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É possível viver

em paz?

Cássia Regina Xavier de Andrade Rosamaria de Medeiros Arnt

É possível viver

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É possível viver em paz?

Cássia Regina Xavier de Andrade Rosamaria de Medeiros Arnt

A paz não nasce sozinha. O que é necessário para construí-la? Compreendendo a paz como a harmonia entre a paz individual, social e ambiental. Paz e confian-ça. Paz e respeito. Paz e tolerância. Relações entre a geração da paz e os direitos humanos.

Objetivos

• Ampliar o conceito de paz e relacioná-la com os Direitos Humanos;

• Compreender a paz como a integração entre paz individual, paz social e paz ambiental.

Introdução: cenários e fatos

Escrever sobre a paz e como fazermos para que este estado de felicidade interna, tranquilidade e plenitude esteja presente no nosso dia a dia é um desafio. Criamos uma rotina, um modo de convivência muitas vezes tão bélico que esse tema ficou como um legado para monges reclusos. Um grande equívoco! Em nossas células trazemos a memória biológica e transcendente de que temos a necessidade e a von-tade desse estado em todos os nossos atos, em nossas vidas.

Qual a descrição de um cenário de paz? Poderia ser assim: uma manhã, em ho-rário próximo ao nascer do sol. Silêncio. Ausência de ruídos produzidos por motores, rádios, aparelhos eletrônicos. Somente os pássaros cantando, talvez som de água – um riacho ou as ondas do mar. Sossego, brisa suave, sol que ainda não queima. Nem temos muita fome, nem sede. Sem preocupações, aguardamos o dia, na quietude de um relógio que não faz barulho ao andar. Quanto tempo dura este momento? Provavelmente é difícil de dizer... perdemos a noção das horas!

Saindo de um cenário como esse, busco no dicionário, ler o que dizem seus autores sobre a paz. No dicionário Aurélio, como no Houaiss, paz é situação de con-córdia e tranquilidade, de países que não estão em guerra. Individualmente significa harmonia interior, conciliação, calma. Também pode ser circunstância de repouso e silêncio, quietude, sossego.

Saindo do dicionário, consultei a internet, pesquisei no O POVO Online (www.opovo.com.br) reportagens ou artigos que contivessem a palavra paz. Entre os links que encontrei, estavam três notícias que comento com vocês:

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a) Brasil se destaca na reconstrução do Haiti - 12/01/2013

O Brasil é ainda o maior fornecedor de tropas para a Missão de Paz das Nações Unidas que está no Haiti desde 2004. Além de

garantir a estabilidade e segurança do país, os militares brasileiros trabalham no desenvolvimento urbano com projetos de engenha-ria, como pavimentação de ruas e iluminação pública e projetos sociais.

Neste texto percebemos a tarefa da Missão de Paz em um país que enfrenta

diversos desafios, após uma guerra civil. A miséria de grande parte da população, a ar-ticulação para o fortalecimento de um estado democrático, os cuidados com a saúde básica da população e as feridas emocionais, sociais, culturais, pessoais de um período sangrento.

A Missão de Paz contrapõe-se à guerra civil, à violência. A atuação do Brasil

seria então uma tentativa de contribuir para o estabelecimento de uma “situação de concórdia e tranquilidade”?

b) Curdos

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protestarão em Paris contra morte de ativistas –

12/01/2013

Milhares de curdos de toda a Europa devem se reunir em Paris neste sábado em protesto contra o assassinato de três ativistas cur-das na capital francesa. As manifestantes foram encontracur-das mor-tas na última quinta-feira em frente a um centro de informações curdo. A polícia do país está em estado de alerta e a segurança na embaixada turca foi intensificada antes dos protestos. […]

As mortes ocorreram dias depois de a mídia turca informar que a Turquia e a liderança do PKK2 haviam entrado em um acordo para acabar com uma insurgência de três décadas, e que já deixou mais de 45 mil mortos. Especialistas dizem que os assassinatos podem ter sido uma tentativa de sabotar o processo de paz nascente.

Novamente encontramos a palavra paz vinculada a confrontos, violência extrema envolvendo a morte de pessoas – no caso assassinato – pela diferença de concepções de vida, busca de uma nação, intolerância, impossibilidade de diálogo aberto entre organizações, instituições, nações.

É estranho lermos sobre “sabotagem” ao processo de paz nascente. De sã consciên-cia parece estranho alguém não querer a paz. O que nos faz pensar que a consciênconsciên-cia hu-mana anda adoecida e/ou adormecida, longe do equilíbrio que nos permite a vida em paz.

1. O povo curdo é um grupo étnico formado por aproximadamente 25 milhões de pessoas, a maior parte abrigada na Turquia (cerca de 12 milhões), no Irã (4,8 milhões) e no Iraque (4,4 mi-lhões). É o maior grupo étnico sem estado do mundo e sonham em for-mar o Curdistão. A luta desse povo parece estar longe de chegar a uma solução satisfa-tória, tendo em vista que nenhum país quer abrir mão de parte de seus respectivos territórios para ser repassada a essa nação que vive subordinada. (www.educacao. uol.com.br e www. brasilescola.com) 2. PKK – Partido dos Trabalhadores do Curdistão

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c) Rodada de negociações com as FARC chega ao fim - 25/01/2013

A delegação oficial da Colômbia para negociações de paz com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) descartou um cessar-fogo por parte do governo, ao fim de mais uma rodada de negociações em Havana.

O chefe da delegação do governo afirmou que isso só acon-tecerá se os dois lados conquistarem acordos de paz definitivos. “Nós queremos a paz, mas não a qualquer preço”, disse o chefe de delegação, Humberto de la Calle.

Esta rodada de negociações esteve centrada na reforma agrária, uma questão fundamental que deu origem à guerra e é decorrente de desigualdades gritantes entre ricos e pobres na zona rural colombiana. Os dois lados relataram progressos em um co-municado conjunto emitido na quinta-feira. A próxima rodada está agendada para começar no dia 31 de janeiro.

Não há dúvida que as injustiças sociais estão também presentes como causas de lutas entre povos, entre grupos. É preciso buscar as origens, consultar a história dos povos para tentar compreender os fatos, sentimentos, ressentimentos, reivindicações dos diferentes lados. Sem isso estaremos reduzindo e fragmentando os acontecimentos, as situações, acrescentando desentendimento ao conturbado momento vivido.

Mesmo compreendendo-se as razões de cada parte, como contribuir para as negociações de paz? Até que ponto podem os países ou mesmo a Organização das Nações Unidas (ONU) interferirem em conflitos internos das nações? Eis questões que vamos sempre encontrar nos jornais, nas revistas que noticiam sobre o panorama político mundial. Eis os assuntos que permeiam documentários para televisão, colu-nas de jornalistas e especialistas que manifestam suas opiniões na imprensa escrita e falada. Mas será que isto só acontece no âmbito das nações? Ou a intolerância, o precon-ceito, a discriminação, a rejeição à convivência, a desigualdade estão presentes também em nossas famílias, comunidades, escolas, ambientes de trabalho? Você já pensou sobre isso?

Há muitos outros exemplos de reportagens que vinculam a paz a conflitos armados, à guerra civil, à busca de um espaço para que povos possam construir sua nação, de acordo com tradições, crenças, respeitando a cultura própria.

Olhando somente pelas notícias do jornal, parece que paz é uma ideia que se contrapõe à guerra, às ações bélicas. Será apenas isso?

O que é paz?

A paz vem sendo estudada e definida com mais propriedade a partir da segunda metade do século XX. Talvez estejamos na atualidade mais sensíveis à violência, não importa que dimensão assuma. As tecnologias, aproximando os fatos de qualquer

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parte do mundo, nos permitem perceber que tipo de situação consideramos acei-tável ou não. Chocam-nos os relatos de maus-tratos de crianças, assustam-nos as agressões nas ruas. As guerras, mesmo distantes, mostram-nos as consequências da falta de paz. Por outro lado, a quantidade de notícias sobre violência e conflitos, a cada dia, parece também nos anestesiar e nos acostumamos com as imagens repetidas. Vamos oscilando entre o espanto, o horror, o descaso, a indiferença.

Quem pode desejar a guerra, a mortandade, a agressão?

É difícil termos a consciência de tudo o que acontece enquanto vivemos nosso cotidia-no, nossa rotina. Logo esquecemos e seguimos em frente, distraindo-nos com nossos afazeres.

All we are saying To give Peace a chance (Tudo o que estamos dizendo

é para dar uma chance à paz)

Give peace a chance

John Lennon

Acreditamos que, para “dar uma chance à paz”, é importante compreender de forma mais profunda o significado de paz. Ter clareza de nossa contribuição como cidadãos, mas também discernir o papel das políticas públicas, da responsabilidade do estado, dos meios de comunicação, das instituições/empresas.

Carlos Rodrigues Brandão (2005), educador brasileiro, nos alerta que a paz não é um consenso universal. Não temos, na atualidade, conceitos sobre paz que sejam compreendidos da mesma forma em qualquer país, em qualquer cultura. A paz, como valor, vem sendo entendida e vivida de maneiras muito diferentes. Não conseguimos, nem mesmo no âmbito da ONU (Organização das Nações Unidas), decretar a paz, ou um sentido para a paz. Este sentido vem sendo construído, grada-tivamente, por meio do diálogo, da partilha.

Será que podemos dizer que conhecemos o sentido da paz de povos que vi-vem em locais tão distantes e tão diferentes do nosso Brasil? Por exemplo, qual a concepção de paz dos esquimós? E dos povos que vivem na Polinésia? E as tribos da Amazônia? E os habitantes de metrópoles como São Paulo?

A frase já bastante conhecida “Não há caminho para a Paz. A Paz é o cami-nho”, de A.J.Muste (1885 – 1967), pacifista norte-americano, também nos lembra que os caminhos não são prontos, acabados, mas que precisam ser construídos. Cada caminho vai sendo transformado por quem o trilha. Assim, cada caminho de Paz vai adquirindo jeitos, cores e curvas diferentes para cada nação e cultura, para cada comunidade. Cada um a seu modo deve criá-lo.

Com este pensamento, vamos buscando ideias sobre a paz para irmos crian-do nosso próprio conceito. Neste intuito, pesquisamos alguns autores. Entre eles, Xesús Jares3 (2007), nos diz que o conceito de paz associa-se à ausência de

violên-cia de qualquer tipo. Por isso, juntamente com Paulo Freire, entende que a paz

está ligada à justiça social, pois a falta de oportunidades, de condições dignas de vida é também uma violência contra o ser humano.

3. Xesús Jares, professor espa-nhol, falecido em 2008, foi funda-dor e coordena-dor desde 1983 dos “Educadores para a Paz”, da Nova Escola Ga-lega, organização que trabalhava mediante projetos e formação de professores para a expansão da cultura de paz. Presidente da Associação Espa-nhola de Investi-gação para a Paz (AIPAZ) e autor de vários livros, entre eles Pedagogia da Convivência, Educar para a Paz em tempos difíceis, Educação para a paz: teoria e prática e Educar para paz e a espe-rança em tempos de globalização, guerra preventiva e terrorismo.

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Uma relação pacífi ca entre pessoas tem a ver com amizade e afeto. Assim, diferenças de opinião, de jeito de viver, de crença, etnia, posição social, cultural, podem ser superadas com respeito e compreensão recíproca.

Estudamos sobre isso nos temas anteriores: diálogo, valores humanos e afeto. Agora, quando se trata de relações entre nações, entre povos, há necessidade de um esforço que possa prevenir ou resolver confl itos antes que se transformem em ações violentas ou confrontos.

Ao pensarmos a paz, acabamos falando em violência, em confl ito, em agres-são. Mas o que é violência? O que é confl ito? E agressão?

Violência

Podemos pensar em violência física. Esta todos nós com-preendemos, assim que vemos uma cena de alguém sendo agredido. Há a violência verbal, quando em meio a gritos nos dizem desaforos, nos desqualifi cam, nos “xingam”. Encontramos este tipo de violência muitas vezes no trânsi-to, nas ruas e mesmo dentro de casa, entre familiares.

Podemos pensar que há violência quando não há diálogo, quando os valores humanos são desrespeitados, quando agimos longe dos preceitos de afeto e cuidado (ver fascículo 4).

Assim, dizemos que há violência quando os seres humanos estão afetados de tal forma que suas realiza-ções afetivas, corporais e mentais estão abaixo de suas realizações potenciais (Jares, 2007).

Um exemplo de violência é o bullying, associado a violência nas escolas. Bullying é uma palavra da língua

in-glesa. Bully quer dizer valentão, brigão. Bullying se refere a atitudes agressivas exercidas por uma ou mais pessoas por meio de palavras, gestos ou agressões físicas. São in-tencionais e se repetem, causando desde desconforto até angústia e dor. Sempre intimidam, muitas vezes geram

medo e ocorrem quando as pessoas não têm a possibilidade de se defender. Eviden-ciam relações desiguais de força ou poder.

O bullying tem sido estudado em diversos ambientes humanos, como escolas, faculdades/universidades, família, local de trabalho, entre grupos sociais, bairros. Muitas vezes convivemos com este tipo de violência e silenciamos, ou por medo ou por minimizarmos os danos que causam. A diferença entre brincadeiras e atitudes violentas muitas vezes é sutil, como um apelido pejorativo ou uma maneira desres-peitosa de relacionamento.

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Se sofremos o bullying na escola ou no ambiente de trabalho, estaremos en-frentando uma situação que com certeza nos intimidará e afetará nosso rendimento. Podemos perder o prazer de estudar ou trabalhar, ou seja, nossa realização será menor do que nosso potencial.

Confl ito

É importante fazermos a distinção entre confl ito, agressão ou qualquer comporta-mento violento. Violência e confl ito não são a mesma coisa.

Por confl ito entendemos um processo de incompatibilidade, discordância, opo-sição entre pessoas, grupos ou estruturas sociais. Nos confl itos identifi camos interesses, valores ou aspirações contrárias.

Conceituando desta forma, será que é possível vivermos sem confl itos? Será que concordamos sempre com as pessoas dos grupos que participamos? Como agimos quando discordamos, quando nossos desejos são antagônicos, divergentes?

Acreditamos que os confl itos fazem parte da vida, da convi-vência, não podemos ignorá-los. Ignorar os confl itos agrava situ-ações que podem ser resolvidas por meio do diálogo, da escuta de motivos e interesses do outro, da compreensão e da busca de al-ternativas que proporcionem o máximo de bem estar para o maior número de pessoas possível.

Como reagimos quando há confl itos?

Se olharmos para os confl itos de maneira positiva, eles nos proporcionam desenvolvimento, aprendizagem, tanto no âmbito pessoal como no social. Assim, o problema não é o confl ito – que é natural –, mas nossas atitudes. Se reagimos de forma violenta a um confl ito, tentamos resolvê-lo eliminando o “adversário” e, neste caso, há violência e agressão.

Violência, confl ito, paz

A ação que favorece a paz em situações de confl ito começa com a busca de opções de não-agressão, não-violência. Continua com a tentativa de encontrarmos meios de conviver com a diversidade de pontos de vista, de necessidades, de anseios. Há ensinamentos presentes em diferentes tradições nos dizendo que, para termos pro-cedimentos éticos é só nos colocarmos no lugar do outro, desenvolvendo a com-preensão e a empatia.

Buscar saídas criativas, ouvir, dialogar, nos faz tomar consciência do outro, bem como de nós mesmos. Eis palavras mais fáceis de serem escritas do que vivenciadas.

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Paz em diferentes dimensões

Paz é reverência pela vida. Paz é o mais precioso bem da humanidade. Paz é mais que o fim dos conflitos armados. Paz é um tipo de comportamento. Paz é um arraigado compromisso com os princípios da liber-dade, justiça, igualdade e solidariedade entre todos os seres humanos. Paz é também uma harmoniosa parceria entre a humani-dade e o meio-ambiente.

Trecho do documento escrito por ocasião do Congresso

Interna-cional sobre a Paz na Mente dos Homens, realizado por iniciativa da

Unesco em Yamoussoukro, Costa do Marfim, 1989

Como observamos no texto acima, a paz é um conceito plural, com muitos desdobra-mentos. Não é tema que estudemos em uma disciplina, pois vai se conectando a todas as áreas de conhecimento humano, especialmente porque implica condutas éticas.

Para avançarmos no conceito de paz, vamos considerá-la multidimensional. Isto quer dizer que a paz se estabelece em diferentes dimensões que são interdepen-dentes. Uma dimensão sozinha não dá conta da “paz total” que necessitamos para que a humanidade saia do estado de crise civilizatória em que se encontra.

Prof. Ubiratan D’Ambrósio 4 (2013)chama “paz total” à integração da paz

in-terior, da paz social, da paz ambiental e da paz militar.

Dalai Lama5, ao receber o Prêmio Nobel da Paz em 1989, em nome de “todos

os oprimidos no mundo e daqueles que lutam pela liberdade e trabalham pela paz mundial e pelo povo do Tibet”, em seu discurso, disse que

A paz, no sentido de ausência de guerra, tem pouco valor para al-guém que está morrendo de fome ou frio. Ela não removerá a dor da tortura infligida a um prisioneiro da consciência. Não confor-tará aqueles que perderam os seus entes queridos em inundações causadas pelo desflorestamento despropositado num país vizinho. A paz pode perdurar apenas onde os direitos humanos são respei-tados, onde as pessoas estão alimentadas e onde os indivíduos e as nações são livres. A verdadeira paz dentro de nós e no mundo à nossa volta somente poderá ser atingida por meio do desenvol-vimento da paz mental. Os outros fenômenos estão interligados de modo similar. Assim, por exemplo, vemos que um ambien-te bem cuidado e a riqueza ou a democracia pouco significam em face da guerra, especialmente a nuclear, e no desenvolvimen-to material não é suficiente para assegurar a felicidade humana.

Fonte: www.dalailama.org.br/ ensinamentos/nobel.php

4. Ubiratan D’Ambrósio é Professor Emérito da Universidade Estadual de Cam-pinas/Unicamp. Consultor da Unesco e da Or-ganização dos Es-tados Americanos (OEA). Professor de pós-graduação da PUC/SP, além de outras univer-sidades. É autor de vários livros, entre eles: Trans-disciplinaridade, Educação para uma sociedade em transição e Etno-matemática: elo entre as tradições e a modernidade 5. Tenzin Gyatso, o 14º Dalai Lama é chefe de estado e de governo do Tibet, atualmente sob ocupação chinesa. Quando a situação em seu país se tornou insustentável, foi para a Índia, que lhe concedeu asilo político, acompanhado de outros oitenta mil refugiados tibeta-nos. Foi indicado ao Prêmo Nobel da Paz segundo o Comitê, pelo fato de, em sua luta para a liberação do Tibet, constantemente se opor ao uso da violência. Em vez disto, advoga soluções pacíficas baseadas na tole-rância e respeito mútuos para a preservação da herança cultural e histórica de seu povo.

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Inspirados pelo texto do Dalai Lama, vemos a interdependência da paz inte-rior com a paz dos povos. Ele amplia nosso entendimento ao nos recordar que a paz não é possível se temos fome ou frio, se choramos de dor ou saudade, se vivemos em lugares devastados, sem liberdade. Nesta linha de pensamento, continuamos no aprofundamento do sentido da paz, seguindo pela multidimensionalidade sugerida pelo professor Ubiratan D’Ambrósio, estudando um pouco sobre a paz interior, a paz social, a paz ambiental e a paz armamentista.

Paz interior

A paz invadiu o meu coração De repente, me encheu de paz Como se o vento de um tufão Arrancasse meus pés do chão Onde eu já não me enterro mais

A Paz

Gilberto Gil

Pode a paz invadir nosso coração? De onde ela vem? Onde ela está? Como a alcançamos? É possível comprar paz? Como é sentir-se em paz? Leonardo Boff (2006) nos alerta para sermos sinceros: há violência no mundo porque carregamos violência dentro de nós.

E a paz? Haverá mais paz no mundo se a carregarmos dentro de nós?

Thich Nhat Hanh6 (2003)nos diz que a paz está em nós e em tudo o que

fa-zemos e vemos. O problema é que não entramos em contato com ela. Tudo, para ele, pode ser fonte de alegria e paz, desde que aprendamos a viver conscientemente o momento presente.

Viver o momento presente significa um tipo especial de atenção, de manter-se consciente do que se faz, enquanto se faz. Você já percebeu como nós não lembra-mos tudo que fizelembra-mos ao longo do dia? Esquecelembra-mos até o que pensalembra-mos há poucos minutos atrás. Pois viver o momento presente significa parar com o automatismo da ação. Significa sair do esquecimento, da dispersão e da confusão.

Sim, a paz interior, como a felicidade (ver fascículo 1), depende de nossa atitude pe-rante a vida, pepe-rante os outros e principalmente em relação às nossas dificuldades. Quantas vezes já observamos duas pessoas enfrentarem o mesmo problema, com atitudes mentais completamente diferentes, obtendo resoluções mais facilmente para uns que para outros?

Não há receitas prontas para a paz interior... Ou talvez haja muitas receitas a serem experimentadas, até que façamos as escolhas daquelas que mais nos agradam ao “paladar”. Os caminhos de transcendência, ou de espiritualidade, nos trazem orientações para vivências como a meditação, as práticas de atenção plena, a oração que nos proporcionam, com tempo e com e exercício contínuo, a paz.

6. Thich Nhat Hanh, monge vietnamita, indi-cado ao Premio Nobel da Paz em 1967 por Martin Luther King por seus trabalhos e ações pela paz no Vietnã. Exilado, vive atualmente em uma pequena comunidade na França, onde leciona, escreve e atua no auxilio a refugiados do mundo todo.

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O que anima é a existência de diferentes maneiras de buscarmos a paz. Uma delas pode ser exatamente a que se encaixa em nosso jeito de ser, de sentir e viver. Uma delas estará mais de acordo com nossas crenças. O importante, acreditamos, é firmar o compromisso de desenvolvermos estas práticas, encontrando em nosso dia a dia um espaço para o exercício da paz em nossa mente.

Por exemplo: a respiração consciente é uma entre tantas maneiras de acalmarmos a mente. Por isso, lançamos um desafio: separe a cada dia, de 3 a 5 minutos, para respirar conscientemente. Você pode utilizar uma música ou duas músicas para marcar o tempo.

Sentados, numa posição confortável, podemos, enquanto inspiramos, dizer a nós mesmos: “inspirando, sei que estou inspirando”. E, enquanto soltamos o ar, dizemos: “expirando, sei que estou expirando”. Podemos até simplificar, usando uma só palavra de cada vez: “inspirando” e “expirando”. Essa técnica poderá ajudar a manter o pensamento na respiração.

Se estamos com a mente mais agitada, podemos experimentar contar as respirações. Contamos “um” na primeira vez que inspiramos e expiramos. Na respiração seguinte, contamos “dois”, continuando assim até dez. Recomeçamos então novamente do “um”. Se nos perdermos ou nos desconcentrarmos, simplesmente voltamos para o “um”.

Será que esta prática pode nos auxiliar a encontrar sossego, paz na mente, um comportamento que nos possibilite o equilíbrio, a ponderação em nossas ações, a tranquilidade? Não podemos afirmar. Mas, nas pesquisas sobre procedimentos em diferentes tradições, e mesmo na área cientifica, práticas como esta vêm sendo apontadas como meio simples de construirmos momentos de paz interior.

Muitas atitudes podem ser pensadas e colocadas em prática. Mudar hábitos, no entanto, não é fácil. No documento que marca a criação da Unesco, encontra-mos uma frase forte, que diz que “as guerras nascem no espírito dos homens e é nele, primeiramente, que devem ser erguidas as defesas da paz”.

O que podemos pensar e fazer para dizermos, como Gilberto Gil: a paz, invadiu o meu coração...?

Paz social

Paulo Freire, que tem nos acompanhado neste curso em diversos temas, vincula a paz à justiça social. Leonardo Boff (2006) também nos diz que nenhuma sociedade terá futuro se for construída sobre uma injustiça estrutural e histórica.

A expressão justiça social relaciona-se à garantia de uma existência digna para todos, considerando integralmente as necessidades humanas. Justiça social tem a ver com igualda-de, com iguais oportunidades para todos. Ora, sabemos quão longe da realidade está a justiça, a equidade. Por isso, para pensarmos em paz social é preciso o aprofundamento no conhe-cimento dos Direitos Humanos e como eles são uma conquista para a humanidade, preci-sando com mais força e competência alastrar-se por todos os povos, todas as classes sociais.

Andamos pelas ruas e muitas vezes nos incomodamos com pessoas pedindo ou vendendo coisas, nos abordando. No dia 6 de fevereiro, numa emissora de

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te-levisão, foi apresentada uma reportagem sobre os moradores de rua em São Paulo, em número assustador. As pessoas, ao serem interpeladas nas ruas, diziam que já estavam acostumadas a vê-los assim, especialmente as que trabalham no centro da cidade. Outros dizem temer ações violentas, de pessoas bêbadas ou drogadas. É uma realidade que incomoda, mas vamos ficando insensíveis, anestesiados.

Sem dúvida alguma são questões de políticas públicas. Veremos com mais detalhe nos fascículos seguintes sobre Direitos Humanos. Mas no contexto da paz social é importante também olharmos para nosso próprio movimento nas cidades, nas comunidades em que habitamos.

Como é nossa relação com o outro? Que tipo de convivência é a mais adequada para criarmos ambientes de paz na comunidade em que estamos?

Humberto Mariotti (2013), autor já citado no fascículo 2, sobre diálogo, nos apresenta os cinco saberes do pensamento complexo. São eles: saber ver, saber es-perar, saber conversar, saber amar, saber abraçar. Vamos contar sobre o “saber ver”, que nos chama a atenção para uma ideia muito simples, que esquecemos com fre-quência: existimos também porque o outro nos vê.

Em algumas tribos do Natal, na África do Sul, o cumprimento é feito pela expressão Sawu bona, que quer dizer “eu vejo você”. A resposta dada é Sikhona - “eu estou aqui”. Mariotti chama-nos a atenção para a importância de olhar o outro, re-conhecendo sua existência, dignificando sua presença. Ainda citando outro costume de tribos africanas, a ética ubuntu diz que “uma pessoa se torna uma pessoa por causa das outras”. Para essa tribo, se um indivíduo passa por outro e não o cumprimenta, significa a recusa a vê-lo, negando-lhe a existência.

Destes relatos tiramos alguns questionamentos, sobre diferentes culturas e sobre o “saber ver”:

Será que temos a consciência de como outras culturas têm conceitos, hábitos, tradições que podem nos ensinar?

Qual a vantagem de conhecermos a diversidade cultural em nosso estado, país ou no mundo?

Qual a relação do “saber ver” com a paz social?

“Saber ver”, é antes de mais nada, saber ver as pessoas que vivem conosco, mas tam-bém as pessoas que habitam um mesmo espaço comunitário, onde a vida social acontece. Será que temos o hábito de conhecer as pessoas que vivem em nosso bairro, que trabalham no mesmo local que nós, na mesma escola?

Fernando Braga da Costa (2004, p. 58-9), psicólogo, na sua dissertação de mes-trado, em São Paulo, na USP, pesquisou sobre o que chamou “homens invisíveis”. Por 9 anos trabalhou como gari na cidade universitária e conta, em seu livro, que um dia,

no intervalo entre aulas no Instituto de Psicologia, foi preciso que eu pas-sasse dentro do prédio daquela faculdade. Imaginei, então, que vestindo

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aquele uniforme ali incomum - calça, camisa e boné vermelhos - fosse chamar a atenção de toda a gente: colegas de classe, professores, curiosos.

Entramos pela porta principal, eu e o Antônio (um dos garis). Per-corremos o piso térreo, as escadas e o primeiro andar. Não fui reconhe-cido. E as pessoas pelas quais passávamos não reagiam à nossa presença. Talvez apenas uma ou outra tenha se desviado de nós. (…) Eu era um uniforme que perambulava: estava invisível, Antônio estava invisível.

Por que não fui visto? Por que passei despercebido?

É interessante observar como o autor ficou impressionado por não ser reco-nhecido por pessoas com quem convivia, como colegas e professores. Claro, não foi reconhecido porque não foi sequer visto.

Sobre isso, há muito a ser feito, pensado, vivenciado especialmente nas ci-dades. Por onde podemos começar? No próximo fascículo teremos este tema de-talhado. Mas, por enquanto, talvez possamos olhar, ver um pouco mais as pessoas que nos rodeiam, prestando atenção, ouvindo. Há um universo em cada ser vivo e, consequentemente, em cada ser humano. Vamos refletir sobre isso?

Saber ver também nos leva a questionar as razões históricas e geográficas das in-justiças sociais. Há uma longa trajetória em nosso país, nos países que vivem conflitos e guerras. Há ligações entre o presente e o passado. É preciso lucidez para pensar nas consequências de cada decisão política, econômica que se espalham pelo mundo todo.

Vivemos em tempos marcados pelo individualismo, consumismo e competi-ção que geram descaso em relacompeti-ção ao outro, estando ele próximo ou distante. A paz social, a paz com os outros nos aponta a necessidade da cooperação, do cultivo de uma vida mais simples, do respeito, da solidariedade. A paz social também nos faz pensar que a natureza, da qual somos parte e dependemos para viver, vem sendo descuidada, desrespeitada. Assim, ligamos a paz com a paz ambiental.

Paz ambiental

Anda! Quero te dizer nenhum segredo Falo nesse chão, da nossa casa Vem que tá na hora de arrumar...

O Sal da Terra

Beto Guedes

A paz social relaciona-se a paz ambiental, pela criação de comportamentos éticos, com ações responsáveis pela reverência à vida em todo planeta.

No último século, a população em nosso planeta mais do que dobrou, atingindo 6 bilhões de pessoas. O alerta para os níveis de produção e consumo que esgotam os re-cursos naturais já são lugar-comum. Também já são conhecidas as notícias sobre a

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extin-ção de espécies animais e vegetais pela exploraextin-ção econômica para atender as demandas humanas. O impacto da atividade humana gera conflitos entre povos, pelas reservas es-tratégicas de combustíveis, energia e possivelmente a água será alvo também de disputa. Tínhamos a ideia de sermos “senhores da natureza” e que os recursos da Terra eram inesgotáveis. Hoje entendemos que somos parte da natureza, que os recursos são finitos e que consumimos muito mais do que a Terra é capaz de recompor. Há profundo desequilíbrio, consequência de um estilo de vida que não é sustentável.

Se tomarmos simplesmente a produção de lixo, que a cultura do descartável aumenta cada vez mais, já temos problemas suficientes. A reciclagem é um caminho importante, mas insuficiente. É preciso pensarmos em como produzir menos lixo...

Além do lixo, que outros cuidados e atitudes poderiam ser assunto para cam-panhas públicas vinculadas à educação ambiental?

Sabemos que não é mais possível ignorar as questões climáticas. Nos primeiros dias de fevereiro de 2013, nevascas no hemisfério norte fazem governos suspenderem as aulas e recomendarem às pessoas que não saiam de casa. O estado do Ceará passa por uma seca, a pior dos últimos 40 anos, com muitas cidades em estado de emergência. Somos dependentes do clima, dos recursos naturais e do equilíbrio da vida na Terra.

As questões ambientais, para serem equacionadas, precisam de esforços e ações em diferentes níveis. Mas como a paz social, individualmente podemos pouco. Há a urgente necessidade de acordos entre nações que revertam em políticas públicas de preservação da vida no planeta. Reuniões com esta temática vêm sendo feitas, com poucos resultados, principalmente pela falta de adesão de países que consomem sozinhos grande parte dos recursos do planeta, como os Estados Unidos.

Vamos refletir sobre isso?

Como você vê a paz ambiental?

Que comportamentos novos adotamos, nos últimos 5 anos, tendo em vista a paz ambiental em nosso planeta?

Há mudanças perceptíveis em nossa comunidade com referência à paz ambiental?

Paz armamentista

Por fim, a paz armamentista, militar.

Nos acontecimentos que trouxemos no início deste fascículo, tirados de notí-cias de jornais, temos as armas entendidas como parte da solução dos conflitos. Nos Estados Unidos, pessoas entusiastas por armas lotaram feiras em todo o país para comprar armas de assalto, que eles temem logo ser proibidas, depois do massacre de crianças em uma escola em Connecticut. Neste país o porte de armas é permitido.

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Há uma expressão estranha, ainda enraizada entre os povos do mundo, de “paz armada”. Existe inclusive um “dito” militar que resume o problema assim: “Se queres a paz, prepara-te para a guerra”. As Forças Armadas têm por função essencial manter a paz pelo emprego da força. Quando a Organização das Nações Unidas (ONU) envia sua “força de paz” para agir em determinado país, é esse princípio que está sendo aplicado. A postura oposta consiste em afirmar: “Se queres a paz, prepara a paz” (Weil, 1993).

Qual a justificativa para que andemos armados? Quanto vale a vida humana?

Os números de mortes em meio a conflitos é enorme. Como é enorme o número de mortes com o tráfico de drogas, com o crime organizado, no trânsito.

No site da Secretaria de Segurança do Estado do Rio de Janeiro (www.isp.rj.gov.br/ Conteudo.asp?ident=232), encontramos o “Relatório Temático Bala Perdida”, que tem por objetivo apresentar o número de vítimas com registro de ocorrência nas delegacias. Interessante a definição de “vítima de bala perdida”, como sendo “pessoa que não tinha nenhuma participação ou influência sobre o evento no qual houve o disparo de arma de fogo, sendo, no entanto, atingida por projétil e podendo vir a falecer ou não”.

Os países em guerra pensam estratégias de represálias e as populações civis não têm garantias, pois qualquer lugar pode ser bombardeado, assaltado, ocupado.

Muitos autores têm escrito sobre estas questões, tentando chamar a atenção para o diálogo, para a busca de alternativas criativas para conflitos seculares. Por enquanto parece ser em vão.

A quem interessa a manutenção de corridas armamentistas? Quem ganha com as guerras e conflitos armados? Sem dúvida alguma, ao menos os donos de indústrias de armas.

Quando pensamos na paz armamentista, ouvindo um jornal na televisão ou no rá-dio, ou lendo jornais impressos, há um certo desânimo. O século XX, com a Declaração Universal de Direitos Humanos ou não, foi o século mais violento que se tem notícia.

O que fazer? Ficam as questões, para nutrir nossa capacidade de discernir, de nos unirmos, de buscarmos alternativas impensadas...

É possível viver em paz?

Terminamos como começamos, com a pergunta: é possível viver em paz? É preciso acreditar...

Ao discorrermos sobre a paz interior, a paz social, a paz ambiental e a paz ar-mamentista, quisemos abrir um espaço de reflexão, pois parece-nos que tudo está para ser feito, a cada dia.

Podemos confiar? Podemos confiar que as relações de respeito e aceitação do outro serão realidade nos lugares onde vivemos, em nossa família, na escola, no trabalho, na sociedade? Não há garantias, pois vimos que a violência ainda está enraizada no homem, na mulher. Melhor dizer: em nós!

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Assumir, reconhecer e refletir sobre nossas atitudes nos parece um bom iní-cio. Na continuidade, conhecer mais o mundo ao nosso redor, saber o que acon-tece, procurar diferentes versões, na tentativa dialógica de compreender melhor os lados e o contexto de cada notícia.

Não há resposta pronta para esta pergunta. Todo dia a realidade nos mostrará respostas diferentes que nos levarão a outras perguntas.

Para continuarmos pensando e projetando juntos, no próximo fascículo va-mos estudar sobre como podeva-mos agir no local onde viveva-mos, em nosso pequeno contexto, sem deixar de pensar e refletir globalmente, como cidadãos planetários. Vamos planejar nossos próprios passos para a geração da paz.

Enquanto isso, vamos nos preparando para conhecer sobre os Direitos Huma-nos e o seu papel fundamental na construção da justiça social, base também para a paz.

Síntese do fascículo

Neste fascículo, enfrentamos o desafio de pensarmos juntos, um pouco mais, so-bre esse estado de felicidade interna e plural que denominamos de PAZ. Afinal, a paz não é um consenso universal e, sim, um sentido a ser gradativamente construído por meio do diálogo. Não há receitas, nem garantias. Buscamos, então, alguns conceitos e notícias, nos postamos em estado de reflexão sobre eles, e encontramos: confron-tos, violência, intolerância, discriminação, injustiças e desigualdades sociais. Será que paz é somente uma ideia que se contrapõe à guerra, às ações bélicas? Ou será a paz a ausência da violência de qualquer tipo? Daí discorremos sobre: (1) violência, tanto a física como a verbal; tratamos sobre o bullying; (2) conflito, distinguindo-o da agressão e da violência propriamente dita; o lado positivo do conflito; (3) os princípios de não-agressão e da não-violência.

Necessitamos compreender de forma mais profunda o sentido da paz, além de criarmos a consciência, como indivíduos e cidadãos, de como podemos contribuir para alcançá-la. Por fim, descrevemos os aspectos multidimensionais da paz: (1) inte-rior, (2) social, (3) ambiental e (4) armamentista, e os inter-relacionamos. Tudo ainda está para ser feito, a cada dia. Afinal, é possível viver em paz?

Atividades

1. Como você entende a paz? O que ela significa para você?

2. Qual a diferença entre conflito e violência? É possível a vida sem conflito?

3. Como a paz pode ser conquistada a partir da compreensão dos Direitos Humanos?

4. Você consegue, no seu dia a dia, “enxergar” os outros a seu redor?

5. Como o aumento populacional, a utilização inadequada dos recursos naturais, a produção de lixo e as questões climáticas podem influenciar negativamente para o estabelecimento de um estado de paz?

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Referências

BOFF, Leonardo. Virtudes para um outro mundo possível, vol III: comer e beber

jun-tos e viver em paz. Petrópolis, RJ: Vozes, 2006.

BRANDÃO, Carlos Rodrigues. As fl ores de abril: movimentos sociais e educação

am-biental. Campinas, SP: Autores Associados, 2005.

BUCAY, Jorge. Cuentos para pensar. Buenos Aires: Nuevo Extremo, 2002.

COSTA, Fernando Braga da. Homens Invisíveis: relatos de uma humilhação social. São

Paulo: Globo, 2004

D’Ambrósio, Ubiratan. Educação para a paz. Disponível em http://www.sociologia.org.

br/tex/educacaoparaapaz.htm. Acessado em janeiro/2013.

JARES, Xesús R. Educar para a paz em tempos difíceis. São Paulo: Palas Athena, 2007.

MARIOTTI, Humberto. Os cinco saberes da complexidade. Disponível em http://

www.geocities.com/pluriversu/piaget.html. Acessado em 25/01/2013.

NHAT-HANH, Thich. Paz a cada passo: como manter a mente desperta em seu

dia-a-dia. Rio de Janeiro: Rocco, 1993.

WEIL, Pierre. A arte de viver em paz: por uma nova consciência, por uma nova

educa-ção. São Paulo : Editora Gente, 1993.

Autores

Cassia Regina Andrade Xavier: graduada em Estudos Sociais pela Universidade Estadual

do Ceará (Uece), pós-graduada em Educação Biocêntrica e Psicologia Transpessoal. Autora dos livros Gestos, Palavras e Músicas e Educação Biocêntrica: vivenciando o desenvolvimento orga-nizacional. Co-autora do livro Educação Biocêntrica e o Movimento de Construção Dialógica. Organizadora do livro Mariana: um facho de luz. Presidente do Conselho de Administração do Instituto Nordeste Cidadania.

Rosamaria de Medeiros Arnt: Doutora em Educação pela PUC/SP, pós-doutorado na

Uni-versidade de Barcelona com o tema “Cenários de Aprendizagem e Docência Transdisciplinar”. Membro do Grupo de Pesquisa Ecotransd/CNPq e pesquisadora visitante na Universidade Estadual do Ceará (UECE), junto à Pró-Reitoria de Extensão, coordenando o projeto “Rede de Agentes de Cidadania: caminhos para a vivência dos direitos humanos e geração da paz”.

Presidente João Dummar Neto | Coordenação do Curso Rosamaria de Medeiros Arnt | Coordenação Acadêmico-Administrativa |

Ana Paula Costa Salmin| Editora Regina Ribeiro | Editor Adjunto Raymundo Netto | Coordenador de Produção Editorial Sérgio Falcão |

Editor de Design Amaurício Cortez | Projeto Gráfi co e Capas Amaurício Cortez eWelton Travassos | IlustraçõesKarlson Gracie | Editoração Eletrônica Welton Travassos | Revisão Tarcila Sampaio | Catalogação na Fonte Kelly Pereira

Expediente ISBN: 978-85-7529-572-4

Realização Apoio Cultural

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