LUCIANO GARNICA
CAMARGO
'TERATOMA
SACROCOCCÍGEO:
ANÁLISE
DE
20
CASOS
Trabalho apresentado à Universidade
Federal de Santa Catarina, para a
conclusão no Curso de Graduação
em
Medicina .FLORIANÓPOLIS
TERATOMA
SACROCOCCÍGEO:
ANÁLISE
DE
20
CASOS
Trabalho apresentado à Universidade
Federal de Santa Catarina, para a
conclusão no Curso de Graduação
em
Medicina.Coordenador do curso: Edson José Cardoso
Orientador: José Antonio de Souza
Co-orientador: Edevard José de Araújo
FLoR1ANÓ1>oL1s
Camargo, Luciano Gamica.
Teratoma sacrococcígeo: Análise de 20 casos. Florianópolis, 1998. 27p.
Trabalho de conclusão no Curso de Graduação em Medicina, Universidade
Federal de Santa Catarina.
' f 1.Teratoma
AGRADECIMENTOS
Agradeço
ao professor JoséAntônio
de Souza,que
como meu
orientador,me
ajudouna
elaboração deste trabalho, mostrando-se compreensivo, paciente,educador e sobretudo amigo.
Agradeço
também
a todas as pessoas ligadas amim
que
dealguma maneira
1 .Introdução ... ._ 2. Objetivo ... ._ 3.
Método
... ._ 4.Resultados ... _. 5. Discussão ... ._ 6. Conclusões ... _. 7 _ ReferênciasNormas
... _.Resumo
... ..Summary.
_ _Apêndice
. .. . . . . . . . ‹ . . z z ‹ - . . . . . . . . ¢ . . zz . . ‹ . z › . . . . . . .- . . . . . › . z . . . . .. z ‹ . . . . . . . . . . .. . . . . . . . ...1.
INTRoDUÇÃo
Os
tumores de células genninativasque
seformam
do
compartimento embrionário sãochamados
teratomas.A
palavra teratoma é derivadado
gregoT
eratosque
literalmente significa monstro, maiso sufixo
oma
que éusado
paraindicar neoplasial.
Teratomas
são neoplasias embrionárias, derivadasde
células totipotenciais,que contêm
tecidos deno
mínimo
duasou
mais
camadas
germirrativas(ectoderma,
mesoderrna
e endoderrna)2*3°4°5.O
derivado ectodérmico, representado por pele, estruturas de suporte e elementos neurogliais, predornina.Os
componentes mesodénnicos
incluem cartilagem,músculo
liso e osso, e osendodérmicos consistem de estruturas dos sistemas gastrirrtestinal e respiratório,
além
de vascularz.A
exata etiologia dos teratomas continua obscura e varia muito de acordocom
o
sítio de origem.Em
geral apresentam-seno
período neonatalou
na
infância,
podendo
ser benignos,ou
malignos, epodem
ser císticos e/ou sólidos.A
grande maioria dos teratomas é benigna, e constituídos de tumores
maduros
ou
imaturosz.
Os
teratomasmaduros
sãocompostos
poruma
coleção heterogênea e confusa de células diferenciadasou
estruturas organóidescomo,
por exemplo, tecido neural, feixes musculares, ilhotas de cartilagem, agrupamentos de epitélio escamoso, estruturas reminescentes de glândula tireóide, epitélio brônquicoou
bronquiolar e fragnrentos de parede intestinalou
substância cerebral, todos imersosem
um
extroma fibrosoou
mixóideó. pOs
teratomas imaturospodem
ser encaradoscomo
intermediários entreo
os elementos das três
camadas
de células germinativasmostram
diferenciação~ ~
incompleta e
nao
apresentam disposiçao organóideó.Os
teratomas malignos contêm,além
de tecidomaduro
e/ou embrionário,a
presença evidente de tecido maligno,
em
geral,como
a variantede tumor do
seioendodérmico2°4=7. Este último é dividido de acordo
com
o
tipo decomponente
maligno,
em
gemiinoma,
carcinoma embrionário,carcinoma do
seioendodénnico
ou
corrocarcinomas.O
principal sítio de localização dos teratomas éo
sacrococcígeo,com
aproximadamente
65%
dos casos.Cerca
de10%
são de mediastino,10%
de
gônadas
e o restante pré-sacral, retroperitoneal, cervical, sistema nervoso centrale outros locais raros2°3°4,5.
Teratomas
sacrococcígeos(TSC)
constituem amaior
parte dos teratomas2°3”5.Ravitch
em
seu estudo,mencionou que
a primeira descrição foi feita porChaldean proximadamente 2000
anos antes de Cristo.Menciona
também
que
~
Hemring
em
seus estudos sobreTSC,
descreveuque
a primeira observaçaoinequívoca de
um
TSC
foi realizada pelo obstetra francêsPeu
no
finaldo
séculoXVII, quando
este forachamado
para auxiliarum
parto,complicado
pelapresença de
um
grande tumor9.Edward
Stanleyem
1841, foio
primeiro a realizaruma
descrição precisa deuma
massa
em
região sacrococcígea9.A
primeira discussão sobre a retiradado tumor que
setem
notícia foi realizadapor
uma
juntamédica
e executada pelo Dr.Thomas
Blizard,que
seria publicado por Stanleyanos
mais
tardeg.O
estudomodemo
mais importante parao
entendimentoda
afecção foio
deAltman
et al.,que
em
1973, publicaramum
artigo a respeitodo
manejo do
TSC9°1°.O
TSC
éum-tumor
originado, tipicamente,da
superficie anteriordo
coccíxlo.Este tipo de teratoma é o mais
comum
no
período neonatal, ocorrendoem
3
ocorrem no
sexo femininocom uma
relação de 4:1comparado
com
o
sexomasculino2°3°“*14.
A
grande maioria dos casos é vistano
período neonatal eo
restante dos casos usualmente está presentes até os
4
anos de idade3.Um
grandenúmero
de teratomasvem
sendo diagnosticadono
período pré-natal3, devidoao
avanço, nos últimos anos, dos
métodos
deimagem,
principalmenteda
ultra-sonografia
(U
SG), cadavez
maisusada
durante a gravidez15”16. Esse fatotem
melhorado
muitoo
prognóstico, principahnentequando
realizadoem
centros,ditos terciários, já
que
o partopode
sermelhor
planejado,com
ajudade
cuidados de terapia intensiva neonatal, cirurgia pediátrica e técnicasde
imagem
sofisticadasls.A
presença de teratomano
fetopode
seracompanhada
por
poliidrâmnio e
aumento do tamanho
uterino,que
superaao tamanho
estimado para a idade gestacionalliló.Ao
nascimento a massa, geralmente, é grande,dificultando
o
parto, e a distóciatem
sidouma
das principais complicações mencionadasg.A
maioria dos tumores ocorre esporadicamente,mas
uma
incidência familiar
tem
sido descrita parao
teratoma pré-sacral”.Os
ttunores são classificados de acordocom
o
sistema desenvolvidopor
Altman
et al.1° em: Classe I,tumor predominantemente
externo; ClasseII, lesão
~
apresentando
um
componente
externo euma
significativa extensao pélvica pré sacral; Classe III,minor
é visívelextemamente
mas
apresentaum
componente
predominante pélvico e intra-abdominal e a Classe IV,
onde o tumor
é totalmente pré-sacral9”1°=“.A
criançana
maioria das vezes é assintomática, apenascom
atumoração
visívelem
região sacrococcígea1°3”9.Porém
é muitofieqüente que
otumor
causeabdução
das pernas paramelhor
acomodação do
mesmog.
Dentre os achados mais freqüentes encontram-se os sintomas~
obstrutivos causados pela
compressao do
retoou
sigmóide e/oudo
tratom°inário3°9”18”19.
dosagens
de
alfa-fetoproteina (otFP) sérica e a partícula betado hormônio
gonado-corticotrófico
humano (B-HCG)
euma
variedade deexames de imagem,
que vão
desdeuma
radiografia simples aexames
contrastados dos tratos urinárioe digestivo,
USG,
tomografia
computadorizada, e ressonância nuclear magnética1°15>2°.O
nível sérico de ocFP ao diagnóstico parece sermn
excelente indicadorda
presença de
tumor
malignoz.Os
níveisde
otFPpodem
estarnormalmente
elevados durante
o
desenvolvimento fetal e ao nascimento, devido àprodução
deste
marcador
pelofigado
fetal e pelo trato gastrintestinalml. Esses valorespodem
estar elevadosem
certos estados patológicos, neoplásicosou
não,como
atresia de vias biliares e hepatite neonatal”.As
anomalias congênitas estão presentesem
12 a15%
dos casos.As
principais são aanomalia
ano-retal anormalidades espinhaiscomo
a mielomeningocele, duplicaçãodo
reto , útero e vagina,além
de anormalidadesdo
trato minário baixo
como
disfunção ido esfincter vesical1*3°16.O
diagnóstico diferencial deTSC
é extenso e inclui: lipomielomeningocele,lipoma, cordoma, duplicação retal, cisto epidermóide, linfangioma,
tumor
decélulas gigantes
do
sacro, vários tipos de sarcoma, carcinoma mucóide, gliomacoccígeo e outros, sendo importante a diferenciação
o mais
rápidopossível1>2°3°14>2°.
O
tratamentodo
TSC
benigno,maduro
,mudou
muitopouco
nos últimos40
anos e é basicamente cirúrgico2.
A
abordagem
da
massa
varia de acordocom
o
tamanho
e a classificaçãodo
tumor3, sendo a ressecção cirúrgica completa,do
tumor
e exéresedo
cóccix, essenciais para a cura e prevenção de recidivasque
ocorrem
em
30
a40%
quando não
se retirao
cóccix2=3”“. AA
maior
causa de mortalidade nestes pacientes, éo choque
hemorrágico,5
~
mortalidade é a a idade
do
pacienteno
momento
da
operaçao,podendo
atingir50%
nos pacientes operadoscom
idadeacima
dos 2 anosg. Isso, provavehnente, devido ao fatoque
a transformação maligna ocorrecom
o
passardo
tempol.Em
relação aos teratomas imaturos a tendênciatem
sido considerá-loscomo
benignos e tratá-los apenas cirurgicamente, pois a probabilidade de malignidade ainda é discutívelz.O
tratamentodo
TSC
maligno evoluiu- bastante nos últimos20
anos, sendo a utilizaçãode
quimioterapiacombinada o
principal fatorresponsável por isto2°22. Importante,
também,
éo uso
de radioterapia local pós-operatória nos pacientes
que
apresentassemtumor
microscópico residual apósa
ressecção”.
A
utilização deesquemas
quimioterápicos, induz ao desaparecimento~
de
metástases e a reduçãodo tumor
primário, facilitando a operaçaoem
um
segundo momento2.
A
monitoração, dos níveis de otFP,também
pode
ser útilna
determinação
da
respostado minor
à quimioterapia e para o diagnóstico deuma
possível recorrênciazz.A
sobrevida neste grupopode
chegar a 80%2.Este trabalho propõe-se a analisar os casos
de
TSC
operadosno
Hospital Infantil Joana deGusmão,
Florianópolis/Santa Catarina e compará-loscom
a literatura pesquisada.2.
OBJETIVO
V
O
presente trabalho
tem
como
objetivo analisar os casosde
TSC
operadosno
Hospital InfantilJoana
deGusmão,
Florianópolis/SC
e compará-loscom
a7
3.
MÉTODO
Este é
um
estudo, retrospectivo, descritivo e transversal.Foram
analisados os prontuários de pacientescom
TSC
atendidosno
Serviço de Cirurgia Pediátricado
Hospital InfantilJoana
deGusmão
(HIJG),no
período de janeirode 1980
àdezembro
de1997
_Foram
coletadosdados
relacionados ao sexo, raça, idade ao diagnóstico,diagnóstico pré-natal, achados ao
exame
fisico, classificaçãosegundo
Altman
etal.
que
dividiram osTSC em
Classe I àIV
de acordocom
a localização e~
extensao
do
tiunor(Quadro
1), tipo histológico,exames
deimagem
e anomaliasassociadas.
i
Analisou-se
também
o tratamento realizado, sehouve
ou
não
terapiaadjuvante, complicações pós-operatórias, seqüelas após
o
tratamentoeo
seguimento ambulatorial.Quadro 1. Classificação de Altman et al. para teratoma sacrococcígeo.
CLASSE
Tumor
redominantemente extemoComonente
extemo euma
si ~ nificativa extensão elvica re-sacra.
I
. . ~ z ~
._-
III Visivel externamente
com
componente predominante pelvico e intra-Z abdominal
z
×
z ~ . z
4.
RESULTADOS
Tabela I- Pacientes portadores de teratoma sacrococcígeo operados
no
HospitalInfantil
Joana
de-Gusmão no
períodode
janeiro de1980
adezembro
de
1997 segundo
o sexo,em
número
(n°) e percentual (%).nO
%
Masculino
03Feminino
17 15,0 85,0 Total20
100,0Tabela ll- Pacientes portadores de teratoma sacrococcígeo operados
no
HospitalInfantil
Joana
deGusmão
no
período de janeiro de1980
adezembro
de
1997 segtmdo
a idade ao diagnóstico(em
dias),em
número
(n°) epercentual (%). nO
%
00
-|
07
12os
_]
28
029
-1
180 3 181_|
360
1 361_|
600
3>
600
1 60,0 0,0 15,0 5,0 15,0 5,0 Total20
100,0 'WTodos
os pacientes operados por teratoma sacroccígeoeram
da raça brancaNão
ocorrendo diagnóstico pré-natalem
nenhum
caso.Tabela III- Pacientes portadores de' teratoma sacrococcígeo operados
no
Hospital Infantil
Joana
deGusmão
no
período de janeirode
1980
adezembro
de1997 segundo
osachados de
exame
físico,em
número
(n°) e percentual (%).nO %.
Massa
sacrococcígea 18Deslocamento
anteriordo
ânus 4Abdomen
distendido 390,0 20,0 15,0
Tabela IV- Pacientes portadores de teratoma sacrococcígeo operados
no
Hospital Infantil
Joana
deGusmão
no
período de janeiro de1980
a
dezembro
de1997 segundo
a classificação*,em
número
(n ) epercentual (%). nO
%
Classe I 4 Classe II 13 Classe III 1 ClasseIV
2 20,0 65,0 5,0 10,0 Total20
100,0de
1997 segundo
o tipo histológico,em
número
(n°) e percentual (%)› ' nO%
Maduro
5 Imaturo 3Maligno
2
75,0 15,0 10,0 Total20
100,0Tabela VI-9 Pacientes portadores de' teratoma sacrococcígeo operados
no
Hospital Infantil
Joana
deGusmão
no
período de janeirode 1980
a
dezembro
de1997 segundo
osexames
deimagem,
em
numero
(n°) e percentual (%).
nO
%
Radio grafia
simples* 13Enema
opaco
_ 11 Ultra-sonografia 8 CintilografiaRenal
1Urografia
Excretora 1Nenhum
2 65,0 55,0 40,0 5,0 5,0 10,0ll
Tabela VII- Pacientes portadores de teratoma sacrococcígeo operados
no
Hospital Infantil
Joana
deGusmão
no
período de janeirode 1980
a
dezembro
de1997 segundo
as anomalias associadas,em
número
(n°) e percentual (%).
n°
%
Nenhuma
17 85,0Anomalia
ano-retal 1 5,0 Válvula de uretra posterior 'l 5,0
Total
20
100,0Os
pacientescom
teraroma sacroccígeomaligno
após a ressecção cirúrgica,foram
submetidos a quimioterapiacombinada, não
realizando-se radioterapiaem
nenhum
caso.Tabela VIII- Pacientes portadores de teratoma sacrococcígeo operados
no
Hospital Infantil
Joana de
Gusmão
no
período de janeirode
1980
adezembro
de1997 segundo
as complicações pós-operatórias,
em
número
(n°) e percentual (%). çn°
%
Infecção
da
ferida operatória 9 45,0Deiscência de pele
4
20,0Pneumonia
3 15,0Infecção
do
trato urinário 2 10,0Tabela Dí- Pacientes portadores de teratoma sacrococcígeo operados
no
Hospital Infantil
Joana
deGusmão
no
período de janeirode 1980
a
dezembro
de1997 segundo
as seqüelas apóso
tratamento,em
número
(n°) e percentual (%). n°%
Incontinência fecal 4 20,0 Constipação crônica _ 1 5 ,0Bexiga
neurogênica 1 5,0Déficit
motor
1 5,0Atrofia
renal bilateral 1 5,0L
Sem
seqüelas 13 65,0O
tempo
para a primeira consulta pós-operatória foiem
média
de30
dias após a alta hospitalar eo
seguimento, nos quenão
tiveramnenhuma
complicação ocorreu atéaproximadamente
um
ano
apóso
tratamento definitivo,em
58,6%
(7/ 12). Oito pacientesnão
retornaram parao
controle pós-operatório. Três pacientesretomaram
para correção cirúrgicada
incontinência fecal eum
foisubmetido
aofechamento da
colostomiaque
foi realizada devido a lesãoretal durante
o
primeiro ato cirúrgico.Os
dois pacientescom
lesãomaligna
pennaneceram
fazendo sessões periódicas de quimioterapia.Uma
delas foi reoperadaaproximadamente
6meses
após a primeira operação para esvaziamento
de
ganglionar inguinal, e foi avaliada pela últimavez
com
cerca deum
ano
emeio
apóso
tratamento primário recebendo alta ambulatorial.Um
paciente desenvolveuuma
neoplasia de sistema nervoso centralaproximadamente
6meses
após a curado
teratoma.Não
houve
nenhum
óbitono
pós operatório imediatoou
duranteo seguimento
13
5.
DISCUSSÃO
Desde
1974,quando
Altman
et al.1° publicaramo
importante artigo"Sacrococcygeal Teratoma:
Americam
Academy
of
Pediatrics(AAP)
Surgical Section Survey"onde descreveram 405
casos clínicos, vários autorestêm
descrito
um
grandenúmero
de pacientescom
estetumor
neonatal7. Estes sãotumores
com
um
grande espectrode
apresentações clínicas;mas comumente
ocorrem
com
visívelmassa
sacrococcígeals_Os
TSC
ocorrem
em
aproximadamente
1em
40.000
nascimentos eembora
raros, os
TSC
são osmais
comrms
tumores
congênitosnos
neonatosliló.O
sexo feminino é afetados 4 vezes amais que o
masculino1*2”3°14”16.Havránek
et al.,encontraram distribuição
mais
baixa a favordo
sexo femininocom
1,9:l7. Encontrou-se neste levantamentoum
resultado semelhante ao da maioriados
autores
com
5,6 pacientesdo
sexo feminino para 1 masculino.Langer
et al. relataramum
TSC
operado intra útero, apóso
diagnóstico pré-natal, entre
20
a23
semanas de
gestação, poiso
feto apresentava falênciacardíaca e a
mãe
pré-eclâmpsia severa.Esse
paciente encontrava-seem
um
grupo de
sete pacientesno
qual os seis primeiros tiveram óbito intra-uterinopor
complicações causadas pelo
tumor”.
A
detecção ultra-sonográfica pré-natal permiteum
ótimo
manejo
obstétrico perinatal,podendo
alertaro
cirurgião epodendo
a ultra-sonografia(U SG)
ou
tomografia
computadorizada serem programadas
no
períodopós
natal imediato, permitindomelhor
planejamento cinirgicoló.Nesta
sérienão houve
nenhum
caso-
de
diagnóstico pré-natal,provavelmente pordue
a grande maioria dos casos ocorreuem
pacientesde
baixo nível sócio-econômicoou
por estedado
não
estarMahour
et al.afirmam
que
osTSC
são usualmente detectados durante a~
infância, se
nao o forem no
momento
do
nascimento.O
achado mais
comum
é a presençade
uma
largamassa
sacral. Ocasionalmente, especialmenteem
criançascom
maior
idade, está presenteuma
massa
interna e, nesses casos,a
obstruçãodo
cólon eda
bexiga são comunss.Obsewou-se
neste estudo, queo
principalachado
aoexame
fisico foi a presença deuma
grandemassa
sacrococcígea. Istonão
ocorreuem
apenas três pacientes.Em
dois desteso
diagnóstico ocorreuaproximadamente
com
1ano
de vida eforam
deTSC
maligno.Estes teratomas são classificados
em
três tipos histológicos:o
teratomamaduro
que
apresenta todos oscomponentes
bem
diferenciados,sendo o mais
freqüente; teratoma imaturono
qual oscomponentes
mostram
uma
maturação
incompleta, aparecendo
em
vários estágios de diferenciação embrionária; e os malignosque
apresentam claramente tecidos neoplásicom. Valdisseri et al. revisando68
casos deTSC,
dividiram ostumores
em
maduros, imaturos e malignos.Além
de classificarem os teratomas imaturos deuma
maneira
similar aos teratomas de ovário feita por Norris et al.Graduaram
osTSC
imaturosde
grau
0
a grau 3conforme
os achados anatomopatológicos.O
grauO
compreendia
osTSC
completamente maduros;
grau 1, aquelas neoplasiascom
alguma
área imaturamas
com
ausência de tecido embrionárioou
com
estepresente
em
não mais
deum
campo, quando aumentado
(4x); grau 2, aquelesque
tinham mais que
mn,
mas
menos
que
quatrocampos
de tecido embrionárionas lâminas; e grau 3 naqueles
que apresentavam mais que
quatrocampos
de
tecido embrionário
em
lâmina vistacom
baixoaumento
(4x)24.Neste
trabalho os teratomatambém
foram
diferenciados quanto ao tipo histológico,com
nítidaprevalência
do
tipomaduro
que
atingiu75,0%.
Os
imaturos15,0%
eos
malignos 10,0%. Esta correlação
também
fora observadaem
trabalhos consagrados,como
o de
Valdisseri et al.que
encontraram _75,0% demaduros,
15
retrospectivo de 10 anos,
observaram
resultados distintos:56,0%
demaduros,
36,0%
de malignos e apenas8,0%
de imaturos”.Quanto
a classificação deTSC, Altman
et al.receberam o
mérito porterem
publicado
o
artigo oficialda
AAP
mostrando
a primeira classificação dosTSC
de acordocom
a localização e a extensãodo
tumor.Observando 405
pacientes,notaram que
46,0% eram do
tipo I,onde o tumor
erapredominantemente
extemo;
35,0% eram
do
tipo II,tumor
apresentava-se externamentemas
com
significante extensão intrapélvica;
em
8,4%
os ttunoreseram
do
tipo III eapresentavam-se aparentemente
como
massa extema
mas
tinham
uma
predominante
localização intrapélvicacom
extensão intra-abdominal;o
tipoIV
ocorreu
em
9,6%
dos casos e se apresentavamcom
apenascomponente
interno
sem
apresentaçãoextemam.
Segundo
esta classificação encontrou-se neste levantamentoo
tipo IIem
65,0%,
seguido pelo tipo Iem
20,0%,
tipo IIIem
5,0%
e o tipoIV
em
10,0%
dos casos.Rowe
et al. relataramque
o diagnóstico éusualmente
determinado pelosachados de
exame
fisico, níveis de otFP e[5-HCG
séricos euma
variedade de estudos radiográficos: radiografias simplesdo tumor
demonstram
a presença de calcificações, eem
poses laterais mostra a presençade compressão do
reto pelotumor
e a radiografiado
tóraxpode
mostrar a presença de metástasespulmonares.
A
tomografia
computadorizada
e aUSG
analisama
pélvis eo
abdomen
documentando
compressões ou
obstniçõesdo
trato urinário, pelaextensão
do
tumor, demaneira mais
exata,além
depoder
observara
presençade
metástases intra-abdominais.
Por
fim,
a ressonância nuclear magnética,que
émuito
útilno
diagnóstico de anormalidades sacrais eda
coluna ver1;ebral3.No
estudo de Dillard et al. eles
mencionaram
que o
enema
opaco
é raramenteindicado,
mas
pode
ser útilem
pacientes previamente selecionados”. Esteexame
pode
sermuito
útil para a diferenciação entre duplicação intestinal eusados
foram
a radiografia simplesem
65,0%,
aUSG
40,0%,
enema
_opaco 55,0%,além de
outrosmenos
freqüentes.Os
valores de orFP neste estudoforam
usados
em
um
pacientecom
TSC
maligno,não
parao
diagnósticomas
parao
controle
pós
quimioterapia.Rowe
et al. relataramque
as anomalias congênitas associadaspodem
ser observadasem
12 a15%
dos casos, sendomais
freqüentes nostumores
pré-sacrais (tipo IV).
A
mais
comum
anomalia
encontrada seria a anomalia ano-retal3;
Reinberg
et al.mencionaram
que
as complicações urológicaspodem
ser observadasem
22
a28%
dos casos de TSC19. Observou-seque
as principaisanomalias associadas
foram
a válvulade
uretra posterior e a anomalia anorretal,que
foram
encontradas cadauma em
5,0%
dos casos.O
manejo
de pacientescom
TSC
benigno
é primariamente cirúrgico e incluía retirada
do
cóccix, principal sítio defonnação
deste tumor.Quando
não
éretirado a recorrência
pode
ocorrerem
30
a40%
dos casosl.Altman
et al.em
405
casosde
TSC
observaram que o
tratamento cirúrgico ocorrena
maioria doscasos,
sempre
priorizando a retiradado
cóccixw.Em
uma
larga série clínicade
pacientes operados por
TSC,
mais de
90%
eram
da
classe I, eque
com
aremoção
do tumor
em uma
abordagem
primáriahouve melhor
sucesso. Estamesma
ressecção primária obtevemenos
sucessoquando
amassa
apresentavaum
componente
intra-abdominal importante,o que
reflete oaumento
da
malignidade nestas lesões.
Em
alguns casos, muitas neoplasias malignas apresentam-secom
extensão para pélvis, exibindo invasão localdo
sacroou de
outras estruturas, prejudicando a ressecção completa.
Além
dissoaproximadamente
5%
dos pacientescom
tumores
malignos apresentamdoença
metastática
no
momento
do
diagnóstico.Os
principais sítios de metástases sãoo
pulmão, fígado, cérebro e peritônio. Essas são
mais
comuns
em
pacientescom
maior
idade emuito
rarasem
neonatos.Pode
ser realizadoum
estadiamento das17
ressecção completa
do tumor
com
margens
negativas, marcadores sorológicosem
níveis descendentes, linfonodos negativos; estágio II,doença
microscópica residual, linfonodos negativos; estágio III,doença
residual evidente,com
linfonodos positivos
ou
negativos; estágio IV, metástases à distância25.A
ressecção cirúrgica' é curativana maior
parte dos tumores benignos.A
sobrevivência a longo prazo,em
neonatos, após a cirurgia é de92
a95%;
sendo
que
a mortalidade estamais
relacionada as anomalias presentesao
nascimento 'ou a hemorragias durante a operação25°26'27.
No
presente estudonão
houve
nenhum
caso de óbito após a operação, nos casos benignosou
nos
malignos.
Raney
et al.observaram
em
seu estudoque
a mortalidadeem
pacientes
com
TSC
maligno
atingiu cerca de7%
quando
diagnosticadosno
primeiro dia
de
vida,aumentando
para37%
com
o
diagnósticoacima
de l ano;chegando
aaproximadamente
50%
quando
ocorreem
pacientescom
2
anosde
idade”.
Dewan
et al. relataramque
a ressecção cirúrgicado tumor
éum
pré-requisito para a cura,
mas
muitostumores
são irressecáveisno
momento
da
apresentação.
Não
obstante todos os pacientes tratadoscom
radioterapia morriam, antes de 1975. Quimioterapiacomo
tratamento foi introduzidaem
1969,
mas
não
se mostravamuito
útil.Após
o
advento dos regimescombinados,
a partir de 1975 os resultadosforam
setomando
mais
encorajadoresm.9
A
radiosensibilidadedo tumor
primário e das suas metástasesdemonstra
a possibilidadede
uso dessacomo
terapia adjuvante pré- operatória, facilitandoo
manejo
cirúrgico posterior.A
radioterapiatambém
pode
ser usadano
pós
operatório
quando houver
presença de lesão residual microscópica.Embora
metástasespulmonares
e/ouem
figado
sejammuito
ruins para o prognóstico,uma
evidente regressãopode
ser obtidaquando
seemprega a
quimioterapiacombinada”.
O
tratamento multidisciplinarcombinando
quimioterapia eO
tratamento padrão realizado neste estudo foia
operaçãocom
retiradade
toda a
massa
tumoral e exerésedo
cóccix, isto ocorrendo'em
todos os casos,não importando
seo
tumor
erabenigno
ou
maligno.Nos
casos dedoença
maligna, associou-se a quimioterapia
combinada
com
bleomicina,VBL,
CDDP,
actinomicina-D, vincristina,VPI-6
realizadaem
ciclos periódicos.Segimdo
as complicações pós-operatórias,Altman
et al.1°observaram
em
seu clássico estudo de405
casosde
TSC,
a presença de complicaçõesque
variavam
desdeuma
simplespnemnonia
ehemorragia da
ferida operatória, atéas
mais
sérias,como
meningite ehemorragia
do
sistema nervoso central, muitasdessas sendo causa de óbito nos
TSC
benignos.Neste
estudo,não
ocorreram complicaçõesem
30,0%
dos casos,sendo
mais
freqüente a infecção
da
ferida operatória, (45 ,0%),houve
também
deiscência depele, (20,0%),
pneumonia,
( 15,0%), e infecçãodo
trato urinário.Em
relação as seqüelas,Malone
et al.observaram
em
sua análise, a presençadesta afecção
em
41,0%
dos casos, sendo amais
freqüente acombinação
de incontinência fecal e urinária, seguido pela constipação crônica e a incontinênciaurinária e déficit
motor”. Hávranek
et al.mencionaram
a presençade
seqüelasem
40%
dos casos operados”.Neste
levantamento,a
principal alteração funcional presente foi a incontinência fecal (20,0%), seguido pela constipaçãocrônica, bexiga neurogênica, déficit
motor
e atrofia renal bilateral, todos ocorrendoem
5,0%
dos casos.Todos
os pacientescom
TSC,
após a alta hospitalardevem
realizarseguimento
ambulatorial, devido a presença freqüente de seqüelas apóso
tratamento”. '
Neste
estudo, apenas60,0%
dos pacientes operadosretomaram
parao
controle.
A
ausência de40,0%
dos pacientespode
ser provavelmente explicada pelo baixo nível sócio-econômico desta série, e por estes residiremem
locais19
6.
CoNcLUsoEs
O
TSC
ocorrepredominantemente no
sexo feminino eno
período neonatal.~
A
principal manifestação éuma
massa
em
regiao sacrococcígea,sendo
a maioriada
Classe II e maduros.O
diagnóstico eo
tratamento cirúrgico precoces,no
período neonatal, são fundamentais para cura.7.
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chemotherapy improved
survival '?. J PediatrSurg
1987; 22(3):274-7.'
23
NORMAS
O
presente trabalho segue a normatização dos trabalhos científicosdo
curso~ ~
de graduaçao
em
Medicina.Resoluçao
n° 00-1/97do
colegiadodo
cursode
RESUMO
Objetivo: analisar os casos
de
teratoma sacrococcígeo(TSC)
operadosno
Hospital Infantil Joana
de
Gusmão
(HIJG)
e compara-loscom
a literatura pesquisada.Método:
analisou-se prontuários de pacientescom
TSC
operadosno
HIJG,
durante janeiro/1980
adezembro/
1997.Foram
coletadosdados
relacionadosao
sexo, idade ao diagnóstico, diagnóstico pré-natal, achados de
exame
fisico,classificação, tipo histológico,
exames de imagem,
anomalias associadas,o
tratamento realizado, seqüelas, terapia adjuvante , complicações pós-operatórias
e controle.
Resultados:
foram
operados20
pacientescom
TSC.
A
faixa etáriamais
acometida foi de 0 à 7 dias,
60,0%. Todas eram da
raça branca;com
prevalênciado
sexo feminino, 85,0%.Não
houve
diagnóstico pré-natalem
nenhum
caso.O
principalachado ao
exame
fisico foi amassa
sacrococcígea,90,0%.
Segundo
a classificaçãode Altman
et al. a mais observada foi a classse II,65,0%; o
principal tipo histológico foi
o maduro,
75,0%..O
exame
de
imagem
mais usado
foi a radiografia simples,
65,0%.
A
retiradada
massa
com
exerésedo
cóccix, foi realizadaem
todos os pacientes.A
quimioterapia foiusada
apenasem
10,0%
dospacientes.
Não
houve
nenhum
óbito.A
primeira consulta ambulatorial ocorreuem
média 30
dias após a alta hospitalar, 70,0%.Conclusão: o
TSC,
é maiscomun
no
período neonatal,no
sexo feminino,sendo
mais
vistocomo
uma
massa
sacrococcígea.O
tratamento, nos casos benignosconsiste
de
operaçãocom
exerésedo
cóccix, apresentando ótimo prognóstico,SUMMARY
Objective:
To
analise the cases of sacrococcygeal teratoma(SCT)
thatunder
went
operation at the Hospital InfantilJoana de
Gusmão
(HIJG)
and compare
them
to the researched literature.Method:
the recordsof
patients withSCT
thatwent
under
operation at theHIJG
have been
analised,and
the data related to sex, age at diagnosis, prenataldiagnosis, physical findings, histologycal type,
imaging
procedures, associatedmalformations, treatment, sequelae,
complementary
therapy, postoperative complicationsand
followup
was
collected.Results: twenty patients
were
operated forSCT. The
age variedfrom
was
0
to 7 days in60%
of the cases.Most
ofthem
were
female, 85,0%. Therewas
prenatal diagnosis inno
cases.The
main
physicalfinding
was
the sacrococcygealtumor
in
90,0%. According
toAltman
et a1”s classification, themost
common
was
class II in
65,0%
of
the cases.The main
histologyc typewas
the mature,75,0%.Among
theimaging
procedures, theX-ray
was
thecommonest.
Chemotherapy
was
perfomed
on 10,0%
of
the patients.There
were
no
deaths.The
firstevaluation after the discharge
from
hospital ocurred in thirty days.Conclusion: the
SCT
ismost
common
in the neonatal period, in females, seen as a sacrococcygeal tumor.The
treatment for the benignstumors
consists inoperation with coccix ressection,
which comes
up
toan
excellent prognosiswhen
precocious operated.For
the malignants tumors,combined
chemotherapy
APÊNDICE
TERATOMA
sAcRococcíGEo
PROTOCOLO
-
TRABALHO CONCLUSÃO
DE
CURSO
I- Identificação:
Nome: Reg:
Idade: Raça: sexo:
Endereço: Fone: II- Diagnóstico: Diagnóstico Pré-natal: Ex. Físico: (achados) ~ _ Classificaçao. Tipo Histológico: Ex. Complementares: ocFP (valores):
Imagem
Anomalias Associadas: III- Tratamento:Cirurgia Realizada: Idade:
Tto Adjuvante: Comp. Pós-Op: Sequelas IV- Controle:
1
TCC
'
‹
[
UFSC
Autor: Camargo, LucianoG
~ A
Título: Teratoma sacrocogcígeo :apális
_ _
CM
. C
"
|||||| III II IIII IIIIIHIII IHI
Í
E l 972804812
AC. 253519
X'