Conduta
Conceito
É a ação ou omissão humana
consciente e dirigida a determinado
fim (Damásio)
Conduta
Características
- Humana
- Repercussão externa
- Dirigida a um fim
Conduta
Elementos
- Aspecto psíquico (comando cerebral)
- Aspecto mecânico ou neuromuscular
Conduta
* Diferença entre um ato:
- espontâneo
autodeterminação
- voluntário
decisão, nem sempre voltada a um fim domina a ação dolosa ou culposa
Conduta
Formas de conduta
- Ação ou Comissão
movimento corpóreo
- Omissão
inatividade, abstenção de movimento, não realização de movimento esperado
Conduta
Omissão penalmente punível
- Quando o agente tenha por lei
obrigação de cuidado, proteção ou
vigilância
- Quando o agente de outra forma,
assumiu a responsabilidade de impedir o
resultado
- Quando o agente, com o seu
comportamento anterior, criou o risco da
ocorrência do resultado
Conduta
O garantidor tem que agir.
Se não agir responderá dolosamente ou
culposamente ?
Conduta
Dolosamente
- Se há vontade de não impedir o
resultado
OBS: não é necessário o desejo do
Conduta
Culposamente
- erro na apreciação da situação (ex.:
salvamento de criança x brincadeira)
- erro na execução da ação (ex.:
gasolina para apagar incêndio)
- erro sobre a possibilidade de agir
Conduta
- Caso fortuito (inesperado, acidental,
da natureza, etc)
- Força Maior (força coativa)
excluem a tipicidade do resultado
Resultado
Conceito:
Lesão ou perigo de lesão de um
interesse protegido pela norma penal
(Mirabete)
Resultado
Dessa forma, o resultado pode ser:
- Físico (externo ao homem)
- Fisiológico (ao homem)
Relação de Causalidade
Relação de Causalidade
O sentido jurídico, causa deve ser
Relação de Causalidade
- causalidade adequada (condição
mais adequada a produzir o resultado)
- eficiência (condição mais eficiente
para produzir o resultado)
- relevância jurídica (tudo que
Relação de Causalidade
O Código Penal adotou (art. 13) a
“Teoria da Equivalência das
Condições” ou “Teoria da Equivalência
dos Antecedentes”
(sem a força concorrente o fato não
Relação de Causalidade
Para verificação do nexo de
causalidade:
“Processo Hipotético de Eliminação”
PENAL E PROCESSUAL PENAL- RECURSO EM SENTIDO ESTRITO - REDUÇÃO A CONDIÇÃO ANÁLOGA À DE ESCRAVO - FRUSTRAÇÃO DE DIREITO ASSEGURADO POR LEI TRABALHISTA E AUSÊNCIA DE ANOTAÇÕES NAS CARTEIRAS DE TRABALHO E PREVIDÊNCIA SOCIAL - ARTS. 149 , 203 , 297 , § 4º , DO CÓDIGO PENAL -DENÚNCIA QUE IMPUTA A PRÁTICA DELITUOSA SEM DEMONSTRAR O NEXO CAUSAL ENTRE O CRIME IMPUTADO E O ACUSADO - NÃO-RECEBIMENTO. a) Recurso em Sentido Estrito. b) Decisão de origem - Rejeitada a Denúncia em relação a um dos acusados por falta de indícios de autoria. (segue)
1 - A verificação da narração de fato típico, antijurídico e culpável, da inexistência de causa de extinção da punibilidade e da presença das condições exigidas pela lei para o exercício da persecução criminal, incluída a justa causa, revela-se fundamental para o juízo de admissibilidade de deflagração da Ação Penal. 2 -Conforme preceitua o art. 13 do Código Penal, o resultado, de que depende a existência do crime, somente é imputável a quem lhe deu causa. A Denúncia, apesar de não se exigir a descrição minuciosa da ação do acusado, precisa estabelecer algum vínculo mínimo entre o investigado e o crime que lhe é atribuído. 3 - Recurso denegado. 4 - Decisão confirmada. (TRF-1 - RECURSO EM SENTIDO ESTRITO RSE 1530920134014302 TO 0000153-09.2013.4.01.4302 – 20/09/2013)
HABEAS CORPUS. HOMICÍDIO CULPOSO. VÍTIMA - MERGULHADOR PROFISSIONAL CONTRATADO PARA VISTORIAR ACIDENTE MARÍTIMO. ART. 121, §§ 3º E 4º, PRIMEIRA PARTE, DO CÓDIGO PENAL. TRANCAMENTO DE AÇÃO PENAL. AUSÊNCIA DE JUSTA CAUSA. 1. Para que o agente seja condenado pela prática de crime culposo, são necessários, dentre outros requisitos: a inobservância do dever de cuidado objetivo (negligência, imprudência ou imperícia) e o nexo de causalidade. 2. No caso, a denúncia imputa ao paciente a prática de crime omissivo culposo, no forma imprópria. A teor do § 2º do art. 13 do Código Penal, somente poderá ser autor do (segue)
delito quem se encontrar dentro de um determinado círculo normativo, ou seja, em posição de garantidor. 3. A hipótese não trata, evidentemente, de uma autêntica relação causal, já que a omissão, sendo um não-agir, nada poderia causar, no sentido naturalístico da expressão. Portanto, a relação causal exigida para a configuração do fato típico em questão é de natureza normativa. 4. Da análise singela dos autos, sem que haja a necessidade de se incursionar na seara fático-probatória, verifico que a ausência do nexo causal se confirma nas narrativas constantes na própria denúncia. 5. Diante do quadro delineado, não há falar em negligência na conduta do paciente (engenheiro naval), dado que (segue)
prestou as informações que entendia pertinentes ao êxito do trabalho do profissional qualificado, alertando-o sobre a sua exposição à substância tóxica, confiando que o contratado executaria a operação de mergulho dentro das regras de segurança exigíveis ao desempenho de sua atividade, que mesmo em situações normais já é extremamente perigosa. 6. Ainda que se admita a existência de relação de causalidade entre a conduta do acusado e a morte do mergulhador, à luz da teoria da imputação objetiva, seria necessária a demonstração da criação pelo paciente de uma situação de risco não permitido, não-ocorrente, na hipótese. 7. Com efeito, não há como asseverar, de forma efetiva, (segue)
que engenheiro tenha contribuído de alguma forma para aumentar o risco já existente (permitido) ou estabelecido situação que ultrapasse os limites para os quais tal risco seria juridicamente tolerado. 8. Habeas corpus concedido para trancar a ação penal, por atipicidade da conduta.
(STJ _ HC 68871 PR 2006/0233748-1 - Orgão Julgador - SEXTA TURMA – Publicação DJe 05/10/2009 – Rel. Min. MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA)
Classificações de Crimes
Doloso
Culposo
Classificações de Crimes
Dolo
- Teoria da Vontade
Classificações de Crimes
Culpa
- Imprudência
- Negligência
- Imperícia
Classificações de Crimes
Elementos do Crime Culposo
- Conduta humana voluntária
- Resultado Involuntário
- Nexo de Causalidade
- Tipicidade
- Previsibilidade Objetiva
- Ausência de Previsão (exceto Culpa
Consciente)
- Quebra do Dever Objetivo de
Classificações de Crimes
A culpa pode ser:
- Inconsciente
Classificações de Crimes
Diferença:
- Dolo Eventual
Classificações de Crimes
Comissivo
Omissivo (omissivo próprio ou
puro)
Comissivo por omissão (omissivo
Classificações de Crimes
Instantâneo
Permanente
Instantâneo de efeitos
Classificações de Crimes
De dano
De perigo
- concreto (art. 134 do CP –
exposição ou abandono de
recém-nascido)
- abstrato (art. 288 do CP –
Associação Criminosa)
Classificações de Crimes
Trauseunte
Classificações de Crimes
Material (ou de resultado)
Formal
Classificações de Crimes
Unissubjetivo
Plurissubjetivo
Classificações de Crimes
Unissubsistente
Plurissubsistente
Classificações de Crimes
Comum
Próprio
Bipróprio
Classificações de Crimes
De forma livre (ação livre) (ex.
121)
De forma vinculada (ação
Classificações de Crimes
Art. 260. Impedir ou perturbar serviço de estrada de ferro:
I — destruindo, danificando ou desarranjando, total ou parcialmente, linha férrea, material rodante ou de
tração, obra de arte ou instalação; II — colocando obstáculo na linha;
III — transmitindo falso aviso acerca do movimento dos veículos ou interrompendo ou embaraçando o
funcionamento de telégrafo, telefone ou radiotelegrafia; IV — praticando outro ato quepossa resultar desastre: Pena — reclusão, de dois a cinco anos, e multa.
§1º Se do fato resulta desastre.
Classificações de Crimes
Classificações de Crimes
Classificações de Crimes
Classificações de Crimes
Crime de ensaio
(putativo por obra do agente
Classificações de Crimes
Crime hediondo
Crime equiparado (ou
assemelhado) a hediondo
Iter criminis
É o itinerário do crime
(O caminho percorrido pelo
crime)
Iter criminis
COGITAÇÃO
ATOS PREPARATÓRIOS
INÍCIO DA EXECUÇÃO
CONSUMAÇÃO
EXAURIMENTO
Iter criminis
Iter criminis
Iniciar a execução e não
consumar pode ser:
-
Art. 14, II do CP – Tentativa
-Art. 15 do CP – Desistência
Voluntária ou Arrependimento
Eficaz
Iter criminis
Tentativa (Art. 14, II do CP)
- Crime não se consuma por
circunstâncias alheias à sua
vontade
Iter criminis
Desistência voluntária ou
arrependimento eficaz (Art. 15
do CP)
- Crime não se consuma pela
Iter criminis
Crime impossível (Art. 17 do
CP)
- Crime não se consuma nem
por circunstâncias alheias à sua
vontade e nem pela vontade do
agente e sim naturalmente
Reparação de Dano
A reparação do dano sempre beneficia o
Reparação de Dano
Se o agente voluntariamente reparar o
dano ou restituir a coisa, antes do recebimento da denúncia ou queixa ocorrerá o arrependimento posterior (art. 16 do CP)
Reparação de Dano
Se o agente voluntariamente reparar o
dano ou restituir a coisa, antes do recebimento da denúncia ou queixa ocorrerá o arrependimento posterior (art. 16 do CP)
é uma causa obrigatória de diminuição
Reparação de Danos
Porém, não caberá para os crimes com
Reparação de Danos
Se a reparação não se enquadrar no
casos de arrependimento posterior, o agente será beneficiado por atenuante genérica
Reparação de Danos
Há casos em que a reparação extingue a
Reparação de Danos
Há casos em que a reparação extingue a
punibilidade:
Reparação de Danos
Há casos em que a reparação extingue a
punibilidade:
* Cheque sem fundos (Súmula 554 – STF) * Sonegação Fiscal (lei 9.249/95)
Reparação de Danos
Há casos em que a reparação extingue a
punibilidade:
* Cheque sem fundos (Súmula 554 – STF) * Sonegação Fiscal (lei 9.249/95)
Reparação de Danos
Reparação de Danos
HABEAS CORPUS – FURTO QUALIFICADO – ENERGIA ELÉTRICA – ARTIGO 155, CAPUT C/C § 3.º, DO CÓDIGO PENAL – PAGAMENTO EFETUADO – REPARAÇÃO DO DANO QUE PRECEDE AO RECEBIMENTO DA DENÚNCIA – EXTINÇÃO DA PUNIBILIDADE – TRANCAMENTO DA AÇÃO PENAL – ORDEM CONCEDIDA. I - A natureza jurídica do valor cobrado pelo fornecimento de energia elétrica, implementado por concessionárias de serviço público, tem natureza jurídica de tarifa ou preço público, guardando similitude às pessoas jurídica de direito público concedentes. (segue)
Reparação de Danos
-Arrependimento Posterior
II - Aplica-se analogicamente as disposições do artigo 34, da Lei nº 9249/1995, bem como da Lei n. 10.684/2003, do que resulta a extinção da punibilidade, em virtude do pagamento espontâneo do valor devido, quando realizado antes do recebimento da denúncia, o que ocorre na hipótese. III - Ordem Concedida. Contra o parecer da PGJ.
(TJMS –HC n. 1405077-73.2015.8.12.0000 - 3ª Câmara Criminal – Rel. Des. Francisco Gerardo de Sousa – 11/06/2015)
Tipo Penal
Tipo penal é a conduta descrita como
Tipo Penal
Dessa forma, o tipo penal:
- do homicídio é MATAR ALGUÉM
- do furto é SUBTRAIR PARA SI OU PARA
Tipo Penal
Todo crime é uma conduta (fazer ou deixar
Tipo Penal
Todo crime é uma conduta (fazer ou deixar
de fazer alguma coisa).
Portanto, todo tipo penal tem pelo menos um
Tipo Penal
Quando o tipo penal tem mais de um verbo
ele é chamado de tipo composto (crime complexo).
Tipo Penal
Quando o tipo penal tem mais de um verbo
ele é chamado de tipo composto (crime complexo).
Ex: Roubo (art. 157, CP) e Estupro (art. 213
Tipo Penal
Tipo Penal
O tipo penal é formado de: - elementares
Tipo Penal
O tipo penal é formado de: - elementares
Tipo Penal
Tipo derivado
Tipo Penal
Tipo derivado
é aquele que deriva do tipo principal.
(São as qualificadoras, privilégios, causas de
Tipo Penal
Tipo permissivo
é aquele que permite a prática de um tipo
Tipo Penal
Tipo permissivo
é aquele que permite a prática de um tipo
incriminador
Tipo Penal
Erro de Tipo
Erro de tipo é o erro sobre um dos
componentes do tipo penal (uma das palavras que compõem a descrição do tipo)
Tipo Penal
Erro de Tipo
O Erro de tipo poderá ser:
- Essencial: quando o agente não sabe que está
Tipo Penal
Erro de Tipo
O Erro de tipo poderá ser:
- Essencial: quando o agente não sabe que está
cometendo uma infração
- Acidental: quando, apesar do erro, o agente sabe
Tipo Penal
Erro de Tipo
Tipo Penal
Erro de Tipo
O Erro de tipo Essencial pode ser:
- Inevitável (Escusável, Desculpável): quando qualquer
Tipo Penal
Erro de Tipo
O Erro de tipo Essencial pode ser:
- Inevitável (Escusável, Desculpável): quando qualquer
pessoa na mesma situação erraria. Exclui o dolo e a culpa
- Evitável (Inescusável): quando nem todos errariam (se o
agente agisse com mais cautela não erraria). Exclui o dolo e permanece a culpa (culpa imprópria)
Tipo Penal
Erro de Tipo
O Erro de tipo Acidental (que pune o
agente na medida da sua intenção) pode ser:
Tipo Penal
Erro de Tipo
O Erro de tipo Acidental (que pune o
agente na medida da sua intenção) pode ser:
Tipo Penal
Erro de Tipo
O Erro de tipo Acidental (que pune o
agente na medida da sua intenção) pode ser:
- Sobre o objeto - Sobre a pessoa
Tipo Penal
Erro de Tipo
O Erro de tipo Acidental (que pune o
agente na medida da sua intenção) pode ser:
- Sobre o objeto - Sobre a pessoa - “Aberratio ictus”
Tipo Penal
Erro de Tipo
O Erro de tipo Acidental (que pune o
agente na medida da sua intenção) pode ser:
- Sobre o objeto - Sobre a pessoa - “Aberratio ictus”
- “Aberratio criminis” (nesse caso o
agente é punido pelo que efetivamente causar)