Mesquita
conta
o
que
pretende
I
com a
(ex)
TV-E
���������������=����������
*
FLORIANÓPOLIS
N: 41
•AGOSTO
92
Nilson
Lege
fala
de
ensino,
jornalismo
...t
.
O
país,
o
povo,
as
cores,
os
sons.
nosso
o/fi
��
conta
reporter,
.OUTRAS PALAVRAS
Eleição
polêmica
e
disputada
Servidor
se
elege
mas
não
leva
O
dia oito de
julh
registrou
amaisdispu
tada eprestigiada
eleição
do Curso deJornalismoedo
Departamento
de
Comunicação.
Com umanovidade,
inédita(para
o cargo)
na universidade: um servidorse candidatou paraa coor
denadoria do Curso.Estavota
ção
paraCoordenador,
no entanto foi
rejeitada pelo
CEPEem agosto, porque foi eleito o
servidorDaltonBarreto.
Ape
sar da candidatura ter sido aceita
pela
ComissãoEleitoral,
ela contraria o
regimento
dauniversidade,
quepermite
somenteacandidaturade
profes
sores. O
Colegiado
doCurso,
mesmo
assim,
encaminhou oprocesso à Reitoria. Mas não
adiantou. Vai ser
preciso
efetuarnova
eleição.
Dalton
Barreto,
formadoemCiências
Sociais,
concorreusozinho e venceu por 93 a 73
a
professora
ValeiZuculoto,
da
chapa
MaisDignidade.
Oprofessor
Luis AlbertoScotto,
da mesma
chapa
, foi eleito pa
rasub-coordenador
superando
em apenas trêsvotoso
profes
sorJosé Gattidachapa
concorrente. Ele recebeu 83 votos
contra80.
Simultaneamente ocorria a
eleição, proporcional,
para aChefia do
Departamento
deComunicação.
Oprofessor
Francisco
Karam,
dachapa
Mais
Dignidade
foio mais votado
pelas
trêscategorias
- alunos,
professores
e servidores.Eleficoucom
59,4%
dosvotoscontra
39,3%
do concorrente,professor Henrique
Finco. Para a subchefia foi eleita apro
fessora Carmem Rial. Ela não
obteveamelhor
votação
entreprofessores
ealunos,
mas conseguiu apoio
decisivo entre osfuncionários. Carmem vendeu
o
professor Sérgio Weigert,
dachapa
MaisDignidade
cemquase 10% de
diferença:
51,5%
contra41,8%.
A
eleição
começou às oitohoras da manhãe se estendeu
até às20horas. Dos205 eleito
res, 170 votaram,
atingindo
omaior índice
registrado
-82,9%.
Amovimentação
foimais intensa
pela
manhã onde houve atédisputa
de boca deurna.
O
professor
HélioSchuch,
protestou.
por não ter sido convocado para aeleição.
Oprofessor
Mauro Pommer e aprofessora
SôniaMaluf,
queestão no exterior fazendo
pós-Oseleitos: Dalton
(para
aCoordenadoria),
Carmem (sub-chefia)eKaram
(novoChefe)Olharesatentosparaa
apuração
...�
..--._---. N�
'" :::;;�
j '" o Õ u,...
enquanto
Dalton pensava no CEPE... ...eScotto,
seganharia
de novograduação,
enviaram o votopor fax. Ovotode MauroPom
mer
chegou.
O fax de Sôniadesapareceu,
pordisplicência
da comissão eleitoral. Dois diasantesda
eleição
ofaxche gou à Reitoria. Por volta dasquatro
horas datarde,
o fun cionário doDepartamento,
João
José,
Borges
recebeu acorrespondência
endereçada
áprofessora
GilkaGirardello,
membro daComissãoEleitoral
e deixou em seu escaninho.
Gilka nem
chegou
avê-lo: entre
quatro
horas da tarde do dia seis e a manhã do diase-guinte
ofaxsumiu. Ovotonão foinecessário,
nemalteraore-sultado. _
Outra vitória
-Entre 14 e
16 de
julho,
oprofessor
Fran cisco Karam voltou adisputar
novaeleição,
destavez concorrendo a uma das cinco vagas
junto
à Comissão Nacional de EticaeLiberdadedeImprensa
da
Federação
Nacional dos Jornalistas-Fenaj.
Somenteem Santa
Catarina,
dos 312eleitores,
Karam obteve 308votos.Foi paraummandato de
três anos,na
chapa encabeçada
pelo
mineiro AméricoAntu-AGOSTO· 92
•ZERO
2
nes e que inclui dois ex-pro
fessores do Curso de Jornalis
mo daUFSC: Daniel
Herz,
nocargo de diretor de
Relações
Institucionaise
Ayrton
Kanitz,
companheiro
naComissão Nacionalde EticaeLiberdadede
Imprensa.
Ojornalista Sérgio
Murillo deAndrade,
gue integra o
Colegiado
do Curso de Jornalismo daUFSC,
tambémconcorreueé o novo
vice-pre
sidenteda
Fenaj
para aregião
Sul, representando
os estados deSantaCatarina,
RioGrande do Sule Paraná. Claudine NunesZERO
Agosto
92
N::41
MelhorPeça
Gráfica .I, II,
IIIe IV SetUniversitário
Maio88 Setembro89,
90,
91Jornallaboratório do Curso de
JornalismodaUniversidadeFe
deral deSantaCatarina
Arte:José da Silva Jr.
Apoio: Adriane Canan,
Érida
Souza, Giovana Borini, Joana
Ferreira, Kiria Matos, Maria AlicedaSilva, Maria PaulaPe
reira, Nelson Correia, Patrícia Jacornel, Raquel D'Ávila,Ro
gério
Mosimann, Suzana Naspolini.
Colaboração: Sílvia Pave si, Cleide deOliveira;jornalistas
professores
EduardoMeditsch,Francisco Karam, Gilka Girar
dello,LuísScotto.
Diagramação: Alexandre Gon
çalves, Celso Rivero Gick, Cristiane Miranda, Juliana
Klann,Jussara
Carnpelli,
KarinaManarin, MônicaLinhares, Sara
Caprario,
VictorCarlson.Ediçãoesupervisão: Professor
Ricardo Barreto (MTh 2.708-RS).
Edição: Alexandre
Gonçalves,
AnaPaula Luckman, Claudine
Nunes, Maria Paula Pereira,
Mônica Linhares,Nelson Cor
reia,Patrícia Jacornel.
Fotografia: Cristina Gallo, Lauro Maeda, Monica Linha
res, Murilo
Naspolini
, PedroMelo,Victor Carlson.
Textos: Alexandre Gonçalves,
AnaCláudiaMenezes,Claudi
neNunes, [valdo BrasilJr.,Jo sé da Silva Jr.. Mariano Sena da Costa, Monica Linhares, Murilo
Naspolini,
Nelson Correa,
Rogério
Mosimann.Montagem:Marinho
Acabamento e impressão: Irn
prefar
Redação: Curso de Jornalismo
(UFSC-CCE-COM),
Trinda de, CEP 88045,Florianópolis,
Se. Telefones: (0482) 31-lJ215, 31-9490 Telexetelefax:(0482)34-4969 Distribuição gratuita, Circulação dirigida
I�\
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..�
I
Ao
país.
do prazer
e
do
reggae
TEXTO E FOTOS POR MURILO NASPOLINI
Umailhafértilecriativa. Ter
rade madeiraede
água.
Difícilencontraremtão pequeno espa
çoumanaturezatãoexuberante.
Cachoeiras, rios,
praias paradi
síacas
(o
que énormal no Caribe), água cristalina,
povo recep tivo ao extremo, rum, reggae emalandragem. É
sóocomeço doque a Jamaica
pode
oferecer a um turista recém-chegado.
Comopassar dos
dias,
sobosolescaldante de 35 graus oumais, o
orgulho
local deserjamaicano
e as surpresas da descoberta de
um
país colorido,
alegre
e surpreendente,
deixamqualquer
um extasiado. Jamaica é acima
detudo,prazer.
Localizada 150 km ao sul de Cubae160kmaoestedoHaiti,
aterceiramaior ilha das Antilhas
possui 235 km de comprimento
e entre 35 e H2 km de
largura.
O clima
tropical
é refrescadoconstantemente
pelas
brisasmarítimas e a taxa de umidade é bemalta.O inverno
(estação
daschuvas)
iniciaemmaio,logo,
entredezembroeabrilestãoosme
lhoresmeses para conhecê-la.
Descoberta por Colombo em
1494,
quando
apenasastribosde índiosArawak habitavamailha,ocupada
quaseumséculodepois
pelos
espanhóis
e invadida em1655
pelos ingleses,
a Jamaica sofreu adizimação
dosarawak,
recebeu enormes
contingentes
de mão-de-obra africana trans
formados em escravos e final
mentelibertosem1833.
Independente
desde 1962,com um
regime
de governo parlamentarista comandado
pelo
primeiro
ministro MichaelMan-Austin: duro de viver
ley,
opaís
teve seu panoramapolítico
bemagitado
na últimadécada com sucessivos boicotes
eleitorais dos
partidos
deoposi
ção.
Hoje
oPartidoNacionaldoPovo
(PNP)
detém opoder
em um governo de coalizão dandoumfimaoscombates
ásperos
entre
situação
eoposição.
O povo
jamaicano
éumcapí
tuloe um
espetáculo
aparte. Amaioria absoluta é negra, mais de
90%,
o restante é compostopor
mestiços,
ingleses,
árabes,indianos e chineses. Nas ruas e
naspraçastem-sea
impressão
dequea ilha vivedentro deum ca
leidoscópio,
cominúmerascombinações
coloridas e que estãoem incessante movimento. As roupas sãocoloridíssimas,àsve zes berrantes e fabricadas com
tecidos bem leves afim de não
comprometer o
padrão
estéticodas
calças
edascamisas demangas
compridas.
Muitoraramenteum
jamaicano
estará usandocamisetae bermuda.
Osturistas,aocontrário,mui
to raramente não estarão com
elas. Out-doors
espalhados pelo
país
estampam Proud to be Ja maican-orgulhoso
de serja-maicano. É pura verdade. Eles
�
enchem a boca para falar bem::;;
da Jamaicae o seu
"way
oflife". Usam diversostipos
decortesdecabelo, desdeosdreadlocks
(ca
belosnãopenteados
e comtranças)
dos rastafaris até os desenhos feitosno courocabeludoes
tampando
nomes,traços,linhas,
teiasdearanha, etc. As
aparên
cias demonstramumpovo
alegre
efácil deselidar. Asevidências,já
espelham
a cara eacoroadeumamoedadesvalorizada,deum
.
país
deterceiromundo,
em que aparadoxal diferença
social étransparente aos olhos de
qual
querum."Na Jamaicaé duro de se vi
ver", comenta Austin Kerr, 32 anos,
professor
secundário doSt.
George's College
emKings
ton. "Amaioria dos
jamaicanos
ou sonha ourealmente vai para
osEstados Unidos trabalharpa
ra voltar com dinheiro. Junto
com anecessidade de dinheiro,
nós
jamaicanos
valorizamosmuito as crenças e as diversas
religiões".
Para ele "asigrejas
trabalham
juntas
e são a mais forteinstituição jamaicana.
Católicosromanos,
anglicanos,
batistas, protestantes, metodistas.
pentecostais e rastafaris são os
mais
poderosos".
Kerr,que é diplomado
emTeologia,
acreditaque a
religião
rastafari está emprocesso de
estagnação.
Osras tas esperam sabe lá por quem.Primeiro foi Marcus Mosiah
Garvey, depois
o tiranoetíope
Hailé Selassié, e por
fim"
BobMarley.
Desdeentãoa"luz não é mais a mesma. Meus alunos não queremserrastafaris".AGOSTO
•92
•ZERO
5
Povo emâvel
torna
visita
envolvente
Prepare
oespírito,
opulmão
e as pernas. Mantenha os olhos bem abertos.
Chegar
naJamaicaéumprazerimensurável,conhe
cê-la passa a ser umadoce brin cadeira de descobertas. As co
res, a
música,
o povo,aspraias,
acordaágua
domar, asondas,a
ganja
e o Festival Sunsplash
de
Reggae
abalamqualquer
turista de
qualquer
parte do mundo. Na ilha vale tudo.Ouquase. Estar antenado na boa sintonia das
vibrações jamaicanas
é ummust paraqualquervisitante.Fi
caratentoaosprazereseàsIncoe
rências deum
país
terceiromundista é lei de sobrevivência. A Jamaica esconde
particula-o
PAíS
ridades que só serão vistas poraqueles
quequiserem mergulhar
fundo no cotidiano do
país.
O povoéamável, "easy"
(como
dizem),
às vezes em excesso. Umturistade
pele
brancaé abordado a todo instante na rua
pelos
vendedores ambulantes e
pelos
hustlers. Elestentam vender de
tudo ouprestar
"qualquer"
serviço,
desdeumtáxiou umquartoem uma
pousada,
até acerveja
gelada,
cocaína ou maconha.Quandovocê se livra de um,
já
apareceoutrocom o mesmopa
pa.
Avida é bemcara paraos
ja
maicanos e para nós brasileiros
que vivemos em cruzeiros. Ao
comentarem
Montego
Bay,
durante a realização do
Sunsplash
Reggae
Festival,emjulho
de91,que um dólar norte-americano
correspondia
a Cr$ 400,00, ovendedor ambulante deu garga
lhadase chamou
alguns amigos
mais
próximos
paracontara anedota brasileira. Eles reclamam porque US$ 1,00
corresponde
somente a 15 dólares
jamaica
nos.
Existem bons
lugares
onde dorme-se e come-se por preçosbem razoáveis, mas é
preciso
procurar e sejogar
na estradaesburacadaemqueos carrosan
dam à
inglesa
e osônibus passamsuperlotados
como volume dosom
próximo
ao dez. Não esquente, relaxe, curta a música
enãoseirrite. A senha é"cool",
"easy"
e"noproblem".
Leve-asatéasúltimasconseqüências.Os preçosdetudovariamconforme
a cidade em que você está e a
respectiva
taxacambial e acara,simpática
ounão,do turista. Lá,sernegrosó trazvantagens.
Dois aeroportos internacio nais conectam a Jamaica com o
rnundo. O de
Montego Bay
émaior,
reéebeamaioriadosvôosprovenientes
da América e daEuropa
e é o maispróximo
de Cubaede Miami. JáodeKings
ton,resume-seapoucosvôos decurtadistância- Panama
City,
Barbados, Haiti,
etc.Montego
Bayou
MoBay,
paraosíntimos,é o portode
chegada
dagrande
maioriados
japoneses, alemães,
italianoseamericanos,que vemtodosos anos parao Suns
plash
.O festivalacontecenoBob Mar
ley
EnteirtainmentCenter loca-lizado perto da saída oeste dacidade.
Um hustler
galã
o
FESTIVAL
oírreverente baixista dabandade YellowMan
Todos
os
reggaes
no
Sunsplash
Jamaica
une
o
mundo
pela
música
.I
Em
julho
de 91 foia 14�edição
domaior festival de reggae do
pla
neta.
Sempre
realizado entreju
lhoe agosto, oSuns/ashde 1991,
produzido
como sempre,pela
Sy
nergyProductions, começou dia 15de
julho,
umasegunda-feira
eprolongou-se
atéo dia21, no começoda tarde. Over reggae. Nes
te ano cada noite teve um nome
especial
seguindo
atendênciamusical dos artistas. Dia15,
segunda:
Reggae
BeachParty,
napraia
de Cornwall. Foi oprimeiro
dia e,como era
previsto,
o mais fraco.A
partir
de terça-feira, os showsseriamrealizadosem umsó
paleo,
o do Bob
Marley
Center, até ofimdofestival. Eque
palco!
Quefesta! Queloucura! No dia 16 de
julho, terça-feira
Caribbeannight,
com bandas de Trinidad e Toba
go,
Antigua
eBarbadosexecutandoritmos locaiscomosoca e
calyp
so.Gurizotes deBarbadoscom ca radesurfistaaustraliano cantando
lambadaem
inglês.
Bizarro e palha!
Na quarta, começou o bem
bom, finalmente surge o reggae na World Beat
Night
&dub-poe
trydo loiro rastafari Oku Onura
impressionou (seu
som faz lembrar Linton Kwesi
Johnson),
Itals,Gregory
Isaacs ePato Banton deramcontado recadomantendoa
galera
eufórica.
Agrande
surpresa veio da Africa do Sul. Guardemestenomeenãoesqueçam:
Lucky
Dube. Ele arrebentou, deixandoos
jamaicanos boquiabertos
eprovando que o reggae não é mais
exclusivo da Jamaica. Um
naipe
de trêsmetais,três
backing-vocals
(fez
lembrarI-Threes),
muitae tível hit
Bandolero), Reggie
Step
� per,
Cutty
Ranks e aausência do� ícone
Ninjaman
queprefeiu
estar�
em NovaIorque.
Foramaproxi
� madamente 13 horas de Dancehall
�
eRaggamuffin,
dasnovedanoite::;; até às9h30min da manhã
seguinte.
Na sexta-feira
(dia 19/07), Singers
Night
com a presença de ThirdWorld,CocoTea,JohnHolt,San-.
chez,Freddie
McGregor,
FrankiePaul,JuniorReideoutros.
Para encerrar, nosábadoà noi
te, um
mega-espetáculo
que comandaofluxo turísticoem
julho.
Vários vôos extras foram ofere
cidos em
função
doSunsplash.
Mo.
Bay
estava"busy"
Lotadér-rima. Os preços subiram bastante
5
e achar um quarto bom ebaratoerararo.Motose carrosde
aluguel
nas ruas, nada nas garagens. As
"braids" e os "dreadlocks" eram
oferecidosa
qualquer
turista quetivesse cabelo suficiente. A noite
internacionalencerroumuito bem
a 14�
edição
do maior festival dereggae do mundo. Julian
Marley
(filho
de Bob e umaamante),
1-...comMaxy PriesteOku Onoura Threes,
Ziggy Marley (filho
de Bob eRita)
and theMelody
Makers,CarleneDavis,
Mutabaruka,
AndrewTosh,
Shabba Ranks(DJ
n? 1 da
Jamaica),
Shinehead(DJ
n?1emNew
York),
LittleLennie,
orei Dennis Browne ainesperada
visitadeMaxi Priest levaramo
pú
blico ao delírio. Foram mais de 15horas denonstopreggae.
Ao meio-dia de
domingo,
sobo sol
escaldante,
Dennis Brownencerrouoeventoenvocandoole
rnado Sunslash:
Uniting
world through
musicou"unindoomundo através da música"econvidando todos para apróxima
sessão em1992.
parecia
que "the dreamwasover",
parafraseando
oslogan
dadécadade
60,
masfoisóaprimeira
mostra do que é que a Jamaica
tem.
Agora
em1992,
recomeçatudo, com muitomais.
Ziggy Marleydividiuafesta
competência
usical e resença depaleo
marcante deLucky
e toda .banda. Umamistura de
dança
zulu e reggae.
Impossível
ficar parado.
A tão
esperada
Dance HaJJNight
comprovou a fama. Foi o
-dia maischeiodo festival. Muitos
jamaicanos
economizamo anointeiro para estar lá na
apoteótica
quinta-feira.
A noite dos DJ's eda ladainha escancarada. Vale a
rima. O
público
gosta,dança
e rimuito. O
regionalismo
do Dancehall nos faz lembra das trovas e
repentes nordestinos.
Destaques
para as
performances
de RichieStevens,
Yellowman, CharlieChaplin,
Pinchers(com
oirresis-ZERO
>\
<�,
r
-COMO
IR
Contrariando muitas infor
mações
já divulgadas
por al gumas revistasespecializadas
nacionais,
o surf na Jamaicaexiste sim. Há belíssimas
praias,
boasondas,
ondulações,
ventos, fundos de pedra,
de corale deareia.Tudomovido a rum,
sol,
ganja
ereggae.
Esqueça
suaroupa deborracha nofundo doseu ar
máriono
Brasil,
leveparafina
suficiente para umaestadia,
leashes e
equipamento
sobressalente,
inclusive paraeventuais consertos. Os
ja
maicanos não conhecem bemaartede deslizarsobreas on
das. Não se assuste, se, ao
perguntar sobre a existência
de
ondas,
aresposta
seja
umagargalhada
sonoraseguida
deumatotal
desinformação.
Váàluta sozinho.
Alugue
um carro eparta
semhesitação
paraacostaleste da
ilha,
passe porPort Antonio,
tome banho na BlueLagoon
(cenário
do filmeLa goaAzul),
duvide da cor daágua
efaça
aprimeira
parada
em Boston Beach: uma baíafechada,
queemdias bonssuportamaisdetrêsmetros,se
gundo
onativoMartin Atkinson, 30 anos, nove de surf.
Martin,
quando
nãoestá dentro da
água
está na beiradoAs ondas
do
Caribe
Chegue
depois
de dezembro
e
vâ por
Mlemi
Martin, rarosurfista, alugaa
prancha
por três dólarese
"
N Existem duas maneiras distin
tas de se
chegar
na Jamaica. Deaviãoede navio.Se você
preferir
voar, duas rotas sãs as maisusuais, embora você possa, com
�
tempoe dinheiro,seguir
porou-tros
países.
Aprimeira
é viaMiamie,mesmo semvistodosEUA,
é a mais
rápida
e barata. Com dinheironobolsoparaapresentarà
alfândega
norte-americana ccompraro bilhete idaevolta até
Montego Bay (U$
160,00),
vocêpode
ire voltar aSão Paulo pormenosdeU$
700,00, aproveitan
do as promoções
especiais
ouvôos charters até Miami. Nesse
caso, o pagamento é à vista. Já
a
segunda
rota,temembarque
em ' São Paulo no vôo deVarig
comdestino ao Panamá
(Panamá
City),
ede láseguir
pelaComranhia
Panamenha de
Aviação
(Copa)
até
Kingston, capital jamaicana.
Asconecções
podem
tomar tempo, adiandoa
chegada
naJamaicaem até dois dias
após
asaída doBrasil. Mas surgea
oportunidade
de conhecero canal do
Panamá,
as belas
praias tipicamente
caribenhas,
a zona franca de Cólonou a influência norte-americana
depois
dainvasão de 88.Apassa gempode
sercomprada
noBrasil,efinanciadaematé 10vezes.
Se você tiver uns trocados a
mais e gozar de férias
prolonga
das, é
possível
alcançar ailha daJamaica através de navios e de
veleiros que fazem fretese excur
sões
pelo
mardoCaribe,
provenientes da costa latino-arnerica
na. Nessecasoé necessário estar
preferencialmente
na Colômbiaou na Venezuela. Os preços va
riam conforme o
tipo
de embarcaçãoe
serviço
oferecido. Cuidado!Arotaé
perigosa.
Ashistóriasde turistas que
viajaram
em barcosde traficantes são
freqüentes.
Abra oolhopara nãoentrar em
barco furado.
Brasileirosnão
precisam
de visto para ir àJamaica, Venezuela
ouColômbia. Parao Panamásó é necessário
quando
apermanên
ciano
país ultrapassar
oitohoras.Bon
Voyage.
·s Õ a. i'&f��"..�
9mar oferecendo sua prancha
para
alugar.
Por dois ou trêsdólaresvocê
pode
surfarumahora com uma
prancha
californiana relativamentenova e
leve..
Nós três dias que ficamos
.nas redondezas de Boston
Beach,
Port Antonio eLong
Bay
não vimos mais do quemeio metro. A comunidade
local se resume a uma dúzia
de
simpáticos
ereceptivos
surfistas que, evidentemente tentarão tirar
proveito
finan ceiro dachegada
de turistas.O climadentro efora
d'água
é cool. O reggae não
pára
eaganja
é fumadaatodooinstante. Os "surfers"
jamaica
nosvivem um estilo que eles
mesmos chamam de "roots". Nãosepreocupamcommuita
coisa,
moram numa"quebra
da"
perto
dapraia,
fazemqualquer
negócio
porumprato de comida e não
perdem
osbonsswells queentramso
bretudo
depois
de dezembro.Nosso
repórter
(sem
mangas)
dá conferidano rumo MNAGOSTO
•92
•ZERO
7�������
j 1í :
í
11
< rlismo: passou por cinco faculdades antes de vir paraaUFSCcomoProfessor
titular,
efoioredatordo atual currículo mínimo paraoConselho Federal de
Educação.
Na
microempresa
que mantinha no Rio, umadas últimas missões de Nilson
Lage
foi tentarressuscitar o velho e herócio O
Pasquim.
Daí veioa idéia desta
entrevista,
que conta um pouco dahistória do
jornalismo
brasileiro nos últimos quarenta anos. no
Jornalismo
porque
foi
-o único emprego que
conseguiu
para trabalhar à noite. Aos 21 anos erasecretário do Jornal do
Brasil,
osegundo
cargo nahierarquia
daredação.
Pegou
ogolpe
de 64 noÚltima Hora,
ojornal
que
apoiava Jango.
Por muito tempo foi redator chefe da revistaManchete,
editor de O Globo ede O Jornalediretor de Jornalismo da TV Educa tiva. Há mais de vinte anosé
professor
deJorna-Greveem 62: "rasgamosas matérias. Deu certo" Os dois tendo que dar
aula,
éomeçaram
a ler osmanuais americanos,
principalmente
de JohnHohemberg
que o título eminglês
é Manual doJornalistaProfissionaleFraserBond.
Scotto:
Mas,
você está há 35anos na história dojornalismo. Naquela época quando
vocêcomeçou,oque
gostou
nojornalismo?
O quetefezcontinuar,
alémda
remuneração,
queno caso era umagranapreta.
Nilson: Primeiro eu lidava com texto, que é uma
coisa que eu gosto, né. Eu
fiquei
poucotempo
comorepórter, passei
a ser basicamente redator. Eugostava
de texto, era umacoisa queeugostava
de fazer. Em
segundo lugar
era umespaço de muitoscontatos,
gente
muitointeressante,
pessoas que tinham coisas a dizer e tal e umlugar
onde eu me sentia de certa maneira reconhecido. Tinhaum espaço para mim, entende? Para todos nós,
porque realmente, era umacoisa
milagrosa.
Ricardo: Equanto
tempofoinoJB?Nilson: NoJBeu
fiquei
até62. Em 62eusaíporquefizagrve de62, que foiaúnica greve de
jornalistas
eficaznoRi.
Eduardo:Eficaz como?Historicemente?
Nilson: Os
jornais
pararam.Eduardo: Os
jornais
pararam, masacabou opessoaldemitido?
Nilson: Os
jornais
demitiram dois ou três. O JBZERO
DEPOIMENTO: NILSON LAGE
Nossa
imprensa
não
tem
conteúdo
demitiutodoumgrupoqueeles
já
tinhammarcado para demitir mesmo, emfunção
do acordo que ojornal
fez com o IPES naconspiração
para aderrubada do
Jango.
Scotto: Da uma
explicada
nisso Nilson. O que éoIPESe oque foia
conspiração
contraoJango?
Nilson: O
IPES,
ou(Instituto
dePesquisa
eEstu dosSociais)
tinha oGolbery
comosecretário-ge
rai. Esse
instituto,
foi oprincipal
articulador dogolpe
de 64.Aarticulação
começoucom umaorg_a
nização
dossegmentos conservadores,
gerencies
de empresasestrangeiras
etal, ecom vistasaeleição
parlamentar
de62,
paraeleger
uma bancada conservadora naeleição
de 62,logo
emseguida,
continuouna
tramitação
deumasérie deprojetos
de lei,
principalmente
noprojeto
de telecomunicações.
Opresidente
da comissão que estudouisso,doIPES, era um camarada chamado Luiz Medei
ros,um
general,
queeradiretor de O Globo. Vemdaí, o acesso que o Roberto Marinho teve aos
planos
detelecomunicações
quepermitiram
a eleimplantar
a TVGlobo, sabendo quelogo
ia sermontadouma rede nacional. Ricardo: Nomomento
propício.
Nilson:
No,
momentapropício
efurandooesquemada
Tupi,
que tinha umageradora
em cada praça.Então, essemovimentoprocurou uma
infiltração
nosjornais, primeiro
elestentaramumacertocom oJB. Estavasendodirigido,
naépoca,
pelo
jovem
genro Nascimento Brito. Até
oprimeiro
mom,:nto
resistiu,
argumentando
queoJamal
sempre tinhavivido de classificados e que continuaria vivendo
de classificados. Eles fizeram um estudo sobre o
mercado declassificados,edescobriramqueoeles
sificado
importante
e lucrativo era o classificadode imóveis. Então, eles pegaram um
jornal
queestavaemprocesso de
falência,
oOJornal. Começaramcom os
arquivos
dosprincipais
núcleos imo biliáriose com esses casoselesmontaram umsegmentoimobiliáriodo OJecomeçaram a deslocar
maciçamente
anúnciosdo JB.No fim o JB foi
forçado
a fazer o acordo comeles, poresseacordo mudoua
direção
deredação
e entraram umprofissional
paraedição
e entrouumoutro
profissional
para fazerocontrole docopy. Ele lia asmatériasantese
depois
docopides_
que. O copyera considerado onúcleo da COnsPI
ração
esquerdista.
A gente não sabia disso. mas era considerado. Enesse contexto, houve vários atritos. Porforça
dos atritostava realmente parasermandado embora. Meucaso erameio
compli
cado porqueeu eramaisou menoscliente dacasa.
nãoera
engajado
empartido político
nenhum.
Mas elesseaproveitaram
desseepisódio
da greve. Por quequando
houvea decisão da greve, nós estáva mos no copy, éramos20epoucos redatorese culánasecretaria.
Quando
a carado Sindicato telefo nou dizendo que tinham decididopela
grevc, ellperguntei
aopessoal
o que que elesachavan:.
celesachavamque deveriam parar.Então.eudisse:
vamosparar. Ese vamosparar, vamosparar direi
to. Porfavor, rasguem asmatérias.
Rasgamos
asmatériasefomos embora. Acabou. Essa greveem
62, foi motivada
pelo
fato de que.naquela época.
�
Entrevista concedida a Eduardo
Med_it.ch,
Lui. ScottoeRicardo Barreto Intelectualpretensioso
é o que ele mais odeia.Prefere o cheiro de graxa das oficinas de
jornal,
embora
tenha uminvejável
currículo acadêmico. E doutor emLingüística
com uma tese sobre as novasteorias daFísica. estudouMedicina, Letras,Comunicação
eprovavelmente
aquele
assuntoquevocê escolheu para
surpreendê-lo.
Filhoúnico deumafamília
pobre
da Zona Norte do Rio(aquela
que não aparece naTV),
entrouLuisScotto:
Nilson,
começa falando para nóscomoéquetucomeçouno
jornalismo.
Nilson
Laje:
Bom. euestudava medicinaequando
fiz vestibular
passei
para duas faculdades. medi cinacirúrgica
eciênciasmédicas. A ciências médicas era uma escola. na
época,
tinha muitagente rica e eulaxo
descobri porque: tinha aula o diainteiro das 7 da manhã até às 6 da tarde. Nessa
situação
a únicapossibilidade
que eu tinha era arrumar um emprego à noite. Euprocurei
trabalharem
jornal, queria
umemprego de revisor parafinanciarumpouco do estudo. Através deum co
nhecido fizcontatocom "Tinhorão",Elemelevou paraoDiário
Carioca,
queera umjornal
naépoca
que tava renovando a
imprensa
introduzindo olead,
todo ummodelo,
com umadiagramação
pa dronizada. Masera no texto, que eles faziam uma
grande inovação
naépoca,
trabalhavamcomlead,
com estrutura do leade tal, e euaprendi aquilo.
Com a reforma do Jornal do Brasil foisaindoum
contingente
de pessoas. O DiárioCarioca,
pagava maleatrasava opagamento,pertencia
a Horáciode CarvalhoJr., que foi marido da dona Lili de
Carvalho
(casou
com Roberto Marinho recentemente).
Scotto:EoAri deCarvalho, tinhao
que?
,
Nilson: O Ari de Carvalho pegou o
jornal
UltimaHora em'Porto
Alegre
edepois quando
ele foi desativadocom ogolpe
de64,
eleinventou,
começou o
negócio
do Zero Hora e tal. Era um outropersonagem. Ficou nesse
negócio
dejornal
também, um aventureiro de outro
tipo.
O Horácio de Carvalho não. era umempresário
etal,
masnãopagava. o
jornal
nãopagava.eraomaiorrolo. OJornal do Brasil era uma empresasólida,
era umjornal
só declassificados, vinha deuma trsdiçâogrendc,
tinha muito dinheiro. lá fui eu paraoJB. EntreinoJBc acarreira foi muito
rápida.
Eduardo Meditsch: Com 22anosjá
erasecretáriodojornal?
Nilson:Secretário detextodo
jornal.
depois
secretário do
jornal.
umasituação
que rendia muitodinheiro, relativamente.
Scotto: Issofoi durante afamosa reformadoJB,
aquela
grande
reforma do lead...?Nilson: Foi essa. o lead eles trouxeram
pratica
mentedo Diário Carioca.Ricardo Barreto: Eu
queria
çue você falasse porexemplo,
essacontribuiçâo
DiárioCarioca,
viamanual de
redação,
equal
éatuaopinião
sobremanual deredaçâo?
Nilson: O Manual de
Redação
do Diário Cariocanãoera umManual. nãoera umacoisatão
impor
tante quanto se diz. Foi um
conjunto
de normasque eles fizeram para diminuirotrabalho de
cópia.
pra evitaros erros
de
cópia.
QuandooD�ário
Ca riocaaindaera umJornal
de formatoenttgo, comaquele
conteúdo do manual deredação
que naverdade.
Pompeu
de Souza e oDanton,
estavamadaptando
aoportuguês, aquele
modelo americana que tinha sido veiculado no Brasil, intensa
mentecom a11:' Guerra Mundial. O
Pompeu
esteve na
Inglaterra
trabalhandocom oBBC,
e oDanton também teveessa
informação.
porqueo Danton era
professor
dejornalismo
da UniversidadeZERO DEPOIMENTO:
NILSON LAGE
havia razão
trabalhista,
nãoera uma coisapolítica.
Porexemplo,
euganhava,
vamossupor 95milcruzeirosna
época,
mas naminhacarteira de trabalho tava2milqueeraosalário mínimo. Otesto vinha por fora. Então nesse história de por fora, iamférias, 13:', ia
contribuição
do instituto, ia tudopro raio que osparta. A
reclamação
era essa:todo mundo ali tinha salário mínimo.Scotto: Você saiu doJBefoi para onde?
Nilson: Olha,
quando
eu saí, eu não ia pralugar
nenhum,
porque eles fizeram um acordo com osoutros
jornais
para não empregarninguém
quetivesse sido demitido.
Scotto:Mas sóumacoisinha antes:oresultado des
sa
ocupação
toda dadireção
doJBfoioque?
Nilson: O
jornal
passou a defender ospontos de vista dos grupos aliados dogolpe,
os editoriaiseramfeitos fora da
redação.
Ricardo: Equantos
jornais
foram
nesse onda? Nilson: Todos, àexecução
da UltimaHora e dosjornais
pequenos.Ricardo:Esse movimento foidesencadeadoa
partir
doJB?
Nilson: Não, foi desencadeado
pelo
Correio daparaa
preparação
dogolpe. Porque
antesnão haviauma
politização
nasredações.
Nilson: Havia
politização,
sim. Eraaquele
esquemaclássico: o Partidão tinhaa suainfluência,
sobretudono Globo.
Scotto: A
partir
dapreparação
dogolpe
é quese
politizam,
pela
direitaasredações,
então?Nilson: Não. A direitanãoera a
redação,
vinha decima, né?Scotto: Se
politiza,
eudigo, pela
direita,pelas
manifestações
deapoio
aogolpe
oucoisa assim.Nilson:As
redações
sempre foramprogressistns.
Scotto: Eu
digo quando
éafastadoestepessoal.
Por
exemplo,
por que é afastado? Por que háessasdemissões todas?
Nilson: Porcausado
produto.
Eles tinhampreo-cupação
com ojornal.
.
Ricardo: Coma técnica.
Nilson:Com a técnica. Eu voute darum exem
plo:
com este rapazfiscalizando a matéria antese
depois
do copy, bateuumrelatório do Ministério daJustiça
sobre asoperações
daLight
noBrasil. Este relatório dizia oseguinte:
queaLight
tinha umacúpula,
a Brescsu, que pegava o dinheiroGolpe
de64:"não houvenadaem31 demarço.TudoaconteceunoI: de abril. Foipré-marketing'
Manhã. Pelos
jornais
grandes deepoce.
OGlobo,
naturalmente,
primeira
linha, né.Ricardo: O sistema funcionou
organicamente?
Nilson: Eles foram encadeando, oJB foium dos
últimos. Eles
precisavam
do JBporque com a reforma, oJB passouarepresentsra nova
burguesia
sscendente, a nova classe média
sscendente,
querdizer,
aqueles
estamentosgerenciais,
multinacionais, empresas estatais,
entendeu,
que mudarama face da classe média.
Porque,
classe média stcentão, era dominantemente pequeno e médioco
merciante e passou a ser um assalariado, agora assalariado com uma certa
sofisticação,
e tal. OJB entrousocisbilizsndoessagente, e a
imprensa
paulista
dessaépoca,
era acoisamaisprovincuuui
do mundo. Então havia uma necessidade do JB mesmo, eaíveioa
pressão
em cima dojornal.
Scotto:Em 64eratudoacertadinho, então?
Nilson: Tudoacertadinho,
aquilo
ali foiumacoisaque era
impressionsnte
porque os editoriais vi nham prontos. O controle sobre aredação
eraforte, então todosos
jornais
saiam na linhacomoaté
hoje
nadefesadaqualidade
industrial,
daeconomia de mercado, da
privatização
das estatais. São coisas contra o que você nãopode
escreveremjornsl
nenhum. Issoera a mesma coisanaépo
ca, vocênão
podia
escrevercontra.Scotto:Houve
en�ão
umapolitização
nosjornais
emprestado
comjuros
beixissimos
ereemprcstevs
às suas filiadas com
juros
mais altos que os do mercado. Como afiscalização
de receita era só feitanasfiliadas,elas sempreapresentavamprejuí
zos e a
Brascau,
sempregrandes
lucros,
com re messas monumentais. Esta era a parteprincipal
do relatório. Eu deiesta
matéria,
sem nenhumaorientação.
Passei pro Hélio Pólvora e ele fez amatéria. Quandoa matéria
voltou,
o tal rapazmechamouedisse assim:
-Olha, euquero que colo
que na abertura que a
Light
contribuiu para odesenvolvimento da
Região
Sul.,. e tira isso fora? Foiumadas razões de atrito. Agente, comaquela
visão de
objetividade,
nãoqueria
fazerjogada
nenhuma. Agente
queria
darasnotícias,
entendeu?Então, vinham
instruções
fantásticas. Eu sei, porexemplo,
que aconspiração
dossargentos foiarmada,porque
quando
com..içouomovimento dossargentos, eu recebi uma ordem de que todo dia
deveria entrarna
primeira página
com foto umamatéria sobresargentos.
Ora,
era umacoisa descabida, né?
Eduardo:Issoem
qual jornal?
Nilson:NoJamaldo Brasil.
,Scotto:
E odia 31 demarçode
64te pegounaUltima Hora? '
Nilson: Na
Última
Hora, eles invadiramaredação. Naverdade, eutinhatrsbelbedoa
madrugada
AGOSTO
•92
•ZEi<O
9
'toda,
dia 31. Aliás, não houve nada no dia 31. Onegócio
foi dia 1:' de sbril. Eles só miochamaram de 1:' de sbril para nãoserem chamadosde mentirosos;a
conotação
negativa,
foiumprc-mnrkcting.
No dia 31 eu tinha trabalhado até tarde cú tarde,
euestavadormindoemcasa
quando
os cerestomaram aRádio Nacional. Fui atéo
jornal,
eram trêshorasda tardeeelesestavamretirandoos
arquivos
do
jornal.
Ojornal
foi invadido por civis. Mas tinhaumaGuarda de FuzileirosNavaisqueagentetinha
pedido
navéspera,
por causa dangiteçio
da
véspera.
Euajudeis
tirarosarquivos
dojornal.
Quando
eu ia embora, os ceres vinham dentrodecsrrospra
quebrar
ojornal.
Natelcvistio, aque lecamarada,
achoque
era o Flávio Cavalcanti,dizia assim: .
Vamosincendisr
aquele jornal
comunista '. E foram láe
quebraram
ojornal
todo, Elessó não
quebraram
a oficina. O Samuelfugiu
eno dia 1:' eu fui pro
jornal
à noite. Arcdeçiio
estava destrutds, mas a oficina estava
íntegra.
Aimpressão
era nooutroprédio,
nocentro da cida de. Nós subimos pra contabilidade, que era noandar de cima. Duas
máquinas,
de escrever outrês estavam lá, e fizemos o
jornal
com quatropáginas.
A esta altura veio ovice-presidente
da empresa e disse: 'Olha, eu não tenhocondições
degarantir
aintegridade
deninguém',
Ojornal
foi feito, rodou e continuou circulando no Rio. Falando de liberdade de
imprensa,
com oprcsi
dente da ABI
(Associação
Brasileira deImpren
sa).
Ele foiempastelado
e não circulou mais noRio Grande do Sule emSão Paulo. EmSão Paulo.
ele tinha sofrido uma
campanha
localpelos
me..,:
mos grupos: na
época
daCopa
do Mundo, saiuuma caricatura em que
aparecia
todo inundo rezando para Nossa Senhorada
Aparecida,
quetinha
,,-Ultima
Hora
ganhou
dinheiro
do
Getúlio,
mas
todos
ganharam.
O Globo
teve
o
dobro
a cara
parecida
com ado Pelé.Om
jornal
sacrílego,
comunista,
inimigo
da te.(Risos),
Em São Paulotinha
aquela
coisa:ojornal
eradecarioca,
ojornal
vendia pra burro e os
paulistas
tinham raiva. NoNordeste,
foiquebrado
tudo. Eraumarede. Vendia noNordeste, Rio, São Pauloe noRioGrande do Sul.
Ricardo:
Naquela época
eram a'última
Hora eosDiários Associados basicamente as
grandes
redes.
Nilson: Sendo queaDiários Associadosera umu
rede nosentido que
pertenciam
ao mesmo dono. Scotto:Compara-se
muitooLacerdaaoSamuelWianer. Um é mocinho, o outro é bandido, um
sabe
tudo,
outronãosabe nada.Qual
éadiferença
jornalística
entre o Lacerda f o Samuel Wainer,já
queeste últimomontoua Ultima Hora?Nilson: Acho que há uma
diferença
extra-jor
nalística. O Carlos Lacerdamorreurico, oSamuel
morreu
pobre.
Esta éaprimeira
diferença.
O Car losLacerda,
que era ohonesto,
morreu rico, e oSamuel, queerao sorrupto, morreupobre.
(Ri
sos)
Aí você há de convir quealguma
coisa esttimal contada. Taía Nova Fronteira
(editora
delivros)
pra mostrar que o Lacerda morreu rico. O Samuel tinhaintimidade
com opoder
e, naverdade,
montou a Ultima Hora solicitadopelo
Getúlio. AImprensa
toda era hostil ao Getúlioe toda ela
ligada
a estegrande
capital
financeiro,contrao
qual
Getúlioseopunha,
Eporisso, Getú lioarrumou afundação
da Ultima Hora cchamouum
jornalista
competente que vinha cobrindo ifeleição
-ele tinha que confiare disse: 'Faz'
Pega
umfinanciamento e faz!' Teve ocuidado de em
prestar
quantias
maioresatodososjornsis
daquela
época.
Porexemplo,
no ano emqueaUltimaHorarecebeu financiamento para comprar a
ttuiquinu.
o Globo recebeu o dobro. Quer dizer o grupo{. I· I, , , , \ . \; I
!
,I
I t Icausa da
ação
dapolícia.
Uma
manifestação
estavamarcadaparasexta,em
apoio
àLeiZaireRezende queestá
em discussão na Câmara dos
Deputados.
Essalei,
encami nhadapelo
Fórum Nacional deDemocratização
da Comunicação,
prevê,
entre outras
coisas,
aregionalização
doscanais de TVerádio. Co
mo houve esseincidentecom a
polícia,
apasseata
foiantecipada.
Os manifestantesse encon
traram na
Praça
da Rodoviária,
nocentro, ecaminharamatéa
Praça Sete,
localdemanifestações políticas.
Apolí
cia militar controlou o trânsito. A mesma
polícia
quedois diasantes bateunos alu
nos, agora foi
aplaudida.
Oscartazes criticavam os mono
pólios, pediam
democratização
e os alunos no final datarde,
começaram agritar
"segurança
sim,
violêncianão". A
passeata
durou trêshoras.
O XVI Enecom terminou
com um
prejuízo
de 30 mi lhões de cruzeiros para a organização.
Opróximo
seráfeito em Pernambuco. Santa
Catarina era forte candidata a sediar o encontro. Mas na
votação,
feita às cinco horas damanhã,
quase todaadelegação
deFlorianópolis
estavadormindo e a de Recife esta
vaacordada. Faltaramvotos.
ClaudineNunes
Foram
dois mil
estudantes
e
teve
até
polícia
Belo Horizonte
reuniu,
de19a 25 de
julho,
o maiorencontronacionaldeestudantes de
comunicação,
noginásio
Mineirinho e no estádio Mi
neirão.Dois mil
jovens
detodas as
regiões
dopaís
se reuniram para o XVI Enecom. O tema deste ano foi A Pro
curade NovosMeios. Houve
debates,
mostras, grupos dediscussão,
exposições
e ofici nas. Os assuntos mais discutidosforama
democratização
dos meios de
comunicação,
aobrigatoriedade
dodiploma
para o exercício
profissional
e a
comunicação
alternativa.Vinte e três
profissionais
foram convidados para
parti
cipar
dosdebates. Um ausente foi o
professor
Franciscode Assis
(PUC-MG)
quemorreu um mêsantes,vítima de AIDS. Ele iriafalar sobre
a
imprensa
alternativa. Entreos mais
esperados
estava ojornalista
da Folha de SãoPaulo,
Caio TúlioCosta,
que falounaabertura doencontrosobre os
grandes conglome
rados de
comunicação
nopaís.
Outro,
foi oapresenta-�o
Publique
fotos
o JornaldoDIAP
(Departa
mento IntersindicaleAssesso
ria
Parlamentar)
está oferecendosuaúltima
página
paraapublicação
defotografias produ
zidas por
fotógrafos profissio
nais ou amadores. Os
partici
pantes terão, futuramente, a
oportunidade
defazerpartedeum livro e de uma
exposição
no
Congresso
Nacional.Os temas para as fotos são
ocotidianodo trabalhadorbra sileiro: por
exemplo,
a casadotrabalhador,
a mulher trabalhadora,otrabalhadorno cam
po, entre outros. Além da pu
blicação,
ofotógrafo
escolhidoganhará
meio salário mínimo,e casoda foto nãofor escolhida
ela serádevolvida.
Para
participar,
oestudante, sindicalista,jornalista
ou trabalhador deve enviar sua foto
(em
tamanho10xlS)
paraasede do
jornal,
noedifícioSegu
radoras, 17�
andar,
sala1701,
que ficanoSetorBancárioSul,
emBrasília,- oCEP é70070.
ENCONTROS
DE
COMUNICAÇÃO
Curso
de
JornalisDlo
bancou
o
Enecom
SBT,
que falou de seu trabalho e comentou o que os ou
tros
palestrantes
disseram. No terceiro dia dedebate,
o cartunista Ziraldo iniciou
sua
palestra
dizendo que iriachocaro
público. Conseguiu.
Depois
de tomar umgole
decachaça,
ele criticou o cartazdo encontro, que
reproduzia
duaslatas,
simbolizandootelefone semfio sobre o mapa
do Brasil. "O cartaz é muito
ruim.
É
ponta
doiceberg
da falta de seriedade dopaís".
Aorganização
nãogostou
ecomeçou uma discussão que
ocupou
grande
parte
do debate. O tern....
·Cumpurramen
to e
organização
cultural naPartiràprocura deummeio, em busca de novas realidades
e alternativas em Comunica
ção. Tudo isto trouxemais de
110 estudantes de comunica
ção do Sul do
país
ao Curso deJornalismo,emFlorianópo
lis, entre20e 24de maiopara
participar
do VI Erecom Sul- Encontro
Regional
dos Estu dantes deComunicação.
Foiomaior e mais bem-sucedido
evento do
gênero
nopaís,
se-"
gundo
representantes da Exe cutiva Nacional dos Estudantes de
Comunicação.
A abertura
da.programação
teve a presença do
professor
Nilson
Lage
(UFSC),
que de bateu o panorama atual dosmeiosde
comunicação
nopaís.
No
segundo
dia, aprofessora
Marta
Campos
(PUC-RS)
tratou do tema "Mercosul, Uni
versidadee
Comunicação".
Oterceiroe último debate abor douasalternativasemcomuni
cação com o
professor
ElsonFaxina da Universidade Esta
dual de Ponta Grossa
(PR)
eo
jornalista
Gastão Cassel,doNúcleo
Organizado
de Im prensaSindical deFlorianópo-Festas
e
debates
agitam
Enecom
Ziraldopolemizouedesagradou
sociedade demassafoiesque
cido. Neste mesmo dia tam
bém foi convidado o
profes
sorMuniz Sodré(UFF),
masele não compareceu.
Conflito
com
polícia
-No
segundo
diade encontro,dia20,
apolícia prendeu
trêsestudantes da
delegação
dePernambuco. Eles estavam fa
zendo festa no
alojamento
noginásio
doMineirinho;
tarde da noite. A
polícia
foichamada por um funcionário e encostou todo mundo na
parede
para revista. Três foramlevadosparaa
delegacia
_esó
k�n:-
'�:v_. '_� às novehorasdamanhã.
..
No dia
seguinte
apolícia
tes nesta sexta
edição
do Ere<·.I�
com-Sul. Dos 16cursosdecoill
municação
existentes no Para�
ná,Santa CatarinaeRioGran :5 de do Sul,apenas cinco enviae ram representantes. Um fato
is curiosofoiaausênciadosestu
::i
dantes
gaúchos,
que nãoen-viaram nenhumaluno,
alegan
do dificuldadesde
locomoção
(sic).
Mesmo assimasexpectativas de
participação traçadas
pela
comissãoorganizadora
foram
superadas
e oencontroconseguiu atingir
seusobjeti
vos: mobilizare
integrar
os estudantes da
região
e preparar:
ao mesmo tempo para as dis
cussõesdo EncontroNacional,
que ocorre entre 19 e 2S de
julho
emBelo Horizonte.O sucesso e a
repercussão
positiva
do VI Erecom-Sulfoiconfirmado por diversos re
presentantes do movimento
estudantil nacional de Comu
nicação,
que apontam oCurso de Jornalismo da UFSCcomoum fortecandidato para sediar um
próximo
EncontroNacio-nal.
apareceu novamente. Desta
vez a festa era no estaciona
mentodo
ginásio,
onde quasetodas as noites houve apre
sentação
de shows. Nofinal,
por voltadas
quatro
horasdamanhã,
dois estudantes começaram a
brigar.
Segundo
testemunhas,
eles não faziamparte
do encontro.Logo
depois
ospoliciais chegaram
com 15 viaturas e cavalaria.Eles reclamaram de
drogas
eda
"fornicação
sexual". Ninguém
foipreso,masficouumaviso: se houvesse
"algazar
ra" novamente, a
polícia
revistana todosos
alojamentos.
Osestudantesfizeramuma
passeata
naquinta-feira
porMais de cemestudantes do ParanáeSanta Catarina
lis
(NOIS).
Além dos debates, os estu
dantes
participaram
de doisgruposdediscussão sobrecur sosde
comunicação
esobre
omovimento estudantil em co
municação.
A comissão organizadora promoveu ainda oito
oficinas em diversas áreas
além de umamostrade vídeos
e outros trabalhos dos alunos da UFSC. A