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(1)UNIVERSIDADE METODISTA DE SÃO PAULO FACULDADE DE COMUNICAÇÃO Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social. PAULO SERGIO SAMPAIO. COMUNICAÇÃO E COMPARTILHAMENTO DE CONTEÚDO: O USO DE RECURSOS EDUCACIONAIS ABERTOS POR DOCENTES DA UMESP. São Bernardo do Campo-SP, 2013.

(2) UNIVERSIDADE METODISTA DE SÃO PAULO FACULDADE DE COMUNICAÇÃO Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social. PAULO SERGIO SAMPAIO. COMUNICAÇÃO E COMPARTILHAMENTO DE CONTEÚDO: O USO DE RECURSOS EDUCACIONAIS ABERTOS POR DOCENTES DA UMESP. Dissertação apresentada em cumprimento parcial às exigências do Programa de Pós-Graduação em Comunicação Social, da Universidade Metodista de São Paulo (UMESP), para obtenção do grau de Mestre. Orientador: Prof. Dr. Fábio Botelho Josgrilberg. Esta obra está licenciada sob a licença Creative Commons Atribuição-NãoComercialCompartilhaIgual 3.0 Brasil. Para ver uma cópia desta licença, visite <http://creativecommons.org/licenses/by-nc-sa/3.0/br/>.. São Bernardo do Campo-SP, 2013.

(3) A dissertação de mestrado sob o título “COMUNICAÇÃO E COMPARTILHAMENTO DE CONTEÚDO: O USO DE RECURSOS EDUCACIONAIS ABERTOS POR DOCENTES DA UMESP”, elaborada por Paulo Sergio Sampaio foi apresentada e aprovada em 17 de Abril de 2013, perante banca examinadora composta por Prof. Dr. Fábio Botelho Josgrilberg (Presidente/UMESP), Profª Dra. Roseli Fischmann (Titular/UMESP) e Prof. Dr. Elias Estevão Goulart (Titular/USCS).. __________________________________________ Prof. Dr. Fábio Botelho Josgrilberg Orientador e Presidente da Banca Examinadora. __________________________________________ Prof. Dr. Laan Mendes de Barros Coordenador do Programa de Pós-Graduação. Programa: Pós-Graduação em Comunicação Social Área de Concentração: Processos Comunicacionais Linha de Pesquisa: Processos da Comunicação Científica e Tecnológica.

(4) Dedico este trabalho primeiramente a Deus, que nos dá oportunidades e nos permite realizar nossos sonhos e aspirações. Aos meus pais, pelo amor e carinho, atenção e subsídio recebidos na fase mais importante da minha vida. À minha esposa e aos meus filhos, que são ao mesmo tempo a razão e a força necessária pela qual dedicamos nossos esforços e mantemos o equilíbrio e a harmonia. Nada disso faria sentido sem a presença na minha vida de todos vocês..

(5) AGRADECIMENTOS. Ao meu orientador, pela sua dedicação, competência e na confiança que depositou em mim para a elaboração e conclusão deste trabalho: meu muito obrigado. Aos Diretores das Faculdades da UMESP, por terem me auxiliado no incentivo à participação dos docentes na pesquisa a campo executada: meu muito obrigado. Às secretárias dos Diretores por terem sido tão atenciosas e prestativas perante as solicitações feitas durante a fase de levantamento das informações das faculdades: meu muito obrigado. Ao meu primo, Rodrigo Luiz Longo, profissional de Estatística que me auxiliou muito nas questões teóricas e de base para a formulação da Metodologia aplicada ao trabalho: meu muito obrigado. À minha família, pela perseverança e compreensão, pois por vezes me fiz ausente dedicando meu tempo e atenção na elaboração e na preocupação com a qualidade deste trabalho: meu muitíssimo obrigado..

(6) “Que os vossos esforços desafiem as impossibilidades. Lembrai-vos de que as grandes coisas do homem foram conquistadas a partir do que parecia impossível...” (Charles Chaplin – ator e diretor Inglês).

(7) Resumo No âmbito do Direito à Comunicação, dos Direitos Humanos e da discussão a respeito dos Direitos Autorais sobre obras principalmente literárias e científicas, este trabalho tem como principal objetivo o desenvolvimento e aplicação de uma pesquisa de campo de caráter exploratório. Ele busca estabelecer um mapeamento do uso das práticas de produção e compartilhamento de conteúdo aberto por parte do corpo docente da UMESP, por meio do uso de licenciamento livre do tipo Commons e seguindo os preceitos apregoados pelo movimento dos Recursos Educacionais Abertos (REA). Portanto, o método estatístico utilizado foi o de amostragem probabilística aleatória simples utilizando-se de questionário com perguntas fechadas, possibilitando a elaboração de uma base de dados consistente que foi explorada no intuito de confirmar a hipótese inicialmente formulada, além de contemplar outras inferências não menos interessantes. A principal conclusão apresentada é que, mesmo que não seja de conhecimento da maioria do corpo docente da UMESP sobre o compartilhamento de conteúdo sob licenciamento livre e nem tampouco sobre o movimento REA, não existem restrições significativas quanto à adesão a tais práticas. Palavras-chave: Direitos Humanos. Compartilhamento. Produção Colaborativa. Direitos Autorais. Licenciamento Livre. Recursos Educacionais Abertos..

(8) Resumen En el marco del Derecho a la Comunicación, Derechos Humanos y la discusión de los Derechos de Autor sobre todo en las obras literarias y científicas, este trabajo tiene como objetivo principal el desarrollo y implementación de un estudio de campo de carácter exploratorio. El busca establecer una cartografía de la utilización de las práticas de producción y distribución de contenido abierto por el cuerpo docente de la UMESP, a través del uso de las licencias libres del tipo Commons y siguiendo los preceptos promocionados por el movimiento de Recursos Educativos Abiertos (REA). Por lo tanto, el método estadístico utilizado fué el simple muestreo probabilístico aleatorio utilizando un cuestionario con las preguntas cerradas, lo que permite el desarrollo de una base de datos consistente que fué aprovechada con el fin de confirmar la hipótesis formulada inicialmente, además de contemplar otras inferencias no menos interesantes. La principal conclusión es que, incluso si no es conocimiento de la mayoria del cuerpo docente de la UMESP acerca de compartir contenido con licencias libres y ni tampoco sobre el movimiento REA, no existen restricciones significativas en cuanto a la adhesión a tales prácticas. Palabras-clave: Derechos Humanos. Compartir. Producción Colaborativa. Derechos de Autor. Licencia Libre. Recursos Educativos Abiertos..

(9) Abstract. In the scope of Communication Rights, Human Rights and of the discussion regarding Copyright about works mainly Literary and Scientific, this work has as the main goal the development and appliance of a field-work of an exploratory character. It seeks to establish a mapping of the use of production and sharing practices of open content by UMESP faculty, through the use of free licensing – Commons type – and following the precepts proclaimed by Open Educational Resources (OER) movement. Thus, the statistical method used was the simple random probabilistic sampling using a questionnaire with closed questions, enabling the elaboration of a consistent database that was exploited in order to confirm the hypothesis previously formulated, besides to contemplate others inferences no less interesting. The main conclusion is that, even if not being knowledge of the majority faculty of UMESP about sharing content under license free and neither about the OER movement, there are no significant constraints regarding adherence to such practices.. Key-words: Human Rights. Sharing. Collaborative Production. Copyright. Free Licensing. Open Educational Resources..

(10) LISTA DE FIGURAS Figura 1: Número de participantes em relação ao número de docentes ativos no período ...... 89 Figura 2: respostas à pergunta 1 do questionário ..................................................................... 90 Figura 3: respostas à pergunta 2 do questionário ..................................................................... 91 Figura 4: respostas à pergunta 3 do questionário ..................................................................... 91 Figura 5: respostas à pergunta 4 do questionário ..................................................................... 92 Figura 6: respostas à pergunta 5 do questionário ..................................................................... 92 Figura 7: respostas à pergunta 6 do questionário ..................................................................... 93 Figura 8: respostas à pergunta 7 do questionário ..................................................................... 94 Figura 9: respostas à pergunta 8 do questionário ..................................................................... 94 Figura 10: respostas à pergunta 9 do questionário ................................................................... 95 Figura 11: respostas à pergunta 10 do questionário ................................................................. 95 Figura 12: respostas à pergunta 11 do questionário ................................................................. 96 Figura 13: respostas à pergunta 12 do questionário ................................................................. 96 Figura 14: respostas à pergunta 13 do questionário ................................................................. 97 Figura 15: respostas à pergunta 14 do questionário ................................................................. 97 Figura 16: respostas à pergunta 15 do questionário ................................................................. 98 Figura 17: respostas à pergunta 16 do questionário ................................................................. 98 Figura 18: respostas à pergunta 17 do questionário..................................................................99 Figura 19: respostas à pergunta 18 do questionário ............................................................... 100 Figura 20: respostas à pergunta 19 do questionário ............................................................... 101 Figura 21: respostas à pergunta 20 do questionário ............................................................... 101 Figura 22: respostas à pergunta 21 do questionário ............................................................... 102 Figura 23: Docentes que desconhecem o licenciamento livre, mas são simpáticos à iniciativa. ............................................................................................................................................ 103 Figura 24: Docentes que conhecem o licenciamento livre e são simpáticos à iniciativa ....... 104 Figura 25: Relação entre publicação de obras sob licenciamento livre e conhecimento sobre REA .................................................................................................................................... 105 Figura 26: Relação entre publicação de obras sob licença livre e produção de material para EAD .................................................................................................................................... 106 Figura 27: Relação entre produção de material para EAD e produção de obras derivativas sob o licenciamento livre .......................................................................................................... 106 Figura 28: Relação entre a publicação de obras sob a Legislação Brasileira de Direitos Autorais e a produção de material digital a ser utilizado na modalidade EAD .................. 107 Figura 29: Relação entre a produção de material digital (didático ou não) e a produção de material digital a ser utilizado na modalidade EAD ........................................................... 107 Figura 30: Relação entre a publicação de obras sob a Legislação Brasileira de Direitos Autorais e a afinidade dos docentes às duas modalidades pesquisadas ............................. 108 Figura 31: Relação entre a publicação de obras sob a Legislação Brasileira de Direitos Autorais e a proporção de docentes favoráveis à revisão da Lei de Direitos Autorais ...... 109 Figura 32: Relação entre a publicação de obras sob o licenciamento livre e a proporção de docentes favoráveis à revisão da Lei de Direitos Autorais ................................................. 110 Figura 33: Relação entre as obras publicadas sob a licença de Direitos Autorais e obras publicadas sob o licenciamento livre do tipo Commons. ................................................... 111.

(11) 11. LISTA DE TABELAS. Tabela 1: Distribuição e validação de questionários por faculdade ......................................... 88 Tabela 2: Dados absolutos e percentuais referentes à Figura 2 ................................................ 90 Tabela 3: Dados absolutos e percentuais referentes à Figura 3 ................................................ 91 Tabela 4: Dados absolutos e percentuais referentes à Figura 4 ................................................ 91 Tabela 5: Dados absolutos e percentuais referentes à Figura 5 ................................................ 92 Tabela 6: Dados absolutos e percentuais referentes à Figura 5 ................................................ 92 Tabela 7: Dados absolutos e percentuais referentes à Figura 7 ................................................ 93 Tabela 8: Dados absolutos e percentuais referentes à Figura 8 ................................................ 94 Tabela 9: Dados absolutos e percentuais referentes à Figura 9 ................................................ 94 Tabela 10: Dados absolutos e percentuais referentes à Figura 10 ............................................ 95 Tabela 11: Dados absolutos e percentuais referentes à Figura 11 ............................................ 95 Tabela 12: Dados absolutos e percentuais referentes à Figura 12 ............................................ 96 Tabela 13: Dados absolutos e percentuais referentes à Figura 13 ............................................ 96 Tabela 14: Dados absolutos e percentuais referentes à Figura 14 ............................................ 97 Tabela 15: Dados absolutos e percentuais referentes à Figura 15 ............................................ 97 Tabela 16: Dados absolutos e percentuais referentes à Figura 16 ............................................ 98 Tabela 17: Dados absolutos e percentuais referentes à Figura 17 ............................................ 98 Tabela 18: Dados absolutos e percentuais referentes à Figura 18 ............................................ 99 Tabela 19: Dados absolutos e percentuais referentes à Figura 19 .......................................... 100 Tabela 20: Dados absolutos e percentuais referentes à Figura 20 .......................................... 101 Tabela 21: Dados absolutos e percentuais referentes à Figura 21 .......................................... 101 Tabela 22: Dados absolutos e percentuais referentes à Figura 22 .......................................... 102.

(12) 12. Sumário 1.. Introdução.......................................................................................................................... 13. 1.1. Metodologia ...................................................................................................................... 16 2.. O Direito à Comunicação .................................................................................................. 20. 2.1. Os Direitos Humanos ........................................................................................................ 20 2.2. A Declaração Universal dos Direitos Humanos ................................................................ 20 2.3. Muitas vozes, um único mundo......................................................................................... 29 2.4. O exercício dos Direitos .................................................................................................... 35 3.. Recursos Educacionais Abertos (REA) e as práticas colaborativas .................................. 39. 3.1. Os atributos do compartilhamento de contéudo aberto ..................................................... 39 3.2. A modalidade da produção colaborativa ........................................................................... 40 3.3. Os efeitos democratizantes da Internet.............................................................................. 49 3.4. Direitos Autorais no Brasil ................................................................................................ 57 3.5. O licenciamento do tipo Commons. .................................................................................. 60 3.6. Os conceitos sobre os Recursos Educacionais Abertos. ................................................... 64 3.7. A disseminação e o compartilhamento de conteúdos abertos. .......................................... 75 3.7.1.. OER Africa ................................................................................................................ 75. 3.7.2.. Khan Academy .......................................................................................................... 78. 3.7.3.. REA no Brasil ............................................................................................................ 79. 4.. Apresentação das Técnicas e dos Resultados da Pesquisa ................................................ 86. 4.1. Elaboração dos instrumentos de coleta de dados. ............................................................. 86 4.2. Aplicação dos instrumentos. ............................................................................................. 87 4.3. Métodos e Técnicas empregadas ....................................................................................... 87 4.4. Compilação, classificação e categorização dos dados coletados. ..................................... 89 4.5. Análise dos dados coletados ............................................................................................ 103 5.. Conclusões ...................................................................................................................... 112. 5.1. Propostas para trabalhos futuros ..................................................................................... 115 REFERÊNCIAS ..................................................................................................................... 118 APÊNDICE A – Cópia de e-mail solicitando ajuda aos diretores de Faculdade da UMESP 124 APÊNDICE B – Cópia de e-mail convite enviado aos docentes (lembrete) .......................... 125 APÊNDICE C – Questionário aplicado aos participantes da pesquisa .................................. 126 ANEXO A – Declaração Universal dos Direitos Humanos ................................................... 130.

(13) 13. 1. Introdução Dentre os temas mais discutidos por pesquisadores na área da Comunicação e que se tornou objeto de investigação de muitos está o Direito à Comunicação e à Informação pelo cidadão comum em âmbito global. Esse trabalho enfatiza os estudos sobre as boas práticas de disseminação e compartilhamento do conhecimento obtido, mais precisamente sobre o compartilhamento do conteúdo e do acervo produzido, a maioria na sua forma digitalizada. Desde a Declaração Universal dos Direitos Humanos, no pós-guerra do ano de 1948, se discute a respeito dos direitos dos cidadãos a participarem livremente da vida cultural da comunidade. Como cidadãos livres, estes teriam o direito de usufruir do legado cultural humano como parte do patrimônio da humanidade, de forma a contribuir com a progressão intelectual do indivíduo – direito esse representado pelo artigo 27 da Declaração, parágrafo 1. Porém, sem abstrair-se dos conceitos sobre os Direitos Autorais, direitos pertinentes aos autores de obras científicas, artísticas ou literárias – estes representados no mesmo artigo, parágrafo 2. Enquanto prosseguem as discussões e debates a respeito, um grande legado da produção intelectual no formato digital é produzido, armazenado e compartilhado virtualmente na grande rede mundial de computadores – a Internet – em websites privados, institucionais, governamentais e de outras naturezas. Visando a organização e o estabelecimento da ordem em tais práticas, e de acordo com as ideias do professor de direito da Universidade de Harvard, Yochai Benkler (2006), algumas iniciativas foram tomadas em relação à divulgação e compartilhamento desse acervo digital. Iniciativas como a elaboração de regras e procedimentos de utilização, distribuição e manuseio do material produzido, definidas cada vez mais pelos próprios responsáveis sobre a autoria da obra em questão. É a aplicação da licença livre do tipo Commons, associada aos preceitos dos Recursos Educacionais Abertos (REA ou, no termo em Inglês, Open Educational Resources – OER) sobre esse acervo, que determina de que forma e por quem o mesmo poderá ser utilizado. Esse trabalho está relacionado a essas práticas, mais precisamente na aplicabilidade do licenciamento Commons e nas iniciativas do REA na produção e disseminação de acervo digital por parte do corpo docente da UMESP. Práticas estas que foram dimensionadas ao longo do período de aplicação da pesquisa, possibilitando identificar o grau de conhecimento do corpo docente sobre os termos utilizados e sobre as regras de licenciamento livre..

(14) 14. Para tanto, foi elaborada inicialmente a seguinte hipótese:  Boa parte do corpo docente da UMESP desconhece ou, ainda que conheça, não utiliza as práticas de uso do licenciamento livre do tipo Commons e das iniciativas de compartilhamento de conteúdo aberto apregoadas pelo movimento dos Recursos Educacionais Abertos. Todavia, mesmo não tendo familiaridade com os termos ou com as práticas de uso, não haveria restrições ao compartilhamento da produção intelectual por parte deste mesmo corpo docente, e nem tampouco resistência quanto à aplicação do licenciamento livre do tipo Creative Commons. Os principais propósitos deste trabalho são: a) Abordar os conceitos do licenciamento livre do tipo Commons como alternativa às licenças consideradas fechadas, como o Copyright. b) Identificar se na comunidade de docentes da UMESP há familiaridade com os termos de licenciamento do tipo Commons, bem como a adesão às práticas de produção colaborativa e compartilhamento do conteúdo aberto. c) Identificar ainda que, mesmo não sendo de conhecimento da maioria do corpo docente as práticas de uso, há a intenção de compartilhamento e aplicabilidade de tais iniciativas, seguindo os preceitos do Creative Commons e do REA. As principais características que marcam o movimento REA estão atreladas aos conceitos de acessibilidade. O material digital uma vez disponibilizado pode ser acessado por qualquer um, a qualquer momento e de qualquer lugar – desde que haja condições de conexão com a Rede mundial de computadores, a Internet – mesclando-se com o conceito da ubiquidade. A reusabilidade também se faz presente, pois os materiais podem ser utilizados várias vezes e por inúmeras pessoas, em diferentes situações e contextos. A utilização cada vez mais intensa de metadados1 também tem contribuído decisivamente, e é uma característica marcante, já que as ferramentas de busca estão cada vez mais eficientes, usando parâmetros de indexação que facilitam e muito a localização rápida de textos, artigos, livros, vídeos e outros materiais que compõem o acervo digital. (OECD, 2007, p. 59-67).. 1. Metadados são informações acrescentadas aos dados e que têm como objetivo informar-nos sobre eles para tornar mais fácil a sua localização e organização. Fonte: <http://www.metadados.pt/index.php/oquesaometadados>. (Nota do Autor)..

(15) 15. A conclusão da presente pesquisa tem o potencial de aprimorar os conhecimentos sobre as iniciativas dos Recursos Educacionais Abertos e sobre o licenciamento livre do tipo Creative Commons por parte dos docentes da UMESP. Apesar das restrições iniciais de uso referentes às licenças do tipo Commons aplicadas às obras obedecerem aos critérios préestabelecidos pelo autor, há ainda, a possibilidade de flexibilizá-las a qualquer momento, bastando que o autor as refaça e as divulgue no próprio material produzido. O trabalho permite a compreensão do licenciamento livre promovido pelo Creative Commons, bem como sua aplicabilidade sobre a produção intelectual. Enfatiza a relativa importância desta modalidade na divulgação das obras produzidas, mitigando os riscos de transgressão de direitos autorais na utilização e manipulação do acervo digital disponibilizado. Ademais, um mapeamento sem precedentes do panorama atual relativo ao conhecimento do corpo docente da UMESP sobre os termos abordados será disponibilizado ao final do projeto. Os resultados poderão contribuir significativamente para a comunidade científica, possibilitando uma base de informações passível de explorações diversas por outros pesquisadores que venham a demonstrar tal interesse. Quanto à estrutura do trabalho, encontra-se a seguinte disposição: No capítulo 1 – Introdução – são apresentados o problema de pesquisa, a hipótese, os objetivos, justificativas e contribuição acadêmica, metodologia de pesquisa e estrutura. No capítulo 2 – O Direito à Comunicação – são discutidas as questões sobre o exercício do direito à comunicação – além de abordar de forma relevante outras questões, como as sociais, políticas e econômicas – pelo olhar do cidadão comum, resgatando os principais fatos históricos, desde o pronunciamento da Magna Carta do século XIII, passando pela Declaração Universal dos Direitos Humanos e outras iniciativas tão importantes quanto, reiterando seus direitos e deveres, presentes no conceito sobre a cidadania e frente ao legado cultural produzido. No capítulo 3 – Recursos Educacionais Abertos e as práticas colaborativas – há uma abordagem acerca da produção de forma colaborativa, coletiva e ubíqua, existente na cultura de redes, que se utiliza da rede mundial de computadores – a Internet. A quebra do paradigma da recepção e a transformação do inerte e passivo espectador em formador de opinião, observador dos fatos e produtor/disseminador de conteúdo no contexto da esfera pública, marcando presença na cultura de redes. Um panorama da situação atual referente às principais iniciativas de compartilhamento de conteúdo e de Recursos Educacionais Abertos no Brasil e no mundo..

(16) 16. No capítulo 4 – Apresentação dos Resultados da Pesquisa – são discutidos, elaborados e apresentados os métodos, processos e procedimentos da pesquisa. Demonstração dos instrumentos, formulários e questionários utilizados durante a pesquisa, bem como a formatação dos dados coletados e a apresentação dos resultados de forma a contribuírem com a proposta acerca dos objetivos previamente determinados. E, finalmente, no capítulo 5 – Conclusões – são apresentadas as conclusões gerais e específicas, bem como sugestões de trabalhos futuros que possam continuar desenvolvendo o conhecimento sobre o tema discorrido ao longo deste trabalho.. 1.1. Metodologia A metodologia empregada foi a da pesquisa quantitativa, de caráter exploratório. Para a coleta de dados, foi utilizado o preenchimento de questionário previamente elaborado, sendo este aferido por meio de um teste piloto a um número relativamente pequeno de docentes da UMESP, escolhidos aleatoriamente. O teste piloto foi aplicado em meados de Julho de 2012 com a escolha aleatória de 36 docentes representantes das sete faculdades da UMESP abrangendo diversos cursos e áreas de conhecimento distintas. Este plano piloto foi fundamental para que fosse possível averiguar a inteligibilidade e a aplicabilidade do questionário, mediante o retorno recebido na forma de sugestões dos voluntários que contribuíram para a melhoria da qualidade e outros quesitos pertinentes ao instrumento metodológico. Dos 36 docentes escolhidos, 12 (cerca de 30%) retornaram com sugestões que foram desde correções ortográficas (acentuação, concordâncias e pronomes pessoais de tratamento) a formas de abordagem das questões, de modo a não torná-las demasiadamente pessoais ou até mesmo invasivas. O método escolhido foi o de envio de e-mail solicitando a participação voluntária na validação de questionário a ser aplicado em pesquisa de caráter exploratório ao corpo docente da UMESP. Não foi utilizado nenhum critério de seleção prévio, ou seja, nenhuma distinção a respeito de gênero, idade, grau de especialização, área de conhecimento ou algo similar. Simplesmente foi utilizada uma lista de docentes proveniente da programação de apresentações do XIV Congresso Metodista de Iniciação e Produção Científica e a escolha aleatória de nomes por um terceiro e não vinculado à Instituição, no intuito de garantir a imparcialidade..

(17) 17. Posteriormente, de posse do questionário validado, e dentro do universo de possibilidades, uma amostra significativa e representativa de participantes foi tomada para uma análise quantitativa. (SELLTIZ; WRIGHTSMAN; COOK, 1997). O método utilizado foi o de „amostragem probabilística aleatória simples‟, que tem como característica principal a chance de que cada elemento da população-alvo tenha uma probabilidade necessariamente igual de ser selecionado para fazer parte de tal amostra. Os elementos da população passaram por um procedimento aleatório, que permitiu chances equilibradas e imparciais de seleção, reduzindo, dessa maneira, a incidência de tendências no processo de seleção. (HAIR; BABIN; MONEY; SAMOUEL, 2005). Algumas premissas foram observadas para compor a amostragem a partir da população do corpo docente da UMESP:  Uma lista contendo os representantes do corpo docente ativos no 2º semestre letivo de 2012 (período da pesquisa) foi inicialmente obtida por meio de verificação dos cursos e professores(as) atribuídos(as) às disciplinas de todos os cursos presentes no portal eletrônico. da. Instituição. (website. Institucional. no. endereço. eletrônico. www.metodista.br);  Posteriormente, foi obtida uma lista de docentes ativos no mesmo período de cada uma das sete faculdades da UMESP, que foram confrontadas com a lista inicial, eliminando duplicidades ou acrescentando membros faltantes. Cada elemento da lista resultante foi minuciosamente verificado por meio da ferramenta de e-mail Outlook, assegurando a proveniência do docente e a qual faculdade se encontrava vinculado, uma vez que é possível e natural ministrar aulas em mais de uma faculdade, curso ou disciplina. Esse procedimento foi necessário para suprir a deficiência das informações constantes no portal, dado seu baixo grau de atualização e de maneira muitas vezes estática (manual);  De posse de uma lista confiável, cada elemento teve atribuído um número sequencial e único de identificação;  Um software específico de pesquisa e estatística foi utilizado para gerar sequências aleatórias na lista de elementos dispostos em uma listagem geral (Software SPSS®2);. 2. Statistical Package for the Social Sciences, pacote de software estatístico da empresa IBM aplicado às ciências sociais. Possui recursos de aplicação analítica, extrações de informações e identificação de modelos ocultos de análise de tendências a partir de base de dados compiladas e da técnica de „mineração de dados‟, importantes para tomadas de decisão e no uso de pesquisas de mercado. Fonte: <http://www01.ibm.com/software/analytics/spss/>..

(18) 18.  Utilizando a mesma ferramenta garantiu-se que o mesmo elemento não participasse mais de uma vez como unidade de amostragem; Um cuidado especial foi tomado nesse momento. Antes de abordar os professores e professoras por meio dos questionários para a solicitação da participação voluntária, todos os diretores das sete faculdades da UMESP foram procurados, no intuito primordial de alinhar as informações e as expectativas. A iniciativa foi tomada para evitar incidentes de ordem de comunicação (ruídos, distorções, etc.), ou seja, para garantir que as informações não chegassem à Direção de forma equivocada. Houve então as oportunidades não só de discorrer sobre a natureza e o propósito do projeto como também de obter auxílio dos diretores perante o corpo docente sob sua direção, principalmente no incentivo à participação da pesquisa pelos docentes. Para a determinação da amostragem foi utilizado o critério de seleção de amostra pela proporção, uma vez que os dados mensurados são considerados como discretos (utilização de questionário fechado, com respostas pré-determinadas) e não como dados contínuos (possibilidade de obtenção de valores intermediários para uma única pergunta), o que impossibilitou, nesse caso, a definição do desvio padrão da amostra. Outro efeito colateral desse tipo de amostragem é que muitas vezes o tamanho da amostra fica relativamente próximo ao tamanho da população objeto de pesquisa. Por outro lado, esse processo aumenta significativamente a confiabilidade dos resultados obtidos. (FONSECA; MARTINS, 1996). No processo de obtenção da listagem de docentes ativos no segundo semestre letivo de 2012 foram contabilizados 446 docentes (conforme demonstra a figura 1 no capítulo 4). De posse do número de docentes (população finita, nesse caso) a fórmula a seguir foi utilizada para determinar o tamanho da amostra representativa da população total: n=. (Zγ)2 . p.(1-p) . N ε2 . (N-1) + (Zγ)2 . p.(1-p). Onde: Zγ = Nível de segurança desejado e previamente ajustado para 95%. Significa que há menos de 5% de chance de o parâmetro da população estimada estar incorreto. A população será considerada como finita. Quando o grau de segurança estipulado é de 95%, o nível de confiança fixado estabelece o valor de „Zγ‟ igual a 1,96. (FONSECA; MARTINS, 1996, p. 178)..

(19) 19. N = tamanho da população. p = estimativa da verdadeira proporção de um dos níveis da variável escolhida. Como exemplo ilustrativo, foi assumido que seria o número representativo de docentes com intenção de compartilhamento de sua produção autoral fazendo uso do licenciamento livre. Essa estimativa é expressa em decimais ou pontos percentuais. (1-p) = é o complemento da estimativa „p‟. Se a estimativa „p‟ mostra um número representativo de 60%, seu complemento correspondente será de 40%. ε = erro amostral, se trata da máxima diferença admitida entre a verdadeira média populacional e a média amostral a ser calculada a partir da amostra. Para a pesquisa, foi determinado um erro amostral de 4%, ou seja, com um grau de segurança de 95% poder-se-á afirmar que a variável medida por meio da pesquisa encontrar-se-á dentro do intervalo que contém a real proporção dessa variável, com uma margem de erro de 4 pontos percentuais para cima ou para baixo. (BUSSAB; MORETTIN, 2002, p. 280281). O valor da estimativa „p‟ foi assumido como sendo de 50% (0,5 em valor absoluto), valor considerado como pior caso, ou seja, quando não há a mínima ideia da proporção da variável a ser medida. Porém, há um benefício com o aumento da confiabilidade e segurança na obtenção dos resultados da pesquisa. (FONSECA; MARTINS, 1996, p. 181). Levando em consideração todos os parâmetros demonstrados, a estimativa da amostra sobre a população de docentes da UMESP foi de aproximadamente 270 elementos, contemplando as sete faculdades (FAC – Comunicação, FACET – Ciências e Tecnologia, FACSAÚDE – Biológicas e Saúde, FAE – Administração e Economia, FAGES – Gestão e Serviços, FAHUD – Humanidades e Direito e FATEO – Teologia) da UMESP. Inicialmente, mesmo um número estimado de docentes vinculados à Instituição era desconhecido, dificultando o cálculo da amostra. Porém, a tarefa de uma coleta apurada de dados a respeito do número de docentes ativos em um semestre letivo específico perante as secretarias das sete faculdades foi, nesse caso, de grande valia..

(20) 20. 2. O Direito à Comunicação 2.1. Os Direitos Humanos Para realizar um estudo teórico sobre o direito à comunicação e o direito à informação e ao conhecimento, é necessário, em primeira instância, identificar os acontecimentos que precederam a promulgação de tais direitos, investigando na história, os fatos que deixaram marcas e que contribuíram significativamente na culminância da sua consolidação. Os Direitos Humanos, como os conhecemos hoje, presentes na Declaração Universal dos Direitos Humanos, promulgados pela Organização das Nações Unidas na metade do século XX, têm precedentes em um passado bem remoto, quando ainda eram discutidas questões como posses de terras e títulos de nobreza, no mundo feudal da Idade Média. Os critérios e pretextos que ocorreram ao longo da história, e que serviriam de mote para práticas semelhantes e posteriores, acompanhando certa evolução do conceito principal, serão discutidos neste capítulo em determinada ordem cronológica. Ao longo do texto, os fatos serão apresentados no intuito de ilustrar como tais conceitos foram amalgamados, e como as complexidades para a implementação se apresentaram, e ainda se apresentam, apesar de serem apregoadas com grande obstinação. No quesito do direito à informação, será discutida a proposta de compartilhamento e socialização de conteúdo aberto. Estes se apresentam na sua maioria de forma gratuita, fazendo uso de artifícios tecnológicos para esse fim, exigindo para tanto, a exploração da sua versão em formato de documentação digital, além do estabelecimento de critérios de utilização pré-determinados pelos autores para os usuários e beneficiários de tal legado.. 2.2. A Declaração Universal dos Direitos Humanos A 2ª guerra mundial proporcionou um cenário de barbáries nunca antes presenciadas em tão larga escala, com proporções nunca antes vistas e tão amplamente divulgadas e documentadas. Segundo Comparato (2008), foi deflagrada por conta de questões muito mal resolvidas provenientes da 1ª Grande Guerra, interrompidas no ano de 1918. Porém, os resultados da segunda se demonstraram muito mais agravantes em relação à primeira não só por sua duração como também pela quantidade de vítimas civis e pelo número de refugiados, voluntários e expatriados, demovidos de sua terra de origem. Tal conduta levou os dirigentes de países ocidentais do pós-guerra a repensarem alguns de seus aspectos ideológicos. Os responsáveis pelas tomadas de decisão de proporções em larga escala, muitas vezes de ordem bélica, perceberam de forma pragmática que o.

(21) 21. homem finalmente tinha nas mãos o poder de evadir a vida humana do globo terrestre. As consciências influenciadoras da época reconheceram que a sobrevivência da humanidade era de responsabilidade de todos os povos e nações, e que a necessidade da reorganização de relações internacionais baseada no respeito incondicional à dignidade humana e da revisão dos graus de tolerância mútua se faziam urgentes. Essa mudança de comportamento e na forma de pensar teve como principal objetivo a redefinição das influências das principais potências, a fim de promover a paz e de definir um modelo de negociação de conflitos internacionais, reforçando a democracia, a liberdade de expressão e, por fim, o fortalecimento dos direitos humanos. Diferentemente das iniciativas do pós-guerra de 1918, quando a principal preocupação era regulamentar as instâncias de conflitos bélicos, a partir do final da 2ª Guerra (que culminou e findou com o uso de armamento nuclear nas cidades de Hiroshima e Nagasaki no Japão em 1945) o principal objetivo era extirpar todo e qualquer conflito com tais proporções. Porém, o terror crescente deflagrado por potências militares de países na sua maioria autoritários contra povos inteiros fomentou a ideia generalizada de que, não havendo o devido respeito aos direitos humanos, tornar-se-ia quase impossível o convívio pacífico entre as nações ao redor do mundo. Nesse contexto, é promulgada pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 10 de Dezembro de 1948, no Palais de Chaillot (um palácio de exposições) na cidade de Paris, França, a Declaração Universal dos Direitos Humanos (DUDH). A Declaração foi elaborada inicialmente no Canadá e teve participação decisiva de países como Estados Unidos, França e China, entre outros (FREQUENTLY..., 2012, online). De acordo com Comparato (2008), antes mesmo da promulgação da DUDH se torna necessário ressaltar a criação da própria ONU em Outubro de 1945 na chamada Conferência de São Francisco no estado da Califórnia, Estados Unidos. Sua criação, com sede em Nova York e em pleno clima triste e pesado do pós-guerra, já sugeria um debate para a substituição da Liga das Nações3. Sua proposta inicial era facilitar a união entre países considerados na época como principais potências mundiais e de grande influência nos quesitos como direito e segurança internacionais, posicionamento econômico, progresso social, direitos humanos e a promoção da paz em âmbito global. A ONU foi fundada com o objetivo de evitar as guerras (de qualquer natureza) entre países e para promover bases sólidas para a formação do diálogo. Possui hoje em dia cerca de 3. Liga das Nações foi uma organização internacional, fundada em Abril de 1919, na cidade de Versalhes em Paris – onde foi gerado o Tratado de Versalhes, documento oficial que promoveu a paz e o fim da 1ª Guerra Mundial – que contemplava as principais potências européias vencedoras da 1ª Guerra Mundial. Fonte: website Australia‟s Centenary of Federation (Nota do Autor)..

(22) 22. 190 estados-membros (incluindo os EUA, que não aderiu à Liga das Nações em 1919, principalmente por questões raciais da época, pois o tratado proposto promovia a igualdade entre brancos e negros, proposta não muito bem aceita no governo do presidente Woodrow Wilson) com vários escritórios e grandes agências ao redor do mundo. (A HISTÓRIA..., 2012, online). O fato que antecedeu a promulgação da DUDH foi o estabelecimento de uma meta pela Comissão de Direitos Humanos – criada em uma sessão do Conselho Econômico e Social das Nações Unidas, de Fevereiro de 1946 – da ONU: a de elaborar uma declaração definitiva dos direitos humanos, refletindo e tomando como base o texto proposto no artigo 55 da Carta das Nações Unidas4, projeto que foi concluído dentro do prazo previamente estipulado (COMPARATO, 2008). Dentre os trinta artigos da Declaração, especificamente o artigo 19 trata do direito à comunicação a todo e qualquer cidadão universalmente reconhecido, no qual o mesmo tem o direito à liberdade de opinião e expressão, incluindo os direitos de manter sua opinião sem nenhuma interferência. Trata ainda o direito de buscar, receber e conceder informações e ideias por meio de qualquer mídia, independentemente das limitações de fronteiras. Isso significa que o fluxo de comunicação, contendo as informações de comum interesse, deve pertencer a todos, sem discriminação de raça, cor, credo e nacionalidade, estabelecendo inclusive, critérios de direito à igualdade e dignidade incondicional, baseados também nos princípios da fraternidade (artigos de 1 a 3)5. O artigo primeiro da Declaração trata – de uma maneira ou de outra – da igualdade entre os indivíduos e dos seus direitos à liberdade. Para Bobbio (2004), o conceito de igualdade é resumido ao fato de que todos se tornam iguais à medida que nenhum indivíduo venha a ter mais liberdade do que outro. Na afirmação da Declaração onde é enunciado que „todos os homens nascem iguais em liberdades e direitos‟ há um duplo sentido da mesma expressão. Ou seja, afirma-se que os homens têm igual direito à liberdade, ou ainda que os homens tenham direito a igual liberdade, dando uma conotação muito forte de exclusão de toda e qualquer forma de discriminação, não importando sua natureza, execrando de vez as diferenças peculiares entre os seres humanos, tanto de indivíduo para indivíduo como entre os grupos sociais. 4. A Carta das Nações Unidas foi um documento elaborado e oficializado por 51 países em Junho de 1945 e teve como base a „Carta do Atlântico‟ assinada pelo presidente Roosevelt dos EUA em Janeiro de 1941. Especificamente, o artigo 55 refere-se aos direitos humanos tratando-os como, unicamente, liberdades individuais. De acordo com o preâmbulo da DUDH, o propósito da ONU era de empregar um mecanismo de âmbito internacional para promover o progresso econômico e social a todos os povos, bem como proporcionar o direito universal a todos os cidadãos de forma indistinta, inseridos em um contexto social. 5 Para mais informações consultar a Declaração Universal dos Direitos Humanos de 1948 no anexo „A‟ do presente trabalho. (Notas do Autor)..

(23) 23. Esse conceito de não-discriminação dos indivíduos frente aos direitos de liberdade, não seria, entretanto, aplicado aos direitos sociais e nem aos direitos políticos, perante os quais os cidadãos e cidadãs seriam iguais apenas de forma genérica e não específica. Em se tratando desses direitos, coexistiriam distinções de sujeito para sujeito, ou ainda, de grupos sociais para grupos sociais. Há de se reconhecer o fato dos direitos não exercidos ao sufrágio universal – pois é um direito que não abrange ainda boa parte da população mundial – e da diferença gritante entre os direitos dos cidadãos em comparação com os mesmos direitos atribuídos às cidadãs ao longo da história, tão presentes ainda na contemporaneidade (BOBBIO, 2004). As próprias diferenças apontadas entre grupos sociais justificariam por si só um tratamento diferenciado com relação ao reconhecimento dos direitos políticos. Já com relação aos direitos ditos sociais essa igualdade acabaria sendo rotulada de maneira retórica, principalmente quando aplicada aos direitos sociais básicos e fundamentais como a educação, o trabalho e a saúde. No confronto entre esses direitos sociais e a igualdade afirmada no artigo primeiro da Declaração ficaria evidente as diferenças peculiares, uma vez que essas diferenças são de extrema relevância na distinção entre indivíduos, ou ainda, na distinção entre grupos de indivíduos. Segundo Bobbio (2004), essa afirmação de „igualdade‟ tornar-se-ia uma „verdade‟ questionável: com questões relacionadas ao gênero, a relevância das diferenças estaria claramente definida entre o homem e a mulher (em referência à criação da Declaração sobre Eliminação da Discriminação à Mulher, de 1967). A respeito das várias fases da vida, seriam relevantes as distinções entre os direitos das crianças e de pessoas idosas e os direitos inerentes às pessoas adultas (em referência à Declaração dos Direitos da Criança de 1959 e à Assembleia Mundial de Viena de 1982, que veio assegurar a segurança econômica e social dos idosos). Observa-se então que „igualdade‟ e „diferença‟ são paradoxos que possuem relevâncias diversificadas dependendo do contexto abordado: se dos direitos de liberdade ou dos direitos sociais e políticos, estes últimos bem mais difíceis de serem protegidos pelo Estado. Bastaria para tanto observar a grandiosidade das promessas (desse mesmo Estado) em contraste com a miséria das realizações de fato. De acordo com Bobbio (2004), o reconhecimento dos direitos sociais e políticos implicam inevitavelmente em uma proteção e intervenção do Estado, o que não se aplicaria sob a mesma prática em relação aos direitos de liberdade. A analogia é feita considerando o aumento do poder do Estado nas questões de direitos sociais e políticos, para garantir que as declarações estritamente verbais passem a ser exercidas efetivamente. Enquanto que os.

(24) 24. direitos de liberdade suscitam a redução do poder do Estado, ou pelo menos a redução da atribuição de superpoder ao Estado. É necessário então buscar um equilíbrio nessas relações, considerando a questão do „poder‟ atribuído em conotações positivas e negativas. A atribuição e o exercício do poder poderiam então ser considerados como um benefício ou malefício, de acordo com o contexto histórico. Acaba não sendo verdade que o aumento indiscriminado da liberdade proporcione somente o bem, e nem tampouco que a ampliação do poder implique sempre o mal. Em referência aos direitos humanos, e mais especificamente aos de igualdade e liberdade, Hamelink (2004) afirma que os autores da Declaração Universal dos Direitos Humanos amenizaram a complexidade em torno do tema proclamando que todos os cidadãos os possuem como sendo um legado, simplesmente por serem seres humanos. A priori, tais direitos não seriam derivados de outras origens, senão esta. Não estariam atrelados à graça divina ou a algum outro fenômeno humano ou extra-humano. Os cidadãos e cidadãs (ou na representatividade do cidadão universal) são sim categoricamente providos dos direitos de liberdade, igualdade e dignidade. Simplesmente por serem seres humanos, aos quais se aplicam de maneira indelével tais direitos garantidos e expressados na sua máxima plenitude, se utilizando dos princípios presentes na Declaração dos Direitos Humanos. De acordo ainda com Hamelink (2004), os idealizadores da criação dos Direitos Humanos não se ativeram às questões filosóficas e controversas entre os pensadores Platão e Nietzsche a respeito da definição de „ser humano‟. Na filosofia platônica há a distinção básica entre os seres humanos e os outros animais, os primeiros por possuírem corpo e alma, esta ainda dividida em três partes: a racional (cabeça, a prudência), a irascível (tórax, os sentimentos), e a concupiscente (baixo ventre, moderação e temperança), o que lhes reservaria a designação de um tratamento diferenciado baseado principalmente no respeito ao próximo. No pensamento de Nietzsche os seres humanos são uma espécie de animal cruel e sórdido, e as atribuições de tais direitos nem fariam muito sentido. Pois, por mais que sejam dotados de direitos baseados no respeito humano, estes continuariam ao longo da história irremediavelmente torturando, maltratando e matando uns aos outros. Houve então um entendimento de que tais definições deveriam ser repensadas, pois se demonstravam infrutíferas e desalinhadas com os propósitos da Comissão dos Direitos Humanos. Mesmo porque, à época da promulgação da Declaração, tais definições a respeito do ser humano foram concluídas – sabiamente – como obsoletas e irrelevantes. Os membros da Comissão consideraram imprudente para o momento um questionamento de cunho tão filosófico a respeito do objeto, sendo muito mais pertinente apregoar que os direitos e.

(25) 25. liberdades dos cidadãos e cidadãs poderiam ser outorgados de modo a permitir sua declaração de maneira oficial e em âmbito universal. Segundo os mesmos, seriam ainda inerentes aos seres humanos de maneira incondicional, em que nenhuma forma de distinção se fizesse presente (HAMELINK, 2004). Há também um precedente na história dos direitos do cidadão livre e da liberdade de expressão, presente na Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão, promulgada pelos revolucionários franceses no ano de 1789, que teve sua declaração no artigo de número 11: “A livre comunicação dos pensamentos e das opiniões é um dos mais preciosos direitos do Homem; todo o cidadão pode, portanto, falar, escrever, imprimir livremente, respondendo, todavia, pelos abusos desta liberdade nos termos previstos na Lei” (DECLARAÇÃO..., 2012 online). Segundo Mattelart (2009), já na época do ocorrido, o termo „liberdade de expressão‟ propriamente dito, ao contrário do que achavam seus relatores e os próprios membros da Assembleia Constituinte, foi o que mais gerou polêmicas, debates, controvérsias e manifestações de opiniões divergentes. Os franceses tiveram que optar pela moderação e readaptação nos textos que apregoavam a simplicidade e a objetividade, pois subestimaram a complexidade de um assunto tão controverso quanto os próprios conceitos que moldavam a democracia parlamentar da época. O texto que aparece no artigo foi declarado como produto de um „confronto de opiniões‟ ao final, e vários termos tiveram que ser suprimidos ou reavaliados para que pudessem promulgá-lo na Declaração sem causar mais desconfortos e incansáveis debates devido às diferentes opiniões e pontos de vista sobre o mesmo tema. Mattelart (2009) nos dá a ideia de que o conceito de liberdade de expressão presente no artigo 19 da DUDH de 1948 foi introduzido primeiramente de acordo com os interesses políticos norte-americanos na Carta das Nações Unidas do mesmo ano, vindo a favorecer uma doutrina que visava a “facilitar a livre circulação de ideias por meio da palavra e da imagem” (p. 38). Utilizando dessa „verdade‟, políticas de desenvolvimento e modernização foram criadas baseadas não no interesse comum, mas atreladas a valores socioeconômicos e de relações de poder hegemônico. Essa singularidade e peculiaridade na interpretação do Direito à Comunicação ferem o princípio mais nobre desse direito – além de ferir o próprio princípio da democracia –, que é o fomento a políticas públicas e abertas de comunicação e cultura. O conceito sublime desse direito se daria então na idealização da liberdade, no sentido de se considerar de maneira veemente a diversidade no sistema comunicacional e o estabelecimento de uma sociedade democrática em níveis nacionais e internacionais..

(26) 26. Para Hamelink (2004) existem sérios obstáculos para a implementação e a realização dos Direitos Humanos, de uma forma geral. Estes não estariam atrelados à falta de sanções legais ou clareza e robustez nos argumentos dispostos, e sim no simples fato de que a maioria dos seres humanos não consegue lidar com a concepção de que o respeito ao próximo e a empatia deveriam ser sentimentos comuns e inerentes a todos. Ainda mais àqueles que não fazem parte do seu ciclo de relacionamentos, os quais de certa forma não seriam importantes. O pressuposto básico da DUDH é de que „toda pessoa é importante, de maneira incondicional‟. Porém, essa seria uma declaração moral e não uma realidade histórica. A declaração de que somos todos humanos, e consequentemente iguais em direitos e deveres, não seriam suficientes para que as pessoas que não se conhecessem se tratassem de maneira respeitosa e de acordo com os preceitos da dignidade, igualdade ou da fraternidade. Essa condição seria inspirada mais na percepção dos riscos e ameaças que desconhecidos poderiam supostamente oferecer a outros do que na falta de moral ou ética por parte do indivíduo. Sob tais circunstâncias, seria muito menos desconcertante se os seres humanos enxergassem o seu próximo sob a ótica da similaridade humana, e não sob a diferença irremediavelmente intrínseca. O fomento a tais valores, como as referidas segurança e empatia, tão essenciais para o estabelecimento dos direitos humanos, não poderiam sob nenhuma hipótese serem impostos, e sim desenvolvidos a partir principalmente do diálogo social. São condições de certa forma utópicas, mas totalmente inseridas no contexto e pertinentes à remoção das barreiras existentes na cultura dos Direitos Humanos, incluindo substancialmente o exercício do direito à comunicação (HAMELINK, 2004). O artigo 26 da DUDH, parágrafo 1, remete ao direito à instrução e à educação pelo cidadão comum, de forma incondicional e gratuita (pelo menos no que diz respeito aos graus elementares e fundamentais de ensino). Os preceitos que regem esse parágrafo em específico, junto ao parágrafo 2 que sugere fortemente a formação da cidadania por meio da instrução são categorizados pela busca da igualdade e pelo apelo à justiça. No Brasil, porém, ainda é forte a incidência do contraste social, promovendo as injustiças sociais e consequentemente a desigualdade sob muitos aspectos entre as pessoas de bem, na contracorrente destes mesmos preceitos. Do ponto de vista das lutas pela democracia no nosso país, o que ocorreu foi uma abrupta interrupção das práticas democráticas por conta da ditadura militar que assolou o país de 1964 a 1985. A Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 – alinhada e aprumada com os mesmos princípios da Declaração dos Direitos Humanos – se propôs a restabelecer essa ruptura que a situação ditatorial representou, na tentativa de assegurar o país.

(27) 27. contra o autoritarismo. Nessa questão, é indubitável que a educação teve papel fundamental, pois não é ela que promove senão a incidência da mudança e da reconstrução? (FISCHMANN, 2009). A Constituição de 1988 tem, como exemplo, em seu artigo único de nº 205 a declaração: “A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho” (CONSTITUIÇÃO..., 2012, online). Aqui será feito um destaque para o incentivo à „colaboração por parte da sociedade‟, tema que será explorado mais à frente, de acordo com as práticas colaborativas e de compartilhamento de conteúdo e de informação, alinhado aos objetivos do presente trabalho. No 1º parágrafo do artigo 27 há a declaração de que toda pessoa, universalmente reconhecida, tem o direito assegurado de participar da vida cultural de sua comunidade local, para assim fruir das artes e compartilhar os resultados e benefícios do progresso científico. Ainda que esses resultados e benefícios possam ser compartilhados, há a garantia de proteção de direitos morais e materiais que resultem da produção científica, artística ou literária dos seus respectivos autores, contemplada no parágrafo 2 do mesmo artigo. Percebe-se que na Declaração Universal dos Direitos Humanos existe uma preocupação específica com a disseminação da informação e do conhecimento. Porém, com critérios de estabelecimento de regras que visam assegurar o acesso dos cidadãos e cidadãs à informação, a fim de consolidar uma socialização do conhecimento, propondo dessa maneira, e de forma gradativa, a possibilidade da evolução intelectual dos mesmos. Preocupação essa que já era manifestada em outros movimentos também importantes, que intencionaram exprimir as preocupações vigentes às respectivas épocas e que visavam à consolidação da condição de cidadania com respeito às questões sociais, políticas, econômicas e culturais. Dentre elas, podemos citar: a) a Magna Carta na Inglaterra de 1215, que buscava reduzir a centralização do poder soberano e absoluto da monarquia inglesa, que resultaria na criação de leis, outorgando direitos e deveres aos súditos do reino, além da criação do chamado „Grande Conselho‟, representado exclusivamente, por integrantes da nobreza e do clero local. A promulgação do documento impediria a formação de um regime monárquico altamente absolutista, e criaria condições para o surgimento de uma monarquia constitucional, movimento esse que culminaria com a Revolução Inglesa, evento histórico que assinalaria a crise do antigo regime europeu. É certo que a elaboração da Carta foi produto do conflito de interesses de poucos, porém, o acato às determinações do documento, conferiu aos cidadãos.

(28) 28. ingleses alguns direitos garantidos, dentre eles, o direito a um processo judicial antes de serem condenados à prisão diretamente pelas autoridades locais (THE TEXT..., 1995, online); b) a Declaração da Independência dos Estados Unidos da América em 1776, que teve como principal fundamento, a liberdade conquistada pela primeira vez, por meio de um ato revolucionário, e que iria legitimar o argumento do direito à liberdade de expressão, o direito à vida e à procura da felicidade (KARNAL, 2003); c) e por fim, a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão na França de 1789, que proclamou as liberdades e os direitos fundamentais do homem, buscando generalizá-lo de forma a contemplar toda a humanidade. (ODALIA, 2003). A Revolução Francesa viria a aproximar ou segregar os homens em se tratando das leis, tradições, temperamentos, pensamentos e a respeito das línguas e idiomas, proporcionando em dado momento a inimizade entre concidadãos e a irmandade entre estrangeiros. Mais do que isso, formou posteriormente e ao longo do tempo, acima de qualquer nacionalidade primária, uma pátria independente de espaço geográfico e de cunho intelectual comum, em que a principal razão era tornar cidadão todo e qualquer homem proveniente de qualquer nação (COMPARATO, 2008). Segundo Comparato (2008, p. 227) e de acordo com esses precedentes e outros não menos importantes, a Declaração Universal dos Direitos Humanos veio revisar e reforçar os preceitos de liberdade de expressão e comunicação do cidadão comum. Embora não seja este um documento que incite a obrigatoriedade na sua adoção, a Declaração foi proclamada com um objetivo comum a ser perseguido por todos os povos e nações. Na qual cada cidadão e a sociedade como um todo, buscasse por meio da educação e da divulgação, a promoção do respeito a esses direitos, de forma progressiva e com abrangência nacional e internacional. Para tanto, se tornou necessário o seu reconhecimento e a sua adoção de forma universal, contemplando não só os Estados-Membros, mas também os povos que viessem a pertencer às regiões sob jurisdição de tais Estados..

(29) 29. 2.3. Muitas vozes, um único mundo. Mais tarde, já quase ao final do século XX, foi apresentado pela UNESCO – United Nations Educational, Scientific and Cultural Organization – um documento conhecido como „Relatório McBride‟. Sob o título „Many voices, one world‟, tratava dos resultados de uma pesquisa da Comissão Internacional para Estudos dos Problemas da Comunicação, e que sugeria uma análise profunda, uma reflexão ampla e extensa, e a participação em debate internacional por parte dos profissionais de comunicação e do público em geral, sobre o tema da pesquisa (MACBRIDE, 1984). Este relatório, especificamente, lança um olhar mais crítico acerca da influência das práticas comunicacionais em relação aos processos de consolidação da identidade cultural de um povo, da legitimação de regimes mais democráticos, dos avanços da educação, da ciência e da cultura, da expansão da colaboração internacional e dos movimentos de homogeneização das práticas de disseminação da informação. O relatório reforça que a base da comunicação é o interrelacionamento social entre os homens, e que as longas distâncias sempre se mostraram como fatores limitadores da disseminação da informação. A boa nova era que os novos processos comunicacionais, bem como o avanço da tecnologia referente aos meios de comunicação, permitiam novas e maiores abrangências, até alcançarem uma cobertura planetária. Segundo CASTELLS (1999, v.1, p. 44) a grande rede mundial, a Internet, que viria a revolucionar de sobremaneira as práticas comunicacionais, ainda se tratava, à época da elaboração do relatório, de um protótipo embrionário e onde estivesse disponível seria de acesso a poucos privilegiados se comparada a sua magnitude contemporânea. Para a época, os meios disponíveis de comunicação para a disseminação da informação eram: a televisão, que por meio de redes de satélites orbitários possibilitavam a transmissão de imagem e som para praticamente qualquer parte do planeta; e o rádio, que por meio de sistemas de transmissão baseados na telecomunicação, podiam alcançar distâncias intercontinentais. Muito alinhado com as ideias difundidas pelo Relatório, Castells reitera que as sociedades tendem a dominar as tecnologias, principalmente as associadas com a disseminação da informação e de conteúdo. Apesar desse fato não determinar especificamente a evolução histórica e nem as características da metamorfose social, contribui significativamente para as transformações dos processos comunicacionais atrelados ao uso dessa tecnologia. O uso e o desenvolvimento de novas tecnologias que venham a promover mais e mais a comunicação entre os seres humanos e as relações destes com a natureza,.

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