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A Fonte do Ídolo, Braga

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Academic year: 2021

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Luís Jorge Sacramento Guedes da silva

A Fonte do Ídolo, Braga

(desenho in, Leite de Vasconcellos, 1905, p. 248-249)

Trabalho realizado para a disciplina de Epigrafia Romana, sob

a orientação do Prof. Doutor Armando Coelho F. da Silva.

Licenciatura em Arqueologia, Faculdade de Letras -

Universidade do Porto.

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Índice 1. Introdução ……….………..………. 3 2. A Fonte do Ídolo ……… 6 2.1. O Monumento ……… 6 2.2. Conjunto Escultórico 1 ………. 7 2.2.1. Figura 1 ……… 7 2.2.2. Epígrafe A ……… 8 2.3. Conjunto Escultórico 2 ……….…… 11 2.3.1. Figura 2 ………. 11 2.3.2. Epígrafe B ……….…14 2.3.3. Epígrafe C ……… 19 2.3.4. Epígrafe D ……… 21 3. Placa comemorativa ………...……… 22 4. Ara a Nabia ……… 24 5. Considerações Finais ………...………27 6. Anexos ……….……… 29

Estampa I Mapa de Portugal ……….……… 30

Estampa II Localização da Fonte do Ídolo, Braga ………..…… 31

Estampa III Implantação da Fonte do Ídolo, Braga ……….……… 33

Estampa IV Fonte do Ídolo ……… 32

Estampa V Figura 1 e Epígrafe A ……… 33

Estampa VI Figura 2 e Epígrafes B, C e D ………...… 33

Estampa VII Placa comemorativa ………..………… 34

Estampa VIII Ara a Nabia ……… 35

Quadro 1. Figura 1 ………...… 36 Quadro 2. Epígrafe A ………...………… 37 Quadro 3. Figura 2 ………...………… 38 Quadro 4. Epígrafe B ………...……… 40 Quadro 5. Epígrafe C ………...……… 41 Quadro 6. Epígrafe D ………...……… 42

Quadro 7. Ara a Nabia ………...……… 41

Quadro 8. Placa comemorativa ………..……… 43

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1. INTRODUÇÃO

O monumento, denominado por Fonte do Ídolo (Estampa IV), situa-se na parte oriental da cidade de Braga, mais precisamente na rua do Raio. Localiza-se este num quintal próximo do Palácio do Raio e da Rua dos Granjinhos, na freguesia de S. José de S. Lázaro (Estampa II). Ao local tem-se acesso através da Rua do Raio, nº 309 (Estampa III), descendo por uma escadaria de 12 degraus chega-se ao monumento.

Classificado como Monumento Nacional por decreto, a 16 de Junho de 1910, só foi delineado o seu perímetro de protecção em 1970.

A par do santuário de Panóias, a Fonte do Ídolo é um dos monumentos rupestres, epigrafados, mais conhecidos de todo o Noroeste da Península Ibérica1.

Deve-se a Jerónimo Contador de Argote2 a primeira referência, que se conheça, a este monumento. Contudo, desde 1732 a meados do séc. XIX, a Fonte do Ídolo permaneceu relativamente ignorada3. Todavia, pertence a J. Leite de Vasconcelos as primeiras atenções e interpretações4.

Desde J. L. de Vasconcelos, até ao presente momento, não só as inscrições como também as figuras, e a relação entre ambos, foram alvo de diversas interpretações, que mais à frente serão abordadas por nós num quadro sinóptico.

Contudo, embora pese o facto de existirem divergentes interpretações, não optamos por fazer outra nova leitura, tarefa que nos transcende.

Todavia, tal facto não nos é impeditivo de optar-mos por uma ou outra interpretação, que nos pareça mais fundamentada.

1 LEMOS, 2002, p. 5. 2 ARGOTE, 1732. 3 LEMOS, 2002, p. 7.

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Embora a ara dedicada a Nabia5 (Estampa VIII) não faça parte da “Fonte do Ídolo” iremos abordá-la também, por acharmos oportuno referenciá-la no rumo da nossa investigação. Todavia, pelo facto de ter sido exumada próxima ao local onde se encontra a Fonte do Ídolo, e em princípio devendo estar associada a este monumento, torna-se importante verificar se poderá ou não existir qualquer relação entre estes (Estampa I).

Nabia é considerada, portanto, uma referência importantíssima na interpretação do monumento Fonte do Ídolo, não só por ser uma das partes constituintes da palavra Tongoenabiago, presente na epígrafe B como também aparece numa ara dedicada à própria, mencionada acima, em que se lê: Nabiae/Rufina/V(otum) S(olvit) L(ibens) M(erito), que significa, “à deusa Nabia, Rufina (a dedicante) cumpriu de boa vontade o voto feito”.

Da mesma forma, torna-se importante fazer referência à placa comemorativa, também encontrada nos arredores da Fonte do Ídolo6, pelos factos acima mencionados (Estampa VII).

Para uma melhor análise e, consequentemente, de forma a conduzir esquematicamente o estudo à “Fonte do Ídolo” (Estampa IV), este monumento, foi dividido em duas partes, seguindo a metodologia aplicada por quase todos os autores estudados.

A primeira parte (Estampa V) compõe–se pela escultura em alto-relevo, (conjunto escultórico 1) situada na extremidade esquerda e pela epígrafe (epígrafe A) que se encontra junto à sua cabeça, do lado esquerdo. Quanto à segunda parte (Estampa VI), é composta pelas figuras do lado direito da penedia (conjunto escultórico 2), formada por um nicho rectangular encimado por um frontão, que apresenta três inscrições; a primeira encontra-se no exterior do lado esquerdo e junto ao nicho (epígrafe B), a outra situa-se no interior do nicho e

5HEp 473 = ILER 886. 6CIL II – 2420.

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complementa-se abaixo deste (epígrafe C), e finalmente, uma terceira inscrição, na parte superior do nicho, por cima do frontão (epígrafe D).

Durante a análise dos diversos estudos que se fizeram, desde Argote, Vasconcelos, a épocas mais recentes (Rodríguez Colmenero, Encarnação, Lemos e outros), verificamos uma heterogeneidade de comentários e de formas de abordagem às epígrafes. Por sua vez, esta heterogénea apresentação tornou-se penosa para a sua correcta exposição num quadro sinóptico, que requer acima de tudo, uma certa padronização de dados.

Primeiramente, alguns não fizeram as transcrições de acordo com as regras correntes para a análise epigráfica. Outros, fazem-na mas não expõem a sua leitura ou, simplesmente, a sua tradução. Outros, nem fazem a leitura, nem a tradução, ficando somente na transcrição do texto epigráfico e um breve comentário.

Contudo, achamos que a análise epigráfica deste monumento mantém-se em alguns pontos e noutros, e diverge com alguma complexidade7. Todavia, as análises gerais são, contudo, divergentes. Tais dados, serão comentados mais à frente, dentro de cada ponto a ser estudado, no quadro sinóptico.

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2. A FONTE DO ÍDOLO 2. 1. O MONUMENTO

O monumento em si, foi esculpido nas extremidades de um grande bloco granítico, com aproximadamente três metros de comprimento por metro e vinte de altura. Junto ao nicho e por baixo deste, surge um canal aberto na rocha, onde irrompe uma nascente de água8.

Trata-se de um monumento rupestre, de cariz votivo. A fazer crer esta exposição vemos a associação deste monumento à ara votiva (Estampa VIII) exumada nas proximidades e à placa comemorativa (Estampa VII).

Dada as características das letras e a fazer crer na opinião dos diversos artigos publicados, a construção deste monumento pertence ao iº século da nossa Era.

De acordo com Tranoy9, este maciço granítico deveria ter sido na

sua origem mais alto que na actualidade, visto as inscrições aparecerem mutiladas, permanecendo as marcas de talhe feitas pelas cunhas que afectaram este monumento. Possivelmente, existiriam outras inscrições, que na actualidade pertenceriam aos espaços mutilados ao longo do tempo10.

Contudo, através de algumas intervenções efectuadas no local, foram exumados alguns dados que fazem crer que estamos perante um santuário privado, que se integrava num conjunto habitacional e artesanal11.

Associada a esta ideia, de se tratar de um local de culto, temos a placa comemorativa feita, dos descendendes daquele que fez (ou mandou fazer) este monumento, quando da sua conservação e restauro, que nos dá uma maior segurança na opinião de estarmos

8TRANOY, 2002, p. 31. 9Idem.

10RIBEIRO, 2002. p. 356. 11LEMOS, 2002, p. 18.

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perante um local, nomeadamente de um edifício, com vocação sagrada.

A descoberta da ara a Nábia, veio fortalecer esta opinião, reforçando por sua vez, o culto a esta divindade, mencionada numa das epígrafes da Fonte do Ídolo.

2. 2. CONJUNTO ESCULTÓRICO 1

Este conjunto (Estampa V), é formado pela figura (Figura 1) que se apresenta à esquerda do monumento e a epígrafe designada por nós com a letra A.

2. 2. 1. FIGURA 1

Esta imagem, em alto-relevo, foi considerada de diferentes formas pelos diversos autores que a estudaram ao longo destes 108 anos, que separam as opiniões de Argote (1732) até à actualidade (Quadro 1).

Pelo facto de estar mutilada e bastante desgastada, deu azo a divergentes opiniões. Provavelmente, em fins do séc. XIX e inícios do século seguinte, poderia estar em melhores condições que o vemos na actualidade. Daí a interpretação pormenorizada de Vasconcellos, que menciona a barba comprida e o cesto de frutas e a nossa dificuldade em ver estas observações e determinar certezas.

Para Argote (1732), trata-se de uma figura masculina, com barba comprida, envolta em roupagens compridas, tendo na sua mão um objecto indeterminado, talvez a dobra da toga que se faz vestir.

Opinião essa, refutada por Colmenero12, que vê, provavelmente, nesta

imagem uma figura feminina. Contudo, este último investigador, aceita ainda em 1993, o facto de ser uma figura masculina, senil, mudando em anos seguintes a sua opinião.

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Todavia, a opinião de estarmos perante uma figura masculina é sugerida maioritariamente por diversos autores13.

Contudo, ainda J. d’Encarnação (1975 e 1995) propõe que poderemos estar perante uma imagem de um indígena, com vestimenta própria.

Colmenero14 considera também a figura como sendo de um

indígena, partindo do pressuposto que teria existido uma lâmina de bronze ou pedra ao lado da mesma, onde estaria escrito o nome do deus e os dedicantes, sem dúvida também os Tongoenabiagoi, visto que foram encontrados furos antes descritos.

Quanto aos adereços que apresenta, esta diverge também de tempos em tempos e de autor para autor. Quanto a J. Leite de Vasconcellos (1905), consegue ver um cesto cheio de fruta. Alain Tranoy (1981) pensa que o objecto volumoso que a figura ostenta é uma cornucópia. Opinião essa, que é sugerida posteriormente por Colmenero (1993, 2000 e 2002) para corroborar a sua teoria, por se tratar de uma figura feminina, típica Nábia – Fortuna.

Quanto ao significado desta figura, então surge-nos uma grande diferença de interpretações, que poderemos dividi-las em duas categorias.

Para este primeiro grupo, integram-se os autores15 que sugerem que a figura seja Célico Frontão, o dedicante e responsável pela edificação do monumento, que se encontra mencionado na epígrafe A (quadro 2) (Estampa V). Quanto ao segundo grupo, pertencem todos os autores que identificam esta imagem como alguma divindade adorada pelo dedicante Célico Frontão, que tanto poderá ser: Asclépio16, o deus Tongoenabiagus17 (referenciado na epígrafe B) ou ainda a Nábia – Fortuna18.

13TEIXEIRA, 1938., RUSSEL CORTEZ, 1952., ENCARNAÇÃO, 1975 e 1995., TRANOY, 1981., BLÁZQUEZ, 1992, 1995 e 2002. e RIBEIRO, 2002.

14 COLMENERO, 1987.

15ARGOTE, 1732., VASCONCELLOS, 1894 e 1905. e TEIXEIRA, 1938. 16RUSSEL CORTEZ, 1952.

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A esta última associação, com a divindade feminina, relaciona-se com a ara (Estampa VIII) dedicada a Nábia, por Rufina (Quadro 7), que mais à frente será abordada.

2. 2. 2. EPÍGRAFE A

A epígrafe A (Quadro 2) encontra-se à esquerda, junto à cabeça da imagem 1 (Estampa V). Fraccionada somente no seu início, donde foram subtraídas as primeiras letras da primeira linha, apresenta o resto relativamente bem conservado.

Contudo, danificadas ainda se apresentam algumas letras, que nem por isso impossibilitam a sua leitura (1ª linha: 1ª, 6ª, 7ª e 11ª letras; 4ª linha: 1ª letra). Surge-nos ainda, a separar as duas primeiras palavras da 1ª linha, um ponto distinguente triangular.

Esta epígrafe é composta por 4 linhas, com ordenatio e com a última linha a centrar-se no quadro epigráfico. Apresenta a primeira linha com caracteres maiores, a formar o nome do dedicante e, na segunda linha, a origem do autor do monumento.

Quanto à análise do texto, esta parece concordar em alguns pontos a todos que se pronunciaram sobre ela. Contudo, há discordâncias que merecem ser destacadas!

Primeiramente, estão todos de acordo com o nome do dedicante; Celicvs Fronto, com excepção a Colmenero (1987), que propõe o nome Ambimogido à responsabilidade da execução do monumento, ou da dedicatória.

A palavra Ambimogidvs, tem sido alvo de diversas interpretações.

Para uns, é o nome de uma gens19, a que Célico Fronto pertence, para

17GARCIA, 1991.

18RODRÍGUEZ COLMENERO, 1993, 2000 e 2002. e BLÁZQUEZ, 1995.

19VASCONCELLOS, 1894, TRANOY, 1980., ALARCÃO, 1988., ROBEIRO, 2002. e RODRÍGUEZ COLMENERO, 2002.

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outros, o nomem20 de um indivíduo. E, há os que ainda pensam que

Ambimogido sugere o prænomem21 do dedicante Cælicvs Fronto.

Relativamente à primeira inscrição, tanto J. L. Vasconcellos22

como Russel Cortez23, partilham da mesma opinião quanto à definição

da primeira palavra CELICVS. Ambos concordam que Celicvs seria uma melhor ortografia, enquanto que Cælicvs já revelaria uma mais profunda influência romana. Por outro lado, Celicvs seria uma palavra muito mais primitiva do que Cælicvs, visto que esta aparece numa epígrafe cronologicamente posterior à do Fonte do Ídolo, logo deduziu-se que Celicvs deduziu-seria a forma primitiva e o ditongo existente em Cælicvs seria devido à influência da ortografia latina de Celicvs, nome gentílico muito usado.

Quanto a Rodríguez Colmenero24, faz ainda uma observação

acerca da origem de Celicvs Fronto, confessando a possibilidade do próprio ter sido um emigrante da cidade de Arcóbriga, e um escultor ambulante, visto que era comum naquela época existir escultores ambulantes que executavam obras por encargo. Colmenero faz ainda referência a uma das inscrições aparecidas perto do local, que revela algo sobre os descendentes de Celicvs Fronto (Estampa VII – Quadro 8).

Alain Tranoy25 é também da opinião que Celicvs Fronto é

originário de Arcóbriga, situada na Celtibéria, sendo um lusitano que veio instalar-se em Bracara Augusta.

Depois de instalado, Celicvs Fronto, quis honrar na fonte a divindade local e o deus ligado ao seu povo, e dessa associação nasce o nome composto Tongoenabiagoi. Estabelecido por Celicvs Fronto, este culto passou para a sua família instalada em Braga, cuja

20ARGOTE, 1732, VASCONCELLOS, 1905., TEIXEIRA, 1938., CARDOZO, 1972. e RODRÍGUEZ COLMENERO, 1987. 21RUSSEL CORTEZ, 1952. 22VASCONCELLOS, 1905, p. 245. 23RUSSEL CORTEZ, 1952, p. 37. 24 RODRÍGUEZ COLMENERO, 2000, p. 112. 25TRANOY, 1981, p. 284.

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nomina e as indicações da filiação demonstram uma adaptação aos

hábitos culturais romanos.

Segundo Tranoy26, a onomástica dos dedicantes revela uma

clientela variada sem barreiras entre as categorias em função dos cultos praticados.

Quanto à palavra Fronto, tanto J. L. Vasconcellos27 como Russel

Cortez28 consideram-no um cognome muito frequente na onomástica

hispânica.

Ambos também concordam que a palavra Arconbrigensis reporta-se a uma cidade, chamada Arcóbriga, situada na Celtibéria, pertencente ao conventus Caesauraugustanus e localizada em Arcos del Jalón, que estabelecia íntimos contactos com o conventus

Bracaraugustanus, segundo provas epigráficas existentes no concelho.

Quanto à palavra Arcóbriga = Arco+ briga, Russel Cortez29 e J. L.

Vasconcellos30 consideram a possibilidade do sufixo briga, além de ser seguramente de origem indo-europeia, tem algumas particularidades

célticas. Para Russel Cortez31 a hipótese de que todos os nomes em que

briga é vista, indiciam a sua relação com alguma imigração céltica

determinável e de cronologia segura.

Contudo, Ambimogidvs, é considerado por ambos os autores, um nome étnico, em genitivo do singular, a concordar com o nome, à maneira de adjectivo, colocado após a designação da pátria.

Para Russel Cortez (1952) estes gentílicos não são característicos da Galiza, nem de Portugal, mas sim da Celtibéria.

26 TRANOY, 1981, p. 284. 27 VASCONCELLOS, 1905, p. 249. 28 RUSSEL CORTEZ, 1952, p. 42. 29 Idem, ibidem. 30 VASCONCELLOS, 1905, p. 249. 31 RUSSEL CORTEZ, 1952, p. 42.

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2. 3. CONJUNTO ESCULTÓRICO 2

Este conjunto (Estampa VI), localiza-se na extremidade direita da penedia do monumento estudado. É composto por uma escultura (FIGURA 2) e por três epígrafes, designadas pelas letras: B, C e D.

2. 3. 1. FIGURA 2

Esta imagem (Estampa VI), em alto-relevo, é formada por um nicho rectangular com uma figura humana no seu interior, ligeiramente deslocada para a direita, de forma a criar um espaço do lado esquerdo para uma inscrição. Encimada por um frontão triangular (Estampa VI), encontra-se no interior, desta aedicula, duas imagens, também em alto-relevo, de uma ave (pomba, rola) columbiforme e de um objecto de difícil identificação.

Todavia, e à semelhança da figura anterior, não há consenso entre os diversos autores que se debruçaram sobre o estudo deste monumento (Quadro 3).

Contudo, todos conseguem ver que se trata de uma figura humana masculina. Quanto à descrição pormenorizada deste, surgem-nos algumas divergências.

Para uns, e seguindo a opinião de Argote (1732), crêem ver no busto uma figura de um jovem, sem barba, e de cabelo curto32. Para outros, não querendo pronunciar-se acerca deste detalhe, preferem apenas dizer que é um busto humano33, com rosto desfigurado34 e de feições apagadas35.

Quanto à definição desta imagem, surgem aqui também algumas opiniões divergentes. Para uns, uma simples imagem humana,

32 ARGOTE, 1732., RODRÍGUEZ COLMENERO, 1987, 2000 e 2002., BLÁZQUEZ, 1992. E TRANOY, 2002. 33 VASCONCELLOS, 1894 e 1905., TEIXEIRA, 1938., GARCIA, 1991. e RIBEIRO, 2002.

34 FERNÁNDEZ-ALBALAT, 1990. 35 RUSSEL CORTEZ, 1952.

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que poderá ser o dedicante36, ou ainda para outros, a personificação de um Deus. Quanto a estes últimos, também dividem-se as opiniões.

Para uns, a imagem do busto representa o Deus Tongoenabiagvs37, que

recebe a dedicatória, para outros é a imagem de Sucellvs38. Contudo,

surge-nos ainda quem se refira a esta imagem com sendo a personificação de um deus chamado Somastoreico (sic), que surge na

epígrafe D39, por cima do frontão que adorna a parte superior do nicho

onde se encontra esta imagem.

No tocante às imagens inserida dentro do frontão, também aqui surgem divergências. Não se poderia prever tal situação, uma vez que estas estão a simbolizar algo, dai, a diversidade de interpretações.

Contudo, parece haver uma certa homogeneidade quanto à identificação da imagem da esquerda, a da ave. Para quase todos, é uma espécie de pomba ou rola.

Maior confusão será para a identificação do objecto que se encontra do lado direito da ave. Para uns autores, assemelha-se este a

um maço, ou espécie de martelo40. Para outros, parece ser um vegetal,

um fruto41 ou bolbo42, ou ainda propõem alguns autores que esta

poderia ser um ovo43 ou ainda mesmo um animal; cágado ou

salamandra44.

36 TEIXEIRA, 1938, RUSSEL-CORTEZ, 1952, FENÁNDEZ-ALBALAT, 1990., GARCIA, 1991., BLÁZQUEZ,

1992., RODRÍGUEZ COLMENERO, 1993., TRANOY, 2002. e RIBEIRO, 2002.

37 VASCONCELLOS, 1894 e 1905., ALARCÃO, 1988. e RODRÍGUEZ COLMENERO, 2000 e 2002. 38 TRANOY, 1980 E BLÁZQUEZ, 1995.

39 RODRÍGUEZ COLMENERO, 1987.

40 VASCONCELLOS, 1894 e 1905. TEIXEIRA, 1938., TRANOY, 1980 e 2002, ALARCÃO, 1988.,

FERNÁNDEZ-ALBALAT, 1990., GARCIA, 1991., BLÁZQUEZ, 1992. e RIBEIRO, 2002.

41 RUSSEL CORTÉZ, 1952 e BLÁZQUEZ, 1992. 42 RODRÍGUEZ COLMENERO, 2000 e 2002. 43 RUSSEL CORTEZ, 1952.

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2. 3. 2. EPÍGRAFE B

Esta epígrafe situa-se à esquerda do frontão. Possui duas linhas compostas por duas palavras escritas com caracteres capitais. A letra final da segunda palavra, da segunda linha encontra-se muito disfarçada, sobre o traço vertical da esquerda do frontão.

Apresenta algumas fracturas e erosões, e a primeira letra encontra-se algo danificada por uma fenda (natural?) vertical. Data esta inscrição do séc. I da nossa Era e até ao presente momento não foi alvo de discordâncias.

Das diversas interpretações iniciaremos pela primeira pessoa que

se debruçou sobre esta epígrafe: Argote45. Para ele, que via

inicialmente um RONCOE / NA^LACO, cuja tradução se lê Roncoe Nathalaco. J. L. de Vasconcellos, por sua vez, inicialmente lê

Pongoenabiago46 e depois, numa segunda visita, rectifica para

Tongoenabiagoi, com o “i” apócrifo no fim47.

A sua interpretação, como é natural, também é algo discordante, na longa lista de investigadores que se debruçaram sobre este monumento. Para uns, é o nome de uma divindade48, para outros, o

nome de uma gens49, para outros, o nome de alguém50.

Segundo Leite de Vasconcellos autor do primeiro grande estudo feito à Fonte, o busto representado no nicho era o próprio deus da fonte – Pongoenabiagus. Contudo, muda a sua opinião em 1905, alterando a leitura para Tongoenabiagus, que está escrito em dativo. Devido à sua colocação ao pé de uma fonte, que brota debaixo do penedo em que a própria está, Vasconcelos admitiu que Tongoenabiago era a divindade tutelar da fonte.

45 ARGOTE, 1732. 46 VASCONCELLOS, 1894. 47 Idem, 1896. 48 ARGOTE, 1732. e VASCONCELLOS, 1905. 49 RODRÍGUEZ COLMENERO, 1987. 50 TRANOY, 1980.

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De acordo com a filologia céltica, Tongoenabiagus é uma palavra ao mesmo tempo derivada e composta por outras: Tongoe-

nabi- agu- s ou Tongoe- nabia- gu- s. Derivada porque possui o sufixo –

acus, que é muito vulgar no onomástico pré-romano e que é, sem dúvida, de origem céltica.

Vasconcelos51 divide-o ainda em duas palavras: Tongoe e Nabia.

De acordo com esse autor, Tongoe é um nome céltico, equivalente a Tonge, que aparece frequentemente em inscrições peninsulares e da Beira Baixa. Significa « eu juro» e uma vez que Tongoe = Tonge, é o mesmo que o da palavra antiga irlandesa Tongu. Isto significa, que ao deus Tongoenabiagus se associa a ideia de juramento.

Quanto ao elemento Nabia, Vasconcellos associa-o às deusas fontanárias ou aquáticas. Além de ser um nome céltico, tem origens indo-europeias. Através de fontes gregas e romanas, afirma que a ideia de água e de juramento andam muitas vezes associadas entre si nas diversas religiões.

Fazendo sentido, compreende-se, portanto, que se fizessem juramentos por Tongoenabiagus, junto da fonte da sua invocação.

Outro elemento que diz respeito à inscrição do deus

Tongoenabiagus, e que Vasconcelos parece estar de acordo é a

existência de um “I” apócrifo, a seguir do último “O” da palavra

Nabiagoi. Segundo Vasconcelos este pseudo “I”, foi feito à custa da

linha do friso da última parte do monumento. Chega até afirmar que terá sido uma falsificação realizada com um prego ou qualquer outra haste metálica perfurante, uma vez que o friso está mais vivo que as outras letras.

Em 1938, Carlos Teixeira demonstra que se encontra de acordo com a maior parte das interpretações de Vasconcelos, chegando a confirmar que o monumento foi feito em honra do deus

Tongoenabiago. No entanto, considera que não existem provas seguras

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de que o pseudo - I, no fim da palavra Nabiagoi, possa ser realmente falso ou apócrifo, tal como não se pode confirmar com absoluta certeza a autenticidade desse I.

Aceita a associação da palavra Tongoe à palavra irlandesa antiga Tongu e a divisão da palavra Tongoenabiago em duas: Tongoe, palavra bárbara e Nabiagoi, latinizada e em genitivo arcaico da palavra Nabiagus, adjectivo derivado de Nabia.

Para Carlos Teixeira52, a palavra Tongoe poderá significar talvez monumento, altar, local onde se fazem juramentos, tratando-se, portanto, de um altar de adoração a Nabia. Esta ideia segue a de

Vasconcellos. Opondo-se aos seus colegas, Cortez53 afirma que a

principal divindade do monumento não se trata de Tongoenbiagus, mas sim de Asklépivs. Que por si, estaria representada de pé na Fonte do Ídolo. Por sua vez, coloca ainda a possibilidade de ter existido na Fonte do Ídolo, um culto pré- romano ao deus Nabiagus, com virtudes curativas e que no tempo de Augusto serviu de base à instalação do santuário de Asklépivs.

Uma das grandes dificuldades com que o autor José d’Encarnação se deparou em 1975, na análise do monumento foi o nome da divindade e sua respectiva interpretação.

Encarnação acredita que a divindade seja Tongoenabiago e que existe realmente uma associação com a deusa Nabia, como se confirma pelo aparecimento, no mesmo local, da ara votiva dedicada a esta deusa.

Devido à sua designação binária, aceite por todos os investigadores, José d’Encarnação sente dúvidas em relação ao verdadeiro nome do deus.

Em concórdia com Tovar, considera Tongoe um dativo, suspeita que este seja o verdadeiro teónimo e confirma que Tongoenabiagoi é um composto impróprio, cujas partes constituintes sofreram uma flexão:

52 TEIXEIRA, 1938. 53 RUSSEL CORTÉZ, 1952.

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Tongoe e Nabiagoi. Encarnação54 não concorda com Cortez55 quanto à definição da divindade. Não só especifica que prevalecem algumas contradições nas suas interpretações, como também se opõe à possibilidade do deus ser Asklépivs.

O resultado de um sincretismo entre duas divindades indígenas, é

a resposta de Tranoy56, que menciona que o teónimo Tongo Nabiagus é

onde a divindade local acolheu a divindade lusitana, uma vez que o radical Tong é característico da Lusitânia.

Segundo este mesmo autor, Tongoenabiagus foi a associação do elemento lusitano Tongo com o elemento galego Nabia, que fez nascer o nome composto. Para o autor parece haver uma ligação de Tongoe com o deus Sucellvs.

Segundo o Pereira-Menaut57, é «nos teónimos, antropónimos e topónimos que as formas de flexão próprias das línguas indígenas se mantiveram mais durante mais tempo».

À semelhança de Pereira Menaut, Rodríguez Colmenero58 afirma que o “I” final da palavra Tongoenabiagoi não é apócrifo, mas sim verdadeiro, e que não se deve confundi-lo com o sulco da linha incisa que delimita o núcleo. Com este facto, fá-lo deduzir que a gravação da inscrição é posterior à execução dos relevos. Contudo, Colmenero acredita ainda que Tongoenabiagoi é mais um gentílico em nominativo do plural do que um forçado dativo céltico antigo, uma vez que o celtismo que caracteriza a palavra Tongoenabiagoi se explicaria melhor em nominativo do plural.

Neste contexto, Tongoenabiagoi significaria o nome das gens dos

Tongos, que viveram no vale, que por sua vez, transforma os Tongoenabiagoi nos dedicantes do monumento.

54 ENCARNAÇÃO, 1975. 55 RUSSEL CORTES, 1952. 56 TRANOY, 1980. 57 PEREIRA MENAUT, 1985. 58 RODRÍGUEZ COLMENERO, 1987

(18)

Este autor, assim estabelece uma relação sintáctica entre a palavra Tongoenabiagoi e a inscrição situada sobre o nicho: Deo

Somastoreico(?),que provavelmente seria um dos deuses que a gens

dos Tongoenabiagoi prestariam culto.

Contudo, para o investigador Jorge de Alarcão, por sua vez,

aceita Tongoenabiagoi como a divindade do monumento,

mencionando também que a palavra se encontra em dativo.

Associando o deus Tongoe ao culto de Nábia, de acordo com seu epíteto, José M. Garcia59 duvida que o I que surge depois de

Nabiagoi seja realmente apócrifo. Blázquez60, por sua vez acrescenta ainda que é frequente surgir o teónimo, com significado de juramento, cujo radical é indo-europeu: -tong –tenk, em antropónimos lusitanos. O resultado do sincretismo entre as duas divindades gerará o teónimo.

Não comparticipando desta opinião, finalmente Fernandez-Albalat61 não aceita a interpretação de Rodríguez Colmenero, no que se reporta a Tongoenabiagoi, afirmando por sua vez que se Nabiagoi é um dativo do plural estará a indicar automaticamente a existência de um povo, que adopta o mesmo nome que a deusa Nabia. Com isso, sugere que o povo elegeria o nome da sua padroeira.

59 GARCIA, 1991. 60 BLÁZQUEZ, 1992.

(19)

2. 3. 3. EPÍGRAFE C

Esta epígrafe (Estampa VI) divide-se em duas partes: a primeira situa-se no interior do frontão, do lado esquerdo do busto da figura 2 e continua na parte inferior (segunda parte), abaixo da moldura do nicho.

De acordo com as letras, podemos enquadrá-la

cronologicamente no séc. I da nossa Era.

A primeira parte é formada por duas linhas com duas palavras gravadas com escrita do tipo capital, com alinhamento à esquerda, ligeiramente separada da moldura vertical esquerda do nicho.

Quanto à segunda parte, esta encontra-se ligeiramente apagada no fim. Contudo Ainda é possível fazer uma leitura, vendo-se as cinco letras que a compõem, com um nexo nas letras N e T.

Até ao presente, pouca discordância se vê, na leitura e interpretação desta epígrafe (Quadro 5).

Cabe a Vasconcellos a primeira leitura62, que de seguida, quando

numa posterior leitura a rectifica63, acrescentando-lhe a segunda parte. Desde a segunda leitura de Vasconcellos, poucas foram as leituras alternativas e a sua leitura se mantém64. Contudo, e já era de esperar, Rodríguez Colmenero65, vê ainda mais duas letras, lendo posteriormente e acrescentando-lhe, um Camali. Dessa opinião,

seguem também outros autores66.

Todavia, passados 15 anos, o próprio Colmenero67 acaba por ceder às leituras então aceites e segue a opinião de Vasconcellos68. Esta alteração de leitura, já tinha sido entretanto feita por outros, que não viram suporte para tal69.

62 VASCONCELLOS, 1894. 63 Idem, 1905.

64 TEIXEIRA, 1938., RUSSEL CORTÉZ, 1952., CARDOZO, 1972., PEREIRA MENAUT, 1985., ALARCÃO,

1988., GARCIA, 1991., BLÁZQUEZ, 1995., TRANOY, 2002., RODRÍGUEZ COLMENERO, 2002. e RIBEIRO, 2002. 65 RODRÍGUEZ COLMENERO, 1987. 66 FERNÁNDEZ-ALBALAT, 1990. e BLÁZQUEZ, 1992. 67 RODRÍGUEZ COLMENERO, 2002. 68 VASCONCELLOS, 1894. 69 TRANOY, 2002.

(20)

De acordo com Colmenero70, seguida depois por Fernández-Albalat71, que viam na epígrafe as letras C e M, inseriram um nome: Camali. Com isso, a frase mudava de sentido, passando a autoria do monumento a Fronto, que é filho de Câmalo, dedicada a Célico.

Desta tradução, pouco se desviou, até ao presente, da de

Vasconcellos, cuja obra (do monumento) remete para a

responsabilidade de Celico Frontão.

70 RODRÍGUEZ COLMENERO, 1987 71 FÉRNANDEZ-ALBALAT, 1990.

(21)

2. 3. 4. EPÍGRAFE D

Esta epígrafe, de difícil leitura, (Quadro 6) encontra-se acima da

aedícula, que compõe a figura 2. Apresenta-se muito erosionada, com

algumas fracturas. Está disposta numa linha ondulada acompanhando a subida da face esquerda do frontão. A sua cronologia não é certa, oscilando aos dois primeiros séculos da nossa era.

À semelhança das observações feitas nas epígrafes anteriores, esta parece conter uma certa discordância na sua leitura.

Inicialmente, J. L. De Vasconcellos72 leria um “Tomás...” e Russel Cortéz um “Abavis Amor(e)”. Para Russel Cortez73, Trata-se de uma legenda gravada em caracteres cursivos do século I d.C. e escrita da direita para a esquerda. Esta forma de escritura é denominada por

bustrofedon. O autor leu ABAVIS AMOR(e) (sic). Abavis, segundo o autor

tanto se pode referir aos descendentes paternos como maternos, e esta inscrição poderá está relacionada com a placa comemorativa encontrada próxima da Fonte do Ídolo (Estampa VII).

Contudo, só com Rodríguez Colmenero (1987), é que se começou a ler DEO SOMASTOREICO, que todavia foi sendo seguido por todos os outros autores74. Todavia, Colmenero (2002) altera a sua anterior leitura, propondo uma nova: SEOMASTOREICO (sic).

As traduções também divergem, como é natural quando existem leituras diferentes. Ao nosso ver, a tradução mais ambiciosa75, é a dos dedicantes aos trisavós!

72 VASCONCELLOS, 1905. 73 RUSSEL CORTEZ, 1952.

74 FERNÁNDEZ-ALBALÁT, 1990. e BLÁZQUEZ, 1992. 75 RUSSEL CORTEZ, 1952.

(22)

3. A PLACA COMEMORATIVA

Torna-se oportuno também recordar, que nas imediações do monumento designado “Fonte do Ídolo, foram achadas, em épocas diferentes, uma ara solta dedicada a Nabia (Estampa VIII) e uma placa comemorativa (Estampa VII).

Esta última será agora por nós abordada neste capítulo, sendo a primeira abordada no capítulo seguinte.

A placa, possui cerca de 1,40m de comprimento por 0.47m de altura, ligeiramente mutilada no canto superior direito. Escrita com caracteres latinos, capitais, com ordenatio, desenvolve-se a escrita em 4 linhas.

Pese o facto de não termos estado em contacto com esta e com a ara, resignamo-nos em fazer somente um comentário acerca das leituras e interpretações realizadas pelos diversos autores que se pronunciaram sobre estas epígrafes (Quadro 8).

O primeiro a fazer um comentário a esta placa, foi naturalmente

Contador de Argote76, em 1732, que cedo faz referencia à origem desta

peça, como sendo um tributo dos descendentes de Celico Fronto, na renovação do edifício.

Quanto às personagens mencionadas, de autor em autor há ligeiras diferenças. Tranoy77 (2002) diz que o neto de Celico Fronto, chamado Tito Celico e seus dois bisnetos, Marcos e Lúcio assinalaram numa inscrição que renovaram e restauraram o monumento, que se presume ter sido mandado construir pelo Celico Fronto. Quanto a

Rodríguez Colmenero78, parece haver mais um bisneto. Além de Marcos

e Lúcio, surge um Fronto.

Todavia, embora existam essas “pequenas” diferenças, o sentido da existência desta placa não é alterada. Parece contudo haver uma

76 ARGOTE, 1732. 77 TRANOY, 2002, p. 32.

(23)

relação de permanência e de prestação a um culto num determinado lugar. Será um santuário doméstico? Será que esta placa foi feita para as obras de conservação da Fonte do Ídolo ou de qualquer outro edifício da domus de Celico Fronto?

Fazendo crer na opinião geral, parece credível fazer a ligação entre esta e a Fonte do Ídolo, como manutenção de um culto familiar, doméstico, de um FANUM, no contexto de um santuário privado.

(24)

4. A ARA A NÁBIA

Ara consagrada a Nabia por Rufina, em granito (Estampa VIII). Datada do séc. I d.C. Com moldura sob cornija e na base, com plinto liso. Apresenta no topo superior um fóculo (?).

A epígrafe encontra-se na face frontal, com ordenatio central formada por letras em formato capital. Apresenta-se, a inscrição, em três linhas. A primeira, Surge o nome da divindade a que é feita esta dedicatória, que é Nabiae. A segunda Linha, surge o nome da dedicante; Rvfina, e na terceira linha, a fórmula de voto: V(otum) S (olvit) L(ibens) A(nimo).

Das diversas interpretações, que serão aqui abordadas (Quadro 7), resta-nos poucas dúvidas quanto à sua correcta leitura. Todavia, nem sempre o consenso foi geral.

O investigador Carlos Teixeira (1938) informa-nos que a divindade

se chamava Nabia Rufina. Todavia, os outros autores79 que abordaram

esta epígrafe, refazem a leitura que se mantém até ao presente como a mais aceitável.

Acreditando que estes dados poderão contribuir para a compreensão do monumento, a maior parte dos investigadores acredita, associando a ara à epígrafe B, que o local seria, provavelmente, também usado para a veneração da deusa Nabia.

Com J. Leite Vasconcelos80, que associa Nabius à deusa Nabia, que aparece frequentemente nas inscrições romanas da Terraconense, admite a possibilidade de ser uma deusa fontanária, ou pelo menos relacionada com o meio aquático. Para corroborar esta sua suposição, menciona a existência de nomes de rios em que surge o elemento NAB-, como por exemplo- NabiusNAB-, NabacusNAB-, NabanusNAB-, etc.

79 RUSSEL CORTÉZ, 1952., RODRÍGUEZ COLMENERO, 1987, 2000 e 2002. e GARCIA, 1991. 80 VASCONCELLOS, 1905.

(25)

Este autor conclui por sua vez que o deus bracarense tinha um carácter aquático uma vez que o elemento NAB- acompanhava as muitas denominações fluviais.

Fazendo questão de frisar a importância do monumento a Nabia,

Teixeira81 ressalta o valor do achado da ara dedicada à mesma deusa,

pelo facto desta deusa ser muito conhecida na Lusitânia e estando associada aos cultos relacionados com a água, uma vez que nabiagus está por naviacos, derivado de Navia, que significa “curso d’água”.

Não podendo fugir, Rodríguez Colmenero82 também realiza um

comentário relativamente à ara dedicada à deusa Nabia, concluindo que junto à Fonte do Ídolo se prestava um culto à deusa Nabia. Segundo este mesmo autor, a relação Nabiae>Tongoenabiagoi parece contudo evidente, apesar da maior parte dos investigadores associá-la a uma deusa aquática, tal posição não é mantida por sí, uma vez que

Nabia com “b”, parece corresponder mais a uma etimologia

relacionada com um vale e não com um hidrónimo. O autor remata, dizendo que o culto à deusa Nabia não está em contradição com os

Tongoenabiagoi, uma vez que esta poderia talvez ser homónima e

padroeira do grupo gentílico em questão.

Quanto a Russel Cortez83 também faz referência à ara votiva, como consagrada à deusa em questão, admitindo também, a sua importância para corroborar a religiosidade do local e a prestação do culto a Nabia. Sendo da mesma opinião que Cortez, d’Encarnação84 também vê o carácter aquático da deusa Nabia, incluindo-a no grupo dos deuses protectores dos necessitados.

Contudo, este autor não deixa de frisar que, pesando o facto de se ter exumado uma ara, não implica com isso necessariamente a existência do culto a esta divindade. Afirmando que poderá ter sido trazida, ou feita ali, por alguém de outras bandas que prestaria o culto a

81 TEIXEIRA, 1938.

82 RODRÍGUEZ COLMENERO, 1993. 83 RUSSEL-CORTÉZ, 1952.

(26)

esta deusa no seu local de origem. O autor afirma que a deusa Nabia já assumiu o seu lugar como uma das mais importantes divindades do Noroeste peninsular.

Associando o culto à deusa Nabia ao culto das fontes, Tranoy85, acrescenta ainda que a adoração a esta deusa foi uma das primeiras formas de culto que os indígenas prestaram a esta fonte, situada numa zona periférica da urbe bracarense, próxima de uma zona de necrópoles.

Contrariando a posição de Tranoy, o Professor Jorge de Alarcão86

associa Nabia a uma divindade dos vales, dos montes, dos bosques e das águas correntes.

Na generalidade, procurou-se sempre para Nabia uma etimologia que explicasse a sua vinculação com os rios, cuja base do radical é naus, “nave”, verificada em todas as formas indo-europeias, cujo significado é vocacionado para o culto dos rios e dos vales.

85 TRANOY, 1980. 86 ALARCÃO, 1988.

(27)

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS

Apesar de existirem pontos em comum, no tocante às interpretações de determinadas inscrições, ainda persistem muitas dúvidas, relativamente à designação das divindades e a sua interpretação e articulação com a onomástica das epígrafes.

De acordo com os dados arqueológicos que foram extraídos, em algumas das intervenções que a fonte do ídolo sofreu, assim como em determinados pontos periféricos a este, concordamos que esta área estaria integrada numa domus e que a Fonte do Ídolo seria um local sagrado, de cariz privado.

Todavia, e parece do senso comum, que provavelmente neste local praticava-se o culto à deusa Nábia. Este facto prende-se não só pela presença de uma ara dedicada a esta deusa mas também pela presença do nome Nabia na epígrafe B (Tongoenabiagoi).

Associado também ao culto desta deusa, vemos um nicho por cima do manancial de água. Da mesma forma, vemos a presença de uma figura de pé, que parece ostentar uma cornucópia.

Com estes dados, tudo leva a crer que a figura de pé seria uma Nábia fortuna, enquanto que a figura do nicho seria provavelmente a do dedicante, ou da sua memória.

As diversas palavras que compõem o monumento não só constituem um dos elementos mais significativos para a definição do tipo de cultos religiosos praticados na região, bem como da sua verdadeira origem, como também nos oferece uma panorâmica dos hábitos culturais vividos na altura, das gens, e da onomástica dos que aí habitaram.

Contudo, esse culto ainda não é claro, podendo, num primeiro momento estar associado ao culto naturalista, que poderá ter sido posteriormente reutilizado e porventura re-sacralizado.

Se associarmos a figura de pé, portadora da cornucópia, como sinal da prosperidade, e a presença de um nicho, com o dedicante

(28)

-por cima do manancial de água - que veio de longe e que se instalou ali, e prosperou, edificando e fazendo juras de manutenção do local, não só durante a sua existência mas também para os seus descendentes.

(29)
(30)
(31)

ESTAMPA II

localização da fonte do ídolo

(CARTA COROGRÁFICA 1:50 000 – 5-D BRAGA)

(32)

ESTAMPA III

implantação da fonte do ídolo

(33)

ESTAMPA IV

fonte do ídolo

(TRANOY, A., A “Fonte do Ídolo”, Religiões da Lusitânia, Museu Nacional de Arqueologia, Lisboa, 2002, p.3.)

ESTAMPA V

fonte do ídolo – 1ª parte

(RODRÍGUEZ COLMENERO, A., Corpus de inscripciones rupestres de época romana del cuadrante nw de la

(34)

ESTAMPA VI

fonte do ídolo 2ª parte

(RODRÍGUEZ COLMENERO, A., Corpus de inscripciones rupestres de época romana del cuadrante nw de la

península ibérica, Edicios do Castro, A Corunha, 1995, p. 200.)

ESTAMPA VII

placa comemorativa

(RODRÍGUEZ COLMENERO, A., Corpus de inscripciones rupestres de época romana del cuadrante nw de la

(35)

ESTAMPA VIII

ara a nabia

(36)

FONTE DO ÍDOLO - EPÍGRAFE A

AUTOR ANO LEITURA TRADUÇÃO

ARGOTE, J. C. de, 1732 [CEL]ICVS FRONTO / ARCOBRIGENSIS / AMBIMOGIDVS / FECIT // Celico Fronto natural de Arcobriga Ambimogido fez esta obra.

VASCONCELOS, J. L. de, 1894 [CEL]ICVS FRONTO / ARCOBRIGENSIS / AMBIMOGIDVS / FECIT // Celicus Fronto natural da cidade de Arcobriga pertencente á gens Ambimogida

VASCONCELOS, J. L. de, 1905 [CEL]ICVS . FRONTO / ARCOBRIGENSIS / AMBIMOGIDVS / FECIT // Celico Frontão, natural de Arcóbriga, Ambimogido, fez esta obra.

TEIXEIRA, C., 1938 [CEL]ICVS . FRONTO / ARCOBRIGENSIS / AMBIMOGIDVS / FECIT // Célico Fronto, natural de Arcóbriga, Ambimogido, fêz esta obra.

RUSSEL CORTEZ, F., 1952 [CEL]ICVS . FRONTO / ARCOBRIGENSIS / AMBIMOGIDVS / FECIT // Celico Frontão Ambimogido, Arcobrigense, fez este monumento.

CARDOZO, M., 1972 [CEL]ICVS . FRONTO / ARCOBRIGENSIS / AMBIMOGIDVS / FECIT // Célico Frontão, natural de Arcóbriga, ambimogido, fez (esta obra).

TRANOY, A. 1980 Celicus Fronto, originário de Acóbriga e membro do clã

dos Ambimogidi. PEREIRA MENAUT, G., 1985 [CEL]ICVS FRONTO / ARCOBRIGENSIS / AMBIMOGIDVS / FECIT //

RODRÍGUEZ COLMENERO, A., 1987 [CEL]ICVS FRONTO / ARCOBRIGENSIS / AMBIMOGIDVS / FECIT // Celico Frontão, Arcobrigense, Ambimógido executou isto.

ALARCÃO, J. de, 1988 [CEL]ICVS FRONTO / ARCOBRIGENSIS / AMBIMOGIDVS / FECIT //

Celico Fronto da gens dos Ambimogidi, natural de uma povoação chamada Arcóbriga, mandou fazer o santuário.

FERNÁNDEZ-ALBALAT, B. G., 1990 [CEL]ICVS FRONTO / ARCOBRIGENSIS / AMBIMOGIDVS / FECIT //

GARCIA, J. M., 1991 [CE]LICVS . FRONTO / ARCOBRIGENSIS / AMBIMOGIDVS / FECIT // BLÁZQUEZ, J. M., 1992 [CEL]ICVS FRONTO / ARCOBRIGENSIS / AMBIMIGIDVS / FECIT //

RODRÍGUEZ COLMENERO, A., 1993 [CEL]ICVS FRONTO / ARCOBRIGENSIS / AMBIMOGIDVS / FECIT // RODRÍGUEZ COLMENERO, A., 1995 [CEL]ICVS FRONTO / ARCOBRIGENSIS / AMBIMOGIDVS / FECIT //

BLÁZQUEZ, J. M., 1995 [CE]LICVS FRONTO / ARCOBRIGENSIS / AMBIMOGIDVS / FECIT // Célico Frontão ENCARNAÇÃO, J. d'., 1995 [CE]LICVS FRONTO / ARCOBRIGENSIS / AMBIMOGIDVS / FECIT //

TRANOY, A., 2002 [CEL]ICVS . FRONTO / ARCOBRIGENSIS / AMBIMOGIDVS / FECIT // Celicus Fronto, de Arcóbriga, fez (este monumento)

RODRÍGUEZ COLMENERO, A. 2002 [CEL]ICVS . FRONTO / ARCOBRIGENSIS / AMBIMOGIDVS / FECIT // Celico Frontão, oriundo de Arcóbriga, da parentela dos Ambimógidos, fez.

RIBEIRO, J. C.., 2002 [CE]LICVS . FRONTO / ARCOBRIGENSIS / AMBIMOGIDVS / FECIT // Celicus Fronto, (natural de Arcóbriga) arcobrigense (e do povo dos) ambimógido(s), fez.

(37)

FONTE DO ÍDOLO - EPÍGRAFE B

AUTOR ANO LEITURA TRADUÇÃO

ARGOTE, J. C. de, 1732 RONCOE / NAΘLACO // Roncoe Nathalaco

VASCONCELOS, J. L., de 1894 PONGOE / NABIAGO // Pongoenabiago

VASCONCELOS, J. L., de 1896 TONGOE / NABIAGOI // Tongoenabiago

VASCONCELOS, J. L., de

1905 TONGOE / NABIAGO // Tongoenabiagvs ou Tongvs

Nabiagvs

TEIXEIRA, C. 1938 TONGOE / NABIAGOI // tongoenabiago

RUSSEL CORTEZ, F., 1952 TONGOE / NABIAGO //

Tongoenabiagvs ou Tongus Nabiagvs

CARDOZO, M., 1972 TONGOE / NABIAGO // A Tongoenabiago

ENCARNAÇÃO, J. d'., 1975 TONGOE / NABIAGOI // Tongoenabiago

TRANOY, A. 1980 Tongo Nabiagus

TRANOY, A. 1981 Tongo Nabiagus

PEREIRA MENAUT, G. 1985 TONGOE / NABIAGOI //

RODRÍGUEZ COLMENERO, A.

1987 TONGOE / NABIAGOI // Os Tongoenabiagos fazem esta

dedicatória

ALARCÃO, J. de, 1988 o nome do deus é Tongo

Nabiagus ou Tongo nabiagus

FERNÁNDEZ-ALBALAT, B. G., 1990 TONGOE / NABIAGOI //

GARCIA, J. M., 1991 TONGOE / NABIAGO //

BLÁZQUEZ, J. M., 1992 TONGOE / NABIAGOI // Tongoenabiagoi

RODRÍGUEZ COLMENERO, A. 1993

BLÁZQUEZ, J. M., 1995 TONGOE / NABIAGOI //

TRANOY, A. 2002 TONGOE / NABIAGOI // Tongoenabiagoi

RODRÍGUEZ COLMENERO, A. 2002 Tongoenabiagoi

(38)

FONTE DO ÍDOLO - EPÍGRAFE C

AUTOR ANO LEITURA TRADUÇÃO

VASCONCELOS, J.

L., de 1894 CELICVS / FECIT //

VASCONCELOS, J.

L., de 1905 CELICVS / FECIT / FRONT // Celico Frontão fez esta obra

TEIXEIRA, C. 1938 CELICVS / FECIT / FRON //

RUSSEL CORTEZ, F., 1952 CELICVS / FECIT / FRON T // Celico fecit Fron (em)

CARDOZO, M., 1972 CELICVS / FECIT / FRONT // Célico Frontão fez (esta obra).

TRANOY, A. 1980 Celicus Fronto

PEREIRA MENAUT,

G. 1985 CELICVS / FECIT / FRONT[O] //

RODRÍGUEZ

COLMENERO, A. 1987 CELICVS / FECIT / FRON[TO] C[A]M[ALI] // Célico o executou Fronto, filho de Câmalo?

ALARCÃO, J. de, 1988 CELICVS / FECIT / FRONT(O) //

FERNÁNDEZ-ALBALAT, B. G., 1990 CELICVS / FECIT / FRON[to] C[a]M[ali..]//?

GARCIA, J. M., 1991 CELICVS / FECIT / FRONT(O) //

BLÁZQUEZ, J. M., 1992 CELICVS / FECIT / FRON[to] C…M? //

RODRÍGUEZ

COLMENERO, A. 1993 CELICVS / FECIT / FRON[TO] C[…] M[…] //

BLÁZQUEZ, J. M., 1995 CELICVS / FECIT / FRONTO // Célico Frontão

TRANOY, A. 2002 CELICVS / FECIT / FRO[NTO] // Celicus Fronto

RODRÍGUEZ

COLMENERO, A. 2002 CELICVS / FECIT / FRO[NTO] //

(39)

FONTE DO ÍDOLO - EPÍGRAFE D

AUTOR ANO LEITURA TRADUÇÃO

VASCONCELOS, J.

L., de 1905 Tomás...? //

RUSSEL CORTEZ, F., 1952 ABAVIS AMOR [E] // Aos trisavós com afecto (dedica ?)

RODRÍGUEZ

COLMENERO, A. 1987 DEO SOMASTOREICO // … deus ? Somastoreico.

FERNÁNDEZ-ALBALAT, B. G., 1990 DEO SOMASTOREICO (??) //

BLÁZQUEZ, J. M., 1992 [De]O SOMASTOREICO //

RODRÍGUEZ

COLMENERO, A. 1993 [De]O SOMASTOREICO // Deus Somastoreico

RODRÍGUEZ

(40)

ARA A NÁBIA

AUTOR ANO LEITURA TRADUÇÃO

TEIXEIRA, C., 1938 NABIAE / RVFINA / V(otum) S(olvit) L(ibens) M(erito)// À Deusa Nabia Rufina cumpriu de

boamente o voto feito.

RUSSEL CORTEZ, F., 1952 NABIAE / RVFINA / V(otum) S(olvit) L(ibens) M(erito)// Da Deusa Nabia. Rufina cumpriu, satisfeita e de boa vontade o voto. RODRÍGUEZ COLMENERO,

A., 1987 NABIAE / RVFINA / V(otum) S(olvit) L(ibens) M(erito)//

GARCIA, J. M., 1991 NABIAE / RVFINA / V(otum) S(olvit) L(ibens) M(erito)//

RODRÍGUEZ COLMENERO, A. 2000 NABIAE / RVFINA / VOTUM S(olvit) L(ibens) M(erito)// RODRÍGUEZ COLMENERO, A. 2002 NABIAE / RVFINA / VOTUM S(olvit) L(ibens) M(erito)//

(41)

PLACA COMEMORATIVA

AUTOR ANO LEITURA TRADUÇÃO

ARGOTE, J. C. de, 1732 T(itus). CAELICVS […] IPES / FRONTO FIL(ius) […] L ET . LVCIVS / TITI . F(ilivs) PRONEPOTES CA/ELICI / FRONTONIS RENOVARVNT. //

Tito Celico filho de Fronto, e Lucio, filho de Tito, bisnetos de Celico Fronto, renovarão este edificio.

RUSSEL CORTEZ, F., 1952 T . CAELICVS . IPIPES / FRONTO ET . M. ET . LVCIVS . / TITI . PRONEPOTES . CAELICI / FRONTONIS RENO \/\RUN T

Tito Celico Frontão, e Marcus e Lucio Tito, neto e bisnetos de Celico Frontão restaurartam (este monumento).

RODRÍGUEZ COLMENERO, A., 1987 T(itus) CAELICVS SARTOR ET RES[T] (auratores) / FRONTO ET M(arcus) ET

LVCIVS / TITI F(ilii) PRONEPOTES CALELICI / FRONTONIS RENOVARVNT //

RODRÍGUEZ COLMENERO, A., 1993 T(itus) CAELICVS SARTOR ET RES[ t (auratores) ] / FRONTO ET M(arcus) ET LVCIVS / TITI F(ilii) PRONEPOTES CALELICI / FRONTONIS RENOVARVNT //

RODRÍGUEZ COLMENERO, A., 1995 T(itus) CAELICVS SARTOR ET RES[ t (auratores) ] / FRONTO ET M(arcus) ET LVCIVS / TITI F(ilii) PRONEPOTES CALELICI / FRONTONIS RENOVARVNT //

RODRÍGUEZ COLMENERO, A. 2000 T(itus) CAELICVS SARTOR ET RES[T] (auratores) / FRONTO ET M(arcus) ET

LVCIVS / TITI F(ilii) PRONEPOTES CALELICI / FRONTONIS RENOVARVNT //

RODRÍGUEZ COLMENERO, A. 2002 T(itus) CAELICVS SARTOR ET RES[T](auratores) / FRONTO ET M(arcus) ET LVCIVS / TITI F(ilii) PRONEPOTES CALELICI / FRONTONIS RENOVARVNT //

LEMOS, F. S., 2002 T(itus) CAELICVS SIPIPES / FRONTO ET M(arcus) ET LVCIVS / TITI F(ilii)

PROPONETES CAELICVS / FRONTONIS RENOVARVNT //

TRANOY, A. 2002 Tito Celico neto de Celico Fronto, e seus dois bisnetos, Marcos e

(42)

AUTOR ANO FIGURA 1

IMAGEM ATRIBUTOS INTERPRETAÇÃO

ARGOTE, J. C. de, 1732

FIGURA DE UM HOMEM…COM

BARBA COMPRIDA.

VASCONCELOS, J. L. de,

1894 FIGURA BARBADA

ENVOLTA EM ROUPAGEMS COMPRIDAS E DOBRADAS, TENDO NA MÃO UMA DOBRA DA TOGA OU OBJECTO INDETERMINADO.

CELICUS FRONTO, O DEDICANTE, NATURAL DA ARCÓBRIGA

1905 FIGURA DE HOMEM COM BARBA COMPRIDA, DE PÉ,

COM ROUPAGEM AMPLA E COMPRIDA. COM

CESTO CHEIO DE FRUTAS CÉLICO FRONTO, O DEDICANTE

TEIXEIRA, C., 1938 FIGURA DE HOMEM, DE PÉ,

ENVOLTO EM COMPRIDAS ROUPAGENS, SUSTENTANDO NO BRAÇO ESQUERDO UM OBJECTO VOLUMOSO

INDIGENA ROMANIZADO, CÉLICO FRONTO, AUTOR DO MONUMENTO.

RUSSEL CORTEZ, F., 1952 HOMEM BARBADO, DE PÉ E COM O CORPO ENVOLVIDO NUMA AMPLA E

COMPRIDA ROUPAGEM. ASKLÉPIUS

ENCARNAÇÃO, J. d'., 1975 FIGURA BARBUDA (INDÍGENA). COM VESTIMENTA (INDÍGENA)

TRANOY, A. 1981 DIVINDADE MASCULINA COM CORNUCÓPIA

RODRÍGUEZ COLMENERO, A., 1987 RETRATO DE UMA FIGURA INDÍGENA

BARBUDA

FERNÁNDEZ-ALBALAT, B. G., 1990 FIGURA MASCULINA, BARBUDA ENVOLTA EM AMPLAS ROUPAGENS.

GARCIA, J. M., 1991 FIGURA HUMANA VESTIDA DE TOGA DEUS TONGOE NABIAGO

BLÁZQUEZ, J. M., 1992 HOMEM VELHO, EM PÉ, COM BARBA

VESTIDO COM UMA TÚNICA COMPRIDA E TOGA E AMPLAS PREGAS QUE SE DESENROLAM NOS BRAÇOS.

REPRESENTAÇÃO CLÁSSICA DE UM RIO COM CORNUCÓPIA

RODRÍGUEZ COLMENERO, A., 1993 FIGURA SENIL, BARBADA.

VARÃO VESTIDO COM FOLGADA ROUPAGEM, COMPOSTA POR TÚNICA COMPRIDA E TOGA DE AMPLAS PREGAS QUE ENROLA SOBRE UM DOS BRAÇOS

PODERIA SER UMA FIGURA FEMENINA PORTADORA DE CORNUCÓPIA, OU SEJA UMA DEUSA DA ABUNDANCIA OU SIMILAR, TIPO FORTUNA ? SERIA NABIA-FORTUNA ?

BLÁZQUEZ, J. M., 1995 VELHO BARBADO, DIVINDADE

FEMENINA FORTUNA (?)

ENCARNAÇÃO, J. d'., 1995 FIGURA BARBUDA (INDÍGENA). COM VESTIMENTA (INDÍGENA) RODRÍGUEZ COLMENERO, A., 2000 FIGURA FEMENINA DE PÉ, COM

CABELO PRESO NUM AMPLO ROLO,

MANTO COMPRIDO DE PREGAS ONDULADAS,

COM CORNUCÓPIA DEUSA NABIA, NABIA-FORTUNA.

2002 FIGURA FEMENINA DE PÉ,

COM CABELO PRESO NUM AMPLO ROLO, MANTO COMPRIDO DE PREGAS ONDULADAS. CORNUCÓPIA ?

DEUSA NABIA, NABIA-FORTUNA.

TRANOY, A. 2002 PERSONAGEM MASCULINA COM

VESTE LONGA DRAPEADA MUITO ENVOLVENTE COM PESADAS PREGAS QUE PODEM PERTENCER A UM OUTRO TIPO DE ROUPAGEM.

CORNUCÓPIA NO BRAÇO ESQUERDO

RIBEIRO, J. C.., 2002 FIGURA MASCULINA DE PÉ ENVOLTA NUMA AMPLA ROUPAGEM REGUEADA

(43)

AUTOR ANO

FIGURA 2

IMAGENS DO FRONTÃO IMAGEM DO NICHO INTERPRETAÇÃO

ARGOTE, J. C. de, 1732 FIGURA DE UM MENINO DE MAMA

VASCONCELOS, J. L. de, 1894 POMBA E MARTELO SERIAM SIMBOLOS DA DIVINDADE BUSTO HUMANO BUSTO DE DEUS (PONGOENABIAGVS) QUE RECEBE A DEDICATÓRIA

VASCONCELOS, J. L. de, 1905 POMBA E MAÇO BUSTO HUMANO BUSTO DE DEUS (TONGOENABIAGUS) QUE RECEBE A

DEDICATÓRIA

TEIXEIRA, C., 1938 POMBA E UM MAÇO DE CANTEIRO (?) BUSTO HUMANO

RUSSEL CORTEZ, F., 1952 FIGURA DE UMA AVE E DE UMA ROMÃ OU OVO. BUSTO HUMANO COM FEIÇÕES APAGADAS

TRANOY, A. 1980 POMBA E MARTELO COMO ATRIBUTOS DO DEUS SUCELLUS. O MAÇO SERIA

ATRIBUTO DO DEUS TONGO E A POMBA DA DEUSA NABIA. CULTO AOS RIOS, FECUNDIDADE E O DEUS SUCELLUS

RODRÍGUEZ COLMENERO,

A., 1987

POMBA A ENGOLIR, DEPOIS DE BICAR O OBJECTO EM FRENTE. DAÍ NÃO SER POSSIVEL SER UM MAÇO. O MAÇO SUGERE UM RAMO COMPRIDO E NÃO UM VEGETAL. SE FOR ANIMAL, UMA SALAMANDRA OU CÁGADO

RETRATO DE UM PERSONAGEM ROMANO, DE UMA DIVINDADE MASCULINA JOVEM. DEO SOMASTOREICO ?

O MAÇO NÃO PODE REPRESENTAR SUCELLUS, POIS ENTAO DEVERIA SER UM MARTELO.

ALARCÃO, J. de, 1988 MARTELO E UMA POMBA MARTELO, INSÍGNIA DE TONGO NABIAGUS, EA POMBA, DE NABIA.

FERNÁNDEZ-ALBALAT, B.

G., 1990 POMBA E UM MARTELO BUSTO HUMANO DE ROSTO DESFIGURADO

GARCIA, J. M., 1991 POMBA E UM MARTELO BUSTO

BLÁZQUEZ, J. M., 1992 POMBA EMFRENTE A UM OBJECTO DE DIFÍCIL IDENTIFICAÇÃO, UM MAÇO OU UM

FRUTO COM SUA RAMA.

BUSTO MASCULINO, POSSIVELMENTE DE UM

JOVEM.

RODRÍGUEZ COLMENERO,

A., 1993

POMBA A PICAR O OBJECTO EM FRENTE, NABO OU REMOLACHA(?) COM SUA

RAMA FIGURA MASCULINA, DE UM ADOLESCENTE

BLÁZQUEZ, J. M., 1995 UM MAÇO E UMA PALMA DIVINDADE MASCULINA O MAÇO É O SIMBOLO DE SUCELLUS

RODRÍGUEZ COLMENERO,

A., 2000 ROLA OU POMBA, ASAS FECHADAS A DEBICAR UM BOLBO VEGETAL

JOVEM VARÃO, IMBERBE E DE CABELO

CURTO. DEUS TONGOENABIAGUS

RODRÍGUEZ COLMENERO,

A., 2002 ROLA OU POMBA, ASAS FECHADAS A DEBICAR UM BOLBO VEGETAL

JOVEM VARÃO, IMBERBE E DE CABELO

CURTO. DEUS TONGOENABIAGUS

TRANOY, A. 2002 POMBA E MAÇO BUSTO DE UM JOVEM

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7. BIBLIOGRAFIA GERAL

ALARCÃO, Jorge de, 1988 O Domínio Romano em Portugal, Europa-América, 3ª Edição, Mem Martins.

ARGOTE, Jerónimo

Contador de,

1732 Memórias para a História Eclesiástica do Arcebispado de Braga, I, Lisboa.

BLÁZQUEZ, José Maria, 1992 Tongoe Nabiagoi, in, Saxa Scripta (Inscriptiones en Roca), Actas del Simposio Internacional Ibero-Itálico sobre Epigrafia Rupestre, Santiago de Compostela y Norte de Portugal, Ed. do Castro, A Coruña.

1995 Algunos Dioses Hispanos en Inscripciones Rupestres, in, Saxa Scripta (Inscriptiones en Roca), Actas del Simposio Internacional Ibero-Itálico sobre Epigrafia Rupestre, Santiago de Compostela y Norte de Portugal, Ed. do Castro, A Coruña.

CARDOZO, Mário, 1972 Catálogo do Museu de Martins Sarmento - Secção de Epigrafia

Latina e de Escultura Antiga, 2ª Ed., Guimarães.

ENCARNAÇÃO, José de, 1971 Conceito de Divindade Indígena sob o Domínio Romano na Península Ibérica, Actas do II Congresso Nacional de

Arqueologia, Coimbra.

1975 Divindades Indígenas sob o Domínio Romano em Portugal, Lisboa.

1995 Panorâmica e Problemática Geral da Epigrafia Rupestre em

Portugal, in, Saxa Scripta (Inscriptiones en Roca), Actas del

Simposio Internacional Ibero-Itálico sobre Epigrafia Rupestre, Santiago de Compostela y Norte de Portugal, Ed. do Castro, A Coruña.

FÉRNANDEZ-ALBALAT,

Blanca Garcia,

1990 Guerra Y Religión en La Gallaecia y la Lusitania Antiguas, Ed. Do Castro, A Coruña.

GARCIA, José Manuel, 1991 Religiões Antigas de Portugal - Aditamentos e Observações às

"Religiões da Lusitânia" de J. Leite de Vasconcelos - Fontes Epigráficas, Imprensa Nacional da Casa da Moeda, Lisboa.

LEMOS, Francisco de

Sande,

2002 Fonte do Ídolo:História e contexto Arqueológico do monumento. Revista Mínia, n.º 10 – III série.

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RODRÍGUEZ

COLMENERO, António,

1987 Aquae Flaviae I, Fontes Epigráficas, Braga.

1993 Corpus-Catalogo de Inscriptiones Rupestres de epoca romana

del cuadrante NW de la Peninsula Iberica, Anejo n.º1 de

Larouco, Ed. do Castro, A Coruña.

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TRANOY, Alain, 1980 Réligion et Société à Bracara Augusta (Braga) au Haut Empire

Romain, Actas do Seminário de Arqueologia do Noroeste

Peninsular, Guimarães.

1981 La Galice Romaine, Diffusion de Boccard, Paris.

2002 A "fonte do Ídolo", in Religioões da Lusitânia Loquuntur saxa, Museu Nacional de Arqueologia, Lisboa.

VASCONCELLOS, J. Leite

de,

1894 O Deus Bracarense Pongoenabiagvs, Revista Lusitana, vol. III.

Referências

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