Unidade: O Estágio Curricular Supervisionado:
perspectivas e diretrizes na formação do biólogo docente.
Módulo IV – Bloco II
03 a 21/06
“Entende-se as atividades que os alunos deverão
realizar durante o seu curso de formação, junto ao
campo futuro de trabalho”.
( Pimenta, 2010, p. 21)
“O Estágio Curricular Supervisionado [é] aquele em
que o futuro profissional toma o campo de atuação
como objeto de estudo, de investigação, de análise e de
interpretação crítica, embasando-se no que é estudado
nas disciplinas do curso[...]”.
(Passerini, 2007, p. 30)
“[...] um tempo de aprendizado que, através de um período de
permanência, alguém se demora em algum lugar ou ofício para
aprender a prática do mesmo e depois poder exercer uma
profissão ou ofício”.
(PARECER CNE/CP 28/2001: 10)
“[...] O estágio curricular supervisionado deverá ser um
componente obrigatório da organização curricular das
licenciaturas, sendo uma atividade intrinsecamente articulada
com a prática e com as atividades de trabalho acadêmico”.
(PARECER CNE/CP 28/2001: 2)
Algumas definições do Conselho Nacional de Educação
A licenciatura é uma licença, ou seja, trata-se de uma
autorização, permissão ou concessão dada por uma
autoridade pública competente para o exercício de uma
atividade profissional, em conformidade com a
legislação. A rigor, no âmbito do ensino público, esta
licença só se completa após o resultado bem sucedido
do estágio probatório exigido por lei.
-É obrigatório para a conclusão dos cursos de licenciatura
no contexto da educação básica ;
- “Os sistemas de ensino estabelecerão as normas para
realização dos estágios dos alunos regularmente
matriculados no ensino médio ou superior em sua
jurisdição.” (LDB, art. 82)
- “400 (quatrocentas) horas de estágio curricular
supervisionado a partir do início da segunda metade do
curso”.(RESOLUÇÃO CNE/CP 2/2002, art. 1)
[...] estágio curricular supervisionado supõe uma
relação pedagógica entre alguém que já é
profissional
reconhecido
em
um
ambiente
institucional de trabalho e um aluno estagiário.
“Por isso é que este momento se chama estágio
curricular supervisionado...”
TIPOS DE ESTÁGIO
De modo geral, os estágios podem ser
classificados em três grandes grupos:
-Estágio de observação
-Estágio de participação
-Estágio de regência
OS SUJEITOS
O CENÁRIO
O COMPORTAMENTO SOCIALEstágio de observação: o que é?
“ É aquele em que o estagiário está presente
sem participar diretamente da aula.”
(Krasilchik, 2008,p. 170)
Situação geral da escola
Nível cognitivo das aulas
Clima afetivo das aulas
Organização das aulas
Observações gerais e incidentes críticos
O aluno auxilia o professor, sem contudo assumir a total
responsabilidade pela aula.
-Ajuda nas aulas práticas;
-Preparação de materiais;
-Trabalho com grupos menores de alunos;
-Auxílio na elaboração, aplicação e/ou correção de provas
e/ou trabalhos;
- Realização de atividades “burocráticas” (fazer chamada,
registrar conteúdo no diário de classe, passar notas e/ou
conceitos, levantar total de faltas)
Estágio de regência
Essa atividade requer a elaboração
antecipada de plano de aula, seleção e
preparação
de
material
didático,
apresentados ao professor da sala e ao
supervisor de estágio.
Atenção
Observar com olhar atento todo o contexto
escolar e não apenas a sala de aula é
fundamental para o bom andamento do ECS;
O estágio de observação oferece elementos
importantes que devem ser considerados na
elaboração do projeto de intervenção.
ESPECIFICIDADES DO ESTÁGIO
CURRICULAR SUPERVISIONADO NA
Regulamentação Interna do Estágio
Curricular Supervisionado - EAD
-Eixo norteador: pesquisa e a reflexão
teórico-prática.
-Carga Horária: 400 horas.
-Deverá ser realizado em instituições
escolares e não escolares.
Não
escolares: ONGs, Unidades de
Conservação (UC), hospitais, Áreas de
Proteção Ambiental (APAs), entre outras.
-A redução da carga horária do ECS, para o aluno
com experiência docente comprovada considerará
o percentual máximo de 50%.
-A redução de até 50% da carga horária de estágio
será deduzida da fase de regência.
-Para o estágio ter direito a redução da carga
horária é necessário estar na docência e ter no
mínimo um ano de regência.
-A solicitação da redução de carga horária do ECS
deverá ser feita mediante apresentação dos
seguintes documentos:
- Caderneta escolar assinada pelo estagiário,
quando no exercício da docência;
- Declaração da escola relativa ao período e carga
horária docente;
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BRASIL. Ministério da Educação. Conselho Nacional de Educação. Parecer CNE/CP
Nº 28/2001. Estabelece a duração e a carga horária dos cursos de Formação de
Professores da Educação Básica, em nível superior, curso de licenciatura, de graduação plena. Brasília-DF: MEC/CNE, 2001.
______. Ministério da Educação. Conselho Nacional de Educação. Parecer
CNE/CP Nº 02/2002. Institui a duração e a carga horária dos cursos de
licenciatura, de graduação plena, de formação de professores da Educação Básica em nível superior.. Brasília-DF: MEC/CNE, 2002.
______. Ministério da Educação e do Desporto. Lei de Diretrizes e Bases da
KRASILCHIK, Myriam. Prática de Ensino de Biologia. 4 ed. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2008.
PASSERINI, Gislaine Alexandre. O estágio supervisionado na formação inicial de
professores de matemática na ótica de estudantes do curso de licenciatura em matemática da UEL. 121f. Dissertação (Mestrado em Ensino de Ciências e Educação
Matemática) – Universidade Estadual de Londrina. Londrina: UEL, 2007.
PITOLLI, A. M. S. 2004. Escola e acontecimentos: desdobramentos
professora-pesquisadora-material didático. Dissertação (Mestrado) – Faculdade de Educação,
Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), sob orientação do Prof. Dr. Antonio Carlos R. de Amorim
PIMENTA, Selma Garrido. O estágio na formação de professores: unidade teoria e
Exemplos de falas de alguns professores participantes
de minha pesquisa de mestrado(*).
Os nomes dos professores são fictícios.
A ideia era para que eles discorressem sobre o
momento em que se viram professores pensando em
como se dá o processo de formação.
(*) PITOLLI, A. M. S. 2004. Escola e acontecimentos: desdobramentos professora-pesquisadora-material didático. Dissertação (Mestrado) – Faculdade de Educação, Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP), sob orientação do Prof. Dr. Antonio Carlos R. de Amorim
“Mas olha, eu, eu ensino há dez anos, mas não quer dizer também nada. Por que eu tive várias experiências, eu tive alunos desde adultos até crianças. E eu fico muito preocupado e fiquei até irritado. (...) Uma coisa que me inquieta me deixa traumatizado ou sei lá, é a recepção dos alunos. O que é ser bom para eles, sabe? A gente tenta dar aula, o pessoal fica fazendo ... não liga, não quer fazer nada. (...) E eu não sei. Eu digo, será que o problema tá comigo? Eu fico pensando em fazer alguma coisa: eu ensino, eu quebro a cabeça, boto as aulas, valorizo”.
Sala dos professores - 12/12/2001
“Em síntese, o momento que me vi professor não existe, ele é construído nos momentos, história de vida, movimento estudantil, trabalho com crianças de rua, pré-vestibular para alunos pobres e valorização de meus pais os quais até hoje sentem orgulho do filho, falam por onde andam e me estimulam quando digo: Mãe, as crianças na 5a. série não sabem ler. Ela afirma: “Tenha paciência que logo, logo eles vão se soltando". O modismo nos cerca de uma forma ao ponto que a formação do professor se elasticou, posso talvez afirmar assim... Essa coisa de formação tem que ser compreendida como momento de reflexão, diálogo e conflito mediado por pares diversos. A própria Escola deveria ser o lugar ideal...
“Uma boa formação acadêmica sem dúvida é indispensável, mas o professor se forma no contato cotidiano com os alunos. É nele que o professor percebe, ainda que demore, que a mera aplicação de teorias não funciona, tampouco idealismo. É preciso criatividade, ousadia e bom senso. A formação continuada do professor ocorre não somente em cursos e oficinas promovidos pelas secretarias de educação, nos congressos de educação, nos cursos de pós-graduação, mas também na leitura de livros, jornais e revistas ...
... nas visitas a museus, a cidades históricas, nas idas a cinemas, a teatros, no navegar na internet, no assistir a programas de televisão, na troca de experiência com os colegas em reuniões pedagógicas, na participação sindical, na militância política, no convívio com alunos dentro e fora da sala de aula. Isto porque o professor comprometido com seu trabalho está o tempo todo fazendo relação entre as situações que ele vivencia e o seu fazer pedagógico. É como um escritor, que está atento a tudo com o fim de aproveitar algo para a sua próxima narrativa.”
“Mas, sabe que eu encaro o meu lugar hoje na educação, como um lugar de, é, crescimento mesmo cultural, de aprendizado. Crescimento meu mesmo. Eu não me considero ainda um bom professor. É, apesar de ser professor. Por que eu sou muito técnico e eu , eu tenho até um erro meu, eu sou inclusive radical em alguns casos, eu gosto de atingir a perfeição. Eu sempre quero buscar um jeito de atingir, eu quero ser um professor que vai conseguir pegar 100% da turma. Mas hoje eu sei que eu não consigo, por que eu não tenho conhecimento. Então eu estou usando várias armas, várias técnicas, aplicando em várias formas, várias coisas ...
... tentando abarcar tudo, mas é até difícil está sendo pra mim, por que eu estudei técnico e técnico e técnico... E isso vem da minha formação. Eu sou engenheiro civil, gosto de ciências exatas, adoro matemática. Eu sou muito exato. Acho inclusive, quando eu for, já tive altas discussões assim nos botecos, com psicólogos, sobre a formação do ser humano, sobre como é formado o ser e tal, que eles acham que tem muito a ver com o pensamento, da, do, tem a ver assim ... Eu acho que tudo é biológico. Eu acho que já existe uma explicação física, química e biológica pra todos os acontecimentos...
Eu não acredito em milagre, é, que as coisas acontecem por acontecer. Eu acho que tudo tem uma explicação né? Entendeu? Igual o arco-íris por exemplo, eu acho que tem uma explicação. É a refração da luz nas gotas de água. Não é? Você quando desmaia é por que houve a falta de uma substância que deixou de alimentar os sistemas internos de você, cortou ... Por que nós somos cheios de ligações elétricas não é, então se cortou uma ligação e você teve um tipo de, de desconexão do cérebro com o corpo, então você desmaia...
E isso existe uma explicação científica, um embasamento científico. Então, eu acredito assim na coisa física. É até minha salvação. Eu acredito, justamente, que existe 100% de jeito de você conseguir uma educação 100% de conhecimento é, através de métodos. Só que milhões de métodos aplicados, podem ser aplicados ao mesmo tempo. Quer dizer, não é milhões sendo aplicado ao mesmo tempo, é da sua variação justamente de, de contexto.
O método é justamente utilizar todos ao mesmo tempo. Que é justamente isso, a utilização de vários métodos, não ao mesmo tempo, mas de cada um, pra cada pessoa da sua sala. Ou, por cada grupo de pessoas, por que eles são diferentes. E é provado cientificamente que são diferentes pelas inteligências múltiplas que existem. Pelas três formas de adquirir, pelas cinco formas de adquirir conhecimento que são os nosso sentidos não é? Então você não pode querer com um método só atingir todo mundo. Tem que dar aula de vários jeitos na mesma sala. Não sendo de um jeito só o tempo inteiro.
Não é assim: cinco minutos de um jeito, cinco minutos de outro. É justamente na entonação de cada segundo assim, você buscar cada aluno da forma que ele quer ser aceito. Mas eu não conheço ainda assim desse jeito. Só vou conhecer depois de um tempo. Pode ser que eu nunca chegue a conhecer tudo, que eu nunca seja um professor excelente. Depende também, de cada ser humano, da capacidade de assimilação que todos têm. Eu não sei se eu tenho essa capacidade. Então ainda tem disso também. Então assim, é um, é uma coisa muito complexa mesmo.