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CONSTITUIÇÃO DE 1988

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CONSTITUIÇÃO

DE 1988

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CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL DE 1988

INFLUÊNCIA E CONTEXTO HISTÓRICO

Após um processo longo de elaboração e votação de seu texto, a Constituição Federal foi promulgada com grande festa, em 05 de outubro de 1988, cercada de grandes expectativas. De fato, a Constituição de 1988 expressa bem os anseios da sociedade no período em que foi promulgada. Após vinte anos de ditadura e violação aos direitos humanos, a Carta Política de 1988 consagrou em especial os direitos individuais, dando atenção especial ao princípio da dignidade da pessoa humana (art. 1º, III) e aos direitos conexos a este princípio, como a proibição da tortura (5º, III) e a prática de racismo como crime inafiançável (5º, XLII), entre outros.

Também consagra a Carta Magna os direitos sociais em capítulo específico, com atenção especial ao direito dos trabalhadores, bem como assegura a igualdade material em diversos momentos (art. 5º e art. 6º, entre outros exemplos), além de destinar título específico (Título VIII) para a ordem social.

Além disso, o histórico de arbitrariedades cometidas pela ditadura e a abertura política, aliada à redemocratização do país, acarretaram na necessidade de tornar o controle abstrato e concentrado de constitucionalidade mais acessível a outros setores, de modo que a discussão atingisse a um número maior de pessoas.

A atual constituição é pautada em princípios que visam à construção de uma sociedade justa, livre e solidária, ao fim da pobreza e das desigualdades sociais e regionais e a promoção do bem estar de todos, sem que haja qualquer forma de discriminação e preconceito. O principal objetivo é a igualdade de todos os cidadãos. Por isso é

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3 conhecida como “Constituição Cidadã”.

DOS DIREITOS E DEVERES DO ESTADO

Ao longo dos trabalhos, a Assembleia Constituinte esteve aberta as propostas de emendas populares. Para tanto, bastaria que as sugestões fossem encaminhadas por intermédio de associações civis e subscritas por, no mínimo, 30 mil assinaturas que atestassem o apoio popular à proposta.

Portanto, com a maioria conservadora, a condição prévia para a consolidação da democracia e efetivo combate às desigualdades econômicas e sociais só se realizou de modo limitado, com pouco espaço às deliberações co-geradas (governo e sociedade). No entanto, certos avanços foram conquistados pelos movimentos sociais, como a formalização do direito de todos à saúde com co-gestão social do Sistema de Saúde através de Conselhos paritários com os governos, a iniciativa legislativa popular, os plebiscitos, referendos e outros mecanismos participativos.

É interessante notar que cabe ao Estado ser o “provedor de condições mínimas de renda, educação, saúde, etc., consideradas como direitos dos cidadãos”.

A partir de 1988 o Estado reviu suas responsabilidades e passou a ter a obrigação de garantir diversos direitos sociais, como educação de qualidade:

“A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada [...], visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo

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4 para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho.” Artigo 205.

O acesso à saúde (SUS) também passou a ser um direito de todos, independentemente do cidadão contribuir para a previdência ou não.

- Toda pessoa tem direito à educação. A educação deve ser gratuita, pelo menos a correspondente ao ensino elementar fundamental. O ensino elementar é obrigatório. O ensino técnico e profissional deve ser generalizado; o acesso aos estudos superiores deve estar aberto a todos em plena igualdade, em função do seu mérito.

- A educação deve visar à plena expansão da personalidade humana e ao reforço dos direitos do Homem e das liberdades fundamentais e deve favorecer a compreensão, a tolerância e a amizade entre todas as nações e todos os grupos raciais ou religiosos, bem como o desenvolvimento das atividades das Nações Unidas para a manutenção da paz.

- Aos pais pertence a prioridade do direito de escolher o gênero de educação a dar aos filhos.

A Constituição Federal de 1988 enuncia o direito à educação como um direito social no artigo 6º; especifica a competência legislativa nos artigos 22, XXIV e 24, IX; dedica toda uma parte do título da Ordem Social para responsabilizar o Estado e a família, tratar do acesso e da qualidade, organizar o sistema educacional, vincular o financiamento e distribuir encargos e competências para os entes da federação.

Além do regramento minucioso, a grande inovação do modelo constitucional de 1988 em relação ao direito à educação decorre de seu

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5 caráter democrático, especialmente pela preocupação em prever instrumentos voltados para sua efetividade.

EDUCAÇÂO

A LDB - Lei de Diretrizes e Bases nº 9.394 foi promulgada em 20 de dezembro de 1996. Desde então, ela vem abrangendo os mais diversos tipos de educação: educação infantil (agora sendo obrigatória

para crianças a partir de quatro anos); ensino fundamental; ensino médio (estendendo-se para os jovens até os 17 anos). Além de outras

modalidades do ensino, como a educação especial, indígena, no campo e ensino a distância. Cabe a nós, brasileiros, segui-la, tornando a educação muito mais humana e formativa. Mesmo porque o sistema educacional envolve a família, as relações humanas, sociais e culturais.

É por meio da LDB que encontramos os princípios gerais da

educação, bem como as finalidades, os recursos financeiros, a formação

e diretrizes para a carreira dos profissionais da educação. Além disso, essa é uma lei que se renova a cada período, cabendo à Câmara dos Deputados atualizá-la conforme o contexto em que se encontra a nossa

sociedade. Como exemplo, antes o período para terminar o ensino

fundamental era de 8 anos. Após a atualização da LDB, o período se estendeu para 9 anos, com idade inicial de 6 anos. Outras atualizações foram feitas, como a revogação dos parágrafos 2º e 4º do Artigo 36, da seção IV, que trata do ensino médio. Daí a importância de sua publicação, visando nortear o povo brasileiro, assegurando-lhe seus direitos e mostrando os seus deveres.

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6 DIVISÃO DOS PODERES

A competência legislativa em matéria educacional na Constituição Federal se encontra na previsão do artigo 22, XIV, que consagra competência legislativa privativa da União para legislar sobre diretrizes e bases da educação nacional e na competência concorrente da União, dos Estados e do Distrito Federal para legislar sobre educação, cultura, ensino e desporto, prevista no artigo 24, IX. Ranieri, um estudioso do Direito, demonstra que, em verdade, a competência para legislar sobre diretrizes e bases não é, em sua natureza, privativa, mas concorrente.

Quanto à competência prevista no artigo 24, IX, à União caberá editar normas gerais sobre educação e ensino, e aos Estados e Distrito Federal o estabelecimento de normas suplementares. Dessa forma, há um regramento sucessivo, dupla legislação em graus distintos, uma genérica e outra suplementar.

Como corolário das competências legislativas, a estrutura do sistema educacional brasileiro assenta sobre o modelo do Estado Federal. Nesse sentido, percebe-se que a lei de diretrizes e bases da educação nacional representa o regramento em nível nacional, correspondendo à articulação e coordenação dos sistemas de ensino. Por outro lado, a competência para edição de normas em matéria de educação e ensino prevista no artigo 24, IX garante a atuação dos Estados no tratamento de questões específicas, importante instrumento para atender a variedade de situações decorrentes da extensão e das desigualdades do País.

A participação da iniciativa privada na educação é admitida pela Constituição Federal subordinada ao cumprimento das normas gerais da educação nacional e autorização e avaliação de qualidade pelo Poder Público, nos termos do artigo 209. Esses são requisitos específicos, aos

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7 quais se somam os gerais previstos no título da ordem econômica e financeira, que disciplinam a iniciativa privada como um todo e justificam a intervenção estatal em caráter de fiscalização e controle junto às instituições de ensino particulares no plano de seu desempenho econômico e financeiro.

A atividade educacional exercida pela iniciativa privada não perde o caráter eminentemente público. A previsão de autorização prévia e de controle de qualidade na matéria educacional determina o estabelecimento de critérios seja em relação ao próprio desempenho da atividade educacional, como ao modo de operacionalizá-la.

PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DA CONSTITUIÇÃO DE 1988

- Assegura princípios fundamentais ínsitos à necessidade humana, servindo de fulcro o princípio da dignidade da pessoa humana (CF, art. 1º a 4º);

- Instituiu-se o Superior Tribunal de Justiça, substituindo o Tribunal Federal de Recursos;

- Estabeleceu o mandado de segurança coletivo (CF, art. 5º, LXX), mandado de injunção (CF, art. 5º, LXXI) e habeas data (CF, art. 5º, LXXII).

- Reforma eleitoral, estabelecendo a faculdade de exercício do direito do voto aos analfabetos e brasileiros maiores de dezesseis e menores de dezoito anos;

- A propriedade atenderá a sua função social (CF, art. 5º, XXIII); - O fim da censura familiar, com a implantação do divórcio e a inserção dos direitos da criança e adolescente;

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8 - Consolidação da democracia como o direito de voto aos analfabetos e facultativo aos jovens com idade entre 16 e 18 anos, as eleições que antes eram de apenas um turno com a nova constituição passa a ser de dois, para os candidatos ao cargo de presidente, governador e prefeito, no caso de prefeito ocorre segundo turno somente nas cidades que possuem mais de 200 mil eleitores, quando ocorrer de um dos candidatos alcançar 50% dos votos, e o mandato do presidente sofreu uma redução de 5 para 4 anos.

- Repúdio ao racismo, passando a ser crime inafiançável (CF, art. 4º, VIII);

- Os índios foram reconhecidos como cultura, e o governo ficou incumbido de definir as terras reservadas a eles, além de garantir a sua proteção e de suas riquezas.

- Assenta novos direitos trabalhistas (CF, art. 7º).

- A Constituição Federal de 1988 estabeleceu como crimes inafiançáveis a prática da tortura (CF/art. 5º, XLII) e ações de grupos armados contra a ordem institucional e o Estado democrático.

Em 1993, ocorreu um plebiscito sobre a forma e sistema de governo. Nessa ocasião, o povo brasileiro (a grande maioria sem discernimento sobre o assunto), decidiu pela manutenção da república presidencialista.

Referências

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