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• • Mjs ,fr (s. r'Sg • ;.5k f 1$01 ()PUè~TM 01.1( ESTADO DA PARAÍBA PODER JUDICIÁRIO

GABINETE DO EXMO. DES. MÁRCIO MURILO DA CUNHA RAMOS

ACÓRDÃO

APELAÇÃO CÍVEL n° 001.2005.005450-9/001- P Vara Cível de Campina Grande RELATOR : Des. Márcio Murilo da Cunha Ramos

APELANTE : HSBC – Bank Brasil S/A – Banco Multiplo ADVOGADOS : Daniela Delai Rufato e outros

APELADO : Distribuidora de Alimentos Farias Ltda

ADVOGADOS : Geraldo Medeiros de Araújo e Leni de Figueiredo Araújo

APELACÃO CÍVEL — AÇÃO ORDINÁRIA DE CANCELAMENTO DE PROTESTO C/C INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS E INEXISTÊNCIA DE DÍVIDA — PROCEDÊNCIA — IRRESIGNAÇÃO — PRELIMINAR DE ILEGITIMIDADE PASSIVA — REJEIÇÃO — MÉRITO — • AUSÊNCIA DE RESPONSABILIDADE PELO PROTESTO — INOCORRÊNCIA — FALTA DE NEXO CAUSAL E DEVER DE INDENIZAR — INEXISTÊNCIA — REDUÇÃO DO QUANTUNI — . ACOLHIMENTO — PRÉVIA ADVERTÊNCIA VIA TELEFONE —

FATO INCONTROVERSO — PROVIMENTO PARCIAL.

— "Banco que recebe em operação de desconto duplicata fria e protesta, encaminhando o nome do devedor ao Serasa, detém legitimidade para figurar no pólo passivo de ação de anulação de título, cancelamento de protesto e reparação de danos morais."

('extraído d"oReA sgpRogndn eo IR30ErS pP er2 dl a6 se3/M67 daiG20) s

o Banco que recebe, em operação de desconto, duplicata desprovida de causa e a leva a protesto sem tomar as cautelas necessárias".

Agravo desprovido. "(extraído do AgRg no Ag 108266/MG)

— Tem responsabilidade civil o banco que, previamente advertido, ainda que por telefone, de que os títulos cobrados são frios, mesmo assim dá seguimento ao protesto, para responder pelas perdas e danos causado ao sacado.

VISTOS, RELATADOS E DISCUTIDOS os presentes autos acima mencionados.

ACORD A a Egrégia Terceira Câmara Cível do Colendo Tribunal de Justiça do Estado, Por unanimidade, em DAR PROVIMENTO PARCIAL, ao recurso.

RELATÓRIO

Trata-se de apelação ível interposta pelo HSBC – Bank Brasil – Banco Multiplo contra a sentença de fls. 9/125, que julgou procedente o pedido exordial, para condenar o HSI3C – Bank Bras – Banco Multiplo e a IMBRAPEL – Indústria

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Brasileira de Papel Ltda, a pagar a parte autora a quantia de R$ 28.000,00 (vinte e oito mil reais), a título de indenização por danos morais, corrigidos desde a negativação, e juros de mora a partir da citação.

Nas razões do apelo, são apontados como razão do inconformismo os seguintes pontos: preliminar de ilegitimidade passiva do apelante, porque o Banco agiu como mero transmissor das ordens do mandante, segunda ré; ausência de responsabilidade pelos danos causados ao autor, uma vez que agiu na condição de endosso-mandato, a cumprir o contrato de prestação de serviço firmado com a segunda promovida; falta do dever de indenização por inexistência de nexo causal entre a conduta o fato danoso e, por ultimo, diz que o valor indenizatório é elevado, de modo a ferir os princípios da razoabilidade e proporcionalidade.

Apresentadas as contra-razões às fls. 159/163, pugnando pela manutenção da sentença.

O Ministério Público, instado a falar às fls.169/173, opinou pela rejeição da preliminar de ilegitimidade passiva ad causam e, no mérito, absteve de manifestar-se.

1111 É o relatório.

VOTO.

Da legitimidade passiva "ad causam".

O apelante levantou a preliminar de ilegitimidade passiva para a causa, sob o fundamento de ter agido como mero transmissor das ordens da IMBRAPEL.

Não prospera a alegação do apelante, já que a preliminar se confunde com mérito, porquanto o simples fato de asseverar a existência de contrato de prestação de serviço com a segunda ré, IMBRAPEL e ter enviado os títulos n's 019237/1 e 005003/1 a protesto, já o torna parte legítima para responder à demanda, de maneira que apreciarei como tema do mérito.

Portanto, rejeito a preliminar.

•. Do mérito.

O objetivo do apelante, no seu inconformismo, é esquivar-se da responsabilidade pelo protesto dos títulos de créditos d's 019237/1 e 005003/1, por se encontrar na condição de endosso-mandato, de tal modo que inexistiria ato ilícito e, dessa forma, não haveria nexo causal entre conduta e dano a gerar a obrigação de indenizar, pois estaria agindo como terceiro de boa-fé.

Da responsabilidade do endossatário.

Ab initio, devo assegurar que o apelo não prospera, no todo, porque o apelante foi advertido pelo apelado, por telefone, sobre a falta de higidez dos títulos de crédito sob judice, mesmo assim, envio-os a protesto. Eis o teor do alegado:

"Procurou a firma de imediato telefonar para o HSB C BANK BRASIL S/A, comunicando a existência de débito, por não ter sido efetuado nenhuma Ja1ão comercial com a firma denzandada, referente aos t' os CM ao, desconhecendo total o débito

cobrado",(ils 3).

O apela e, quanto a essa alegação, limitou-se tão somente a dizer que:

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"Nesses casos, deveria o cliente ter procedido à solicitação através de correspondência com aviso de recepção, a fim de garantir o conhecimento, pelo banco, da solicitação da baixa dos títulos", (fls. 131).

Ora, efetivamente, o apelante teve conhecimento de que os títulos careciam de higidez para sua cobrança. O meio para a comunicação do fato poderia ter sido fax, e-mail, AR, carta, no entanto, foi o telefônico, o qual não foi negado. Portanto, entendo que o apelante foi advertido sobre a falta de justa causa dos títulos.

O banco não fez prova da necessidade da essencialidade da forma do meio da comunicação alegada. Sequer citou previsão legal da obrigatoriedade do emprego de AR. Penso que o banco não pode se omitir a averiguar as informações prestadas pelo apelado, já que dispunha dos dados pessoais do sacado e se tratar de títulos frios. A comunicação telefônica é meio hábil para informar a falta de lastro do título de crédito expedido contra o sacado, salvo o anonimato, prescindindo-se da essencialidade formal em casos como este.

Ademais, a responsabilidade do apelante é palmar, em face da teoria •

do risco contratual, na condição de prestador de serviços, a qual está previsto no art. 17 do CDC. Eis o teor do citado dispositivo consumerista:

"A ri. 17. Para os efeitos desta Seção, equiparam-se aos consumidores todas as vítimas do evento".

Portanto, entendo que o apelante, na condição de prestador de serviço da segunda ré, responde por danos morais ao agir negligentemente, uma vez que sua conduta culposa prejudicou a imagem comercial da empresa apelada.

Do dano e do dever de indenizar.,

Entendo que estão presentes os elementos necessários a dar ensejo à responsabilidade civil, conduta, nexo causal e dano. A falta de diligência do banco endossatário, mesmo diante da advertência do apelado, reflete ser sua conduta negligente. O envio dos títulos a protesto indevido deu causa a constrição do nome da firma na SERASA, de modo a promover sérias limitações ao exercício de sua atividade comercial e •

vida financeira.

Nesse mesmo sentido, veja-se o precedente do STJ, cujo voto é da lavra do Min.Barros Monteiro:

"AGRAVO REGIMENTAL. DUPLICATA SEM CAUSA. OPERACÃO DE DESCONTO. ENDOSSO. PROTESTO DE TÍTULO. PERDAS E DANOS. - Responde por perdas e danos o Banco que recebe, em operação de desconto, duplicata desprovida de causa e a leva a protesto seu: tomar as cautelas necessárias. Precedentes - Agravo desprovido." (AgRg no Ag 108266/MG, ReL Min. Barros Monteiro, Quarta Turma, DJ 24.11.2003p. 306)

É exatamente essa a hipótese dos autos. Verifica-se que o banco recebeu para desconto duplicatas sem causa e levou a protesto os títulos sem lastro, contra pessoa que, pelo que restou comprovado, não realizou compras junto a IMBRAPEL.

Assim sendo, impõe-se a condenação dos réus ao pagamento de indenização, tendo em vista o protesto indevid dos títulos, fato que maculou o nome da empresa promovida, de modo a prejudica • cré ito comercial e a embaraçar as transações financeiras e a boa imagem da pessoa :,rídica, o a

A ne gência na prestação do serviço afetou diretamente a boa imagem da pessoa jurídica da Ipelada, de modo a prejudicar os seus negócios. A prova da

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mácula à imagem da empresa está retratada nos documentos de fls. 18 e 19. Nisso reside o nexo causal entre a conduta negligente do apelante e o resultado, o dano.

"DIREITO CIVIL RESPONSABILIDADE CIVIL DANOS MORAIS. PROTESTO DE DUPLICATA SEM CAUSA. ENDOSSO- MANDATO. RESPONSABILIDADE DO ENDOSSATÁRIO PELOS DANOS CAUSADOS AO SACADO.

No endosso mandato, só responde o endossatário pelo protesto indevido de duplicata sem aceite quando manteve ou procedeu o apontamento após advertido de sua irregularidade, seja pela falta de higidez da cártula, seja pelo seu devido pagamento.

Recurso especial parcialmente conhecido e, nesta extensão, provido".

(REsp 549.733/RJ, Rel. Ministro CESAR ASFOR ROCHA, QUARTA TURMA, julgado em 09.03.2004, DJ 13.09.2004 p. 249)

No caso em tela, o banco réu fora advertido pela autora antecipadamente, mas preferiu, tal como no precedente acima ressaltado, prosseguir na cobrança, sem preocupação quanto à possível procedência da assertiva da empresa sacada de que a cânula não tinha lastro.

Deve, portanto, arcar com as conseqüências da sua negligência e imprudência, indenizando a recorrida pelo dano moral daí resultante, que é fácil de se • supor, pelo abalo de crédito decorrente do indevido protesto levado a efeito pela instituição

bancária.

Da redução do "quantunz" indenizatório:

Inicialmente, sobre o quantum indenizatório, devo assegurar que ele é devido apenas a título de dano moral, pois, no pedido exordial, não consta reparação de danos materiais, daí porque falta interesse recursal ao apelante para pedir a modificação do decisum sobre este ponto.

Nesse tom, vale observar que o valor arbitrado na indenização por dano moral não tem o escopo de gerar enriquecimento ilícito ao promovente, mas sim proporcionar uma compensação pecuniária como contrapartida pelo mal sofrido.

No entanto, vejo que o apelante também manifesta insatisfação em relação ao montante do valor indenizatório, pois o considera irrazoável e desproporcional ao caso. A condenação importa em R$ 28.000,00 (vinte e oito mil reais), pro rata, com as • devidas correções a partir da citação.

De certa forma, assiste razão ao apelante. Se verificado que as duas duplicatas importam em R$ 7.000,00, cada uma delas no valor de R$ 3.500,00, não seria razoável que cada indenização seja elevada para 14.000,00 (quatorze mil reais), mais as correções e juros legais.

Embora nas indenizações por danos morais, seja aplicado um juízo de valor eminentemente subjetivo, entendo que, mesmo assim, deve o julgador aproximar-se ao máximo de critérios de proporcionalidade e razoabilidade plausíveis. Nesaproximar-se aproximar-sentido, à luz da prova dos autos, restou demonstrado a constrição do nome da empresa na SERASA e o protesto indevido, manchando o nome da empresa e sua reputação comercial, com perda de credibilidade. Por isso, entendo que a apelada tem direito a uma indenização, mas em

quantum menor ao fixado pelo • juízo a quo, condizente com as restrições sofridas, de maneira que entendo ser suficiente o valor de R$ 20.000,00, (vinte mil reais), pro rata, mais correção monetária a partir da negativação e juros de mora desde a citação.

Isso posto OU PR e VIMENTO PARCIAL ao apelo, para reduzir o quantia,: indenizatório fixa sentença vergastada.

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. '

Presidiu a Sessão o Exmo. Sr. Des. Saulo Henriques de Sá e Benevides. Participaram do julgamento, além do relator, Eminente Des. Márcio Murilo da Cunha Ramos, o Exmo. Des. Saulo Henriques de Sá e Benevides e o Exmo. Des. Genésio Gomes Pereira Filho.

Presente ao julgamento o Exmo. Sr. Dr. Alcides Orlando de Moura Jansen, procurador de Justiça.

Jo:t 'essoa, 1 t julho de 21 e

De rcio Murilo da cunha Ra tos Relator

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TRIBUNAL DE JU.SiiÇ.'7. Coordenaris Judie,íári&

Beght, )

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