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DPC_PPG_04 - Fase Decisória

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Academic year: 2021

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Plano de Ensino

III PARTE - Fase decisória

.

23. Sentença. Forma, requisitos e efeitos.

24. Correlação entre sentença e demanda.

25. Vícios da sentença.

26. Coisa julgada. Conceito. Fundamento e natureza

jurídica.

27. Coisa julgada formal e material.

28. Limites subjetivos e objetivos da coisa julgada material.

29. Eficácia preclusiva da coisa julgada.

(2)

Fase Decisória

D01

23. Sentença. Forma, requisitos e efeitos

Conceito

“CPC, 203, §1º Ressalvadas as disposições expressas dos procedimentos especiais, sentença é o pronunciamento por meio do qual o juiz, com fundamento nos arts. 485 e 487, põe fim à fase cognitiva do procedimento comum, bem como extingue a

execução”.

Elementos

São elementos essenciais da sentença:

relatório, que conterá os nomes das partes, a identificação do caso, com a suma do pedido e da contestação, e o registro das principais ocorrências havidas no andamento do processo (CPC, 489, I)

fundamentos, em que o juiz analisará as questões de fato e de direito(CPC, 489, II)

dispositivo, em que o juiz resolverá as questões principais que as partes lhe submeterem(CPC, 489, III)

(3)

Fase Decisória

D02

23. Sentença. Forma, requisitos e efeitos

Elementos

São elementos essenciais da sentença:

O “relatório é o intróito da sentença no qual se faz o histórico de toda a relação processual”.[HTJ, 499]

Fundamentação: CF, 93, IX “... juiz fixa as premissas da decisão após exame das

alegações relevantes que as partes formularam, bem como do enquadramento do litígio nas normas legais”[HTJ, 524].

As sentenças meramente homologatórias não exigem fundamentação(RT 616/57,

621/182).

Dispositivo: “É o fecho da sentença. Pode ser direto, quando específica a

pretensão imposta ao vencido ou indireto quando se reporta ao pedido do autor para julgá-lo procedente ou improcedente”.[HTJ, 515]

(4)

Fase Decisória

D03

23. Sentença. Forma, requisitos e efeitos

Requisitos da Fundamentação

Não se considera fundamentada qualquer decisão judicial que:

• se limitar à indicação, à reprodução ou à paráfrase de ato normativo, sem explicar sua relação com a causa ou a questão decidida(CPC, 489,§1º, I)

• empregar conceitos jurídicos indeterminados, sem explicar o motivo concreto de sua incidência no caso (CPC, 489,§1º, II)

• invocar motivos que se prestariam a justificar qualquer outra decisão(CPC, 489,§1º, III)

não enfrentar todos os argumentos deduzidos no processo capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada pelo julgador(CPC, 489,§1º, IV)

• se limitar a invocar precedente ou enunciado de súmula, sem identificar seus fundamentos determinantesnem demonstrar que o caso sob julgamento se ajusta àqueles fundamentos

(CPC, 489,§1º, V)

• deixar de seguir enunciado de súmula, jurisprudência ou precedente invocado pela parte,

sem demonstrar a existência de distinção no caso em julgamento ou a superação do entendimento (CPC, 489,§1º, VI)

(5)

Fase Decisória

D04

23. Sentença. Forma, requisitos e efeitos

Requisitos da Fundamentação -

Detalhamento

Não se considera fundamentada a decisão que se limitar à indicação, à reprodução ou à paráfrase de ato normativo, sem explicar sua relação com a causa ou a questão decidida; logo, “não basta a indicação da lei que seria aplicável ao caso concreto, tampouco a transcrição do enunciado da norma em que se fundamenta o julgado. É essencial que o juiz explique o motivo da escolha da norma.[Humberto, 766]

Não se considera fundamentada a decisão que empregar conceitos jurídicos indeterminados, sem explicar o motivo concreto de sua incidência no caso; logo, deve “o juiz explicar o motivo da incidência do conceito vago ao caso concreto, para evitar a arbitrariedade na sua aplicação nas decisões judiciais”.[Humberto, 766]

Não se considera fundamentada a decisão que invocar motivos que se prestariam a

justificar qualquer outra decisão; esquecendo de analisar o caso concreto “o que comumente ocorre quando o juiz, por exemplo, defere uma liminar, afirmando tão somente que estão presentes os pressupostos legais. Ao julgador cabe justificar o seu posicionamento, de maneira clara e precisa”.[Humberto, 766]

(6)

Fase Decisória

D05

23. Sentença. Forma, requisitos e efeitos

Requisitos da Fundamentação -

Detalhamento

Não se considera fundamentada a decisão que não enfrentar todos os argumentos deduzidos no processo capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada pelo julgador; logo, “a fundamentação incompleta não é admissível. É o que se passa quando o juiz se limita a mencionar as provas que confirmam sua conclusão, desprezando as demais.[Humberto, 766]

Não se considera fundamentada a decisão que se limitar a invocar precedente ou

enunciado de súmula, sem identificar seus fundamentos determinantes nem demonstrar que o caso sob julgamento se ajusta àqueles fundamentos; logo, “o juiz tem de demonstrar a semelhança do caso concreto com o precedente utilizado ou com o quadro fático que ensejou a elaboração de súmula”.[Humberto, 766]

Não se considera fundamentada a decisão que deixar de seguir enunciado de súmula, jurisprudência ou precedente invocado pela parte, sem demonstrar a existência de distinção no caso em julgamento ou a superação do entendimento;

logo, “terá de demonstrar que o caso apresenta peculiaridades em relação àquele do precedente ou que a tese tratada já se encontra superada”.[Humberto, 766]

(7)

Fase Decisória

D06

23. Sentença. Forma, requisitos e efeitos

Efeitos –

Remessa Necessária

Está sujeita ao duplo grau de jurisdição, não produzindo efeito senão depois de confirmada pelo tribunal, a sentença:

proferida contra a União, os Estados, o Distrito Federal, os Municípios e suas respectivas autarquias e fundações de direito público(CPC, 496, I)

que julgar procedentes, no todo ou em parte, os embargos à execução fiscal(CPC, 496, II)

Nos casos acima, não interposta a apelação, o juiz ordenará a remessa dos autos ao tribunal, ou, o presidente do tribunal avocá-los-á(CPC, 496,§ 1º)

Súmula 423 STF: Não transita em julgado a sentença por haver omitido o recurso “ex officio”, que se considera interposto “ex lege”.

(8)

Fase Decisória

D07

23. Sentença. Forma, requisitos e efeitos

Efeitos –

Remessa Necessária

Excludentes

Não está sujeita ao duplo grau de jurisdição, a sentença quando a

condenação ou o proveito econômico obtido na causa for de valor certo e líquido inferior a:

1.000 salários-mínimos para a União e as respectivas autarquias e

fundações de direito público(CPC, 496,§ 3º, I)

500 salários-mínimos para os Estados, o Distrito Federal, as respectivas

autarquias e fundações de direito público e os Municípios que constituam capitais dos Estados(CPC, 496,§ 3º, II)

100 salários-mínimos para todos os demais Municípios e respectivas autarquias e fundações de direito público(CPC, 496,§ 3º, III)

(9)

Fase Decisória

D08

23. Sentença. Forma, requisitos e efeitos

Efeitos –

Remessa Necessária

Excludentes

Não está sujeita ao duplo grau de jurisdição, a sentença que estiver fundada em:

súmula de tribunal superior(CPC, 496,§ 4º, I)

acórdão proferido pelo STF ou pelo STJ em julgamento de recursos

repetitivos(CPC, 496,§ 4º, II)

entendimento firmado em incidente de resolução de demandas repetitivas ou de assunção de competência(CPC, 496,§ 4º, III)

entendimento coincidente com orientação vinculante firmada no

âmbito administrativo do próprio ente público, consolidada em

(10)

Fase Decisória

D09

24. Correlação entre sentença e demanda

Decisão de natureza diversa da pedida

É vedado ao juiz proferir decisão de natureza diversa da pedida, bem como

condenar a parte em quantidade superior ou em objeto diverso do que lhe foi demandado.(CPC, 492)

Julgamento extra petita (matéria estranha à litis contestatio) “A sentença

extra petita incide em nulidade porque soluciona causa diversa da que foi proposta através do pedido”.[HTJ, 524]

Julgamento ultra petita (mais do que pedido) “A nulidade... é parcial, não indo além do excesso praticado, de sorte que, ao julgar o recurso da parte prejudicada, o tribunal não anulará todo o decisório, mas apenas decotará

aquilo que ultrapassou o pedido”.[HTJ, 525]

Julgamento citra petita (não se aprecia todo o pedido) “ao Tribunal se atribuiu competência para, em grau de apelação, completar o julgamento do

mérito efetuado pelo juiz de primeiro grau, mesmo quando as questões de

(11)

Fase Decisória

D10

25. Vícios da sentença

Correção dos vícios

Publicada a sentença, o juiz só poderá alterá-la:

para corrigir-lhe, de ofício ou a requerimento da parte, inexatidões materiais ou erros de cálculo(CPC, 494, I)

“vícios que se percebam à primeira vista e sem necessidade de maior

exame” (RSTJ 102/278)

por meio de embargos de declaração(CPC, 494, II)

A sentença deve ser clara. “Diz-se clara a sentença que se apresenta inteligível e insuscetível de interpretações ambíguas ou equívocas”.[HTJ, 516]

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Plano de Ensino

III PARTE - Fase decisória

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23. Sentença. Forma, requisitos e efeitos.

24. Correlação entre sentença e demanda.

25. Vícios da sentença.

26. Coisa julgada. Conceito. Fundamento e natureza

jurídica.

27. Coisa julgada formal e material.

28. Limites subjetivos e objetivos da coisa julgada material.

29. Eficácia preclusiva da coisa julgada.

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Fase Decisória

D11

26. Coisa julgada. Conceito

Conceitos

“a imutabilidade do comando emergente de uma sentença” Liebman.[HTJ, 540]

Segundo Frederico Marques, existe “a coisa julgada e a coisa soberanamente

julgada, ocorrendo esta última quando se escoe o prazo decadencial de

propositura da rescisória, ou quando seja ela julgada improcedente”.[HTJ, 538]

Importante: “A coisa julgada não impede que nova lei passe a reger

diferentemente os fatos ocorridos a partir de sua vigência”. (RSTJ 60/367; 81/162)

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Fase Decisória

D12

27. Coisa julgada formal e material

Conceito legal

Denomina-se coisa julgada material a autoridade que torna imutável e indiscutível a decisão de mérito não mais sujeita a recurso (CPC, 502)

Assim “a coisa julgada material só diz respeito ao julgamento da lide, de maneira que não ocorre quando a sentença é apenas terminativa (não incide sobre o mérito da causa)”.[HTJ, 543]

Ou, coisa julgada material “é a imutabilidade dos efeitos que se projetam fora do processo e que impede que nova demanda seja proposta sobre a mesma lide”, enquanto coisa julgada formal “é a imutabilidade da decisão dentro do mesmo processo por falta dos meios de impugnação possíveis”.[VGF, 304]

(15)

Fase Decisória

D13

28. Limites subjetivos e objetivos da coisa julgada material

Limites objetivos

A decisão que julgar total ou parcialmente o mérito tem força de lei nos limites da questão principal expressamente decidida (CPC, 503)

Atenção: O caput se refere à ‘questão principal expressamente decidida’. O §1º adiante se refere à ‘questão prejudicial’, logo não podemos confundir.

Questão principal guarda correspondência com o pedido formulado pelo autor e/ou pelo réu. Não à causa de pedir e nem aos fundamentos, embora lógicos e indispensáveis, para concluir pela procedência ou pela improcedência.

Questões prejudiciais são as afirmações controvertidas cuja resolução interfere

na resolução da causa)

Lide é o conflito de interesses a ser solucionado no processo”. “Questões são os

pontos controvertidos envolvendo os fatos e as regras jurídicas debatidas entre as partes”.[HTJ, 551]

(16)

Fase Decisória

D14

28. Limites subjetivos e objetivos da coisa julgada material

Limites objetivos –

questão prejudicial com força de lei

À decisão que julgar de questão prejudicial, decidida expressa e incidentemente no processo, aplicar-se-á os efeitos da coisa julgada se:

dessa resolução depender o julgamento do mérito (CPC, 503,§ 1º, I)

a seu respeito tiver havido contraditório prévio e efetivo, não se aplicando no caso de revelia (CPC, 503,§ 1º, I)

o juízo tiver competência em razão da matéria e da pessoa para resolvê-la como questão principal (CPC, 503,§ 1º, I)

Importante: o efeito da coisa julgada não se aplica se no processo houver restrições probatórias ou limitações à cognição que impeçam o aprofundamento da análise da questão prejudicial(CPC, 503,§ 2º)

(17)

Fase Decisória

D15

28. Limites subjetivos e objetivos da coisa julgada material

Limites objetivos –

Dispositivo

Apenas o dispositivo transita em julgado, logo não fazem coisa julgada:

os motivos, ainda que importantes para determinar o alcance da parte

dispositiva da sentença(CPC, 504, I)

“nas ações de controle concentrado da constitucionalidade” “o efeito vinculante é erga omnes e atinge também a motivação do julgamento, não ficando restrito ao seu dispositivo”.[HTJ, 555]

a verdade dos fatos, estabelecida como fundamento da sentença(CPC, 504,

II)

Na quaestio facti discutem-se os eventos naturais ou as ações humanas que originaram os direitos e obrigações cuja atuação se pretende alcançar no processo”.[HTJ, 545]

(18)

Fase Decisória

D16

28. Limites subjetivos e objetivos da coisa julgada material

Limites objetivos –

Exceções

Nenhum juiz decidirá novamente as questões já decididas, relativas à mesma lide, salvo:

se, tratando-se de relação jurídica de trato continuado, sobreveio modificação no estado de fato ou de direito; caso em que poderá a parte

pedir a revisão do que foi estatuído na sentença(CPC, 505, I)

Relação de trato continuado: Ex. “Ação de alimentos” onde temos a sentença determinativa. “A modificação será objeto da ação revisional (Lei 5.478/68, art. 13), cuja sentença, se for de procedência, terá natureza constitutiva, alterando a situação vigente entre as partes”.[HTJ, 567]. Idem, Lei 8.245/91, art. 19.

nos demais casos prescritos em lei(CPC, 505, II)

Exemplos: Inexatidões materiais ou erros de cálculos e embargos de

declaração(art. 494); na apelação contra sentença indefere a inicial, por

retratação(art. 331); na apelação contra sentença terminativa, também por

(19)

Fase Decisória

D17

28. Limites subjetivos e objetivos da coisa julgada material

Limites subjetivos

A sentença faz coisa julgada às partes entre as quais é dada, não prejudicando terceiros(CPC, 506)

Em determinadas circunstâncias (...) a coisa julgada pode atingir quem não foi

parte no processo. Entre essas hipóteses está a sucessão, pois o sucessor

assume a posição do sucedido na relação jurídica deduzida no processo, impedindo nova discussão sobre o que já foi decidido” (REsp 775.841, j. 19.3.2009)

Exceção - Coisa julgada nas ações coletivas:

“Não prevalece se a ação for julgada improcedente por deficiência de prova” (Lei nº 4.717/65, art. 18; Lei nº 7.347/85, art. 16; Lei nº 7.853/89, art. 4º)

“Os particulares se beneficiam das vantagens advindas da sentença, mas não se prejudicam por suas desvantagens” (Lei nº 8.078, art. 103,§ 3º)

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Fase Decisória

D18

29. Eficácia preclusiva da coisa julgada

Preclusão

É vedado à parte discutir no curso do processo as questões já decididas a

cujo respeito se operou a preclusão(CPC, 507)

Apenas à parte: “para o juiz inexiste preclusão” (RT 612/104; RSTJ 64/156)

Preclusão temporal “decorrido o prazo, extingue-se o direito de praticar o ato”.

Preclusão lógica “incompatibilidade entre o ato praticado e outro,

que se queria praticar”.

Preclusão consumativa “realizado o ato, completo ou incompleto,

(21)

Fase Decisória

D19

29. Eficácia preclusiva da coisa julgada

Preclusão

presumida

Transitada em julgado a decisão de mérito, considerar-se-ão deduzidas e

repelidas todas as alegações e as defesas que a parte poderia opor tanto ao

acolhimento quanto à rejeição do pedido(CPC, 508)

Após a coisa julgada, nem o autor pode renovar o pedido rejeitado com novas alegações; nem o réu pode, diante do pedido acolhido, pretender reabrir o debate para obter sua rejeição com defesa diversa da anteriormente manifestada”.[HTJ, 557] Entretanto “todas as sentenças contém implicitamente a cláusula rebus sic stantibus, já que a coisa julgada não impede absolutamente que se tenham em conta os fatos que intervierem sucessivamente à emanação da sentença”, como é o caso do pagamento da soma devida, o qual uma vez ocorrido elimina a possibilidade de execução da condenação.[HTJ, 539]

(22)

FIM DA

(23)

Sentença

[493]

Art. 493. Se, depois da propositura da ação, algum fato constitutivo, modificativo ou extintivo do direito influir no julgamento do mérito, caberá ao juiz tomá-lo em consideração, de ofício ou a requerimento da parte, no momento de proferir a decisão.

Parágrafo único. Se constatar de ofício o fato novo, o juiz ouvirá as partes sobre ele antes de decidir.

“A sentença deve refletir o estado de fato da lide no momento da entrega da prestação

jurisdicional, devendo o juiz levar em consideração o fato superveniente”(RSTJ 140/386) “As

normas legais editas após o ajuizamento da ação devem levar-se em conta para regular a

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