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Viva Português - Volume 1

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Academic year: 2021

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Texto

(1)

V

I

V

A

PORTUGUÊS

ENSINO MÉDIO LÍNGUA POR

TUGUESA

1

Elizabeth Campos

Paula Marques Cardoso

Silvia Letícia de Andrade

Elizabeth Campos

Paula Marques Cardoso

Silvia Letícia de Andrade

(2)
(3)
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(5)

É

com muita satisfação e entusiasmo que apresentamos esta co-leção. Ela é o resultado de intensos trabalhos em sala de aula, bem como de constantes pesquisas sobre metodologias de ensi-no de leitura, análise da linguagem e produção de textos. E o que isso significa? Significa que você encontrará aqui atividades elaboradas com o objetivo de facilitar seu domínio de mecanismos da língua portuguesa necessários à boa compreensão de um texto e a uma comunicação oral e escrita mais consciente. Portanto, o propósito das sugestões de trabalho apresentadas é que você leia cada vez mais e melhor, escreva cada vez mais e melhor, utilize os recursos da língua cada vez mais e melhor.

Ao longo dos três volumes desta coleção, você vai ler textos de diver-sos gêneros e estudar alguns dos mecanismos linguísticos e textuais que os organizam. Terá, ainda, a possibilidade de exercitar esse conteúdo e aproveitá-lo em suas próprias produções.

Perceba que é nossa preocupação integrar leitura, análise linguística e escrita. Isso para que cada parte do estudo faça sentido e possa am-pliar sua competência leitora e sua capacidade de escrever textos que atinjam o público ao qual se destinam.

Considerando a importância do interlocutor potencial dos textos, pensamos também que as produções elaboradas ao término de cada caracterização de gênero textual poderiam não ficar restritas à leitura do professor, mas ser divulgadas para a comunidade escolar, ganhando, assim, novos destinatários. Daí a proposta de um projeto anual para cada volume, que envolverá a elaboração de uma antologia — no final do primeiro ano —, de um festival de cultura e informação — no final do segundo — e de uma revista — no final do terceiro. Em todas as si-tuações, parte dos textos produzidos será resgatada e poderá compor o projeto.

Esperamos que você goste das diferentes propostas de atividades e que esta coleção se torne um instrumento significativo para aperfeiçoar o uso de uma língua que você já conhece tão bem.

Bom trabalho!

As autoras

(6)

Conheça

seu livro

AberturA De unIDADe No início de cada unidade, por meio de texto e imagem,

você conhecerá os temas que serão estudados nos capítulos. Além disso, um quadro de objetivos é apresentado para ajudá-lo a administrar seus estudos.

em toDoS oS CApÍtuloS

Na seção Para começar são propostas atividades que ajudarão você a ativar seu conhecimento de mundo e estabelecer a relação entre esse saber e os novos saberes.

12 UNIDADE DE ABERTURA

LíNgUA E pRoDUção DE TExTo

Linguagem e língua

p A R A C o m E ç A R

1.Observe os quadrinhos a seguir.

No último quadrinho há um balão com a seguinte fala: “Todo mundo tem. Qual é o seu?”. Na frase “Todo mundo tem” falta um complemento, o qual dá sentido a toda a história. É possível sugerir algumas possibilidades de complemento, mas outras não poderiam ser aceitas.

a) Copie no caderno as possibilidades a seguir que poderiam complementar a frase “Todo mundo tem”,

garantindo a coerência e o sentido geral da história em quadrinhos. • um trator. • um sonho. • um desejo. • um vestido de noiva. • um time do coração.

b) Explique por que você escolheu algumas das opções indicadas no item a e por que não escolheu as

outras.

c) O contexto foi importante para suas escolhas? Se as imagens fossem retiradas dessa história, seria

possível entender o contexto apenas lendo as palavras do balão de fala? Explique sua resposta. BÁ, Gabriel; Moon, Fábio. Quase nada. Disponível em: <http://10paezinhos.blog.uol.com.br/arch2012-07-01_2012-07-31.html#2012_07-02_13_47_23-2677714-25>. Acesso em: 16 jul. 2012. > Interdisciplinaridade com: História. Gabriel Bá e F ábio Moon/Acerv o dos car tunistas

Atenção: Não escreva

No livro. Faça as atividades No caderNo.

CLASSICISMO 163

Leia mais um soneto de Camões e compare-o com o anterior quanto ao conteúdo e à forma.

“Tanto de meu estado me acho incerto”

Luís Vaz de Camões

Tanto de meu estado me acho incerto, que em vivo ardor tremendo estou de frio; sem causa, juntamente choro e rio; o mundo todo abarco e nada aperto. É tudo quanto sinto um desconcerto; da alma um fogo me sai, da vista um rio; agora espero, agora desconfio, agora desvario, agora acerto. Estando em terra, chego ao céu voando; numa hora acho mil anos, e é de jeito que em mil anos não posso achar uma hora. Se me pergunta alguém por que assim ando, respondo que não sei; porém suspeito que só porque vos vi, minha senhora. CAMÕES, Luís Vaz de. Lírica, op. cit., p. 67.

TEXTO 3

Reprodução/Museu Czar

toryski, Cracó

via, P

olônia.

Mulher com arminho, de Leonardo da Vinci. c. 1490.

Óleo sobre painel, 54,8 cm × 40,3 cm. Museu Czartoryski, Cracóvia, Polônia. O italiano Leonardo da Vinci aprofundou na pintura a técnica do sfumato,

que, tornando imprecisos os contornos das formas e quase imperceptível a passagem de áreas claras para escuras, cria a impressão de profundidade.

I n T E r p r E T A ç ã O d O T E X T O

1. Compare a forma desse soneto com a do soneto que foi lido anteriormente.

a) Quantas sílabas poéticas têm os versos nos dois poemas? b) Qual é o esquema de rimas em cada um? c) Qual ou quais das informações a seguir vale(m) para os dois sonetos de Camões?

Copie-a(s) no caderno.

A presença de pares de palavras ou expressões de sentidos opostos ajuda a expressar o estado emocional contraditório em que se encontra o eu lírico.

O emprego da anáfora contribui para enfatizar o sentimento de descon-forto do eu lírico.

A pontuação torna os versos fluentes, sem cortes, reforçando a ideia de ausência de conflito.

276 UNIDADE 6 CIêNCIA E Emoção

C o N h E C I m E N t o s l I N g U í s t I C o s

Complementos verbais Para relembrar

O predicado verbal tem como núcleo um verbo transitivo ou intransitivo. O verbo intransitivo tem toda a sua significação contida em si, por isso não precisa nem de objeto direto nem de objeto indireto. O que pode haver são adjuntos adverbiais:

Os homens viviam próximos do céu. sujeito verbo adjunto

intransitivo adverbial de lugar

Já o verbo transitivo exige termos (objetos) que lhe completem o significado. Os verbos transitivos diretos pedem um complemento que se ligue a eles sem o auxílio de preposição, e os transitivos indiretos exigem um complemento preposicionado. Observe:

Estranhos cometas atravessavam os céus. sujeito verbo objeto transitivo direto direto A sobrevivência das pessoas dependia da clemência do Sol.

sujeito verbo objeto indireto transitivo indireto

Caso o verbo transitivo exija os dois tipos de complemento, será chamado de transitivo direto

e indireto:

Eventos astronômicos dão apoio à tese. sujeito verbo objeto objeto transitivo direto indireto

direto e indireto Uma autoridade no assunto ofereceu ajuda aos pesquisadores.

sujeito verbo objeto objeto transitivo direto indireto direto e indireto

Principais preposições: a, ante, após, até, com, contra, de, desde, em, entre, para, por, sem,

sob, sobre.

1.Releia o trecho de “O céu de Ulisses” prestando atenção nos verbos destacados. “‘[...] O Sol sumiu do céu e uma escuridão funesta cobriu tudo!’

Vasculhando o texto do misterioso bardo cego, os astrônomos encontraram

referências à lua nova, condição básica para um eclipse total, às estrelas usadas por Odisseu para se orientar no retorno à casa e à aparição de Vênus na madru-gada logo antes da chemadru-gada em Ítaca.”

O TEXTO DRAMÁTICO 107

N O M u N D O D A O R A l I D A D E

Teatro

O texto dramático tem uma especificidade: mesmo sendo escrito, é produzi-do para ser falaproduzi-do. Sem a encenação não há teatro, e sim literatura dramática. Por esse motivo estudamos, ao longo deste capítulo, o gênero texto dramático, mas não o teatro, que é a arte de encenar, de trazer vida e emoção ao palco.

Neste momento, vamos dar início a um trabalho de teatralização de um dos textos escritos por vocês. Para isso, não basta passar do escrito para a oralidade, ou seja, não nos preocuparemos apenas com a transposição das linguagens, mas com a adequação da fala ao trabalho cênico. Propomos, então, alguns passos a vocês.

1.Formem um grupo com o número de personagens do texto escolhido e com um aluno a mais para ser o diretor da cena.

• Determinem quais serão os papéis de cada aluno na montagem da peça.

• Comecem os ensaios, treinando como cada fala poderia ser dita no palco.

• Considerem as rubricas para dar o tom e o sentido da frase na oralidade.

Para ajudá-los, pensem sobre a produção sonora que vocês deverão elaborar, o que também é uma autoria! Se o objetivo for usar uma fala mais artística, mais dramática, vocês estarão cuidando do que as pessoas que trabalham com teatro chamam de performance, ou seja, a qualidade artística da forma como cada um se apresenta. Vamos pensar sobre que performance vocês darão ao texto.

2.Para cuidar da performance, vocês deverão ensaiar fazendo adaptações para dar mais beleza à produção oral. Busquem, assim, treinar o tom e a voz que vocês vão querer dar a cada personagem:

• a mulher paciente que espera o marido: como será essa voz?

• o marido que vem, primeiro, chamar a atenção da mulher, mas que, depois,

vem para ficar ao lado dela: a voz dele será a mesma nas duas situações? O tom vai mudar?

• os pássaros em conflito: como será a voz deles? Que tom deve ser usado?

• os pássaros que se acalmam para ouvir os homens: a voz será a mesma da

primeira cena?

• os homens: como eles falarão quando estiverem com medo ou estiverem

esperançosos ou ainda quando apresentarem seu projeto?

3.Combinem uma data entre o professor e a classe para que o texto seja apresen-tado para a turma.

Rogério S oud/Arqui vo da editora CApÍtuloS De lÍnGuA e proDução De teXto A seção Conhecimentos linguísticos trabalha conceitos da língua com base na reflexão sobre os textos em estudo.

P r o d u ç ã o d e t e x t o

Poema

A palavra poesia pode muitas vezes ser empregada como sinônimo de poema, mas deve ficar claro que a poesia não é privilégio dos poemas: pode haver poesia em paisagens, fotos, filmes, livros, pinturas, situações, textos em prosa, etc. æ Observe a foto abaixo e identifique os elementos que, para você, são

responsá-veis por torná-la poética.

Em sua estrutura, um poema costuma ter versos e estrofes, mas essa forma não garante a existência do poema.

Para elaborar um poema, como qualquer gênero, além da estrutura, é preciso considerar a linguagem, que, nesse caso, é re-pleta de recursos poéticos. O poe-ma deve apresentar tepoe-mas volta-dos à expressão do “eu” e ter uma linguagem altamente cono-tativa (lembre-se de que conota-ção é o conjunto de sentidos de uma palavra que vão além do seu significado literal). Por essa razão, a metáfora, a antítese, a hipérbo-le e outras figuras de linguagem são fundamentais para a elabo-ração desse gênero, uma vez que nele a linguagem está a serviço da construção de imagens e de sentidos diversos. Observe, por exemplo, estes dois enunciados: Ú Penso tanto à noite que

per-co o sono. Ú “Meu pensamento em febre é

uma lâmpada acesa a incen-diar a noite.” (Henriqueta Lisboa) Os dois enunciados dão qua-se a mesma informação, mas as metáforas do segundo nos levam a formar imagens mentais inusi-tadas que intensificam o sentido do que é dito. Por isso é poético.

Simon Marcus/Corbis/Latinstoc

k

240 uNIdAde 5 Profusão de ImAgeNs e sIgNIfIcAdos Texto 1, Texto 2, Texto 3... No capítulo de

Língua e produção de texto, você vai ler textos dos mais diversos gêneros, e no de Literatura, textos representativos das diferentes escolas literárias. Na seção Interpretação do texto

você encontra atividades que vão guiar e complementar sua leitura na construção dos

sentidos do texto do capítulo.

Na Produção de texto são apresentados o gênero em estudo e propostas de atividades de produção que vão ajudar você a praticar a escrita para então produzir um texto autoral. Fechando o primeiro capítulo, a seção No mundo da oralidade apresenta o estudo de um gênero oral e uma proposta real de produção.

Unidade de abertura

10

Nesta unidade você estudará noções de literatura, língua e lin-guagem. Esses conhecimentos serão necessários para você realizar de maneira mais consciente as atividades propostas. Mas não só isso. Com essas noções você perceberá que a língua é um instru-mento que possibilita diferentes formas de comunicação.

Lalo

de Almeida/S

ambaphoto

Técnicos fazem ajustes na Praça da Língua do Museu da Língua Portuguesa, instalado no prédio da Estação da Luz, no centro da cidade de São Paulo. Utilizando diversas tecnologias e recursos interativos, a curadoria do museu busca promover a valorização deste nosso patrimônio imaterial: a língua portuguesa.

< Quadro de objetivos

11

Ao final desta unidade, verifique o que você aprendeu em relação aos seguintes objetivos:

Ú Sentir-se motivado(a) a refletir sobre características da arte e do fazer artístico.

Ú Diferenciar texto literário de texto não literário. Ú Distinguir poesia de prosa. Ú Verificar a influência da cultura na produção literária. Ú Compreender os conceitos de língua e linguagem. Ú Compreender o conceito de gênero textual. Ú Apreender o conceito de gênero literário e reconhecer os

diferentes gêneros existentes.

Rogério Soud/ Arquivo da editora

(7)

Barroco 253

Para entender

o B a r r o c o

Os dois textos lidos neste capítulo pertencem ao Barroco.

Barroco é o nome que se convencionou dar ao estilo da maioria

das obras (música, pintura, texto, projeto arquitetônico, escultura) criadas entre o fim do século XVI e meados do século XVIII, marcadas por uma retomada de elementos da concepção de mundo medieval, os quais, durante o Renascimento, haviam ficado encobertos pelo racionalismo e pelo antropocentrismo.

Dessa forma, assim como o Renascimento havia redescoberto os va-lores dos antigos gregos e romanos, o Barroco recuperava a religiosidade da Idade Média. Era, entretanto, uma religiosidade acompanhada de dúvidas e conflitos, pois não se podia ignorar todo o conhecimento e os avanços surgidos no Renascimento nem as mudanças econômicas e sociais. Na verdade, a arte barroca buscava fundir concepções de mundo opostas — a medieval (o ser humano sob o domínio da religião) e a classicista (o homem capaz de explicar o mundo racional-mente) —, e o resultado é que as obras dessa época expri-mem o conflito entre a fé e a razão, o divino e o humano, o espírito e o corpo. (Volte à página 244 e veja como as duas pinturas barrocas, A crucificação de são Pedro e

A descida da cruz, representam essa dualidade: os corpos

são musculosos e fortes, o que mostra influência da ideia renascentista de que o ser humano tem força e capacidade suficientes para assumir o domínio sobre seu destino; no entanto, o tema é religioso, herança da Idade Média.)

Para entender por que surgiu um estilo de arte que expressava os valores da Igreja católica, vamos conhecer um pouco do contexto histórico desse período.

a reforma Protestante

A Europa viveu uma importante disputa religiosa no século XVI. Até então, a Igreja pregara que o homem só alcançaria a salvação submetendo-se a uma série de rituais, entre os quais o pagamento de indulgências para “comprar” o perdão divino. Em 1517, o teólogo alemão Martinho Lutero denuncia, em suas 95 teses pre-gadas na porta da igreja do Castelo de Wittenberg, essa prática corrupta de vender o perdão e a passagem para o céu. Tem início, assim, o movimento chamado de Reforma Protestante, que pregava o poder do próprio indivíduo de chegar a Deus e obter o perdão e a salvação por meio da moral e da fé — e não por obras e pagamentos.

Reprodução/Galeria Uf

fizi, Florença, Itália.

A dúvida de São Tomé,

de M. Caravaggio. 1599. Óleo sobre tela, 107 cm × 146 cm. Palácio de Sans-Souci, Potsdam, Alemanha. Observe neste quadro o trabalho do artista com a luz, que se dirige toda para a ferida, no lado esquerdo da tela. Originalmente, a palavra barroco significava “pérola de superfície irregular”. Com o tempo, porém, passou a se aplicar à pintura, à escultura, a obras arquitetônicas rebusca-das, de muitas linhas curvas e formas contrastantes, que co-meçaram a tomar o lugar das obras classicistas. Mais tarde, o nome barroco foi atribuído a toda a cultura do período.

Everet

t Collection/K

eystone

Cena de Lutero, filme dirigido por Eric Till em 2003, na Alemanha, que conta a vida do teólogo Martinho Lutero.

216 UNIDADE 4 HISTÓRIAS DE QUEM VIAJA

o Bem (associado aos portugueses, à religião, a Deus) e o Mal (associado à língua tupi, aos costumes indígenas, aos franceses que tentavam tomar as terras portu-guesas). Esta é, certamente, uma visão eurocêntrica do mundo, isto é, que avalia o mundo de acordo com valores europeus. Leia a seguir um trecho desse auto.

Anchieta e Nóbrega na cabana de Pindobuçu, 1927. Benedito Calixto.

Obra do pintor paulista que viveu durante a passagem do século XIX para o XX. Observe que, assim como o pintor Oscar Pereira da Silva, Benedito Calixto também procura recriar por meio de sua pintura um momento histórico importante para o país, mas que não foi vivido por ele.

Reprodução Museu Paulista da USP, São Paulo, SP. O auto de São Lourenço

José de Anchieta

Primeiro ato

(Cena do martírio de São Lourenço) Cantam:

Por Jesus, meu salvador, que morre por meus pecados, nestas brasas, morro assado com fogo do seu amor. Bom Jesus, quando te vejo na cruz, por mim flagelado, eu por ti vivo e queimado mil vezes morrer desejo. Pois teu sangue redentor lavou minha culpa humana, arda eu pois nesta chama com o fogo do teu amor. O fogo do forte amor, ah, meu Deus!, com que me amas, mais me consome que as chamas e brasas, com seu calor. Pois teu amor, pelo meu tais prodígios consumou, que eu, nas brasas onde estou, morro de amor pelo teu. [...]

ANCHIETA, José de. O auto de São Lourenço. Rio de Janeiro: Ediouro, [s.d.].

Sintetizando nossas Primeiras manifestações literárias æCopie o esquema a seguir no caderno e complete-o com base no que foi estudado no capítulo.

a) Consideradas mais pelo valor histórico do que artístico, as★são importantes porque marcam o início de nossa literatura.

b) Não se trata ainda de uma literatura verdadeiramente brasileira, mas representa, pelo menos,

uma produção sobre★.

c) Os gêneros textuais comuns a esse período são★.

d) Gênero dos mais produzidos nas Primeiras manifestações literárias, os relatos de viagem★.

e)★são os textos mais importantes das nossas Primeiras manifestações literárias.

260 UNIDADE 5 ProfUsão DE ImAgENs E sIgNIfIcADos

T E x T o E c o N T E x T o

Leia mais um soneto de Gregório de Matos.

“Nasce o Sol, e não dura mais que um dia”

Gregório de Matos

Nasce o Sol, e não dura mais que um dia, depois da Luz se segue a noite escura, em tristes sombras morre a formosura, em contínuas tristezas a alegria. Porém se acaba o Sol, por que nascia? Se formosa a Luz é, por que não dura? Como a beleza assim se transfigura? Como o gosto da pena assim se fia? Mas no Sol, e na Luz, falte a firmeza, na formosura não se dê constância, e na alegria sinta-se tristeza. Começa o mundo enfim pela ignorância, e tem qualquer dos bens por natureza a firmeza somente na inconstância.

MATOS, Gregório de. In: MATOS, Gregório de. Obra poética. Org. James Amado. 3.ed. Rio de Janeiro: Record, 1992.

1.Inconstância é falta de continuidade, é instabilidade. Esse é o tema do poema e, para marcá-lo claramente, o autor usou um importante recurso linguístico: a antítese, que, embora já explorado no Classicismo por Luís Vaz de Camões, tornou-se uma das marcas da literatura barroca. Destaque da primeira estrofe os pares de palavras ou expressões que se opõem. 2.A segunda estrofe apresenta uma sequência de perguntas que revela um

impor-tante tema do barroco literário: 

a) a aceitação pacífica das mudanças que acontecem no mundo. b) o inconformismo do eu lírico com a efemeridade das coisas do mundo. c) a preferência do poeta pela escuridão e pela tristeza.

3.Copie no caderno apenas as alternativas que poderiam completar a frase a seguir. As duas últimas estrofes reforçam a ideia da inconstância e da transitoriedade “dos bens do mundo” por meio de alguns recursos, como 

a) a repetição da palavra firmeza.

b) o emprego de antíteses (“na alegria sinta-se a tristeza”, “a firmeza somente

na inconstância”).

c) o uso de expressões que negam a fixidez, a imutabilidade do mundo (“falte

a firmeza”, “não se dê constância”, “firmeza somente na inconstância”).

5 10 constância: continuidade, imutabilidade. transfigurar-se: converter-se, transformar-se. Alexandre Dubiela/Arqui vo da editora

262 UNIDADE 5 ProfUsão DE ImAgENs E sIgNIfIcADos

c o m P A r A N D o t E x t o s Você pensa que a preocupação com a efemeridade das coisas da vida é algo do passado? Pois saiba que até hoje os artistas produzem obras sobre esse tema. Leia a canção Como uma onda, de 1983, e perceba a mesma preocupação de séculos atrás.

Como uma onda

Nelson Motta e Lulu Santos

Nada do que foi será De novo do jeito que já foi um dia Tudo passa Tudo sempre passará A vida vem em ondas Como um mar Num indo e vindo infinito Tudo que se vê não é Igual ao que a gente viu há um segundo Tudo muda o tempo todo No mundo Não adianta fugir Nem mentir pra si mesmo Agora há tanta vida lá fora Aqui dentro sempre Como uma onda no mar

MOTTA, Nelson; SANTOS, Lulu. O ritmo do momento. São Paulo: WEA, 1983. Complete no caderno as frases das atividades a seguir.

1.Gregório de Matos, em seu soneto “Nasce o Sol, e não dura mais que um dia” (página 258), mostra, por meio de antíteses, a efemeridade da vida. Verifique a semelhança entre esse soneto e a canção “Como uma onda”.

1“Nasce o Sol, e não dura mais que um dia” (poema barroco) 2“Nada do que foi será de novo [...]” (canção contemporânea) 3“depois da Luz se segue a noite escura” (poema barroco) 4“Tudo que se vê não é igual ao que a gente viu há um segundo”

(canção contemporânea)

a) Na linha 1 da tabela acima, Gregório de Matos desenvolve a oposição entre nascer e morrer. Na linha 2, seguindo um estilo semelhante ao do poeta

barroco, Nelson Motta e Lulu Santos apresentam a oposição 

• dia × noite. • bem × mal.

• alegria × tristeza. • passado × futuro.

5

10

15

Alexandre Dubiela/Arqui

vo da editora

176 UNIDADE 3 UMA FORMA PARA A ARTE

E por falar em resolução de problemas... Assim como no mundo de hoje o avião, o computador e o telefone celular aproximam regiões distantes, no século XV as embarcações ligaram vários pontos do planeta e aproximaram povos. Sem embarcações potentes, que suportassem o mau tempo e longas distâncias, não teria havido as grandes navegações.

A técnica da construção naval e a ciência da navegação nasceram com estudos, com a observação e, principalmente, com a prática. E prática é o que não falta aos pescadores do Maranhão. De tanto saírem para o mar, conhecem como nin-guém a ciência da embarcação. Veja a seguir o projeto de uma embarcação co-mum nessa região, o casquinho.

Este projeto não foi elaborado por nenhum engenheiro naval, mas sim com base nos conhecimentos passados de geração em geração por homens simples que, de tanto navegar, conhecem essa ciência como ninguém.

Edson F

agaça (ilustrações) e

Albani R

amos (fotos)/Ed. Horiz

onte Geográfico Edson F agaça/Ed. Horiz onte Geográfico 316 PROJETO: ANTOLOGIA Antologia PROJETO 1o momento — Equipes

responsáveis pelos gêneros

A equipe de vocês já deve ter reunido as produções textuais mais significati-vas de cada gênero pelo qual está responsável. Resta agora planejar, em detalhes, como será a apresentação dos capítulos, isto é, da produção dos seis diferentes gêneros que se tornaram os capítulos da antologia.

Lembrem-se de pedir orientação ao professor nesse trabalho. Em grupos, leiam os textos guardados ao longo do ano. Decidam, segundo os critérios sugeridos a seguir, quais representariam bem o grupo e a proposta de trabalho.

Critérios para a escolha dos textos Ú

Ú Os textos escolhidos são bons representantes do gênero do capítulo, isto é, eles têm estrutura, estilo e tema adequados?

Ú

Ú Os textos se destacam? Encantam? Chamam a atenção do leitor? Ú

Ú O leitor compreende as informações veiculadas por esses textos? É possível per-ceber a intenção dos autores (por exemplo: de gerar ironia, crítica, etc.)? Ú

Ú Os textos conseguem filtrar informações, isto é, não há exagero na quantidade de citações? Não há excesso de temas, assuntos, situações? Tomada essa decisão, elaborem um texto de apresentação de cada capítulo. Informem:

Ú Ú qual é o gênero trabalhado;

Ú Ú quais são os temas tratados;

Ú

Ú qual foi o contexto de produção desses textos. Enfim, expliquem ao leitor da antologia como foi o processo vivenciado por vocês para que chegassem ao capítulo que ele vai ler.

Sigam, agora, o próximo passo e deem uma olhada nos modelos apresentados.

2o momento — Organização de

outras partes da antologia

Assim que os capítulos estiverem prontos, vocês devem montar a antologia. Como se trata de um livro, ela precisará de capa, contracapa, sumário e uma apresentação geral da proposta que levou vocês a sua produção final.

Em grupos, observem alguns modelos de capa, contracapa, sumário e apre-sentação. Com base neles, pensem em como vocês produziriam esses elementos na antologia da classe.

322 ORTOGRAFIA E OUTRAS QUESTÕES

Ortografia e outras questões

I. OS dITOnGOS nA lInGUAGEm ORAl

O linguista alemão Edward Sapir propôs, em 1921, uma tese mostrando que há mudanças previsíveis na língua. Veja a opinião de Sírio Possenti, professor associado do Departamento de Linguística da Unicamp, a respeito de algumas mudanças no português do Brasil.

Deriva?

Sírio Possenti

Uma das poucas coisas que se sabem com absoluta segurança sobre as línguas é que, aconteça o que acontecer, nenhuma será no futuro como é hoje. Ou seja, é certo que as línguas mudam. As variações que podem ser facilmente observadas são sua origem e seu mais forte sintoma.

Vejamos um exemplo: coexistem formas como [peixe] e [pexe], [outro] e [otro]. A queda da semivogal (i, u) implica a eliminação de ditongos. Mas o fenômeno não é linear; obedece a certas restrições que levam em conta uma relação entre a semivo-gal e a consoante que a segue. Por exemplo, ocorre [otro] (outro), mas não [oto] (oito). Ou seja, o /u/ cai antes de /t/, mas o /i/ não.

[...]

Uma boa pergunta é se todos os ditongos que hoje concorrem com sua variante desaparecerão. É difícil ter certeza, mas o que ocorre em línguas da mesma família pode ser uma indicação, embora não uma garantia absoluta. Observe-se que, em espanhol, a forma exclusiva é otro, já sem concorrência, sem contar ocho. Em francês, embora a

escrita seja autre, a pronúncia é [otr(e)], exatamente como no popular [otoridade].

[...]

POSSENTI, Sírio. Disponível em: <http://cienciahoje.uol.com.br/colunas/palavreado/deriva/>. Acesso em: 19 out. 2012. Sumário

I. Os ditongos na linguagem oral 320

II. Acentuação das oxítonas, sílaba tônica e linguagem oral 323

III. Acentuação das paroxítonas e das proparoxítonas aparentes 326

IV. Acentuação das proparoxítonas / Uso do x 328

V. Palavras parônimas e ampliação de vocabulário 329

deriva: teoria proposta por Edward Sapir, em 1921, com base na análise de um caso de variação do inglês. Nessa tese, Sapir sustenta que haveria uma tendência geral das línguas para determinadas mudanças, as quais poderiam ser previsíveis.

Este ícone indica Objetos

Educacionais Digitais relacionados aos conteúdos do livro.

projeto AnuAl O Projeto, apresentado logo no início do livro, concretiza no final do ano a proposta de dar circulação social às suas produções de texto. CApÍtuloS De lIterAturA

O período literário em destaque é apresentado na seção Para entender o..., na qual você encontra uma breve síntese do contexto histórico que propiciou as produções literárias estudadas.

Na seção Sintetizando..., você é convidado a registrar o que aprendeu a fim de consolidar os conhecimentos adquiridos.

Nas seções Texto e contexto e

Comparando textos são apresentadas novas questões de interpretação tanto de um dos textos representativos da estética literária estudada quanto de textos de diferentes épocas.

Fechando o capítulo de Literatura, a seção E por falar em... apresenta uma proposta de reflexão ou de ação prática sobre os diversos temas abordados.

CADerno De ortoGrAFIA O caderno Ortografia e outras questões traz atividades de reconhecimento e de aplicação de certas regras de ortografia e de acentuação para que você as utilize quando precisar.

(8)

projeto: AntoloGIA 8

unIDADe De AberturA 10

linguagem e língua 12

Linguagem e língua em uso 13 Gêneros discursivos 17 No mundo da oralidade 20

A apresentação pessoal 20

literatura: arte com palavras 22

Arte: continuidade e ruptura 23 Introdução ao estudo da literatura 26

Literatura: legado e ruptura 26 Texto literário e texto não literário 27 Para ler o texto literário 30

Poesia e prosa 30 A conotação 31 Literatura e cultura 33 Gêneros literários 35

unIDADe 1 – trovAS e trovADoreS 38

língua e produção de texto – A literatura de cordel 40

Texto 1. A peleja do cérebro com o coração, Marcus Lucenna 41

Texto 2. Aos poetas clássicos, Patativa do Assaré 46 Conhecimentos linguísticos 49 Variedades linguísticas 49 Produção de texto 58 Cordel 58 No mundo da oralidade 62 Sarau de cordéis 62 literatura – trovadorismo 65

Texto 1. Cantiga de amor, D. João Soares Coelho 67

Texto 2. Cantiga de amigo, D. Sancho I 69

Texto 3. Cantiga satírica, Joan Garcia de Guilhade 70 Para entender o Trovadorismo 71

Organização social 71

Portugal: a formação do reino 72 As cantigas trovadorescas 73

A influência provençal 74

Cantigas de amor 74

Cantigas de amigo 75

Cantigas de escárnio e de maldizer 75

Novelas de cavalaria 75

Texto e contexto 77

Cantiga de Amor, Nuno Fernandez Torneol 78

Comparando textos 79

O marruêro, Catulo da Paixão Cearense 79

E por falar em cantigas... 81 Painel sobre violeiros 82

unIDADe 2 – A humAnIDADe em CenA 84

língua e produção de texto – o texto dramático 86

Texto 1. Lisbela e o prisioneiro, Osman Lins 87

Texto 2. Off: uma história de teatro, Manoel Carlos 92

Conhecimentos linguísticos 95 A frase 95

Elementos que constroem a coesão do texto 95

Linguagem oral x linguagem escrita 98

Produção de texto 102 Texto teatral 102

No mundo da oralidade 107 Teatro 107

literatura – humanismo 109

Texto 1. Inferno, Dante Alighieri 111

Texto 2. Auto da barca do inferno, Gil Vicente 113 Para entender o Humanismo 117

A Europa ocidental se transforma 117 O Humanismo em Portugal: Fernão Lopes 119 A poesia humanista 120

O teatro vicentino 121 Texto e contexto 122

Auto da barca do inferno (trecho II), Gil Vicente 122

Comparando textos 124

Alceste, Eurípedes 124

Auto da barca do inferno, Gil Vicente 125 Auto da Compadecida, Ariano Suassuna 125

E por falar em teatro vicentino... 128

Palco londrino recebe texto de brasileiro,

Rodrigo Russo 128

unIDADe 3 – umA FormA pArA A Arte 132

língua e produção de texto – o soneto 134

Texto 1. Vaidade, Florbela Espanca 136

Texto 2. Soneto XXXII, Guilherme de Almeida 140

Texto 3. Soneto arejado, Glauco Mattoso 142 Conhecimentos linguísticos 143

Figuras de sintaxe: anáfora, anacoluto e hipérbato 143 Produção de texto 150

Soneto 150

No mundo da oralidade 153 A oralização do poema 153

literatura – Classicismo 155

Texto 1. Os lusíadas, Luís Vaz de Camões 158

Texto 2. “Coitado! que em um tempo choro e rio”, Luís Vaz de Camões 161

Texto 3. “Tanto de meu estado me acho incerto”, Luís Vaz de Camões 163

Para entender o Classicismo 164 O Classicismo em Portugal 164 O mundo se amplia 165

Características do Classicismo 165

Resgate dos modelos greco-romanos 165

Racionalismo e antropocentrismo 166

As descobertas 166 Luís Vaz de Camões 167

Poesia épica 167

Forma 167

Conteúdo 168

Poesia lírica 169

Texto e contexto 171

“Vida da minha alma”, Luís Vaz de Camões 171

Comparando textos 172

Os lusíadas, Luís Vaz de Camões 172 O mostrengo, Fernando Pessoa 173

E por falar em resolução de problemas... 176 Projeto para uma invenção 176

(9)

Unidade 4 – Histórias de qUem viaja 178

Língua e produção de texto – O relato de viagem 180

Texto 1. O que a guerra me ensinou, Maria Fernanda Vomero 182

Texto 2. A pé com Lao-tsé, Sérgio Branco 188 Conhecimentos linguísticos 191

Tipos de sujeito 191

Usos do sujeito na construção da coesão 192

A clivagem 194

Produção de texto 198

O relato de viagem e o relato de experiência (ou pessoal) 198

No mundo da oralidade 202 Depoimento 202

Literatura – Primeiras manifestações literárias no Brasil 205

Texto 1. Carta de Pero Vaz de Caminha, Pero Vaz de Caminha 207

Texto 2. Tratado da terra do Brasil, Pero de Magalhães Gândavo 212

Para entender nossas Primeiras manifestações literárias 213 Autores e obras 213

Os relatos de viagem — a literatura de informação 213

Pero Vaz de Caminha 213

A literatura de catequese 214

Padre Anchieta 214

Teatro evangelizador 215

Texto e contexto 217

Carta ao Padre Geral, José de Anchieta 217

Comparando textos 218

Não adianta ficar reclamando, é preciso fazer acontecer!, Waldemar Niclevicz 218

Milagre nos Andes, Nando Parrado 219

E por falar em viagens… 221 Influência de outras culturas 221

Unidade 5 – PrOfUsãO de imagens e significadOs 224

Língua e produção de texto – O poema 226

Texto 1 - Amor, Adélia Prado 227

Texto 2 - A mulher que passa, Vinicius de Moraes 230 Conhecimentos linguísticos 232

Figuras de linguagem: metáfora, hipérbole e antítese 232 Produção de texto 240

Poema 240

No mundo da oralidade 243 Apresentação oral 243

Leitura para benefício de todos 244

Literatura – Barroco 246

Texto 1. “Anjo no nome, Angélica na cara!”, Gregório de Matos 248

Texto 2. Sermão do bom ladrão (ou da audácia), Padre Antônio Vieira 250

Para entender o Barroco 253 A Reforma Protestante 253

Contrarreforma: a resposta católica 254

Em Portugal 254

Características da literatura barroca 255 Contrastes 255

Descontentamento 255

Estilo trabalhado 256

As correntes do Barroco 256

Cultismo — predomínio na poesia 256

Conceptismo — predomínio na prosa 256

O Barroco no Brasil 256

Autores barrocos em língua portuguesa 257 Padre Antônio Vieira (Portugal e Brasil) 257

Mariana Alcoforado (Portugal) 257

Frei Luís de Sousa (Portugal) 258

Gregório de Matos (Brasil) 258

Texto e contexto 260

“Nasce o Sol, e não dura mais que um dia”,

Gregório de Matos 260

Da brevidade enganosa da vida,

Luis de Gôngora 261 Comparando textos 262

Como uma onda, Nelson Motta e Lulu Santos 262

E por falar em contrastes... 263

Unidade 6 – ciência e emOçãO 266

Língua e produção de texto – O texto jornalístico de divulgação científica 268

Texto 1. O céu de Ulisses, Marcelo Gleiser 269

Texto 2. Por que é difícil terminar uma relação?, Suzana Herculano-Houzel 273

Conhecimentos linguísticos 276 Complementos verbais 276 Produção de texto 283

O texto jornalístico de divulgação científica 283 No mundo da oralidade 291

A exposição oral 291

Literatura – arcadismo 293

Texto 1. Marília de Dirceu (Lira 27), Tomás Antônio Gonzaga 294

Texto 2. Marília de Dirceu (Lira 34), Tomás Antônio Gonzaga 297

Texto 3. Imprecações contra uma ingrata, Bocage 300 Para entender o Arcadismo 301

Europa: mentes iluminadas 302 O Iluminismo 302

Portugal: um momento de efervescência cultural 302

O contexto no Brasil 303 O ouro brasileiro 303

A Inconfidência Mineira 303

Características da produção árcade 304 Neoclassicismo 304

Visão racional 305

Pastoralismo 305

Simplicidade 306

Espontaneidade 306

Autores árcades em Portugal e no Brasil 306 Bocage 306

Cláudio Manuel da Costa 307

Tomás Antônio Gonzaga 307

Os épicos árcades 308

O Uraguai 308 Caramuru 308

Texto e contexto 309

“Olha, Marília, as flautas dos pastores”, Bocage 309

Comparando textos 310

O mundo é um moinho, Cartola 310

Marília de Dirceu (Lira 34), Tomás Antônio Gonzaga 311

E por falar em carpe diem... 313

Consequências das atitudes no futuro 314 PrOjetO: antOLOgia 316

OrtOgrafia e OUtras qUestões 322 BiBLiOgrafia 335

(10)

Vivemos cercados dos mais diversos gêneros textuais. Cartazes, anúncios

publicitários, legendas de fotografia, sinopses de filme, letras de música, conver-sas, telefonemas, posts em sites de relacionamento... Assim, estudá-los na escola,

por meio da observação e da análise, é um momento importantíssimo para nos-so desenvolvimento como cidadãos participativos.

Não podemos nos afastar da leitura nem da produção desses mais diversos gêneros de textos para efetivar nossa participação social. Por isso, ao longo do Ensino Médio, você vai conhecer diferentes modelos textuais. Você vai ler vários textos, discutir sobre eles e conhecer maneiras de estruturar esses textos para, então, produzi-los.

E esse é um momento particularmente interessante, pois você se tornará o autor desses textos após um processo de muita leitura e reflexão linguística. Ao assumir a voz do autor, você exerce um papel social significativo: o de men-sageiro de sentidos. Sendo assim, não há por que não divulgar essas produções textuais.

Para isso, convidamos você a pensar na circulação desses textos, isto é, nos leitores de um material que será elaborado com muito empenho e cuidado! Como o professor não pode ser o único a ler os textos escritos por você, vamos organi-zar uma antologia do que será produzido ao longo deste ano.

Em todas as unidades do livro há muitas propostas de produção textual, e o obje-tivo é que elas sejam lidas não só pelo professor, mas que atravessem os muros das escolas e cheguem à comunidade. Por esse motivo, vamos dar início à organização dessa antologia agora mesmo!

mas o que é uma antologia?

Trata-se da reunião de textos escolhidos e publicados a partir de diferentes

propostas: tanto para a divulgação de novos autores e de suas produções quan-to para a apresentação ao público atual da produção de algum auquan-tor ou grupo

de outra época.

Conheça algumas antologias antes de darmos início ao trabalho. Para isso, você pode consultar os livros sugeridos a seguir.

Ú Antologia do cordel brasileiro. Coordenação de Marco Haurelio. São Paulo: Global, 2012.

Ú Antologia do teatro brasileiro. Organização de Alexandre Mate e Pedro Mo-ritz Schwarcz. São Paulo: Penguin Classics/Companhia das Letras, 2012. Ú Boa companhia: poesia. Vários autores. São Paulo: Companhia das Letras, 2003. Ú Poesia fora da estante, volume 2. Organização de Vera Aguiar et al. Porto

Alegre: Projeto, 2002.

Antologia

(11)

Há ainda antologias disponíveis para leitura na internet e algumas que são, de fato, digitais (com vídeos, textos, imagens, áudios).

Veja algumas sugestões: • Antologia de poemas

<www.letras.ufmg.br/vivavoz/data1/arquivos/poemastrabalhadores-site.pdf>. • Antologia de relatos de viagem

<www.veleiro.net/livrodebordo/relatosdeviagens.htm>. • Antologia de diferentes gêneros

<www.oinstituto.org.br/enter/enter.html>.

A classe deverá ser dividida em seis equipes para esse trabalho, e cada equipe será responsável pela organização de um capítulo da antologia. Os capítulos serão divididos de acordo com o gênero estudado em cada unidade deste livro: seis gê-neros trabalhados, seis equipes, seis capítulos da antologia.

Pronto, vamos ao trabalho?

Equipe 1 UnidAde 1 Trovas e trovadores • Gênero: Cordel Equipe 2 UnidAde 2 A humanidade em cena • Gênero: Teatro Equipe 4 UnidAde 4

Histórias de quem viaja • Gênero: Relato de viagem

Equipe 3

UnidAde 3

Uma forma para a arte • Gênero: Soneto

Equipe 5

UnidAde 5

Profusão de imagens e significados • Gênero: Poema

Equipe 6

UnidAde 6

O poder do mito e da razão • Gênero: Mito

E então? Seu grupo está definido? Vocês já sabem qual será o trabalho da equipe no projeto?

Depois de terem decidido qual a unidade de trabalho que ficou a cargo de vocês, fiquem atentos: lembrem-se de que deverão recolher e guardar, para usar

na antologia, as produções de texto de todos os componentes do grupo e também

as produções de colegas de outras equipes sobre as quais vocês tenham interesse. Por ora, é isso! As orientações para a organização da antologia serão dadas após o término da Unidade 6. Caso já estejam empolgados, vocês podem ir até o final do livro e ler as orientações. Para facilitar a organização do trabalho, reco-mendamos que essa leitura seja feita com alguma antecedência.

(12)

Unidade de

abertura

Nesta unidade você estudará noções de literatura, língua e

lin-guagem. Esses conhecimentos serão necessários para você realizar

de maneira mais consciente as atividades propostas. Mas não só

isso. Com essas noções você perceberá que a língua é um

instru-mento que possibilita diferentes formas de comunicação.

Lalo

de Almeida/S

ambaphoto

Técnicos fazem ajustes na Praça da Língua do Museu da Língua Portuguesa, instalado no prédio da Estação da Luz, no centro da cidade de São Paulo. Utilizando diversas tecnologias e recursos interativos, a curadoria do museu busca promover a valorização deste nosso patrimônio imaterial: a língua portuguesa.

(13)

<

Quadro de

objetivos

Ao final desta unidade, verifique o que você aprendeu em

relação aos seguintes objetivos:

Sentir-se motivado(a) a refletir sobre características da arte e

do fazer artístico.

Diferenciar texto literário de texto não literário.

Distinguir poesia de prosa.

Verificar a influência da cultura na produção literária.

Compreender os conceitos de língua e linguagem.

Compreender o conceito de gênero textual.

Apreender o conceito de gênero literário e reconhecer os

diferentes gêneros existentes.

Rogério Soud/ Arquivo da editora

(14)

LíNgUA E pRoDUção DE TExTo

Linguagem

e língua

p A R A C o m E ç A R

1. Observe os quadrinhos a seguir.

No último quadrinho há um balão com a seguinte fala: “Todo mundo tem. Qual é o seu?”.

Na frase “Todo mundo tem” falta um complemento, o qual dá sentido a toda a história. É possível sugerir algumas possibilidades de complemento, mas outras não poderiam ser aceitas.

a) Copie no caderno as possibilidades a seguir que poderiam complementar a frase “Todo mundo tem”,

garantindo a coerência e o sentido geral da história em quadrinhos.

um trator.

um sonho.

um desejo.

um vestido de noiva.

um time do coração.

b) Explique por que você escolheu algumas das opções indicadas no item a e por que não escolheu as

outras.

c) O contexto foi importante para suas escolhas? Se as imagens fossem retiradas dessa história, seria

possível entender o contexto apenas lendo as palavras do balão de fala? Explique sua resposta.

BÁ, Gabriel; Moon, Fábio. Quase nada. Disponível em: <http://10paezinhos.blog.uol.com.br/arch2012-07-01_2012-07-31.html#2012_07-02_13_47_23-2677714-25>.

Acesso em: 16 jul. 2012.

> Interdisciplinaridade com: História. Gabriel Bá e F ábio Moon/Acerv o dos car tunistas

Atenção: Não escreva

No livro. Faça as atividades No caderNo.

(15)

2. Leia este trecho de uma canção.

Palavras

Marcelo Fromer e Sérgio Britto

a) Em quais versos o eu lírico transmite a ideia de que palavras soltas, isoladas

de um contexto, não têm um valor em si? Converse com seus colegas e es-colha três deles.

b) Segundo a letra da canção, quando é que as palavras passam a ter

im-portância?

Linguagem

E L í N g U A E m U s o

1. Leia os textos a seguir e, depois, compare-os.

Texto em inglês

Julia Roberts’ most famous film was probably Pretty Woman, a love story in

which she played a young girl with a sweet character. Yet Julia Roberts has a

reputation in Hollywood for being “difficult” and for this reason her latest role

is perhaps more appropriate: she plays the Evil Queen in Mirror, mirror, a comic

adaptation of the Grimm Brothers fairy tale, Snow White. […]

The evil queen. Revista Speak Up. Disponível em: <www.speakup.com.br/index.php/mat2011/mat298.html>. Acesso em: 2 jul. 2012. Tradução literal

Julia Roberts o mais famoso filme foi

provavelmen-te Bonita mulher, um amor história em que ela

desem-penhado uma jovem menina com um doce caráter. No

entanto, Julia Roberts tem uma reputação em

Hollywood por sendo “difícil” e por esta razão sua mais

recente papel é talvez mais apropriado: ela desempenha

o Mal Rainha em Espelho, espelho, um cômico

adapta-ção de o Grimm Irmãos fadas conto, Neve Branca. [...]

Texto adaptado a partir de tradução digital instantânea.

eu lírico: voz que fala

em um poema, que pode ser a do próprio poeta ou a de uma personagem criada por ele.

Palavras não são más

Palavras não são quentes

Palavras são iguais

Sendo diferentes

Palavras não são frias

Palavras não são boas

Os números pros dias

E os nomes pras pessoas

Palavras eu preciso

Preciso com urgência

Palavras que se usem

Em casos de emergência

Dizer o que se sente

Cumprir uma sentença

Palavras que se diz

Se diz e não se pensa

Palavras não têm cor

Palavras não têm culpa

Palavras de amor

Pra pedir desculpas

[...]

FRoMeR, Marcelo; BRiTTo, Sérgio. Titãs. Õ blésq blom, WeA, 1989. 1 CD. Faixa 5.

Daniel

Araújo/Arqui

v

(16)

a) Dê sua opinião sobre a tradução literal do texto.

b) Refaça a tradução de forma que todas as frases tenham sentido e o texto se

torne mais fluente.

c) Acreditamos que sua versão tenha ficado melhor que a apresentada no

qua-dro. Isso aconteceu porque 

você traduziu as palavras com mais precisão, conservando a estrutura da

língua inglesa.

você adaptou as frases às estruturas possíveis na língua portuguesa.

você não gosta de inglês, por ser uma língua de estrutura simples, e quis

mostrar a riqueza do nosso idioma.

2. Leia uma notícia publicada em 1849 no Diário de Pernambuco.

Furtarão o anelão

No dia 3 do prezente mez, na

guarda municipal, perdeo-se, ou

fur-tarão do dedo de um dos indivíduos,

quando dormia, que estava de guarda

no mesmo lugar um anelão de ouro,

todo lavrado, e com dous corações

unidos dentro do círculo posto no

lu-gar em qáele bota firma: pede se a

quem for offerecido que não o

com-pre; pois pretende-se proceder contra

a pessoa em cujo se achar. Assegura-se

ao Snr. que está deposse do dito

ane-lão, que se o restituir se lhe guardará

segredo da graça, ou antes da fraqueza,

em que cahio. A pessoa que trocar o

referido anelão nesta Typ. receberá

4$rs de gratificação.

DiÁRio de Pernambuco, 21 ago. 1849. in: MARCuSChi, luiz Antônio. Produção textual, análise de gêneros e compreensão. São Paulo: Parábola editorial, 2008.

Em inúmeros aspectos, a linguagem utilizada nessa notícia se diferencia da lin-guagem empregada em uma notícia atual. Isso porque a língua varia ao longo do tempo e de acordo com os diferentes grupos que a utilizam. Levante ao menos cinco exemplos que diferenciam a variedade linguística atual da usada nessa notícia de 1849, depois registre-os no caderno.

A notícia de 1849 foi escrita com um padrão e um uso da língua diferen-tes do que temos hoje e, de fato, é por meio da observação dessa língua em uso que ficamos conhecendo os costumes, os valores, a organização social dos diversos grupos, em diferentes épocas.

3. Leia agora esta notícia de 2012, que tem um tema parecido com o da notícia

da atividade 2.

Mulher furta anel de R$ 4 mil em joalheria de Curitiba

Enquanto conversava com a vendedora, jovem loira escondeu o

objeto na manga da camisa

Heliberton Cesca

Uma mulher de cabelos loiros

fur-tou nesta semana um anel de 

R$ 4 mil em uma joalheria do Shopping

Água Verde, em Curitiba. Enquanto

conversava com a vendedora, a moça

conseguiu esconder a joia na manga do

braço direito da camisa que ela usava,

e sem que o movimento fosse notado.

(17)

O caso aconteceu na última terça-feira

(14), mas a loja só percebeu a falta do

anel no dia seguinte, e nesta

quinta--feira (16) um Boletim de Ocorrência

(BO) foi registrado na Delegacia de

Furtos e Roubos.

Uma das sócias da joalheria, que

não quis se identificar, explicou que

o anel é de ouro amarelo com uma

pedra de diamante. Segundo ela, só

foi notada a falta da joia durante a

montagem de um mostruário no dia

seguinte. Questionada pela direção da

joalheria, a vendedora disse que nem

lembrava ter mostrado o anel para a

loira. “Fui ver as imagens no circuito

(interno de segurança) e dá para ver

perfeitamente vários anéis sobre a mesa

e, enquanto a vendedora anotava o

preço em um cartão, ela escondeu o

anel”, diz a sócia.

Para a empresária, a mulher entrou

determinada a cometer o furto. A sócia

acredita nisso porque, durante o

tem-po em que ficou na loja, ela olha para

as câmeras de segurança em vários

mo-mentos. Depois de pegar a joia, a

mu-lher devolveu outra que estava em sua

mão direita. Após isso, ela saiu

rapi-damente. “Ela ficou mais de 20

mi-nutos na loja e depois que colocou o

anel na manga ela devolve outro anel

que estava na outra mão.”

[...]

CeSCA, heliberton. Gazeta do Povo. Curitiba, 17 fev. 2012. Disponível em: <www.gazetadopovo. com.br/vidaecidadania/conteudo.phtml?id=1224711>. Acesso em: 12 jul. 2012. Material cedido pela

editora Gazeta do Povo S.A.

É possível perceber como as notícias das duas épocas são diferentes não só em relação às palavras, mas também às formas escritas. Por meio do uso da língua e da própria linguagem dos textos, percebemos detalhes de sua construção. Sobre isso, responda no caderno:

a) Em que tempo estão os verbos nos títulos das duas notícias?

b) Que tempo verbal é mais encontrado nos títulos das notícias hoje em dia?

Se preferir, pesquise em jornais da atualidade antes de responder.

c) Qual dos dois títulos possui mais informações? Explique sua resposta.

4. Nas primeiras orações da notícia de 1849, o trecho “perdeo-se, ou furtarão”

indica-nos o que o jornalista, em nome da sociedade, pensa do grupo em que vive e sobre o fato que relata. Explique essa afirmação.

5. O jornalista do texto “Furtarão o anelão” faz dois apelos em relação ao furto

do anel, visando convencer a pessoa que está com ele. Que apelos são esses?

6. O conteúdo do texto “Furtarão o anelão” nos permite identificar certos hábitos

da sociedade pernambucana de 1849. Destaque as informações que revelam atitudes e valores morais que talvez caracterizassem o comportamento dessa época.

7. As duas notícias, a de 1849 e a de 2012, não só se diferenciam em relação à

ortografia, mas também em relação aos objetivos. Compare-as e responda às questões a seguir.

a) Quais são os objetivos de cada um dos textos?

b) Por que a descrição do objeto do furto é mais detalhada em um dos textos? c) Há uma característica comum às vítimas no momento do furto. Que

(18)

SChulZ, Charles M. Peanuts: obra completa – 1953-1954. Porto: Afrontamento, 2005. p. 56.

8. Leia este trecho de um artigo do linguista Marcos Bagno.

[...] como nada na língua é por acaso, então toda e qualquer manifestação

linguística está sujeita a regras e tem sua lógica interna: não há razão para atribuir

maior ou menor valor à forma linguística A ou à forma linguística B. Seria algo

tão inaceitável quanto um zoólogo achar que as borboletas têm mais valor do que

as joaninhas e que, por isso, as joaninhas devem ser eliminadas... Para o cientista

da linguagem, toda manifestação linguística é um fenômeno que merece ser

es-tudado, é um objeto digno de pesquisa e teorização, e se uma forma nova

apare-ce na língua, é preciso buscar as razões dessa inovação, compreendê-la e

explicá--la cientificamente, em vez de deploráexplicá--la e condenar seu emprego.

[...]

BAGno, Marcos. Os puristas e a mentira do “vale-tudo”. Disponível em: <http://marcosbagno.com.br/site/?page_id=453>. Acesso em: 2 jul. 2012.

Segundo o linguista, podemos concluir que 

a) todos os fenômenos da língua já foram pesquisados e comprovados

cientifi-camente.

b) é possível estudar e procurar a explicação para qualquer manifestação

lin-guística, seja ela popular, seja erudita.

c) as regras gramaticais é que determinam o funcionamento da língua.

9. Comunicamo-nos o tempo todo, consciente ou inconscientemente. Assim,

nos-sa forma de agir, nosnos-sa postura corporal, nossos gestos, nosnos-sa fisionomia, nosnos-sas roupas são “lidas” pelas pessoas de alguma maneira, em um processo de co-municação do qual nem sempre temos consciência.

Vamos treinar a leitura de uma linguagem não verbal? Observe os quadrinhos.

Charles M. S chulz/© 20 09 United Media/Ipress 1 2 3 9 10 11 12 13 14 4 5 6 7 8

(19)

a) Observando as imagens, sabemos que Lucy está aborrecida porque perdeu

seu balão. Agora leia o que não está escrito em palavras e crie falas em seu caderno que preencham adequadamente os balões.

b) Entre os quadrinhos 8 e 13 há imagens que praticamente se repetem. Por quê? c) No último quadrinho, vemos que os braços abaixados, os ombros projetados

para a frente, as sobrancelhas cerradas e a boca expressam o sentimento final de Lucy. Escreva no caderno a palavra que melhor expressa esse estado de ânimo da menina.

desânimo

raiva

tristeza

d) Explique por que as outras duas palavras lidas no item c não exprimiriam bem

o sentimento da personagem.

Qualquer sistema empregado na intercomunicação social é conside-rado linguagem, seja ele formado por palavras — linguagem verbal —, seja por outros elementos, como gestos, imagens, cores, etc. — linguagem

não verbal. A linguagem é matéria do pensamento e também um

instru-mento para a interação entre as pessoas. Não há sociedade sem linguagem, sem comunicação.

Já à tradição linguística de uma comunidade denominamos língua, que

é o conjunto das palavras usadas por essa comunidade e das regras para seu emprego. Todas as línguas sofrem variações ao longo do tempo. Por exemplo, o português falado no começo do século XX tem diferenças em relação ao que falamos hoje.

gêneros discursivos

Observe a forma de cada texto apresentado a seguir. Leia todos eles e preste

aten-ção à linguagem empregada, à composiaten-ção estrutural e à finalidade de cada um, ou seja, para que foram escritos. Em seguida, responda às questões.

Arthur Verocai

Embora não muito conhecido no país, o músico Arthur Verocai está entre os

com-positores brasileiros bastante respeitados na Europa, especialmente por ter influenciado

o hip-hop alternativo. Seu vinil homônimo, de 1972, é considerado um clássico cult.

ReviSTA DA CulTuRA. edição 58. São Paulo, maio 2012.

B

GonSAleS, Fernando. níquel náusea. Folha de S.Paulo, 4 jun. 2012. ilustrada, p. e9.

A

<

Conclusão

F ernando Gonsales/Acerv o do car tunista

(20)

Snoopy 5 – Posso fazer uma pergunta, professora?

Está de volta às livrarias brasileiras a tira mais popular do mundo dos quadrinhos:

Peanuts. Publicada pela primeira vez em 1950, traz como personagem principal

Charlie Brown, um menino inteligente e um tanto melancólico, cujo sonho é

orga-nizar um time de beisebol; ele é o dono de Snoopy, um cão da raça beagle cheio de

imaginação. Lucy, Linus, Sally, Schroeder, Patty Pimentinha, Marcie e o passarinho

Woodstock completam a cativante turma. As tiras de Charles M. Schulz foram

pu-blicadas diária e ininterruptamente por quase 50 anos – o que nunca aconteceu com

nenhuma outra HQ – e chegaram a figurar em 2,6 mil jornais, atingindo um

públi-co de 355 milhões de leitores em 75 países e 40 línguas.

SnooPY 5: Posso fazer uma pergunta, professora?. Disponível em: <www.lpm-editores.com.br/site/default. asp?Template=../livros/layout_produto.asp&CategoriaiD=645528&iD=734647>. Acesso em: 2 jul. 2012.

Poeminha do contra

Mario Quintana

Todos esses que aí estão

Atravancando o meu caminho,

Eles passarão...

Eu passarinho!

QuinTAnA, Mario. Caderno H. São Paulo: Globo, 2006. p. 107. © by elena Quintana.

1. Vamos agrupar os textos.

a) Copiem as tabelas a seguir no caderno e dividam os textos em grupos

levan-do em conta apenas o formato e a linguagem. Vocês poderão considerar diferentes características para a divisão; portanto, indiquem nas tabelas quan-tos grupos textuais acharem necessários.

D

E

SChulZ, Charles M. Posso fazer uma pergunta, professora?. Porto Alegre: l&PM, 2011.

C

FormATo

Grupo textual 1 Grupo textual 2 ...

LinGuAGEm

Grupo textual 1 Grupo textual 2 ...

b) Elaborem uma justificativa para a divisão que vocês fizeram.

c) Agora, considerem como características de um mesmo grupo de textos a

composição (formato), a linguagem e a situação em que são produzidos e, em seguida, nomeiem esses modelos textuais de acordo com a opinião de vocês.

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2. Em grupo, observem a situação descrita a seguir.

Situação

Sala de aula, professor de História falando sobre a Pré-História. Ele divi-de a sala em grupos e distribui um tema para cada grupo. Os alunos terão de apresentar para a classe e para o professor as informações encontradas na pesquisa que farão sobre o tema que coube ao grupo.

Converse sobre o tema com os colegas do grupo para decidir que gênero de

texto será o mais adequado, no contexto indicado, para apresentar as informa-ções pesquisadas.

Há textos que envolvem só a escrita e outros que são produzidos pela fala. Os textos são produzidos para situações específicas, portanto, é preciso

sem-pre levar em consideração o momento em que o texto foi escrito, o espaço (local), as pessoas envolvidas, o papel social dessas pessoas e a intenção que levou o

texto a ser produzido.

A noção que organiza esse estudo dos textos é a de gêneros. A palavra gê-nero é usada para indicar todo agrupamento de indivíduos, objetos, textos, etc.,

com características ou origem comum. Por exemplo, em Biologia, o gênero Canis

engloba espécies animais com afinidades genéticas, como o lobo, o chacal e o coiote; no âmbito da Arte, a dança engloba, entre outros gêneros, o balé clássi-co, o sapateado, a dança do ventre.

Os textos também podem se agrupar em gêneros, como as tirinhas que você leu. Esse gênero — história em quadrinhos — pode ser reconhecido porque tem características próprias, estabelecidas socialmente. Conseguimos diferenciar uma conversa de alguém ao telefone com um amigo de uma entrevista ouvida no rádio porque cada um desses gêneros orais tem um formato característico, mes-mo que as situações de comunicação em que eles geralmente acontecem sejam bem diferentes umas das outras.

Toda vez que nos comunicamos, o fazemos por meio de um gênero textual. Cada gênero está ligado a um tipo de situação de

comuni-cação que, entre os gêneros verbais, engloba um locutor (quem

fala ou escreve) e seu interlocutor (quem ouve ou lê), uma in-tenção, um momento e um lugar. Sabemos que todas as pessoas

envolvidas em um ato de comunicação têm papel

determi-nante nele, e não apenas quem produz o texto escrito ou fala-do. A pessoa que ouve ou lê faz mais do que apenas “receber”

a mensagem que lhe é enviada: ela interpreta a mensagem, acrescenta-lhe sentidos, atribui-lhe valores, desejos, opiniões, de acordo com sua própria visão de mundo, com seu humor,

com o momento, com o tipo de relacionamento que mantém com quem fala. Ao conjunto de elementos que compõem um ato de comunicação os linguistas chamam de discurso.

Por exemplo, a crônica, o poema, a receita, o discurso políti-co, o romance, a propaganda de rádio são gêneros do discurso.

Entre eles, alguns são literários, como o poema, certas

modalida-des de crônica e o romance. Lobo branco.

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Observe este esquema:

Gêneros do discurso Gêneros literários

Sendo assim, todos os textos produzidos pertencem a algum gênero do discurso

que conhecemos e utilizamos em nosso dia a dia para interagir socialmente. Todavia,

não podemos reduzir o conceito de gêneros discursivos à mera classificação de tex-tos. Não é para isso que a teoria existe. Não basta dizer: “esse texto é uma crônica”. Isso porque, por ser instrumento de ação social, os gêneros estão em constante mudança, em constante processo de adaptação aos mais diversos movimentos que a sociedade realiza. Por exemplo, nossas conversas a distância, antes realizadas ape-nas pelo telefone, têm sido substituídas cada vez mais por textos escritos em

celula-res e computadocelula-res, e isso implica uma mudança radical na própria organização

dessas “conversas”. Ou seja, nesse caso, não basta “classificar” um texto como con-versa; é necessário entender os diferentes aspectos envolvidos em sua produção.

Ao longo deste livro, você vai estudar as características gerais da situação de produção dos mais diversos gêneros: desde os das esferas sociais mais informais até as mais formais, como a acadêmica, por exemplo.

N o m U N D o D A o R A L I D A D E

A apresentação pessoal

Como você estudou até aqui, todas as nossas formas de comunicação ocorrem

por meio de textos: a fotografia, o texto de blogs, as notícias, os torpedos, os posts de redes sociais, a roupa... tudo, enfim, pode ser texto.

A partir de agora, em todas as unidades, na seção No mundo da oralidade, você vai exercitar a produção de um texto falado. Para isso, conhecerá alguns gêneros da oralidade, isto é, modelos textuais orais que se adequarão às suas necessidades nas situações em que a fala é o foco.

A primeira atividade que faremos se relaciona ao momento que você está vivendo: o início do ano e de uma nova fase, o Ensino Médio. Ainda que você já conheça alguns de seus colegas de classe, possivelmente não conversou com todos eles, não conhece os sonhos, as esperanças e as principais qualidades de cada um. Além disso, será importante que os colegas envolvidos nesta nova eta-pa escolar também saibam quem você é, seus sonhos, o que você espera deste ano que se inicia e como pretende agir para alcançar seus objetivos.

Trata-se da apresentação pessoal, um gênero muito comum em entrevistas de emprego ou qualquer situação em que você precise falar de si diante de um grupo de pessoas: ao começar um curso, ao conhecer a família de alguém, ao se relacionar no trabalho, etc.

Daniel

Araújo/Arqui

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Referências

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