Plano de Ensino
III PARTE - Fase decisória
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23. Sentença. Forma, requisitos e efeitos.
24. Correlação entre sentença e demanda.
25. Vícios da sentença.
26. Coisa julgada. Conceito. Fundamento e natureza
jurídica.
27. Coisa julgada formal e material.
28. Limites subjetivos e objetivos da coisa julgada material.
29. Eficácia preclusiva da coisa julgada.
Fase Decisória
D01
23. Sentença. Forma, requisitos e efeitos
Conceito
“CPC, 203, §1º Ressalvadas as disposições expressas dos procedimentos especiais, sentença é o pronunciamento por meio do qual o juiz, com fundamento nos arts. 485 e 487, põe fim à fase cognitiva do procedimento comum, bem como extingue a
execução”.
Elementos
São elementos essenciais da sentença:
•
relatório, que conterá os nomes das partes, a identificação do caso, com a suma do pedido e da contestação, e o registro das principais ocorrências havidas no andamento do processo (CPC, 489, I)•
fundamentos, em que o juiz analisará as questões de fato e de direito(CPC, 489, II)•
dispositivo, em que o juiz resolverá as questões principais que as partes lhe submeterem(CPC, 489, III)Fase Decisória
D02
23. Sentença. Forma, requisitos e efeitos
Elementos
São elementos essenciais da sentença:
•
O “relatório é o intróito da sentença no qual se faz o histórico de toda a relação processual”.[HTJ, 499]•
Fundamentação: CF, 93, IX “... juiz fixa as premissas da decisão após exame dasalegações relevantes que as partes formularam, bem como do enquadramento do litígio nas normas legais”[HTJ, 524].
As sentenças meramente homologatórias não exigem fundamentação(RT 616/57,
621/182).
•
Dispositivo: “É o fecho da sentença. Pode ser direto, quando específica apretensão imposta ao vencido ou indireto quando se reporta ao pedido do autor para julgá-lo procedente ou improcedente”.[HTJ, 515]
Fase Decisória
D03
23. Sentença. Forma, requisitos e efeitos
Requisitos da Fundamentação
Não se considera fundamentada qualquer decisão judicial que:
• se limitar à indicação, à reprodução ou à paráfrase de ato normativo, sem explicar sua relação com a causa ou a questão decidida(CPC, 489,§1º, I)
• empregar conceitos jurídicos indeterminados, sem explicar o motivo concreto de sua incidência no caso (CPC, 489,§1º, II)
• invocar motivos que se prestariam a justificar qualquer outra decisão(CPC, 489,§1º, III)
• não enfrentar todos os argumentos deduzidos no processo capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada pelo julgador(CPC, 489,§1º, IV)
• se limitar a invocar precedente ou enunciado de súmula, sem identificar seus fundamentos determinantesnem demonstrar que o caso sob julgamento se ajusta àqueles fundamentos
(CPC, 489,§1º, V)
• deixar de seguir enunciado de súmula, jurisprudência ou precedente invocado pela parte,
sem demonstrar a existência de distinção no caso em julgamento ou a superação do entendimento (CPC, 489,§1º, VI)
Fase Decisória
D04
23. Sentença. Forma, requisitos e efeitos
Requisitos da Fundamentação -
Detalhamento
•
Não se considera fundamentada a decisão que se limitar à indicação, à reprodução ou à paráfrase de ato normativo, sem explicar sua relação com a causa ou a questão decidida; logo, “não basta a indicação da lei que seria aplicável ao caso concreto, tampouco a transcrição do enunciado da norma em que se fundamenta o julgado. É essencial que o juiz explique o motivo da escolha da norma”.[Humberto, 766]•
Não se considera fundamentada a decisão que empregar conceitos jurídicos indeterminados, sem explicar o motivo concreto de sua incidência no caso; logo, deve “o juiz explicar o motivo da incidência do conceito vago ao caso concreto, para evitar a arbitrariedade na sua aplicação nas decisões judiciais”.[Humberto, 766]•
Não se considera fundamentada a decisão que invocar motivos que se prestariam ajustificar qualquer outra decisão; esquecendo de analisar o caso concreto “o que comumente ocorre quando o juiz, por exemplo, defere uma liminar, afirmando tão somente que estão presentes os pressupostos legais. Ao julgador cabe justificar o seu posicionamento, de maneira clara e precisa”.[Humberto, 766]
Fase Decisória
D05
23. Sentença. Forma, requisitos e efeitos
Requisitos da Fundamentação -
Detalhamento
•
Não se considera fundamentada a decisão que não enfrentar todos os argumentos deduzidos no processo capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada pelo julgador; logo, “a fundamentação incompleta não é admissível. É o que se passa quando o juiz se limita a mencionar as provas que confirmam sua conclusão, desprezando as demais”.[Humberto, 766]•
Não se considera fundamentada a decisão que se limitar a invocar precedente ouenunciado de súmula, sem identificar seus fundamentos determinantes nem demonstrar que o caso sob julgamento se ajusta àqueles fundamentos; logo, “o juiz tem de demonstrar a semelhança do caso concreto com o precedente utilizado ou com o quadro fático que ensejou a elaboração de súmula”.[Humberto, 766]
•
Não se considera fundamentada a decisão que deixar de seguir enunciado de súmula, jurisprudência ou precedente invocado pela parte, sem demonstrar a existência de distinção no caso em julgamento ou a superação do entendimento;logo, “terá de demonstrar que o caso apresenta peculiaridades em relação àquele do precedente ou que a tese tratada já se encontra superada”.[Humberto, 766]
Fase Decisória
D06
23. Sentença. Forma, requisitos e efeitos
Efeitos –
Remessa Necessária
Está sujeita ao duplo grau de jurisdição, não produzindo efeito senão depois de confirmada pelo tribunal, a sentença:
•
proferida contra a União, os Estados, o Distrito Federal, os Municípios e suas respectivas autarquias e fundações de direito público(CPC, 496, I)•
que julgar procedentes, no todo ou em parte, os embargos à execução fiscal(CPC, 496, II)Nos casos acima, não interposta a apelação, o juiz ordenará a remessa dos autos ao tribunal, ou, o presidente do tribunal avocá-los-á(CPC, 496,§ 1º)
Súmula 423 STF: Não transita em julgado a sentença por haver omitido o recurso “ex officio”, que se considera interposto “ex lege”.
Fase Decisória
D07
23. Sentença. Forma, requisitos e efeitos
Efeitos –
Remessa Necessária
Excludentes
Não está sujeita ao duplo grau de jurisdição, a sentença quando a
condenação ou o proveito econômico obtido na causa for de valor certo e líquido inferior a:
•
1.000 salários-mínimos para a União e as respectivas autarquias efundações de direito público(CPC, 496,§ 3º, I)
•
500 salários-mínimos para os Estados, o Distrito Federal, as respectivasautarquias e fundações de direito público e os Municípios que constituam capitais dos Estados(CPC, 496,§ 3º, II)
•
100 salários-mínimos para todos os demais Municípios e respectivas autarquias e fundações de direito público(CPC, 496,§ 3º, III)Fase Decisória
D08
23. Sentença. Forma, requisitos e efeitos
Efeitos –
Remessa Necessária
Excludentes
Não está sujeita ao duplo grau de jurisdição, a sentença que estiver fundada em:
•
súmula de tribunal superior(CPC, 496,§ 4º, I)•
acórdão proferido pelo STF ou pelo STJ em julgamento de recursosrepetitivos(CPC, 496,§ 4º, II)
•
entendimento firmado em incidente de resolução de demandas repetitivas ou de assunção de competência(CPC, 496,§ 4º, III)•
entendimento coincidente com orientação vinculante firmada noâmbito administrativo do próprio ente público, consolidada em
Fase Decisória
D09
24. Correlação entre sentença e demanda
Decisão de natureza diversa da pedida
É vedado ao juiz proferir decisão de natureza diversa da pedida, bem como
condenar a parte em quantidade superior ou em objeto diverso do que lhe foi demandado.(CPC, 492)
•
Julgamento extra petita (matéria estranha à litis contestatio) “A sentençaextra petita incide em nulidade porque soluciona causa diversa da que foi proposta através do pedido”.[HTJ, 524]
•
Julgamento ultra petita (mais do que pedido) “A nulidade... é parcial, não indo além do excesso praticado, de sorte que, ao julgar o recurso da parte prejudicada, o tribunal não anulará todo o decisório, mas apenas decotaráaquilo que ultrapassou o pedido”.[HTJ, 525]
•
Julgamento citra petita (não se aprecia todo o pedido) “ao Tribunal se atribuiu competência para, em grau de apelação, completar o julgamento domérito efetuado pelo juiz de primeiro grau, mesmo quando as questões de
Fase Decisória
D10
25. Vícios da sentença
Correção dos vícios
Publicada a sentença, o juiz só poderá alterá-la:
•
para corrigir-lhe, de ofício ou a requerimento da parte, inexatidões materiais ou erros de cálculo(CPC, 494, I)“vícios que se percebam à primeira vista e sem necessidade de maior
exame” (RSTJ 102/278)
•
por meio de embargos de declaração(CPC, 494, II)A sentença deve ser clara. “Diz-se clara a sentença que se apresenta inteligível e insuscetível de interpretações ambíguas ou equívocas”.[HTJ, 516]
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III PARTE - Fase decisória
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23. Sentença. Forma, requisitos e efeitos.
24. Correlação entre sentença e demanda.
25. Vícios da sentença.
26. Coisa julgada. Conceito. Fundamento e natureza
jurídica.
27. Coisa julgada formal e material.
28. Limites subjetivos e objetivos da coisa julgada material.
29. Eficácia preclusiva da coisa julgada.
Fase Decisória
D11
26. Coisa julgada. Conceito
Conceitos
“a imutabilidade do comando emergente de uma sentença” Liebman.[HTJ, 540]
Segundo Frederico Marques, existe “a coisa julgada e a coisa soberanamente
julgada, ocorrendo esta última quando se escoe o prazo decadencial de
propositura da rescisória, ou quando seja ela julgada improcedente”.[HTJ, 538]
Importante: “A coisa julgada não impede que nova lei passe a reger
diferentemente os fatos ocorridos a partir de sua vigência”. (RSTJ 60/367; 81/162)
Fase Decisória
D12
27. Coisa julgada formal e material
Conceito legal
Denomina-se coisa julgada material a autoridade que torna imutável e indiscutível a decisão de mérito não mais sujeita a recurso (CPC, 502)
Assim “a coisa julgada material só diz respeito ao julgamento da lide, de maneira que não ocorre quando a sentença é apenas terminativa (não incide sobre o mérito da causa)”.[HTJ, 543]
Ou, coisa julgada material “é a imutabilidade dos efeitos que se projetam fora do processo e que impede que nova demanda seja proposta sobre a mesma lide”, enquanto coisa julgada formal “é a imutabilidade da decisão dentro do mesmo processo por falta dos meios de impugnação possíveis”.[VGF, 304]
Fase Decisória
D13
28. Limites subjetivos e objetivos da coisa julgada material
Limites objetivos
A decisão que julgar total ou parcialmente o mérito tem força de lei nos limites da questão principal expressamente decidida (CPC, 503)
Atenção: O caput se refere à ‘questão principal expressamente decidida’. O §1º adiante se refere à ‘questão prejudicial’, logo não podemos confundir.
Questão principal guarda correspondência com o pedido formulado pelo autor e/ou pelo réu. Não à causa de pedir e nem aos fundamentos, embora lógicos e indispensáveis, para concluir pela procedência ou pela improcedência.
Questões prejudiciais são as afirmações controvertidas cuja resolução interfere
na resolução da causa)
“Lide é o conflito de interesses a ser solucionado no processo”. “Questões são os
pontos controvertidos envolvendo os fatos e as regras jurídicas debatidas entre as partes”.[HTJ, 551]
Fase Decisória
D14
28. Limites subjetivos e objetivos da coisa julgada material
Limites objetivos –
questão prejudicial com força de lei
À decisão que julgar de questão prejudicial, decidida expressa e incidentemente no processo, aplicar-se-á os efeitos da coisa julgada se:
•
dessa resolução depender o julgamento do mérito (CPC, 503,§ 1º, I)•
a seu respeito tiver havido contraditório prévio e efetivo, não se aplicando no caso de revelia (CPC, 503,§ 1º, I)•
o juízo tiver competência em razão da matéria e da pessoa para resolvê-la como questão principal (CPC, 503,§ 1º, I)Importante: o efeito da coisa julgada não se aplica se no processo houver restrições probatórias ou limitações à cognição que impeçam o aprofundamento da análise da questão prejudicial(CPC, 503,§ 2º)
Fase Decisória
D15
28. Limites subjetivos e objetivos da coisa julgada material
Limites objetivos –
Dispositivo
Apenas o dispositivo transita em julgado, logo não fazem coisa julgada:
•
os motivos, ainda que importantes para determinar o alcance da partedispositiva da sentença(CPC, 504, I)
“nas ações de controle concentrado da constitucionalidade” “o efeito vinculante é erga omnes e atinge também a motivação do julgamento, não ficando restrito ao seu dispositivo”.[HTJ, 555]
•
a verdade dos fatos, estabelecida como fundamento da sentença(CPC, 504,II)
“Na quaestio facti discutem-se os eventos naturais ou as ações humanas que originaram os direitos e obrigações cuja atuação se pretende alcançar no processo”.[HTJ, 545]
Fase Decisória
D16
28. Limites subjetivos e objetivos da coisa julgada material
Limites objetivos –
Exceções
Nenhum juiz decidirá novamente as questões já decididas, relativas à mesma lide, salvo:
•
se, tratando-se de relação jurídica de trato continuado, sobreveio modificação no estado de fato ou de direito; caso em que poderá a partepedir a revisão do que foi estatuído na sentença(CPC, 505, I)
Relação de trato continuado: Ex. “Ação de alimentos” onde temos a sentença determinativa. “A modificação será objeto da ação revisional (Lei 5.478/68, art. 13), cuja sentença, se for de procedência, terá natureza constitutiva, alterando a situação vigente entre as partes”.[HTJ, 567]. Idem, Lei 8.245/91, art. 19.
•
nos demais casos prescritos em lei(CPC, 505, II)Exemplos: Inexatidões materiais ou erros de cálculos e embargos de
declaração(art. 494); na apelação contra sentença indefere a inicial, por
retratação(art. 331); na apelação contra sentença terminativa, também por
Fase Decisória
D17
28. Limites subjetivos e objetivos da coisa julgada material
Limites subjetivos
A sentença faz coisa julgada às partes entre as quais é dada, não prejudicando terceiros(CPC, 506)
“Em determinadas circunstâncias (...) a coisa julgada pode atingir quem não foi
parte no processo. Entre essas hipóteses está a sucessão, pois o sucessor
assume a posição do sucedido na relação jurídica deduzida no processo, impedindo nova discussão sobre o que já foi decidido” (REsp 775.841, j. 19.3.2009)
Exceção - Coisa julgada nas ações coletivas:
“Não prevalece se a ação for julgada improcedente por deficiência de prova” (Lei nº 4.717/65, art. 18; Lei nº 7.347/85, art. 16; Lei nº 7.853/89, art. 4º)
“Os particulares se beneficiam das vantagens advindas da sentença, mas não se prejudicam por suas desvantagens” (Lei nº 8.078, art. 103,§ 3º)
Fase Decisória
D18
29. Eficácia preclusiva da coisa julgada
Preclusão
É vedado à parte discutir no curso do processo as questões já decididas a
cujo respeito se operou a preclusão(CPC, 507)
Apenas à parte: “para o juiz inexiste preclusão” (RT 612/104; RSTJ 64/156)
•
Preclusão temporal “decorrido o prazo, extingue-se o direito de praticar o ato”.•
Preclusão lógica “incompatibilidade entre o ato praticado e outro,que se queria praticar”.
•
Preclusão consumativa “realizado o ato, completo ou incompleto,Fase Decisória
D19
29. Eficácia preclusiva da coisa julgada
Preclusão
presumida
Transitada em julgado a decisão de mérito, considerar-se-ão deduzidas e
repelidas todas as alegações e as defesas que a parte poderia opor tanto ao
acolhimento quanto à rejeição do pedido(CPC, 508)
“Após a coisa julgada, nem o autor pode renovar o pedido rejeitado com novas alegações; nem o réu pode, diante do pedido acolhido, pretender reabrir o debate para obter sua rejeição com defesa diversa da anteriormente manifestada”.[HTJ, 557] Entretanto “todas as sentenças contém implicitamente a cláusula rebus sic stantibus, já que a coisa julgada não impede absolutamente que se tenham em conta os fatos que intervierem sucessivamente à emanação da sentença”, como é o caso do pagamento da soma devida, o qual uma vez ocorrido elimina a possibilidade de execução da condenação.[HTJ, 539]
FIM DA
Sentença
[493]
Art. 493. Se, depois da propositura da ação, algum fato constitutivo, modificativo ou extintivo do direito influir no julgamento do mérito, caberá ao juiz tomá-lo em consideração, de ofício ou a requerimento da parte, no momento de proferir a decisão.
Parágrafo único. Se constatar de ofício o fato novo, o juiz ouvirá as partes sobre ele antes de decidir.
“A sentença deve refletir o estado de fato da lide no momento da entrega da prestação
jurisdicional, devendo o juiz levar em consideração o fato superveniente”(RSTJ 140/386) “As
normas legais editas após o ajuizamento da ação devem levar-se em conta para regular a