Aula 05
O roteiro ou argumento é a forma escrita de qualquer espetáculo audiovisual, escrito por um ou vários profissionais que são chamados de roteiristas (argumentistas). O roteiro é um documento narrativo utilizado como diretriz para espetáculos de cinema, performances ou programas televisivos.
Roteiros de ficção contêm a íntegra de um filme ou de um capítulo de novela ou seriado, divididos em cenas numeradas que descrevem os personagens e os cenários. Também espetáculos de não-ficção, como documentários, comerciais, videoclipes e eventos têm rotei-ros, cada um com sua linguagem própria.
O roteiro inclui todos os diálogos, com indicações para os atores quanto à entonação da voz e à atitude corporal, indicando a enton-ação do personagem com marcações como “ríspido”, “alegre”, “sur-preso”, etc. No entanto, reduz-se ao mínimo necessário a interferên-cia do roteirista no trabalho do ator, que é conduzido pelo diretor. Além disso, informa o horário em que cada cena deve ser filmada (“Dia”, Noite”, “Pôr-do-sol”, “Amanhecer”, etc.) e se a cena é “Exter-na” (filmada ao ar livre) ou “Inter“Exter-na” (gravada em estúdio).
ROTEIRO TÉCNICO
O roteiro técnico, desenvolvido posteriormente, dá indicações quanto ao posicionamento das câmeras, uso de gruas, iluminação e efeitos au-diovisuais. É preparado pelo diretor do espetáculo, em conjunto com a equipe técnica e, eventualmente, com o roteirista.
De acordo com Syd Field, roteirista de Hollywood, um bom roteiro apre-senta três partes essenciais que precisam estar bem desenvolvidas: per-sonagem, estrutura e enredo, sendo este dividido da seguinte forma:
Parte 1: a introdução do filme, delimitando os personagens e suas ações, aí vem o primeiro ponto de virada, onde se passa para a ...
Parte 2: desenvolvimento do filme, a confrontação, que se di-vide (através do ponto central) em duas partes.
Parte 3: por último se define o filme, o desfecho da história, lembrando sempre que este se trata de um roteiro clássico, mas podem existir modificações, onde se pode trabalhar do final para o início, ou do meio para o fim e depois para o início, ou vice-versa, já que no cinema isso é totalmente possível.
Um roteiro de cinema pode ser definido como uma tentativa sistemática e ordenada para prever o futuro filme. É uma previsão que na prática se concretiza em um manuscrito contendo a descrição, cena por cena, en-quadramento por enen-quadramento e das soluções de todos os problemas técnicos e artísticos que se prevê para a realização do filme.
ARgumENTO vs ROTEIRO vs sINOpsE vs
sTORybOARd
O argumento, geralmente, é a primeira etapa a ser desenvolvida por um roteirista. É a ideia trabalhada sobre a qual se desenvolverá uma sequência de atos e acontecimentos, que constituirão, futuramente, o roteiro.
O roteiro é o texto do filme, geralmente que se originou no argumen-to, mas adaptado com falas e cenas, para ser filmado. É basicamente a transcrição da história de uma forma que possa ser montada e en-cenada.
Um exemplo de transcrição de um argumento para um roteiro:
[argumento] Alan vive triste e agora quer sua mulher nova-mente.
[roteiro] Alan entra na sala, com uma expressão triste. Di-rige-se até o sofá. Conseguimos ver uma fotografia sobre o sofá. Alan agacha-se e pega a fotografia, trazendo sobre seu tórax. Depois olha a fotografia, enquanto chora. Vemos que a foto é de sua mulher.
O storyboard são os desenhos que formam um “roteiro” em quad-rinhos, permitindo melhor visualização de como vão acontecer as ce-nas e, com isso, facilitando a programação na fase de pré-produção, para que se calcule tudo o que será necessário para filmar determi-nada cena.
Dica
Portal sobre roteiro http://www.roteirodecinema.com.br/manu-ais/documentochamadoroteiro.htm#oqueDica
Vídeos Educativos - Claro Curtas Olhar, pensar, fazer, compartilhar: os vídeos educativos trazem referências para você descobrir uma nova linguagem ou encontrar um modelo que cabe direitinho na sua história. Disparadores de ideias, inspiradores de soluções. Assista, aproveite e divirta-se! http://www.clarocurtas.com.br/educativo/ videos-educativosO argumento é muitas vezes visto como a sinopse, mas não é. A sinopse de um espetáculo possui pouquíssimas linhas (quinze ou menos), enquanto alguns autores afirmam que, para cada página de argumento, corresponde a dez de um roteiro.
dICAs sObRE ROTEIRO
“O cinema é uma mistura de romance, peça de teatro, música, arte visual e fotografia para produzir uma nova linguagem, a linguagem audiovisual. Por envolver na sua concepção elementos das seis artes tradicionais – música, dança, pintura, escultura, teatro, literatura – é chamado de “sétima arte”.
A seguir, apresentamos alguns elementos importantes, que podem ajudar na composição do roteiro:
Ele deve conter o enredo da trama. Esse enredo nada mais é do que a história do filme descrita em elementos de imagem e som. Ele traz a descrição das cenas e deve ser bem detalhado para que todos os en-volvidos na produção (atores, fotógrafo, cenógrafo, figurinista, sono-plasta, iluminador, maquiador) possam ter o máximo de informações para compor a história. Você pode até colocar a cor da blusa que o personagem deverá usar. Quantidade de informação significa quali-dade no roteiro. E, se você vai exercer todas as funções da produção do seu filme, me- lhor ainda, pois isso vai ajudá-lo a lembrar todos os detalhes.
No roteiro, é preciso escrever os diálogos dos personagens, se o filme tiver diálogos. Você também pode descrever como o person-agem está se sentindo naquele momento. Feliz, triste, preocupado, apreensivo, apaixonado.
O roteiro traz a descrição dos lugares onde se passarão as cenas da trama e também a hora e as condições climáticas. Pode ser uma praia no final de tarde, com o céu alaranjado, num dia fresco, ou uma avenida da metrópole numa sexta-feira chuvosa de trânsito intenso. Pode definir os enquadramentos, ou seja, o formato das cenas. É um plano fechado (close) ou um plano geral? A câmera vai estar na altu-ra dos olhos do personagem ou próxima ao chão? E se estivesse bem alta, fazendo a tomada de cima? O diálogo da cena deve mostrar um personagem de costas para a câmera e o outro de perfil ao fundo? Escreva isso no roteiro. Quando e como pretende cortar a cena? Uma boa dica para quem sabe desenhar um pouquinho é fazer os desen-hos dos enquadramentos da cena. Isso se chama storyboard e dá uma boa noção de como trabalhar os quadros que compõem o filme. No roteiro, também é útil colocar os equipamentos necessários para uma cena. Por exemplo, uma tomada ao ar livre pode exigir um gra-vador extra para captar melhor o sons externos. Como vai ser a ilumi-nação? O que deverá estar iluminado? Um objeto? O personagem? Se a cena acontece numa sala fechada e escura, é importante es-pecificar que serão necessários mais pontos de luz.
Em um roteiro para vídeos com duração de 30 a 90 segundos, é pre-ciso exercitar a objetividade. Torna-se fundamental que o roteiro es-teja bem detalhado para que o realizador tenha domínio do tempo e
não extrapole a duração prevista. Um roteiro não precisa necessari-amente de começo, meio e fim nessa ordem rígida. Se você quiser, pode começar seu vídeo pelo final, retornar ao começo da trama e concluir a história no meio da narrativa. Ex- perimente e liberte a sua criatividade. Vá em frente. O que importa é que o seu roteiro tenha lógica e possa contar a sua história para o espectador.
ROTEIRO míNImO
O roteiro de um vídeo de 30 a 90 segundos deve conter:
Início – parte 1
Apresentação dos personagens, do local ou do que você está pretend-endo produzir.
ponto de virada – parte 2
Aqui é onde a história muda radicalmente. O príncipe transforma-se em sapo, a mocinha é largada pelo namorado, o cachorro foge, o carro que-bra, ou seja, o “mundo” do filme vira de cabeça para baixo.
Final – parte 3
O encerramento do enredo da história. O final pode ser feliz, triste, enig-mático, engraçado, enfim, o que der na cabeça.
Quanto mais detalhado o roteiro, mais segurança e desenvoltura você terá durante a filmagem. Mas lembre-se: um toque de improviso não faz mal a ninguém e pode fazer toda a diferença no resultado final.
O roteiro pode ser adaptado de um livro ou de uma peça de tea-tro. Pode surgir de um poema ou de um conto que emocionou você. Pense em quantas adaptações cinematográficas de Hamlet e de Romeu e Julieta, de William Shakespeare, já foram produzidas. Nesse caso, dizemos que o roteiro é adaptado ou inspirado numa obra an-terior. Se o filme parte de uma ideia inteiramente nova, dizemos que se trata de roteiro original.
Quer pular o roteiro e sair filmando? Fique à vontade. Você verá que, mesmo sem formalizar o roteiro, ele está presente de alguma ma-neira na sua cabeça e irá se compondo a cada cena que você filmar.
Seleção do equipamento
A escolha da linguagem, o conjunto de planos, ângulos, movimentos de câmera e recursos de montagem que compõem o universo de seu filme – tudo isso vai definir o equipamento necessário para a filma-gem ou para a composição da animação (se for o caso) e deverá ser descrito no roteiro técnico.
Mas você também pode definir a linguagem a partir do equipamento que já tiver em mãos. O melhor das novas tecnologias é você poder experimentá-las livremente para produzir conteúdos e expressar id-eias. Até mesmo as limitações do seu equipamento podem ser trans-formadas em arte e em linguagem audiovisual.
No processo de materializar uma ideia, existem perdas e ganhos,
coi-Fonte
MINIGUIA DE PRODUÇÃO DE VÍDEOS DECURTÍSSIMA METRAGEM (licença CC 2.5 BR) http://www.clarocurtas.com.br/uploads/ cc_miniguia_producao.pdf
Dica
Antes de começar a escrever um roteiro se recomenda fazer uma “tempestade de ideias” (brainstorming), um processo criativo onde as pessoas compartilham ideias em geral, para construir entre todos os conceitos e servir de inspiração para o roteiro final.sas que foram planejadas talvez não funcionem e surpresas podem acontecer (e geralmente acontecem), levando sua concepção para uma rota diferente.
As descrições dos roteiros podem ser mais detalhadas (como são feitos os roteiros profissionais) ou menos detalhadas (uma simples frase) e podem estar escritas, gravadas em áudio ou vídeo, desenha-das, ou simplesmente na cabeça. O importante é parar para pensar o que se quer fazer, ordenar cada uma das peças que compõem a produção e planejar sua execução, do modo mais eficaz para cada situação.
Fazer um roteiro, storyboard, screenplays pode ser um exagero de-pendendo do tipo e das necessidades do projeto. Porém, em outras ocasiões, fazer desenhos padronizados do que se quer gravar facilita o trabalho para a pessoa que for controlar a câmera. Quanto mais detalhado for, ficará mais fiel à ideia original e facilitará o trabalho em grupo, principalmente com diálogos compridos ou a participação de atores e outras pessoas da equipe.
Um exercício útil que se pode fazer para visualizar o vídeo é imaginar alguém assistindo ele na TV ou no computador, pensando nos tem-pos de cada imagem, com a duração certa para nem ficar chato nem muito agitado, assim como os cortes feitos e os efeitos escolhidos.
desencora-jador, mas através da prática se aprimora essa habilidade. Recomen-da-se ler o roteiro de algum filme conhecido para entender melhor os detalhes e os processos envolvidos.
NOmENClATuRAs básICAs Em ROTEIROs
“Cabeça de cenaÉ uma linha simples que vai indicar o número da cena e se ela será interna ou externa, de dia ou a noite. Exemplo:
Cena 1/INT/NOITE Cena 10/EXT/DIA INT e EXT
São as abreviações de Interna e Externa e que indicarão o cenário das cenas.
Cenas que vão acontecer dentro da casa são indicadas por INT, já que os personagens estão dentro da casa e a luz é artificial. As cenas que acontecerão fora da casa são indicadas por EXT. Se acontecer dentro de um carro, indicamos com INT, porque a situação acontece no interior do veículo. Se a cena acontece no deck do navio, tipo a cena do Titanic, indi-camos por EXT, mesmo que os personagens estejam dentro do navio. O EXT porque não há nada que cubra a cabeça deles, ou seja, a iluminação será natural.
Rubrica
Rubrica é como chamamos as descrições das cenas e das ações. Existem as rubricas dos personagens que consistem em descrições de movimento ou expressão especifica para um momento. Para fazer uma Rubrica não
tem segredo, é só escrever passo a passo como deve acontecer uma cena.
Exemplo:
Cena 2/EXT/DIA
Antonio está caminhando pelo deserto segurando um mapa. Ex-pressão de cansaço, com o suor escorrendo por causa do calor. Balão com pensamento de Antonio esmaece na tela
Se outra ação acontecer nessa cena, como por exemplo depois de um pensamento de Antonio aparece um jipe em alta velocidade que cruza o deserto, basta você criar outro parágrafo e escrever a nova rubrica. A mudança para outra cena só será necessária se houver mudança de cenário ou no tempo, como por exemplo Antonio ador-mecer ao sol e acordar só a noite. Nesse caso, é preciso criar outra cena e indicar NOITE.
legenda
A Rubrica será lida pela equipe e por isso tem uma linguagem mais técnica, com informações para a produção. A legenda será mostrada ao público sob a imagem do vídeo. Prestar atenção para que os tex-tos da legenda mantenham sempre o mesmo estilo, do começo ao fim da história.
Softwares de roteiros
Às vezes os formatos dos roteiros podem parecer confusos, mas a leitura e edição pode ser simplificada com a ajuda de softwares. Os
Fonte
Bruno R. Módolo http://www.designeducacional.com.br/ nomenclatura-basica-em-roteiros/Dica
Celtx é um programa de computador multi-plataforma livre, de pré-produção seja de um filme, peça teatral ou animação. É um processador de textos especialmente para roteiros e hoje em dia é um software livre. http://www.celtx.comsoftwares de roteiros são processadores de texto especialmente cria-dos para a facilitação do processo de escrita de um roteiro, incluíndo roteiros técnicos. Alguns são gratuitos, como o Celtx, disponível para vários sistemas operacionais ou o Story Touch, desenvolvido pela O2 Filmes, produtora do filme Cidade de Deus.
lista de (pré-)produção
Listar todos os itens necessários é importante principalmente quando se grava em uma locação externa, para prever todas as necessidades durante a gravação. Uma boa pré-produção garante uma efetividade melhor na gravação, mas também não se deve investir tempo demais nesse quesito e ter menos para a produção mesmo.
Esses itens poderiam ser organizados em estas categorias:
- Baterias e carregadores
- Acessórios da câmera: tripês, suportes, alças, capas, lentes... - Iluminação e acessórios
- Cabos e extensões de energia - Áudio e acessórios
- Cartões de memória e leitores
- Computador: às vezes é necessário usar um computador para veri-ficar as imagens ou o áudio, ou descarregar os cartões
pesquisa e Entrevistas
Para produzir vídeos com conteúdo de qualidade é necessário con-hecer o tema que se está abordando, procurando mais informação
Dica
Story Touch é um software completo de criação e desenvolvimento dramático. Com cores e gráficos, você terá um verda-deiro raio-x do roteiro. http://storytouch.comsobre questões relacionado, fazendo pesquisas mais profundas sobre a pessoa a ser entrevistada, é uma boa prática para preparar entre-vistas, selecionando perguntas sobre conteúdos específicos e gerais de um determinado tema. Na hora de gravar a entrevista, pensar ela como uma conversa normal entre duas pessoas, transmitindo mais naturalidade nas perguntas.
O roteiro para documentário precisa ser pensado em duas fases. Primeiro a fase de orientação na captura dos materiais, fazendo um planejamento das pesquisas e as gravações e entrevistas a ser-em feitas, que podser-em tomar rumos não conhecidos no início das gravações, dependendo do tema e da abordagem. A segunda fase é a construção da narrativa do filme a partir do material obtido, dando o significado final à obra.
Texto
Formatos Narrativos para Dispositivos Móveis: Estudo de Caso do SeriadoTrans-midiático ‘O Castigo Final’ Edvaldo Acir Lino da Silva http://www.slideshare.net/caldinas/tese-edvaldo-acirunicamp