PORTUGUESE B – STANDARD LEVEL – PAPER 1 PORTUGAIS B – NIVEAU MOYEN – ÉPREUVE 1 PORTUGUÉS B – NIVEL MEDIO – PRUEBA 1 Monday 6 May 2002 (morning)
Lundi 6 mai 2002 (matin)
Lunes 6 de mayo de 2002 (mañana) 1 h 30 m
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PROGRAMA DEL DIPLOMA DEL BITEXT BOOKLET – INSTRUCTIONS TO CANDIDATES ! Do not open this booklet until instructed to do so.
! This booklet contains all of the texts required for Paper 1 (Text handling). ! Answer the questions in the Question and Answer Booklet provided. LIVRET DE TEXTES – INSTRUCTIONS DESTINÉES AUX CANDIDATS ! Ne pas ouvrir ce livret avant d’y être autorisé.
! Ce livret contient tous les textes nécessaires à l’épreuve 1 (Lecture interactive). ! Répondre à toutes les questions dans le livret de questions et réponses.
CUADERNO DE TEXTOS – INSTRUCCIONES PARA LOS ALUMNOS ! No abra este cuaderno hasta que se lo autoricen.
! Este cuaderno contiene todos los textos requeridos para la Prueba 1 (Manejo y comprensión de textos). ! Conteste todas las preguntas en el cuaderno de preguntas y respuestas.
TEXTO A
Da passarola ao balão
Modalidade em pleno crescimento no nosso país, o balonismo tem vindo a inquietar os espíritos nacionais desde o século XVIII. Nessa altura o jesuíta Bartolomeu de Gusmão andou às voltas com um invento a que chamou passarola e que mais não passava do que um esboço daquilo que hoje existe com o nome de Balão de Ar Quente.
Sensação de suspensão
A região de Santarém, com o Tejo como cenário principal, é uma excelente opção para iniciar um vôo. Os mais cépticos podem ficar descansados porque a descolagem é tão suave que nem se dá por ela; num segundo estamos com os pés em terra e no segundo já estamos suspensos no ar.
Essa sensação de suspensão é, aliás, um dos melhores registros que ficam quando se anda de balão.
Viver no campo
Sempre seguido pelo seu fiel amigo, um agricultor inicia a rotina diária mal o sol descobre.
Também para viajar de balão é necessário madrugar; normalmente, é ao amanhecer e ao o entardecer que se reúnem as melhores condições climatéricas para fazer levantar balão em segurança.
Tudo muito arrumadinho…
O rio, a ponte que o atravessa e, ao fundo, a povoação. Visto do ar, o mundo é muito mais bonito e ordenado. Os caminhos, as terras, as povoações, os rios e os lagos surgem de forma diferente daquela que nos é permitido observar do solo. Por vezes, a harmonia é tão grande que nos sentimos parte de um cenário idílico. Ao sabor do vento
Porque não tem leme nem motor, o balão não pode ser conduzido - desliza suavemente ao sabor do vento. Por outro lado, é a única aeronave que permite um vôo tão rasteiro quanto se desejar.
Assim, tão depressa podemos estar a uma altitude bastante elevada como podemos estar a roçar as copas das árvores. O destino, esse, é sempre uma incógnita.
Descomprimir
Muitos dos pilotos de balão de ar quente portugueses são pára-quedistas. O que os move é, sem dúvida, o gosto pelo elemento Ar, mas também será uma forma de desfrutar o mesmo ambiente de uma forma bem mais tranqüila.
A aterragem é que por vezes pode ser um bocadinho mais agitada, mas isso faz parte do divertimento.
Por Isabel Falcão. 5 10 15 20 25 30 222-414T
TEXTO B
O DILEMA DA PARTIDA
Às 5:30 tocou o bip do meu relógio. Estava acordado, há horas talvez, aguardando a luz do dia.
Ninguém conhecia ainda a data da partida. Eu deveria defini-la nos dez dias seguintes, a partir das condições de vento e tempo. Mas, durante a madrugada daquele domingo, último dia do ano, resolvi mudar de idéia. Ufa! Um enorme nó na garganta, não virei mais para trás. Sem despedidas, melhor assim.
Não, não era um passeio de alguns dias. Mar aberto por fim. A leste, a África. Ao sul, minha próxima parada, a península Antártica.
Ainda imóvel, na proa, fui seguindo com os olhos as últimas árvores visíveis da ponta que ia desaparecendo. Árvores. Quinze meses até a próxima árvore! Quinze meses, que eternidade!
Ligar os coqueiros de Jurumirim, Rio de Janeiro, às geleiras antárticas que me fariam companhia – sem escalas – até o próximo verão. Foi para isso que me preparara durante esses anos e que construíra com tanto cuidado o Paratii.
Duas vezes a data da partida havia sido adiada por um ano inteiro. Dois anos de atraso no total – um escândalo geral – porque decidi não fazer, em nenhum momento, concessões à segurança do barco e ao plano que havia desenhado. Não estava disposto a me meter em aventuras e encrencas, sobretudo numa região em que o humor dos elementos não goza de boa fama. No final das contas, os dois anos se passaram, o escandaloso atraso foi esquecido. E eu parti como sonhara partir. Preparado até os dentes. Mas, Deus do céu, estava nervoso. Sabia que havia com certeza muito mais problemas do que se poderia imaginar. Durante esses anos de discussões, rabiscos e recomeços, entendi que o verdadeiro perigo de um plano está nos detalhes. Quais detalhes? Aí o segredo. Logo saberia. Deixei um bando de amigos, fornecedores e engenheiros malucos com esses detalhes, a tal ponto que brincar de naufragar o Paratii tornou-se o esporte predileto – após o expediente – do pessoal com quem trabalhava. Epidemias, maremotos, insanidade mental, corrosão galvânica, golpes políticos, o diabo. Curioso é que muitas idéias interessantes e detalhes engenhosos nasceram daí.
Eu estava nervoso e tenso. Eu nunca comandara sozinho um barco deste tamanho: vinte e cinco toneladas, vinte e um metros de mastro, três anos e meio de autonomia completa a bordo. Uma nave vermelha avançando, dia e noite, sem parar, para o sul.
Misteriosamente sumiu o nervosismo. Única testemunha do meu horizonte, comemorei sentado, quieto, a minha maior conquista: partir. Parti para a minha 5 10 15 20 25 30 35
TEXTO C
FAZER O MÁXIMO COM O MÍNIMO:
UM PRINCÍPIO APRENDIDO COM OS ÍNDIOS
Casa Cláudia – Qual é o conceito de arquitetura ecológica?Lengen – É a arquitetura em harmonia com o meio ambiente, que usa matéria-prima e mão-de-obra da região. O melhor exemplo são os iglus, feitos pelo homem da região ártica apenas com blocos de gelo.
CC – Como combinar intuição e arquitetura?
Lengen – Quando iniciamos um trabalho, estamos cheios de respostas para perguntas prontas. O lado intuitivo do cérebro fica silencioso. Quando prestamos atenção nisso, começam a surgir perguntas e, assim, idéias interessantes.
CC – Uns sonham com amplos jardins, outros desejam tecnologia. Para o senhor, como é a casa ideal? Lengen – A moradia ideal é aquela em que é difícil dizer onde termina o jardim e começa a casa. Também podemos falar que é a casa na qual os moradores participam da construção.
CC – No livro Manual do Arquiteto Descalço, o senhor mostra que é viável esse tipo de moradia. Poderia
citar alguns exemplos?
Lengen – Os tetos de grama garantem um bom isolamento térmico e são bonitos. A estrutura de bambu e madeira é coberta com plástico para evita a infiltração. Placas de grama são instaladas nessa malha, onde pode-se cultivar flores coloridas e ervas para uso culinário.
CC – Como alguém que mora em um pequeno apartamento de uma grande cidade traz a natureza para
dentro de casa?
Lengen – Acho sempre importante o contato com a natureza para elevar o nosso espírito. Quem trabalha sobre uma mesa de madeira, por exemplo, deve sentir, [ – Exemplo – ] o material, não precisa cobri-lo com uma toalha. Também pode-se colocar plantas dentro de casa. São maneiras simples de estar conectado com a natureza.
CC – Evitar o [ – 35 – ] de água e energia é um objetivo importante na construção. Como conseguir
isso?
Lengen – Existem técnicas como a utilização de sanitários secos, que poupam a água e não contaminam o meio ambiente. Os filtros de reciclagem tratam a água utilizada na lavagem de roupas, louças, e até no banho. Para esquentar a água, podemos usar os aquecedores solares. CC – Nosso planeta é nossa casa, mas poucos têm [ – 36 – ] dela com carinho. Que atitudes [ – 37 – ]
cada pessoa pode tomar para tratá-la com mais respeito?
Lengen – Quando encontramos o terreno para abrigar o Tibá (Instituto de Tecnologia Intuitiva e
Bio-Arquitetura) – um centro de estudos de arquitetura ecológica com espaço para cursos e
vivências –, a área era quase toda coberta de pasto. Com paciência, plantamos árvores e hoje recebemos a visita de papagaios, preguiças e tatus. É [ – 38 – ] ver como a natureza respondeu ao nosso cuidado. [ – 39 – ] precisamos cuidar de nós mesmos, da maneira como nos alimentamos, do nosso corpo, da nossa mente. Assim, podemos tratar bem as outras pessoas do planeta.
A revista Casa Cláudia - Maio 200l entrevista o arquiteto Johan van Lengen.
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TEXTO D
Lisboa 2000, muito além do passado
Ah, Lisboa! Lisboa dos azulejos, do bacalhau, dos fados, dos doces, do sotaque luso, dos shopping centers, das noites mais animadas da Europa… Êpa! Shopping centers? Vida noturna? De que cidade estamos falando?
Pois é: Lisboa não cabe mais em antigas definições. Sem perder nenhum dos seus charmes originais, a capital portuguesa se modernizou, com uma rapidez raramente vista no Velho Mundo. Mas não entenda mal: a Lisboa tradicional continua lá, no entanto, quem se dispuser a procurar novas Lisboas vai encontrar no mínimo mais duas cidades: uma Lisboa decididamente neo-ibérica, em que o culto à noite só encontra paralelo em Madri e Barcelona, e uma Lisboa americanizada, feita de modernos centros de compras e entretenimento que bem poderiam estar na Flórida ou na Califórnia.
Por coincidência, este caso de múltipla personalidade acaba remetendo ao talentoso lisboeta Fernando Pessoa. Além de sua própria poesia, Pessoa criou a obra de três poetas fictícios, cada um com características e estilo bem distintos: os heterônimos de Fernando Pessoa, como são chamados. Pois, nesta reportagem, a Lisboa do ano 2000 também tem as suas heterônimas. Uma é a Lisboa nostálgica, das casas de fado e das 365 receitas de bacalhau (eles juram que existe!), que aqui vai conservar o seu nome original: Lisboa. Já a nova Lisboa insone, da juventude notívaga das discotecas vai receber um nome apropriadamente espanholizante: Lisbuena. Finalmente, para a Lisboa das vitrines e da prosperidade recente, vou cunhar um heterônimo devidamente globalizado: GoodLis. Na dúvida, faça como eu: fique com as três.
O Castelo de São Jorge, pairando sobre o pitoresco bairro da Alfama, oferece a mais didática das vistas de Lisboa. Volte-se para a vista a sua frente. Seu olhar será rapidamente guindado à esquerda, onde fica o Tejo. Mais que um simples rio, o Tejo é a avenida que liga Lisboa ao oceano – e, conseqüentemente, ao período mais glorioso da história de Portugal.
Um café expresso (perdão: uma bica) no café art déco A Brasileira é o início mais charmoso de um típico passeio pela Lisboa central. Ali, no coração do Chiado, ficam algumas das lojas mais tradicionais da cidade.
Se você chegar a Lisboa e não encontrar ninguém, já sabe: está todo mundo num shopping center, que ali se chama centro comercial. Nenhum outro lugar da Europa abraçou com tanto entusiasmo o jeito americano de ir às compras.
A nova noite de Lisboa definitivamente não é para amadores. Assim como aconteceu na Espanha, o casamento da volta da democracia com a modernização fez nascer em Portugal uma juventude que tem a noite como religião. Tem de tudo e para todos – quer dizer, para todos os que se disponham a só sair para as ruas depois da meia-noite e não voltar antes do amanhecer.
Está na hora de você descobrir o cenário encantador dessa renovada cidade. Dependendo do seu gosto, pode ser Lisbuena, GoodLis ou, apenas, a boa e velha Lisboa.
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