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(1)UNIVERSIDADE METODISTA DE SÃO PAULO. CAMILA VAZ ABECHE. PERSONALIDADE, ESTILOS PARENTAIS E COGNIÇÃO EM MENINOS VÍTIMAS DE ABUSO SEXUAL. SÃO BERNARDO DO CAMPO 2016.

(2) CAMILA VAZ ABECHE. PERSONALIDADE, ESTILOS PARENTAIS E COGNIÇÃO EM MENINOS VÍTIMAS DE ABUSO SEXUAL. Dissertação apresentada ao Programa de PósGraduação, Mestrado em Psicologia da Saúde da Universidade Metodista de São Paulo – UMESP para obtenção do título de Mestre em Psicologia. Área de Concentração: Prevenção e Tratamento Orientação: Prof. Dr. Antônio de Pádua Serafim. São Bernardo do Campo 2016.

(3) FICHA CATALOGRÁFICA Abeche, Camila Vaz Personalidade, estilos parentais e cognição em meninos vítimas de Ab33p abuso sexual / Camila Vaz Abeche. 2016. 71 f. Dissertação (Mestrado em Psicologia da Saúde) –Escola de Ciências Médicas e da Saúde da Universidade Metodista de São Paulo, São Bernardo do Campo, 2016. Orientação de: Antonio de Pádua Serafim. 1. Avaliação neuropsicológica 2. Abuso sexual – Adolescentes e Crianças 3. Traços de personalidade 4. Estilos parentais I. Título CDD 157.9.

(4) A dissertação de mestrado sob o título “Personalidade, estilos parentais e cognição em meninos vítimas de abuso sexual”, elaborada por Camila Vaz Abeche foi apresentada e aprovada em 27 de abril de 2016, perante banca examinadora composta por Prof. Dr. Antônio de Pádua Serafim (Presidente/UMESP), Miria Benincassa Gomes (Titular/UMESP) e Leila Salomão de La Plata Cury Tardivo (Titular/FMUSP).. __________________________________________ Prof. Dr. Antônio de Pádua Serafim Orientador e Presidente da Banca Examinadora. __________________________________________ Profa. Dra. Maria do Carmo Fernandes Martins Coordenadora do Programa de Pós-Graduação. Programa: Pós-Graduação em Psicologia da Saúde. Área de Concentração: Psicologia da Saúde. Linha de Pesquisa: Prevenção e Tratamento.

(5) DEDICATÓRIA. Dedico este estudo aos que silenciam todos os dias seus medos e suas dores pelos abusos sofridos. Este estudo é uma maneira singela de dar voz a todos os que sofrem ou já sofreram abuso sexual..

(6) AGRADECIMENTOS Primeiramente a Deus, pela força e coragem de continuar sempre me fazendo acreditar que era possível. Ao meu marido, pelo apoio e carinho sempre e sua paciência em meus momentos de dificuldades. A minha família, meus pais e minha irmãzinha, pelo amor e carinho dedicados. Ao orientador, Prof. Dr. Antônio de Pádua Serafim, pelas orientações e esclarecimentos durante o desenvolvimento do trabalho. A professora da Universidade Metodista, Profa. Dra. Hilda Rosa Capelão Avoglia, por me ajudar com relação ao contato com a escola participante do projeto. A Maria Elaine Gonçalves, aluna do Curso de Perícia no NUFOR (IPQ-HCFMUSP), pela coleta de parte do grupo de estudo. A Direção e aos pais da escola, por confiarem e permitirem a participação das crianças do grupo controle..

(7) SUMÁRIO JUSTIFICATIVA ................................................................................................................... 12 1 REVISÃO DE LITERATURA ......................................................................................... 13 2 OBJETIVOS....................................................................................................................... 22 2.1 Objetivo geral ............................................................................................................... 22 2.2 Objetivos específicos .................................................................................................... 22 3 HIPÓTESE ......................................................................................................................... 23 4 METODOLOGIA .............................................................................................................. 24 4.1 Participantes .................................................................................................................. 24 4.1.1 Critérios de exclusão .......................................................................................... 24 4.2 Instrumentos ................................................................................................................. 24 4.2.1 Variáveis cognitivas ........................................................................................... 24 4.2.2 Variáveis da personalidade e relações parentais................................................. 28 4.3 Local ............................................................................................................................. 30 4.4 Procedimentos............................................................................................................... 30 5 ASPECTOS ÉTICOS ........................................................................................................ 31 6 ANÁLISE ESTATÍSTICA ................................................................................................ 32 7 RESULTADOS .................................................................................................................. 33 7.1 Caracterização da amostra - análises descritivas .......................................................... 33 7.2 Variáveis cognitivas...................................................................................................... 34 7.3 Variáveis da personalidade e relações parentais ........................................................... 37 7.4 Inventário de Estilos Parentais...................................................................................... 38 7.5 Análise das correlações ................................................................................................. 39 8 DISCUSSÃO....................................................................................................................... 41 8.1 Dados sociodemográficos e o abuso sexual .................................................................. 41 8.2 Aspectos cognitivos e o abuso sexual ........................................................................... 44 8.3 Traços de personalidade e abuso sexual ....................................................................... 49 8.4 Estilos parentais e abuso sexual .................................................................................... 51 9 CONSIDERAÇÕES FINAIS ............................................................................................ 55 REFERÊNCIAS ..................................................................................................................... 57 ANEXOS ................................................................................................................................. 63.

(8) LISTA DE TABELAS Tabela 1 Pontuação e classificação da Escala EPQ-J ............................................................. 29 Tabela 2 Dados sociodemográficos dos 62 meninos pesquisados .......................................... 33 Tabela 3 Resultados da avaliação cognitiva das 62 crianças e adolescentes estudados ......... 35 Tabela 4 Resultados da avaliação dos traços de personalidade das 62 crianças e adolescentes de acordo com EPQJ ........................................................................... 37 Tabela 5 Resultados da avaliação da percepção de crianças e adolescentes em relação aos estilos parentais de mãe e pai............................................................................. 38 Tabela 6 Coeficiente de correlação de Pearson entre as variáveis estudadas no grupo controle .................................................................................................................... 39 Tabela 7 Coeficiente de correlação de Pearson entre as variáveis estudadas no grupo controle .................................................................................................................... 39.

(9) LISTA DE ABREVIATURAS CFNCFN - Cor, Forma, Número, Cor, Forma, Número CTQ. - Questionário de Traumas Infantis. DP. - Desvio Padrão. EPQ. - Questionário de Personalidade Eysenck. EPQ-J. - Questionário de Personalidade para Crianças e Adolescentes. IEP. - Inventário de Estilos Parentais. IML. - Instituto Médico Legal. NEO-PI. - Inventário de Personalidade Neo. NUFOR. - Programa de Psiquiatria Forense e Psicologia Jurídica. SRT. - Selective Reminding Test. TEPT. - Transtorno de Estresse Pós-Traumático. WCST. - Teste Wisconsin de Classificação de Cartas. WISC-III - Escala de Inteligência Wechsler para Crianças.

(10) RESUMO Há um consenso na literatura de que a vivência do abuso sexual na infância ocasiona uma série de consequências, tanto físicas quanto psicológicas, às vítimas. O cenário de violência contra crianças e adolescentes está cada vez mais frequente na sociedade contemporânea, tornando-se um problema de saúde pública, de modo a ser necessário um olhar mais atento dos profissionais e elaboração de políticas públicas tanto para a prevenção dos casos como para o tratamento dos problemas deles decorrentes. Nas crianças, há uma associação do aumento de problemas comportamentais e psicológicos, que podem se estender até o período da idade adulta. Outros estudos enfatizam alterações em áreas cerebrais e as relacionam com o surgimento de transtornos mentais na população de crianças vítimas de violência sexual, dentre outros tipos de violência. O objetivo deste trabalho foi verificar a presença de traços de personalidade, os estilos parentais desenvolvidos e o desempenho cognitivo, especificamente as funções executivas, em meninos com histórico de abuso sexual. Foram avaliadas 62 crianças e adolescentes (32 com histórico de abuso sexual e 30 sem), sendo que no grupo de abuso a idade média dos integrantes é de 11,7 anos de idade e seus genitores majoritariamente divorciados, diferentemente do grupo controle, no qual os genitores são, na maior parte, casados. O método constou de questionário sociodemográfico, testes neuropsicológicos que avaliam as funções executivas (Wisconsin Card Sortint Test, Figuras de Ray e Escala de Inteligência Wechsler para Crianças - Terceira Edição (WISC-III)- Semelhanças, Arranjo de Figuras, Compreensão, Cubos, Dígitos e Vocabulário), Questionário de Personalidade para Crianças e Adolescentes (EPQ-J) e Inventário de Estilos Parentais (IEP). Não houve resultados significativos entre o abuso e as funções executivas, tanto nos subtestes dos Escala de Inteligência Wechsler para Crianças - Terceira Edição (WISC-III) quanto no do Wisconsin; porém o grupo apresentou dados significativamente menores na memória do Figuras Complexas de Rey. Com relação ao EPQ-J, os resultados demonstraram maiores índices de neuroticismo, os quais podem ser associados com sintomas de depressão, e apresentaram menores índices em extroversão, trazendo possíveis dificuldades nas relações sociais. Com relação aos estilos parentais, o grupo apresentou dificuldades e prejuízos nas percepções sobre os genitores, especialmente com relação ao genitor , que é o maior abusador estatisticamente. Os dados mostraram uma correlação entre neuroticismo e vocabulário, estilos parentais e vocabulário, e neuroticismo e estilos parentais. Observou-se a importância de maiores estudos com o público masculino, para.

(11) que possam ser elucidadas, de forma mais abrangente, as questões de abuso sexual e suas interferências nos aspectos neuropsicológicos, estilos parentais e traços de personalidade, visto que a maior parte dos estudos é relacionada ao público feminino. É necessário o desenvolvimento de políticas públicas para o atendimento específico do público masculino que sofre abuso, e que o profissional da saúde esteja preparado para ajudar, fortalecendo os aspectos psíquicos e emocionais. Palavras-Chave: Avaliação neuropsicológica. Abuso sexual. Público masculino. Traços de personalidade. Estilos parentais..

(12) SUMMARY There is a consensus in the literature that the experience of sexual abuse in childhood leads to a series of consequences, both physical and psychological, to the victims. The scenario of violence against children and adolescents is increasing in contempor ary society, becoming a public health problem, so the need for a closer look of professional and public policy development for both the prevention of such cases to the treatment of their problems arising. In children, there is an association of increased b ehavioral and psychological problems which may extend the period until adulthood. Other studies emphasize changes in brain areas and relate to the emergence of mental disorders in the population of child victims of sexual violence, among other types of violence. The aim of this study was to verify the presence of personality traits, developed parenting styles and cognitive performance, specifically executive functions in children with a history of sexual abuse. We evaluated 62 children and adolescents (32 with a history of sexual abuse and 30 without), and the average age abuse group of members is 11.7 years old and their mostly divorced parents, unlike the control group, in which the parents are mostly married. The method consisted of sociodemographic questionnaire, neuropsychological tests assessing executive functions (Wisconsin Card Sortint Test, figures Ray and WISC III - Similarities, Picture Arrangement, Understanding, cubes, digits and Vocabulary), Personality Questionnaire for Children and Adolescents (EPQ-J) and Parental Styles Inventory (IEP). There were no significant results between abuse and executive functions, both in the Wechsler Intelligence Scale for Children - Third Edition (WISC-III) subtests and in Wisconsin; but the group showed significantly lower data in the memory of Complex Figure Rey. Regarding the EPQ-J, the results showed higher levels of neuroticism, which can be associated with symptoms of depression, and had lower rates in extroversion, bringing potential difficulties in social relations. Regarding parenting styles, the group presented difficulties and losses in the perceptions of parents, especially in relation to the parent, which is the biggest abuser statistically. The data showed a correlation between neuroticism and vocabulary, parenting styles and vocabulary, and neuroticism and parenting styles. The importance of further studies with the male audience was observed, so that they can be elucidated more comprehensively the issues of sexual abuse and their interference in the neuropsychological aspects, Parenting Styles and Personality Traits, since most of the studies is related the female audience. The development of public policies for the specific care of the male audience is necessary that.

(13) suffer abuse, and that the health professional is prepared to help, strengthening the psychological and emotional aspects. Keywords: Neuropsychological assessment. Sexual abuse. Public male. Personality traits. Parenting styles..

(14) 12. JUSTIFICATIVA A partir dos estudos relativos aos vários tipos de violência contra crianças e adolescentes, despertou-se o interesse em investigar, além dos processos cognitivos em crianças e adolescentes que vivenciaram situações de abuso sexual, seus traços de personalidade e seus estilos parentais. De acordo com as pesquisas bibliográficas realizadas para este projeto, percebeu-se uma relação entre características na personalidade e abuso sexual em crianças e adolescentes; como também, prejuízos em funções neuropsicológicas, como as funções executivas, em especial na memória operacional, flexibilidade cognitiva e controle inibitório, estão associados a traços de personalidade. O objetivo do estudo foi realizar um levantamento dos aspectos cognitivos de crianças e adolescentes do sexo masculino que sofreram abuso sexual e verificar o panorama dos traços de personalidade e a maneira como estes meninos percebem as relações entre pais e filhos (estilos parentais). O estudo com meninos derivou dos indicativos da literatura, visto que as pesquisas destacam mais o abuso sexual nas meninas. Esta pesquisa foi realizada fulcro da parceria entre o Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Saúde da UMESP juntamente com Programa de Psiquiatria Forense e Psicologia Jurídica (NUFOR) do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo..

(15) 13. 1 REVISÃO DE LITERATURA A infância e a adolescência são períodos relevantes para a maturação do cérebro. Experiências no começo da vida exercem influência em padrões de comportamentos da vida adulta. As primeiras publicações que mostram a realidade dos maus tratos e os abusos sexuais contra crianças ocorreram no período de 1837 e 1879, porém não mostraram consequências na época, revelando uma banalização da situação da violência infantil (Marcelli & Cohen, 2009). Os autores Ferrari e Vecina (2002, p. 50) confirmam a situação de descaso com a violência contra as crianças. Pode-se dizer que a criança e o adolescente vêm sendo vítimas de vários tipos de exploração- inclusive e principalmente a de natureza sexual. Nestas situações, temse observado uma falta de mobilização social em defesa da criança, uma falta de denúncia e até uma conivência da sociedade, revestida pelo “pacto do silencio”, que permeiam essas discussões, mesmo entre profissionais.. Os pediatras norte-americanos Kempe e Kempe (1985) citados por Ferrari e Vecina (2002) foram os primeiros a identificar a situação da violência intrafamiliar. Segundo estudo de Glaser (2000) sobre o abuso sexual, de acordo com a literatura ocorre uma diminuição dos dados reais sobre o abuso sexual, sendo que muitas vezes os próprios pais intervêm de forma negativa no tratamento da criança. Gabel et al. (1997, p. 82) definem a violência ou o abuso sexual como “utilização do corpo da criança ou adolescente que tenha por finalidade a satisfação do desejo sexual do transgressor”. De acordo com os estudos de Baptista, França, Costa e Brito (2008), a violência doméstica é um fenômeno que faz parta da história ocidental, constituído socialmente, sendo baseada em crenças e valores de determinada época e cultura. Neste mesmo estudo foi realizada uma pesquisa com 60 prontuários do projeto sentinela no ano de 2005 a 2006 e conclui-se que a maioria das vítimas faz parte de um grupo social desfavorecido econômica e socialmente e que a maioria dos abusadores é pessoa próxima da criança ou adolescente. Há alguns estudos que correlacionam as baixas estatísticas sobre abuso sexual com questões culturais, como fazem Frías e Erviti (2014) em seu estudo realizado no México sobre experiências de gênero no abuso sexual. Concluíram que existe uma força na sociedade que correlaciona o abuso sexual à falta de cuidado materno e à presença provocativa do corpo feminino, devendo este, portanto, ser protegido. Quando o abuso ocorre com meninos, as vítimas tendem a se manter silentes e os casos tornam-se segredos, em virtude do estigma do abuso, que correlaciona o fato com a homossexualidade..

(16) 14. Segundo estudo de Murray, Nguyen e Cohen (2014) sobre o abuso sexual, algumas questões culturais são percebidas como causas da não divulgação do abuso, dentre elas estigmatização, sentimento de culpa e de responsabilidade da vítima pelo fato ocorrido, percepção sobre a falta de credibilidade e preocupação dos genitores com relação a temática. A consequência disto é o desenvolvimento de transtornos psiquiátricos como depressão, ansiedade e comportamentos inadequados como uso de drogas e suicídio. Mello e Fiks (2011, p. 214) trazem em estudo a repercussão no desenvolvimento psíquico e sua correlação com a vivência da violência intrafamiliar como: “A violência vivenciada na infância e adolescência pode paralisar a possibilidade de aprender, interromper o desenvolvimento natural, produzir graves patologias. Impede o uso da criatividade e pode transformar o impulso agressivo em violência”. Outros estudos apresentam algumas contraditoriedade sobre a gravidade do abuso sexual e sua relação, por exemplo, com a idade em que a criança sofreu a violência, demonstrando que quanto mais nova a criança for na fase do abuso, menor será o trauma, pois esta terá mais condições de fazer dissociação, ou seja “apagamento”, em que a mesma não se sente presente (Sanderson, 2005, p. 172). Em estudos realizados no Distrito Federal - Brasil sobre os aspectos clínicos utilizados no exame do Instituto Médico Legal (IML) para detectar o abuso sexual, Modelli, Galvão e Pratesi (2012) enfatizaram a importância da escuta da criança e da orientação familiar. Muitos casos mostram-se de difícil diagnóstico devido à distância de tempo entre o ocorrido e o exame, ao silencio familiar e ao fato de que, quando o caso é perpetrado por pessoas da família, ele é percebido como uma não violência, por supostamente não ter havido interesse em machucar a vítima, sendo, assim, difícil a realização de um diagnóstico preciso. Entre 2008 e 2009 foram encontrados 3607 casos de suspeita de abuso no IML, sendo 13,8% de meninos e 86,5% de meninas, todos menores de 12 anos. O abuso sexual, além de ser um fenômeno complexo, envolvendo questões culturais e com variadas definições, pode trazer consequências para o desenvolvimento neurológico, causando falhas em determinadas funções cognitivas e anatômicas, mais especificamente ligadas ao córtex pré-frontal e às regiões que mantêm conexões com esta, como apontam algumas pesquisas. De acordo com Fuentes, Malloy-Diniz, Camargo e Cosenza (2008, p. 27) “A organização do SN é determinada por fatores genéticos e ambientais que participam e influenciam no seu desenvolvimento, atuando em etapas específicas da formação das diversas regiões do SN”..

(17) 15. De acordo com a anatomia do córtex pré-frontal, Gil (2012, p. 157) descreve: O córtex pré-frontal é a única localização neocortical das informações que circulam pelos circuitos límbicos e ele mantém conexões com o hipocampo, com a amígdala, com o tálamo (sobretudo com o núcleo dorsomedial), com o córtex límbico parahipocampal e singular, com o hipotálamo e com o tegmento mesecefálico. Logo, é possível dizer que ele se comporta como uma interface entre a cognição e os sentimentos.. Segundo Fuster (2001), as funções do córtex pré-frontal estão ligadas a várias conexões em outras regiões cerebrais, sendo que suas funções cognitivas não devem ser compreendidas sem pensar em suas conexões. Seu funcionamento é muito mais amplo do que apenas a região pré-frontal. Ainda de acordo com Fuster (2001, p. 329), o córtex pré-frontal tem várias funções e também conexões com outras áreas cerebrais, como conclui em seu texto: O córtex pré-frontal é um dos últimos territórios do neocórtex a desenvolver, em evolução, bem como a ontogenia. Em geral todo o córtex pré-frontal é dedicado à memória, planejamento ou execução de ações. O córtex pré-frontal medial e orbital é bem relacionado com o tronco cerebral e com formações límbicas, desempenhando um papel importante no comportamento emocional e no controle dos impulsos básicos. O córtex pré-frontal lateral é o substrato neural para as funções cognitivas que suportam a organização temporal do comportamento.. De acordo com Fuentes et al. (2008, p. 190): “Tem sido verificado que o córtex préfrontal apresenta um nível de especialização funcional, em que cada sistema neural está envolvido com aspectos cognitivos e comportamentais específicos”. Glaser (2000), numa revisão de literatura sobre abuso sexual, negligência e consequências neurológicas, aponta que o abuso e a negligência, além de causarem déficits como prejuízo escolar, respostas agressivas e dificuldades na função executiva, trazem consequências para os aspectos neurobiológicos. Há a hipótese de que as primeiras experiências podem trazer mudanças em conexões no cérebro em desenvolvimento. Além do abuso sexual, a negligência aos cuidados básicos e os maus-tratos também podem trazer consequências ao desenvolvimento de funções neuropsicológicas; o funcionamento executivo é uma das áreas que se apresenta afetada no estudo realizado por Nikulina e Widon (2013). Neste estudo foram avaliados os aspectos do funcionamento executivo em dois grupos, um composto por adultos com histórico de abuso sexual, físico, negligência, e o outro, o grupo controle. Em tal estudo, a negligência teve maior impacto negativo nos aspectos do funcionamento executivo. Umas das dificuldades relatadas no estudo são as diferenças entre os resultados neuropsicológicos e neurológicos no abuso sexual, no físico e nos aspectos da negligência, devido às diferenças entre idades do fato ocorrido, às questões psiquiátricas associadas e as suas correlações com os maus-tratos e os abusos..

(18) 16. Em estudo de Spann et al. (2012) com 30 adolescentes na faixa etária entre 12 e 17 anos que vivenciaram situações de maus tratos, sendo que metade da amostra era do sexo feminino, e no qual foram utilizados como instrumento de avaliação o Questionário de Traumas Infantis (CTQ) e o Teste Wisconsin de Classificação de Cartas (WCST), percebeu-se associação entre erros perseverativos no WCST, abuso físico e negligência. Os resultados sugerem que tanto o abuso físico como a situação de negligência estão associados aos resultados de flexibilidade cognitiva diminuída. Na pesquisa realizada por Nolin e Ethier (2007) constatou-se que crianças que vivenciaram situações de abuso físico apresentaram dificuldades cognitivas na habili dade de resolver problemas e na capacidade de abstração e de planejamento; já as crianças que viveram situações de negligência, porém sem o abuso físico, apresentaram escores menores na tomada de decisão. O mau funcionamento das funções executivas tem sido denominado de “Síndromes disecutivas” segundo Fuentes et al. (2008), e quando ocorre é em função do comprometimento na área cerebral denominada córtex pré-frontal, que também está correlacionado com os circuitos que se relacionam a esta área cerebral. Os pacientes q ue apresentam este quadro, demonstrando dificuldades na tomada de decisão, traçam metas irrealistas, dificuldades de controlar os impulsos, apresentam-se distraídos e insensíveis. Outras pesquisas indicaram que a vivência de abuso sexual traz alterações em estruturas anatômicas cerebrais, hormonais e de conexões, como é o estudo de Teicher, Andersen, Polcari, Anderson e Navalta (2002). Este estudo realizou eletroencefalografia com 453 pessoas, sendo que 49% tinha vivenciado abuso sexual. O resultado desta violência trouxe estímulo às amígdalas cerebrais com excitabilidade elétrica e prejuízos ao hipocampo em desenvolvimento, devido a apresentação excessiva dos hormônios do estresse. Como consequência, ocorreu morte de neurônios e diminuição do volume anatômico e da função cognitiva, pois o hipocampo tem função importante na construção e recuperação de recordações verbais e emocionais. Mezzacappa, Kindlon e Earls (2001), em estudo no qual investigaram as funções executivas em 126 meninos entre seis e 16 anos - sendo que destes, 25 tinham histórico de abuso sexual. Concluíram que o abuso sexual pode ter uma influência negativa no desenvolvimento das habilidades de algumas funções executivas, como dificuldades no controle inibitório..

(19) 17. As correlações de diferenças estruturais do cérebro associadas com a vivência de abuso sexual na pesquisa realizada por Bremner et al. (1997), aponta diferenças no volume do hipocampo a partir de ressonância magnética em pacientes com diagnóstico de Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT) que tinham vivenciado situações de abuso sexual na infância. Neste estudo, percebeu-se também que o volume do hipocampo estava associado à duração do abuso sexual na infância. Em outro estudo, Bremner e Vermetten (2001) concluíram que o estresse precoce traz consequências para algumas estruturas cerebrais. Em crianças com histórico precoce de abuso, depressão e TEPT, apareceram mudanças em áreas hipotalâmicas e sistemas noradrenérgicos. Os estudos também mostram falhas no sistema hipotalâmico. A partir de imagens funcionais, observaram-se disfunções no córtex pré-frontal medial, relacionadas ao transtorno de estresse pós-traumático com situação de abuso. Nesse estudo, realizou-se um delineamento dos circuitos e sistemas que têm importância nos sintomas do abuso e sua relação com transtornos psiquiátricos. Outras pesquisas revelam associações entre o abuso sexual e falhas no desenvolvimento da personalidade. Para Ferrari e Vecina (2002, p. 42): “Tanto a negligencia emocional, a vitimização psicológica por parte dos pais, quanto o incesto ou abuso incestuoso deixam sérias marcas na formação da personalidade da criança e do adolescente”. Oliveira (2010) realizou estudo sobre consequências psicossociais com meninos que sofreram abuso sexual, com um grupo da Fundação Casa e outro do Ambulatório do Programa de Psiquiatria Forense e Psicologia Jurídica (NUFOR), tendo utilizado o instrumento Escala Fatorial de Ajustamento Emocional/Neuroticismo de Hultz e Nunes (2001), em que são avaliados quatro subfatores, como: vulnerabilidade, desajustamento psicossocial, ansiedade e depressão. O grupo da Fundação Casa (cujos componentes, além de terem vivenciado abuso sexual, estão cumprindo medida por transgressões sexuais) teve os maiores resultados no fator neuroticismo total e instabilidade emocional. Porém, todos os três grupos apresentaram altos índices do fator vulnerabilidade e depressão, independentemente do grau de escolaridade. Em seu estudo, Roy (2002) concluiu que os adultos que sofreram alguma situação de trauma infantil - como violência sexual, física, negligência emocional e negligência física têm maior tendência de desenvolver neuroticismo. No seu estudo ficou claro que as adversidades na infância são um preditor para desenvolver neuroticismo..

(20) 18. Segundo a pesquisa de Gamble et al. (2006), em estudo sobre a associação entre o abuso sexual e neuroticismo, utilizando o Inventário de Personalidade Neo (NEO-PI) como método de avaliação, os indivíduos que sofreram formas graves de abuso sexual tiveram níveis mais altos de neuroticismo. No estudo de Allen e Lauterbach (2007), os indivíduos participantes da pesquisa que relataram sobreviver a algum tipo de trauma da infância tiveram uma maior propensão a desenvolver sintomas de depressão e ansiedade, que fazem parte do neuroticismo. Este estudo teve suas limitações, porém, pela dificuldade de conceituar o trauma infantil. Em pesquisa realizada por Li et al. (2014) com uma amostra de adolescentes chineses que vivenciaram variadas formas de traumas na infância, sendo utilizado como método de avaliação o Questionário de Personalidade Eysenck (EPQ), concluíram que o psicoticismo teve uma correlação positiva com abuso emocional e sexual e negligência emocional e física, diferentemente do neuroticismo e da mentira, que tiveram uma correlação positiva com o abuso emocional. Em pesquisa de Moran et al. (2011) com 1520 jovens adultos, realizada entre 1992 e 2003, utilizando como instrumento de avaliação o NEO - Five Factor Inventary, concluiu-se que há uma relação entre o abuso sexual ocorrido de maneira repetitiva e traços de personalidade como o neuroticismo. Em estudo realizado com 494 estudantes na faixa etária dos oito aos 16 anos de ambos os sexos, com correlações entre aspectos cognitivos e personalidade, e percepções dos pais sobre os filhos e personalidade, Franco (2007) observou correlações entre neuroticismo com medo e dependência, e psicotismo com a impulsividade. Houve uma correlação negativa entre desempenho escolar e os traços de personalidade (neuroticismo e psicotismo). A partir destes estudos e pesquisas fica claro que há correlação entre situações de traumas na infância, como abuso sexual, e o desenvolvimento de traços de personalidade, como o neuroticismo e psicotismo. Há também alguns estudos que correlacionam estes traços de personalidade com a impulsividade. Na pesquisa de Whiteside e Lynam (2001) com 400 jovens adultos, fazendo uma correlação entre os traços de personalidade com a impulsividade, foi observado que há uma correlação entre traços de personalidade, como o neuroticismo, e a impulsividade. No entanto, o estudo teve algumas limitações, como a dificuldade na variedade de conceitos sobre impulsividade. Já no estudo de Fino et al. (2014) com 434 estudantes do ensino médio, utilizando como instrumentos de avaliação Teste Wisconsin de Classificação de Cartas, Escala de Impulsividade de Barra t, Inventário Dickman Impulsividade e Zuckerman-Kuhlman-Aluja.

(21) 19. Personality Questionnaire, os resultados indicam que a impulsividade e controle inibitório são preditores da função executiva. Ficou claro que o comportamento impulsivo, como o agir sem pensar, está correlacionado negativamente com as funções executivas, aumentando os comportamentos de risco na adolescência, como observado no WCST. Em contrapartida, não houve correlação entre o modelo dos cinco grandes fatores e o desenvolvimento das funções executivas. Em estudo semelhante de Perkins, Smith-Darden, Ametrano, e Graham-Bermann (2014) com 115 jovens do sexo masculino encarcerados que viveram situações de violência, utilizando como instrumentos de avaliação o Teste Wisconsin de Classificação de Cartas e o Go no Go, foram avaliadas as correlações entre exposição à violência e processamento cognitivo. Observou-se que altos níveis de exposição à violência e diminuição no processamento cognitivo podem trazer consequências negativas à saúde mental. Faz-se necessário estudar o abuso sexual no público masculino devido às conclusões que muitas pesquisas têm de que a maior parte do público infantil e adolescente que sofre abuso é do sexo feminino. Segundo as pesquisas de Moore et al. (2010) realizadas em Vitória – Austrália, podese observar alto índice de abuso sexual tanto em meninas como em meninos, porém com predomínio de casos com meninas. Apesar dessa prevalência ser maior em meninas, os resultados sugerem que um em cada vinte meninos já sofreu abuso sexual. O estudo realizado por Serafim, Saffi, Faria e Barros (2011) com 205 crianças entre seis e 14 anos demonstrou maior prevalência de casos de abuso sexual contra vítimas do sexo feminino, contando com 63,4% dos casos, contra 54,6 % de casos contra o sexo masculino. Os comportamentos das vítimas diferenciam-se entre meninas e meninos: enquanto meninas abusadas apresentam comportamento erotizado, os meninos demonstram isolamento. Na pesquisa de Romano e De Luca (2001), de revisão teórica sobre os efeitos e as formas de abuso no público masculino, o que foi concluído é que está havendo uma maior preocupação com os homens sexualmente abusados. Estes, quando sofrem abuso, na maior parte das vezes é por pessoa de fora do convívio familiar e os abusadores usam a força física. Os homens apresentam maior dificuldade em assumir o abuso, pois muitas vezes esta violência é associada ao homossexualismo. Hoje está havendo uma maior preocupação e reconhecimento sobre as sequelas do abuso no público masculino. Em estudo semelhante de Romano e De Luca (2005) foi realizada a experiência de início de tratamento individual com cinco homens entre 23 e 37 anos com histórico de abuso sexual na infância, e trabalhado em cada encontro alguns temas diferentes, como culpa, raiva.

(22) 20. e ansiedade. Concluiu-se, a partir deste estudo, que os homens apresentam preocupações com relação a sua sexualidade (homossexualismo), e que houve melhoras em alguns aspectos trabalhados, como raiva e ansiedade, mas pouca melhora no tema sobre culpa. Nestas duas pesquisas (Romano & De Luca, 2001, 2005) fica evidente a força do estigma que este público desenvolve ao longo da vida, os sentimentos de culpa que recaem sobre ele e a importância do tratamento. Devido a este público sofrer desde a violência até o processo de estigmatização, é importante que os profissionais da saúde estejam devidamente preparados para ajudar esta clientela. A partir dos estudos teóricos realizados por Easton (2013) sobre homens que sofreram abuso sexual na infância, observa-se que há ainda pouco conhecimento dos profissionais da saúde na temática, além da estigmatização e do risco de marginalização deste público. De acordo com esta pesquisa realizada com 487 homens, boa parte dos participantes demorou de 20 a 30 anos para contar sobre o fato e apenas 15% relataram às autoridades. Concluíram que este público tem um maior risco de desenvolver transtornos mentais como depressão, de abusar de substâncias entorpecentes, de ter dificuldade em controlar sentimentos como raiva, e de tentar suicídio. Segundo Haile, Kebeta e Kassie (2013) em estudo sobre a prevalência de abuso sexual com os meninos, realizado no país da Etiópia com 889 estudantes de nove escolas do ensino médio. Concluíram que o abuso sexual no público masculino é um problema que ainda é desvalorizado e negligenciado em muitos países, inclusive na Etiópia. Os meninos que têm mais chances de sofrer o abuso sexual são os que residem com outras pessoas que não sejam da família, sendo que a maior parte dos meninos que sofreu abuso não registrou a situação por vários motivos, como medo do estigma ou por não saber o que fazer. Segundo Holmes e Slap (1998), em pesquisa bibliográfica entre os anos de 1985 e 1997 sobre o abuso sexual com meninos, percebeu-se que apesar de ser comum o abuso com os meninos, este não é notificado e nem tratado pelas equipes de saúde, que precisam ter um olhar mais sensível e maior conhecimento sobre a temática. Concluíram que os meninos que têm o maior risco de sofrer abuso são os negros, os menores de 13 anos ou os que não residem com a família. A partir deste trabalho, observou-se a necessidade de maiores estudos sobre a temática, uma melhor definição sobre o abuso sexual e maior rigor na coleta de dados das pesquisas sobre o tema. Também será de grande importância estudar e compreender melhor como se dá o estilo parental, ou seja, as práticas educativas em meninos que sofrem o abuso sexual..

(23) 21. Segundo Cassoni (2013) a sociedade durante o século XX e XI passou por várias mudanças e evoluções. Assim como a sociedade foi evoluindo e se desenvolvendo, as famílias também passaram por várias mudanças, desde valores, as dinâmicas de relacionamento até as formas de educar os filhos. No mundo ocidental atual cabe à família dimensionar as práticas educativas da prole, compor o ambiente em que a criança vai viver, e estabelecer modos e limites das interações entre pais, filhos e netos. É sua a tarefa de propiciar o desenvolvimento nos primeiros anos de vida do bebê, condições para a formação da identidade e manter a convivência e as trocas afetivas entre seus membros, incluindo o cuidado ao focalizar pais e filhos e a transmissão de valores (Biasoli-Alves, 2002 citado por Cassoni, 2013, p. 26).. Frente ao exposto, o estudo sobre os aspectos da personalidade, fatores cognitivos, e os estilos parentais de meninos com histórico do abuso sexual, configura-se como o primeiro a considerar a associação entre essas três variáveis..

(24) 22. 2 OBJETIVOS 2.1 Objetivo geral Verificar os aspectos cognitivos e da personalidade em meninos vítimas de abuso sexual. 2.2 Objetivos específicos - Avaliar a presença de traços de psicoticismo em crianças e adolescentes do sexo masculino que vivenciaram abuso sexual. - Avaliar a presença de traços de neuroticismo em crianças e adolescentes do sexo masculino que vivenciaram abuso sexual. - Avaliar a presença de traços de extroversão em crianças e adolescentes do sexo masculino que vivenciaram abuso sexual. - Avaliar o desempenho nas tarefas de funções executivas em crianças e adolescentes do sexo masculino que vivenciaram abuso sexual. - Identificar os estilos parentais em crianças e adolescentes do sexo masculino que vivenciaram abuso sexual..

(25) 23. 3 HIPÓTESE - O grupo vítima de abuso sexual apresenta, como consequência, dificuldades em realizar atividades que envolvam áreas especificas do cérebro, como o lobo frontal, ou funções executivas como, por exemplo: planejamento, organização, controle de impulsos, flexibilidade cognitiva, memória operacional, entre outras. - Meninos que são abusados na infância e adolescência apresentam alterações na personalidade. - A vivência de abuso sexual traz como consequência alterações na dinâmica familiar, como as relações entre os pais e os filhos..

(26) 24. 4 METODOLOGIA 4.1 Participantes Participaram deste estudo 62 meninos entre 10 e 14 anos, distribuídos em dois grupos: Grupo de Estudo: 32 meninos vítimas de abuso sexual (11,7 ± 1,28 anos) submetidos a perícias psicológicas em um Ambulatório de Psiquiatria e Psicologia Forense de um Hospital Escola de São Paulo. Grupo Controle: 30 meninos sem histórico de abuso sexual (11,6 ± 1,22 anos), advindos de várias regiões da cidade e da região metropolitana de São Paulo. 4.1.1 Critérios de exclusão - Crianças com idade inferior a 10 anos. - Adolescentes com idade superior aos 14 anos. - Crianças e adolescentes com atrasos no desenvolvimento neuropsicomotor, síndromes genéticas ou que tenham sofrido algum acidente/traumatismo que tenha gerado alterações neuropsiquiátricas. 4.2 Instrumentos Levantamento dos dados sociodemográficos das crianças e adolescentes, relativos à idade e à escolaridade (anos de estudo) (Anexo A). Foi considerado apenas o estado civil dos responsáveis, uma vez que a maioria dos casos avaliados um Ambulatório de Psiquiatria e Psicologia Forense de um Hospital Escola de São Paulo. Estavam na condição de “Segredo de Justiça”, o que limitou o número de informações. 4.2.1 Variáveis cognitivas Subteste Semelhanças (Wechsler, 2002) Utilizado para avaliação dos conceitos verbais e habilidades para juntar objetos e eventos que fazem parte do mesmo grupo. As respostas podem ser concretas (ao que é visto ou tocado) e abstratas, com noções mais universais. “O desempenho do avaliado demonstra ser relacionada com suas oportunidades culturais – e de acordo com seus interesses, a.

(27) 25. memória também está envolvida” (Andrade, Santos, & Bueno Orlando, 2004, p 72). Neste subteste é apresentada oralmente à criança uma série de palavras em dupla, e a criança deve explicar as semelhanças dos objetos ou dos conceitos comuns que existem entre as palavras (Wechsler, 2002, p. 5). Subteste Arranjo de Figuras (Wechsler, 2002) Teste não verbal, em que se avalia a capacidade de organização, planejamento e noção temporal, como também avalia se a ideia geral de cada história foi compreendida pela criança (Andrade et al., 2004, p. 72). Neste subteste é apresentado um conjunto de gravuras, que são apresentadas à criança em ordem misturada, e esta terá que reordená-la, construindo assim uma estória com sequência lógica (Wechsler, 2002, p. 5). Subteste Compreensão (Wechsler, 2002) Contém como questões, situações-problemas que envolvem conceitos corporais, relacionamentos interpessoais e sociais. As crianças que apresentam melhor habilidades para fazer relações com experiências vividas na obtenção de resoluções irão apresentar melhor desempenho. As respostas estão relacionadas com julgamento social ou senso comum e entendimento dos padrões sociais (Andrade et al., 2004). Uma série de perguntas apresentada verbalmente, que requer que a criança resolva problemas cotidianos ou compreenda regras e conceitos sociais. Subteste Cubos (Wechsler, 2002) Um conjunto de padrões geométricos bidimensionais, feitos com cubos ou impressos, que a criança reproduz usando cubos de duas cores. Segundo Andrade et al. (2004) é um teste não verbal, que necessita do avaliando organização perceptual, visualização espacial, necessitando da área motora e visual. A pontuação é determinada de acordo com o tempo de execução da tarefa, depois é feita a somatória dos pontos (escore bruto). Este escore bruto é transformado em um escore ponderado, de acordo com a tabela normativa pré-estabelecida no manual de correção do teste. Por fim, cada ponto ponderado possui um determinado percentil que determinará a faixa de desempenho em que a criança se encontra, são elas: muito inferior, inferior, médio inferior, média, média superior, superior e muito superior, também de acordo com uma tabela pré-estabelecida..

(28) 26. Subteste Dígitos (Wechsler, 2002) - Ordem direta Avalia a amplitude atencional para estímulos audioverbais simples. O pesquisador solicita que o examinando repita uma lista de números, na mesma ordem que foi lida. É composta por oito itens com duas tentativas cada, a tarefa é interrompida após dois erros consecutivos no mesmo item. - Ordem inversa Avalia a memória de trabalho para estímulos audioverbais simples bem como a capacidade de sustentar a atenção e controle mental. O pesquisador solicita que o examinando repita uma lista de números, em ordem inversa ao que foi lido. Composto por sete itens com duas tentativas cada, a tarefa é interrompida após dois erros consecutivos no mesmo item. A correção é realizada da seguinte maneira: a cada acerto é atribuído zero, um, ou dois pontos, de acordo com o nível de respostas. Depois é feita a somatória dos pontos (escore bruto). Este escore bruto é transformado em um escore ponderado, de acordo com a tabela normativa pré-estabelecida no manual de correção do teste. Por fim, cada ponto ponderado possui um determinado percentil que determinará a faixa de desempenho em que a criança se encontra, são elas: muito inferior, inferior, médio inferior, média, média superior, superior e muito superior, também de acordo com uma tabela pré-estabelecida. Teste Wisconsin de Classificação de Cartas O WCST é um instrumento que avalia o raciocínio abstrato não verbal, a capacidade do sujeito de gerar estratégias de solução de problemas, em resposta a condições mutáveis, podendo ser considerado, assim, como uma medida de flexibilidade do pensamento - aspecto que faz parte das funções executivas (Heaton, Chelune, Talley, Kay, & Cutiss, 2005). O teste é composto por quatro cartas-estímulo, dois baralhos iguais de 64 cartasresposta e o protocolo de registro. As cartas apresentam figuras que possuem três tipos de configuração: Cor, Forma e Número. As cores podem ser vermelhas, azuis, amarelas ou verdes; as formas podem ser cruzes, círculos, triângulos ou estrelas; e o número de figuras pode ser um, dois, três ou quatro. Já o protocolo de registro possui três páginas, sendo que na primeira são preenchidos os dados do sujeito, na segunda estão 128 itens que compõem as respostas e na terceira estão às áreas para cálculo dos escores..

(29) 27. As quatro cartas-estímulo devem ser dispostas na frente do examinando, então é instruído que o examinador não pode dizer muito em relação ao que deve ser feito, apenas que o sujeito deve retirar uma carta do baralho de resposta e associá-la a uma das quatro cartasestímulo, posicionando-a embaixo. Será informado apenas se a associação foi correta ou errada, antes do examinando pegar a próxima carta. O aplicador terá em mente que a configuração inicial é Cor, portanto dirá que a resposta foi correta toda vez que o cliente associar a carta retirada com as cartas-estímulo pela cor. Após 10 respostas consecutivas corretas, o examinador passará a dizer como correta as associações de Forma, e assim por diante, até o término das 128 cartas ou da sequência Cor, Forma, Número, Cor, Forma, Número (CFNCFN). Ocasionalmente, o sujeito pode associar uma carta que não se encaixe em nenhuma das três configurações, sendo então classificada como Outra. Há também situações em que mais de uma associação pode ser possível, por exemplo, Cor e Número. Ambos os tipos são assinalados no protocolo. A atribuição do escore é realizada da seguinte forma: As respostas são então avaliadas baseadas em três dimensões, a saber: Correta ou Incorreta, que indica se a associação que o sujeito realizou está certa; Ambígua ou Não Ambígua, que diz que uma associação não é ambígua quando apenas uma característica da carta-resposta combina com a carta-estímulo e perseverativa ou não perseverativa, que diz que o princípio perseverante ocorre quando o sujeito, ao receber a informação de que o critério de associação já não está mais correto, não inibe sua tendência de persistir no padrão antigo. Teste Figura Complexa de Rey Desenvolvido em 1942 por André Rey para ajudar no diagnóstico de deficiência mental constitucional e a deficiência adquirida devido o traumatismo cranioencefálico (Rey, 1999, p. 9 citado por Cruz, Toni, & Oliveira , 2011). O objetivo do teste é avaliar a atividade perceptiva e a memória visual, verificando o modo como o examinando apreende os dados perceptivos que lhe são apresentados e o que foi conservado espontaneamente pela memória. O teste da Figura Complexa de Rey pode ser usado para avaliar a memória visual, capacidade visuoespacial e também as funções de planejamento e executar ação. É composto por 18 itens, os quais juntos formam o todo da figura, sendo pontuada de zero a 36 pontos, que variam de acordo com a precisão e o bom posicionamento de cada item da figura tanto na memória quanto na cópia..

(30) 28. O teste é realizado em duas etapas, sendo a primeira a cópia fiel da figura e a segunda parte o examinando terá que reproduzir a figura de acordo com o que conseguiu reter em sua memória. 4.2.2 Variáveis da personalidade e relações parentais Questionário de Personalidade para Crianças e Adolescentes O EPQ-J tem como principal objetivo investigar os traços de personalidade de crianças a partir dos 10 até os 16 anos, com escolaridade mínima correspondente ao terceiro ano ou que tenha domínio de leitura. É um instrumento que tem como objetivo avaliar a personalidade que se baseia no modelo dos três grandes fatores de Eysenck que é o neuroticismo, psicoticismo e extroversão, sendo composto de 60 itens, que o avaliando deve responder sim ou não (Eysenck & Eysenck, 2013). De acordo com Eysenck e Eysenck (2013) o traço de psicoticismo está relacionado com pessoas que apresentam tendência de buscar o seu próprio benefício, são mais egocêntricas, gostam de sensações fortes e parra conseguirem o que desejam são capazes de passar por situações de perigo. Apresentam pouco cuidado e prudência e tendem a quebrar leis e normas. Demonstram não se importar com o que podem causar aos outros e aos sentimentos destes. Em alguns momentos podem parecem frios e cruéis com as pessoas mais próximas. Com relação ao neuroticismo, pessoas que apresentam tendência a desenvolver este traço tem mais dificuldade em lidar com experiências emocionais, com grande sensibilidade. Apresentam-se mais ansiosos e com maior variação de humor. Pessoas com alto escore em neuroticismo apresentam-se mais angustiadas e agitadas diante de situações muito estressantes (Eysenck & Eysenck, 2013, p. 120). As pessoas com alto escore de Extroversão têm uma tendência a serem mais comunicativas, relacionando-se com muitas pessoas. São mais positivas e otimistas, tendendo a serem mais alegres, gostam de festas e com muita energia (Eysenck & Eysenck, 2013, p. 120). A interpretação dos resultados se dá pela classificação em cada escala de acordo com a pontuação obtida e convertida em escores como expresso na Tabela 1..

(31) 29. Tabela 1. Pontuação e classificação da Escala EPQ-J. PONTUAÇÃO BRUTA DAS SUBESCALAS CLASSIFICAÇÃO. PSICOTICISMO. EXTROVERSÃO. NEUROTICISMO. PERCENTIL. Muito Baixo. 0. 0-4. 0-2. 5. Baixo. 1. 5-8. 3-5. 10-20. Médio. 2-6. 9-11. 6-11. 30-70. Alto. 7-11. 12. 12. 80-90. Muito alto. 12-14. 12. 13-14. 99. Já o Quadro 1 expressa de forma resumida a interpretação segundo o índice de classificação no EPQ-J. Quadro 1 Interpretação dos resultados na EPQ-J. CLASSIFICAÇÃO Muito Baixo. Baixo. PSICOTICISMO Excessivamente precavidos, preocupados com seus atos, empáticos, afáveis Mais precavidos, preocupados com seus atos, empáticos, afáveis. Alto. Egocentrismo, se colocam em situação de risco, baixa prudência. Muito alto. Baixa sensibilidade aos problemas que causam aos outros, mias individualistas. EXTROVERSÃO. NEUROTICISMO. Evita a estimulação. Dificuldade na sensibilidade. Evita a estimulação. Tende a estabilidade. Sociáveis, falantes, elevada vitalidade, sempre ativos, espontâneos Necessidade de estimulação, procuram estímulos intensos. Hipersensibilidade emocional, ansiedade elevada, preocupação excessiva, exageradamente emotivos Excitação, sofrimento frente ao estresse. Para análise dos resultados neste estudo, considerou-se a pontuação bruta. Inventário de Estilos Parentais (IEP) Tem como objetivo avaliar famílias que passam por situações de risco social, pois detecta as práticas parentais que a pessoa vive e como estas podem influenciar no desenvolvimento de comportamentos antissociais. Este instrumento também avalia quais as atitudes dos pais devem ser mudadas ou permanecidas (Gomide, 2006). Este é um instrumento que visa auxiliar profissionais que trabalham com famílias que apresentam risco social, pois pode detectar quais praticas educativas a criança está mais sujeita, influencia também no comportamento da mesma, como comportamento antissocial, uso de substancias, comportamentos suicidas e infratores (Sampaio, 2007)..

(32) 30. Segundo Gomide e Sampaio (2007), o teste Inventário de Estilos Parentais é composto por 42 questões-perguntas em que a criança deve responder com sempre, às vezes ou nuncaou seja, indicando a frequência com que o genitor materno ou paterno age sobre determinado comportamento ou ação. O inventário deriva de um modelo teórico composto por sete práticas educativas, sendo duas consideradas positivas (monitoria positiva e comportamento moral) e cinco negativas (abuso físico, disciplina relaxada, monitoria negativa, negligência e punição inconsistente) (Sampaio, 2007). 4.3 Local O trabalho foi realizado em escolas públicas estaduais da região metropolitana de São Paulo para composição do grupo controle e também em um Ambulatório de Psiquiatria e Psicologia Forense de um Hospital Escola de São Paulo para composição do grupo de estudo. 4.4 Procedimentos Foi realizado o contato para a apresentação dos propósitos do estudo, tanto para os responsáveis pelas crianças e adolescentes do grupo de estudo junto ao um Ambulatório de Psiquiatria e Psicologia Forense de um Hospital Escola de São Paulo que atende as solicitações judiciais para realização de perícia psicológica e psiquiátrica em vítimas violência, quanto para os responsáveis pelas crianças e adolescentes advindos das escolas públicas estaduais para composição do grupo controle. Após estes tramites deu-se início a coleta de dados. Todos os pais ou responsáveis assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido e para os sujeitos acima dos 12 anos (Anexo B), estes assinaram o Termo de Assentimento Livre e Esclarecido (Anexo C). A aplicação de todos os instrumentos foi de forma individual..

(33) 31. 5 ASPECTOS ÉTICOS Os dados foram colhidos e mantidos em registro eletrônico sob responsabilidade do pesquisador principal. Todas as informações coletadas foram mantidas em sigilo e a forma de apresentação dos dados se configurou pelo anonimato dos participantes. Esta pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Universidade Metodista de São Paulo via Cadastro na Plataforma Brasil cujo protocolo é 42813315.7.0000.5508 (Anexo D)..

(34) 32. 6 ANÁLISE ESTATÍSTICA Foram realizadas análises descritiva e inferencial dos dados. Utilizou-se o programa SPSS 14.0, para analisar os dados, para cada variável foram calculados os valores mínimos e máximos, medianos, média, erro-padrão e gráficos das distribuições. Foi utilizado o Teste de Kolmogorov-Smirnov para verificar a suposta normalidade para a distribuição das variáveis (idade, anos de estudo e QI Estimado). Uma vez aceita a suposição de normalidade foi utilizado o teste t de Student para verificar a igualdade de médias entre os grupos de interesse, bem como a Correlação de Pearson. Utilizou-se ainda Teste Qui-quadrado para verificar associação entre os grupos. Para todas as análises o p < 0,05 foi considerado significante..

(35) 33. 7. RESULTADOS. 7.1 Caracterização da amostra - análises descritivas Os dados relativos à caracterização da amostra estão expressos na Tabela 2 e detalhados a seguir. Tabela 2. Dados sociodemográficos dos 62 meninos pesquisados. GRUPOS Idade Anos de estudo. MÉDIA. SD. Controle. 11,6. 1,22. Estudo. 11,7. 1,28. Controle. 6,5. 1,27. Estudo. 6,3. 1,51. Controle Estado Civil Pais Estudo Gênero do Abusador. Estudo. Abusador. F. %. Casados. 18. 60,0. Separados. 12. 40,0. Casados. 4. 12,5. Separados. 28. 87,5. Masculino. 31. 97. Feminino. 1. 03. Pai. 14. 44,0. Tio (a). 9. 28,0. Primo. 6. 19,0. Estranhos. 3. 9,0. P*,**. 0,581 0,234. 0,001**. 0,001*. 0,001*. Para todas as variáveis o N do Grupo controle (30) e do grupo de estudo (32). *Teste t de Student ** Qui-quadrado. A amostra foi constituída por 62 crianças e adolescentes do gênero masculino organizados em dois grupos. Grupo controle com 30 participantes (crianças e adolescentes sem histórico de sexual), com média de idade de 11,6 anos [Desvio Padrão (DP) = 1,22]. Grupo de estudo com 32 participantes (crianças e adolescentes com histórico abuso sexual), com média de idade 11,7 anos (DP = 1,28). A análise das diferenças das médias de idade entre os dois grupos não evidenciou diferenças estatisticamente significantes (teste t de Student, p = 0,581). Resultado semelhante foi observado ao se analisar as diferenças das médias dos grupos pesquisados em relação aos anos de estudo, controle 6,5 (DP = 1,27) e estudo 6,3 (DP = 1,51) com p = 0,234 (teste t de Student)..

(36) 34. Já em ao estado civil dos pais ou responsável foi possível observar uma prevalência no número de separados, mais de 85% no grupo de estudo em relação ao grupo controle, com p < 0,001, Teste qui-quadrado. No tocante a ocorrência do abuso para a amostra dos 32 participantes, agressor (abusador) denunciado foi em sua maioria do gênero masculino, tendo apenas uma notificação de uma tia. Quanto a quem era o agressor o pai se configurou como o principal perpetrador do abuso. Verificando a média do QI estimado para ambos os grupos se observa que também não há diferenças estatisticamente significantes. A média do QI estimado para o grupo controle foi de 104,04 (DP = 11) e do grupo de estudo 102 (DP = 9,46) com p = 0,254 (teste t de Student) (Gráfico 1). Gráfico 1 Média do QI Estimado do grupo controle e de estudo. 7.2 Variáveis cognitivas Na Tabela 3 estão expressos os resultados da comparação das diferenças das médias em relação às variáveis cognitivas: semelhanças, cubos, vocabulário, compreensão, dígitos e arranjo de figuras da Escala Wechsler, o Teste Wisconsin de Classificação de Cartas (WCST) e a Figura Complexa de Rey..

(37) 35. Tabela 3. Resultados da avaliação cognitiva das 62 crianças e adolescentes estudados. CONTROLE N = 30 MD (DP) 11,13 (3,35). ESTUDO N = 32 MD (DP) 11,43 (3,34). 0,772. 11,26 (2,54). 11,06 (2,39). 0,746. Vocabulário. 9,8 (3,19). 10,12 (3,34). 0,698. Compreensão. 11,56 (3,73). 11,96 (3,74). 0,674. Dígitos. 9,46 (2,75). 9,34 (2,62). 0,858. Arranjo de Figuras. 10,73 (2,93). 10,53 (2,80). 0,783. WCSTEp. 13,36 (5,31). 11,09 (6,48). 0,138. WCSTCat. 2,66 (1,24). 2,37 (1,18). 0,348. Figura Rey Cópia. 28,56 (6,29). 25,56 (8,45). 0,116. Figura Rey Rec. 17,73 (6,28). 14,28 (6,74). < 0,042*. INSTRUMENTOS Semelhanças Cubos. P. *Teste t de Student WCSTEp: número de Erros Perseverativos no Teste Wisconsin de Classificação de Cartas WCSTCat: número de categorias completas no Teste Wisconsin de Classificação de Cartas. Verificou-se o desempenho de cada criança e adolescente quanto ao raciocínio lógico, formação conceitual verbal (pensamento abstrato), bem como o raciocínio indutivo, com identificação de aspectos essenciais de não essenciais e o desenvolvimento da linguagem e fluência verbal, que contempla o escopo de investigação no subteste Semelhanças. Com base nestes resultados observa-se que não há diferença estatisticamente significante no desempenho dos participantes do grupo controle e de estudo (p = 0,772, teste t). Na análise dos resultados do subteste Cubos, também não se observou diferenças estatisticamente significantes. Dessa forma entende-se que os participantes dos grupos estudados apresentam semelhanças quanto ao desempenho da capacidade de análise e síntese e conceitualização visuoespacial, da coordenação visuomotorespacial, organização e velocidade perceptual, qualidade da estratégia de solução de problema (p = 0,746, teste t). Na verificação do desempenho dos participantes dos grupos estudados quanto ao desenvolvimento da linguagem, sobre o conhecimento semântico, da inteligência geral (verbal), além da estimulação do ambiente e curiosidade intelectual e os antecedentes educacionais os participantes dos grupos estudados que compreende o escopo de investigação do subteste Vocabulário. Não identificamos diferenças estatisticamente significantes (p = 0,746, teste t). No subteste Compreensão que avalia a capacidade de senso comum, juízo social, conhecimento prático e maturidade social, o conhecimento de normas socioculturais, a capacidade para avaliar a experiência passada, a compreensão verbal, memória (de trabalho para estímulos audioverbais simples) atenção e pensamento abstrato, o desempenho dos dois grupos se mostrou estatisticamente semelhante (p = 0,674, teste t)..

(38) 36. Desempenho semelhante entre os dois grupos também foi observado no subteste Dígitos. Isto é, as crianças e adolescentes dos dois grupos pesquisados apresentam desempenho semelhante quanto à capacidade de extensão da atenção, retenção da memória imediata (dígitos na ordem direta), da memória e capacidade de reversibilidade (dígitos na ordem inversa), da concentração e também tolerância ao estresse (p = 0,746, teste t). No subteste Arranjo de Figuras também não se observou diferenças estatisticamente significantes (p = 0,783, teste t). Isto significa que neste estudo os participantes dos dois grupos estudados apresentam desempenho semelhantes quanto à capacidade para organizar e integrar lógica e sequencialmente estímulos complexos, para a compreensão da significação de uma situação interpessoal, julgando suas implicações, determinando prioridades e antecipando suas consequências, num certo âmbito sócio cultural e no processamento visual. Na avaliação do raciocínio abstrato não verbal, da capacidade do sujeito de gerar estratégias de solução de problemas, em resposta a condições mutáveis, frente a uma medida considerada como de flexibilidade do pensamento por meio do Teste Wisconsin de Classificação de Cartas. Este resultado foi semelhante tanto para a análise do número de erros perseverativos quanto para o número de categorias completas. Este resultado sugere de uma maneira geral, os participantes de ambos os grupos apresentaram resultados satisfatórios e adequados quanto a flexibilidade mental e capacidade para mudança do comportamento de acordo com o feedback do meio, porém, sem evidência de diferenças estatisticamente significantes (p = 0,138 e p = 0,348; teste t). Com já foi apontado anteriormente o teste Figura Complexa de Rey se caracteriza por ser um instrumento neuropsicológico que abarca em sua abrangência desde a verificação do desempenho da memória visual, da capacidade visuoespacial e também pela verificação da capacidade de planejamento e execução de ações. Visto isto, neste estudo no que concerne a avaliação da qualidade da cópia, que avalia principalmente a praxia, a capacidade de planejamento e a execução de ações não houve diferença estatística significativa (p = 0,116), e a amostra apresentou bom desempenho. Ao passo que ao se utilizar a Figura Complexa de Rey como instrumento para medida da qualidade memória visual (recuperação após 30 minutos), os resultados evidenciaram a existência de diferença estatisticamente significante na etapa da recuperação p = 0,042, resultado este sugerindo que o grupo de crianças e adolescentes com histórico de abuso sexual apresentou menor capacidade de recuperação dos estímulos visuais quando comparado com o grupo controle..

Referências

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