. Graves)
[Fibrilhação auricular, Arritmias cardíacas, Diminuição da densidade óssea mineral, HTA]
Patologias associadas Sintomas
Hipotiroidismo vs Hipertiroidismo
• De todos os sinais clássicos, a presença destes aumenta de forma importante a probabilidade
de hipertiroidismo:
• retração palpebral
• tremor fino
• pele húmida e quente
• FC > 90bpm
• Maior probabilidade de não haver hipertiroidismo: FC < 90 bpm, ausência de bócio e de tremor
fino
• Idosos: não seguem esta regra! + frequente terem perda de peso e depressão!
Sintomatologia no idoso
• Sintomatologia da disfunção tiroideia é vaga –
no idoso é ainda agravada por poder ser subtil e
atípica
• O hipertiroidismo é raro no idoso (em relação ao
hipotiroidismo)
Caso 3
Motivo da consulta:
Cansaço, sonolência e aumento de peso com semanasde evolução. Nega life-events.
O médico que observa a utente pensa em fazer despiste de patologia tiroideia, o que deve pedir? TSH (ou TSH e T4 livre)
Mulher, 72 anos, autónoma AP:
HTA MH:
Ramipril 5mg 1+0+0
Motivo da 2ª consulta:
Mostrar estudo analíticoO médico revê os registos da consulta anterior e, antes de abrir os resultados da função tiroideia, está a suspeitar de alteração compatível com:
- Hipotiroidismo Resultados:
TSH: 9,48 [0.4 - 4.0]
Eixo hipotálamo-hipófise-tiroide
TSH T4 e T3
Tecido tiroideu
Nomenclatura
Hiper/hipotiroidismo terciário
Hiper/hipotiroidismo secundário
Hiper/hipotiroidismo primário
Caso 3
Motivo da consulta:
Cansaço, sonolência e aumento de peso com semanasde evolução. Nega life-events.
O médico que observa a utente pensa em fazer despiste de patologia tiroideia, o que deve pedir? TSH (ou TSH e T4 livre)
Mulher, 72 anos, autónoma AP:
HTA MH:
Ramipril 5mg 1+0+0
Motivo da 2ª consulta:
Mostrar estudo analíticoO médico revê os registos da consulta anterior e, antes de abrir os resultados da função tiroideia, está a suspeitar de alteração compatível com:
- Hipotiroidismo ?
Resultados: TSH: 9,48 [0.4 - 4.0], T4 livre: 0,5 ng/dL [0.8 - 2.8] HIPOTIROIDISMO PRIMÁRIO
Surgem duas questões principais: 1) Qual a etiologia?
Hipotiroidismo primário
Principais etiologias na prática clínica (MGF)
• Hipotiroidismo auto-imune;
• Hipotiroidismo iatrogénico (pós-iodo radioativo,
tiroidectomia, irradiação do pescoço, fármacos
(amiodarona,…)
Investigação:
Antecedentes pessoais e familiares, exame
objetivo do pescoço, anticorpos TPO e
anti-Tg
[não esquecer que existem outras causas menos frequentes]
Exame objetivo
Tratado de Medicina de Familia y Comunitaria, semFYC (2012)
Pontos importantes:
• Visualizar o pescoço de perfil
• Palpação (utente à nossa frente):
• Pedir ligeira flexão anterior do pescoço (relaxa os
músculos do pescoço)
• Dedos indicadores: localizar a cartilagem cricóide
(istmo tiroideu está abaixo – quase sempre é
palpável)
Hipotiroidismo primário - tratamento
Levotiroxina
• Cálculo da dose: 1,6 a 1,8 mcg/Kg/dia
• Jovens adultos pouco sintomáticos podem começar com 50% da dose calculada
• Idosos/patologia cardíaca: iniciar com 12,5 a 25mcg/dia (titular a cada 2-3 semanas em
25mcg até à dose calculada)
• Toma em jejum (pelo menos de 30min, ideal 60min, antes do peq-almoço) – X
café, tabaco, certos fármacos (espaçar em 4-6 horas; + frequente na prática
clínica: IBP)
• Manter sempre a mesma marca/genérico
(questionável a bioequivalência das
diferentes formulações; caso alteração de marca, reavaliar TSH e T4livre)
Hipotiroidismo a ser vigiado em
Endocrinologia
• Casos de hipotiroidismo com diagnóstico ou etiologia pouco clara
• Hipotiroidismo central ou casos de hipotiroidismo em doentes com patologia hipofisária • Situações de hipotiroidismo clinicamente grave
• Mulheres com hipotiroidismo em preconceção ou grávidas • Crianças
• Doentes com insuficiência cardíaca classes III e IV NYHA, história pessoal de enfarte ou com fibrilhação auricular • Hipotiroidismo associados a inibidores do checkpoint imunitário ou inibidores da tirosina cinase
• Dificuldade na normalização da função tiroideia com a terapêutica
• Situações de hipotiroidismo subclínico em que a indicação do tratamento seja particularmente dúbia
• Doentes com história de carcinoma da tiroide com persistência de doença ou risco considerável de recidiva
Documento de Consenso da Sociedade Portuguesa de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo (SPEDM) e do Grupo de Estudos da Tiroide (GET) sobre Diagnóstico, Tratamento e Seguimento do Hipotiroidismo Primário no Adulto
Caso 3
Motivo da consulta:
Cansaço, sonolência e aumento de peso com semanasde evolução. Nega life-events.
O médico que observa a utente pensa em fazer despiste de patologia tiroideia, o que deve pedir? TSH (ou TSH e T4 livre)
Mulher, 72 anos, autónoma AP:
HTA MH:
Ramipril 5mg 1+0+0
Motivo da 2ª consulta:
Mostrar estudo analíticoO médico revê os registos da consulta anterior e, antes de abrir os resultados da função tiroideia, está a suspeitar de alteração compatível com:
- Hipotiroidismo ?
Resultados: TSH: 9,48 [0.4 - 4.0], T4 livre: 0,5 ng/dL [0.8 - 2.8] HIPOTIROIDISMO PRIMÁRIO
Plano da consulta:
- Inicia levotiroxina 0,025 1+0+0 (pelo menos 30min antes do pequeno-almoço) + altera ramipril para 0+0+1
- Novo estudo analítico (TSH, T4livre + atc TPO, atc Tg) em 6-8 semanas e nova consulta nessa altura
Monitorização do tratamento
• Aumentar em 12,5 a 25mcg/dia até TSH alvo (metade inferior do intervalo; naqueles com > 70
anos considerar alvo terapêutico mais elevado*); reavaliar passado 6-8 semanas
• Vigilância anual com TSH
• Se após vários anos valor sempre estável: pode-se espaçar vigilância (a cada 2-3 anos)
• Evitar nível baixo/suprimido de TSH: risco de fibrilação auricular e de perda de massa óssea
*TSH aumenta com a idade (P97,5 aos 20-29 anos é de 3,56mU/mL e >80 anos é de 7,49mU/mL)
*SPEDM: TSH alvo nos idosos na metade superior do intervalo (2 – 6mUI/L)
Tratado de Medicina de Familia y Comunitaria, semFYC (2012)
Documento de Consenso da Sociedade Portuguesa de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo (SPEDM) e do Grupo de Estudos da Tiroide (GET) sobre Diagnóstico, Tratamento e Seguimento do Hipotiroidismo Primário no Adulto
Pode-se partir a meio os comprimidos de 25mcg
Hipotiroidismo primário – ecografia tiroideia
• Ecografia: útil na detecção de nódulos e doença infiltrativa
• No hipotiroidismo: tem pouco interesse a não ser que haja suspeita de lesão
anatómica secundária na glândula
Caso 4
Motivo da consulta:
Encaminhada pela linha Saude24 por alterações analíticas com necessidade de observação urgente. Assintomática.
MCDT
TSH: 2,5 [0.4 - 4.0]
T4 livre: 1,8 ng/dL [0.8 - 2.8]
Anticorpos anti-TPO: 1500 [< 35 IU/mL] Anticorpos anti-Tg: 1000 [< 20 IU/mL] O que fazer?
Mulher, 32 anos, autónoma AP:
Tiroidite de Hashimoto (= tiroidite autoimune) MH:
Anticorpos antitiroideus
Anti-Tireoperoxidase e anti-Tireoglobulina
• Não se recomenda a sua monitorização nas patologias tiroideias autoimunes
Indicações para pedir anticorpos
anti-Tireoperoxidase (anti-TPO)
• Diagnóstico de patologia auto-imune tiroideia
• Fator de risco de patologia auto-imune tiroideia
• Fator de risco de disfunção tiroideia com o tratamento com fármacos de risco
(interferão-alfa, lítio, IL-2, amiodarona)
• Fator de risco em doentes com síndrome de Down
• Fator de risco de tiroidite pós-parto em mulheres que tiveram disfunção
tiroideia durante a gravidez
• Fator de risco de abortamento ou falência de FIV
Caso 5
Motivo da consulta:
Mostrar resultado de estudo analítico. Assintomática (mas quando questionada, identifica hipersudorese e TGI mais frequente)
MCDT
TSH: 0,2 [0.4 - 4.0] T4 livre: 3,4 [0.8 - 2.8]
O médico, tendo em conta os antecedentes e o estudo analítico, questiona-se: “então uma utente com hipertiroidismo está a fazer levotiroxina? Isto faz sentido?”
Mulher, 60 anos, autónoma AP:
HTA
Doença de Graves (fez iodo radioativo – aos 35 anos)
MH:
Ramipril 5mg 0+0+1
Doença de
Graves
• HipertiroidismoTratamento
com iodo
radioativo
• Hipotiroidismo iatrogénico • Inicia levotiroxinaDose
excessiva de
levotiroxina
• Hipertiroidismo iatrogénicoHipertiroidismo
• Encaminhar para Endocrinologia
• Muito sintomático / atraso para avaliação na
consulta:
• Beta-bloqueador (Propanolol 10-40mg a cada
6-8H / Atenolol 25-50mg/dia)
• Antitiroideu? (metimazol 5mg 8-8 horas)
Caso 6
Motivo da consulta:
Sensação de corpo estranho na deglutição – “será que é da tiróide?” Mulher, 50 anos, autónoma
AP: Dislipidemia Síndrome depressivo MH: Sinvastatina 20mg 1+0+0 Sertralina 100mg 1+0+0
Sintomas compressivos
A exata relação do tamanho do nódulo com os sintomas compressivos
continua mal definida
• n = 99 (fizeram tiroidectomia ou lobectomia; 51 dos quais com sintomas compressivos)
• Naqueles com sintomas compressivos o tamanho médio do nódulo era de 3.8 versus 2.2cm
nos assintomáticos (P<0.0001)
~
Relação entre aumento do volume da tiróide (bócio) e sintomas compressivos
está mais bem definida
Nódulos tiroideus
• Podem ser palpados em 4-7% dos adultos
• Em oposição a 40% (que fazem ecografia) e 36-50% (à autópsia)
• Alguns estudos estimam que 20-76% da população teve pelo menos um nódulo tiroideu
durante a sua vida
• Apesar da elevada prevalência da patologia nodular da tiroide o cancro da tiroide apenas
ocorre em 5-15% dos nódulos (cerca de 1 em cada 20 nódulos palpáveis)
• Incidentalomas (à ecografia/TC) são abordados da mesma forma que nódulos palpáveis
MARK A. KNOX, Thyroid Nodules, American Family Physician, 2013
Nódulos com ≤1cm raramente são identificados na palpação
Nódulos tiroideus
TSH suprimida • Nódulo funcionante (=quente) • Quase sempre benigno • Cintigrafia+Ecografia TSH aumentada • Nódulo não funcionante (=frio) • Despistar doença autoimune • Ecografia TSH normal • Nódulo não funcionante (=frio) • EcografiaIndicação para citologia
aspirativa
• Critérios de risco clínico aumentado
(< 14 anos; AP: irradiação cervical, dça de risco (ex: polipose adenomatosa familiar), Ca tiróide; AF: Ca tiroide ou NEM2 em familiar de 1º grau; EO: nódulo duro e aderente, adenomegalias suspeitas, anamnese: crescimento rápido e progressivo, sintomas compressivos ou infiltrativo [disfagia, dispneia, disfonia]; calcitonina aumentada)• CAAF se ≥ 1cm (ponderar se < 1cm)
• Critérios ecográficos suspeitos
(presença de microcalcificação, hipervascularização internodal, margens irregulares, diâmetro AP>transverso, invasão dos tecidos extratiroideus, adenopaticas cervicais)• CAAF se ≥ 1cm (ponderar se < 1cm)
• Sem critérios ecográfico suspeitos ou risco clínico
• CAAF se: sólido (≥ 10-15mm), misto (≥ 15-20), quístico (≥ 40mm)
• Se nódulo com > 4 cm – P1 Alert (risco de CAAF não representativa da lesão / indicação para lobectomia diagnóstica?)
ECOGRAFIA (info essencial) Dimensão do nódulo
Estrutura interna (sólido/misto/quístico) Sinais ecográficos suspeitos
Citologia aspirativa
• Vigilância pós-CAAF com resultado benigno:
• Reavaliação inicial após 6-18 meses (EO, ecografia e TSH)
• Reavaliações posteriores: ecografia anual (se mantiver dimensão estável, ponderar
espaçar reavaliações para a cada 3 – 5 anos)
• Indicação para repetir CAAF: aumento de volume do componente sólido em >
50% ou critérios ecográficos suspeitos ou risco clínico aumentado
Caso 7
Motivo da consulta:
Informar sobre pós-tiroidectomia recente por cancro folicular da tiróide. Iniciou levotiroxina 75mcg 1+0+0 neste contexto.
Traz estudo analítico: TSH < 0,1 (N [0,4-4]).
Aguarda reavaliação em Endocrinologia em 3 meses
Perante esta situação, o que fazer? Mulher, 72 anos, autónoma
AP: HTA MH:
Na prática:
TSH suprimida pelo menos nos primeiros 5 anos (com T4 livre normal)
Eventual ajuste nos sintomáticos
Documento de Consenso da Sociedade Portuguesa de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo (SPEDM) e do Grupo de Estudos da Tiroide (GET) sobre Diagnóstico, Tratamento e Seguimento do Hipotiroidismo Primário no Adulto
Vigilância em caso de carcinoma
tiroideu
Incidência de tumores da tiróide
(2018 – PT)
3º mais frequente nas mulheres 15º mais frequente nos homensSituações especiais
Tratado de Medicina de Familia y Comunitaria, semFYC (2012)
Documento de Consenso da Sociedade Portuguesa de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo (SPEDM) e do Grupo de Estudos da Tiroide (GET) sobre Diagnóstico, Tratamento e Seguimento do Hipotiroidismo Primário no Adulto
TSH persistentemente alta apesar da terapêutica
• Confirmar se respeita os 30min de jejum e toma separada dos outros fármacos
• Incumpridores terapêuticos: passar tomar para a hora de deitar (> 3 horas após o
jantar/ceia) ou fazer todos os comprimidos da semana em 1 toma única 1xsemana (ex:
todas as 6ªf)
• Ponderar despiste de má absorção
• P1 Alert Endocrinologia (macro-TSH? Resistência às hormonas tiroideias? Tumor
hipofisário produtor de TSH?)
Hipotiroidismo subclínico
Documento de Consenso da Sociedade Portuguesa de Endocrinologia, Diabetes e Metabolismo (SPEDM) e do Grupo de Estudos da Tiroide (GET) sobre Diagnóstico, Tratamento e Seguimento do Hipotiroidismo Primário no Adulto
Confirmar diagnóstico com repetição após 2-3
meses
(adicionar atc antitiroideus nesse estudo)
Particularidades no idoso
• Tiróide: apresenta fibrose e atrofia com o avançar da idade; torna-se mais nodular
• Patologia nodular e hipotiroidismo são frequentes (incidência aumenta com a idade), em oposição ao hipertiroidismo
• Maior sensibilidade ao hipertiroidismo iatrogénico, especialmente se patologia cardíaca pré-existente
• Iniciar levotiroxina em baixa dose (12,5 a 25mcg/dia e aumentar 25mcg a cada 2-3 semanas até ao valor alvo) • Elevação da TSH com a idade (alvo terapêutico superior: 2 – 6mUI/L
• Grandes dúvidas em termos de benefício do tratamento do hipotiroidismo subclínico
• Sintomas subtis e por vezes atípicos → baixo limiar para o despiste desta patologia
• “tireotoxicose apática” – quadro de hipertiroidismo que cursa com depressão, letargia e perda ponderal
• EO: palpação tiroideia mais difícil (pela atrofia glandular)
• Cintigrafia com maior número de falsos-negativos (pode ser normal em até 30% daqueles com Doença de Graves e até 70% daqueles com Bócio multinodular)
Obrigada pela
atenção
Ana Carolina Teixeira USF Barão do Corvo