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LAURA CRISTINA PIRES LIMA

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LEGUMINOSAE ADANS. NAS FLORESTAS ESTACIONAIS DO

PARQUE ESTADUAL DO ITACOLOMI, MINAS GERAIS, BRASIL:

TAXONOMIA, PREFERÊNCIA POR HABITAT, DISTRIBUIÇÃO

GEOGRÁFICA E SIMILARIDADE FLORÍSTICA

Tese apresentada à Universidade Federal de Viçosa, como parte das exigências do Programa de Pós-graduação em Botânica, para obtenção do título de Magister Scientiae

VIÇOSA

MINAS GERAIS – BRASIL 2006

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Livros Grátis

http://www.livrosgratis.com.br

(3)

Ficha catalográfica preparada pela Seção de Catalogação e Classificação da Biblioteca Central da UFV

T

Lima, Laura Cristina Pires, 1980-

L732L Leguminosae adans, nas florestas estacionais do Parque 2006 Estadual do Itacolomi, Minas Gerais, Brasil : taxonomia,

preferência por habitat, distribuição geográfica e similari-dade florística / Laura Cristina Pires Lima. – Viçosa : UFV, 2006.

x, 134f. : il. ; 29cm.

Orientador: Flávia Cristina Pinto Garcia.

Dissertação (mestrado) - Universidade Federal de Viçosa.

Inclui bibliografia.

1. Leguminosae - Identificação. 2. Botânica -

Classificação. 3. Leguminosae - Distribuição geográfica. 4. Parque Estadual do Itacolomi (MG). I. Universidade Federal de Viçosa. II.Título.

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LEGUMINOSAE ADANS. NAS FLORESTAS ESTACIONAIS DO

PARQUE ESTADUAL DO ITACOLOMI, MINAS GERAIS, BRASIL:

TAXONOMIA, PREFERÊNCIA POR HABITAT, DISTRIBUIÇÃO

GEOGRÁFICA E SIMILARIDADE FLORÍSTICA

Tese apresentada à Universidade Federal de Viçosa, como parte das exigências do Programa de Pós-graduação em Botânica, para obtenção do título de Magister Scientiae.

APROVADA: 21 de fevereiro de 2006.

Profª. Ângela Lúcia Bagnatori Sartori Profª. Marli Pires Morim (Conselheira)

Profª. Rita Maria Carvalho-Okano Prof. Jimi Naoki Nakajima

Profª. Flávia Cristina Pinto Garcia (Orientadora)

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Dedicatória: Ao meu pai Hélio, minha irmã Francieli e especialmente a minha querida mãe Odete “Sonho que se sonha sozinho é só um sonho. Sonho que se sonha junto é realidade”, pelo amor e apoio incondicional eu dedico esta etapa a vocês.

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AGRADECIMENTOS

Agradecer é algo muito especial, e é com carinho que agradeço a todas as pessoas que ajudaram na concretização deste trabalho, especialmente:

À professora Flávia Cristina Pinto Garcia pela orientação e apoio durante a realização deste trabalho.

À professora Ângela Lúcia Bagnatori Sartori pelo aconselhamento, leituras críticas do manuscrito e amizade fraternal.

Aos especialistas Ângela Vaz, Haroldo Lima, Luciana Silva, Marli Morim e Vidal Mansano pelo auxílio na identificação das espécies.

Aos membros da banca examinadora pelas valiosas sugestões que propiciaram o enriquecimento deste trabalho.

À Universidade Federal de Viçosa pela oportunidade de poder realizar um sonho e a todos que a fazem, e que tive oportunidade de conhecer.

Aos professores do Departamento de Biologia Vegetal (DBV), pelos ensinamentos botânicos.

Aos funcionários da secretaria do DBV, em especial ao Ângelo pela paciência e solicitude com que sempre me atendeu.

Aos funcionários do Horto Botânico, Gilmar, Luiz e Maurício pelo auxílio no preparo, registro e incorporação do material botânico no acervo do Herbário VIC.

À coordenação do Programa de Pós-Graduação em Botânica, em nome do professor Wagner Campos Otoni por viabilizar recursos para minhas viagens ao Parque Estadual do Itacolomi (PEI).

Ao CNPq pela concessão da bolsa de mestrado.

Ao Instituto Estadual de Florestas, em especial ao diretor do PEI, Alberto Matos pela oportunidade de trabalho nesta unidade de conservação; ao funcionário Juarez pelo apoio logístico e disponibilidade de deslocamento no PEI.

Ao Mário Eugênio F. de Araújo, por me acompanhar no campo, sem o seu esforço e prestatividade ficaria difícil alcançar representatividade nas coletas do PEI.

Aos curadores dos Herbários OUPR e BHCB, que gentilmente emprestaram o material botânico solicitado.

Ao Reinaldo Pinto, pela paciência e profissionalismo na arte de ilustrar as plantas.

Ao Henrique de Oliveira, Edson Avelar e Nilson Bardales pela disponibilidade em digitalizar o mapa do PEI.

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À amiga Gracineide Almeida pelo companheirismo no campo, e ajuda incondicional no registro desta dissertação.

Às leguminetes Valquíria Dutra e Fabiana Fillardi, pelo empréstimo de literaturas específicas, e agradável troca de idéias sobre Leguminosae.

Às amigas da Pós-Graduação: Andréa Barroncas, Érica Duarte, Dayana Francino e Silvana Ferreira, componentes do “clube da Luluzinha”, pela amizade e atenção durante a realização deste trabalho. Em especial a amiga Silvana Ferreira, companheira dos momentos bons e difíceis desta dissertação e na vida pessoal, e com certeza um lindo exemplo de amor a taxonomia vegetal.

Às companheiras de República, Andreza Viana, Eliane Clemente e Michéllia Soares, pelo convívio e aprendizado.

À Ana Lúcia Barros pela acolhida e incentivo quando cheguei em Viçosa.

À carioca Anninha Souza pelo empenho em busca de literaturas no Museu Nacional.

Não poderia deixar de agradecer ao querido Marcus P. Andrade, que foi um presente de Minas Gerais, e muito mais que um namorado durante a execução deste trabalho. Obrigada pelo amor, amizade, companheirismo, incentivo e esperança na minha vida pessoal e profissional.

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ÍNDICE RESUMO ... viii ABSTRACT ... x INTRODUÇÃO GERAL ... 1 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS... 3 CAPÍTULO 1 ... 6

ESTUDO TAXONÔMICO DE LEGUMINOSAE ADANS. NAS FLORESTAS ESTACIONAIS DO PARQUE ESTADUAL DO ITACOLOMI, MINAS GERAIS, BRASIL ... 6

1. 1. INTRODUÇÃO ... 6

1.2.1. Área de estudo... 8

1.2.2. Coleta e tratamento taxonômico do material botânico ... 8

1.3. RESULTADOS E DISCUSSÃO ... 11

1.3.1. Chave de identificação das espécies de Leguminosae das Florestas Estacionais do PEI: ervas, arbustos, subarbustos, lianas e trepadeiras ... 13

Caesalpinioideae... 16

Bauhinia leiopetala Benth. ... 16

Bauhinia ungulata var. cuiabensis . ... 17

Senna pendula (Willd.) H.S. Irwin var. glabrata (Vogel) H.S. Irwin & Barneby... 19

Senna pneumatica H.S. Irwin & Barneby... 20

Senna reniformis (G.Don) H.S.Irwin & Barneby... 21

Mimosoideae... 22

Acacia martiusiana (Steud.) Burkart... 22

Acacia aff. riparia Kunth... 23

Inga schinifolia Benth... 25

Inga vulpina Mart. ex Benth. ... 26

Mimosa bimucronata var. bimucronata O. Kuntze... 27

Piptadenia adiantoides (Spreng.) J.F. Macbr. ... 29

Piptadenia micracantha Benth... 30

Papilionoideae... 31

Aeschynomene elegans var. elegans Cham. & Schltdl. ... 31

Camptosema bellum (Mart.) Benth. ... 32

Chaetocalyx longiflora Benth. ex A. Gray ... 33

Clitoria falcata var. falcata Lam... 33

Crotalaria breviflora DC... 35

Crotalaria paulina Schrank ... 36

Dalbergia brasiliensis Vogel ... 37

Dalbergia frutescens var. frutescens (Vell.) Britton ... 38

Desmodium adscendens (Sw.) DC. ... 40

Desmodium uncinatum (Jacq.) DC... 41

Dioclea violacea Mart. ex Benth. ... 42

Indigofera suffruticosa Mill. ... 42

Machaerium aculeatum Raddi ... 43

Machaerium oblongifolium Vogel ... 44

Poiretia punctata (Willd.) Desv. ... 45

Trifolium repens L. ... 46

Vigna peduncularis var. peduncularis (Kunth.) Fawc. & Rendle... 46

1.3.2. Chave de identificação das Leguminosae arbóreas das Florestas Estacionais do PEI .... 49

Caesalpinioideae... 52

Bauhinia longifolia (Bong.) Steud. ... 52

(9)

Copaifera reticulata Ducke ... 54

Melanoxylon brauna Schott ... 56

Sclerolobium friburgense Harms... 57

Sclerolobium rugosum Mart ex Benth. ... 57

Senna macranthera (Collad.) H.S. Irwin & Barneby var. nervosa (Vogel) H.S. Irwin & Barneby... 58

Senna multijuga (Rich.) H.S. Irwin & Barneby var. lindleyana (Gard.) H.S. Irwin & Barneby... 60

Senna reniformis (G.Don) H.S.Irwin & Barneby... 61

Mimosoideae... 62

Abarema langsdorfii (Benth.) Barneby & J.W. Grimes. ... 62

Abarema obovata (Benth.) Barneby & J.W Grimes... 63

Anadenanthera colubrina var. colubrina (Vell.) Brenan ... 65

Anadenanthera peregrina (L.) Speg... 66

Calliandra parvifolia (Hook. & Arn.) Speg. ... 67

Inga cylindrica (Vell.) Mart. ... 68

Inga edulis Mart. ... 68

Inga ingoides (Rich.) Willd. ... 69

Inga marginata Willd. ... 71

Inga schinifolia Benth... 72

Inga sessilis (Vell.) Mart... 74

Inga vera subsp. affinis (DC.) T.D. Penn. ... 75

Inga vulpina Mart. ex Benth. ... 75

Mimosa scabrella Benth. ... 76

Piptadenia gonoacantha (Mart.) J.F. Macbr... 77

Pseudopiptadenia contorta (DC.) G.P. Lewis & M.P. Lima... 79

Stryphnodendron polyphyllum Mart... 80

Papilionoideae... 80

Andira fraxinifolia Benth... 80

Bowdichia virgilioides Kunth. ... 81

Dalbergia nigra (Vell.) Allemao ex Benth... 82

Dalbergia aff. revoluta Ducke ... 83

Dalbergia villosa var. villosa (Benth.) Benth. ... 83

Machaerium brasiliense Vogel ... 85

Machaerium hirtum (Vell.) Stellfeld ... 86

Machaerium nyctitans (Vell.) Benth. ... 87

Machaerium villosum Vogel ... 88

Ormosia friburgensis Taub. ex Harms. ... 89

Platypodium elegans Vogel ... 91

Swartzia pilulifera Benth. ... 92

1.4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS... 93

CAPÍTULO 2 ...LEGUMINOSAE ADANS. NAS FLORESTAS ESTACIONAIS DO PARQUE ESTADUAL DO ITACOLOMI, MINAS GERAIS, BRASIL: PREFERÊNCIA POR HABITAT, PADRÕES DE DISTRIBUIÇÃO E SIMILARIDADE FLORÍSTICA ... 101

2.1. INTRODUÇÃO ... 101

22. MATERIAL E MÉTODOS ... 103

2.2.1. Área de estudo... 103

2.2.2. Ocorrência das espécies de Leguminosae nas Trilhas amostradas do PEI ... 105

2.2.3. Padrões de Distribuição Geográfica e Preferência por Habitat das espécies de Leguminosae encontradas no PEI ... 105

2.2.4. Comparação Florística das espécies arbóreas de Leguminosae ocorrentes entre diferentes áreas Florestais... 106

(10)

2.3. RESULTADOS E DISCUSSÃO ... 107 2.3.1. Ocorrência das espécies de Leguminosae nas Trilhas amostradas do PEI ... 107 2.3.2. Padrões de Distribuição e Preferência por Habitat das Leguminosae ocorrentes nas Florestas Estacionais do PEI... 112 2.3.3. Comparação Florística das espécies arbóreas de Leguminosae ocorrentes entre diferentes áreas Florestais... 118 2.4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS... 127 CONCLUSÕES GERAIS ... 134

(11)

RESUMO

LIMA, Laura Cristina Pires, M.S., Universidade Federal de Viçosa, Fevereiro 2006.

Leguminosae Adans. nas Florestas Estacionais do Parque Estadual do Itacolomi,

Minas Gerais, Brasil: taxonomia, preferência por habitat, distribuição geográfica

e similaridade florística. Orientadora: Flávia Cristina Pinto Garcia. Conselheiras:

Ana Maria Goullart de Azevedo Tozzi e Ângela Lúcia Bagnatori Sartori.

Este trabalho tem como objetivos realizar o estudo taxonômico da família

Leguminosae nas florestas estacionais do Parque Estadual do Itacolomi (PEI), verificar a

preferência por habitat, os padrões de distribuição geográfica das espécies amostradas e

similaridade florística entre diferentes áreas florestais. As coletas foram mensais no período

compreendido entre setembro/2004 e novembro/2005. A área de estudo compreendeu oito

trilhas: Alcan, estrada de Baixo, Forno, estrada da Torre, Baú, Custódio, Belém e Cibrão.

Após as coletas, os espécimes foram herborizados, incluídos no acervo do Herbário VIC e

as duplicatas foram enviadas ao Herbário OUPR. A identificação dos táxons foi realizada

mediante literatura específica, visita a herbários e consulta a especialistas. O estudo

taxonômico reuniu 65 táxons específicos e infra-específicos, subordinados a 34 gêneros, os

quais distribuem-se entre as três subfamílias, destacando-se Papilionoideae como a de maior

riqueza, tanto em número de gêneros (20) quanto de espécies (30). Os gêneros mais

representativos foram Inga (8 spp.), Machaerium (6 spp.), Dalbergia (5 spp.) e Senna (5

spp.). São fornecidas chaves de identificação, descrições, ilustrações e comentários sobre

fenologia, taxonomia e distribuição geográfica dos táxons. Ormosia friburgensis e

Sclerolobium friburgense tiveram sua área de distribuição ampliada para o estado de Minas

Gerais. A maioria das espécies estudadas (69,2%) ocorre em floresta estacional submontana,

mostrando a preferência das Leguminosae por faixas altitudinais mais baixas. Com relação à

preferência por habitat, 73,8% foram considerados elementos florísticos generalistas e

26,2% especialistas ao domínio florestal atlântico. Entre os 65 táxons foram reconhecidos

oito padrões de distribuição geográfica: Anfiatlântico (2 spp.), Neotropical (9 spp.),

América do Sul Ocidental-Centro-Oriental (18 spp.), Brasil Centro-Oriental (10 spp.),

Brasil Atlântico Nordeste-Sudeste-Sul (7 spp.), Brasil Atlântico Nordeste-Sudeste (7 spp.),

Brasil Atlântico Sudeste-Sul (4 spp.), Brasil Atlântico Sudeste (8 spp.). Dentre estes padrões

43% dos táxons foram constatados no padrão atlântico, mostrando que quase metade das

espécies encontradas distribui-se na costa atlântica. A flora do PEI mostrou-se mais similar

(12)

ao Parque Nacional do Itatiaia (RJ), o que pode ser explicado pela localização destas áreas

no maciço da Mantiqueira e por fatores abióticos como gradiente altitudinal e pluviosidade.

(13)

ABSTRACT

LIMA, Laura Cristina Pires, M.S., Universidade Federal de Viçosa, February 2006.

Leguminosae Adans. in Seasonal Forests of the Itacolomi State Park, Minas

Gerais, Brazil: taxonomy, habitat preference, geographical distribution and

floristic similarity. Adviser: Flávia Cristina Pinto Garcia. Committee Members: Ana

Maria Goullart de Azevedo Tozzi e Ângela Lúcia Bagnatori Sartori.

This work aims the taxonomic study of the Leguminosae in seasonal forests of the

Itacolomi State Park (PEI), check habitat preference, geographic distribuition of the sampled

species and the analysis of floristic similarity among differents forests areas. The collection

was carried out monthly, from september /2004 to november /2005. The study area

comprised eigth tracks: Alcan, estrada de Baixo, Forno, estrada da Torre, Baú, Custódio,

Belém and Cibrão. After field collection, the specimens were botanized, and included in

VIC Herbarium and duplicates were sent to OUPR Herbarium. Taxonomic determination

was carried out by means of specialized literature, visits to herbaria, and consultation with

specialists. The taxonomic study gathered 65 specific and infra-specific taxa in 34 genera,

which are distribues among all three subfamilies, the richest bein Papilionoideae in both

genera (20) and species (30). The most representative genera were Inga (8 spp.),

Machaerium

(6 spp.), Dalbergia (5 spp.) and Senna (5 spp.). Keys, descriptions,

illustrations and comments about phenology, taxonomy and geographical distribution are

provided for the taxa. Ormosia friburgensis and Sclerolobium friburgense had their

distribution area amplified for the Minas Gerais State. Most of the studied species (69,2%)

occurred in submontane seasonal forest, showing Leguminosae preference for lower

altitude. In relation to habitat preference, 73,8% were considered generalistic floristic

elements and 26,2% specialists in the atlantic forest domain. Among 65 taxa, eight

distribution patterns were identified: Amphiatlantic (2 spp.), Neotropical (9 spp.),

Western-Central-Eastern South America (18 spp.), Western-Central-Eastern Brazil (10 spp.),

Northeastern-Southeastern-Southern Atlantic Brazil (7 spp.), Northeastern-Southeastern Atlantic Brazil (7

spp.), Southeastern-Southern Atlantic Brazil (4 spp.), Southern Atlantic Brazil (8 spp.).

Among these patterns, 43% of the taxa were verified in the atlantic pattern, showing that

almost half of the species found were distributed on the atlantic coast. The PEI flora showed

to be more similar to the Itatiaia National Park (RJ), attributed to the location of these areas

on the Mantiqueira range and to abiotic factors such as altitude and rainfall.

(14)

INTRODUÇÃO GERAL

Leguminosae tem sido considerada uma das três maiores famílias de angiospermas com 727 gêneros e 19.325 espécies (Lewis et al. 2005). A alta plasticidade ecológica da família permite a ocupação dos mais diversos habitats, sendo uma característica peculiar e de relevante significado para sua grande diversidade nas formações vegetacionais neotropicais (Lima 2000).

No Brasil, as Leguminosae estão distribuídas em quase todas as formações vegetacionais (Barroso et al. 1991) sendo uma das mais representativas nos campos rupestres (Giulietti & Pirani 1988; Pirani et al. 2003; Garcia & Dutra 2004), cerrados (Mendonça et al. 1998) e em formações florestais (Oliveira-Filho 1994a; Ribeiro 1998; Lima 2000), o que evidencia sua importância na Flora do Brasil.

O Brasil apresenta uma expressiva diversidade de ecossistemas florestais, tropicais e subtropicais, dada sua grande área física, seguida pela diversidade de climas e solos, sendo a floresta amazônica, as florestas do planalto interior e a mata atlântica, alguns exemplos desta riqueza florestal (Leitão-Filho 1997).

A mata atlântica estende-se para o interior passando de perenifólia na faixa costeira e caducifólia ou subcaducifólia na faixa continental (Rizzini 1997). Na região sudeste do Brasil estão localizadas as principais áreas deste bioma, que estão inseridas principalmente no complexo montanhoso das Serras do Mar, dos Órgãos e da Mantiqueira (Rizzini 1997; Lima 2000). Em virtude destas cadeias montanhosas nos estados de Minas Gerais, Rio de Janeiro e Espírito Santo é característica a presença dos “mares de morros”, de ampla distribuição na paisagem das áreas florestais (Fernandes 1998).

O estado de Minas Gerais é detentor de uma grande diversidade de formações vegetais, em virtude das condições geológicas, climáticas e topográficas (Martins 2000). Segundo este mesmo autor essas formações abrangem três grandes biomas: caatinga, ao norte; cerrado, na porção leste-sudeste e floresta atlântica, na porção centro-ocidental.

A floresta atlântica, em Minas Gerais, está distribuída principalmente na Zona da Mata e compreende diferentes formações florestais: ombrófila mista, ombrófila densa e estacional semidecidual, sendo que esta última ocupa grande parte do território do Estado (Silva 2000).

As informações sobre as florestas estacionais semideciduais de Minas Gerais apontam Leguminosae como uma das famílias mais representativas. A maioria das informações florísticas estão concentradas em publicações de cunho não taxonômico realizadas em determinadas regiões mineiras como Zona da Mata: (Meira-Neto et al. 1997a, b, c; Meira-Neto & Martins 2002 e Silva et al. 2003); região do Rio Doce: (Lombardi & Gonçalves 2000); sul de Minas: (Oliveira-Filho & Machado 1993; Oliveira-Filho et al. 1994a; b; c; Oliveira-Filho & Ratter 1995; França & Stheman

(15)

2004; Carvalho et al. 2005). Além desses, alguns estudos foram realizados em área de transição entre os domínios de Cerrado e Mata Atlântica (Pedralli et al. 1997; e Meyer et al. 2004). Estudos taxonômicos envolvendo Leguminosae em florestas estacionais de Minas Gerais são incipientes diante da sua representatividade e, restritos, sobretudo, na região do Rio Doce: Mendonça-Filho (1996), Bortoluzzi et al. (2003), Nunes (2003), Bosquetti (2004), Bortoluzzi et al. (2004), evidenciando a necessidade de estudos taxonômicos relacionados à Leguminosae em outras regiões de Minas Gerais.

O Parque Estadual do Itacolomi (PEI) está localizado nos municípios de Ouro Preto e Mariana, na região extremo oeste da Floresta Atlântica, na zona de transição entre os domínios reais da referida Floresta e do Cerrado (Peron 1989). A transição entre a Floresta Atlântica e o Cerrado no sudeste do Brasil envolve uma grande extensão de florestas semidecíduas (Oliveira-Filho & Fontes 2000). A vegetação do PEI, de acordo com a classificação de Veloso et al. (1991), é formada por Campos Rupestres e Florestas Estacionais Semideciduais Montanas.

As florestas do PEI, segundo Rizzini (1997), são caracterizadas como: Pluvial Ripária e Pluvial Baixo-Montana. De acordo com a classificação de Veloso et al. (1991), podem ser consideradas como Florestas Estacionais Semideciduais Montanas (acima de 550m de altitude).

As florestas montanas estão entre as menos conhecidas e as mais ameaçadas de todas as vegetações florestais dos trópicos (Gentry 1995). Elas apresentam menor riqueza de angiospermas em relação as florestas localizadas em baixas altitudes (Webster 1995). Essa diversidade de espécies permite fitofisionomias e estruturas florestais que se sucedem num gradiente montanha acima, diferenciando-se normalmente a curtas distâncias (Whitmore 1990).

Diante do exposto acima, nota-se uma carência de estudos taxonômicos relacionados à Leguminosae nas florestas estacionais de Minas Gerais e um conhecimento incipiente sobre as florestas montanas, principalmente nas regiões de transição entre Cerrado e Mata Atlântica. Sendo assim, visando contribuir para ampliar o conhecimento relacionado a tais aspectos, este trabalho encontra-se organizado em dois capítulos entitulados respectivamente: Estudo Taxonômico de Leguminosae Adans. nas Florestas Estacionais do Parque Estadual do Itacolomi, Minas Gerais, Brasil; Leguminosae Adans. nas Florestas Estacionais do Parque Estadual do Itacolomi, Minas Gerais, Brasil: preferência por habitat, padrões de distribuição e similaridade florística. Este trabalho tem como principais objetivos realizar o estudo taxonômico da família Leguminosae nas florestas estacionais do PEI, identificar a preferência por habitat e padrões de distribuição geográfica das espécies de Leguminosae encontradas no PEI e a realizar a comparação florística das espécies arbóreas do PEI com outros estudos realizados em diferentes áreas florestais, afim de compreender a ocorrência das espécies de Leguminosae.

(16)

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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Bortoluzzi, R.L.C.; Garcia, F.C.P.; Carvalho-Okano, R.M. de; Tozzi, A.M.G.A. 2003. Leguminosae, Papilionoideae no Parque Estadual do Rio Doce, Minas Gerais, Brasil. I: trepadeiras e subarbustos. Iheringia, Série Botânica 58(1): 25-60

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CAPÍTULO 1

ESTUDO TAXONÔMICO DE LEGUMINOSAE ADANS. NAS FLORESTAS ESTACIONAIS DO PARQUE ESTADUAL DO ITACOLOMI, MINAS GERAIS, BRASIL

1. 1. INTRODUÇÃO

Leguminosae Adans. é a terceira maior família de Angiospermae e compreende cerca de 727 gêneros e 19.325 espécies (Lewis et al. 2005). No Brasil, de acordo com Lima (2000), encontram-se cerca de 2.100 espécies nativas reunidas em 188 gêneros e distribuídas em quase todas as formações vegetacionais (Barroso et al. 1991).

Com relação à taxonomia da família, classificações mais antigas propostas por Adanson (1763) e Bentham (1865) consideram Leguminosae como uma família com três subfamílias: Caesalpinioideae, Mimosoideae e Papilionoideae, porém os trabalhos de Hutchinson (1967) e Cronquist (1981) reconheceram estas como três famílias independentes: Caesalpiniaceae, Mimosaceae e Fabaceae, respectivamente.

Chapill (1995), a partir de dados morfológicos e moleculares, confirmou Leguminosae como uma família monofilética, caracterizada pela presença de uma pétala mediana na posição adaxial, ovário monocarpelar, placentação marginal e fruto legume. Lewis & Schrire (2003) discutiram a monofilia dentro da família e sugeriram a utilização do termo Leguminosae para identificá-la, em vez de Fabaceae, que é ambíguo, podendo se referir tanto à família como um todo sensu Adanson (1763), quanto aos membros de Papilionoideae sensu Hutchinson (1967).

As Leguminosae apresentam os mais variados hábitos: ervas, trepadeiras, lianas, subarbustos, arbustos, árvores de pequeno, médio ou grande porte (Barroso et al. 1991). As folhas possuem filotaxia geralmente alterna, são comumente compostas, paripinadas, imparipinadas, bifolioladas ou unifolioladas, com estípulas persistentes ou caducas, com pulvino e/ou pulvínulo na base do pecíolo ou peciólulo, respectivamente, que permitem movimentos de alteração do ângulo das folhas (Barroso et al. 1991). As flores têm corola desde actinomorfa a zigomorfa e gineceu unicarpelar (Barroso et al. 1991). Embora o fruto legume seja o mais comum entre os representantes da família, existem outros tipos morfológicos como craspédio, folículo, lomento e sâmara (Barroso et al. 1999).

Leguminosae agrega espécies fixadoras de nitrogênio (James et al. 2001), tóxicas (Kissmann & Groth 1999), apícolas, forrageiras, medicinais, ornamentais e pioneiras (Lorenzi 1992, 1995, 1998; Pott & Pott 1994), sendo que outras espécies podem ainda ser utilizadas na indústria (Joly 1991), agricultura (Bressani & Elias 1980) e na alimentação, como fonte de proteína vegetal (Lewis 1987), o que reforça a sua importância econômica e ecológica.

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A família tem sido considerada, em trabalhos florísticos, como uma das mais representativas em formações campestres de altitude (Giulietti & Pirani 1988; Pirani et al. 2003; Garcia & Dutra 2004), em cerrados (Mendonça et al. 1998) e em formações florestais (Oliveira-Filho et al. 1994; Ribeiro 1998; Lima 2000), confirmando que estão distribuídas em quase todas as formações vegetacionais brasileiras (Barroso et al. 1991), e sua importância para a Flora do Brasil.

No Estado de Minas Gerais ocorrem os seguintes biomas: Caatinga, ao norte; Cerrado, na porção leste-sudeste e Floresta Atlântica, na porção centro-ocidental, principalmente na região da Zona da Mata (Martins 2000). No Estado, a Floresta Atlântica compreende diferentes formações florestais: Ombrófila Mista, Ombrófila Densa e Estacional Semidecidual, sendo que esta última ocupa grande parte do território do Estado (Silva 2000).

A maioria das publicações que abrangem as florestas estacionais consiste em estudos fitossociológicos ou avaliação ecológica rápida fornecendo listagem apenas das espécies arbóreas, deixando uma lacuna florística sobre ocorrência do componente herbáceo-arbustivo e trepador na floresta. Além disso, estudos taxonômicos sobre Leguminosae, nas florestas estacionais de Minas Gerais são escassos diante da sua representatividade, sendo citados trabalhos realizados: na Estação Biológica de Caratinga (Mendonça-Filho 1996), e no Parque Estadual do Rio Doce (Bortoluzzi et al. 2003; Nunes 2003; Bosquetti 2004; Bortoluzzi et al. 2004).

O Parque Estadual do Itacolomi (PEI) está localizado nos municípios de Ouro Preto e Mariana, na região extremo oeste da Floresta Atlântica, na zona de transição entre os domínios reais da referida Floresta e do Cerrado (Peron 1989), sendo sua vegetação composta, de acordo com a classificação de Veloso et al. (1991), por Campos Rupestres e Florestas Estacionais Semideciduais Montanas. Oliveira-Filho & Fontes (2000) propuseram uma classificação das florestas estacionais de acordo com gradiente altitudinal. Considerando-se que a variação fitofisionômica está relacionada a um gradiente altitudinal as florestas do PEI, sensu Oliveira-Filho & Fontes (2000), são subdivididas em: submontana, montana e altimontana.

Messias et al. (1997), em um inventário florístico de todas as famílias, encontraram 38 espécies de Leguminosae. No entanto, Dutra et al. (2006), estudando somente as Papilionoideae nos Campos Ferruginosos, amostraram 20 espécies, e nos Campos Rupestres foram 46 espécies de Leguminosae (Dutra 2005), indicando que a família havia sido subamostrada por Messias et al. (1997). Nesses trabalhos não foram incluídas as espécies das Florestas Estacionais, que constituem boa parte da cobertura vegetal do PEI.

Neste capítulo, será apresentado o estudo taxonômico de Leguminosae ocorrentes nas florestas estacionais do PEI, com o fornecimento de chaves analíticas, descrições e ilustrações para identificação das espécies estudadas; distribuição geográfica, preferência por habitats e comentários taxonômicos.

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1.2. MATERIAL E MÉTODOS

1.2.1. Área de estudo

O Parque Estadual do Itacolomi (PEI) foi criado pelo decreto nº 4465 de 19 de junho de 1967 e está localizado entre os meridianos 43º32’ e 43º22’W e os paralelos 20º30’ e 20º20’S (figura 1), fazendo limite com os municípios de Ouro Preto e Mariana (Messias et al. 1997).

A vegetação do PEI está composta por duas formações vegetacionais: os campos e as florestas, cada uma delas apresentando variação de acordo com o solo, disponibilidade de água, altitude e relevo. Os campos ocupam a maior extensão da área do Parque, entremeados com áreas de florestas, formando capões de extensão variável (Messias et al. 1997).

As florestas do PEI podem ser denominadas como: Pluvial Ripária e Pluvial Baixo-Montana (Rizzini 1997). De acordo com a classificação de Veloso et al. (1991), podem ser consideradas como Florestas Estacionais Semideciduais Montanas (acima de 550m de altitude). Utilizando-se a classificação de Oliveira-Filho & Fontes (2000) as florestas estacionais podem ser: submontana entre 300-700m, montana entre 700-1100m de altitude e altimontana acima de 1100m de altitude, que será adotado neste trabalho.

Os tipos de solos ocorrentes no PEI são: arenoso claro, associado ao quartzito e argiloso, no qual predomina latossolo vermelho-amarelo, sendo este o mais comum em áreas de vegetação florestal (Messias et al. 1997).

O clima regional é caracterizado como de altitude relativamente úmido, com nevoeiros freqüentes e ventos dominantes na direção sudeste, sendo a temperatura média de 21ºC, com máxima de 33ºC e mínima de 4ºC (Messias et al. 1997).

A pluviosidade é de, aproximadamente, 2.000 mm anuais, com concentração de chuvas no período de outubro a março (Messias et al. 1997) e seca no período de abril a agosto, o que é uma característica típica de floresta estacional.

1.2.2. Coleta e tratamento taxonômico do material botânico

As coletas do material botânico foram realizadas mensalmente, de setembro/2004 a novembro/2005, ao longo de trilhas e estradas pré-estabelecidas em áreas remanescentes de Florestas Estacionais, em diferentes altitudes, que recobrem parte do Parque Estadual do Itacolomi (figura 1), sendo: 1. Alcan; 2. Estrada de Baixo; 3.Forno; 4. Estrada da Torre; 5. Baú; 6. Custódio; 7. Belém; 8. Cibrão. Nesta última trilha as espécies foram coletadas ao longo do rio Mainarte. O material coletado (fértil e estéril) foi herborizado conforme as técnicas de Fidalgo & Bononi (1984)

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e Mori et al. (1985) e depositado no acervo do Herbário VIC, do Departamento de Biologia Vegetal da Universidade Federal de Viçosa. Duplicatas foram enviadas ao Herbário OUPR, da Universidade Federal de Ouro Preto.

A identificação das espécies foi realizada com base na literatura taxonômica, comparação com coleções dos herbários (OUPR; BHCB; VIC) e, consulta a especialistas. A classificação adotada para subfamílias, tribos e gêneros está em Lewis et al. (2005). As abreviações dos nomes dos autores em Brummitt & Powell (1992) e a grafia dos nomes dos periódicos em Kew Record of Taxonomic Literature (Royal Botanic Gardens 2005).

Foram elaboradas duas chaves de identificação de acordo com os tipos de hábito apresentados. As definições dos tipos de hábito foram adequadas de Guedes-Bruni et al. (2002), sendo consideradas ervas as plantas não lenhosas com altura até 50cm; subarbustos as plantas eretas com ramificação próxima do chão, cujos ramos são parcialmente lignificados; arbustos as plantas com ramificação a partir de 1m de altura com ramos lenhosos; árvores ou arvoretas as plantas com ramificação próxima do ápice, formando fuste lenhoso; trepadeiras as plantas com ramos flexíveis não lenhosos que apoiam-se em árvores ou arbustos e lianas as trepadeiras com caule lenhoso.

A terminologia utilizada para a descrição das estruturas vegetativas e reprodutivas está de acordo com Radford et al. (1974), Harris & Harris (1994) e Barroso et al. (1999).

As descrições das espécies estão padronizadas por subfamílias e seguem em ordem alfabética por subfamílias, gênero e espécies, incluindo a amplitude morfológica do material examinado do PEI, e quando necessárias foram complementadas com dados de materiais dos seguintes herbários: Universidade Federal de Viçosa (VIC), Universidade Federal de Ouro Preto (OUPR) e Universidade Federal de Belo Horizonte (BHCB).

Neste trabalho foram descritas apenas as espécies nativas, as cultivadas foram apenas listadas. Após as descrições de cada táxon são comentadas as características diagnósticas, os limites taxonômicos e a distribuição geográfica, por meio de revisões recentes ou literatura disponível de cada táxon e observações de campo das espécies ocorrentes nas trilhas percorridas no PEI.

As ilustrações foram confeccionadas com base em material herborizado e/ou fixado em álcool 70%, com auxílio de estereomicroscópio Olympus, incluindo características vegetativas e reprodutivas importantes para a identificação das espécies.

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Figura 1. Localização do Parque Estadual do Itacolomi e Áreas Estudadas. 1. Alcan; 2. Estrada de Baixo; 3.Forno; 4. Estrada da Torre;

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1.3. RESULTADOS E DISCUSSÃO

O estudo taxonômico das espécies de Leguminosae ocorrentes nas florestas estacionais do PEI, totalizou 65 táxons, reunidos em 34 gêneros e agrupados em 15 tribos (tabela 1), sendo Eryhtrina speciosa uma espécie cultivada (tabela 1). A subfamília mais representativa foi Papilionoideae (30 spp.), seguida por Mimosoideae (22 spp.) e Caesalpinioideae (13 spp.). As tribos mais representativas foram Dalbergieae (17 spp.) e Ingeae (11 spp). Os gêneros mais representativos foram Inga (8 spp.), Machaerium (6 spp.), Dalbergia (5 spp.) e Senna (5 spp.). Devido ao elevado número de espécies registradas, os táxons foram apresentados em duas chaves artificiais, considerando-se principalmente o tipo de hábito, facilitando desta forma a consulta dos usuários de acordo com os grupos estudados. A primeira chave tratou as espécies herbáceas, subarbustivas, arbustivas, trepadeiras e lianas e a segunda chave as arbóreas.

As espécies herbáceas, subarbustivas, arbustivas, trepadeiras e lianas, somaram 30 espécies reunidas em 20 gêneros, agupados em 11 tribos (tabela 1). Os gêneros mais representaivos foram Senna com três espécies, Bauhinia, Acacia, Inga, Piptadenia, Crotalaria, Dalbergia e Machaerium, com duas; e os demais gêneros Calliandra, Mimosa, Aeschynomene, Chaetocalyx, Camptosema, Clitoria, Dioclea, Indigofera, Poiretia, Trifolium e Vigna, com uma única espécie cada.

As Leguminosae arbóreas somaram 39 espécies reunidas em 22 gêneros, agrupados em 10 tribos (tabela 1). Os gêneros mais representativos foram Inga com oito espécies, Machaerium com quatro, Senna e Dalbergia com três; Sclerolobium, Abarema e Anadenanthera com duas; e os demais gêneros Bauhinia, Cassia, Copaifera, Melanoxylon, Calliandra, Mimosa, Piptadenia, Pseudopiptadenia, Stryphnodendron, Andira, Bowdichia, Ormosia, Platypodium, Pterocarpus e Swartzia, apresentaram apenas uma única espécie cada

O hábito arbóreo foi o que apresentou maior riqueza de espécies (39), sendo que as trepadeiras e ervas foram representadas por apenas três e quatro espécies, repectivamente (tabela 1). A tribo Dalbergieae apresentou maior diversidade de hábito entre os seus componentes no PEI (tabela 1). Enquanto que a tribos Caesalpinieae, Detarieae, Ingeae, Sophoreae e Swartzieae foram predominantemente representadas por espécies arbóreas. As tribos Acacieae e Phaseoleae foram representadas principalmente por espécies nativas de lianas e trepadeiras.

Muitas espécies de Leguminosae ocorrentes nas florestas do PEI, não floresceram e/ou frutificaram no período de estudo. Os acervos dos Herbários mais próximos OUPR, CETEC, VIC e BHCB tem poucos exemplares destas espécies coletados na região de Ouro Preto/Mariana. A carência destes materiais botânicos nos acervos mineiros consultados pode ser explicada porque a maioria dos levantamentos florísticos efetuados nesta região foram feitos a partir de estudos

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fitossociológicos ou avaliação ecológica rápida, nas quais muitas espécies são coletadas estéreis e não são incorporadas as coleções botânicas, ou então não são incluídas na amostragem.

Tabela 1. Táxons de Leguminosae segundo a classificação de Lewis et al. (2005), encontrados nas florestas

do PEI e seus hábitos representados por: A: Árvore; Av: Arvoreta; Ab: arbusto; E: Erva; Sb: Subarbusto; L: Liana; Tr: Trepadeira. *cultivada.

Subfamília Tribo Espécie Hábito

Cassia ferruginea var. ferruginea (Schrad.) Schrad. ex DC.

A

Melanoxylon brauna Schott A

Sclerolobium friburgense Harms A

Caesalpinieae

Sclerolobium rugosum Mart. ex Benth. A Senna macranthera (Collad.) H.S. Irwin & Barneby var. nervosa (Vogel) H.S. Irwin & Barneby

A Senna multijuga (Rich.) H.S. Irwin & Barneby var. lindleyana (Gard.) H.S. Irwin & Barneby

A Senna pendula (Willd.) H.S. Irwin var. glabrata (Vogel)

H.S. Irwin & Barneby Ab

Senna pneumatica H.S. Irwin & Barneby Ab

Cassieae

Senna reniformis (G.Don) H.S.Irwin & Barneby Ab ou Av Bauhinia longifolia (Bong.) Steud. A

Bauhinia leiopetala Benth. L

Cercidae

Bauhinia ungulata var. cuiabensis (Bong.) Vaz Ab

Caesalpinioideae

Detarieae Copaifera reticulata Ducke A

Acacia martiusiana (Steud.) Burkart. L

Acacieae

Acacia aff. riparia Kunth. L Abarema langsdorfii (Benth.) Barneby & J.W.Grimes A Abarema obovata (Benth.) Barneby & J.W Grimes A Calliandra parvifolia (Hook. & Arn.) Speg. Ab ou

Av Inga cylindrica (Vell.) Mart. A

Inga edulis Mart. A

Inga ingoides (Rich.) Willd. A

Inga marginata Willd. A

Inga schinifolia Benth. Ab ou

Av Inga sessilis (Vell.) Mart. A Inga vera subsp. affinis (DC.) T.D. Penn. A

Ingeae

Inga vulpina Mart. ex Benth. Ab ou Av Anadenanthera colubrina var. colubrina (Vell.) Brenan A Anadenanthera peregrina (L.) Speg. A Mimosa bimucronata var. bimucronata O. Kuntze Ab

Mimosa scabrella Benth. Ab

Piptadenia adiantoides (Spreng.) J.F. Macbr. L Piptadenia gonoacantha (Mart.) J.F. Macbr. A Piptadenia micracantha Benth. L Pseudopiptadenia contorta (DC.) G.P. Lewis & M.P.

Lima

A Mimosoideae

Mimoseae

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Continuação Tabela 1

Subfamília Tribo Espécie Hábito

Crotalaria breviflora DC. E ou Sb Crotalarieae

Crotalaria paulina Schrank Sb Aeschynomene elegans var. elegans Cham. & Schltdl. E Andira fraxinifolia Benth. A Chaetocalyx longiflora Benth. ex A. Gray Tr Dalbergia brasiliensis Vogel L Dalbergia frutescens var. frutescens (Vell.) Britton L Dalbergia nigra (Vell.) Allemao ex Benth. A Dalbergia aff. revoluta Ducke A Dalbergia villosa var. villosa (Benth.) Benth. A Machaerium aculeatum Raddi L Machaerium brasiliense Vogel A Machaerium hirtum (Vell.) Stellfeld A Machaerium nyctitans (Vell.) Benth. A Machaerium oblongifolium Vogel L

Machaerium villosum Vogel A

Platypodium elegans Vogel A

Poiretia punctata (Willd.) Desv. L

Dalbergieae

Pterocarpus rohrii Vahl A

Desmodium adscendens (Sw.) DC. E Desmodieae

Desmodium uncinatum (Jacq.) DC. S Indigofereae Indigofera suffruticosa Mill. Ab

Camptosema bellum (Mart.) Benth. Tr Clitoria falcata var. falcata Lam. Tr Dioclea violacea Mart. ex Benth. L Erythrina speciosa Andrews A* Phaseoleae

Vigna peduncularis var. peduncularis (Kunth.) Fawc. &

Rendle Tr

Bowdichia virgilioides Kunth A

Sophoreae

Ormosia friburgensis Taub. ex Harms. A

Swartzieae Swartzia pilulifera Benth. A

Papilionoideae

Trifolieae Trifolium repens L. E

1.3.1. Chave de identificação das espécies de Leguminosae das Florestas Estacionais do PEI: ervas, arbustos, subarbustos, lianas e trepadeiras

1. Folhas unifolioladas ou trifolioladas 2. Folhas unifolioladas

3. Caule alado; folíolo não bilobado; anteras heteromorfas; fruto inflado

4. Ramos velutinos ou vilosos; folíolo elíptico ou oblongo ... 18. Crotalaria breviflora 4. Ramos glabros; folíolo obovado ... 19. Crotalaria paulina 3. Caule não alado; folíolo bilobado; anteras uniformes; fruto plano-compresso

5. Pecíolo até 1,5cm compr.; folíolo 7-nervado, base obtusa ou truncada; nectário foliar presente; fruto legume ... 2. Bauhinia ungulata var. cuiabensis 5. Pecíolo acima 4cm compr.; folíolo 9-11-nervado, base cordada; nectário foliar ausente;

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2. Folhas trifolioladas 6. Ervas ou subarbustos

7. Folíolo com margem inteira; estipela presente; inflorescência pseudo-racemosa ou paniculada; estames diadelfos

8. Estipela 1-2mm compr.; raque foliar serícea ou tomentosa; folíolo terminal obovado ou orbicular; lomento 1-2 articulado; artículo 0,8-1,4cm compr. ...22. Desmodium adscendens 8. Estipela 5-7mm compr.; raque foliar hirsuta; folíolo terminal ovado-lanceolado;

lomento 3-8 articulado; artículo 2,5-4cm compr. ... 23. Desmodium uncinatum 7. Folíolo com margem serrilhada; estipela ausente; inflorescência umbelada; estames

monadelfos ……...…... 30. Trifolium repens 6. Trepadeiras ou lianas

9. Lianas ... 24. Dioclea violacea 9. Trepadeiras

10. Folíolos laterais simétricos; flores não ressupinadas e pétalas da carena retas ... 15. Camptosema bellum 10. Folíolos laterais assimétricos; flores ressupinadas ou pétalas da carena contorcidas 11. Ramos hirsutos; estipela ovado-lanceolada; corola branca; ovário puberulento;

estilete reto, ciliado ... 17. Clitoria falcata var. falcata 11. Ramos glabrescentes ou seríceos; estipela oblonga; corola lilás-arroxeada;

ovário tomentoso; estilete espiralado, hirsuto ... ... 29. Vigna peduncularis var. peduncularis

1. Folhas plurifolioladas 12. Folhas pinadas

13. Nectário foliar presente

14. Raque foliar canaliculada ou estriada; corola dialipétala; androceu dialistêmone; estaminódios presentes

15. Folhas 6-10-folioladas; corola 20-23mm compr.; estigma terminal

16. Estípula linear; nectário entre o 1º par de folíolos; sépalas obovadas; ovário tomentoso ... 3. Senna pendula var. glabrata 16. Estípula reniforme; nectário entre todos os pares de folíolos; sépalas oblongas; ovário pubescente ... 5. Senna reniformis 15. Folhas 16-folioladas; corola 13-15mm compr.; estigma lateral... ... 4. Senna pneumatica

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14. Raque foliar marginada ou alada; corola gamopétala; androceu monadelfo; estaminódios ausentes

17. Folhas 6-8-folioladas; face abaxial do folíolo hirsuta; filetes róseos; fruto tomentoso ... 10. Inga vulpina 17. Folhas (14-)16-28-folioladas; face abaxial do folíolo glabra; filetes brancos;

fruto glabro ... 9. Inga schinifolia

13. Nectário foliar ausente 18. Folhas paripinadas

19. Ramos estriados, hirsutos; folhas 4-folioladas, folíolos opostos; estipela presente ... 28. Poiretia punctata 19. Ramos cilíndricos, seríceos; folhas 8-12-folioladas, folíolos alternos; estipela ausente ... 14. Aeschynomene elegans var. elegans 18. Folhas imparipinadas

20. Estipela presente

21. Trepadeiras; folhas 5-folioladas; corola amarela; estames monadelfos ... 16. Chaetocalyx longiflora 21. Arbustos; folhas 11-15-folioladas; corola coral; estames diadelfos

... 25. Indigofera suffruticosa 20. Estipela ausente

22. Ramos ou gavinhas armados; sâmara com região seminífera basal

23. Ramos com gavinhas armadas; folhas 5-7-folioladas; estípula 1,5mm compr., não espinescente, triangular; folíolos oblongos, obovados, raro elípticos; sâmara oblonga ... 27. Machaerium oblongifolium 23. Ramos sem gavinhas; folhas 31-39-folioladas; estípula 4mm compr., espinescente, unciforme; folíolos oblongos; sâmara falcada …... 26. Machaerium aculeatum 22. Ramos inermes; sâmara com região seminífera central

24. Folhas 7-11(-17)-folioladas; folíolos ovados ou elípticos, face abaxial puberulenta ... 21. Dalbergia frutescens var. frutescens 24. Folhas 17-29-folioladas; folíolos lanceolados ou oblongos, face abaxial serícea ... 20. Dalbergia brasiliensis 12. Folhas bipinadas

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26. Inflorescência espiciforme; androceu com até 10 estames; anteras glandulares na antese

27. Folhas (3-)4-6 pinadas; foliólulos 4-6 pares, obovados ... ... 12. Piptadenia adiantoides 27. Folhas 8-15 pinadas; foliólulo 30-49 pares, lineares ou linear-falcados

... 13. Piptadenia micracantha 26. Inflorescência capituliforme; androceu com mais de 10 estames; anteras eglandulares

na antese

28. Ramos glabrescentes; folhas 6-10-pinadas, foliólulos acima de 6,1mm compr. ... 7. Acacia aff. riparia 28. Ramos tomentosos; folhas 15-23-pinadas; foliólulos até 3,5mm compr.

... 6. Acacia martiusiana 25. Nectário foliar ausente

29. Ramos armados; inflorescência homomórfica; corola tetrâmera; estames livres; fruto craspédio ... 11. Mimosa bimucronata var. bimucronata 29. Ramos inermes; infloresccência heteromórfica; corola pentâmera ou hexâmera;

estames monadelfos; fruto legume ... 8. Calliandra parvifolia

Caesalpinioideae

1. Bauhinia leiopetala Benth., Fl. Bras. 12(20):210. 1870. Figuras 2-3

Liana, ramo estriado, glabro ou glabrescente, não alado. Estípula 3-6mm compr., lanceolada, caduca; pecíolo 4-8cm compr.; raque ausente, nectário ausente. Folha unifoliolada, bilobada; folíolo 7,5-10x10-10,3cm, lobo 4,4-5x3,2-4,3cm, ápice acuminado, base cordada, face adaxial glabra, abaxial serícea, 9-11- nervado. Inflorescência espiciforme, terminal; pedúnculo 0,7-2,1cm compr., ferrugíneo-tomentoso; raque 4,1-9cm compr., ferrugínea-tomentosa. Flor pentâmera, actinomorfa, séssil; cálice 6mm compr., gamossépalo, campanulado, glabro externamente; corola 10mm compr., branca e rósea, pétalas oblanceoladas; estames 10, isodínamos, dialistêmones, filetes 10-11mm compr., glabros, anteras 2-3mm compr., estaminódios ausentes; ovário 4mm compr., seríceo, estípite 1-2mm compr.; estilete 6mm compr., nutante, seríceo; estigma terminal, glabro. Legume samaróide, 8-13x1,4-1,5cm, plano compresso, glabro, indeiscente; semente 1, 1,2x1cm, arredondada, castanha.

(30)

O gênero Bauhinia é facilmente reconhecido pelas folhas unifolioladas bilobadas de venação palminérvia (Vaz & Tozzi 2003). Entretanto, é preciso flor e/ou fruto deste gênero para identificação em nível específico. Com isto, o material coletado no PEI foi determinado através de consulta aos herbários VIC e BHCB e confirmação da especialista Ângela Vaz. Nas Flora Brasiliensis, Bentham (1870) observou uma forte afinidade entre Bauhinia radiata Vell. e B. leiopetala. Vaz (com. pess.) apontou a necessidade de revisão destes táxons que possivelmente podem ser formas distintas da mesma espécie. O hábito escandente e os folíolos de base cordada a diferem das outras espécies de Bauhinia ocorrentes no PEI.

Ocorre somente no Brasil, onde pode ser encontrada nos estados de Pernambuco, Bahia, Minas Gerais e Rio de Janeiro (Vaz 1995). Segundo esta mesma autora, B. leiopetala, tem preferência por florestas submontanas no estado do Rio de Janeiro. No PEI, foi coletada na trilha de Belém, em floresta estacional montana.

Material examinado: Brasil. Minas Gerais: Mariana, PEI, trilha de Belém, 17/VI/2005, st., Lima et al. 407 (VIC).

Material adicional examinado: Brasil. Minas Gerais: Marliéria, entorno do Parque Estadual do Rio Doce, 06/VI/2003, fl., Bosquetti & Queiroga 151 (VIC); Santa Bárbara, Cenibra, 15/VII/1992, fr., Costa s/nº (BHCB 22309).

2. Bauhinia ungulata var. cuiabensis (Bong.) Vaz, Rodriguésia 54(83): 55-143. 2003.

Pauletia cuyabensis Bong., Mem. Acad. Imp. Sci. St. Petersb., ser. 4 sci Math. 2: 125. 1836. Figuras 4-5

Arbusto 2-3m alt., ramo estriado, ferrugíneo-puberulento, não alado. Estípula 2mm compr., lanceolada, caduca; pecíolo (0,7-)0,8-1(-1,5)cm compr.; raque ausente; nectário intra-estipular, rudimentar. Folha unifoliolada, bilobada; folíolo 2,5-6,8x2,5-6,8cm, lobo 1-2,5x1,1-3cm, ápice obtuso ou agudo, base truncada ou obtusa, face adaxial glabra, face abaxial ferrugíneo-pubescente, 7- nervado. Inflorescência pseudo-racemosa, terminal; pedúnculo 1,5-1,8cm compr., ferrugíneo-pubescente; raque 6-9cm compr., ferrugínea-pubescente. Flor pentâmera, zigomorfa, pedicelada; cálice 15-18mm compr., gamossépalo, tubuloso, ferrugíneo-puberulento externamente; corola 47-73mm compr., branca, pétala centro-adaxial linear-lanceolada; estames 10, heterodínamos, monadelfos, filetes livres 32-54mm compr., glabros, anteras 7-9mm compr., estaminódios 2; ovário 10-15mm compr., puberulento, estípite 20mm compr.; estilete 42mm compr., curvado, glabro; estigma terminal, glabro. Legume, 8-13x1,4-1,5cm, plano-compresso, puberulento, deiscente; sementes 10-12, 0,8x0,6cm, arredondadas, castanhas.

(31)

Figuras 2-3. Bauhinia leiopetala Benth. 2. Folha (Lima et al. 407). 3. Fruto (Costa s/nº BHCB 22309). Figuras 4-5. Bauhinia ungulata var. cuiabensis (Bong.) Vaz. 4. Ramo com fruto (Lima et al. 372). 5. Flor (Lima et al. 340). Figuras 6-8. Senna pendula (Willd.) H.S. Irwin var. glabrata (Vogel) H.S. Irwin & Barneby. 6. Ramo com inflorescência. 7. Nectário. 8. Flor sem pétalas (Lima & Silva 349). Figuras 9-13. Senna pneumatica H.S.Irwin & Barneby. 9. Folha. 10. Nectário. 11. Flor. 12. Estigma. 13. Fruto (Lima & Ferreira 293). Figuras 14-16. Senna reniformis (G. Don) H.S. Irwin & Barneby. 14. Ramo. 15. Nectário (Lima & Silva 333). 16. Flor sem pétalas (Lima & Magalhães 232).

(32)

O número de nervuras do folíolo e a forma da pétala são características diagnósticas desta espécie (Vaz & Tozzi 2003). Bauhinia ungulata possui três variedades com registros para as regiões centro-oeste e sudeste do Brasil: cuiabensis, ungulata e parvifolia; a variedade cuiabensis difere das outras pelos folíolos cartáceos ou coriáceos, menores que 7,5cm compr. (Vaz & Tozzi 2003).

Ocorre no Paraguai e Brasil, onde pode ser encontrada nos estados da Bahia, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, e Tocantins (Vaz & Tozzi 2003). Habita cerrado, cerradão, campo cerrado, campo sujo, campo úmido, formações do pantanal, carrasco, caatinga, florestas de galeria, florestas abertas, florestas semidecíduas e florestas e na zona de transição floresta-cerrado (Vaz & Tozzi 2003). No PEI, foi coletada no Cibrão e trilha de Belém, em áreas de floresta submontana e montana, respectivamente. Material examinado: Brasil. Minas Gerais: Mariana, PEI, estrada do Cibrão, 07/XII/2004, fr., Lima & Araújo 249 (VIC); trilha de Belém, 26/IV/2005, fl., Lima et al. 340 (VIC); 17/VI/2005, fr., Lima et al. 372 (VIC).

3. Senna pendula (Willd.) H.S. Irwin var. glabrata (Vogel) H.S. Irwin & Barneby, Mem. New York Bot. Gard. 35(1): 382. 1982.

Cassia indecora var. glabrata Vogel, Gen. Cass. Syn. 19. 1837. Figuras 6-8

Arbusto 2m alt., ramo estriado, tomentoso. Estípula 2mm compr., linear, caduca; pecíolo 2,3-2,8cm compr.; raque 2-3cm compr., estriada; nectário entre o primeiro par de folíolos, subssésil, globoso. Folha 8-10-foliolada, paripinada; folíolos 2,8-3,4x1-1,3cm, opostos, obovados, base oblíqua, ápice obtuso ou acuminado, ambas as faces glabras, pubescente na nervura principal. Inflorescência racemosa, axilar; pedúnculo 2-2,7cm compr., glabrescente; raque 0,8-1cm compr., glabrescente. Flor pentâmera, zigomorfa, pedicelada; cálice 11mm compr., dialissépalo, sépalas obovadas, hirsutas externamente; corola dialipétala, 23mm compr., amarela, pétala centro-adaxial suborbicular; estames 7, heterodínamos, dialistêmones, em dois verticilos: 4 medianos e 3 abaxiais maiores, filetes retos ou curvados 2-20mm compr., glabros, anteras 6-10mm compr., estaminódios 3; ovário 13mm compr., tomentoso, estípite 2mm compr.; estilete 6mm compr., curvado, glabro; estigma terminal, glabro. Legume bacóide, 14-16x1-1,5cm, subcilíndrico, glabro, indeiscente; sementes 32-54, oblongas, enegrecidas.

Floresceu de março a maio, mas não foram observados frutos nas florestas do PEI, utilizando-se material de campo rupestre para complementar a descrição.

(33)

O número de jugas (4-5) e os estames centro-adaxiais pêndulos são diagnósticos desta espécie (Irwin & Barneby 1982). No PEI, Senna pneumatica também possui folíolos obovados, sendo semelhante aos de S. pendula var. glabrata, entretanto o número de folíolos e a forma da estípula são características vegetativas que diferenciam estes táxons.

Apresenta ampla distribuição no Planalto Brasileiro, ocorre também na Bahia, São Paulo, Paraná e Santa Catarina (Irwin & Barneby 1982). Habita orlas florestais antropizadas, em altitudes com ca. 700m, bem como ambientes abertos, barrancos, em beira de estradas e rodovias (Bortoluzzi 2004). No PEI, foi coletada na estrada de Baixo, em floresta estacional altimontana.

Material examinado: Brasil. Minas Gerais: Ouro Preto, PEI, Calais, 17/VI/2004, fr., Dutra & Pereira 212 (VIC); estrada de Baixo, 28/IV/2005, fl., Lima & Silva 349 (VIC).

4. Senna pneumatica H.S. Irwin & Barneby, Mem. New York Bot. Gard. 35(1): 329. 1982. Figuras 9-13

Arbusto 1,5m alt., ramo estriado, tomentoso. Estípula 9-15mm compr., ovada, persistente; pecíolo 2,4-3,5cm compr.; raque 6,5-9cm compr., estriada; nectário entre o primeiro par de folíolos, estipitado, cilíndrico. Folha 16-foliolada, paripinada; folíolos 2-3x0,6-1cm, opostos, obovados, base oblíqua, ápice mucronado, face adaxial glabra, face abaxial pubescente, principalmente na nervura principal. Inflorescência racemosa, terminal; pedúnculo 2,2-2,5cm compr., pubérulo; raque 1,2-1,5cm compr., pubérula. Flor pentâmera, zigomorfa, pedicelada; cálice 8mm compr., dialissépalo, sépalas ovadas, hirsutas externamente; corola dialipétala, 13-15mm compr., amarela, pétala centro adaxial orbicular; estames 7, heterodínamos, dialistêmones, em dois verticilos: 4 medianos e 3 abaxiais maiores, filetes retos ou curvados 4-6mm compr., glabros, anteras 5-6mm compr., estaminódios 3; ovário 5mm compr., seríceo, estípite 1mm compr.; estilete 4mm compr., curvado, glabro; estigma lateral, ciliado. Legume, 9-9,5x0,8cm, plano compresso, glabro ou glabrescente, deiscente; sementes 15-16, 0,6-0,7x0,4-0,5cm, obovadas, castanho claras.

Floresceu de fevereiro a maio e frutificou de agosto a outubro.

No PEI, é facilmente reconhecida entre as espécies do gênero pela estípula ovada e o número de pares de folíolos (8). É uma espécie próxima de S. organensis (Harms) H.S. Irwin & Barneby, da qual se diferencia pela forma e comprimento do fruto (Irwin & Barneby 1982).

Restrita à Serra de Caparaó, no estado de Minas Gerais limite com o Espírito Santo (Irwin & Barneby 1982). Nas matas do PEI, foi coletada apenas na trilha do Baú, em floresta estacional altimontana.

Material examinado: Brasil. Minas Gerais: Ouro Preto, PEI, trilha do Baú, 03/VIII/2004, fr., Lima et al. 208 (VIC); 16/02/2005, fl., fr., Lima & Ferreira 293 (VIC).

Referências

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