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Avaliação da eficácia do sistema de drenagem urbana estudo de caso: Ijuí – RS

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UNIVERSIDADE REGIONAL DO NOROESTE DO

ESTADO DO RIO GRANDE DO SUL

DEPARTAMENTO DE CIÊNCIAS EXATAS E ENGENHARIAS

Curso de Graduação em Engenharia Civil

JOANA PARNOFF BELLÉ

AVALIAÇÃO DA EFICÁCIA DO SISTEMA

DE DRENAGEM URBANA

ESTUDO DE CASO: IJUÍ – RS

Ijuí/RS 2011

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JOANA PARNOFF BELLÉ

AVALIAÇÃO DA EFICÁCIA DO SISTEMA

DE DRENAGEM URBANA

ESTUDO DE CASO: IJUÍ – RS

Trabalho de Conclusão de Curso em Engenharia Civil apresentado como requisito parcial para obtenção de título de Engenheiro Civil.

Orientadora: Prof. Raquel Kohler Co-orientador: Prof. Giuliano Crauss Daronco

Ijuí/RS 2011

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JOANA PARNOFF BELLÉ

DRENAGEM URBANA ESTUDO DE CASO: IJUÍ – RS

Trabalho de Conclusão de Curso defendido e aprovado em sua forma final pelo professor orientador e pelo membro da banca examinadora.

Banca examinadora

________________________________________ Prof. Raquel Kohler, Me. - Orientador

________________________________________ Prof. Dóris Ketzer Montardo, Me.

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AGRADECIMENTOS

A Deus que me proporcionou a vida e sempre iluminou meus caminhos.

À minha mãe, Vera, que me acompanhou durante toda a vida acadêmica e que abdicou de alguns sonhos para que eu pudesse realizar o meu.

Ao meu pai e aos meus familiares, pelo apoio e compreensão nos momentos de ausência. Aos colegas que de alguma forma compartilharam das angústias e felicidades na trajetória do curso.

À minha orientadora, professora Raquel, que compartilhou sua sabedoria com maestria, sempre estimulando a busca pelo conhecimento.

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RESUMO

Com o crescimento das cidades e a densificação da população, o desenvolvimento proporcional das infraestruturas urbanas torna-se extremamente necessário. Quando isto não acontece surgem diversos problemas. Este trabalho abrange um deles, que faz parte do saneamento básico de um município, a drenagem pluvial urbana. Para caracterizar o estudo delimitou-se um trecho da área central de Ijuí e a partir deste foram analisados três eixos de pesquisa: as medidas legais, técnicas e comportamentais existentes. Com o órgão público responsável foram encontradas as informações legais em vigor e também documentos que estão em desenvolvimento e contemplam o tema proposto. As medidas técnicas foram avaliadas com visitas no trecho e baseado em registros fotográficos foi possível analisar a situação das estruturas existentes. O comportamento da população do entorno do trecho delimitado foi caracterizado por um questionário aplicado. Com o objetivo de avaliar a eficácia do sistema existente no Município, os resultados englobam também um quadro resumo que apresenta medidas mitigadoras que, diante da situação encontrada, podem ser o caminho para a eficácia do funcionamento do sistema de drenagem urbana do Município de Ijuí.

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LISTA DE FIGURAS

Figura 1: Componentes do ciclo hidrológico ... 13

Figura 2: Principais tipos de bocas-de-lobo ... 17

Figura 3: Características dos leitos dos rios ... 18

Figura 4: Efeito da urbanização sobre a vazão máxima ... 19

Figura 5: Média Histórica de Precipitação Pluvial 1963 à 2011, Ijuí RS ... 30

Figura 6: Foto do Município de Ijuí capturada por Hermann Meyer. ... 31

Figura 7: Esquina da Rua do Comércio com a Rua 24 de Fevereiro, Ijuí/RS – 1915. ... 32

Figura 8: Esquina da Rua do Comércio com a Rua 24 de Fevereiro, Ijuí/RS – 1939. ... 33

Figura 9: Bairro Sertanejo, Ijuí/RS – 1989. ... 34

Figura 10: Esquina da Rua 24 de Fevereiro com a Rua Venâncio Aires, Ijuí/RS – 1992. ... 35

Figura 11: Rua 24 de Fevereiro próximo à esquina com Rua Ernesto Alves, Ijuí/RS – 1992. 36 Figura 12: Localização do trecho de estudo na área urbana de Ijuí ... 38

Figura 13: Perfil Topográfico Rua do Comércio – Ijuí ... 39

Figura 14: Arroio Moinho canalizado ... 39

Figura 15: Arroio Moinho com canalização subterrânea ... 40

Figura 16: Arroio Moinho à céu aberto ... 40

Figura 17: Gráfico da distribuição por tipo de edificação ... 42

Figura 18: Gráfico da distribuição por faixa etária... 43

Figura 19: Mapa Hidrografia Natural - Trecho do estudo de caso ... 45

Figura 20: Mapa Pontos Críticos da Drenagem Urbana - Trecho do estudo de caso ... 46

Figura 21: Mapa Drenagem Urbana - Trecho do estudo de caso ... 47

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Figura 23: Mapa Taxa de Ocupação por Setor - Trecho do estudo de caso ... 49

Figura 24: Mapa Calçamento e Asfalto - Trecho do estudo de caso ... 50

Figura 25: Mapa Ocupação Urbana de Ijuí - Trecho do estudo de caso ... 51

Figura 26: Gráfico com a quantidade de bocas-de-lobo por quadra... 52

Figura 27: Quadras 1 e 2 do trecho estudado ... 52

Figura 28: Quadras 3 e 4 do trecho estudado ... 53

Figura 29: Quadras 5 e 6 do trecho estudado ... 53

Figura 30: Quadras 7 e 8 do trecho estudado ... 53

Figura 31: Quadras 9 e 10 do trecho estudado ... 54

Figura 32: Quadras 11 e 12 do trecho estudado ... 54

Figura 33: Quadras 13 e 14 do trecho estudado ... 54

Figura 34: Quadras 15 e 16 do trecho estudado ... 55

Figura 35: Boca-de-lobo número 39, aberta para execução da limpeza ... 55

Figura 36: Boca-de-lobo número 40, com acúmulo de lixo no interior ... 56

Figura 37: Boca-de-lobo número 06, encoberta pela sujeira ... 56

Figura 38: Boca-de-lobo número 11, com acúmulo de sujeira... 57

Figura 39: Boca-de-lobo número 02, encoberta ... 57

Figura 40: Boca-de-lobo número 33, executada com trilhos de trem ... 58

Figura 41: Boca-de-lobo número 41, executada com trilhos de trem ... 58

Figura 42: Boca-de-lobo número 42, executada com trilhos de trem ... 58

Figura 43: Boca-de-lobo número 13, sem grades de proteção ... 59

Figura 44: Boca-de-lobo número 19, espaçamento grande entre as grades ... 59

Figura 45: Boca-de-lobo número 52, grande abertura entre a grade e o meio-fio ... 60

Figura 46: Gráfico do destino do esgoto pluvial ... 61

Figura 47: Gráfico do destino do esgoto cloacal ... 61

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LISTA DE SIGLAS E SÍMBOLOS

BNH – Banco Nacional da Habitação CO₂ – Molécula de Dióxido de Carbono

FEPAM - Fundação Estadual de Proteção Ambiental Henrique Luis Roesseler

Fidene - Fundação de Integração, Desenvolvimento e Educação do Noroeste do Estado H₂0 – Molécula de Água

IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IRDeR – Instituto Regional de Desenvolvimento Rural MADP – Museu Antropológico Diretor Pestana

PLANASA – Plano Nacional de Saneamento PLAMSAB - Plano Municipal de Saneamento

SMDU – Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano SMMA – Secretaria Municipal de Meio Ambiente

UNIJUÍ – Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul % - Porcentagem

º, ‘, “ – Graus, Minutos e Segundos ºC – Graus Celsius

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SUMÁRIO

INTRODUÇÃO ... 11

1 REVISÃO DA LITERATURA ... 13

1.1ÁGUAEOCICLOHIDROLÓGICO ... 13

1.1.1. Mudanças Climáticas ... 14

1.2DRENAGEM ... 14

1.2.1 Micro e Macro Drenagem ... 14

1.3 DRENAGEMURBANA ... 14

1.3.1 Soluções de Drenagem Urbana ... 15

1.3.2 Impactos da Urbanização ... 18

1.3.3 Considerações Legislatórias ... 19

2 METODOLOGIA ... 28

2.1CLASSIFICAÇÃODAPESQUISA ... 28

2.2PLANEJAMENTODAPESQUISA ... 28

2.2.1 Procedimento de coleta e interpretação dos dados ... 28

2.3ESTUDODECASO ... 29

2.3.1 Caracterização do Município de Ijuí ... 29

2.3.2 Caracterização da Bacia Hidrográfica do Rio Ijuí ... 37

2.3.3 Caracterização do Local de Estudo ... 38

3 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS ... 44

3.1ASPECTOSLEGAIS ... 44

3.2ASPECTOSTÉCNICOS ... 51

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3.4QUADRORESUMO–APRESENTAÇÃODOSRESULTADOS ... 64

CONCLUSÃO ... 65

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ... 67

ANEXO A TRECHOS DA LEGISLAÇÃO MUNICIPAL CONSULTADA ... 71

ANEXO B CAPÍTULO 6 PLAMSAB ... 78

ANEXO C CAPÍTULO 4 PLAMSAB ... 84

ANEXO D MAPA BACIAS HIDROGRÁFICAS URBANAS ... 89

ANEXO E LIGAÇÕES DE ENERGIA DO DEMEI NO TRECHO ... 91

ANEXO F QUESTIONÁRIO ... 95

ANEXO G MAPA HIDROGRAFIA NATURAL ... 97

ANEXO H MAPA PONTOS CRÍTICOS DRENAGEM URBANA ... 99

ANEXO I MAPA DRENAGEM URBANA ... ERRO! INDICADOR NÃO DEFINIDO. ANEXO J MAPA REDE DE ESGOTO PLUVIAL ... 101

ANEXO K MAPA TAXA DE OCUPAÇÃO POR SETOR ... 105

ANEXO L MAPA CALÇAMENTO E ASFALTO ... 107

ANEXO M MAPA OCUPAÇÃO URBANA ... 109

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INTRODUÇÃO

Este trabalho de conclusão de curso tem como tema a Drenagem Urbana, que dentro da Engenharia Civil está contemplada no setor do Saneamento Básico. Atualmente este assunto está bastante presente no nosso dia a dia, visto que a preocupação dos setores públicos desde o nível nacional ao municipal observando-se obras do setor com mais frequência.

O Município de Ijuí apresenta uma hidrografia bastante ampla no seu perímetro urbano, enaltecendo a necessidade de estudos e projetos para a implantação de medidas eficientes no setor da drenagem urbana, portanto, como estudo de caso foi escolhido um trecho do Arroio Moinho, que se situa no eixo da Rua 24 de Fevereiro, sendo limitado ao norte pela Rua Dr Roberto Löw, ao sul pela Rua 14 de Julho, ao leste pela Rua Tiradentes e ao oeste pela Rua Bento Gonçalves. A questão principal do trabalho foi buscar quais as medidas legais, técnicas e comportamentais adotadas e como funciona o sistema de drenagem na área urbana de Ijuí e no trecho selecionado como estudo de caso.

O objetivo geral foi avaliar a eficácia do sistema de drenagem urbana no Município e no trecho selecionado como estudo de caso. Como objetivos específicos buscou-se verificar as ações dos poderes executivo e legislativo em relação ao sistema de drenagem no processo de formação e ocupação do espaço urbano do Município de Ijuí; verificar o comportamento da população no espaço urbano em relação ao sistema de drenagem do trecho selecionado como estudo de caso e propor medidas legais, técnicas e/ou comportamentais com base nos dados levantados visando a qualificação do sistema de drenagem na área urbana do Município.

A escolha do trecho que serviu para o estudo de caso justifica-se pelo mesmo apresentar três diferentes situações físicas do Arroio Moinho, sendo elas o canal, onde houve a construção de uma galeria fechada para proteção das margens do arroio devido à ocupação urbana; a segunda situação é a parte onde a galeria fica subterrânea, não sendo possível

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12 visualiza-la na superfície e a terceira acontece no final do trecho onde o arroio está à céu aberto sem infraestrutura.

Sob um ponto de vista profissional, capacitar-se na solução de problemas de drenagem urbana como os que os municípios têm enfrentado é de grande importância, pois o tema abordado não é apenas uma realidade da região, já que vários lugares no país têm enfrentado problemas correlacionados e decorrentes dos altos índices de impermeabilização do solo, da falta de planejamento da ocupação do solo e ainda da inexistência de um Plano de Saneamento.

Neste sentido, a experiência vivenciada como estagiária junto à Equipe do Plano Diretor, foi de grande valia no que se refere ao campo de estudo. Pode se adiantar, por exemplo, que Município de Ijuí apresenta diversas situações que influenciam no seu sistema de drenagem, incluindo fatores estruturais e não estruturais, desde ocupação desordenada de áreas próximas aos arroios à atuação da população e dos poderes executivo e legislativo. Este conhecimento prévio, com certeza, subsidiou desenvolvimento dessa pesquisa.

Quanto ao aspecto social, a pesquisa não foi menos importante, pois a própria resolução do problema poderá trazer benefícios à comunidade local. Evitar ou mitigar alagamentos, disseminação de doenças e outras questões de saneamento básico no eixo da drenagem urbana, por si, explicam a relevância do tema.

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1 REVISÃO DA LITERATURA

1.1 ÁGUA E O CICLO HIDROLÓGICO

A água é composta por dois átomos de hidrogênio e um átomo de oxigênio – H₂O, sendo uma substância química indispensável à vida humana. Encontrada em três estados físicos:sólido, liquido e gasoso, corresponde à aproximadamente 71% da superfície terrestre. Circulando ininterruptamente, a água passa por uma troca continua entre as águas do solo, águas superficiais, subterrâneas e das plantas, fechando um “ciclo” chamado de ciclo hidrológico (FONTE: Wikipédia,2011).

Conforme Tucci (1993), o ciclo hidrológico pode ser definido como um fenômeno de circulação fechada de água entre a superfície terrestre e a atmosfera, sendo que em relação à superfície terrestre a água se encontra no interior e na superfície dos solos e rochas, nos oceanos e nos seres vivos, já na atmosfera a água está praticamente em toda sua totalidade na camada da troposfera, onde ocorrem os fenômenos climáticos.

Dentre os fenômenos que compõem o ciclo hidrológico (Figura 1) podem ser citados a precipitação, a interceptação, a infiltração, a transpiração, o escoamento superficial e a evaporação, sendo o primeiro deles o de maior relevância em relação ao assunto que virá a ser desenvolvido neste trabalho.

Uma das formas da precipitação é a chuva, onde o excesso de umidade em uma nuvem pode formar gotas com um peso maior do que a força da gravidade é capaz de suportar.

Figura 1: Componentes do ciclo hidrológico

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1.1.1. Mudanças Climáticas

As alterações do clima são os grandes desafios a serem enfrentados neste e nos próximos séculos, indicando ser absolutamente necessária a implantação de políticas públicas capazes de atenuarem estas desestabilizações. O principal vilão sempre lembrado é o excesso de emissão de CO₂ na atmosfera, porém as principais consequências envolvem a água, como em enchentes causadas pelo grande volume de precipitação em um curto intervalo de tempo, somando à inexistência de um plano de drenagem urbana, a população acaba ficando à mercê de inúmeros problemas causados em uma precipitação muitas vezes de poucos minutos, pois não existe captação ou destinação eficiente de toda água que atinja a superfície (Fonte: FBMC, 2008).

Em consulta ao site da Secretaria Nacional de Defesa Civil encontra-se a diferenciação dos conceitos de enchentes e inundações. As enchentes são as águas que se elevam devagar, mantêm-se em situação de cheia por um tempo e posteriormente desaguam gradualmente. As inundações são águas acumuladas nos leitos das ruas por deficiência dos sistemas de drenagem.

1.2 DRENAGEM

1.2.1 Micro e Macro Drenagem

A micro drenagem ocorre nos locais onde o escoamento natural da água não é bem definido, ou seja, depende do tipo de ocupação do solo, caracterizado na malha urbana pelo traçado das ruas. Ainda de acordo com Tucci (1993), a macrodrenagem é marcada pela definição do escoamento, como no fundo de um vale, é um receptor dos escoamentos oriundos da micro drenagem, composta por canais naturais, galerias, córregos e rios.

1.3 DRENAGEM URBANA

De acordo com o Neto (2005?), o termo drenagem indica a ação de escoamento das águas provenientes de precipitações, onde naturalmente seu curso é em direção às cotas mais baixas, podendo ser alterado com a ajuda de bombas, porém seria economicamente ideal

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15 traçar o menor caminho entre a captação dessas águas e seu destino final, favorecendo sempre o escoamento por gravidade.

1.3.1 Soluções de Drenagem Urbana

Conforme Champs (2009), para um bom funcionamento de um sistema de drenagem urbana, é necessário saber que ele funcionará como um auxílio à drenagem natural e terá seu funcionamento não continuo, pois irá variar conforme a frequência de precipitações, que deve se dividir nos dois sistemas distintos, micro e macro drenagem, que o produto a ser drenado será formado por água e por sólidos, que os canais naturais têm duas calhas de escoamento, a primeira para vazões de base e a segunda para vazões de cheia e por fim que o sistema viário urbano compõe parte da infraestrutura da micro drenagem.

Para Tucci (2009), a gestão das águas pluviais de maneira sustentável deve incorporar medidas estruturais e não-estruturais na sua implementação. Medidas estruturais são as obras de engenharia, como as galerias, bocas-de-lobo e valetas; já as medidas não estruturais são os mapeamentos das áreas de risco, programas de conscientização da população e o próprio zoneamento urbano. O ideal seria desenvolver um Plano de Águas Pluviais de cada cidade incorporando essas medidas e investir recursos obtidos com as calamidades para melhoramento dessas atividades premiando as cidades que atuarem na área de prevenção, pois muitas ignoram esses problemas na certeza que após algum desastre de cunho ambiental terão grande apoio financeiro sem a necessidade de comprovação da aplicação do dinheiro.

A micro drenagem é composta por diversos dispositivos estruturais, começando nas próprias edificações privadas, com os coletores pluviais que alimentam a rede pública de drenagem, juntamente com o escoamento resultante das áreas impermeáveis e até mesmo permeáveis quando houver excesso de precipitação.

Segundo Tucci (1993), os dispositivos estruturais básicos existentes em um sistema de drenagem são os seguintes:

a) Galeria: são canalizações ligadas às bocas de lobo com a finalidade de conduzir as águas pluviais captadas das mesmas e também dos coletores pluviais privados. b) Poço de Visita: elementos estrategicamente posicionados ao longo da galeria que

permitem mudança de direção, mudança de declividade, mudança de diâmetro e inspeção e limpeza das canalizações.

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16 c) Trecho: é a fração de galeria entre dois poços de visita.

d) Bocas de lobo: localizados em pontos adequados nas sarjetas à captação das águas pluviais.

e) Tubos de ligação: conduzem as águas pluviais desde as bocas de lobo até as galerias ou poços de visita.

f) Meio-fio: feitos de pedra ou concreto são instalados paralelamente ao eixo da rua com sua face superior do mesmo nível do passeio.

g) Sarjetas: é uma porção não demarcada da via pública paralela ao meio-fio, onde a inclinação intrínseca de projeto forma uma calha que recebe e desloca as águas pluviais.

h) Sarjetões: são formadas nos cruzamentos das vias publicas, pelo próprio leito carroçável, que orientam o fluxo d’água às sarjetas.

i) Condutos forçados: projetados para conduzir as águas coletadas de maneira segura e eficiente, pois a seção transversal dos condutos não é preenchida completamente. j) Estação de bombeamento: é um conjunto de obras e equipamentos com a

finalidade de retirar a água de um canal de drenagem se não existir mais a possibilidade de escoamento por gravidade, conduzindo a mesma a outro canal mais elevado ou receptor final do sistema de drenagem.

Conforme Mascaró (2003), os principais tipos de bocas-de-lobo são seis, separados entre dois grupos de três com os mesmos formatos (Figura 2), porém a metade com rebaixamento caracterizado de acordo com as condições da sarjeta, como declividade e vazão, o autor recomenda não exceder 15 cm para não prejudicar o trânsito de veículos e pedestres.

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17 Figura 2: Principais tipos de bocas-de-lobo

Fonte: Mascaró (2003)

Nos desenhos “a” e “d” a captação ocorre pela lateral, nas “b” e “e” a captação depende da área de abertura. Segundo Mascaró (2003) este é um sistema em desuso, pois necessita estar sempre limpo para a total infiltração da água; nos casos “c” e “f” o sistema é a combinação da captação lateral e vertical.

No Brasil, a regulamentação para o transporte de águas pluviais e esgoto sanitário adota o sistema “separador absoluto”, onde existem duas redes distintas para cada escoamento, quando apenas um sistema pode escoar os dois efluentes chama-se “misto”.

O sistema separador absoluto deve ser totalmente respeitado, pois se houverem ligações clandestinas de águas pluviais nas redes de esgoto poderá ocorrer um aumento na vazão das tubulações ou ainda obstruções devido aos sólidos que são transportados junto com a água da chuva. Como as redes não foram dimensionadas para conduzir tal vazão podem acontecer problemas de refluxos, extravasamento e até rompimento das redes, bem como ao inverso, se houverem ligações irregulares do sistema de esgoto para o sistema pluvial, dentre tantos problemas, podem ser citados o mau cheiro exalado das bocas-de-lobo, o extravasamento na presença de grandes vazões e a poluição de corpos d’água para onde o escoamento natural da água da chuva é direcionado, colocando a população em risco devido às doenças transmitidas por meios hídricos (leptospirose, cólera, hepatite...)(Tucci, 1993).

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1.3.2 Impactos da Urbanização

As águas pluviais podem gerar impactos sobre a população quando ocorrem inundações em áreas residenciais, comerciais e industriais, danificando a infraestrutura de estradas e pontes, contribuindo para o deslizamento de encostas, causando perdas e impedindo o deslocamento das pessoas. Isto acontece quando a população ocupa áreas ribeirinhas por falta de planejamento quanto ao uso do solo, estas inundações ocorrem quando o escoamento atinge níveis superiores ao leito menor, chegando ao leito maior, como é possível visualizar na imagem abaixo.

Figura 3: Características dos leitos dos rios

Fonte: Conceitos, características e interfaces dos serviços públicos de Saneamento Básico (2009).

A inundação que ocupa o leito maior é um processo natural (Figura 3), que faz parte do ciclo hidrológico, porém com a baixa frequência de grandes inundações a população ocupa essas áreas e acaba sofrendo com as consequências deste cenário.

Ainda de acordo com Tucci, a primeira grande interferência à drenagem urbana ocorre ao escoamento superficial, pois as grandes áreas impermeabilizadas podem gerar vários impactos, como: aumento das vazões máximas, aumento da produção de sedimentos devido à ausência de proteção das superfícies, deterioração da qualidade da água superficial e subterrânea devido à lavagem de ruas, telhados e ainda ligações clandestinas de esgoto cloacal, sendo necessária a inter-relação entre a ocupação do espaço urbano e a adequação dos sistemas coletores existentes, como se vê na imagem abaixo, nos casos mais críticos, o pico de cheia em uma bacia urbanizada pode ser até seis vezes maior do que este pico em condições naturais.

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19 Figura 4: Efeito da urbanização sobre a vazão máxima

Fonte: Hidrologia, ciência e aplicação (1993).

Em resumo, se pode dizer que os principais problemas relacionados à ocupação do espaço são a expansão irregular sobre áreas de mananciais, ocupação de áreas de riscos de encostas e áreas de inundações ribeirinhas (inundação no leito maior do rio), aumento da densidade habitacional que resulta em maiores lançamentos de águas ao sistema de drenagem e por fim as políticas públicas de canalizações, ocupações e impermeabilizações de grandes áreas, interferindo drasticamente no ciclo hidrológico e gerando vazões além da capacidade estrutural existente, tornando impossível conduzi-las de maneira segura para fora das áreas urbanas.

1.3.3 Considerações Legislatórias

No ano de 1970 foi implantada a primeira política mais incisiva para o saneamento no Brasil, o Plano Nacional de Saneamento (PLANASA), com o objetivo de déficit zero em abastecimento de água e coleta de esgoto, custeado pelo BNH, Banco Nacional da Habitação,

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20 permitia que os municípios e estados constituíssem empresas públicas ou de economia mista para suprir este serviço tão carente na época.

Quadro 1: Cobertura de redes de abastecimento de água e coleta de esgotos no Brasil, percentual de domicílios urbanos atendidos.

1970 1980 1990 2000

Água 60,5 79,2 86,3 89,8 Esgoto 22,2 37 47,9 56

Fonte: A Privatização do Saneamento Básico (2003).

O PLANASA entrou em crise na década de 90, onde um dos motivos foi o fim do período de carência dos financiamentos, que tinham o prazo de 30 anos.

Em meio a esse período, houve poucas leis no país que de alguma forma tratavam do Saneamento Básico e seus componentes, eram a Lei 6.528/1978, assinada pelo então Presidente da República Ernesto Geisel no dia 11 de maio, dispondo apenas sobre as tarifas dos serviços públicos de saneamento básico e a Lei 6.766/1979, assinada por João Figueiredo, Presidente da República, no dia 19 de dezembro daquele ano, dispondo sobre o parcelamento do solo urbano e outras providências.

Então, impulsionado pela crescente preocupação com a qualidade de vida, a saúde e o meio ambiente, o Presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a Lei 11.445/2007 no mês de janeiro, onde foram estabelecidas diretrizes nacionais para o Plano Nacional de Saneamento Básico, que cita a drenagem e manejo das águas pluviais urbanas como parte do conjunto de serviços, infraestruturas e instalações operacionais básicos.

Reunindo artigos técnicos e inéditos elaborados por pesquisadores e especialistas à convite da Secretaria Nacional de Saneamento Ambiental, foi lançada uma coletânea composta por três livros, com o intuito de contribuir para o aperfeiçoamento das políticas, planos e ações do setor e ainda ajudar na compreensão da Lei 11.445/2007 subsidiando profissionais, gestores, técnicos, especialistas e estudiosos do setor.

Estes livros desenvolvem uma ampla análise do atual ambiente sóciopolítico-institucional e do cenário futuro do Saneamento Básico do país, a coletânea é denominada Lei Nacional de Saneamento Básico – Perspectivas para as Políticas e a Gestão dos Serviços Públicos, e os livros são: Livro 1 – Instrumentos das Políticas e da Gestão dos Serviços Públicos de Saneamento Básico, Livro 2 – Conceitos, Características e Interfaces dos

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21 Serviços Públicos de Saneamento Básico e Livro 3 – Prestação dos Serviços Públicos de Saneamento Básico.

Como cita Moraes (2009), no capítulo 1 do Livro 1 da Lei Nacional de Saneamento Básico, o Plano Municipal de Saneamento Básico deve ser aprovado pelo Conselho Municipal competente, contendo desde os elementos básicos para a implementação da política e o planejamento das ações no município aos planos mais específicos de Saneamento Básico, como planos de investimentos, metas, definição de prioridades, recursos etc.

É necessário que o Plano seja revisado de quatro em quatro anos, de maneira conjunta com as políticas municipais de saúde, meio ambiente/recursos hídricos, desenvolvimento urbano/habitação e desenvolvimento agrário. Para sua elaboração, deve-se considerar o perfil epidemiológico da população e indicadores socioambientais, incluindo nível de renda da população e a salubridade ambiental.

Neste capítulo, o autor expõe um quadro onde são apresentadas as etapas e atividades para o desenvolvimento de Plano Municipal de Saneamento Básico, descritas a seguir:

1º Fundamentos:

→ Definição de diretrizes e conceitos básicos com orientações gerais e específicas para cada órgão relacionado com o Saneamento Básico.

→ Discussão das diretrizes do Plano em reunião pública do Comitê Consultivo com a participação dos diversos segmentos da sociedade.

→ Elaboração de diagnóstico com levantamento da situação atual, identificando as carências e determinando a demanda reprimida de cada serviço público de Saneamento Básico.

→ Realização de prognóstico com avaliação das condições atuais e projeção para o horizonte proposto pelo Plano, considerando o Plano Diretor Municipal, caso exista.

2ª – Propostas:

→ Apresentação das conclusões da primeira etapa ao Comitê Consultivo em reunião pública para crítica e encaminhamento de propostas.

→ Realização de proposições contemplando os seguintes aspectos: . Diretrizes para a ação municipal (obras e serviços).

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22 . Sistema de avaliação permanente e integrado ao sistema de planejamento municipal.

. Prioridades de investimentos com orientação para o cronograma de implantação.

→ Discussão das proposições em reuniões públicas do Comitê Consultivo.

→ Realização de reunião pública final do Comitê Consultivo (Seminário Final) para discussão do relatório e encaminhamento do Plano ao Conselho da Cidade ou Municipal de Saneamento Básico, ou equivalente.

3ª – Aprovação:

→ Discussão pelo Conselho da Cidade ou Municipal de Saneamento Básico ou equivalente ou pelo Poder Legislativo Municipal.

→ Aprovação pelo Conselho da Cidade ou Municipal de Saneamento Básico ou equivalente, e pelo Poder Legislativo Municipal com sanção de Lei pelo Chefe do Poder Executivo Municipal.

4ª – Institucionalização:

→ Elaboração e aprovação de resoluções pelo Conselho e decretos regulamentadores pelo Chefe do Poder Executivo Municipal.

→ Realização das alterações administrativas necessárias para implementar o Plano.

→ Realização de previsões orçamentárias. 5ª – Implementação:

→ Implementação das ações propostas no Plano. 6ª – Acompanhamento e Avaliação:

→ Acompanhamento trimestral e avaliação anual da implementação do Plano pelo Conselho da Cidade ou Municipal de Saneamento Básico, ou equivalente. Em 2010, o Ministério das Cidades com a Secretaria Nacional de Saneamento Ambiental, lançou um termo de referência onde estão previstas diretrizes e parâmetros para auxiliar na elaboração de um plano diretor de águas pluviais urbanas e projetos de drenagem urbana. Para o sucesso da aplicação desses investimentos deve ser garantido o gerenciamento integrado da infraestrutura urbana, principalmente com a definição da ocupação do espaço mantendo as funções naturais do ambiente, como a infiltração e a rede natural de escoamento.

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23 Conforme este documento, os componentes básicos para um plano diretor de águas pluviais estão presentes no quadro 2.

Quadro 2: Componentes Básicos do Plano de Águas Pluviais

Fonte: Ministério das Cidades, Termo de Referência para Elaboração de Plano Diretor de Águas Pluviais Urbanas e Projetos de Drenagem Urbana (2010/2011).

Na questão política, o objetivo é criar mecanismos de gestão da infraestrutura urbana, visando diminuir as perdas econômicas e melhorar as condições de saúde e do meio ambiente da cidade em acordo com o Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano existente.

As medidas não-estruturais citadas no quadro, tratam-se da legislação e regulamentação sobre o aumento da vazão devido a urbanização, da ocupação da área de risco de áreas ribeirinhas e da gestão dos serviços urbanos relacionados com as águas pluviais. Já as medidas estruturais envolvem o Plano de cada sub-bacia urbana, além de medidas estruturais de proteção contra inundações ribeirinhas, quando for o caso.

Os produtos seriam os resultados dos estudos, que seriam dentre tantos, por exemplo, Plano Municipal de Drenagem e Manual de Drenagem Urbana.

Buscando diretamente nas leis municipais vigentes, dentro do Plano Diretor do município de Ijuí, temos as seguintes leis:

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24 Plano Diretor

Lei do Uso e Ocupação do Solo Urbano

Lei do Parcelamento do Solo para Fins Urbanos Tabela do Regime Urbanístico

Portanto, não existe um plano municipal de saneamento básico, plano diretor de águas pluviais ou ao menos um manual de drenagem, porém, dentro destas leis é possível encontrar algumas medidas que, indiretamente, visam contribuir para o sistema de drenagem urbana presente no município. Esses trechos da lei comentados abaixo estão presentes no Anexo A.

Começando Lei nº 4.747/2007, que institui o Plano Diretor de Desenvolvimento Integrado do Município, a primeira referência à drenagem urbana encontra-se no capítulo que trata da política de desenvolvimento urbano, dentro do artigo 15, onde a coleta de águas pluviais deve ser promovida, ampliada e qualificada como sendo um equipamento urbano básico. Já no capítulo da qualidade ambiental, na seção II de saneamento básico, o artigo 68 cita a obrigatoriedade da constituição de uma rede exclusiva para a coleta das águas pluviais, respeitando as declividades das micro bacias fluviais urbanas. No capítulo que trata do sistema viário e do transporte coletivo, a drenagem urbana é lembrada quando citada a necessidade da construção dos itens comuns ao sistema viário, como sarjetas e valetas, decretando a execução em conformidade com o fluxo do escoamento pluvial e ainda a permanente manutenção e limpeza das bocas-de-lobo e bueiros.

Na Lei do Uso e Ocupação do Solo Urbano, Lei Complementar nº 2.887, a preocupação com a drenagem urbana está indiretamente ligada com a taxa de permeabilidade que deve ser respeitada, pois em cada lote deve haver uma gleba livre de edificação para permitir a infiltração de água no solo, diminuindo o lançamento de águas pluviais à micro drenagem.

Na Lei do Parcelamento do Solo para Fins Urbanos, que é a Lei Complementar nº 2.888, existem vários artigos importantes que contribuem muito para o funcionamento da drenagem urbana municipal, como no artigo 5º do capítulo I, que cita não ser permitido o parcelamento do solo em terrenos alagadiços e sujeitos a inundações, no capítulo II cita a necessidade de execução dos dispositivos adequados para o escoamento das águas pluviais nos lotes e quadras. Na seção IV o artigo 7º cita algo muito importante, onde não é permitido o aterramento, canalização ou tubulação de um curso d’água sem o consentimento da Prefeitura Municipal de Ijuí.

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25 Para ser efetiva a aplicação da legislação é necessária uma fiscalização eficiente para vislumbrar a atenuação nas falhas do sistema existente.

No dia 13 de abril de 2010 foi criado o Comitê de Coordenação do Plano Municipal de Saneamento com o objetivo de desenvolver o PLAMSAB - Plano Municipal de Saneamento, tendo em vista as diretrizes nacionais estabelecidas pela Lei Federal nº 11.445, considerada um marco regulatório no setor.

Este é o documento que demonstra a preocupação do Município em relação ao tema do trabalho e à outras questões de saneamento que estão interligadas. Foi previsto o estudo sobre drenagem e manejo de águas pluviais, onde existem dez volumes de relatórios que, por unanimidade, foi aprovado em votação na Câmara dos Vereadores no dia oito de novembro deste ano de 2011, seguem abaixo:

• Volume I: Diagnóstico dos Serviços de Saneamento Básico

• Volume II Avaliação Técnica do SES

• Volume III: Modelo de Gestão para os Serviços de Abastecimento de Água e de Esgotamento Sanitário

• Volume IV: Cenários Aplicados ao Saneamento Básico

• Volume V: Ações, Programas e Metas

• Volume VI: Indicadores de Acompanhamento e de desempenho

• Volume VII: Emergências na Área do Saneamento Básico

• Volume VIII: Participação, Regulação e Controle Social

• Volume IX: Minuta de Projeto de Lei Para Institucionalizar o Plamsab

• Volume X: Mapas

Até o presente momento estavam disponíveis para download no site da Prefeitura os seguintes documentos:

• Apresentação 12 de setembro 2011 - entrega do Plamsab

• Diagóstico Plamsab 4 de novembro 2011

• Modelo de Gestão Plamsab

• Vol 3 MODELO GESTÃO SAA E SES PLAMSAB IJUI 12 09 2011

• VOL IX PLAMSAB - PROJETO DE LEI 12 09 2011

(26)

26

• VOL VIII - PLAMSAB - PARTICIPAÇÃO REGULAÇÃO E CONTROLE SOCIAL 12 09 2011

O Volume V – Ações contempla um capítulo relacionado ao tema deste trabalho, sendo o Capítulo 6 – Ações na Área do Manejo de Águas Pluviais (Anexo B) que de maneira sucinta ilustram as ações que fazem parte do plano para o Município, conforme o quadro abaixo:

Quadro 3: Identificação das ações e metas – Manejo de Águas Pluviais

Fonte: PLANO MUNICIPAL DE SANEAMENTO BÁSICO PARTICIPATIVO DO MUNICÍPIO DE IJUÍ-RS (2011)

Como mostra o quadro 3, existem duas ações classificadas como emergenciais: Elaborar Plano Diretor de Manejo de Águas Pluviais e Identificação, mapeamento e correção dos pontos críticos de escoamento de água; ou seja, formatar as duas grandes bases do trabalho para que se possa aplicar as outras ações de maneira eficaz, pois sem o conhecimento real da situação do Município não basta estar munido de referenciais teóricos sem aplicá-los de acordo com a realidade local.

Ainda no Volume V, que trata das ações do Plamsab, no capítulo 4 (Anexo C), que trata das ações na área do esgotamento, uma delas é a implantação progressiva do sistema Separador Absoluto, onde os esgotos cloacais que hoje são lançados na rede pluvial serão coletados para uma rede exclusiva, deixando de poluir os arroios que cortam o Município e contribuindo para a eliminação de vários problemas decorrente desta situação, como o mau cheio em bocas-de-lobo e a proliferação de insetos nestes locais.

Nº AÇÃO Meta de

execução IDENTIFICAÇÃO

1-D E Elaborar Plano Diretor de Manejo de Águas Pluviais

2-D C Implantar projeto para emergências caracterizadas por períodos de estiagem (seca) e ou

chuvas intensas (alagamentos, inundações).

3-D C Propor tecnologias de baixo impacto como bacias de amortecimento e ou bacias de

contenção de águas pluviais para o contorle de inundações.

4-D M Implantar um programa de reassentamento de residências que estão nas áreas de risco.

5-D C Prever no Planejamento Urbanístico da cidade a reserva de áreas para a construção de

parques ou áreas de preservação permanentes.

6-D E Identificação, mapeamento e correção dos pontos críticos de escoamento de água.

7-D M Programa de recomposição da vegetação nas margens dos arroios e preservação de áreas

de preservação permanente (banhados).

8-D M Implantar e adotar medidas de controle estrutural de inundações.

9-D L Elaborar plano de construção, conservação e melhoria de vias rurais com diretrizes de

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27 Com a participação da UNIJUÍ no desenvolvimento do Plamsab, representada pelo professor Giuliano Crauss Daronco, co-orientador deste trabalho, e por alguns alunos do Curso de Engenharia Civil, foi possível ter acesso à outros documentos que ainda não estão disponíveis no site da Prefeitura e, portanto, não haviam sido aprovados durante a elaboração deste trabalho, mas no dia 21 de novembro deste ano de 2011 o Prefeito em exercício sancionou a Lei nº 5.532 de 11 de novembro de 2011, que dispõe sobre a Política Municipal de Saneamento Básico e o Plano Municipal de Saneamento Básico (Plamsab).

Um documento necessário à elaboração de um plano de águas pluviais é um mapa com a delimitação das bacias hidrográficas da área urbana, que até então não fazia parte do banco de dados da Prefeitura, mas que com o desenvolvimento do Plamsab este foi elaborado. No Anexo D é possível ver o mapa Bacias Hidrográficas Urbanas, onde o trecho delimitado como estudo de caso é englobado pela bacia hidrográfica de número dois.

(28)

28

2 METODOLOGIA

2.1 CLASSIFICAÇÃO DA PESQUISA

Um estudo de caso representa uma investigação de um fenômeno em seu estado natural, sendo esta uma das classificações da pesquisa que foi realizada, pois foi a partir da coleta de dados a campo que foi possível buscar respostas para a pergunta principal deste trabalho de conclusão.

Quanto à forma de abordagem esta pesquisa se enquadra tanto em quantitativa, com a apresentação dos dados dos índices pluviométricos de Ijuí e qualitativa, onde foram aplicados 75 questionários à população para detalhamento das situações vividas e também da estrutura oferecida.

2.2 PLANEJAMENTO DA PESQUISA

2.2.1 Procedimento de coleta e interpretação dos dados

Inicialmente a coleta de dados foi feita através da busca por registros históricos, sendo eles fotográficos ou documentais, principalmente no Museu Antropológico Diretor Pestana - MADP, onde a partir daí pode ser feita uma breve análise de como se deu o processo de formação e urbanização da cidade e como eram enfrentados os problemas relacionados às enchentes, assim como registros dos índices pluviométricos de nosso Município, obtidos através do Instituto Regional de Desenvolvimento Rural – IRDeR, que está vinculado ao Departamento de Estudos Agrários da UNIJUÍ, que foram trabalhados com a ajuda de software.

Para alcançar aos objetivos propostos neste trabalho, primeiramente, houve um contato com a Prefeitura Municipal, com os setores responsáveis ao tema, para tomar conhecimento de leis, documentos, mapas e quaisquer outras medidas que visam mitigar os problemas enfrentados pela população e também melhorar a qualidade do sistema de drenagem existente no município.

Quanto ao comportamento da população, foram feitos registros fotográficos e descritivos em relação à situação do sistema de drenagem urbana existente em nossa cidade e

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29 através dos questionários se pode avaliar quais as condições atuais e qual parcela de participação da população implica para as circunstâncias encontradas hoje.

Para fazer o comparativo da realidade quanto à estrutura existente no Município se procedeu a pesquisa bibliográfica, através de livros, artigos e consultas em trabalhos de conclusão de curso.

Com o levantamento de todos esses dados juntamente com o estudo da legislação existente no país, foram propostas soluções adequadas à situação de nossa cidade, levando em conta as particularidades, como a topografia, a densidade demográfica, o clima e a hidrografia.

2.3 ESTUDO DE CASO

2.3.1 Caracterização do Município de Ijuí

O histórico apresentado pela Prefeitura Municipal de Ijuí conta que a Colônia de Ijuhy foi fundada em 19 de outubro de 1890, e na língua Guarany seu nome tem significado de "Rio das Águas Claras" ou "Rio das Águas Divinas". Recebeu imigrantes de várias nacionalidades, se tornando conhecido nacionalmente pela união de diversas culturas. Teve o grande impulso ao seu desenvolvimento a partir de 1899, incentivando o assentamento de colonos com conhecimento de agricultura, principalmente de colônias mais antigas do Rio Grande do Sul.

Localiza-se nas latitude 28º38'15" e 28º38'70"sul e nas longitudes 53º88'43" 53º94'15"oeste, estando a uma altitude de 328 metros do nível do mar e sua temperatura média no inverno oscila entre -3 e 18 °C e no verão, entre 18 e 38 °C. A topografia é diversificada nos 639,81 m² de área territorial (Prefeitura Municipal de Ijuí – Poder Executivo), apresentando regiões de elevadas altitudes e cotas mais baixas as margens dos corpos hídricos. Em 2010 sua população era de 78.915 habitantes conforme o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística - IBGE.

Os dados dos índices pluviométricos obtidos com o IRDeR continham o somatório em milímetros de precipitação pluvial mensal desde 1963 até 2011, conforme o gráfico (Figura 5) e possível verificar uma maior intensidade pluviométrica nos meses de junho e setembro.

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30 Figura 5: Média Histórica de Precipitação Pluvial 1963 à 2011, Ijuí RS

Ijuí tem sua área urbana cortada pelos arroios Espinho, Moinho, Curtume e Matadouro e pelo Rio Potiribu, onde existe ocupação consolidada na grande maioria dos seus entornos, tornando-se áreas de risco, pois diante das áreas impermeabilizadas acabam recebendo diretamente a precipitação de uma boa porcentagem do território, sendo estes, modificados estruturalmente ou não, os meios de escoamento das águas pluviais.

A figura 6 é tida como o registro fotográfico mais antigo da cidade de Ijuí, tirado no ano de 1898, mira o lado oeste da cidade, o fotógrafo se colocou praticamente no topo da atual Praça da República visando em direção à ferrovia, mostrando que a ocupação da cidade se iniciou onde hoje fica a Rua do Comércio.

100,0 110,0 120,0 130,0 140,0 150,0 160,0 170,0 180,0

Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez

P re ci p it a çã o ( m m ) Mês

Média Histórica de Precipitação Pluvial

1963 à 2011 - Ijuí RS

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31 Figura 6: Foto do Município de Ijuí capturada por Hermann Meyer.

Fonte: Blog Educacional (2011)

Para início da caracterização deste estudo de caso, foi realizada uma visita ao Museu Antropológico Diretor Pestana – MADP, sendo um dos mantidos pela Fundação de Integração, Desenvolvimento e Educação do Noroeste do Estado – Fidene, tem como objetivo resgatar e preservar a memória regional, promover a cultura, a educação e o lazer. O foco da visita foi encontrar qualquer tipo de registro documental histórico de enchentes ocorridas no Município de Ijuí, tendo como resultado o conteúdo à seguir:

• A figura 7, recebida através de doação, é datada do ano de 1915, ilustra uma enchente ocorrida no riacho que corta a cidade, o Riacho do Moinho.

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32 Figura 7: Esquina da Rua do Comércio com a Rua 24 de Fevereiro, Ijuí/RS – 1915.

Fonte: MADP (2011)

Jornal Correio Serrano, ano XVIII, nº 89, data: 08/NOV/1939, Enchente. A notícia postada cita que às 7 e 30 da manhã o riacho que corta a cidade de Ijuí já teria atingido, em apenas 10 minutos de chuva, 6m de altura, porém, destaca que há anos a população não se sentia ameaçada de tal forma pelo mesmo.

Com a figura 8 adquirida junto ao Museu, é possível verificar os estragos na esquina da Rua do Comércio com a Rua 24 de Fevereiro, onde um muro foi derrubado pela força das águas.

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33 Figura 8: Esquina da Rua do Comércio com a Rua 24 de Fevereiro, Ijuí/RS – 1939.

Fonte: MADP (2011)

Jornal da Manhã, ano IV, nº 09, data: 31/JAN/1976, Caderno Suplemento Especial.

A notícia, postada em um caderno com retrospectivas do ano anterior, cita a necessidade de obras de saneamento para o Município, trazendo informações sobre a utilização de valas abertas para o escoamento de esgoto. Enaltecendo como a solução dos problemas do passado, informa sobre a canalização do Arroio Moinho e seus afluentes, bem como a canalização do Arroio Linha Base e Piscina.

Jornal da Manhã, ano XV, nº 76, data: 27/SET/1989, Ijuí é uma calamidade, pg. 5.

Na noticia, publicada há mais de 20 anos, já existe reclamação sobre a falta de um sistema de drenagem eficiente por parte do Departamento de Limpeza Pública, da Secretaria de Obras, expondo situações irregulares, como a construção de residências sobre tubulações, impedindo a realização de manutenção ou trocas para o caso de rompimento. Os bairros mais atingidos nesta enchente foram o Burtet, Progresso, Osvaldo Aranha, sofrendo com ruas

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34 alagadas e rompimento de muros. Ainda mostra uma comparação do volume pluviométrico com a mesma época do ano anterior, onde em 1988 houve 339,4mm de precipitação contra 371mm no ano de 1989.

Figura 9: Bairro Sertanejo, Ijuí/RS – 1989.

Fonte: MADP (2011)

Jornal da Manhã, ano XX, nº 40, data: 27/MAIO/1992, Saldo de estragos e desabrigados, pg 3.

Com algumas imagens, a reportagem cita várias áreas do Município que foram atingidas, como a esquina das ruas 14 de Julho e 24 de Fevereiro, o entrocamento em frente ao portão principal do Estádio 19 de Outubro, a Avenida Perimetral, no Bairro Burtet, apresentava 40 cm de água acumulada e ainda a baixada que dá acesso ao Campus Universitário da UNIJUÍ

Citou o transbordamento do Arroio Moinho, fazendo com que o seu capeamento estourasse, mencionando o entupimento de bocas de lobo com lixo e entulhos, e ainda grande quantia de lixo ocupando o canal do arroio.

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35 Foi apresentado um depoimento de uma moradora do cruzamento das ruas Ângelo Strapazon com General Portinho, no Bairro Tiarajú, onde ela informa que no mês de novembro do ano de 1990 foi feito um abaixo-assinado entre os moradores pedindo a colocação de bocas de lobo no local, porém nada foi feito.

Neste ano os bairros atingidos foram o Sertanejo, Progresso, Mundstock, Modelo II e São Paulo.

Figura 10: Esquina da Rua 24 de Fevereiro com a Rua Venâncio Aires, Ijuí/RS – 1992.

Fonte: MADP (2011)

Jornal Cidade, ano 3, nº 270, data: 27/MAIO/1992, A maior enchente das últimas décadas, pg. 6.

É destacada como a maior enchente desde a década de 40, onde novamente o Arroio Moinho transbordou, alagando as proximidades, como a feira livre em frente ao Estádio 19 de Outubro, além dos demais entrocamentos da Rua 24 de Fevereiro com Rua 14 de Julho, Rua Ernesto Alves e Rua do Comércio.

Os principais bairros atingidos foram o Sertanejo, São Paulo, Burtet, Progresso e Thomé de Souza.

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Jornal da Manhã, ano XX, nº 43, data: 06/JUN/1992, Esgoto pode virar área de lazer, pg 7.

A notícia diz que o Arroio Moinho deveria ter as suas margens, por 30 metros, arborizadas e desocupadas, como foi dito no Plano Diretor aprovado na época, pois seria uma Área de Preservação Ambiental.

O grande destaque seria o uso do arroio para despejo de esgoto cloacal, sendo algo ilegal, indicando como solução a construção de uma canalização para o esgoto paralela ao canal já existente.

Jornal da Manhã, ano XX, nº 43, data: 06/JUN/1992, Enchente mostra a necessidade de Urbanização, pg 7.

Com a conclusão do Plano Diretor no ano de 1991, a reportagem mostra que por lei haveria proibição da ocupação de áreas de risco, como áreas de declividade elevada, e ainda cita os índices urbanísticos para taxa de ocupação, onde na zona central da cidade seria permitido até 70% e nos demais bairros seria de 50%, criando uma área de permeabilidade no solo para reduzir as águas a serem conduzidas para os arroios que cortam a cidade.

Figura 11: Rua 24 de Fevereiro próximo à esquina com Rua Ernesto Alves, Ijuí/RS – 1992.

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Jornal da Manhã, ano XXIII, nº 104, data: 12/SET/1995, Arroio Moinho: capeamento do canal esta praticamente pronto, pg. 5.

Mostra que neste ano foram concluídas 90% das obras de recapeamento do Arroio Moinho, totalizando em 7.400m² de área.

Diante dos registros encontrados, é possível concluir que há praticamente 100 anos a cidade sofre com enchentes localizadas nos mesmos pontos, caracterizadas pelo transbordamento do arroio que corta a área central da cidade, devido à falta de capacidade de escoamento da água da chuva e à ineficiência do sistema de drenagem para absorver e conduzir de maneira segura as águas provenientes das regiões mais elevadas da cidade para locais distantes da área urbana.

Neste trabalho foram mostradas as diversas etapas do crescimento da cidade, como as primeiras zonas ocupadas, a impermeabilização das ruas, qual o impacto gerado nas hidrografias que banham a cidade e outras informações necessárias para basear o estudo na situação atual e o que poderia ser mudado para tornar mais eficaz o sistema de drenagem urbana existente em nossa cidade.

2.3.2 Caracterização da Bacia Hidrográfica do Rio Ijuí

Uma bacia hidrográfica é definida pela área onde ocorre a captação de água (drenagem) para um rio principal e seus afluentes devido às suas características geográficas e topográficas.

De acordo com a Fundação Estadual de Proteção Ambiental Henrique Luis Roesseler -FEPAM, a Bacia Hidrográfica do rio Ijuí situa-se a norte-noroeste do Rio Grande do Sul, entre as coordenadas 27º45' e 26º15' de latitude Sul e 53º15' e 56º45' de longitude Oeste, com uma área de drenagem de 10.649,13 Km² e com 337.249 habitantes distribuídos em 20 municípios. Seus principais formadores são os rios: Ijuizinho, Conceição, Caxambu, Faxinal, Fiúza, Palmeira e Potiribu, sendo este último um dos rios que corta a área urbana do município de Ijuí.

Com o desenvolvimento do trabalho, se buscou caracterizar as micro bacias que abrangem a área urbana de Ijuí, pois elas formam a macro drenagem, parte do sistema drenagem urbana.

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38

2.3.3 Caracterização do Local de Estudo

Diante do estudo prévio realizado em todo o território urbano do Município de Ijuí, foi definido um local de estudo para que o resultado obtido pudesse ser de maior qualidade. Para a realização do estudo foi selecionado um trecho do Arroio Moinho, delimitado pelas ruas Bento Gonçalves e Tiradentes abrangendo desde a Rua 14 de Julho até a Rua Dr. Roberto Löw. O arroio se situa basicamente na Rua 24 de Fevereiro, eixo do trecho delimitado, para a visualização na Figura 12 foram feitas hachuras nas quadras pertencentes ao trecho.

Figura 12: Localização do trecho de estudo na área urbana de Ijuí

Fonte: Adaptado Prefeitura Municipal de Ijuí (2008)

Com o perfil topográfico da Rua do Comércio (Figura 13), é possível identificar a variação das cotas no Município. Bem no centro encontra-se a Rua 24 de Fevereiro, eixo do trecho selecionado para o estudo, com cota aproximada de 285m, à sua esquerda a cota mais alta é a Rua São Francisco, com cota aproximada de 340m e à direita a cota mais alta é a Rua 15 de Novembro, com cota aproximada 330m. A declividade encontrada à direita foi de 7,5% e à esquerda foi de 9,5%.

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39 Figura 13: Perfil Topográfico Rua do Comércio – Ijuí

Fonte: Azambuja e Callai et al (1994)

As altas declividades indicam a preocupação com o funcionamento do sistema, pois se houver casos de interrupção na infiltração nas bocas-de-lobo o escoamento superficial será muito grande e quando atingir as cotas mais baixas poderá represar até infiltrar totalmente no solo ou nas bocas-de-lobo do local.

O arroio corta a zona central da cidade, e neste trecho foi percebido que o mesmo apresenta estruturas diversas ao seu longo. O Arroio Moinho tem um trecho modificado estruturalmente pelo “canal” (Figura 14), onde foi criada uma estrutura do tipo galeria para modificar a direção de acordo com a estrutura viária já existente no município. Ao fim dessa estrutura o arroio é canalizado de maneira subterrânea (Figura 15), mas seguiu o curso natural deixando de ficar localizado no centro das vias. Por fim o arroio fica à céu aberto, seguindo seu curso natural sem nenhuma modificação causada pelo homem, recebendo águas de um afluente de nascente próxima (Figura 16).

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40 Figura 15: Arroio Moinho com canalização subterrânea

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41 Este trecho recebe uma grande quantidade de águas pluviais provindas de zonas mais altas das proximidades, que devido às grandes áreas impermeabilizadas acabam criando um escoamento superficial de grande volume.

Sendo um local central, com comércio e residências, recebe um fluxo de pedestres e veículos muito grande, consequentemente o volume de lixo gerado é compatível. Este foi um grande problema visualizado na visita à campo do local, onde foi possível perceber grande concentração de lixo nas poucas bocas-de-lobo existentes neste trecho.

Após a delimitação do trecho selecionado como estudo de caso foi estimada a população daquele local, para isto realizou-se uma contagem manual através de visitas à campo, totalizando 256 edificações: 166 residências, 8 edifícios multifamiliares, 17 residências com comércio e 65 comércios. Para encontrar um parâmetro confiável foi contatado o Departamento Municipal de Energia de Ijuí - DEMEI e a Companhia Riograndense de Saneamento - CORSAN, fornecedores de energia elétrica e água, respectivamente, para obter o total de ligações existentes na região. Com a CORSAN não foi possível obter os dados, pois a mesma utiliza em seu sistema uma divisão por ruas e não por quadras, dificultando a contagem. Já com o DEMEI foi obtido um mapa constando as 16 quadras do estudo e as ligações existentes em cada uma delas, conforme Anexo E, totalizando 294 ligações.

Baseado no dado da contagem à campo, o Professor Antônio Edson Corrente, graduado em Ciências e Matemática e Mestre em Modelagem Matemática na Universidade Regional do Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul, calculou a validação estatística da amostra. A partir dos parâmetros: média=19 e desvio padrão=5,67, o tamanho mínimo de uma amostra que garante um nível significativo de 95% com um erro relativo de 5% é de n = 73,34373 → n = 74, ou seja, 74 respondentes da população total.

Desta forma, foi aplicado um questionário para a população selecionada (Anexo F), onde a partir dos resultados foi possível analisar o comportamento da população em relação à drenagem urbana no trecho em questão.

Para um resultado mais preciso, os questionários foram distribuídas entre as 16 quadras do trecho, procurando manter um equilíbrio entre as ocupações conforme sua incidência na contagem inicial realizada à campo (Tabela 01 e Figura 17).

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42 Tabela 01: Distribuição por tipo de edificação e localização no trecho do estudo de caso

QUADRAS Residência Comércio Residência+Comércio Multifamiliar

1 2 2 3 3 2 1 3 1 2 1 4 1 4 5 4 3 1 6 3 2 2 7 3 3 8 3 1 1 9 1 1 1 10 4 2 1 11 3 12 4 13 5 14 2 15 3 16 2 TOTAL 39 24 9 3 75

Figura 17: Gráfico da distribuição por tipo de edificação

52% 32% 12% 4%

Tipo de Edificação

Residência Comércio Residência+Comércio Multifamiliar

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43 A distribuição da amostra por sexo, o resultado foi de 59% feminino e 41% masculino, sendo que a distribuição pela faixa etária segue no gráfico abaixo. (Figura 18)

Figura 18: Gráfico da distribuição por faixa etária

3% 7% 21% 33% 16% 20%

Faixa Etária

< 20 20 à 30 30 à 40 40 à 50 50 à 60 60 >

(44)

44

3 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS

3.1 ASPECTOS LEGAIS

Em busca da posição do órgão público municipal em relação ao tema, se obteve alguns mapas que de alguma maneira contribuem para o conjunto de informações necessárias para o desenvolvimento de um Plano de Águas Pluviais ou Plano de Drenagem Urbana. Cabe salientar que alguns mapas estavam disponíveis no site da Prefeitura e outros foram obtidos com o arquiteto da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano.

Neste trecho do trabalho os mapas serão apresentados contendo as quadras definidas como o estudo de caso, nos anexos citados adiante estão os mapas completos.

O mapa do Anexo G localiza os arroios e o rio citados no início do trabalho quecortam a cidade acrescentando o “arroio do canal”. Percebe-se que o município é bastante provido de corpos hídricos, os quais devem ter seus espaços respeitados para que não aconteçam problemas como alagamentos, inundações e enchentes, para isto basta seguir o Plano Diretor do Município e respeitar os devidos parâmetros para cada caso.

A figura 19 mostra o trecho do estudo de caso, sendo possível visualizar uma nascente caracterizada por um círculo, um banhado caracterizado pela área hachurada em cruzes, dois afluentes do Arroio Moinho caracterizados pela linha tracejada e o próprio arroio canalizado e posteriormente à céu aberto demarcado pela linha contínua, as linhas em verde demarcam a área de preservação permanente, o mesmo acontece no perímetro do banhado.

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45 Figura 19: Mapa Hidrografia Natural - Trecho do estudo de caso

Fonte: Adaptado de SMDU (2010?)

Desenvolvido pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano, o mapa do Anexo H, possui uma legenda classificando em três categorias os pontos críticos, sendo como alto e médio risco dois pontos cada e o restante de baixo risco, com vinte e oito locais, totalizando trinta e dois pontos críticos. Não existem informações à respeito das numerações e traços na cor magenta presentes no mapa.

Com este mapa (Anexo H) é possível identificar que os pontos críticos atingem diversas regiões do perímetro urbano de Ijuí, não ficando concentrados em locais restritos, exaltando a necessidade de um estudo geral para toda a zona urbana e após a verificação da possibilidade de aplicação de soluções em cada ponto indicado no mapa.

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46 Figura 20: Mapa Pontos Críticos da Drenagem Urbana - Trecho do estudo de caso

Fonte: Adaptado de SMDU (2010)

Desenvolvido pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano, o mapa presente no Anexo I apresenta a drenagem urbana do Município, porém não possui legenda, porém deduz-se que o mesmo apresenta as tubulações, caracterizadas pela linha magenta e o diâmetro de cada trecho indicado pela numeração paralela às linhas.

Na figura 21 com o trecho de estudo é possível visualizar com maior detalhe os dados do mapa que estão presentes no trecho, porém não se pode identificar o que representam.

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47 Figura 21: Mapa Drenagem Urbana - Trecho do estudo de caso

Fonte: Adaptado de SMDU (2010)

O mapa (Anexo J) não possui legenda para orientar quanto às definições presentes no mesmo, porém se conclui que identifica a tubulação para coleta de águas pluviais no perímetro central do município com suas inclinações e diâmetros. Pode-se notar que a zona central do Município, onde aconteceram as primeiras ocupações, se mostra bastante equipada em relação às zonas mais periféricas da cidade.

O mapa (Figura 22) é apenas um recorte do mapa total da área urbana e o mesmo não contempla todo o trecho selecionado como estudo de caso, encerrando na Rua 25 de Julho.

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48 Figura 22: Mapa Rede de Esgoto Pluvial - Trecho do estudo de caso

Fonte: Adaptado de SMDU (s/d)

A figura 23 indica a porcentagem territorial ocupada conforme uma divisão criada no perímetro urbano, o trecho do mapa (Anexo K) está mostrando a classificação do local do estudo de caso juntamente com a área central com a maior concentração demográfica, indicando o quão necessário é criar um bom plano de drenagem e projetar para possíveis

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49 ocupações maiores que poderão acontecer em outras zonas da cidade, afinal a área permeável diminui e aumenta o escoamento superficial que atinge as cotas mais baixas.

Figura 23: Mapa Taxa de Ocupação por Setor - Trecho do estudo de caso

Fonte: Adaptado de SMDU (?2010)

O mapa do Anexo L mostra a condição do sistema viário, possui legenda indicando as vias asfaltas e calçadas, onde o restante pode se considerar não pavimentado. A pavimentação de um município é de grande importância para um estudo de drenagem, como acabam se tornando áreas quase que 100% impermeáveis elas fazem com que o fluxo de águas da chuva recebido escoe quase que totalmente através do traçado das ruas direcionando às cotas mais baixas, normalmente os arroios.

O mapa da figura 24 possui o trecho selecionado para o estudo, e apresenta uma desconformidade ao indicar um trecho da Rua 24 de fevereiro com calçamento, entre as ruas 12 de Outubro e 25 de Julho, sendo que a mesma encontra-se sem pavimento.

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50 Figura 24: Mapa Calçamento e Asfalto - Trecho do estudo de caso

Fonte: Adaptado de SMDU (2010)

O mapa (Anexo M) classifica quadra à quadra a área total construída somando todos os lotes, com a metragem indicada na legenda. A zona central, salvo algumas exceções mais distantes, apresenta as construções maiores, ou seja, maiores áreas impermeabilizadas. A taxa de ocupação deve ser respeitada e fiscalizada para que em novas construções ainda exista a porção do terreno permeável para aumentar o volume de água que penetra no solo percorrendo seu ciclo natural e diminuindo a o volume de água no escoamento superficial e consequentemente nos arroios que percorrem a zona urbana. A seguir o trecho do estudo de caso é visualizado na Figura 25.

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51 Figura 25: Mapa Ocupação Urbana de Ijuí - Trecho do estudo de caso

Fonte: Adaptado de SMDU (2010)

3.2 ASPECTOS TÉCNICOS

Como citado na revisão bibliográfica, as medidas estruturais são as estruturas físicas existentes no Município que compõem o sistema de drenagem, mesmo ele sendo falho existem algumas obras de engenharia presentes em Ijuí.

O local em estudo contêm 16 quadras (Figuras 27 à 34), com medidas aproximadas de 100m por 100m cada uma. Na figura 26 apresentou-se a distribuição de bocas-de-lobo por quadra, verificando que conforme o afastamento das ruas principais o número de bocas-de-lobo diminui significativamente.

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52 Figura 26: Gráfico com a quantidade de bocas-de-lobo por quadra

Figura 27: Quadras 1 e 2 do trecho estudado

Fonte: Adaptado de Google Earth (2011)

11 7 8 4 5 3 3 2 3 6 3 3 2 0 1 0 0 2 4 6 8 10 12 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14 15 16

Quantidade de Bocas-de-Lobo por

Quadra

(53)

53 Figura 28: Quadras 3 e 4 do trecho estudado

Fonte: Adaptado de Google Earth (2011)

Figura 29: Quadras 5 e 6 do trecho estudado

Fonte: Adaptado de Google Earth (2011)

Figura 30: Quadras 7 e 8 do trecho estudado

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54 Figura 31: Quadras 9 e 10 do trecho estudado

Fonte: Adaptado de Google Earth (2011)

Figura 32: Quadras 11 e 12 do trecho estudado

Fonte: Adaptado de Google Earth (2011)

Figura 33: Quadras 13 e 14 do trecho estudado

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55 Figura 34: Quadras 15 e 16 do trecho estudado

Fonte: Adaptado de Google Earth (2011)

Durante as visitas à campo, foram fotografadas as 61 bocas-de-lobo existentes no trecho e foi percebido que não existe um padrão para formato ou dimensões na execução. Buscando encontrar características em comum verifica-se que 13 delas possuem dobradiças para permitir abertura e limpeza do seu interior, como na de número 39 (Figura 35), localizada na quadra número 07 (Figura 30), que durante a visita ao trecho houve um encontro casual com a equipe de manutenção e limpeza da Secretaria de Obras do Município que estava realizando a limpeza da mesma.

Figura 35: Boca-de-lobo número 39, aberta para execução da limpeza

Pela vasta arborização do entorno, o volume de material orgânico presente no interior da boca-de-lobo foi capaz de entupir a mesma e juntamente com a grande quantidade de lixo

Referências

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