A
saliva tem um papel fun-damental na saúde oral. Tem uma capacidade tampão sobre os ácidos, tem anticorpos, ajuda a prevenir as ulcerações e erosões nas mucosas gengivais e auxilia na remi-neralização dentária. Quando a fun-ção salivar é reduzida, os pacientes correm um maior risco de desenvolve-rem cárie dentária, sofrer desconforto relacionado com a prótese e terem doenças (como a candidíase), do que se tivessem taxas de fluxo salivar normal.1-3A xerostomia consiste na sensação de secura oral.4Os medicamentos com
efeitos anti-sialogogos são as causas mais frequentes da xerostomia. Per-tencem a este grupo os anticolinérgi-cos, os antidepressivos, os anti--psicóticos, os diuréticos, os anti-hi-pertensivos, os sedativos e ansiolíti-cos, os anti-histamíniansiolíti-cos, os agentes analgésicos opióides, assim como os anti-inflamatórios não-esteróides.1,4-6
Entre as causas biológicas da xerosto-mia encontram-se história de exposi-ção a radiaexposi-ção na cabeça e pescoço, doenças das glândulas salivares, dia-betes, cirrose alcoólica, fibrose cística, desequilíbrio hormonal, doenças auto--imunes (como síndrome de Sjögren, artrite reumatóide, lúpus eritematoso
Introdução. Os idosos estão susceptíveis à produção reduzida de saliva,
relacio-nada com determinados medicamentos, radiação e doenças crónicas. Muitas destas pessoas têm vários problemas de saúde oral e física e um acesso limitado a cuida-dos de saúde oral. Seria vantajosa a utilização de ferramentas de despistagem efi-cazes na identificação das pessoas com risco de xerostomia e hipossalivação. Os autores realizaram um estudo para investigar a associação entre três padrões de secura oral: hipossalivação (fluxo salivar não estimulado baixo), xerostomia rela-tada pelo próprio e boca seca avaliada clinicamente.
Métodos. Os autores incluíram uma amostra de conveniência de 252 idosos de
West Virgínia, com 70 anos ou mais, dentados e não dementes, que faziam parte de um estudo mais amplo sobre saúde oral e cognição entre idosos. Os participantes preencheram um índice de xerostomia por auto-relato, forneceram uma amostra de saliva não estimulada e submeteram-se a uma avaliação oral para o estudo.
Resultados. Vinte e oito participantes (11,1%) tinham hipossalivação, oito dos
quais relataram ter xerostomia (sensibilidade = 28,6%). Dos 43 participantes que relataram ter xerostomia, apenas oito tinham hipossalivação (valor preditivo posi-tivo = 18,6%). A hipossalivação e a xerostomia relatadas pelo próprio não estavam significativamente relacionadas. A boca seca avaliada clinicamente estava modera-damente, mas de forma significativa, correlacionada com a hipossalivação e com a xerostomia relatada pelo próprio.
Conclusões. A obtenção rotineira de taxas de fluxo salivar não estimulado,
junta-mente com a informação relatada pelo próprio e as avaliações orais, pode melhorar a detecção precoce de secura oral, o que poderá ajudar na implementação de inter-venções precoces para melhorar a qualidade de vida dos pacientes.
Implicações Clínicas. Inspeccionar visualmente a secura dos tecidos orais e
per-guntar ao paciente se tem a boca seca são medidas insuficientes para os clínicos usarem na determinação de hipossalivação no paciente. Os autores recomendam que os clínicos determinem a taxa de fluxo salivar não estimulado dos seus pacientes.
Palavras-Chave. Xerostomia; fluxo salivar; geriatria.
© 2010 American Dental Association. Translated by Revisfarma, Edições Médicas, Lda., with the per mis sion of Ame rican Dental Association. All rights reserved. JADA 2010;141(3): 279-284.
R E S U M O
Dra. R. Constance Wiener, professora associada, Departamento de Prática Dentária e Saúde Rural, Faculdade de Medicina Dentária, Centro de Ciências da Saúde Robert C. Byrd, Universidade de West Virginia, Morgantown. Também é chief dental officer, Quentin N. Burdick Memorial Health Care Facility, Indian Health Services, Belcourt. Dra. Wu, professora associada, Programa de Gerontologia, Universidade da Carolina do Norte em Greensboro. Dr. Crout, professor e director associado de investigação, Departamento de Periodontia, Faculdade de Medicina Dentária, e professor de bioquímica e farmacologia molecular, Faculdade de Medicina, Centro de Ciências da Saúde Robert C. Byrd, Universidade de West Virginia, Morgantown. Dr. Michael Wiener, professor associado, Departamento de Prática Dentária e Saúde Rural, Faculdade de Medicina Dentária, Centro de Ciências da Saúde Robert C. Byrd, Universidade de West Virginia, Morgantown. É também médico dentista, Quentin N. Burdick Memorial Health Care Facility, unidade de serviço, Indian Health Services, Belcourt, N.D. Dra. Plassman, professora de investigação associada, Departamento de Psiquiatria, e directora, Epidemiologia da Demência, Departamento de Psiquiatria, Centro Médico da Universidade Duke, Durham, N.C. Dra. Kao, professora, Departamento de Medicina Dentária de Restauração, Faculdade de Medicina Dentária, Centro de Ciências da Saúde Robert C. Byrd, Universidade de West Virginia, Morgantown. Dr. McNeil, professor, Departamento de Psicologia, e professor clínico, Departamento de Prática Dentária e Saúde Rural, Faculdade de Medicina Dentária, Centro de Ciências da Saúde Robert C. Byrd, Universidade de West Virginia, Morgantown. Endereço para correspondência: Dra. R. Constance Wiener, Quentin N. Burdick Memorial Health Care Facility, P.O. Box 831, Belcourt, N.D. 58316, e-mail: “[email protected]”.
Hipossalivação e xerostomia em idosos
dentados
R. Constance Wiener, DMD; Bei Wu, PhD; Richard Crout, DMD, PhD, MS; Michael Wiener, DMD; Brenda Plassman, PhD; Elizabeth Kao, DMD; Daniel McNeil, PhD
sistémico) e outras doenças.4-6Factores sociais e
psicológicos como a depressão, a ansiedade e o stresse, poderão também estar na origem desta patologia.4-6
A xerostomia é um problema comum. Num es-tudo, o autor constatou que 46% dos participantes tinham xerostomia.6Os autores de um artigo de
revisão verificaram que 17 a 29% dos idosos têm xerostomia, com um predomínio em mulheres.1
Normalmente, a xerostomia surge associada a ou-tras doenças orais, como a disestesia idiopática (síndrome da boca ardente), parageusia, disfagia, halitose, cárie dentária e doença periodontal.2,3,6A
xerostomia pode dificultar a fala e o uso de próte-ses e decorrer de malnutrição.2,3,6Os aspectos
psi-cossociais da xerostomia podem variar entre um efeito leve na saúde oral, relatado pelo próprio, e frustração, vergonha, tristeza ou perturbações sig-nificativas na vida diária.3,7
A hipofunção da glândula salivar ou hipossali-vação é uma doença na qual se verifica uma pro-dução reduzida de saliva, sendo, pois, diferente da xerostomia. A melhor forma de diagnosticar a hi-possalivação é medir o fluxo salivar. As taxas de fluxo salivar foram utilizadas como base para o diagnóstico da hipossalivação num estudo em grande escala.8A taxa média de fluxo salivar total
não estimulado foi de 0,3 a 0,4 mililitros por mi-nuto, ao acordar.9Uma taxa não estimulada de 0,1
mL/minuto ou menos indica hipossalivação.9,10As
pessoas com hipossalivação sofrem de uma inade-quada acção tampão de bicarbonato e ureia, me-nor capacidade de remineralização, de eliminação de açúcar e de ácido, o que pode resultar numa taxa de cárie dentária elevada.1,9,11
As pessoas com 65 anos ou mais são as que cor-rem um maior risco de desenvolver xerostomia e hipossalivação. Num estudo de três anos, os inves-tigadores concluíram que os idosos com taxas de fluxo salivar baixas tinham uma maior probabili-dade de perder, pelo menos, um dente do que os idosos com taxas de fluxo salivar normais.11
Mui-tos idosos têm uma saúde debilitada, doenças cró-nicas e negligenciam os seus cuidados dentários.12
A utilização dos cuidados de saúde é normalmente baseada na percepção do estado de saúde.13Se a
auto-percepção dos sintomas físicos de uma pes-soa estiver comprometida, poderá ser necessário apoio adicional e a realização de exames médicos para identificar problemas de saúde geral ou oral.
A secura do tecido oral é complexa. Uma pessoa pode sofrer de xerostomia com ou sem hipossaliva-ção, sofrer de hipossalivação com ou sem xerosto-mia ou ter um fluxo salivar e uma sensação
nor-mais.14A avaliação clínica da secura oral é um
componente importante dos cuidados de saúde oral.10Uma pessoa pode ter secura oral
identifica-da clinicamente com ou sem xerostomia e com ou sem hipossalivação. Levantámos a hipótese de as taxas de fluxo salivar não estimulado nos idosos de mais idade serem distintas dos seus auto-rela-tos de xerostomia e da avaliação visual de uma boca seca, e de os resultados dos auto-relatos de xerostomia, da avaliação visual e das taxas de flu-xo salivar não estimulado serem todos necessários para identificar a secura oral. Realizámos um es-tudo para investigar a associação entre três pa-drões de secura oral: hipossalivação, xerostomia relatada pelo próprio e boca seca identificada através de meios de avaliação clínica.
PARTICIPANTES E MÉTODOS
Os participantes faziam parte de um estudo mais amplo sobre saúde oral e capacidade cognitiva em idosos, em West Virginia. O comité de ética da universidade de West Virginia aprovou todos os procedimentos e todos os participantes deram o seu consentimento informado. Forma fornecidos aos participantes cartões-oferta para uma loja lo-cal, como recompensa pela participação no estudo. Os dados foram recolhidos entre 1 de Agosto de 2007 e 30 de Abril de 2009. O estudo baseou-se numa amostra de conveniência de 269 residentes em West Virgínia, com pelo menos 70 anos e qua-tro ou mais dentes naturais. Excluímos 17 partici-pantes com diagnóstico de demência, por uma questão de fiabilidade dos auto-relatos acerca da saúde oral, de acordo com o protocolo do nosso es-tudo. A amostra final incluiu 252 pessoas recruta-das de diferentes áreas de West Virgínia, através de múltiplas estratégias descritas previamente.15
Realizámos uma avaliação oral a todos os parti-cipantes. Esta avaliação baseou-se em três padrões de secura oral: auto-resposta no questionário de xerostomia (QX), boca seca avaliada clinicamente e medição do fluxo salivar total não estimulado. As-sistentes de investigação qualificados aplicaram um QX tipo Likert de 11 itens.14Cada item no
in-ventário tinha uma pontuação entre 1 e 5, corres-pondendo respectivamente a «nunca», «quase nun-ca», «ocasionalmente», «algumas vezes» e «muitas vezes». Para determinar os resultados do QX, fize-mos um resumo das respostas que os pacientes de-ram aos itens. Considerámos as respostas «algu-mas vezes» ou «muitas vezes» como positivas. O QX incluía o item «Sinto a boca seca» e considerá-mos que uma resposta positiva a este item corres-ponderia a um auto-relato de xerostomia.
Um médico dentista (R.C.W., R.C., M.W. ou E.K.) ou um higienista oral avaliou a hipossaliva-ção e mediu o fluxo salivar total não estimulado. Usámos apenas a taxa de fluxo salivar não esti-mulado em vez da taxa de fluxo salivar estimula-do, devido à sua importância na protecção da den-tição.16Os participantes não comeram nem
bebe-ram durante uma hora antes de recolhermos a sa-liva. Durante o processo de recolha da saliva, os participantes encontravam-se sentados conforta-velmente, num ambiente privado e sossegado, com os olhos abertos e a cabeça ligeiramente inclinada para a frente, para fornecer a amostra. Obtivemos uma amostra de quatro minutos, independente-mente da hora do dia, da temperatura ou da hu-midade da sala. Indicámos aos participantes para deixarem a saliva fluir (babar) em vez de forçarem a expectoração. Pesámos as amostras numa ba-lança; decidimos medir o peso das amostras, em vez do volume, pois as bolhas na saliva poderiam interferir com essa medição.2Com base nos
méto-dos e protocolos utilizaméto-dos em estuméto-dos anterio-res,2,9,10atribuímos uma gravidade específica de
1,0 para a saliva, convertemos o peso em volume e definimos a hipossalivação não estimulada como 0,1 mL/minuto ou menos.
O avaliador da cavidade oral utilizou as nor-mas do National Health and Nutrition
Examina-tion Survey IV para avaliar a mucosa oral, a
lín-gua, as restaurações existentes, os níveis de atri-to, os níveis de placa bacteriana, os níveis de re-cessão gengival e os níveis de aderência perio-dontal dos participantes.17Avaliámos a presença
ou ausência de secura do tecido oral dos partici-pantes, determinando se a mucosa aparentava es-tar seca, se os lábios pareciam eses-tar secos, se a palpação das glândulas salivares não produzia saliva e se a língua parecia estar seca, eritema-tosa e áspera.
Em todas as análises utilizámos um software estatístico comercialmente disponível. Apresentá-mos as distribuições médias e percentuais deste estudo. Utilizámos um teste te modelos lineares gerais para testar, respectivamente, a diferença média entre participantes masculinos e femininos e entre grupos etários. Utilizámos o coeficiente de correlação de Pearson para testar as associações entre os padrões de secura oral. Determinámos os valores preditivos positivos (VPPs), os valores de sensibilidade e os valores de especificidade atra-vés da análise de tabulação cruzada. O padrão ba-seia-se na avaliação da hipossalivação, definido como uma taxa de fluxo salivar não estimulado in-ferior a 0,1 mililitro por minuto.
RESULTADOS
Do estudo fizeram parte 252 participantes, dos quais 164 eram mulheres e 88 homens (65,1% e 34,9%, respectivamente). A idade média dos parti-cipantes foi de 78 anos (intervalo = 70-94 anos; desvio padrão [DP] = 5,8 anos). Noventa e seis participantes (38,1%) tinham um rendimento anual do agregado familiar abaixo dos 20.000 dó-lares e 111 participantes (44,0%) tinham até ao ní-vel secundário de escolaridade.
O Quadro 1 apresenta as taxas médias de fluxo salivar não estimulado e os resultados médios do QX relativamente a grupos etários e sexo. A média da taxa de fluxo salivar não estimulado medida foi de 0,4 mL/minuto (DP = 0,3). Houve uma diferen-ça significativa na taxa de fluxo salivar não esti-mulado entre homens e mulheres (t= 4,1, p< 0,001), mas não descobrimos diferenças entre os grupos etários (F= 2,9, p= 0,06). Não se verificam de diferenças significativas em relação ao sexo e à idade no QX.
Excluímos 28 participantes que não completa-ram o QX. Vinte e sete dos 224 participantes res-tantes (12,1%) tinham taxas de fluxo salivar não estimulado de 0,1 mL/minuto ou menos (Quadro 2). Oito destes participantes relataram ter xeros-tomia. Dos 197 participantes com ausência de hi-possalivação, 35 relataram ter xerostomia. De en-tre os 43 participantes que relataram ter xerosto-mia, apenas oito tinham hipossalivação (VPP = 18,6%). Para as participantes do sexo feminino, o valor de sensibilidade entre a xerostomia e a hi-possalivação foi de 33,3% e o VPP foi de 25,8%. Estes valores foram superiores aos dos
participan-QUADRO 1
Resultados do questionário, de
acordo com o sexo e o grupo
etário.
CARACTERÍSTICAS DEMOGRÁFICAS TAXA MÉDIA DE FLUXO SALIVAR NÃO ESTIMULADO, EM MILILITROS POR MINUTO (DP*) RESULTADO MÉDIO DO INVENTÁRIO DE XEROSTOMIA (DP) Total 0,4 (0,3) 21,7 (7,4) Sexo Feminino 0,3 (0,3) 22,1 (7,4) Masculino 0,5 (0,4) 20,9 (7,5) Idade (Anos) < 75 0,4 (0,3) 21,0 (7,5) 75-84 0,4 (0,4) 21,8 (7,0) > 85 0,3 (0,2) 22,9 (8,5) * DP: Desvio Padrãocionadas (coeficiente de correlação de Pearson = 0,1; p= 0,13). A boca seca avaliada clinicamente estava correlacionada moderadamente, mas de forma significativa, com a hipossalivação (coefi-ciente de correlação de Pearson = 0,2; p= 0,003) e com a xerostomia relatada pelo próprio (coeficien-te de correlação de Pearson = 0,2; p= 0,010). DISCUSSÃO
No nosso estudo, realizámos uma avaliação clínica da secura oral entre idosos de West Virginia, com 70 anos ou mais, e determinámos a frequência da hipossalivação e da xerostomia nesta população. Um total de 20,5% dos participantes relataram ter xerostomia, embora 12,1% tivessem hipossaliva-ção e 13,7% boca seca identificada clinicamente. Existe uma correlação moderada entre estes três padrões de secura oral.
A amostra do estudo foi uma amostra de conve-niência com idosos que se voluntariaram para participar, em vez de uma amostra baseada em probabilidades, mais representativa. Sendo assim, os profissionais devem ser cautelosos quando ge-neralizam estes achados entre idosos na popula-ção geral. Outra preocupapopula-ção é que possam ter es-capado à avaliação clínica casos de hipossalivação transitórios ou de uma natureza cíclica não evi-dente na altura da avaliação clínica da boca seca. Os medicamentos e o ciclo diurno são conhecidos por influenciar as secreções glandulares. Ideal-mente, o esquema do estudo deveria ter incluído a obtenção de amostras salivares retiradas regular-mente entre as 9 e as 11 da manhã ou a obtenção de amostras múltiplas de cada participante e o cálculo da média das medidas.
As nossas conclusões são geralmente consisten-tes com aquelas de outros estudos de taxas de hi-pofunção da glândula salivar entre adultos de meia-idade e idosos, tal como as taxas de hipofun-ção da glândula salivar na populahipofun-ção em ge-ral.1,9,10,18Descobrimos que cerca de um quinto
(20,5%) dos participantes relataram ter xerosto-mia, o que é semelhante aos resultados de um ar-tigo de revisão que indica taxas de xerostomia em idosos entre 17 e 29%.1Como noutros estudos em
idosos, a amostra no nosso estudo teve significati-vamente mais mulheres que homens, 65,1% e 34,9%, respectivamente. Num artigo de revisão, os autores concluíram que a taxa de xerostomia em mulheres é maior do que em homens,1enquanto
que no nosso estudo concluímos que 22,1% das participantes do sexo feminino e 20,9% dos parti-cipantes do sexo masculino referiram ter xerosto-mia (não é significativamente diferente). Um total tes masculinos, que foram de 0% tanto para a
sen-sibilidade como para o VPP.
O Quadro 3 mostra as respostas ao QX dadas pelos participantes com hipossalivação e que rela-taram ter xerostomia. Os lábios secos tiveram a maior associação com a xerostomia. Todos os ou-tros itens no QX foram relatados por menos de 60,0% dos participantes com xerostomia. Apenas cerca de um quarto dos participantes com hipossa-livação (29,6%) afirmou ter boca seca.
De entre os 234 inquiridos, avaliámos clinica-mente a boca seca em 32 participantes (13,7%) (Quadro 4). Dos 32 participantes, 13 (5,6%) afir-maram ter xerostomia (sensibilidade = 40,6%). Dos 202 participantes que não concluímos terem boca seca através da avaliação clínica, 167 (71,4%) afirmaram não ter xerostomia (especificidade = 82,7%). Quarenta e oito participantes (20,5%) de-clararam ter xerostomia, dos quais 13 (5,6%) ti-nham boca seca na avaliação clínica (VPP = 27,1%). Dos participantes cuja taxa de fluxo sali-var medimos, 27 tinham boca seca na avaliação clínica e apenas oito tinham hipossalivação (sensi-bilidade =29,6%); o valor de especificidade foi de 90,2% e o valor de sensibilidade foi de 28,6% (Quadro 5). Descobrimos que a hipossalivação e a xerostomia não estavam significativamente
rela-QUADRO 2
Relação entre a hipossalivação* e
a xerostomia.
† XEROSTOMIA HIPOSSALIVAÇÃO (N [%]) TOTAL Sim Não Todos os participantes Sim 8 (3,6) 35 (15,6) 43 (19,2) Não 19 (8,5) 162 (72,3) 181 (80,8) TOTAL 27‡(12,1) 197 (87,9) 224§(100,0) Mulheres Sim 8 (5,5) 23 (15,8) 31 (21,2) Não 16 (11,0) 99 (67,8) 115 (78,8) TOTAL 24 (16,4) 122 (83,6) 146 (100,0) Homens Sim 0 (0,0) 12 (15,4) 12 (15,4) Não 3 (3,8) 63 (80,8) 66 (84,6) TOTAL 3 (3,8) 75 (96,2) 78 (100,0)* A hipossalivação foi definida como uma taxa de fluxo salivar não estimulado de 0,1 mililitros por minuto ou menos.
† Os participantes podiam responder «nunca», «quase nunca», «oca-sionalmente», «algumas vezes» ou «muitas vezes». Os valores asso-ciados foram de 1 a 5, respectivamente. Os autores categorizaram «algumas vezes» ou «muitas vezes» como respostas positivas. ‡ Um participante que tinha hipossalivação não respondeu à questão
sobre xerostomia.
§ Um total de 224 em 252 participantes respondeu à questão sobre xerostomia relatada pelo próprio e efectuou o processo de recolha de saliva.
de 70,4% dos participantes no nosso estudo com hipossalivação não referiu ter xerostomia.
Descobrimos que a avaliação da secura oral de-pende de três critérios – a avaliação clínica reali-zada por um examinador, a auto-avaliação do par-ticipante e a taxa de fluxo salivar não estimulado do paciente. Os resultados de outro estudo de-monstraram que pode ou não ocorrer a sensação de xerostomia em pessoas com taxas de fluxo sali-var normais, devido a poderem existir áreas loca-lizada de desidratação da mucosa, juntamente com o fluxo salivar normal.6Uma taxa de fluxo
sa-livar normal não iria indicar uma área localizada de secura da mucosa. A realização de uma avalia-ção visual pode ser a única forma de identificar estas áreas localizadas. Em alternativa, uma bai-xa tabai-xa de fluxo salivar não estimulado pode ser a única forma de identificar uma pessoa cujas glân-dulas salivares respondem rapidamente à mani-pulação durante uma avaliação oral, o que pode mascarar secura oral. É importante dar resposta às queixas de secura oral de um paciente. No ge-ral, cada um destes critérios tem um papel impor-tante na identificação da secura oral.
É necessário um estudo mais avançado na área do diagnóstico salivar para melhorar e simplificar a identificação da hipossalivação, especialmente em idosos. Uma deficiência substancial no fluxo
QUADRO 3
Respostas afirmativas ao questionário de xerostomia dadas pelos
participantes com hipossalivação e por aqueles que relataram ter
xerostomia.
ITEM DO QUESTIONÁRIO DE XEROSTOMIA PARTICIPANTES COM
HIPOSSALIVAÇÃO* (N = 28) (N [%]) PARTICIPANTES QUE RELATARAM TER XEROSTOMIA† (N = 43) (N [%])
Tem Dificuldade em Engolir Certos Alimentos 1 (3,6) 2 (4,7)
Tem Dificuldade em Comer Alimentos Secos 3 (11,1)‡ 7 (16,7)‡
Sente a Boca Seca Quando Come 2 (7,1) 5 (11,6)
Sente o Nariz Seco 4 (14,3) 17 (39,5)
Sente a Cara Seca 4 (14,3) 11 (25,6)
Chupa Drops ou Rebuçados para a Tosse para Aliviar a Sensação de Boca Seca
4 (14,3) 9 (20,9)
Acorda de Noite para Beber 3 (10,7) 14 (32,6)
Sente os Olhos Secos 11 (39,3) 19 (44,2)
Sente os Lábios Secos 8 (29,6)‡ 26 (60,5)
Sente a Boca Seca 8 (29,6)‡ 43 (100,0)
Recorre a Líquidos para Ajudar a Engolir 4 (14,3) 14 (32,6)
* A hipossalivação foi definida como uma taxa de fluxo salivar não estimulado de 0,1 mililitros por minuto ou menos.
† Os participantes podiam responder «nunca», «quase nunca», «ocasionalmente», «algumas vezes» ou «muitas vezes». Os valores associados foram de 1 a 5, respectivamente. Os autores categorizaram «algumas vezes» ou «muitas vezes» como respostas positivas.
‡ Um participante não respondeu a este item.
QUADRO 4
Relação entre a boca seca
avaliada clinicamente e a
xerostomia relatada pelo próprio.
XEROSTOMIARELATADA PELO PRÓPRIO
BOCA SECA AVALIADA CLINICAMENTE (N [%])
Sim Não TOTAL
Sim 13 (5,6) 35 (15,0) 48 (20,5)
Não 19 (8,1) 167 (71,4) 186 (79,5)
TOTAL* 32 (13,7) 202 (86,3) 234 (100,0)
* Alguns participantes não realizaram o processo de recolha de saliva; deste modo, o tamanho das amostras variou.
QUADRO 5
Relação entre a boca seca
avaliada clinicamente e a
hipossalivação.
HIPOSSALIVAÇÃO BOCA SECA AVALIADA
CLINICAMENTE (N [%])
Sim Não TOTAL
Sim 8 (3,5) 20 (8,7) 28 (12,1)
Não 19 (8,2) 184 (79,7) 203 (87,9)
TOTAL* 27 (11,7) 204 (88,3) 231 (100,0)
* Alguns participantes não completaram o questionário de xerosto-mia; desta forma, o tamanho das amostras variou.
salivar e na deglutição dos idosos pode ser a prin-cipal causa primária do aumento de bactérias, do influxo de células inflamatórias, de lesões epite-liais induzidas por mediação e de pneumonia.19O
tratamento e os programas de prevenção para a hipossalivação e para a xerostomia podem melho-rar a qualidade de vida3e a saúde do tecido oral
dos pacientes, assim como reduzir o risco de cárie dentária. Os tratamentos consistem na substitui-ção de fluidos orais por água; evitar bebidas com cafeína, ácidas ou doces; estimular as glândulas salivares com pastilhas elásticas e doces sem açú-car; e usar agentes sialogogos sistémicos como a pilocarpina e a cevimelina.6,20,21Para além disto,
pode ser necessário um programa de prevenção in-dividualizado, incluindo consultas dentárias de re-colha mais frequentes, aplicações tópicas de géis de flúor ou vernizes de flúor em casa e educação sobre a higiene oral com ênfase na importância de uma boa higiene oral.
CONCLUSÕES
Seria uma vantagem se existissem ferramentas de despistagem simples e eficazes para a xerostomia e hipossalivação. O nosso estudo teve por finalida-de finalida-determinar até que ponto as três medidas finalida-de tecido oral seco estão associadas a xerostomia e hipossalivação e usar esta informação para identi-ficar um meio eficaz para diagnosticar xerostomia e hipossalivação. A avaliação salivar é uma com-ponente importante do exame oral. Para além do exame oral e da avaliação do auto-relato de xeros-tomia, seria útil se os médicos dentistas determi-nassem periodicamente as taxas de fluxo salivar não estimulado dos participantes. No nosso estu-do, os participantes efectuaram uma avaliação da taxa de fluxo salivar não estimulado em apenas quatro minutos. A medição das taxas de fluxo sali-var não estimulado pode fazer parte de uma con-sulta de higiene oral, como exame de rotina em idosos. A obtenção regular das taxas de fluxo sali-var não estimulado, para além dos auto-relatos e dos exames orais, pode aumentar a detecção pre-coce de secura oral, o que permitiria implementar intervenções precoces para melhorar a qualidade de vida dos pacientes.
Conflito de interesses. Nenhum dos autores relatou qualquer con-flito de interesses.
As opiniões expressas não representam necessariamente as opiniões do Quentin N. Burdick Memorial Health Care Facility, unidade de
serviço de Indian Health Services, Belcourt, N.D., ou do governo dos Estados Unidos da América.
Este estudo foi financiado pela bolsa de estudos 1R21DE016970 do National Institutes of Health National Institute of Dental and Craniofacial Research e pelo Robert C. Byrd Health Sciences Center, West Virginia University.
Os autores agradecem os contributos de pesquisa da Dra. Jane Chalmers e a sua empenhada dedicação para melhorar os cuidados de saúde oral a idosos, até à sua morte prematura em 2008.
Os autores agradecem a Elizabeth DiNapoli, Lina Bai, Valerie Ignatenko, Brian Jenson, Eric Goedereis, Ben Weinstein, William Moughamer, Stella Chapman e Linda Brown os seus contributos para este estudo.
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