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Academic year: 2021

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TÍTULO: ESTRATÉGIAS LÚDICAS APLICADAS À DISCIPLINA DE FILOSOFIA NO ENSINO MÉDIO TÍTULO:

CATEGORIA: CONCLUÍDO CATEGORIA:

ÁREA: CIÊNCIAS HUMANAS E SOCIAIS ÁREA:

SUBÁREA: FILOSOFIA SUBÁREA:

INSTITUIÇÃO: FACULDADE PAULUS DE TECNOLOGIA E COMUNICAÇÃO INSTITUIÇÃO:

AUTOR(ES): RICARDO SILVA AUTOR(ES):

ORIENTADOR(ES): CLEUSA KAZUE SAKAMOTO ORIENTADOR(ES):

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Resumo

O objetivo deste trabalho é promover a discussão sobre a importância da utilização de métodos lúdicos no contexto educacional em especifico no processo de ensinoaprendizagem de Filosofia no Ensino Médio. A proposta apresenta-se como extremamente necessária enquanto busca de estratégias metodológicas de ensino em que o educador observa muitas vezes que o conteúdo apresentado ao aluno lhe faz parecer inacessível ou incompreensível. Através da ludicidade introduzida como forma enriquecedora e inovadora de prática de ensino, o professor pode encontrar alternativas para transmitir conteúdos complexos da disciplina, e contribuir para fomentar uma maior receptividade frente à disciplina auxiliando a assimilação de conhecimentos da Filosofia entre os educandos.

Palavras chave: Ensino de Filosofia, Lúdico, Interdisciplinaridade, Criatividade, Didática.

Introdução

O presente estudo buscou investigar métodos lúdicos como estratégia comunicacional inovadora na aprendizagem de Filosofia de alunos do Ensino Médio. Estratégias lúdicas são metodologias de ensino que podem representar vetores da didática capazes de favorecer a compreensão e assimilação do conteúdo da disciplina da Filosofia para alunos no Ensino Médio, na medida em que a situação que envolve a ludicidade naturalmente convida à liberdade e imaginação que favorecem o processo da experiência e a criatividade.

Considerando que estudar Filosofia ainda é uma atividade envolta em preconceitos acerca de sua dificuldade e, que, muitas vezes, é retratada como uma prática monótona e dissociada da realidade cotidiana, a utilização de recursos lúdicos (jogos, dramatizações, quiz, quadrinhos etc.) na realidade do ensino de adolescentes, pode representar interessante iniciativa para demonstrar que estudar Filosofia pode ser divertido e útil.

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O presente estudo realizou um levantamento de pesquisas sobre a prática do ensino de Filosofia, buscando publicações sobre a experiência de professores, junto ao programa estabelecido para o Ensino Médio no Brasil. A investigação foi realizada

na Biblioteca Digital de Teses e Dissertações – BDTD – que reúne 424448

documentos digitalizados da produção acadêmica de 105 instituições educacionais brasileiras de ensino superior. A busca de dados utilizou a definição das palavras chave: Métodos lúdicos e Filosofia; Filosofia e estratégias de ensino; Ensino de Filosofia e Metodologia; Criatividade no ensino de Filosofia; Criatividade no Ensino Médio e Filosofia; Filosofia e Métodos didáticos lúdicos; Filosofia e Jogos didáticos; Ensino de Filosofia e uso de jogos.

Objetivos

A base teórica da presente discussão que se mostra associada à criatividade, privilegia a teoria de Lev Semenovitch Vygotsky (1989) que propõe uma discussão interessante sobre a aprendizagem também toma parte da discussão, especialmente acerca do conceito de Zona de Desenvolvimento Proximal (ZDP) que permite pensar o processo criativo da aprendizagem. Ao lado do pensamento do Bielo Russo. Incluímos ainda, as

contribuições de Johan Huizinga (2000) que aponta um leque de pluralidades sobre as

práticas lúdicas destacando o jogo como intrínseco à evolução do homem. Os suportes teóricos escolhidos permitem debater o objeto de estudo mencionado e avançar na reflexão acerca das necessidades didáticas do contexto atual da educação na sociedade contemporânea. O presente estudo com seu levantamento de pesquisas apresenta relevância científica e social por constituir interessante fonte de consulta e aprimoramento para professores, além de estimular uma discussão imprescindível sobre o referido assunto – a complexidade do ensino e aprendizagem de Filosofia para jovens adolescentes.

Desenvolvimento

Criatividade na aprendizagem – uso de jogos e a ZDP

Lev Vygotsky (1989) conceituou o desenvolvimento intelectual e processo de aprendizagem, concebendo que cada pessoa apresenta dois níveis de aquisição: um real e um potencial. O real é aquele já adquirido ou estruturado, que determina o

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que o aluno já é capaz de fazer por si próprio porque já tem um conhecimento consolidado. Por exemplo, o domínio da adição quando já está dado, é o desenvolvimento real que o aluno dispõe. O seu desenvolvimento potencial é aquele que o aluno ainda não aprendeu, mas está próximo de aprender, e poderá desempenhar uma ação com auxílio, isso se dará principalmente com a ajuda de outra pessoa mais experiente. Por exemplo, o aluno já sabe somar e com a intervenção de outro mais experiente, é capaz de efetuar uma multiplicação ao somar de modo múltiplo, mediante orientação vinda do outro.

A distância entre esses dois níveis (real e potencial) define para Vygotsky (1989), o conceito da zona de desenvolvimento proximal ou ZDP que é:

(..) A distância entre o nível de desenvolvimento que se costuma determinar através da solução independente de problemas, e o nível de desenvolvimento potencial, determinando através da solução de problemas sob a orientação de um adulto ou de companheiros mais capazes (VYGOTSKY, 1989, p, 97).

O conceito de ZDP abre uma nova perspectiva para a prática pedagógica, colocando a busca do conhecimento em primeiro plano e não mais, o foco do aprendizado em respostas corretas. Ao educador, também restitui seu papel fundamental na aprendizagem, afinal, para o aluno construir novos conhecimentos é preciso alguém que o ajude, ele não fará sozinho o percurso desta construção. Assim, cabe ao professor ver seus alunos sob outra perspectiva, bem como o trabalho conjunto entre colegas, o que favorece também a ação do outro, na ZDP. Vygotsky (1989) acreditava que a noção de ZDP já se fazia presente no bom senso do professor quando este elaborava suas aulas. O professor seria o suporte, ou "andaime", para que a aprendizagem do educando alcance um conhecimento novo e seja satisfatória. Para isso, o professor tem que interferir na ZDP do aluno, utilizando alguma metodologia, que para Vygotsky, estava baseada na linguagem.

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O fator lúdico e a didática

A palavra "Ludus" significa "jogo" em latim. A partir de seu significado etimológico, o jogo possui diversas variações e sinônimos; não fica confinado a um único significado ou propósito, sendo que a expressão do lúdico está intrinsecamente associado ao comportamento humano.

Segundo o professor e escritor neerlandês Johan Huizinga (1872 - 1945), autor de Homo Ludens (1938) que é considerada uma importante obra sobre o elemento lúdico, o jogo é um fator que foi fundamental para a evolução da civilização humana; ele ainda propõe que a expressão Homo ludens merece um lugar em nossa

taxonomia evolutiva; o autor sugere que as expressões lúdicas são mais antigas que

expressões culturais na humanidade, e que são ações que partilhamos também com os outros animais:

O jogo é fato mais antigo que a cultura, pois esta, mesmo em suas definições menos rigorosas, pressupõe sempre a sociedade humana; mas, os animais não esperaram que os homens os iniciassem na atividade lúdica. É-nos possível afirmar com segurança que a civilização humana não acrescentou característica essencial alguma à ideia geral de jogo. (HUIZINGA, 2000, p. 5).

O lúdico possui papel importante na formação da personalidade humana e se constitui um elemento natural presente nos costumes humanos que podem proporcionar entretenimento e prazer. No caso do educando, pode ser relacionado ao momento quando ele próprio realiza algum esforço espontâneo para a obtenção de conhecimento. O elemento lúdico ajuda a perceber o contentamento da experiência de aquisição do conhecimento.

Na idade escolar o processo lúdico possui um caráter extremamente determinante na formação cognitiva do educando e em sua trajetória pedagógica porque certas atividades lúdicas podem desempenhar um papel mais prazeroso para a aprendizagem, em especial na disciplina de Filosofia, visto que alguns de seus temas podem se mostrar desestimulantes devido a sua alta complexidade,

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visivelmente expressa nos argumentos lógicos apresentados.

Lev Vygotsky (1991), em sua obra: "A formação social da mente", enfatiza a importância da ação lúdica na formação cognitiva da imaginação humana; segundo ele:

A imaginação é um processo psicológico [...] representa uma forma especificamente humana de atividade consciente, não está presente na consciência de crianças muito pequenas e está totalmente ausente em animais. Como todas as funções

da consciência, ela surge originalmente da ação. “O velho

adágio de que o brincar da criança é imaginação em ação deve ser invertido podemos dizer que a imaginação, nos adolescentes e nas crianças em idade pré-escolar, é o brinquedo sem ação.” (VYGOTSKY,1991, p. 62).

O aluno adolescente, através de atividades lúdicas em situações de aprendizagem, elabora conceitos e estabelece diversas relações lógicas com o mundo exterior no contexto de socialização com os demais aprendizes. Com a experiência de aprender, o aluno acrescenta à bagagem pessoal novas percepções, necessárias ao seu desenvolvimento tanto cognitivo quanto social, pois sua imaginação estimula as funções psiconeurológicas e as operações mentais

Resultados

Pesquisas sobre Filosofia no Ensino Médio no Brasil

Foi realizado um levantamento de estudos na Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações (BDTD) para investigar a utilização de atividades lúdicas no contexto do ensino de Filosofia no Brasil, junto a estudantes de nível médio, que procedeu segundo a busca por meio de palavras chave (já citadas), são elas: Métodos lúdicos e Filosofia; Filosofia e estratégias de ensino; Ensino de Filosofia e Metodologia; Criatividade no ensino de Filosofia; Criatividade no Ensino Médio e Filosofia; Filosofia e Métodos didáticos lúdicos; Filosofia e Jogos didáticos; Ensino de Filosofia e uso de jogos. As palavras chave geraram poucos trabalhos encontrados que se mostram identificados na Tabela 1, apresentada a seguir.

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Tabela 1 – Resultados encontrados de estudos sobre uso de métodos lúdicos no ensino de Filosofia no BDTD no período de 2004 a 2016

Palavras chave utilizadas na busca

Número de estudos

Métodos lúdicos e Filosofia 01

Filosofia e estratégias de ensino 08

Ensino de Filosofia e Metodologias diversas 03

Criatividade e ensino de Filosofia 02

Criatividade no Ensino Médio e Filosofia 00

Filosofia e Métodos didáticos lúdicos 00

Filosofia e Jogos didáticos 01

Ensino de Filosofia e uso de jogos 00

TOTAL 15

A Tabela 1 mostra que foram encontrados no período de 2004 a 2016 apenas 15 pesquisas sobre “ensino de Filosofia” e “estratégias diversas” e que neste conjunto existem trabalhos sobre uso de métodos lúdicos identificados nas categorias: “métodos lúdicos” (=1), “jogos” (=1) e “jogos didáticos” (=1), que somam apenas 3 pesquisas, que no entanto, não se dedicam ao estudo de jogos e atividades lúdicas. Os trabalhos encontrados na categoria “metodologias diversas” indicados por 3 trabalhos encontrados, não se dedicam ao suposto campo de pesquisa e relacionam: 1 pesquisa sobre ensino com crianças, 1 pesquisa sobre ensino à distância e 1 pesquisa sobre formação de professores. Nas categorias “Filosofia e Jogos didáticos” e “Ensino de Filosofia e uso de jogos” que na Tabela 1 indica um trabalho encontrado em cada categoria, quando consultados os estudos, verificamos que o primeiro aborda o ensino de Ciências e o segundo trata da formação de professores.

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Dos 15 trabalhos encontrados, portanto, nenhum deles é compatível com os objetivos propostos por nossa pesquisa, o que nos permite afirmar que o estudo que propomos é de grande relevância pois há escassez de pesquisas sobre o assunto. Considerações finais

A pesquisa realizada com o propósito de investigar de que maneira os recursos lúdicos enquanto estratégias didáticas são utilizadas no ensino da disciplina de Filosofia com adolescentes no Brasil, deve ser considerada um ponto de partida para o propósito de aprofundar o entendimento de dificuldades na abordagem do Ensino Médio diante da aprendizagem da disciplina.

Os resultados nos causaram surpresa por fornecerem dados que não eram relacionados com a pesquisa do assunto, trazendo estudos de outras disciplinas por exemplo.

Considerávamos que era esperado que a aplicação de estratégicas lúdicas no ensino da disciplina de Filosofia poderia ser escasso, mas não esperávamos que fosse nulo. Este dado sobre a ausência de estudos, por sua vez, reforça a ideia de que nosso debate mostra-se relevante e que outras pesquisas devem ser fomentadas sobre o assunto.

Os desafios então, se mostram incalculáveis quando o objetivo é discutir de que modo a Filosofia pode ser apresentada e aprofundada enquanto disciplina do Ensino Médio no Brasil. A estratégia didática da ludicidade, provavelmente pouco utilizada e valorizada no ensino de Filosofia, poderia auxiliar a tarefa de confrontar o conhecimento com a realidade existente, encontrando muitos questionamentos em sua aplicação, estimulando os jovens a perceberem uma importância da disciplina para o desenvolvimento do pensamento crítico e cidadão.

O estudo que também é palco de reflexões sobre a formação de professores e o desenvolvimento da motivação do par professor e aluno dá oportunidade ainda, para refletirmos sobre a criatividade no ambiente escolar, tanto de parte do educador quanto do aluno.

A tríplice combinação teórica da Filosofia, Pedagogia e Psicologia exposta pelos autores apresentados, nos inspirou buscar novos objetivos de estudo, o primeiro diz

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respeito a busca por compreender melhor os pressupostos psicológicos do desenvolvimento cognitivo e a importância e fertilidade de estratégias lúdicas frente a busca de conhecimento em condições exigentes para as capacidades dos estudantes e necessidades do conteúdo filosófico.

A conclusão a que chegamos com o presente estudo é de que o professor de Filosofia do Ensino Médio precisa receber qualificação adequada e que metodologias de ensino podem ser melhor adaptadas para auxiliá-lo na prática docente. Contudo, não é apenas sobre os ombros do professor que estão as responsabilidades pela Educação em nosso país, também precisamos que haja o envolvimento de políticas adequadas e que o próprio setor do ensino seja revitalizado para resgatar o valor da aprendizagem na formação de jovens que representam o futuro de qualquer nação.

Precisamos continuar o questionamento e as iniciativas de pesquisa para aprimorarmos a prática do ensino e a construção da Educação para torná-la um direito de todos.

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Referências

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