INQUÉRITO SERO-EPIDEMIOLÓGICO DA
INFEÇÃO POR SARS-CoV-2 EM CABO VERDE
1
INSTITUTO NACIONAL DE ESTATISTICA
CABO VERDE
A todos os…
❑ inquiridores,
❑ supervisores,
❑ condutores, que colaboraram neste estudo…
Agradecemos principalmente a todos os participantes que entenderam a importância dessa investigação e deram o seu
tempo, as informações e autorizações para se entender melhor a evolução da pandemia de COVID-19 em Cabo Verde.
Todos os parceiros em geral
Situação 28/07/2020
fONTEhttps://gisanddata.maps.arcgis.com/apps/opsdashboard/index.html?fbclid=IwAR2pADvHxqfFZSh2-jseBt0_6JH1dIyv7NUfPkZfUj9HOOjx-gzH6WNrR3U#/bda7594740fd40299423467b48e9ecf6 Casos confirmados óbitos Mundo 16 495 309 654 327Justificativa
17 August 2020 5 Primeiro caso reportado de infeção pelo SARS-CoV-2 no país: Boavista (turista inglês) Primeiro cabo-verdiano diagnosticad o fora da ilha da Boavista (importado) Transmissã o local – A partir de Ilhas afetadas Santiago, Sal, Boavista, São Nicolau, São Vicente, Santo Antão e Maio. 19 /03/2020 24 /03/2020 28/03/2020 SituaçãoActual❑Em Cabo Verde, havia a necessidade de se realizar um primeiro
estudo/inquérito em todo o território nacional, visando investigar a exposição ao SARS-CoV-2 na população cabo-verdiana, através da
determinação de presença de anticorpos contra o vírus em amostra sanguínea bem como analisar os principais fatores socioeconómicos
epidemiológicos e clínicos relacionados com esta infeção.
Geral
Analisar a seroprevalência e o perfil da infeção pelo SARS-COV-2 na população cabo-verdiana.
Específicos
❑ Estimar a seroprevalência da infeção pelo SARS-CoV-2 na população
cabo-verdiana;
❑ Identificar e caracterizar as condições demográficas,
socioeconómicas, epidemiológicas e clínicas implicadas na dinâmica da epidemia.
❑
Trata-se de um estudo observacional, transversal de
âmbito nacional, abrangendo cerca de 2750 agregados
familiares, inquirindo entre 5000 a 6500 indivíduos residentes
de 10 e 80 anos.
❑
Realizado em todos os 22 concelhos de Cabo Verde,
❑
Foi adotada uma abordagem abrangente, em termos de
temáticas e da população envolvida,
❑
Os procedimentos técnico-metodológicos operacionais
assegurados pelo INE com o apoio da equipa técnica.
METODOLOGIA: DESENHO DO ESTUDO, POPULAÇÃO E MÉTODOS
❑Amostragem probabilística com estrutura bietápica estratificada por concelhos(domínio de análise) com seleção de agregados familiares pelos métodos aleatórios e independentes em duas etapas:
✓ Primeira etapa: escolha de Distrito de Recenseamento (DR) como
Unidade Primária de Amostra (UPA)
✓ Segunda etapa: escolha de agregados como Unidade
Secundária de Amostragem (USA) em cada UPA
✓ Representatividade: nacional e por concelho, margem de erro máximo de 5% nível e confiança de 95% para estimar o principal indicador “taxa de incidência acumulativa máxima de 5%
independente em cada concelho.
METODOLOGIA (…) Amostragem e dimensionamento da amostra
❑Controlo de qualidade (1)
➢Formação e treino dos inquiridores com aulas práticas
➢Sessões práticas para testar o questionário (a clareza das questões, a
aplicabilidade, a adequabilidade e o seu manuseio principalmente a utilização e preenchimento de formulário no Tablet)
➢Incorporação no SGI das regras de controlo de salto, filtro e de
controlo de consciência dos mesmos, previamente parametrizados, testados e validados.
❑Controlo de qualidade (2)
➢Missões de supervisão feitas de uma forma regular no início, no meio
e no fim da recolha.
❑Controlo de qualidade (3): Revisitas ao entrevistado em períodos
diferentes
❑ Falta de evidencias científicas conclusivas, até a data, em relação ao desenvolvimento da imunidade após a infeção pelo SARS-CoV-2 e a baixa sensibilidade dos testes rápidos
➢ Utilização de TDR que detetam anticorpos totais com sensibilidade
99%
❑ Limitações dos métodos de amostragem e dos objetivos
➢ Não se conhece a prevalência real da doença na população
➢ Amostra estimada a partir de um cenário baseado em países com
elevada prevalência (de Espanha), com valor médio estimado de 5%.
❑O projeto foi submetido e aprovado pela CNPD e CNEPS;
❑Os participantes foram informados acerca dos objetivos e da finalidade do estudo e assinaram um termo de consentimento informado (termo de assentimento livre e informado para menores de 18 anos);
❑A cada participante/questionário a plataforma gera
automaticamente um código de identificação único para garantir o sigilo e a confidencialidade dos dados individuais em todo o processo da sondagem de opinião (recolha e análise dos dados).
PROCEDIMENTOS ÉTICOS E DE PROTEÇÃO DE DADOS
❑Inquiriu-se total de 5348 indivíduos de 10 a 80 anos
❑Cerca de 11% residem no
concelho a Praia, seguido de S.Vicente (7%) ❑57% do sexo feminino e 43% do sexo masculino. 2,93,1 3,23,3 3,43,6 3,73,7 3,84,2 4,34,4 4,44,6 4,64,7 4,74,8 5,3 5,3 6,5 11,4 0,0 2,0 4,0 6,0 8,0 10,0 12,0 Mosteiros Ribeira Brava Tarrafal São Miguel Tarrafal SN São Salvador do Mundo Maio Paul Boavista Santa Catarina Fogo São Filipe Sal Brava Ribeira Grande Ribeira Grande Santiago Porto Novo São Lourenço dos Órgãos São Domingos Santa Catarina Santa Cruz São Vicente Praia Idade média=35 anos Idade mediana=32 anos PRINCIPAIS RESULTADOS
Distribuição por concelho(%)
Estado Civil (%) Nível de escolaridade (%) Caracterização sociodemográfico 6,8 38,7 44,9 9,6 0,0 10,0 20,0 30,0 40,0 50,0 60,0 70,0 80,0 90,0 100,0 67,2 26,3 3,6 2,9 0,0 10,0 20,0 30,0 40,0 50,0 60,0 70,0 80,0 90,0 100,0
Atividade laboral (%) 7,4 11,1 14,8 18,6 21,3 26,8 0,0 10,0 20,0 30,0 40,0 Trabalho a tempo parcial
Trabalho por conta propria Domestica(o) Trabalho a tempo inteiro Sem trabalho Estudante 1,6 1,9 3,5 5,2 9,9 11,5 33,0 33,5 0,0 20,0 40,0 Cuidador de pessoas dependente Saúde sem atendimento
clínico
Saúde com atendimento clínico Transporte Limpeza Forças de segurança, bombeiro Outro setor Coméricio Ramo de atividade (%)
❑Rendimento médio é de 40 905 $00 e, em cerca de 50% dos agregados o rendimento agregado mensal não ultrapassou 23 130 $00.
Rendimento mensal
agregado familiar
29,4 44,1 18,2 8,4 0,0 10,0 20,0 30,0 40,0 50,0 60,0 70,0 80,0 90,0 100,0 Até 13 mil escudos De 14 a 45 mil escudos De 46 a 99 mil escudos Mais de 100 mil escudos Distribuição rendimentos (%)90,9 8,8 Moradia independente Apartamento Outro Tipo 44% 56% Masculino Feminino Tipo de habitação (%) Sexo do representante do agregado familiar (%)
Condições de habitabilidade
Densidade média era de 1,8 indivíduos por quarto 4,3 13,5 26,9 24,9 14,8 15,6 0,0 5,0 10,0 15,0 20,0 25,0 30,0 35,0 40,0 1 2 3 4 5 6 ou + 16,6 36,7 30,0 11,5 3,6 1,6 0,0 5,0 10,0 15,0 20,0 25,0 30,0 35,0 40,0 1 2 3 4 5 6 ou + Condições de habitabilidade (…)
Nº Divisões do alojamento Nº Divisões para dormir
51% dos inquiridos residiam em alojamentos com 3 ou 4 divisões 67% de indivíduos residem em alojamento com 2 a 3 compartimentos para dormir
❑ 9 em cada 10 pessoas viviam em alojamento com acesso à energia elétrica e,
❑ 3 em cada 4 (cerca de 77%) dos indivíduos residiam em alojamentos
que dispunham de água potável
93,4 6,6 Sim Nao 76,6 23,4 Sim Não Acesso à eletricidade (%)
Condições de habitabilidade (…)
Acesso à água (%)Avaliação sobre a Disponibilidade de água nos agregados familiares 0,6 13,7 26,3 29,1 30,2 0,0 10,0 20,0 30,0 40,0 50,0 60,0 Agua
engarrafada Vizinho Chafariz Outra fonte Autotanque
22,3 53,0 21,9 2,8 0,0 10,0 20,0 30,0 40,0 50,0 60,0 Muito pouca
(insuficiente) Em quantidadesuficiente disponibilidadeTem boa de agua
Nao tem falta de agua
Principal forma de abastecimento (quem não tem água canalizada!)
Acesso ao saneamento 58,3 31,9 9,2 0,7 0,0 10,0 20,0 30,0 40,0 50,0 60,0 70,0 Sanita com
autoclismo autoclismoSanita sem sanita nemNao tem latrina Latrina 64,1 25,7 7,9 2,3 0,0 10,0 20,0 30,0 40,0 50,0 60,0 70,0 Colocado em
contentor Recolhido pelocarro de lixo Enterrado /queimado Jogado aoredor da casa/Natureza
Condições de habitabilidade:
Principal forma de evacuação do lixo Acesso às instalações sanitárias98,8 1,0 ,2 0,0 10,0 20,0 30,0 40,0 50,0 60,0 70,0 80,0 90,0 100,0 Sim Nao/Nunca ND 65,6 28,1 5,9 ,4 0,0 10,0 20,0 30,0 40,0 50,0 60,0 70,0 80,0 90,0 100,0 Sempre/varias
vezes ao dia Algumas vezesao dia Poucas vezesao dia Nao responde
Ambiente e comportamento comunitário
Higienização das mãos
Hábito de lavar as
mãos? Frequência da
Saídas de casa durante estado de emergência (%) 3,3 4,8 6,2 18,6 19,9 81,1 0,0 10,0 20,0 30,0 40,0 50,0 60,0 70,0 80,0 90,0
Para encontro com amigos para participar em eventos
Para visitar a lugares de culto religioso Para participação de evento familiar Para ir trabalhar (exercer actividade laboral) Para reunião com amigos ou familiares Para ir fazer compras
Ambiente e comportamento comunitário
Frequência de manutenção do distanciamento social (%)
97 % da população inquirida referiu manter o
distanciamento social sendo que apenas 58% referiram
manter o distanciamento social sempre ou várias vezes. 57,5 29,2 8,4 2,8 2,2 0,0 10,0 20,0 30,0 40,0 50,0 60,0 70,0 Sempre/varias
vezes Algumas vezes Poucas vezes Nao/Nunca Nao sabe/Naoresponde
Ambiente e comportamento comunitário
Uso de máscaras faciais na rua após início da pandemia % Sempre/várias vezes 68,5 Algumas vezes 25,8 Poucas vezes 5,2 Não responde 0,4 Total 100,0 Ambiente e comportamento comunitário 74,6 23,8 1,5 Sim Nao/Nunca ND
Utilizou máscaras faciais sempre que
Uso de máscaras faciais na rua após início da obrigatoriedade % Sempre/várias vezes 59,8 Algumas vezes 30,9 Poucas vezes 8,9 Não responde ,2 Total 100 Ambiente e comportamento comunitário
Utilizou mascaras após o decreto do uso obrigatório em locais públicos…
98,3 1,5 ,2 Sim Nao/Nunca ND Frequência de utilização (%)
Tipologia de máscaras utilizadas durante saídas à rua após declaração da obrigatoriedade
Efetivo %
Certificadas pelos serviços públicos 1424 29,4
Fabrico comunitário /fabricado por terceiro não certificado 3164 65,4
Mascaras de fabrico próprio não certificado 238 4,9
Não Responde 3 0,1
ND 9 0,2
Total 4838 100,0
✓ Correlação significativa entre higienização frequente das mãos e comorbilidades (p=0,002). ✓ Pode-se inferir que as pessoas com doenças crónicas, por serem consideradas grupos
vulneráveis, procuram seguir tal orientação.
✓ Não obstante, a correlação entre presença de comorbilidades e manter o distanciamento
social, e entre presença de comorbilidades e uso de máscaras com frequência não foi
estatisticamente significativa (p=0,383 e p=0,261).
Ambiente e comportamento comunitário
1,1% 1,1% 1,1% 1,1% 1,6% 1,8% 1,8% 2,3% 2,8% 5,5% 5,7% 6,2% 6,7% 9,4% 12,0% 13,8% 26,2% 41,1% 0,0% 5,0% 10,0% 15,0% 20,0% 25,0% 30,0% 35,0% 40,0% 45,0% Rash cutânea Nausea/Vomito Perda subita do olfato e do gosto Sinais neurologicos Conjuntivite Calafrio Perda de apetite Falta de ar (Dispneia) Dor nas articulacões (artralgia) Diarreia Dor de barriga Dor muscular (mialgia) Outros sintomas respiratorios Febre >38ºC Coriza (Rinorreia) Dor de garganta Tosse Dor de cabeca Fatores relativos ao Coronavírus 9,1 90,9 Sim Nao ND
Presença de sintomas de infeção por coronavírus desde início da pandemia (%)
Necessidade de assistência médica devido a sintomas gripais ou de infeção por coronavírus desde início da pandemia
❑Cerca de ¼ dos inquiridos que referiram sintomas procuraram serviço
de saúde.
❑A maioria fez isso num período no máximo 7 dias (85%).
24,5 75,2 0,3 Sim Nao 44,0 41,7 7,1 7,1 0,0 10,0 20,0 30,0 40,0 50,0 Menos de
2 dias De 2 a 7dias 7 dias oumais ND
Tempo que procurou serviço de
saúde após início dos sintomas
Fatores relativos ao Coronavírus
Tipo de serviço de saúde procurado devido à sintomas gripais ou de infeção por coronavírus desde início da pandemia
❑ Quase 98% dos inquiridos procurou serviços de saúde devido a sintomas de coronavírus. Desses, 4,8% foram hospitalizados e 2,4% isolados.
1,2 38,1 57,1 2,4 1,2 0,0 10,0 20,0 30,0 40,0 50,0 60,0 70,0 80,0 90,0 100,0
Linha Verde Banco de
urgência saúde/PostoCentro de de saúde Clinica particular ND 4,8 2,4 91,7 1,2 0,0 10,0 20,0 30,0 40,0 50,0 60,0 70,0 80,0 90,0 100,0 Sim.
hospitalizado Sim. Isolado hospitalizadoNem nem isolado ND Fatores relativos ao Coronavírus Hospitalização/Isol amento devido à sintomas gripais ou de infeção por coronavírus desde início da pandemia
❑Tabagismo Dos inquiridos, 7,8% referiram ser fumadores. ❑uso abusivo de álcool Prevalência do uso de álcool nos últimos 30 dias Quase um quarto dos inquiridos (22,4%) referiu uso de
bebidas alcoólicas nos últimos 30 dias.
Efetivo %
Sim 224 18,8
Não 916 76,8
Não sabe/Não responde 52 4,4
Total 1192 100,0
Percentagem de indivíduos relatando necessidade de beber menos
18,1
81,3
,6
Sim Nao ND
Alguma vez se sentiu mal ou culpado (a) pela sua forma de beber
Tipologia de doenças crónicas (%)
As doenças crónicas mais referidas pelos inquiridos foram a hipertensão arterial (58,8%), diabetes (23,1%).
18,0
81,4
,6
Sim Nao ND
Tem doenças crónicas?
0,2 0,6 1,4 1,8 2,7 3,0 4,3 5,9 6,6 20,9 20,9 22,8 58,8 0,0 10,0 20,0 30,0 40,0 50,0 60,0 70,0 HIV/SIDA Cancro D. Hepática D. Hematologico D. Pulmonar Obesidade Desordem neurologico Asma Cardiopatia D. Renal Outras condições Diabete Hipertenção
❑ Dos inquiridos, seis indivíduos (0,1%) referiu ter tido um diagnóstico prévio de COVID-19.
❑ Desses, todas referiram sentimento de baixa autoestima
associado com o diagnóstico e nenhum referiu sentir vergonha por ter testado positivo.
❑ Dos inquiridos, 21pessoas (0,4%) testaram positivos para o “teste rápido ara deteção de
anticorpos”
❖ A maioria no concelho do Sal
(67%), seguido do concelho do Maio (14%), Praia (9,8%),
❖ A incidência cumulativa nesses
concelhos fora respetivamente 6% no Sal, 1,5% no Maio, 0,3% na Praia e 4,8% em Ribeira Brava e São Domingos.
Resultados do teste rápido
Distribuição (%) testes positivos por Concelho 4,8 4,8 9,5 14,3 66,7 0,0 20,0 40,0 60,0 80,0 100,0 Ribeira Brava São Domingos Praia Maio Sal
❑Dos casos positivos: 86% são do sexo feminino, correspondendo a uma incidência cumulativa de 0,6% na população feminina;
❑Entre os homens esta taxa é de 0,1%.
Sexo
Total
Masculino Feminino
Resultado
teste PositivoNegativo 22463 302518 527121
Recusa/incapacitado 20 15 35
Total 2269 3058 5327
Resultado do teste rápido por sexo
40,0 15,0 20,0 20,0 5,0 0,0 5,0 10,0 15,0 20,0 25,0 30,0 35,0 40,0 45,0 10-19 20-29 30-39 40-49 50-59
Resultado do teste rápido por grupo etário
Distribuição de testes
positivos segundo idade (%)
0,62 0,28 0,41 0,61 0,16 0,00 0,00 10-19 20-29 30-39 40-49 50-59 60-69 70 -80
RISCO DO TESTE + POR GRUPO ETÁRIO
❑ Mostra a realidade atual da pandemia em Cabo Verde, com a maior distribuição e incidência cumulativa de casos positivos na ilha de Sal.
❑ Permite fazer um balanço do desenvolvimento da infeção por concelho, tentando detetar como prever potenciais novos focos de infeção a nível local.
❑ Comparando os resultados deste estudo com os boletins epidemiológicos nacionais para COVID-19, publicados há uma semana antes do inquérito até uma semana
depois, há uma relação entre os casos positivos encontrados e focos locais para Covid-19 para Ribeira Brava (8 casos a 5 de julho de 2020), São Domingos (1 caso a 3 de julho e um segundo caso a 8 de julho de 2020) e Maio (2 casos suspeitos a 28 de Junho de 2020).
❑ Em relação à interpretação dos dados obtidos para Praia, principal foco da infeção pelo SARS-CoV-2 no país, há que tomar uma certa cautela devido a que a amostra atingida foi um pouco menor que aquela estimada como significativa na definição do estudo, com uma margem de erro de 5%. Como era esperável, Praia foi um dos cinco concelhos com testes positivos do estudo, porem com uma percentagem de apenas 10%.
❑ Este estudo, apresenta um perfil, tanto metodológico como nos resultados gerais,
semelhante a outros sero-epidemiológicos de Covid-19 em outros países (Pollan et al., 2020);
❑ Por outro lado, a maioria dos estudos sero-epidemiológicos realizados, apresenta uma baixa percentagem da população detetada com anticorpos o que não suporta o postulado/evidência da existência de imunidade comunitária, confirmando a
suscetibilidade da população cabo-verdiana a uma segunda infeção ou epidemia de Covid-19 (Xu et al, 2020; Stringhini et al., 2020);
❑ Outra observação já evidenciada em estudos publicados e que a infeção acontece por ativação de focos, num mesmo período de tempo, com diferentes intensidades por localidade ou concelho de estudo (Havers et al., 2020; Pollan et al., 2020)
Outros os resultados do estudo têm a ver com
❑ a feminização da pandemia (85% dos testes positivos no sexo feminino) ❑ Camada mais jovem com mais resultados positivos
❑ Relação positiva estatisticamente significativa entre sair para fazer compras durante o estado de emergência por COVID-19, sexo feminino e
seropositividade do TDR,
❑ Não existência de relação estatisticamente significativa entre comorbilidade e seropositividade do TDR.
❑ Relação estatisticamente significante entre ter algum dos sintomas do Covid-19 e seropositividade, o que indica que a maioria dos infetados poderiam ser casos subclínicos.
Outros os resultados do estudo têm a ver com
❑ O risco relativo de ser seropositivo para o SARS-CoV-2 e 12 vezes maior em aqueles indivíduos que tiveram contactos com pessoas diagnosticadas com Covid-19,
como apontado em outros estudos (Bi et al., 2020)
❑ Condições de higiene e de acesso a água dos agregados, a mobilidade tanto dentro como fora dos concelhos que implicam contacto com pessoas; viagens em transporte coletivo e saídas para fazer compras foram outros indicadores
epidemiológicos que demonstraram significância estatística, para a infeção pelo novo coronavírus em Cabo Verde
❑ Não se verificou significância estatística nas correlações entre profissões de risco mais vulneráveis e positividade nos testes rápidos (Mhango et al., 2020), nem com a presença de comorbilidades.
❑ A maioria da população cabo-verdiana é seronegativa para a infeção pelo SARS-COV-2. Isso pode significar que ainda há muita população suscetível, podendo acontecer outras epidemias associadas ao novo coronavírus num futuro curto.
❑ Fatores sociais e comportamentais assim como a falta de rigor na aplicação das mediadas preventivas por parte da população tem contribuído para o desenvolvimento desta pandemia em Cabo Verde.
❑ Considerando que são notificados diariamente casos positivos de COVID19, este estudo poderá servir de base para comparações com estudos posteriores.
Muito obrigada pela vossa atenção
43
INSTITUTO NACIONAL DE ESTATISTICA