Estágio Profissional:
O retrato de um ano de aprendizagens
Relatório de Estágio Profissional
Relatório de Estágio apresentado com vista à obtenção do 2º ciclo de Estudos conducente ao grau de Mestre em Ensino de Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário (Decreto-lei nº 74/2006 de 24 de Março e o Decreto-lei nº 43/2007 de 22 de Fevereiro).
Orientador: Mestre José Mário Lopes de Sá Cachada
Ana Sofia Borges de Sousa setembro 2012
II
Sousa, A. S. B. (2012). Relatório de Estágio Profissional. Porto: A. Sousa. Relatório de estágio profissional para a obtenção do grau de Mestre Ensino de Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário, apresentado à Faculdade de Desporto da Universidade do Porto.
Palavras-chave: ESTÁGIO PROFISSIONAL; PROFESSOR REFLEXIVO; FORMAÇÃO INICIAL DE PROFESSORES; APRENDIZAGEM.
III
Dedicatórias
A todos aqueles que me querem bem. Aos meus pais e ao meu irmão, que sempre me apoiaram ao
longo dos meus anos de
V
Agradecimentos
Aproveito este espaço para agradecer a todos aqueles que sempre me apoiaram ao longo de toda esta “viagem”, incentivando-me a nunca desistir de lutar pelos meus sonhos, a quem, desde já, dirijo o meu sincero obrigado.
Ao meu Professor Cooperante, Professor Ângelo Correia, pelo incentivo, disponibilidade, apoio incansável, valiosos conselhos e ensinamentos que me ajudaram a evoluir como futura profissional de Educação Física.
Ao meu Orientador, Mestre José Mário Cachada, pelo apoio e colaboração que viriam a ser fundamentais na superação das dificuldades com que me deparei ao longo do Estágio Profissional.
Aos meus colegas de estágio, Fábio Teixeira e Patrícia Meireles, pela união, ajuda e colaboração prestadas sempre que necessário.
Aos professores do Grupo de Educação Física da Escola Secundária Alexandre Herculano, pelo apoio, união, boa disposição e amizade dispensadas.
Aos alunos do 10ºF, da Escola Secundária Alexandre Herculano, pelos desafios e experiências vividas, ajudando-me a crescer imenso, tanto a nível profissional, como pessoal.
Aos meus pais e ao meu irmão, por terem estado sempre presentes nos momentos mais complicados, e por todo o carinho, incentivo, fé, coragem e força que sempre me transmitiram, para que nunca desistisse.
Ao Francisco Martins, por todo o apoio e carinho, proporcionando-me firmeza e ajudando a manter-me de cabeça erguida, para enfrentar com determinação todos os obstáculos.
VI
E por último, mas não menos importante, aos meus avós, aos meus tios e primos, pelo constante incentivo e apoio que sempre me deram, excelentes aliados na eliminação das dificuldades que se me depararam.
VII
Índice Geral
Agradecimentos ... 5 Resumo ... 17 Abstract ... 19 Abreviaturas ... 21 1. Introdução ... 23 2. Enquadramento pessoal ... 29 2.1. O meu percurso ... 31 2.1.1. Ser professor ... 34 2.1.2. Professor reflexivo ... 37 2.1.3. Escola reflexiva ... 392.2. Expectativas e impacto com o contexto de estágio ... 39
2.2.1. Formação Inicial de Professores: “Choque da realidade” ... 43
3. Enquadramento da prática profissional... 47
3.1. Enquadramento conceptual ... 49
3.2. Enquadramento Legal ... 50
3.3. Enquadramento Institucional ... 52
3.4. Enquadramento funcional ... 53
3.4.1. Caracterização ao nível da escola ... 54
3.4.2. Caracterização ao nível do grupo de Educação Física ... 57
3.4.3. Caracterização ao nível do núcleo de estágio ... 58
3.4.4. Caracterização ao nível da turma (10ºF) ... 58
4. Realização da prática profissional – O Estágio Profissional, uma outra realidade... 71
4.1. Processo ensino-aprendizagem ... 73
4.1.1. Área 1: “Organização e Gestão do Ensino e da Aprendizagem” . 73 4.1.1.1.Conceção ... 74
4.1.1.2.Planeamento ... 76
4.1.1.3.Realização... 81
4.1.1.4.Avaliação ... 82
4.1.2. Áreas 2 e 3: “Participação na escola e relações com a comunidade” ... 86
VIII
4.1.2.1.O Clube de Desporto ... 86
4.1.2.2.Participação e dinamização de atividades ... 87
4.1.2.2.1.Magusto – Jogos Tradicionais ... 87
4.1.2.2.2.Outras atividades desportivas... 92
4.1.2.3.Relações com a comunidade ... 97
4.1.2.3.1.Dia da Escola... 99
4.1.2.3.2.O Diretor de Turma (DT) ... 102
4.1.3. Área 4: “Desenvolvimento profissional” ... 105
4.2. Estudo: Retenção das competências técnicas, táticas e cultura desportiva, na modalidade de voleibol ... 109
4.2.1. Introdução ... 109
4.2.2. Revisão da literatura... 111
4.2.2.1.Aprendizagem ... 111
4.2.2.2.Fases da aprendizagem ... 111
4.2.2.3.Factores que influenciam a aprendizagem ... 115
4.2.2.4.Teoria do Circuito Fechado de Adams ... 117
4.2.2.5.Teoria do Esquema de Schmidt ... 119
4.2.2.6.Teoria dos Sistemas de Ação... 121
4.2.3. Metodologia ... 123
4.2.3.1.Amostra ... 123
4.2.3.2.Instrumentos de recolha de dados e procedimentos ... 123
4.2.4. Apresentação e discussão dos resultados ... 125
4.2.5. Conclusões ... 132
5. Conclusão e perspetivas para o futuro ... 135
6. Bibliografia ... 141
7. Síntese Final ... 151 8. Anexos ... XIX
IX
Índice de Figuras
Figura 1 - Magusto – Jogos Tradicionais……….……… 92
Figura 2 - Corta-Mato Escolar…..………... 94
Figura 3 – “Duplas românticas”………..……….... 96
Figura 4 - Speedminton... 97
Figura 5 - Workshop de Primeiros-Socorros e Suporte Básico de Vida….. 102
Figura 6 - Ciclo de uma investigação-ação………... 108
Figura 7 - Processo de aprendizagem……….. 112
XI
Índice de Gráficos
Gráfico 1 - Idade dos alunos………..………..62
Gráfico 2 - Idade dos pais……….63
Gráfico 3 - Idade das mães………..63
Gráfico 4 - Nº de irmãos………64
Gráfico 5 - Nº de agregado familiar……….65
Gráfico 6 - Encarregado de Educação………65
Gráfico 7 - Local de residência……….65
Gráfico 8 - Retenção……….………….66
Gráfico 9 - Disciplinas favoritas………....66
Gráfico 10 - Modalidades favoritas………..66
Gráfico 11 - Tempo livre………67
Gráfico 12 - Expectativas futuras……….67
Gráfico 13 - Saúde……….67
Gráfico 14 - Objetivos a alcançar com a Educação Física……….68
Gráfico 15 - Comparações entre os resultados obtidos pelos alunos do 10ºF na AS e na 3ª avaliação relativamente aos níveis de conhecimento técnico...126
Gráfico 16 - Comparações entre os resultados obtidos pelos alunos do 10ºF na AS e na 3ª avaliação relativamente aos níveis de conhecimento táctico e cultura desportiva...127
Gráficos 17 - Resultados obtidos nos questionários relativamente à valorização do desporto…………..………..……….127
XII
Gráficos 18 - Resultados obtidos nos questionários relativamente à valorização do voleibol………...128 Gráficos 19 - Resultados obtidos nos questionários relativamente à competência no desporto em geral……….129 Gráficos 20 - Resultados obtidos nos questionários relativamente à competência no voleibol em particular………...129 Gráficos 21 - Resultados obtidos relativamente à capacidade de jogar voleibol comparado com a capacidade possuída antes da Unidade Didática desenvolvida no 1º Período………..130 Gráficos 22 - Resultados obtidos relativamente à apreciação da Unidade Didática de voleibol desenvolvida no 1º Período………..………131 Gráficos 23 - Resultados obtidos quanto à perspectiva futura relativamente à modalidade (voleibol)………132
XIII
Índice de Quadros
Quadro 1 - Características da aprendizagem e performance..……….111 Quadro 2 - Três tipos de memória………..…………..……….……114
XV
Índice de Anexos
Anexo 1 - Ficha Individual do Aluno……...…………..………..…XXI Anexo 2 - Parâmetros de avaliação………...…...XXIII Anexo 3 - Questionário de atitudes e valores……….…...…XXIX
XVII
Resumo
O presente documento não é mais do que o testemunho de todo o meu processo de aprendizagem desenvolvido como Estudante-Estagiária, na Escola Secundária Alexandre Herculano, no âmbito do Estágio Profissional, inserida no 2º ano do Mestrado em Ensino da Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário, da Faculdade de Desporto da Universidade do Porto.
O Estágio Profissional, considerado a fase final da formação inicial do futuro profissional, permite, através de uma prática supervisionada em contexto real de ensino, que o Estudante-Estagiário desenvolva as competências aliadas ao bom profissional de Educação Física, como alguém que é detentor de reflexividade e promotor de um ensino de qualidade
A realização do Estágio Profissional desenvolveu-se através de 4 áreas de desempenho: 1. “Organização e Gestão do Ensino e da Aprendizagem”; 2. “Participação na Escola”; 3. “Relações com a comunidade”; 4. “Desenvolvimento Profissional” e o presente relatório encontra-se organizado em 5 capítulos: 1. “Introdução”, onde exponho de forma sucinta o que irá ser abordado neste documento; 2. “Enquadramento Pessoal”, onde apresento todo o percurso que me orientou àquilo que sou e onde hoje me encontro, expondo as minhas expectativas iniciais, anseios e o impacto sentido com a realidade escolar; 3. “Enquadramento da Prática Profissional”, onde analiso o estágio no contexto conceptual, legal, institucional e funcional; 4. “Realização da Prática Profissional”, pilar base do relatório de estágio, sendo nesta área que construo um enquadramento reflexivo do estágio e um estudo de investigação-ação alusivo à capacidade dos alunos de conservarem os conhecimentos teóricos e práticos, na modalidade de voleibol; 5. “Conclusão e perspectivas para o futuro”, onde aponto as principais conclusões e a importância que toda esta jornada teve no meu crescimento como futura profissional na área da Educação Física.
PALAVRAS-CHAVE: ESTÁGIO PROFISSIONAL; PROFESSOR REFLEXIVO; FORMAÇÃO INICIAL DE PROFESSORES; APRENDIZAGEM.
XIX
Abstract
The actual document is nothing more than a witness of all my learning process developed as a student-intern, at Alexandre Herculano High School, wich is a part of the Professional Practice, part of the studies plan of Faculty of Sports of Oporto’s University, in Master degree in Teaching of Physical Education in Middle and Secondary School, of Faculty of Sports of Oporto’s University.
The Professional Practice, considered the final phase of training of future professionals, allows through a supervised practice in a real school, the student-trainee to develop skills allied to a good physical education professional, as someone who holds reflexivity and is a promoter of quality education.
The completion of the Professional Practice developed through 4 areas of performance: 1. "Organization and Management of Teaching and Learning"; 2. "Participation in School"; 3. "Community Relations"; 4. "Professional Development".
This report is organized into 5 chapters: 1. "Introduction," where I briefly explain what will be discussed in this document; 2. "Personal Background" where I present all the way which led me to what I am and where I am today, exposing my initial expectations, desires and the impact felt with the school reality; 3. "Framework of Professional Practice", where I analyze the stage at the conceptual, legal, institutional and functional areas; 4. "Realization of Professional Practice," pillar based of this report, and in this area I build a reflective framework of the stage and a research study illustrating the students' ability to retain the knowledge and skills in volleyball; 5. "Conclusions and prospects for the future," where I point out the main conclusions and the importance that this whole journey had on my growth as a future professional in the Physical Education area.
KEY WORDS: PROFESSIONAL PRACTICE; REFLEXIVE TEACHER; INITIAL TRAINING FOR TEACHERS; LEARNING.
XXI
Abreviaturas
RE – Relatório de Estágio
ESAH – Escola Secundária Alexandre Herculano EP – Estágio Profissional
FADEUP – Faculdade de Desporto da Universidade do Porto EF – Educação Física
PFI – Projeto de Formação Individual
ESEP – Escola Superior de Educação do Porto MED – Modelo da Educação Desportiva
PAA – Plano Anual de Atividades EE – Encarregados de Educação ISMAI – Instituto Superior da Maia
NEE – Necessidades Educativas Especiais DT – Diretor de Turma
IRR – Informação de Retorno sobre o Resultado ASCP – Acumulação Sensorial a Longo Prazo MCP – Memória a Curto Prazo
MLP – Memória a Longo Prazo PM – Programa Motor
PMG – Programa Motor Genérico AD – Avaliação Diagnóstica AS – Avaliação Sumativa
23
25
Introdução
O presente Relatório de Estágio (RE), desenvolvido a partir do estágio realizado na Escola Secundária Alexandre Herculano (ESAH), surge no âmbito da unidade curricular Estágio Profissional (EP) inserida no plano de estudos (3º e 4º semestres) da Faculdade de Desporto da Universidade do Porto (FADEUP), respectivamente no ciclo de estudos conducentes ao grau de Mestre em Ensino da Educação Física (EF) nos Ensinos Básicos e Secundário, apresentando-se como sendo o testemunho de um ano repleto de ansiedade, dúvidas, dificuldades, aprendizagem, experiência e, acima de tudo, gratificação e alegria por finalmente poder exercer o papel de professor e, paralelamente, realizar um sonho.
“Como em tudo na vida, sozinhos é mais complicado encontrarmos o melhor caminho” (Ferreira, 2009, p.60). Para além do meu empenho e luta pela concretização de todos os objetivos definidos, não teria êxito nem sucesso sem a cooperação e espírito de equipa que existiu, não apenas no meu núcleo de estágio, mas também em todo o grupo de EF, onde sempre predominou grande união e camaradagem.
O EP identifica-se como sendo o culminar de uma formação diversificada, complexa e de elevada importância, pelo impacto que transmite àquele que o experiencia, ou seja, o estudante-estagiário.
Sendo o primeiro contacto contínuo com o contexto real da escola, ao estudante-estagiário é-lhe atribuído o acompanhamento de uma turma durante um ano letivo, assim como a grande responsabilidade das tarefas intrínsecas à função de ser professor, desenvolvendo-se um conjunto de “ferramentas”, competências e exigências profissionais que o tornem capaz de refletir e responder aos desafios e exigências próprias da profissão, na procura de soluções para as dificuldades identificadas, e de uma intervenção mais eficaz ao nível do ensino-aprendizagem.
Através de uma descrição, análise e resultados provenientes, procura-se sensibilizar e incentivar o futuro professor de EF a investigar, criticar e reformular as estratégias para que o processo de ensino-aprendizagem resulte de uma forma satisfatória.
26
O EP na FADEUP tem como objetivo a “integração no exercício da vida profissional de forma progressiva e orientada, através da prática de ensino supervisionada em contexto real, desenvolvendo as competências profissionais que promovam nos futuros docentes um desempenho critico e reflexivo, capaz de responder aos desafios e exigências da profissão” (Matos, 2011, p.2).1
O RE pretende assim ser um documento reflexivo de toda a atividade desenvolvida no EP, tendo em conta o Projeto de Formação Individual (PFI) elaborado no início do ano, e o percurso realizado com o EP durante um ano letivo completo (2011/2012).
Assim, o presente documento intitulado de “Estágio Profissional: o retrato de um ano de aprendizagens”, pretende ser um documento reflexivo e crítico de toda a atividade desenvolvida no EP (tendo em conta o Projeto de Formação Individual (PFI) elaborado no início do ano, e o percurso realizado com o EP durante um ano letivo completo (2011/2012)), encontrando-se organizado em 5 capítulos:
1. “Introdução”, onde irei expor de forma sucinta o que irá ser abordado neste documento;
2. “Enquadramento Pessoal”, no qual irei retratar todo o meu percurso académico, descrevendo o trajeto que me orientou àquilo que sou e onde hoje me encontro, referindo as minhas expectativas iniciais, ambições, anseios e o impacto sentido com a realidade;
3. “Enquadramento da Prática Profissional”, onde irei efetuar uma análise do EP no contexto conceptual, legal, institucional e funcional, passando pela caracterização ao nível da escola, da turma que esteve sob a minha responsabilidade ao longo de todo o ano letivo, do grupo de Educação Física e do Núcleo de Estágio da FADEUP.
4. “Realização da Prática Profissional”, pilar base do RE, uma vez que é nesta área que se encontra um enquadramento reflexivo do estágio ao nível das 4 áreas de desempenho (1. “Organização e Gestão do Ensino e da Aprendizagem”; 2. “Participação na Escola”; 3. “Relações com a comunidade”;
1
Regulamento da Unidade Curricular Estágio Profissional do Ciclo de Estudos Conducente ao Grau de Mestre em Ensino de Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário da FADEUP, 2011 – 2012. Porto: Faculdade de Desporto da Universidade do Porto. Matos, Z.
27
4. “Desenvolvimento Profissional”), e um estudo de investigação-ação, tendo-me levado a concluir que para uma maior retenção e tendo-memorização de conhecimentos, devem ser criadas estratégias que motivem os alunos, assim como a importância de utilizar um tipo de linguagem que os discentes compreendam e que os cative, entre outras. A afectividade foi a estratégia mais utilizada dentro e fora das aulas de EF;
5. “Conclusão e perspectivas para o futuro”, onde são referenciadas as principais conclusões e aspectos que marcaram todo o meu percurso enquanto estudante-estagiária, juntamente com a importância que todo este processo teve no meu crescimento como futura profissional na área da EF.
A motivação que me levou à realização deste trabalho é o gosto pessoal pela atividade desportiva e pelo ensino, com especial relevo pela vontade de fomentar uma maior organização, apreciação e reflexão sobre as atividades realizadas em EF, procurando estimular os docentes desta disciplina para a avaliação das atividades que escolhem para as suas turmas, e a forma como as adequam no processo de ensino-aprendizagem.
29
31
2.1. O meu percurso
Definir quem sou não é tão simples quanto parece, contudo, também não é tão difícil assim. De seguida irei referir alguns dos trajetos mais importantes que me ajudaram a definir e a formar como sou hoje, procurando também expor o meu percurso académico e desportivo, de uma forma concisa e clara.
Traçando um perfil da minha pessoa, sempre fui muito dedicada, organizada, sonhadora, sincera, esforçada, amiga dos meus amigos e persistente. Não desisto facilmente daquilo que quero, como também não aceito que me digam que não vale a pena acreditar ou que não vai dar certo.
Errar não é incorreto. Errado é persistir no erro e nada fazer para mudar. Eu erro, admito, aprendo e ensino, e um dos meus lemas de vida baseia-se no pensamento de que “quem acredita sempre alcança!”.
Para além das artes, o desporto foi a área com que sempre me identifiquei e ao qual continuamente sempre estive ligada, tendo praticado algumas modalidades que me proporcionaram conhecimento, prazer, alegria, conquista e realização pessoal.
Primeiro foi a natação, tendo sido no 4º ano de escolaridade que se despertou em mim essa grande paixão pela modalidade. No 5º ano de escolaridade iniciei a frequência de aulas de natação e, 3 anos depois, surgiu a oportunidade de integrar a equipa de natação no âmbito do desporto escolar. Desta forma, pratiquei natação dos 9/10 até aos 18 anos, ininterruptamente. Atualmente encontro-me como treinadora da equipa de natação do Instituto Politécnico do Porto, tendo esta no ano letivo transato, arrecadado algumas medalhas nos Campeonatos Nacionais Universitários em Coimbra.
Paralelamente e com 11 anos de idade, ingressei num grupo de dança e, imediatamente, esta começou a fazer parte das minhas preferências. Gradualmente, fui perdendo a timidez e a ganhar coragem para enfrentar plateias, pois participávamos regularmente em festas e concursos, o que me entusiasmou e permitiu permanecer no grupo durante 5 anos (altura em que transitei para o Ensino Secundário, acabando por desistir por falta de tempo).
32
Ainda no âmbito do desporto escolar, durante a frequência do 12º ano de escolaridade fiz parte da equipa de futsal feminino do Colégio Paulo VI em Gondomar, tendo participado em vários torneios inter-escolas.
Seguiu-se o rugby, e o gosto pelo mesmo surgiu no 2º ano da licenciatura, pela mão do professor Nuno Gramaxo. A enorme paixão que o professor nutria pela modalidade, e a maneira como nos transmitia os seus conhecimentos, contribuiu decisivamente para que ficássemos de imediato contagiados, resultando num enorme entusiasmo que transportávamos para as suas aulas, só para podermos jogar. O professor incentivou-nos a participar em torneios e, no ano seguinte, fui convidada para integrar a equipa de rugby feminino no Boavista FC, tendo sido federada durante um ano.
As atividades de academia são outro desporto que adoro, tendo praticado body combat, aeróbica, localizada, GAP e total extreme numa academia na minha terra (que ainda hoje frequento), assim como as atividades de exploração da natureza. A enorme paixão pela natureza sempre fez parte de mim, tendo tido durante a licenciatura a oportunidade de frequentar essa disciplina. O professor António Brandão, sendo praticante desses desportos, conseguiu motivar-nos e colocar-nos em contacto direto com a natureza, experimentando deste modo os desportos que abordávamos nas aulas de uma forma prática.
Todas estas experiências que tantas alegrias me proporcionaram, devo-as em parte aos meus pais, pois sempre me incentivaram e apoiaram e, se assim não fosse, talvez hoje não estivesse onde estou e a fazer o que mais gosto.
Referir as principais razões que me levaram a seguir esta área profissional na entrada para a faculdade não é fácil, pelo facto da minha opção ter sido resultado de um acumular de ponderações. Apesar de adorar desporto, sempre tive a expectativa de frequentar um curso relacionado com a saúde. No entanto, verifiquei que iria ser um pouco difícil, uma vez que não tinha média suficiente, ou teria de conseguir uma boa nota no exame nacional. Na altura das opções, como não possuía média para essa área, optei pela área da educação, mais concretamente, pela área desportiva, e até à presente data, não me arrependo da decisão tomada.
33
Porém, como já referi, a escolha não foi fácil, quer devido às constantes opiniões desmotivadoras que ouvia, quer relativamente ao grau de desemprego que os docentes enfrentavam, assim como muitas outras opiniões e críticas negativas referentes aos professores de EF.
Apoiei-me então na paixão pelo desporto e na procura de uma oportunidade profissional ligada ao mesmo (dado que pessoalmente o desporto sempre fez parte de mim), dando deste modo o meu contributo à sociedade.
Ingressei em 2007 na Escola Superior de Educação do Porto (ESEP), tendo três anos após, concluído com sucesso a Licenciatura em Ciências do Desporto. Durante a Licenciatura, nunca tive oportunidade de estar em contacto direto com o meio escolar, o que me entristeceu bastante, contudo, estes foram sem dúvida uns dos melhores anos da minha vida. Criei amizades, que ainda hoje perduram e se encontram fortalecidas, e tive a sorte de poder contar com excelentes professores, por quem ainda hoje tenho enorme admiração, tendo aprendido imenso tanto a nível académico, como a nível pessoal.
Os meus anos de estudo académico na ESEP valorizaram-me muito, tendo-me permitido obter importantes conhecimentos e valores, especialmente no “saber estar”, quer na escola, quer na sociedade em geral, porém, não me permitiram obter conhecimentos práticos no âmbito da docência.
Na necessidade de realizar um Mestrado que me completasse a Licenciatura, inscrevi-me no Mestrado de Ensino da Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário, na FADEUP. Esta seria a minha oportunidade de integrar o corpo docente de uma escola durante um ano letivo, adquirindo deste modo experiência e conhecimentos nessa área, para me tornar uma boa professora.
Encontrando-me no último ano do Mestrado e a frequentar o EP, tive uma excelente oportunidade para aplicar todos os conhecimentos (teóricos e práticos) e experiências adquiridos até à data, na situação real e complexa que é a escola. Obtive finalmente a oportunidade de realizar um dos meus sonhos: ser professora de EF.
34
2.1.1. Ser professor
“O professor liga-se à eternidade; ele nunca sabe onde cessa a sua influência.” Adams (cit. Por Bento, 2008, p.5)2
Desde a primeira metade do século XX até aos dias de hoje, tem-se verificado uma crescente necessidade de transformar o ato de ensinar. Inicialmente, o conceito “ensinar” era visto apenas como a capacidade de transmitir conhecimentos e aprendizagens, ou seja, de professar o saber para todos aqueles que não possuíam esses conhecimentos. Atualmente, ensinar não consiste apenas em transmitir o saber teórico (produzido pelos autores no ato de ensino), mas sim em fazer aprender alguma coisa a alguém e nesse âmbito interagir o máximo possível com os outros – prática (saber fazer, saber como se faz e saber porque se faz).
Ser professor não é apenas uma profissão, é essencialmente uma missão. Ser professor exige o domínio de diversas capacidades, tais como: ser capaz de tomar decisões, ser criativo, refletir, detectar problemas e posicionar-se de modo a solucioná-los objetivamente, entre outras. Significa que deve posicionar-ser capaz de utilizar o conhecimento teórico e prático, aplicando-o no contexto real e complexo que é o ensino, através de um processo de ação-reflexão-ação, ou seja, aplicar, observar, refletir sobre o resultado e voltar a aplicar.
Este processo insere-se nos pensamentos de Schön (1987) que definiu noções fundamentais para a constituição do processo de uma prática reflexiva: reflexão na ação, reflexão sobre a ação e reflexão sobre a reflexão na ação. A reflexão na ação consiste no questionamento e procura de diferentes soluções para resolver um determinado problema, no momento da ação. A reflexão sobre a ação baseia-se numa reconstrução mental da ação para analisá-la retrospectivamente e verificar se a solução encontrada surtiu o efeito desejável ou se uma outra traria uma mais-valia para resolver o problema. Por fim, a reflexão sobre a reflexão na ação é uma reflexão crítica após a ação,
2
Bento, J. (2008). Da coragem, do Orgulho e da Paixão de ser Professor – Auto-retrato. Belo
35
dependente de suporte teórico, sendo esta (reflexão crítica) fundamental para o desenvolvimento do conhecimento profissional do professor. Ao produzir uma descrição verbal da reflexão na ação, o professor pode colocar em prova uma nova compreensão do problema.
Assim sendo, para um ensino eficiente e produtivo, a intervenção do professor deve assentar num domínio forte de conhecimento teórico e prático, permitindo-lhe ultrapassar todos os obstáculos intrínsecos ao processo educativo.
Segundo Roldão (2007), para se ser um bom profissional docente é necessário estar enquadrado com cinco factores:
Natureza compósita - Não basta conhecer e aplicar as teorias pedagógicas ou didáticas. Os professores têm que ser capazes de transformar os conteúdos de acordo com a situação de ensino.
Capacidade analítica - Deverá ser exigente ao nível do saber técnico e da componente improvisativa e criativa do professor perante determinada situação.
Natureza mobilizadora - Utilizada constantemente no processo de ensinar, isto é, na promoção intencional da aprendizagem de algo mediante os outros; e Natureza Interrogativa - O conhecimento profissional docente solicita esta natureza quer da ação prática, quer do conhecimento anteriormente adquirido.
Meta-análise - Relacionada com a capacidade de questionamento, exige uma postura auto-crítica sem dispensar os contributos dos vários conhecimentos formais que constituem o saber docente.
Comunicabilidade e circulação - Considerada a dimensão que mais afasta os docentes da posse de um conhecimento profissional completo.
Nos dias de hoje, ao docente é ainda exigido o domínio de cinco conceitos que definem o “bom professor”, que Nóvoa (s.d.) refere como sendo:
Conhecimento - Para ensinar, é importante que o professor possua um conhecimento da matéria, tanto a um nível teórico, como prático.
Cultura profissional – É no interior da própria escola e no diálogo com os outros profissionais mais experientes que se aprende e compreende a
36
profissão. Efetuar registos e refletir são elementos importantes que ajudam o professor a aperfeiçoar e a inovar a sua prática.
Tacto pedagógico – Muitas vezes, no ensino, as dimensões profissionais cruzam-se inevitavelmente com as pessoais, pelo que é muito importante que o docente tenha uma boa capacidade de relação (sendo capaz de conquistar a confiança dos alunos, aproximando-os) e de comunicação (usando um tipo de linguagem clara e precisa, para que todos os alunos, sem exceção, compreendam a essência daquilo que lhes está a ser transmitido).
Trabalho em equipa – Ser professor implica ser capaz de trabalhar em equipa e colaborar com os outros seja qual for a natureza da tarefa ou o projeto.
Compromisso social – Relacionado com princípios, valores, inclusão social e diversidade cultural.
Para além de todas estas características, segundo o livro “O valor de educar” de Fernando Savater (publicado em 2006), os professores têm de ser otimistas e, tal como por exemplo a natação exige um meio líquido, também o ensino pressupõe do otimismo como elemento essencial. O autor refere ainda que o verdadeiro pessimismo é possível quando se têm atitudes contrárias à educação, e que o otimismo é indispensável, quando se tenta educar ou entender em que consiste a educação, porque educar é:
“crer na perfectibilidade humana, na capacidade inata de aprender e no desejo de saber que a anima, no haver coisas (símbolos, técnicas, valores, memórias, factos, …) que podem ser sabidos e que merecem sê-lo, na possibilidade de nos podermos melhorar uns aos outros por intermédio do conhecimento” (Savater, 2006, p.25).
Em jeito de conclusão, e após a teoria exposta anteriormente, pode-se mesmo confirmar a afirmação de Shulman (citado por Roldão, 2007, p.95), quando este refere que “Teaching is a beautifully ambiguous term” (“ensinar” é
37
um bonito termo ambíguo), e a citação de Henry Adams3, pelo facto de algumas vezes os professores não conseguirem formar como pretendem, mas acabando sempre por dar a sua contribuição para a educação, na esperança que daí resulte um mundo melhor, e que as suas palavras tenham algum peso nas consciências, influenciando-nos ao longo das nossas vidas.
Assim, espero ser capaz de me integrar bem nesta profissão, que é ser professor, e que implica possuir a capacidade de adaptação às mudanças, de atualização, de reflexão, de compromisso com a profissão, de lidar/responder às necessidades de todos os alunos, demonstrando interesse e otimismo pelo que se faz. Enfim, procurarei ser uma professora prática-reflexiva, com abertura de espírito e empenhada na mudança, conjuntamente com as minhas características mais fortes, como ser responsável, organizada, humilde, autónoma, sincera e dedicada, procurando deste modo despertar a motivação, o sentido crítico e a autonomia nos alunos, com prazer e afecto por todos eles, para que procurem cada vez mais saber, compreender e descobrir.
2.1.2. Professor reflexivo
Nas palavras de Alarcão (1996, p.175), a reflexão implica “uma perscrutação activa, voluntária, persistente e rigorosa (…), evidencia os motivos que justificam as nossas acções ou convicções e ilumina as consequências a que elas conduzem”. Deste modo, o processo reflexivo apresenta-se como sendo fundamental para que o estudante-estagiário tenha noção das dificuldades que se lhe deparam, e procurar constantemente soluções de modo a conseguir ultrapassá-las através da crítica e reflexão. Na minha opinião, bons professores são aqueles que para além de partilharem saberes e experiências, e se mostrarem receptivos à inovação e à mudança, também refletem, crítica e sistematicamente, sobre todas as suas práticas e ações.
A ação reflexiva é considerada uma “condição decisiva para a qualificação da actividade do professor e, assim, para uma maior eficácia do ensino” (Bento, 2003, p.190). Possuir uma capacidade reflexiva é
3 Citação a
38
imprescindível para obter uma melhor análise, compreensão e desempenho, sendo a reflexão realizada com o intuito de repensar tudo aquilo que está mal, numa tentativa de aperfeiçoar o próprio processo de ensino.
Schön (1987) definiu noções fundamentais para a constituição do processo de reflexividade: conhecimento na ação (conhecimento demonstrado na execução da ação); reflexão na ação (procura de diferentes soluções para encarar um determinado problema, no momento da ação); reflexão sobre a ação (reconstrução da ação mentalmente para analisá-la retrospectivamente); reflexão sobre a reflexão na ação (reflexão crítica após realizar a ação, sendo esta fundamental para o desenvolvimento do conhecimento profissional do professor).
O processo ideal será o professor partir do conhecimento na ação, no sentido de encontrar soluções para o problema, para uma reflexão na ação, que envolva um questionamento sobre o seu conhecimento e a escolha da solução para o problema. A reflexão sobre a ação será o ponto em que o professor, depois de ter completado a ação, se questiona e verifica se a solução encontrada surtiu o efeito desejável, ou se uma outra seria mais eficaz e uma mais-valia para resolver o problema. O último nível será a reflexão sobre a reflexão na ação, onde o professor deve ser reflexivo sobre a sua ação, estando esta dependente de suporte teórico. Para que este processo seja alcançável, o professor deve analisar de uma forma sistemática a sua ação num sentido crítico, encarando-a como algo que melhorará a sua intervenção futura. Esta reflexão constante e rigorosa, tem como principal objetivo, o alcance de autonomia e melhoria intervencional, baseada em valores éticos, democráticos e ecológicos, aumentando a qualidade e eficácia do ensino na escola.
A reflexão surge assim como inevitável e necessária quando nos reportamos ao processo de desenvolvimento profissional docente, para que, deste modo, o estudante-estagiário possa evoluir não só como pessoa mas também como professor, sendo capaz de responder aos desafios e exigências inerentes à profissão.
39
2.1.3. Escola reflexiva
Para além da grande importância da capacidade reflexiva do professor, é extremamente importante realçar o elevado valor que uma escola reflexiva detém.
“As instituições, à semelhança das pessoas, são sistemas abertos, isto é, estão em permanente interacção com o ambiente que as rodeia, que as estimula ou condiciona, que lhes cria contextos de aprendizagem e de desenvolvimento. Uma escola reflexiva, em desenvolvimento e em aprendizagem, cria-se pelo pensamento e prática reflexivos que acompanham o desejo de conhecer a razão de ser da sua existência, as características da sua identidade própria, os constrangimentos que a afectam e as potencialidades que detém” (Alarcão & Tavares, 2003, p.137).
Sendo a escola “um projecto cujo grande objectivo é a formação de novos cidadãos” (Alarcão & Tavares, 2003, p.134), quando esta é portadora de um panorama reflexivo, atribui aos seus profissionais a capacidade de refletirem sobre a prática, de serem autónomos, responsáveis e de construírem e reconstruírem o seu conhecimento.
2.2. Expectativas e impacto com o contexto de estágio
Na opinião de Matos (2011, p.2)4, “o EP visa a integração no exercício da vida profissional de forma progressiva e orientada, através da prática de ensino supervisionada em contexto real, desenvolvendo as competências profissionais que promovam nos futuros docentes um desempenho crítico e reflexivo, capaz de responder aos desafios e exigências da profissão”.
Sendo o EP o culminar de 5 anos de vivências e aquisições, identifico-o como um ano diferente e com mudanças “radicais”, onde passamos de alunos a docentes, como um campo de experiências únicas e pessoais, e como sendo o topo da formação que garante o domínio das competências exigidas pela respectiva profissão. Porém, também acredito que a própria vida é a nossa
4
Regulamento da Unidade Curricular Estágio Profissional do Ciclo de Estudos Conducente ao Grau de Mestre em Ensino de Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário da FADEUP, 2011 – 2012. Porto: Faculdade de Desporto da Universidade do Porto. Matos, Z.
40
melhor escola, mantendo-nos em constante aprendizagem, levando-me a pensar que o meu processo de formação não terminou com o EP, sendo apenas mais um desafio na minha vida que exigiu muita força, motivação e empenho.
O primeiro contacto com algo novo é sempre estranho, existindo barreiras psicológicas que com mais ou menos dificuldade devemos quebrar. Contudo, essas barreiras contrastam com experiências únicas e valiosas, como aquelas que se vivem na primeira vez em que assumimos o papel de docente. Era isso que eu esperava viver e que se veio a concretizar: o momento em que iria assumir pela primeira vez o papel de professora, quebrando as barreiras do “estranho e misterioso”, se possível com alegria e coragem, obtendo sucesso.
Foi com enorme ansiedade que aguardei pelo dia em que me ia encontrar pela primeira vez com a turma que me foi atribuída (10ºF), colocando-me de imediato inúmeras questões, tais como, “Como seria a turma?”, “Seria composta por alunos interessados e tranquilos?”, “Será que iriam gostar de mim?”, “Estaria à altura da responsabilidade que é ser professor?”, entre outras. Não sendo uma das turmas de anos anteriores do professor cooperante Ângelo Correia, não tinha qualquer informação acerca dos alunos, não fazendo a menor ideia do tipo de alunos que ia encontrar e com quem iria trabalhar durante todo o ano letivo. Mas, eis que chegou 16 de setembro, … o grande dia!
Apresentei-me, e enquanto ia conversando e conhecendo os alunos, aos poucos o meu nervosismo inicial foi-se dissipando, quebrando a tal barreira psicológica, permitindo-me assim cumprir um dos meus objetivos.
“Tenho a realçar que antes da aula iniciar, me sentia um pouco nervosa e ansiosa, dado que era a primeira vez que ia estar em contacto com uma turma (a “minha” primeira turma), no papel de uma verdadeira professora. Contudo, à medida que fui falando com os alunos, o nervosismo foi desaparecendo, dando lugar a um mais à vontade.” (Reflexão da aula nº 1, 8º parágrafo).
Com o normal decorrer das aulas, os desafios centraram-se mais em procurar aumentar os níveis de interesse e motivação dos alunos pela atividade
41
física (uma vez que nem todos aparentavam estar interessados nesta área), preocupando-me afincadamente em marcar a minha presença na vida de cada um, pela positiva.
Não queria de modo algum que para os meus alunos, este fosse simplesmente mais um ano, e muito menos que eu fosse só mais uma professora, pelo que procurei usar afectividade positiva, fazê-los compreender que podiam ver-me como uma amiga, não deixando nunca de impor respeito e disciplina nas aulas, não só por mim e por eles, mas também pelos colegas, pelos funcionários e todos os outros elementos da comunidade escolar.
Outro desafio que tive de enfrentar, relacionou-se com as modalidades a lecionar. Querendo motivar os alunos ao máximo, no sentido que se interessassem pela atividade física, teria também que cativá-los com as modalidades que iam ser abordadas. Porém, tinha que respeitar o roulement, um documento elaborado no início do ano escolar, e que tem como finalidade o registo da distribuição dos diversos professores de EF pelos espaços desportivos existentes na escola, para lecionar a disciplina.
Assim sendo, a dança e a ginástica surgiram como as modalidades mais desafiantes, uma vez que ou os rapazes não gostavam (dança), ou a maioria mostrava receio na realização dos diversos conteúdos (ginástica). Neste contexto, e verificando-se que atualmente a maioria dos jovens prefere danças modernas às danças tradicionais, procurei implementar um estilo de dança que os cativasse, criando uma coreografia que incluía alguns tipos de dança como o hip-hop, a aeróbica e a salsa.
Relativamente às aulas de ginástica, procurei que os alunos que apresentavam alguns receios os ultrapassassem, ajudando-os particularmente durante a execução dos conteúdos, transmitindo-lhes confiança e segurança para que se sentissem capazes. Esta estratégia é apresentada por Elizabete Passos (s.d., p.13), quando esta refere que:
“Dentre as múltiplas funções que ocupa a ginástica no contexto da Educação Física Escolar, podemos citar e assegurar a ação formativa desses alunos, sendo que desenvolvidas pedagogicamente de forma adequada o professor poderá orientá-los de foram prazerosa para a prática de exercícios, assim como desenvolver-lhes, a persistência, a
42
segurança e a confiança em si mesmos, aumentando entre outras: a flexibilidade, a coordenação, a destreza e a força, proporcionando-lhes uma contribuição na melhoria da qualidade de vida dos mesmos.” (Passos, s.d., p.13).
No tocante à abordagem das outras modalidades, procurei propor constantemente exercícios que estivessem ao alcance das capacidades dos alunos, aplicando esporadicamente um ou outro desafio superior, com inovação e criatividade que lhes cativasse a atenção e os entusiasmasse. A aplicação do Modelo da Educação Desportiva (MED) na modalidade de basquetebol foi uma das sugestões que contribuiu muito para elevar esse entusiasmo. De forma a garantir a autenticidade das experiências desportivas, Siedentop (citado por Graça & Mesquita, 2009), referiu que o MED integra 6 fatores-chave do desporto institucionalizado, nomeadamente a época desportiva (que “substitui” as aulas “normais”, onde os alunos aprendem a jogar e se preparam para o evento final), a filiação (que promove a integração dos alunos em equipas, o desenvolvimento do sentimento de pertença a um grupo, o esforço para se manterem unidos – exemplo da pontuação pela pontualidade que leva os alunos a assumirem o papel de jogador, árbitro, jornalista, entre outros), a competição formal (através dos jogos efetuados durante as aulas, sendo o fair-play sempre enfatizado), a festividade (através dos rituais/gritos de equipa e claque para apoiar os seus colegas nos jogos formais), o record (que leva os alunos a realizarem estatísticas relativamente às pontuações dos jogos) e o evento culminante (a grande festa final onde os alunos competem uns com os outros apresentando todas as suas competências e aprendizagens adquiridas ao longo das aulas). O MED promove assim alguns valores como a cooperação, a ajuda e a superação.
A aplicação do MED nas aulas de EF teve um impacto positivo no processo de ensino-aprendizagem dos alunos, uma vez que com o MED os alunos esforçavam-se e incentivavam os colegas para chegarem a horas à aula (de forma a obterem a pontuação máxima da pontualidade); apresentavam a sua criatividade e entusiasmo ao exibir os seus gritos, bandeiras e mascotes; os alunos com papel de capitão assumiram fielmente o papel de líder, procurando corrigir e ajudar os colegas a evoluir; entre outras.
43
Infelizmente, o facto do evento culminante ter sido organizado no último dia de aulas do 2º Período fez com que alguns alunos não comparecessem pois, sendo o último dia de aulas, estes não eram obrigados a estar na escola caso não tivessem aulas. Não consegui esconder a desilusão sentida uma vez que esses alunos quebraram a promessa de que iriam comparecer e apresentar frente às outras duas turmas tudo o que haviam aprendido e desenvolvido com as aulas de basquetebol.
Para concluir este capítulo, a minha grande expectativa após este ano de dedicação e trabalho árduo, era sentir-me preparada para iniciar a minha carreira profissional como uma professora competente. Deste modo, após todo o empenho e luta pela concretização desse objetivo, acredito que consegui desenvolver as minhas capacidades de responsabilidade e autonomia, a capacidade de controlo sobre as minhas ações e decisões, as competências pedagógicas, didáticas e científicas da profissão, e os conhecimentos necessários para evoluir não só como professora, mas também como pessoa, tendo assimilado igualmente algumas competências fundamentais tais como os valores, a motivação e a atitude positiva face à profissão.
2.2.1. Formação Inicial de Professores: “Choque da realidade”
Segundo Edmunson (citado por García, 1999, p.80), existe uma necessidade “de que a formação de professores contribua para que os professores em formação se formem como pessoas, consigam compreender a sua responsabilidade no desenvolvimento da escola e adquiram uma atitude reflexiva acerca do seu ensino”.
Os primeiros anos da profissão docente são sempre muito importantes e decisivos para os futuros professores, pois serão um reflexo determinante para o seu futuro e relação com a respectiva carreira.
Os primeiros tempos são marcados não só como períodos de “choque com a realidade” (relativo ao impacto sofrido no início da profissão que indica o colapso dos ideais e objetivos elaborados durante a formação, face à dura realidade quotidiana), mas também de descoberta e de sobrevivência, onde para se sobreviver é fundamental existir um conhecimento teórico-prático,
44
assim como capacidade de reflexão sobre as dificuldades e obstáculos específicos da profissão.
Quando confrontados com a realidade e complexidade do ensino, os estudantes-estagiários tendem a sofrer um “choque de realidade”, causado muitas vezes por dilemas e dificuldades exigentes, de entre os quais, Franco (citado por Souza, 2009, p.36) destaca como “1) problemas em conduzir o processo de ensino e de aprendizagem, considerando as etapas de desenvolvimento de seus alunos e o conteúdo a ser desenvolvido; 2) problemas com a disciplina dos alunos e com a organização da sala de aula”. Quando estes dilemas não são bem geridos através do apoio de docentes profissionais, podem originar sérios danos na construção do perfil do professor que se inicia no mundo do trabalho. Para conseguir lidar e ultrapassar esses problemas, muitos docentes apoiam-se em ações que vivenciaram enquanto estudantes, imitando os comportamentos dos seus antigos professores. Essa impressão de ações irá levar a que haja um impedimento de inovação nas atitudes, objetivos e atividades a ser desenvolvidas (Souza, 2009).
O EP (elemento fundamental na formação dos estudantes-estagiários uma vez que permite o contacto e envolvimento direto com a prática educativa), surge como o primeiro passo para o processo de desenvolvimento profissional, exigindo alguns parâmetros como a reflexão, a criação e a execução de projetos pedagógicos, com o objetivo de integrar o professor no processo de ensino-aprendizagem (Souza, 2009).
Neste sentido, reconhece-se a importância do orientador pedagógico (professor experiente) como um elemento fulcral no processo de formação do estudante-estagiário, apoiando-o na resolução dos problemas com que se confronta, através de uma prática orientada de qualidade, dando, deste modo, continuidade à formação já iniciada pela instituição de formação.
Segundo Jacinto (2003), existem diversos tipos de orientação que estruturam a formação inicial de professores, sendo elas: tecnológica, prática, pessoal, crítica/social e académica.
Orientação tecnológica - Compreende uma perspectiva positivista, a que se associa a metáfora do professor como um técnico, e uma perspectiva cognitiva, que encara o docente como uma pessoa que toma decisões e
45
resolve problemas, ou seja, preocupa-se com as ideias dos professores e os seus efeitos no processo de ensino-aprendizagem.
Orientação prática – Abrange uma abordagem tradicional, onde o professor é caracterizado como artesão, associada ao modelo de mestria da formação profissional de Wallace (1991) em que o professor surge como imitador passivo das práticas do mestre, e uma abordagem reflexiva, que surge ligada à concepção de ensino como prática reflexiva e ao paradigma proposto por Schön (1987), baseada no paradigma interpretativo.
Orientação pessoal - Realça-se o valor da pessoa que é o professor, ou seja, a sua dimensão humana, maneira de pensar, de sentir e de se construir pessoal e profissionalmente.
Orientação crítica/social - Salienta o papel do professor como um agente de mudança, que contribui para a criação de uma sociedade mais justa e democrática.
Orientação académica - Abrange uma abordagem tradicional, onde o professor é um transmissor de informações e conhecimentos, e uma abordagem compreensiva, na qual o professor domina os conteúdos que ensina e a forma como os transmite aos alunos.
Apesar de todas estas orientações se encontrarem presentes na formação inicial dos professores, pessoalmente, identifico-me mais com a orientação prática (abordagem reflexiva) e com a orientação académica (abordagem compreensiva). Na minha opinião, é de enorme importância o professor possuir uma capacidade reflexiva, permitindo-lhe desenvolver e melhorar o processo de ensino-aprendizagem, assim como também é essencial conhecer e dominar os conteúdos a ensinar, para que os alunos compreendam o que é para ser feito, como é para ser feito e porque razão vai ser feito.
Segundo Nóvoa (s.d.), a formação de professores deve abraçar algumas ideias tais como: apresentar uma forte componente prática, basear-se na aquisição de uma cultura profissional, dedicar uma atenção especial às dimensões pessoais do docente (capacidade de relação e de comunicação),
46
valorizar o trabalho em equipa e reforçar a responsabilidade social (relação com a comunidade escolar).
Fuller (citado por Braga, 2001), refere que na fase inicial, os professores se deparam com algumas dificuldades e preocupações perante o contacto com uma nova realidade, isto é, os menos experientes voltam-se mais para si, numa tentativa de sobrevivência ao impacto sofrido nos seus objetivos e ideais (constituídos durante a formação), no contacto com a realidade do Sistema Educativo. Já os professores mais experientes, orientam-se mais para os alunos com a perspectiva de “aprender a ensinar”, ou seja, dirigem-se de uma forma planeada e objectiva, resultado de um sinal inequívoco de amadurecimento profissional.
Sabendo previamente que não ia ser fácil, e que iria enfrentar um ambiente de formação diferente dos anteriores, tinha no entanto a convicção que seria um ano muito importante, onde alicerçada nos conhecimentos adquiridos até à data, nas críticas transmitidas pelos professores orientador e cooperante, e colegas de estágio, assim como da minha capacidade reflexiva, procurei constantemente fazer com que as aulas de EF fossem oportunidades de aprendizagem interessantes, lúdicas, e revestidas de grandes vivências educativas para os alunos. Em suma, procurei adotar um modelo de professora acessível e comunicativa, impondo ao mesmo tempo disciplina e respeito nas aulas, de forma a criar um bom clima de mútua aprendizagem.
47
49
Sendo o EP considerado o culminar de uma formação diversificada, complexa e de elevada importância pelo impacto que provoca naquele que o experiencia (estudante-estagiário), é essencial efetuar um cuidadoso enquadramento do mesmo, para que desta forma se possa entender toda a sua dimensão.
3.1. Enquadramento conceptual
Entende-se por estágio como sendo:
“uma atividade curricular de base pedagógica, que se constitui na experiência académica-profissional, orientada para a competência técnica e científica, em ambiente de trabalho real, que oportuniza o questionamento e a reavaliação curricular, bem como a relação dinâmica entre a teoria e a prática, desenvolvidas ao longo das atividades de ensino” (UFPR, 2005, p.13).
Neste sentido, para que a formação do futuro professor saia fortalecida, existem dois pilares decisivos: o conhecimento teórico e o conhecimento prático. Entre estes dois conhecimentos permanece uma elevada complementaridade que nos leva a registar que, se por um lado, é importante compreender e tomar decisões relativamente ao que se vai fazer, por outro, é essencial possuir e dominar a técnica.
“A teoria é “uma” prática pensada, imaginada e reflectida, e a prática á “uma teoria” ou conjunto de conhecimentos à vista, uma prática culminante no horizonte da teoria. (…) Embora distintas, a teoria e a prática têm dificuldades em dissolver a sua unidade e levar uma vida a solo” (Bento, 1995, p.51).
Esta concepção é igualmente defendida por Albuquerque et al. (2005), que situam os conhecimentos da profissão docente no cruzamento da teoria com a prática, ou seja, de um “saber” (apenas teoria) com o de um “saber-fazer” (conhecer a teoria e dominar a prática). Na mesma linha de pensamento, Onofre (1996), defende que a teoria deve poder ser aplicada na prática através do contacto real com a atividade profissional.
50
É importante referir que o EP é um ciclo composto por oportunidades e que possibilita a aplicação dos conhecimentos adquiridos, na prática, no contexto real e complexo que é o Sistema Educativo. As bases teóricas adquiridas durante todo o percurso académico, apesar de indispensáveis e fundamentais (uma vez que servem de suporte à prática), de pouco servirão se não puderem ser aplicadas em contextos reais e específicos, como aqueles que os estudantes-estagiários encontram durante o EP. Desta forma, deve-se valorizar a experiência prática, pois é indubitavelmente considerada um elemento essencial na formação de professores, para que estes possam aplicar todos os conhecimentos adquiridos e desenvolvê-los num contexto real.
Sendo assim, o EP é considerado como uma grande oportunidade, pois permite que o aspirante a professor tenha contacto com o mundo real do trabalho na sua área de formação, convivendo com profissionais, enfrentando as mais diversas situações, respeitando as normas e as características próprias da instituição onde for colocado, realizando tarefas dentro da sua área de intervenção, podendo desta forma aplicar e ampliar os seus conhecimentos. Consequentemente, são todas estas situações e vivências que tornam o EP tão rico e fundamental durante a formação do futuro profissional, neste caso, na área do ensino.
O EP na escola não se baseia apenas na planificação e realização prática das aulas supervisionadas, mas também e não menos importante, no planeamento pormenorizado e cuidadoso diário e anual das mesmas, alicerçados num desempenho crítico e reflexivo de todas as ações e atividades.
3.2. Enquadramento Legal
No que respeita ao enquadramento legal, o artigo nº 1 do “Regulamento da Unidade Curricular Estágio Profissional do Ciclo de Estudos conducentes ao Grau de Mestre em Ensino da Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário da FADEUP”, indica que “a iniciação à Prática Profissional do Ciclo de Estudos conducente ao grau de Mestre em Ensino da Educação Física da Faculdade de Desporto da Universidade do Porto (FADEUP) integra o Estágio Profissional – Prática de Ensino Supervisionada (PES) e o correspondente Relatório (RE), rege-se pelas normas da instituição universitária e pela
51
legislação específica acerca da Habilitação Profissional para a Docência” (Matos, 2011, p.2)5.
A organização e funcionamento do EP encontram-se enquadrados num conjunto de orientações legais, nomeadamente no Decreto-lei nº 74/2006 de 24 de Março e no Decreto-lei nº 43/2007 de 22 de Fevereiro.
No que respeita ao Decreto-lei nº 74/2006 (p.2244)6, este define o regime jurídico dos graus académicos e diplomas do ensino superior. Já o Decreto-lei nº 43/2007 define as condições necessárias à obtenção de habilitação profissional para a docência num determinado domínio e determina, ao mesmo tempo, que a posse deste título constitui condição indispensável para o desempenho docente, nos ensinos público, particular e cooperativo e nas áreas curriculares ou disciplinas abrangidas por esse domínio. (p.1320)7.
Com refere o Decreto-lei nº 43/2007, a habilitação para a docência passa a ser exclusivamente profissional, sendo apenas concedida a quem obtiver esta qualificação através de um mestrado em ensino. Desta forma, a atribuição da habilitação para a docência valoriza8:
Dimensão do conhecimento disciplinar (ser professor exige um domínio ao nível científico, humanístico, tecnológico ou artístico);
Fundamentação da prática de ensino na investigação (o professor é um profissional capaz de se adaptar às características e desafios em função das especificidades dos alunos e contextos escolares e sociais);
Iniciação à prática profissional (através da prática de ensino supervisionada, adquirindo-se conhecimentos, capacidades,
5
Regulamento da Unidade Curricular Estágio Profissional do Ciclo de Estudos Conducente ao Grau de Mestre em Ensino de Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário da FADEUP, 2011 – 2012. Porto: Faculdade de Desporto da Universidade do Porto. Matos, Z.
6
Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (2006). Decreto-lei n.º 74/2006 de 24 de Março. Diário da República, I Série-A, n.º 60, pp. 2242-2257.
7
Ministério da Educação (2007). Decreto-lei n.º 43/2007 de 22 de Fevereiro. Diário da República, 1.ª Série, n.º 38, pp. 1320-1328.
8
Ministério da Educação (2007). Decreto-lei n.º 43/2007 de 22 de Fevereiro. Diário da República, 1.ª Série, n.º 38, pp. 1320-1328.
52
competências e atitudes obtidas apenas com contacto com o contexto real que é a escola).
Domínio da língua portuguesa ao nível oral e escrito.
3.3. Enquadramento Institucional
O EP é uma unidade curricular do 2º ano do ciclo de estudos, conducente ao grau de Mestre em Ensino da Educação Física nos Ensinos Básicos e Secundário da FADEUP e que decorre durante todo o ano letivo, respectivamente no terceiro e quarto semestres.
Além de se reger pela legislação específica relativa à Habilitação Profissional para a Docência, como já foi referido anteriormente no contexto legal, o EP também se orienta pelos seguintes documentos: “Regulamento Geral dos cursos de segundo ciclo da UP”, “Regulamento Geral dos Segundos Ciclos da FADEUP” e “Regulamento do Curso de Mestrado em Ensino de Educação Física”.
No que respeita às “Normas Orientadoras do Estágio Profissional”, o documento apresenta duas preocupações: “adequar-se ao novo estatuto do estudante-estagiário e manter o fundamental do modelo do Estágio Pedagógico da Faculdade de Desporto da Universidade do Porto” (Matos, 2011, p.2)9.
Para além disso, operacionaliza ainda o Regulamento do Estágio Profissional, contemplando quatro áreas de desempenho:
Área 1: “Organização e gestão do ensino e da aprendizagem”;
Áreas 2 e 3: “Participação na escola e relações com a comunidade”;
Área 4: “Desenvolvimento profissional”.
Relativamente à área 1, esta tem como âmbito o desenvolvimento das tarefas relacionadas com o processo de ensino-aprendizagem, nomeadamente a concepção, o planeamento, a realização e a avaliação do ensino, tendo como principal objetivo, a “construção de uma estratégia de intervenção, orientada
9
Normas Orientadoras do Estágio Profissional do Ciclo de Estudos Conducente ao Grau de Mestre em Ensino de Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário da FADEUP, 2011 – 2012. Porto: Faculdade de Desporto da Universidade do Porto. Matos, Z.
53
por objetivos pedagógicos, que respeite o conhecimento válido no ensino da Educação Física e conduza com eficácia pedagógica o processo de educação e formação do aluno na aula de EF” (Matos, 2011, p.3)10.
Quanto às áreas 2 e 3, estas “englobam todas as atividades não letivas realizadas pelo estudante estagiário tendo em vista a sua integração na comunidade escolar” (Matos, 2011, p.6)11 e o seu principal objetivo consiste na contribuição “para a promoção do sucesso educativo, no reforço do papel do professor de Educação Física na escola e na comunidade local, bem como da disciplina de Educação Física, através de uma intervenção contextualizada, cooperativa, responsável e inovadora” (Matos, 2011, p.6)12.
Por fim, a área 4 envolve as “atividades e vivências importantes na construção da competência profissional, promovendo o sentido de pertença e identidade profissionais, a colaboração e a abertura à inovação” (Matos, 2011, p.7)13. Com esta área pretende-se que o estudante-estagiário compreenda a importância da reflexão das “condições e do exercício da atividade, da experiencia, da investigação e de outros recursos e desenvolvimento profissional, e que investigue a sua atividade em toda a sua abrangência (criar hábitos de investigação/reflexão/ação)” (Matos, 2011, p.7)14
.
É de realçar que as determinantes do desempenho pretendido da competência profissional do “ser professor” (tais como os valores, a motivação e a atitude positiva face à profissão), percorrem todas estas 4 áreas de desempenho, devendo as mesmas ser constantemente trabalhadas de uma forma metódica e organizada.
3.4. Enquadramento funcional
Na opinião de Bento,
10
Normas Orientadoras do Estágio Profissional do Ciclo de Estudos Conducente ao Grau de Mestre em Ensino de Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário da FADEUP, 2011 – 2012. Porto: Faculdade de Desporto da Universidade do Porto. Matos, Z.
11 Idem. 12 Idem. 13 Idem. 14 Idem.