Relato de caso
Integrando ciência e arte com
resinas compostas: reabilitação
estética anterior, aspectos químicos
e análise em MEV - Microscopia
Eletrônica de Varredura
Wanderley de Almeida Cesar Jr.*, Emerson Marcelo Girotto**, Silvia Luciana Fávaro***, Eduardo Radovanovic****
RESuMo
Atualmente, o desenvolvimento ob-servado pelas resinas compostas proporciona ao cirurgião – dentista a oportunidade de reproduzir com grande fidelidade os dentes naturais. As propriedades químicas têm me-lhorado constantemente proporcio-nando maior durabilidade,
resistên-PALAvRAS-ChAvE: Odontologia estética. Resina composta. Diastemas.
cia e estética satisfatória. O presente artigo tem como objetivo apresentar passo-a-passo uma reabilitação esté-tica com resinas compostas em den-tes anteriores, discutir alguns aspec-tos gerais sobre suas características químicas, bem como, analisar o com-pósito utilizado através de MEV – mi-croscopia eletrônica de varredura.
* Cirurgião - dentista clínico, especialista em dentística pela FOB - USP, mestre em dentística pela FORP – USP, doutorando em química de polímeros e compósitos DQI - UEM, coordenador do curso de aperfeiçoamento em odontologia restauradora estética do Odons/INSBES - Instituto Sul Brasileiro de Ensino Superior.
** Professor adjunto do Departamento de Química da Univerisdade Estadual de Maringá. Pós-doutorado em síntese e aplicação de polímeros condutores, IQSC - USP São Carlos.
*** Graduada em química – UEM Universidade Estadual de Maringá. Mestranda em química de polímeros e compósitos DQI - UEM.
**** Professor adjunto do Departamento de Química da Universidade estadual de Maringá. Pós-doutorado em microscopia eletrônica e de força atômica pelo Instituto de Química da UNICAMP.
IntRodução
A utilização de resinas compostas para reabi-litar a estética de sorrisos tem se tornado cada vez mais utilizada pelos cirurgiões dentistas. Para se alcançar o êxito em reconstruções esté-ticas, o conhecimento científico, a dedicação e, principalmente, a determinação são primordiais. O sucesso clínico, na maioria das vezes, vem dessa tríade inseparável: conhecimento, dedica-ção e determinadedica-ção. Algum desses três quesitos pode fazer falta no dia-a-dia do consultório.
A ciência é algo que dificilmente vem à men-te das pessoas quando elas penetram na beleza de uma pintura de Claude Monet ou de um Chu-ck Close ou de uma prótese anterior com seis elementos em cerâmica7. E, pela mesma visão,
muitos dentistas recorrem pouco à ciência para se utilizar resinas compostas e, desse modo, comprometem os resultados estéticos em suas restaurações.
Por conseguinte, vem a frustração e junto com ela a perda da determinação e dedicação. Por outro lado observa-se, por parte de muitos profissionais, o aproveitamento integral dessa magnífica fase pela qual está passando a odon-tologia restauradora estética. Neste sentido, na Antigüidade, também foi assim. Durante a época renascentista italiana, quando muitas das convenções da arte ocidental foram estabeleci-das, o que é agora chamado de ciência, freqüen-temente indicava e ensinava as várias formas nas quais os artistas poderiam esculpir e pintar. E alguns artistas, não só usavam o novo conhe-cimento de geometria e anatomia para melho-rarem a sua arte, mas também discutiam sobre como e porque a arte era reconhecida em vários estilos diferentes.
Atualmente, um conhecimento mais apura-do relacionaapura-do à cor, à textura, à forma, à anato-mia, à química de materiais, além do senso
esté-tico é necessário. Para se reproduzir os dentes e todos os seus detalhes com resinas compostas, a observação de como se apresentam os dentes naturais e todos os seus detalhes é importante. Conhecer as características químicas e reológi-cas de cada resina disponível e o seu efeito para repetir cada detalhe do dente é condição para se reproduzir o policromatismo do dente natural, bem como as suas características de “camadas estratificadas”. A opacidade e a translucidez de cada resina devem ser consideradas, e a aplica-ção estratégica de cada camada de compósito deve ser respeitada.
As resinas para dentina apresentam opacida-de próxima à da estrutura opacida-dentinária natural. As resinas para esmalte analogicamente associa-das a lâminas de vidro1 , podem ser classificaassocia-das como Vidro Transparente, Vidro Jateado e Vidro Pintado. As primeiras podem ser incolores, to-talmente transparentes, ou conter algum pig-mento geralmente utilizadas para reproduzir o esmalte palatino e regiões incisais. O segundo grupo é utilizado para reproduzir o esmalte pro-priamente dito antes da última camada trans-parente ou micropartículada. O terceiro grupo aparece em alguns sistemas restauradores por meio de resinas com porcentagem de opaci-dade ainda maior e são apresentadas para re-produzirem manchas hipoplásicas ou cobrirem dentinas excessivamente escuras. Outro grupo de resinas desenvolvidas para definir e calibrar o valor pode ser chamado de esmalte genérico, ou como no sistema utilizado, neste caso, es-malte de valor. As resinas chamadas eses-maltes opalescentes são empregadas para determinar uma opalescência interna e têm altíssima trans-lucidez e algum tipo de pigmento; dão aspec-to de profundidade às restaurações. Para a ob-tenção de resultados mais próximos à dentição natural, é necessário saber que a transparência
Wanderley de Almeida Cesar Jr., Emerson Marcelo Girotto, Silvia Luciana Fávaro, Eduardo Radovanovic
do esmalte aumenta com o passar dos anos e a sua espessura diminui. Deste modo, a espessura de resina referente ao esmalte deve variar entre 0,2 a 1,0mm de acordo com o caso em questão. Uma espessura menor de esmalte, ou seja, a dentina mais próxima da superfície externa faz com que haja uma diminuição de brilho e de lu-minosidade6.
No caso apresentado neste artigo, o pacien-te apresentava 56 anos idade, porém, como foi realizado o clareamento prévio, houve um sen-sível aumento na luminosidade dos dentes, que possibilitou um aspecto mais jovial ao resultado final do conjunto.
ConSIdERAçõES quíMICAS SobRE AS RESInAS CoMPoStAS:
As resinas compostas fotopolimerizáveis, são produzidas com pelo menos 5 componen-tes. O componente em maior quantidade é a carga inorgânica, correspondendo a aproxima-damente 70% da massa total da mistura, consti-tuída de dióxido de silício, vidros bário-silicato, alumino-silicato, entre outros óxidos inorgâni-cos. Em seguida, com aproximadamente 26% da massa total, têm-se as partes orgânicas, cons-tituída principalmente de dois ou mais políme-ros orgânicos, formados a partir de monômepolíme-ros derivados de ésteres metacrílicos. Outros com-ponentes, como fotoativadores, diluentes e pig-mentos (que podem ser orgânicos ou inorgâni-cos), constituem os 4% restantes. Os principais monômeros utilizados são o Bis EMA, UDMA, D3MA, Bis GMA, EBPDMA e TEGDMA (Fig. I).
A rede polimérica é formada através de uma reação radicalar tridimensional, iniciada através da iluminação com luz azul (LED ou alógena), com o auxílio de um fotoiniciador (por exemplo o dimetilaminoetil metacrilato, DMAE). A sele-ção dos monômeros influencia drasticamente a
reatividade, viscosidade e contração de polime-rização da pasta resinosa, bem como suas pro-priedades mecânicas, retenção de água (antes da polimerização) e intumescimento da resina (após polimerização) pela água retida na pasta. Comparando-se com monômeros de alta massa molar, a contração de polimerização é mais pro-nunciada em pastas resinosas de matriz orgâni-ca de baixa massa molar. Monômeros de baixa massa molar tendem a contrair com maior faci-lidade com a foto polimerização, levando à for-mação de infiltrações marginais e sensibilidade pós operatória. Por outro lado, monômeros de alta massa molar dão origem a pastas resinosas muito viscosas e de difícil manuseio. Portanto, busca-se misturas especiais de monômeros de alta massa molar e diluentes reativos (monôme-ros de baixa massa molar, como o TEGDMA) em combinação com diferentes cargas inorgânicas para se evitar ao máximo a contração de poli-merização. Atualmente, têm-se desenvolvido várias pesquisas no sentido de se produzir mo-nômeros de massa molar apropriada, mas com grau de contração pós polimerização reduzido. Dentre estas pesquisas, destacam-se as sínte-ses de tetra metacrilatos ramificados e de silano metacrilatos e a funcionalização de cargas com organo silanos8. Outras pesquisas recentes, como a que vem sendo realizada no Departa-mento de Química da Universidade Estadual de Maringá-Pr9 , envolvem a preparação e a
carac-terização de nano compósitos, ou seja, resinas poliméricas que utilizam como carga inorgânica óxidos de tamanho nanométrico, que dá ao pro-duto final excelentes características estéticas e produz materiais com propriedades mecânicas melhoradas.
O compósito Opallis - FGM, indicado para dentes anteriores e posteriores de acordo com o fabricante possui teor de carga em massa que
varia entre 77,5 e 79,5 %, dependendo das carac-terísticas da resina. A carga do Opallis é compos-ta de vidro de bário-alumino silicato e nanopar-tículas de dióxido de silício e o tamanho médio das partículas não ultrapassa 1,1 micrometros, o que justifica seu excelente polimento.
Foram preparadas amostras in vitro para a realização de ensaios de microscopia eletrôni-ca de varredura, sobre a superfície de fratura de espécimes de 4 mm de comprimento x 2 mm de diâmetro. As resinas utilizadas para a micros-copia foram, OP (alta opacidade), EC3 (esmalte com translucidez média), TO (alta translucidez) e a DA4 (média opacidade). Segundo o fabrican-te o tamanho mínimo das partículas é de 20 na-nômetros, o tamanho médio das partículas cor-responde a 0,5 microns e o tamanho máximo, 3 microns. Através da microscopia pode-se obser-var a distribuição de tamanho das cargas inor-gânicas na matriz da resina. Todas as amostras
apresentaram uma distribuição heterogênea no tamanho das partículas, que variaram em diâ-metro entre aproximadamente 0,5µm, tamanho de partícula predominante na resina composta EC3 (Fig. IV), diminuído até aproximadamente 50nm, tamanho de partícula predominante na resina composta TO (Fig. V). As resinas OP (Fig. II) e DA4 (Fig. III) apresentaram tamanhos de partículas intermediários entre as duas resinas anteriores, com a predominância de partículas variando entre 100 e 200nm. Em todos os casos, as partículas apresentaram-se com um formato arredondado. A boa aderência entre as cargas inorgânicas e a matriz resinosa dificultou uma melhor atribuição (estatística) do tamanho e formato das partículas, no entanto, este fator pode ser considerado positivo, pois, com esta característica, o material teoricamente apre-sentaria propriedades mecânicas melhoradas.
RELAto do CASo H2C C CH3 C O O CH2 CH OH CH2 O C CH3 CH3 O CH2 CH OH CH2 O C O C CH3 CH2 BIS-GMA H2C C CH3 C O O CH2 CH2 O C CH3 CH3 O CH2 CH2 O C O C CH3 CH2 H2C C CH3 C O O CH2 CH2 O CH2 CH2 O CH2 CH2 O C CH3 CH3 O CH2 CH2 O CH2 CH2 O CH2 CH2O C O C CH3 CH2 BIS-EMA EBPDMA H2C C CH3 C O O CH2 CH2 O C O NH CH2 C CH3 CH3 CH2 CH CH3 CH2 CH2 NH C O O CH2 CH2 O C O C CH3 CH2 UDMA H2C C CH3 C O O CH2 CH2 O CH2 CH2 O CH2 CH2 O C O C CH3 CH2 TEGDMA CH2 CH2 CH2 CH2 CH2 CH2 CH2 CH2 CH2 CH2 CH2 CH2 O C O C CH3 CH2 H2C C CH3 C O O D3MA
Figura I - Exemplos de monômeros metacrílicos usados como matriz orgânica em resinas para restauração dentária. Siglas: Bis-EMA (bisfenol A glicol dimetacrilato etoxilado); UDMA (uretano dimetacrilato); D3MA (dodecanodiol dimetacrilato); Bis-GMA (bis trietilenoglicol dimetacrilato); EBPDMA (bis-GMA etoxilado); TEGDMA (trietilenoglicol dimetacrilato).
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Figura II - Resina composta Opallis - FGM cor OP (opaquer pearl). Figura III - Resina composta Opallis - FGM cor DA4 ( dentina).
O paciente P.M.S, apresentava diastemas assimétricos em toda a bateria anterior do 13 ao 23 (Figs.1-3.) Levando em conta um ponto extremamente importante nos tratamentos estéticos, a participação ativa do paciente em todas as etapas do tratamento, optou - se pela realização de um clareamento prévio à reabilitação estética com resinas compostas, esse clareamento foi realizado por meio da técnica caseira.
Por causa dos múltiplos diastemas assimé-tricos e à forma inadequada dos dentes e re-giões incisais, obteve-se um modelo de gesso e sobre este foi realizado um enceramento devolvendo a anatomia adequada à bateria anterior. A partir do enceramento confec-cionado uma muralha de silicona e, a fim de servir como guia às futuras restaurações dos espaços dentários e remorfologia dos ele-mentos (Fig. 4). O primeiro passo consistiu no condicionamento com ácido fosfórico 37% e na aplicação do adesivo Stae-SDI Austrália (Fig. 5). O compósito utilizado neste trabalho foi o Opallis, da empresa nacional FGM, que desenvolveu um compósito com uma variada gama de cores, inclusive com resinas de di-ferentes transparências e opacidades, para a reprodução dos dentes naturais.
A primeira camada aplicada, foi a referen-te ao esmalreferen-te palatino com a resina T - neu-tral - (Opallis - FGM), uma resina acromática desenvolvida para regiões onde se necessita de alta transparência (Fig. 6). A resina foi aco-modada na guia de silicona, tomando - se o cuidado para que toda parte mesial, incisal e um pouco da distal recebesse resina (Fig. 7). Isso é necessário, pois os efeitos de trans-parência devem aparecer principalmente na extremidade incisal antes do “halo opaco” e subindo levemente nas regiões proximais. No
aspecto estrutural da restauração, é muito importante a colocação e o posicionamento dessa primeira camada transparente, pois é ela que dará o perfil de emergência necessá-rio para o fechamento do diastema. Após a aplicação do esmalte palatino, procedeu–se a colocação da resina para a reprodução da dentina cervical, o DA3 (Opallis - FGM); este compósito foi colocado somente na região cervical (Fig. 8).
Optou-se pela colocação de uma resina de dentina mais cromatizada, pois após o clarea-mento, a região de mais alto valor se concen-trou no terço médio, e, quando se aumenta o croma, diminui-se o valor3.
Uma resina ainda para dentina DA2 (Opallis - FGM) foi aplicada do terço médio para a in-cisal. Uma leve sobreposição sobre o final do incremento anterior DA3 se faz necessário, para que não haja uma linha divisória nítida entre os cromas (Fig. 9).
No dente 11, observou –se a presença de uma mancha hipoplásica próximo da região incisal. Como optou –se pela reanatomiza-ção dos elementos e reconstrureanatomiza-ção incisal, um efeito de continuação da mancha branca em direção a incisal foi reproduzido com a resina OP - Opaquer Pearl (Opallis - FGM) (Fig. 10). Como essa pequena mancha branca se locali-zava justamente na união entre a região inci-sal e o alongamento do dente com resina, se não fosse reproduzido a hipoplasia, a linha de união poderia aparecer, pois o alto valor da mancha refletiria mais luz na região, puxando a atenção do observador para aquela região. A resina DA2 (Opallis - FGM) foi então utilizada para reproduzir o “halo opaco” e, logo após, utilizada também para mais uma camada, de-senhando os mamelos dentinários por sobre a resina T - neutral transparente (Fig. 11).
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Figura 1 - Paciente se apresentou com múltiplos diastemas assimétricos
e coloração desfavorável. Figura 2 - Modelo de clareamento sobreposto sobre a guia de silicone.
Figura 3 - Lado oposto do modelo evidenciando a assimetria dos
dias-temas. Figura 4 - silicona. Enceramento (TPD – Juliana A. Sas) e confecção da guia de
Figura 5 - Fotopolimerização do adesivo Stae - SDI Austrália. Figura 6 - Aplicação do esmalte palatino com esmalte acromático, T - Neutral (Opallis - FGM).
Figura 7 - Acomodação do compósito na guia de silicone. Figura 8 - Aplicação do compósito relaltivo a dentina cervical , DA3 (Opallis - FGM).
Figura 9 - Dentina do terço médio, DA2, (Opallis – FGM). Figura 10 - Reprodução intrínseca da mancha hipoplásica com O compó-sito OP (Opaquer Pearl) (Opallis – FGM).
Figura 11 - Resina DA2 (Opallis - FGM) foi aplicada para reprodução dos mamelos e “Halo Opaco”.
Figura 12 - Aplicação do compósito EA2 (Opallis - FGM) para reprodu-ção do esmalte interno e aplicareprodu-ção do esmalte de valor VH - High Value (Opallis - FGM), para correção da luminosidade.
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Figura 13 - Aplicação de esmalte externo (camada extremamente delga-da) para brilho e textura com compósito microparticulado A2 Matrixx - Discus Dental.
Figura 14 - Aplicação do esmalte acromático palatino no incisivo adja-cente.
Figura 15 - Condicionamento do incisivo lateral com ácido fosfórico a 37%, observe no detalhe a proteção dos dentes adjacentes com fita tipo “Durex”.
Figura 16 - Fotopolimerização com aparelho LED - Radii SDI Austrália.
Figura 17 - O esmalte palatino servindo como guia também para o
alon-gamento incisal do incisivo lateral. Figura 18 -
Pequenas uniões adesivas entre as proximais restauradas, podem ser facilmente separadas com o sistema de arco de serra (Mi-crocut - TDV).
A resina para esmalte Vidro Jateado1, EA2 (Opallis - FGM), foi aplicada por sobre as resinas de dentina. Uma resina de esmalte de valor foi aplicada para uma leve correção no brilho por causa do clareamento, principalmente no ter-ço médio VH - High Value (Opallis - FGM) (Fig. 12). Na finalização da técnica de estratificação natural, foi aplicado como última camada uma resina microparticulada cor A2 (Matrixx –
Dis-cus) (Fig. 13). Foi utilizada como última camada uma resina microparticulada pela facilidade dos contornos finais, utilizando a técnica da “matriz dinâmica” e também pela facilidade em utilizar os pincéis para a pré-reprodução anatômica e de textura. Além disso, essas resinas possibilitam boa lisura superficial e ótimo polimento.
Optou-se por restaurar um elemento den-tário de cada vez, lembrando sempre de
reco-Figura 19 - Compósito DA2 (Opallis - FGM) sendo aplicado nas incisais
para reprodução dos mamelos. Figura 20 - ta opalescência na região incisal, desenhada propositalmente para um Resultado após termino do incisivo lateral, observar a discre-paciente de 56 anos. Linhas horizontais de textura na região cervical e anatomia lobular horizontal com depressões e proeminências dando maior naturalidade ao dente.
Figura 21 - Diastema entre o canino e o pré-molar. Figura 22 - Após aplicação do esmalte palatino e da primeira camada de resina para dentina DA3 (Opallis - FGM).
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locar a guia de silicona em posição logo após cada passo restaurador. Essa conduta previne desadaptações da guia decorrentes de excessos linguais de resina ou interferência de algum in-cremento de resina fotopolimerizado (Fig. 14).
A reanatomização dos incisivos laterais se-guiu o mesmo princípio (Fig. 15-19).
Para dar um aspecto mais próximo aos inci-sivos centrais, tanto em comprimento quanto
em largura, um compósito microparticulado foi acrescentado à vestibular dos dentes 12 e 21. Uma pequena ameloplastia foi realiza-da no dente 21 na face vestíbulo-mesial para que obtivéssemos um melhor posicionamen-to dentário, já que esse dente se encontrava vestibularizado (Fig. 17). É importante notar que os incisivos laterais antes do fechamen-to dos diastemas já apresentavam largura
Figura 23 - Aplicação da resina composta DA2 (Opallis – FGM) para
cons-trução do “halo opaco” na região incisal. Figura 24 - antes da DA2 (terço médio para incisal) (Opallis - FGM).Aplicação da segunda camada de resina para dentina DA3,
Figura 25 - Resina de micropartículas aplicada na vestibular, anatomia
primária realizada com pincel nº 3 da Cosmedent. Figura 26 -
Realização da anatomia primária neste momento, com uma broca 2200 FF – (KG Sorensen) e delimitação com grafite a região das depressões que darão origem ao desenho das proeminências, e áreas de reflexões de luz.
mais estreita que os incisivos centrais (Fig. 1). Como não se dispunha de espaço horizontal (mésio-distal), principalmente no elemento 12 (Fig. 2), e não seria esteticamente agradável deixá-lo com a largura original, uma faceta vestibular sem desgaste vestibular foi confec-cionada deixando a superfície vestibular mais aplainada no sentido mésio-distal para que uma maior quantidade de luz fosse refletida diretamente para o observador5. Neste
sen-tido, procurou-se, nas etapas de acabamento
e polimento, jogar os ângulos de reflexão de luz para as extremidades, já que o seu dente homólogo, o 22, tinha diastemas e dessa ma-neira espaço para aplicação de resina nas pro-ximais (Fig. 20).
Os diastemas dos caninos foram reduzidos de tal forma que a resina para dentina DA3 (Opallis - FGM) fosse aplicada por sobre a T - Neutral (Opallis - FGM) em uma camada de maior exten-são do terço cervical em maior espessura até o incisal, em menor espessura, já recontituindo os
Figura 27 - Realização da textura horizontal com a broca 2200FF (KG
Sorensen). Figura 28 - mantada (Contours - Clinician’s Choice).Acabamento e refinamento anatômico com borracha
dia-Figura 29 - Brilho de superfície sendo obtido com escova de carbeto de
silício (Clinician’s Choice). Figura 30 -
Brilho final obtido por meio do sistema de discos aveludados (Praxis Polish - TDV) com a pasta diamantada (Poligloss - TDV).
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Figura 31 - Após Polimento inicial.
Figura 33 - Aspecto final de central a lateral.
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Figura 35 - Caso finalizado.
Figura 36 - Fluorescência adequada oferecida pelos compósitos
manuten-Figura 39 - Sorriso do paciente com os lábios em posição e após os fechamentos de diastema nos dentes inferiores.
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mamelos. A resina DA2 foi aplicada somente do terço médio para incisal, compensando a menor espessura da resina anteriormente aplicada DA3. Esta conduta foi tomada para que as ca-racterísticas de maior croma do canino fosse mantida (Figs. 21-25). Subseqüentemente fo-ram realizados o procedimentos de confecção de textura, anatomia, acabamento e polimen-to ( Figs. 26-30).
ConCLuSão:
• A ciência e a arte com resinas compostas estão cada vez mais acessíveis aos clínicos. Os avanços na química dos compósitos possibili-taram ao clínico resinas cada vez mais
estéti-cas e versáteis, bem como novas técniestéti-cas para a reprodução artística dos dentes naturais, produz ciência e resultados mais promissores.
• O caso apresentado neste artigo evi-dencia que é possível a utilização de resinas compostas como elemento para a reabilitação estética em dentes anteriores.
• O esforço para a obtenção da excelência estética passa pelo conhecimento, pela dedi-cação e pela determinação. O êxito e a exce-lência no trabalho restaurador passa pela mis-são de transformar o sorriso das pessoas, este propósito se for realmente verdadeiro não, demanda mais esforço e sim paixão, vontade e alegria.
Science and art with dental composite: anterior
es-thetic rehabilitation, chemical aspects and analysis
with SEM - Scanning electronic microscopy
Nowadays, the state of the art of dental composite can offer to the dentists the opportunity of reproducing the natural teeth with a great fidelity. The chemical properties have been constantly improved giving a better durability, resistance and a satisfactory esthetic. This actual paper, intends
to demonstrate the step by step of an esthetical rehabilitation with dental composite in anterior teeth, discuss some of general aspects of their chemical characteristics, as well as, analyzing the composite used in the clinical case through the SEM- scanning electronic microscopy.
KEY WORDS:Esthetic dentistry. Dental composite. Diastemas.
REfERênciaS
1. BARATIERI, LN. et al. Caderno de dentística 1º ed. São Paulo: Livraria e Editora Santos, 2002
2. CANEVAROLO JR, SB. Ciência dos Polímeros São Paulo: Artliber Editora, 2002
3. CONCEIÇÃO, E.N. et al. Restaurações estéticas: compósitos, cerâmicas e Implantes. Porto Alegre: Artmed, 2005 4. CRAIG, RG., POWERS, JM. Materiais Dentários Restauradores.
São Paulo: Livraria e Editora Santos, 2004
5. RUFENACH, C.R. Fundamentals of Esthetics. Chicago, Quintessence, 1990.
6. SILVA E SOUSA JR.. M.H. Facetas laminadas em porcelana. v. 1 fascículo 6 novembro/ dezembro, 1995
Wanderley de Almeida Cesar Jr.
Av. Humaitá, 890 Zona 4 - Maringá - PR CEP – 87014 - 200
Endereço para correspondência
7. SLAVIKIN HAROLD,C. Ilusões visuais, ciência e odontologia estética. The Jounal of The American dental Association – Brasil., V. 2, n 5, p.64 – 68, setembro/outubro 1999. 8. MOSZNER, N., SALZ, U. Progress in Polymer Science, V. 26, p.
535 – 576, 2001.
9. ALMEIDA CESAR JR, W., Compósitos Baseados em Bis-GMA/ UDMA/D3MA Reforçados com Nanopartículas de TiO2 e Al2O3, Tese de Doutorado, Departamento de Química, Universidade Estadual de Maringá, Paraná, em andamento.