i
I I Ii
I rsegundo os
pre$¡upctos
deKant
*
ESTEVÃO DE REZENDE MARTINS Univerc¡dade de Brasílio
Os termos
imryem
e esquema receberam deKant
importância filosóficapeorliar,
apa-recendo em pasagens relevantes daQíticø
dø RæõoPura,
sobretudo na teoria do es-quematismo dos conceitos puros da raz.Ío,A
teoria
do esquematismo ofereceelemen-tos
interesantes
de
reflexfu,
que podem ser riteis parao
pênsamento emforma
demodelos, hoje
tão
atual.NÍo
é maisposível
p€nsar uma teoria da ctsncia que ní[ote-matize igualmente aquela prá,ris do pensamento
cientffico
chamada de'lnodelo".
Sempretender
propor
umafórmula
modela¡ abrangente, buscarei zugerir algumæ reflex6essobre
o
intrincado
problema do esqræmatismo emKant. Em
artigotomado
clássico,publicado
em
1965,no
Studìum Generale, F. Kaulbach demonstra que as rèflexões deKant
sobre esquema eímqem
podemærvir
de fundamento tambdm para uma teoria filosófica dos modelos.Não
foi
pouca-
nem o é atualmente-
adiscusÍo
sobre a relevância dateoria.J<an-tiana do esquematismo. Desde o longo artigo de tlV. Zschocke
em797l,t
que pretendeu ter-lhe colocado marcofulcral
de coer6ncia sistemática, ao ver nela a mediaçãonecessá-ria
à sfnteæ ,øpiori,
foram
trésoutfos
os artigos qüe marcaram cla¡amente o posicio-namentopró ou
contra esta relevância, além dotexto
capital de Kaulbach. J. Spindler propõe,em
1923,7 uma perspectiva próxima â teoria aristotéticoescolástica daabstra-ção para situar sistematicamente a imagem
-
produto
do esqueina. E. Pippin(l97qg
busca situar
o
esquema sobretudono
processo&
recogniçlo
e menosno
deconheci-mento primário. Enfim
W.Detel (1978)a
destaca a funçá'o intermedi¡íria do esquemano
prccesso de dedução (no æntido material setecentista), de decalque sobre a realida-de, das categorias.Deve+e começar,
por
conseguinte, pelocurto
e conhecidocapítulo
sobreo
'Esque-matismo dos conceitos puros da Razâ'o" na CRPu@outrina
Transcendental do Jurzo-
Analítica
dosprincípios.
l9
Capltulo:B
t76lAl37-B
I77lA
138aB I87lAl48).s
* Apresentado no Colóquio Kant (14 a 1 8 de setembro de 1981-
Universidade Estadual de Campi,nas e Unive¡sidade Federal do Rio G¡ande do Sul),
t
"Ueber Kants Iæh¡e vom Schematismus&r
reinen Ve¡nunft" em Kont-Studien l2(I907),9p.157-212.
z'Das
Probþm des Sclrematismuskapitelsder
Iftitikder¡einen
Vernunft" em Kant-Studien 28(1923),pp. 266-282.¡'nThe Schematism and Empirical Concept" emKant-Sndien 67(L976), pp. 156-171.
a
"Zur
Funktion des Schematismuskapitelsin
KantsKritik
&¡
¡einen Vernunft" emKant-Sudien 69(1978), pp. 1745.
s É utilizada a traduçdo brasileira integr aI da Crltíca do Røíío Pura por V. Rohtlen e U. Moosbur-ger. São Paulo: Abril, 1981, Cole@o "Os Pensadores".
Cade¡nos de História e Filosofia da Ciêncio S (1983), pp. 29-37 .
---\
3O Estevão de Rezende Mørtins
A
teoria
deKant
sobreo
esquema e sua imagem deve ær situada em seu respectivocontexto
deprinclpio.
Em primeiro lugar, ressalte+e o ponto de vist¿ da situaçãoespe-cificamente humana, com respeito à qual a relação entrc
razlo
e fenômeno, conceitoe imagem, deve ær abordada.
Segundo a posiçâ'o kantiana, que se orienta pela razão humana, te¡rrse o æguinte: o
c¿rmpo dos objetos do conhecimento humano
finito
é o&nbito
das coisæespaço-tem-porais.
A nzlo
apresenta seuobjeto
de conhecimentono
papel de'bntendimento"
e de sua "capacidade de imaginação": elao
"constrói".
Ela atua, nisto, comoo
e'scriba,que inscreve sinais sobre o papel. A própria consciência que escreve nã'o se encontra no
espaço e no tempo, nos quais ela introduzisse, produzindo, os sinais (traços). E no
prô
prio "movimento"
de produzir a escrita que a conscËncia atua sob a forma de"traçod'
no
espaçoe
no
tempo.
O
movimento
do
"escrever" que aqui ocorre exige espaço etempo.
A
consciência, como nâ'o€xtensa (decerto no æntido cartesiano), entra no ân¡bito
do
espaço e do tempopelo
movimento de traçar sinais. Assim como se começaa traçar umalinha num ponto
nõo+xtenso, continuando dele de modo a traçar a fìgurarepresentada. Como o escriba eo tracejador realizam o traço num movimento
espaço-tem-poral,
æsima
razlo
humana torna seus conceitos cognosclveis e capazes de signifìcadoobjetivo ao fazê-los
"descritivos":
"Penso apenas a relação de um ônte em sitotalmentedesconhecido a
mim com
a máxima unid¿de sistemática do universo, unicamente para fazê-lo esquema doprinclpio
regulativo do maior uso empírico possfvel da minha razão"(B
707 1A679). Destarteo
conceito decírculo,
por
exemplo, descreve, no movfunentodo traço, uma fìgura que lhe corresponde; ele "descreve" um cfrculo. A figura
"círculo",
"descrita",
torna-se objeto do conhecimento geométrico.Esta relaçli'o ao "escrever"
ou
ao t'descrever" a fìgura é expressa porKant
em umapassagem famosa:
'Não
podemos Pensarlinha
alguma sem a traçar empensrnento,
pensar
círculo
æm o descrever"(B
154). Tal concepçl[o do pensamento comodescriti
vo
se tematiza na medida em que este,com
sua pretensão de conhecimento objetivo, faz figurativos os seus conceitos, de modo a relacioná-los a objetos no espaço e notem-po. No
conceito opera,por
conæguinte, a unidade de umaregrade+onstução,
ægun-do
aqual
a figuravai
ændo composta, partepor
parte.Desoever sþnifica, aqui, pois,construir.
Descreverd um
movimento
do pensù
queproduz
æ figuras daNatureza.Este
movimento
gerauma unificaçÍlo dos
elementos(da figura) na
totalidade
dafìgura. Esta unificação só
é poslvel
por
causa daunidade originária
da
autocons-ciência
(apercepçãotranscendental),
a
qual se
"ancora"
objetivamente
naquele"ponto" inicial
parao
"traçar"
dalinha,
no
qual
estaæ
origina como
emum
flu-xo.
Na nosa
consciênciaresidiria,
poh,
um
"construtor
puro"
em
atividade, quetraça
æ
figuras emum
movimentooriginário
de zua'tnão",
efetuando assim a"des-criçdo
purâ"
deum
espaço(B
155).As
figuras sãoa
escritada razlo
construtora. Esta razãomantém
coesaa
dispersli'o dos elementos espaciais eproduz
a fìgurame-diante
estacoe*to.
A
fìguraé
simultaneamente descritae
produzida pelomovimen-to
unificante
dz
nzlo
coßtrutora. 'Nâ'o poso
representar-melinha
alguma,por
pequenaque
seja, sema traçar
em pensamento,isto é, a partir
deum ponto,
pro-I I I I i I I I
duzir
gradativamentetodas
as partese
assim primeiramente esboçar estaintuição"
(B
203).
O movimento detraçar
alinha
é um
descrever eum
¡nscrever da intuiçãodesta
figura. Por
queKant
fala, aqui,
de
"esboqar (inscrever) aintuiçlto'?
Porque a imagemintuitiva do
conceito
e
seu esquema,alinha
específìca,por
exemplo, não édøda
ptonta,
masproduzida pot
um
movimento
do
representantedescritor.A
uni-dade conceitual
necessáriaa
esta
representaçãoé
produzida
pelo
entendimento.Ela
não produz a imagem deum
conceitojá
disponfvel (comoo
dalinha)
aoilustrá'
lo,
ma$ só.dá
aoconceito
linhs
suasignificaçfo
objetiva ao efetuar a representaçlfodescritiva: eles
"inscreve"
(esboça) aintuição
dalinha
comoobjeto
apreendido con-ceitualmente.O
movimento
da razlo
descritora, conscientede
suacontfnua "atua'
çÍo"
própria
in-sueve (esboça) aintuição
dafþra.
A
fìgura é o carninho destainscri-çlo
(deste esboço), ela é a escrita darazlo
descritora. Como, na mão que escreve' ageuma forma-formadora, que
faz,
dos traços escritos, a figura, assim também existe, na razão descritora, umaformadeefetuação
(Vollzugsþrm)
que dirigeo
movimento de"in-screvef"
(esboçar) e que se consubstanciano produto
deste movimento (na fìgura¿
Kant
caracteriza:
;,[iå:åj^.ä;
ordem
essenciais das partes, ambas determinadas:apriori
apartir
do princfpio
deter' minadopor eu
frm.o
esquema, que nâ'o é projetado segundo uma idéia, isto é, apar-tir
do
fim
capital darazlo,mas
sim empiricamenfe segundo propósitos que seapresen-tam
deum modo
contingente(...)
fomece uma unidade técnica1, aquele esquema, noentanto, que
seorigina
unicamente em conæqtiéncia de umaidéia(...).
Isto
que nós32
Estevdo de Rezende Mørtinsimaginar",
æus traços: estes são oproduto
da açâ'o da capacidade de imaginaçÍo segun-do formas esquemáticas.Kant
chama o traço de imryem.A
r¿zlo
descritora æ comporta construtivamente: ela procede ægundo uma regra.O esquema
é
a regra enquanto s6¡s¡liz¿ no
procedimento de descrever. D¿l serem ostraços da razão descritora figuras geométricas.
A
fìgura geométrica d sempre uma ima-gem, gerada segundoo
esquema detal
fÌgura.A
questão do esquematismo seformula,
por
conæguinte, deste modo: como obtém o conceito sua imagem?Ao
que ærespon-de:
na
medidaem que
semostre como conceito da razlo
descritora.O
conceito detriângulo, por exemplo, deve ser entendido como um procedimento
construtivo,
como'forma-de-efetuaçio (ou esquema), sob cuja
orientaçío
se podem procluzir fìguras, "ima-gens", semlimites.
C¿da uma destas imagens é um triângulo indiviclnal, com elementosdeterminados
ou
determináveis guantitativamente, sem queimporte
sua realizaçãoma-terial.
Todo
e qualquertriângulo com
determinados ladose
ângulos deve ser sempreconcebido, em
primeiro
lugar, como figura ideal.Todos os
exemplose
paralelos geométricosdescritivosutilizados
tanto por
Kant
como
por
seus comentadores e/ou intérpretes, emparticular
Kaulbach,6 não serefe-rem
-
ou,
ao menos,não têm a
intençâ'ode
sereferir
-
à construção empfrica oumaterial
de umafig
ou
ao traçar de"lápis
sobrepapeli'.
o
plano em queKant
sesitua
permance sendo, mesmono
que
æ refere aos esquemas, transcendental.como
sabemos,
a
filosofia
transcendental sistematiza as condições sob as quais époslvel
oconhecimento a priÒri.
Kant
freqüentes vezes recorre à metáforapolltica
aodefini¡
as relaçõesentte
razlo,
entendimentoe
experiência.O
entendimento humano elabora,para
o
fonbito de
todo
conhecimentoe
experiênciaposíveis,
uma constituigão: eleé,
para esteâmbito,
"constitutivoi'. os
cidadã'os desta constituição são os objetos daexperiência. Só pode ær
cidadÍo (isto
é,objeto
da experiência) o qu€ estiversubme-tido
às condições daconstituiçfo.
Esta constituiçãodo objeto
enquantotal, ou
æja,da "objetividade" do
objeto
de toda experiênciapossfvel, exige øpriori
ær o
objeto,objetivo
de "descrição". A "mão transcendental' da razão desc reveapriori
aconstituiçãodo objeto,
cuja objetivi(vi)dade possui, apriori
epor defìniçio,
caráter figurativo: eisporque a geometria se aplica necessa¡iamente à realidade.T
A
razão transcendental, constitutiva e descritora, prescreve à Natu¡eza leis ,,gerais"e
aos seusobjetos
carâtetfigurativo. Destarie
é posível
à razãoconhecero,que elamesma descreveu prescrevendo.
Ao
deixar
rola¡
suas esferas comoum
pesopor
eledeterminado,
Galileu
compreendeu quea '\azão
sóintui
o
que elaprod*
segundo seupróprio projeto",
ou seja,o
que descreve transcendentalmente.o
movimento
do descrever prescritivo pertence àfilosofia
transcendental,E poisé,
ao mesmo tempo, aólF. Kaulbach: "Schema, Bitd und Modell nach den Vo¡aussetzungen des Kantischen Denkens", em Kant. Zur Dantung seiner Theorie von Erkennen und Handeln. O¡g.: G. Prauss.rQolônia: Kiepenheuer
&
Witsch, L97 3, pp. 105-7 29,esp. pp. 106- l0L
zlR. S' Hartmann: 'Kant's Science of Metaphysics and the Scientific Method" em Kont-sudien
lot1gtz),pp.
18-35.E"Portanto, no sentido intemo o entendimento não encontra já uma tal ligaçâo do múltiplo, mas
per-I
Esquema e
Imngem
33posibilidade do
conhecimento øprioñ
dos objetos e dos objetos deste conhecimento.O
esquemas
situano nlvel
transcendental dosprincfpios
constitutivos, apríori,
do conhecimento'e dos objetos. O esquemaé
a forma transcendental sob a qual se efetuaa descriçtÍo das figuras geométricas originárias, æ quais são as letras com que se
escre-ve
o
livro
da Natureza.ASim
Como, nO escrever, o pensamento Se transpõe para omo-vimento
da mflo, gerando-se como movimento no espaço e no temPo' aqui é oentendi-mento,
com seus conceitos fundamentais (as categorias), que se serye da formatrans-cendental do esquema para projetar
(entwerfen)
a figuratividade das figuras. Umcon'
ceito
fundamental puro (categoria) como,porexemplo,
o da "grandeza"(çantidade),
se faz mOVimentO "eSqUemátiCg", æ exprime, aO efetUar sUa "deSCriçâ'd', em Uma
fì-gura precisamente determinada.eO
conceito de
grandeza é posto, pela esquematiza-ção, em'lnovimento",
tornando+e descriçãO de uma fìgura. Kantcaragtenza. estamo-vimentaçÍfo da categoria como determinação temporal. Sobretudo o
contar'(1,2,3,..,)
tem
sua possibilidade baseada na esquematizaçâ'o da categoria da quantidadê.A uni'
dade (oim)
é
poça, em sfntese sucessiva, uma vez, duas vezes,etc.lo
ExistemPodm
categoiias não quantificáveis (e,
por
conseguinte,nfio
adequadarnente figurativas),cu-ja
aplicaçlfo(Kant
empregao telmo
Anwandung)
deve serfeita
a"forças"
e a s€us"efeitos"
na Natuteza.Por
exemplo: a causalidade, pelaqual
æ estabelece como umaobjetivo a
partir
dos objetos que sâ'o.tence a uma ciência pura, conseqüentemente tambem nâo à Geometria, Com efeito, que uma
coisa seja
m
rio
Todavia, comodescriçâo
de
to
Plo naintuiçãoexlÊma
em
im
na-o somente àà filosofia transcendental,"
onenko (L'Oeuvre de Kant I, pp. 1?G1 88;Paris:ll' Vrin 1969) de que
do esquematismo com a única preocupação de responde¡ às drlvidas levantadas por Berkeley
þp.
178-182) nlfo resolve as insuficiências desta teoria. A interpretaçâo por Kautbach, ao menos, ao restringi-la prioritariamente ao campo da categoria de quantidade' torna-¿ menos problemática"10,Cfr. M. Frede/L, Krueger: "Ueber die Zueordnung tler Quantitalten des Urteils und der Katego' rien derGrösse bei Kant" emKant-studien 6l(1970),pp. 28'49'
ttB
692-693 e B 296: "Vimos, com efeito, que tudo o que o entendimento tira de si mesmo, semo tomar emprestado da experiência, nâo o posui para nenhum outro fim, a não se¡ unicamente pa¡a
o
uso da experiência. Oa priori (como os matemáticos têm
outa
coisa ænão, por assiefeito, recebe a sua unidade so
ria e espontaneamente à síntese da capacidade da imaginaçalo, em relaçío com a apercepçâo, e
com
a
qual os fenômenos, enquanto dados para um mnhecimento possfnel, devemjá
estara priort em rela@o e concordância."
---34
Estevão de Rezende MartinsO papel
ontológico
do.esquema consiste,destafe,
em ser transiçlfo do ponto para a extensão,do interior
parao
exterior,
do conceito para a imagem. Recorrrendo a esta concepção,Kant
podiaadmitir o mundo
dos fenômenos como totalidade(InbergrifÍ)
de
imagens,reflexo
diferenciado davida interior.l2 O
esquemaé,
pois,
paraKant,
princfpio
decisivona
aplicaçã'o das categoriæ aos fenômentos. Eleo
considera comoa
técnicz transcendentaldo
entendimento para descrever a Natureza, movimento noqual
o
ær
dos objetos se dá.1 3 Não é porém a"Natureza
agentelivre"
çe
Kant
su-põe em zuas considerações sobre
o
esquematismo: nÍfoé
a própria Natureza, ægundoele, que produz os objetos como formas cognoscfveis, mas sim
é
o entendimento que suscita uma faculdade ou forçal ar paraincutir
sua própria unidade na clispersâ'o dasfor-mas
extensas.Ele
trabalha como
faculdadeprodutiva
de representaçâ'o, gerando a coesã'o sintética das formas extensas ao dar unidade aos objetos da Naturesa,toma¡rdo-os cativos entre si. Desta maneira
nfo
æ pode considerar a unidade esquemática doen-tendimento como produto
de uma eventual Naturezalivre,
poiso
esqr¡ematem
por lrnalidade a 'Lrnidade da determinaçâ'o da sensibilidade"(B
179). Esta unidade apiori
é a coesão imposta à Natureza pelo entendimento, pois este-
segundoKant
-
só pode corihecer como coeso(unido)
o que ele mesmo anteriormente tenha unifìcado.t sO
contexto
mais aþrangente da problemática relativa ao pensar a Natureza comolivre
e ao pensá-la como cativa perpassa ahistória
detodo
o pensamento cosrnológicoocidental.l0
A
noçãode
esquema está freqtientemente presente nesta discussâ'o, mas não será examinada aqui.A
categoria æ põe em movimento, pois, para "inscrever" descritivamente as fìgurasno âmbito
da extensã'o. Esta '?novimentação" æ faz sob a orientação de um esquema.Ela
é
movimento construtivo
do
eupuro e
não deveær
entendidacomo
aconteci-mento no
espaço;épor
ela, porém, queo
espaço æfaz
determinado, descrito. O es-quemadeve ser,
por
sua vez,entendido como
transiçãoda
categoria parao
movi-mento,
apreæntadacomo fìgura
das
coisasda
Natureza
(Naturdinge).17 Podesecompreender, assim,
que a
subsunçãoda
coisaindividual,
que
se manifesta numaimagem
individual,
a seuprinclpio
universal, se faz através do esquema, forma na qualse opera
o
"preenchimento'
do
conceito
geral pela individualidadeda
imagem. Nor2i
Die Handlungen in der Welt sind blosseI
i
scheinungen (dies\[ort
bedeutet schoni
*.nn
man die VemunfJ rblbst nachI
I
ansieht."ls]Cfr. Kaulbach, o.c., pp.
ll0-l1l:
"DæSchema wird jedoch, (...)vonGrossetesteunterdieæm iNam"n nicht in Anspruch genoîrmen, aber viel sprfte¡, zu KantsZeit, wi¡clesalsVolizugs-form;filr
das Gestaltwerden der Gebilde der f¡eien Natu¡ ausd¡licklich Schemagenannt: Goethe undt4l
de, força, capacidade).t.l
161
Beschereibun Köln-G¡az 1969) e Einführung in dieMeta-phl
sik (D armstadt L97 2).tz Cf. Kaulbach: "Schema, ...",
p.lL2.
I I
Esquema e
Inugem
35exemplo
kantiano dos cinco pontos, como "imagem"
da quintuplicidade, a imagemé
algode individual,
formadapor
movimento dirigido pelo
esquema.Este
"leva"
oconceito
puro da
quintuplicidade
à
imageme, como
"determinação
temporal",
étransiçÍfo
do
universal(=conceito
puro)
parao particulæ
(=imagem). Esta transiçãoocorre
"mediante
a
determinação transcendentaldo
tempo
que, como
o
esquemados
conceitosdo
entendimento,media
a
subsunçãodos
fenômenosao
conceito"
(B
178).
No
entanto, a
imagemé
sempre restritiva, jamais alcançandoa
universali-dade mesma
do
conceito
(B
180).
A
relação estabelecidapor
Kant
entre a
teoria transcendentaldo
descrevercom
o
conceito de
esquemae
entre este e a subsunçifodo.particular
ao universal pode abrir caminho para outra direção de análise, abordandotambém concepções fundamentais da lógica
formal,ta
quefica
aqui sugerida, emboranÍo
desenvolvida."Em
todas
as zubsunções deum
objeto
aum
conceito, a
representaçâ'odo
pri-meiro (objeto)
deve ser homogêneaà do
ægundo,isto
é, o
conceito precisa contero
queé
representadono
objeto
a ær subsumido a ele, pois justamenteisto
significaa
expresão:um objeto
estácontido
sobum conceito"
(B
176). Esta homogeneidade só pode ser alcançada porque o conceito e objeto æ encontram no âmbito do esquema,que unifica os dois
aocolocar
o
conceito
emmovimento pela
descriçãodo
objeto.O objeto "contido"
sobo
conceitotomase,
destarte, imagem, a qual corresponde a este conceito.Outro
aspectodo
esquematismo residena
relaçifo totalidade e esquema--agregado.O
esquema, enquanto forma-deæfetuação, abrangetodo
o processo dedes-crição da fìgura,
do
começo aofim. A
imagem descrita é,no
entanto,o produto
deuma construção,
um
composto entendido comomultiplicidade
de pontos. Não se vê,na figura, o
movimento do
qual esta surgiu;tal
como se pode ver umapartitura
comoagregado de notas e compassos, que não deixa ver
o
movimento da melodia, determi-nadopor
aqueles sinais. Diversos outros aspectos podem ainda ær destacados na elabo-ração da noção de esquema, sem queo
próprio Kant
ostenhadesenvolvido.Apolari
dade entre movimento
(descriçã'o)e
constatação-de-ser(figura) na
apreæntaçâ'o do esquematismo,por
exemplo,
sempreintrigou a
ultica,
sobretudoporque
Kant
nãoa
abordou em
sua especificidade.O
esquemaé
uma técnica de procedimentoorien-tada
parao
movimento:
eleé
determinaçãotemporal, formatemporal do
agir, cujd produto é a figura.A
teoria kantiana
do
esquematismo busca, pois, estabelecerum vlnculo
entre, deum lado, atarcfa lógicada
subsunçâ'o doparticular
ao universal e, deoutro,oproce-ta Cfr. Kulbach: o.c., p. 113. Ver tambem G.Frcge:Funþtion,Begriff, Bedeutung. FUnf logische Schrìften. Güttingen L962iE. Cassi¡er: Substarubegrilf und Funktíonsbegtiff
$9t0).
Ùatm-stadt reimpr. 1976, sobretudo pp. I 1-12; 3546 e 195-200. E. Cassirer: Wesen und Wírkung desSymbohegriffs, Darmstadt reimpr. 197ó, em particular "Zur Logik des Symbolbegriffs", pp. 203-230;K,Poppet:Dle Zwei Grundprobleme der Ertc¿nnitßtheon? (Manuskripte 1930-1933)
Tänbinçn r L979, pp. 169-174;
H.
[ænk: '?hilosophische Logik-begründung und Rationaler Kritizismus" em Zeitschrift für philosophische Forschung 24 (1970), pp. 183-205.ì
36
Estevão de Rezende Mørtinsbito
da crítica
da
nzão,por
conseguinte,interesou
aKant
uma concepçã'o"domes-ticada".de
uma Natureza produzida, à qual correqponde a relaçÍio, fìxada na hlosofiamento
diferente.Com efeito, a
CYíticado Julzo
aborda sistematicamente as"forçæ
se encontram
do "todo"
deto.
Neste pro-efetuação dos seusfìns
internos. Existeum
relativo paralelo entre a concepção da técnica daNatu'
reza, sobretudo na primeira introduçäo à
Clítica
dofuízo
(primeiraediçEo:1922),e a do esquema como técnica de figuração dos conceitos fundamentais'21A
Ñatureza "domesticada" se rege pelas leis gerais apriori
detetminadas pelo enten'como instância construtora+ognitiva
da nzão, "casual',
pois nelæ aparece a Naturezalivre,
representada pelas formas orgânicæ que ædfo
à experiência.Kant
insisteespe-cialmente
quea
razãopura tem interese,
por
causa de suaprópria
preseWação' empoder
-
peA
per
ou no agir, fornece abase
de
ndental'
A
teleologiadiretiva
segundo KlausKon-hardt,
os elementos sistemáticos paraconstrui¡
uma teoria consistente da unidade doser racional
finito,
buscada mæ não formulada coerentementeoor
Kant.2a KonhardtloJ G. Iæbrun:iKønt et la fin de løMëtaphysique Pu,ß 1966, p' zo Cfr. Kaulbach, o. c., P. 114.
ztilbidem, p. 117.
zz Cfr.W. Marx: "Aspekte eine¡ tanszendentalen Topik. ZumProblem derVerhlfltrisbestimmuÍg von Verstand und Ve¡nunft im Rahmen
&r
theoretischen PhilosophieKants"emPåilosopluls-ches Jøhrbuch
8f
(1974), pp.259-283.zs Dþ Einheít der Vernunft, Königsteinfs: Forum Academicum 1979,p' 12'
I I
expõe, convincentemente
(pp.
307-324\, a funçã'o da Cyitica doJulzo
como '?neio derelacionar as duas partes da
filosofia
numtodo"
KUV,
176), resalvando quearela-çã'o estabelecida pela
Clítica
doluízo
só vale para o arrolamento das condições derela-cionamento entre elementos heterogéneos.
A
faculdade dejulgar,
diversamente dara-zlo
te6úcaou
prática, nãoposui
um"terreno" próprio,
isto é, nãocontribui
em nadapara a
posibilidade
teórica da objetividade, nem para a constituiçã'o das condiçõesprá-ticas da determinação da vontade, mas se esgota na correçÍio, ou
melhor:na
indicaçãode
um princlpio
para
a correlação das duas partes doutrinais daf¡losofìa.z
Mais do queo
esquematismopróprio
à CRPu, æriao princlpio
da fìnalidade, da adequação afns
(Zweckmässigkeit) da faculdade dejulgar
quetornaria
conceblvel, emúltimains-tância,
a aplicabilidade dosprincfpios
diretores e ordenadores, suscitados pelaespon-taneidade
da
razÍo e do
entendimento, àmultiplicidade
dada na intuiçâ'o (B:O+¡.zsArazlo
pensa o todo justamente quando o entendimento nâ'o mais conhece, explicaou
demonstra. O entendimento experimenta æus limites, mæ a razão pensa aNature-za,
pasando por
cima dele, como coesão que não necesita de ær operada passo a pas-soãté o inflinito,
mas que é produzida permanentemente pela própria Natureza. Paraesta
função,
a razlo
faz-se faculdade reflexiva dejulgar.
O paralelo, aquizuperficial-mente referido,
esquemado
entendimento/técnica da Natureza, não permite, poréût,estender desmesuradamente a abrangência do tetmo esquemø.Kant restringe æu
signi-ficado à "técnica
domesticadora" e modeladora do entendimento, sem o aplicar àtéc-nica
produtiva
da Natureza livre(KU
125¡.ze O esquema deve ser pois concebido, comrelaçlfo às operações
do
entendimento, como uma técnicado
entendimento ou daca-pacidade de representaçã'o que
permite
atribui¡
aos conceitos validez para objetos notempo
eno
espaço, mesmo seo próprio Kant
nãoo
tenha claramente exemplificado ou, sepreferi[nos,
esquematizado,2Tz+ Konhardt, o. c., pp. 15-16. KU V, 246.
2s B 304/A 247:"O¡a, ouso de um conceito requer ainda umafunçâo da capacida<le de juþar,
pela qual um objeto é sob ela subsumido, por conæguinte, a condição pelo menos formal sob a
qual algo pode ser dado na
intui€b.
Se falta esta condiçÍio da capacidade de julgar (esquema)entalo fica suprimida toda subsunção, pois nada que nifo possa ser subsumido sob o conceito é 1 dado".
26' Erste Elnleitung In dle
Kritik
der Urteilskraft, edit. por G, I-ehmann, Hamburgo: Meiner 1970, pp.25-28.zl
No que concordo expñcitamente comJ. Bennett:KontsAnalytics (Cambridge 1966) $S 35-37,sobretudo 9p. 146-147: "Although Kant himself shows why there cannot be a technique for
conceptlapplication a¡ such,
I
have talcen his general theory of schematism as an attempt to describe such a technique." A conclusÍfo de Bennett pela inaceitabilidade de princfpio da teoria geral do esquematismo (p. 147) prireoe-me demasiado rþorista. O fato de que Kant descrevaati
vidades de esquematizagío
çe
'hot
usually happen" e que tenha tido a infelicidade (para odculo XX) de recore¡ às 'þofundezas da alma" para justificar suas dificuldades nÍio bastaria para descartar à
la
va viteo
aspecto de modelo-mediador que pode revestir o esquematismo. Considero que P. F. Strawson: The Bounds ofSensel(Londres 1966),pp.29,3I,77,
84, 88 e266, sobretudo p. 88, passa demasiado rapidamente Jobre o decisivo aspecto tdcnico da tempo-ralizaçâo, uma vez ser este