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Relatório estágio profissional

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Academic year: 2021

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Médicas da Universidade Nova de Lisboa

Ano Letivo 2019/2020

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Relatório Final

Mestrado Integrado em Medicina

Estágio Profissionalizante

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Coordenador: Prof. Doutor Luís Campos

Regente: Prof. Doutor Rui Maio

Pedro Damásio Araújo de Freitas

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Índice

1. Introdução ... 3

2. Objetivo Geral ... 3

3. Descrição das Atividades ... 3

a. Saúde Mental ... 3

b. Medicina Geral e Familiar ... 4

c. Pediatria ... 4 d. Ginecologia e Obstetrícia ... 5 e. Cirurgia Geral ... 6 f. Medicina Interna ... 6 4. Reflexão Crítica ... 6 5. Anexos ... 9 Anexo 1 ... 9 Anexo 2 ... 10 Anexo 3 ... 11 Anexo 4 ... 20 Anexo 5 ... 21 Anexo 6 ... 22

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1. Introdução

Com este relatório pretendo expor resumidamente o meu percurso académico prático deste 6º e último ano do Mestrado Integrado em Medicina (MIM) da Nova Medical School | Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Nova de Lisboa.

No decorrer do mesmo irei apresentar por ordem cronológica os estágios que frequentei no presente ano letivo, mas não sem antes definir os principais objetivos do estágio profissionalizante no geral e, posteriormente, de cada especialidade médica em particular, no primeiro parágrafo de cada uma na Descrição das Atividades.

Para finalizar irei apresentar uma reflexão crítica sobre o meu percurso académico até à data com especial foco neste último ano.

Em anexo encontram-se certificados de atividades extracurriculares que considero relevantes.

2. Objetivo Geral

No final do estágio profissionalizante espera-se que o aluno pré-graduado domine o conhecimento das ciências básicas e clínicas e tenha desenvolvido as aptidões necessárias ao exercício da Medicina sob supervisão, para além da capacidade de as utilizar com eficácia, e respeitando os princípios éticos e legais inerentes à profissão, e centrando a prática no doente.

3. Descrição das Atividades a. Saúde Mental

Com o estágio de Saúde Mental pretende-se que o aluno consiga: Distinguir distúrbios psicopatológicos do normal funcionamento do paciente; identificar perturbações da personalidade, de comportamentos e de relações interpessoais; localizar o paciente no seu contexto social, familiar e laboral; avaliar competências funcionais; identificar situações de risco; colher uma história clinica adequada; reconhecer as capacidades e limites da sua atuação; estabelecer objetivos terapêuticos a curto, médio e longo prazo.

Este foi o primeiro estágio do presente ano letivo, tendo decorrido, nos dias uteis, de 9 de setembro 2019 a 4 de outubro de 2019, sob tutoria da Dr.ª Sílvia Pimenta no Serviço de Pedopsiquiatria da Clínica do Parque.

Neste serviço são seguidas em consulta crianças entre os 5 e os 12 anos de idade, sendo por vezes prolongada a idade limite até aos 18 anos, caso se estabeleça uma relação médico-doente vinculativa, cuja eventual quebra possa vir a ter um impacto negativo no processo terapêutico da criança.

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Neste contexto, para além do seminário teórico-prático na Faculdade e das consultas mencionadas a supra, frequentei aulas do internato de pedopsiquiatria (sobre Perturbações do Espectro do Autismo, Investigação em Pedopsiquiatria e Antipsicóticos), reuniões de serviço, uma sessão clínica sobre Recursos da Comunidade e Estratégias de Comunicação, uma reunião mensal interequipas coordenada pelo Diretor de Serviço o Prof. Doutor Pedro Caldeira da Silva - que contou uma apresentação subordinada ao tema: A Escola – Fator de Psicopatologia e Fator de Resiliência - uma manhã no Hospital de Dia da Clínica do Parque (atividades e terapia de grupo para crianças selecionadas) e o serviço de urgência no Hospital Dona Estefânia.

b. Medicina Geral e Familiar

Com o estágio de Medicina Geral e Familiar pretende-se que o aluno consiga adotar uma abordagem centrada no doente; identificar e gerir os problemas de saúde mais frequentes na comunidade; coordenar cuidados de saúde no contexto em que estão inseridos; tomar decisões terapêuticas conscientes, identificar situações de risco pessoal, familiar e social; praticar medicina preventiva tendo por base o método cientifico; e demonstrar um comportamento profissional para com o doente, familiares e colegas.

O estágio decorreu entre os dias 7 de outubro de 2019 e 31 de outubro de 2019 na UCSP de Beja sob a tutoria da Dr.ª Edite Spencer.

Nesta unidade de saúde são seguidos utentes do concelho de Beja e arredores.

Durante o estágio ganhei crescente independência na gestão de consulta de Medicina Geral e Familiar sendo que no fim da semana já era capaz de dar consultas com supervisão indireta, dirigindo-me à tutora apenas para confirmar ajustes na medicação.

Presenciei também consultas de Teledermatologia em Direto com o Hospital de Évora, consultas abertas a qualquer utente mesmo que não inscrito na UCSP, participei no programa de Telessaúde do Alentejo 2019 em direto com o Hospital de Évora - tendo assistido aos temas Saúde Infantil nos Primeiros Anos de Vida e Doenças Infeciosas Emergentes e Reemergentes - acompanhei a equipa do Centro de Doenças Infeciosas de Beja à formação “7 Prazeres Capitais: Comportamentos de Risco no séc. XXI” ( cfr. Anexo 1), e participei nas “IIas Jornadas de Medicina Geral e Familiar nas CUF Infante Santo (cfr. Anexo 2).

c. Pediatria

No final do estágio de Pediatria espera-se que o aluno seja capaz de conhecer as principais patologias da criança e adolescente em Portugal e no Mundo; saber os princípios gerais da atuação nas doenças mais comuns da criança e adolescente, incluindo urgências e emergências; estabelecer comunicação com a criança ou adolescente e a família; efetuar a colheita de dados anamnésticos e o exame físico; reconhecer critérios de gravidade; interpretar exames complementares, discutir o diagnóstico, propondo orientação terapêutica; prescrever

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fármacos correntes; elaborar relatório clínico informativo, resumindo à família de forma compreensível e humanizada, o problema em causa, a terapêutica aconselhada e o prognóstico; compreender a importância de um comportamento adequado em ambiente hospitalar demonstrando assiduidade, pontualidade, rigor científico e integridade intelectual; desenvolver competências transversais como autonomia e capacidade de pesquisa, treino e desenvolvimento das qualidades de preletor.

Este estágio decorreu entre os dias 4 de novembro de 2019 e 29 de novembro de 2019 sob a tutoria da Dr.ª Mafalda Paiva no Hospital Dona Estefânia, onde tive a oportunidade de contactar com várias subespecialidades.

Neste contexto assisti a consultas de cuidados paliativos pediátricos, consultas e internamento de pediatria geral, internamento de infeciologia, consulta de neurologia pediátrica, consulta de otorrinolaringologia pediátrica, consulta de endocrinologia, consulta e aula teórico pratica de imunoalergologia e visitas domiciliárias da UMAD (Unidade de Apoio Domiciliário), serviço de urgência, uma aula de simulação de urgência pediátrica, reuniões e sessões clínicas (Pathways Portuguesas do Medicamento Órfão, Medicina – Uma Vocação, Alterações da Glicémia no Serviço de Urgência, Pseudo-Hipoaldosteronismo do Tipo 1 Secundário a Uropatia e as Jornadas de Formação Da UCF Todos os Santos – Vertente Saúde da Criança e Adolescente), e ao seminário da UC onde apresentei o tema: “Nontuberculous

mycobacteria lymphadenitis - a case report”

d. Ginecologia e Obstetrícia

Este estágio teve como objetivo proporcionar uma oportunidade para a aquisição de atitudes e competências em ginecologia e em obstetrícia, indispensáveis à boa prática médica. Pretende-se que os alunos sejam integrados na prática clínica hospitalar de forma tutelada, acompanhando sempre que possível o tutor na sua atividade, observando ou realizando procedimentos fundamentais para o seu exercício profissional futuro. Os conhecimentos, capacidades e atitudes adquiridos ao longo do curso e principalmente na cadeira de Ginecologia e Obstetrícia do 4º ano, deverão ser sedimentados e enquadrados na medicina da mulher.

O estágio de Ginecologia e Obstetrícia decorreu nos dias uteis entre 2 e 20 de dezembro de 2019 e 6 e 10 de janeiro de 2020, sob a tutoria da Dr.ª Luciana Patrício e da Dr.ª Adriana Franco no Hospital de Vila Franca de Xira.

Neste estágio tive a oportunidade de frequentar o serviço de urgência de ginecologia e obstetrícia, o bloco de partos, o bloco operatório de ginecologia, a consulta de gravidez de alto risco, consulta de ecografia obstétrica (e execução de amniocentese e biópsia de vilosidades coriónicas), consulta de ecografia ginecológica, consulta de ginecologia geral e patologia do colo

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uterino, e consulta de pavimento pélvico. Apresentei juntamente com os meus colegas o tema proposto de “Ética e Segurança em Ginecologia e Obstetrícia”.

e. Cirurgia Geral

No final do estágio de cirurgia espera-se que o aluno pré-graduado conheça e saiba: aplicar a linguagem e terminologia cirúrgicas, bem como as principais síndromes cirúrgicas, sua etiopatogenia e semiologia, bem como os fundamentos do seu diagnóstico e tratamento; distinguir situações clínicas com indicação eletiva e urgente; saber planear e executar um exame clínico completo; requisitar e selecionar métodos complementares de diagnóstico necessários ao esclarecimento de um caso clínico; avaliar o estado nutricional e o risco cirúrgico do doente; saiba hierarquizar os dados de uma história clínica e formular as hipóteses de diagnóstico; executar técnicas de pequena cirurgia comuns; e conheça técnicas de anestesia e assepsia. Espera-se também que o aluno tenha desenvolvido competências socias e éticas adequadas à prática clínica.

O estágio de Cirurgia decorreu nos dias úteis, entre 20/01/2020 e 09/03/2020 sob a tutoria do Dr. Nelson Silva no Hospital CUF Infante Santo.

Na primeira semana do estágio frequentei aulas teórico-práticas sobre temas relacionados com cirurgia geral no Hospital Beatriz Ângelo sob coordenação do Prof. Dr. Rui Maio. Neste estágio tive a oportunidade de acompanhar e auxiliar o Dr. Nelson Silva no bloco operatório - cirurgia robótica por Da Vinci, por laparoscopia e por laparotomia - consulta de cirurgia geral, consulta de proctologia e internamento de cirurgia geral.

Como apresentação final foi-nos proposto expor um caso exenteração pélvica de um carcinoma neuroendócrino do reto em estadio avançado, cirurgia que tive oportunidade de assistir e auxiliar.

f. Medicina Interna

O estágio de Medicina Interna teria início depois de ter sido decretado a nível nacional o encerramento das atividades letivas em hospitais por parte do Concelho Português de Escolas Médicas, no contexto da pandemia COVID-19.

Dada a impossibilidade de ser realizado o estágio prático, foi proposto, juntamente com dois colegas, elaborar um artigo de revisão sobre o tema “COVID-19 e Trombofilia” (cfr. Anexo

3).

4. Reflexão Crítica

Esta é reta final de seis anos de trabalho e de estudo. Antes de mais quero dizer que considero que os objetivos principais foram cumpridos.

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Persistência, trabalho em equipa, confiança (em nós e nos outros) e foco, foram e são, em minha opinião, os pilares essenciais para concluir este ano com sucesso.

Considero que tive uma a experiência abrangente, tendo passado por serviços públicos e privados, periféricos, centrais e distritais.

Se tivesse que retirar um ensinamento a nível pessoal de cada estágio diria o seguinte: Em medicina familiar, aprendi que a pacatez das planícies alentejanas faz surgir o melhor e o pior que há em nós. O contacto com os doentes era mais natural do que senti em qualquer outro sitio, os utentes de todas as idades foram sempre amáveis, pacientes e no geral verdadeiros tornando o trabalho médico de família francamente mais fácil. No entanto, com o auxílio na palestra dos 7 prazeres capitais (Anexo 1) percebi que o Alentejo tem considerável prevalência de doença crónica e abuso de substâncias.

Em pediatria aprendi que há pessoas com uma tão inacreditável vontade de ajudar e de ensinar que os nossos esforços parecem sempre mínimos por comparação e que essas virtudes são fruto de um conhecimento muito vasto. Sob tutoria da Dr. Mafalda Paiva, especialista em cuidados paliativos pediátricos, tive oportunidade de passar por várias subespecialidades que me permitiram ver a vastidão da pediatria e reconhecer que áreas me poderiam interessar no futuro.

Em cirurgia aprendi que um conhecimento vasto não basta para ensinar, e que a maior virtude do aprendiz é saber mostrar que quer aprender. Com o Dr. Nelson Santos a dinâmica nem sempre foi a mais fácil. Participei em inúmeras cirurgias, executadas por um profissional notório da cirurgia colorretal, e vi diversos pacientes com crescente independência. No entanto, talvez por se tratar de um hospital privado, senti que a confiança que me era depositada não era tanta quanto a que merecia.

Por último, em pedopsiquiatria aprendi que o melhor do mundo são mesmo as crianças, que para as compreender na sua plenitude é preciso observá-las no seu habitat natural, brincando. A perspetiva que ganhei terá grande sem dúvida benefício na minha prática, no que toca à minha capacidade compreender subtilezas em idades que nem sempre se sabem expressar.

“Isn't it a bit unnerving that doctors call what they do practice?” George Carlin

Vi esta frase pela primeira vez no slide final de uma aula da UC de Introdução à Prática Clínica. Afinal de contas, que é isto de ser médico? Alguém que olhe o mundo de forma crua e amarga diria que é um homem que leva uma vida inteira a tentar retardar um fim inevitável.

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Seriam talvez a palavras de um engenheiro, ou de um poeta desconsolado. Pensa-as, no entanto, alguém que em breve, espero, será um doutor da medicina.

Ser médico é negar à vida o direito de se resolver por si mesma. Fazemo-lo, deixando claro que a vida não tem esse direito. Pois a vida pertence às pessoas que a vivem e não o contrário.

Tal implica que o Médico deva olhar o utente no contexto clínico, familiar, social e cultural, respeitando a sua autonomia, como que olhemos para nós próprios respeitando o caminho que fizemos dentro e fora da Faculdade a nossa, e mui nobre, de Ciências Médicas, ou outra. Esta foi talvez a primeira verdadeira lição que aprendi neste curso. Médico não se é, medicina pratica-se e pratica-se para a vida. Este é o nosso credo, a nossa máxima é o bem do próximo e atingimo-la com humildade, ética, raciocínio científico e compaixão. Se posso dizer algo com certeza, no início de um percurso em que as certezas são poucas, é que nada me enerva acerca disso.

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5. Anexos

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Referências

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